Arquivos Diários: 14 agosto, 2009

SARNEY E EU* / brasília

Algumas semanas atrás recebi um email sobre uma manifestação na frente do Congresso Nacional pedindo “Fora Sarney”, na hora fiquei bastante animado, encaminhei o email para toda a minha lista de contatos e pensei que finalmente as pessoas iriam se indignar e reagir à tanta sujeira.

No dia da manifestação me bateu uma preguiça… após um longo dia de trabalho o cansaço me venceu, e afinal, quem iria sentir a minha falta?

No dia seguinte eu procurei eufórico nos sites de jornalismo sobre a tão falada manifestação que foi toda planejada em comunidades virtuais e bastante divulgada pelo twitter.  Para a minha surpresa não existia nenhuma manchete, nem ao menos uma nota de rodapé . Resolvi entrar em uma das comunidades do orkut que organizaram a manifestação, e para a surpresa de todos, apenas cinqüenta pessoas se dispuseram a ir para a frente do Congresso.

Apenas 50 pessoas? Sendo que eu sozinho divulguei para mais de 1000?  Que povo mais acomodado, pensei indignado, porque será que eles não foram??….

Não demorou muito para a ficha cair.  Eles não foram pelo mesmo motivo que eu não fui.  Esperava que “alguém” iria no meu lugar.

Recostei-me na poltrona em frente à televisão e olhei para a janela do meu apartamento, que refletia a minha imagem.  Fiquei olhando para mim e para a minha confortável inércia.  Foi quando de súbito, eu tive a arrebatadora visão daquilo que sempre procurei e nunca encontrei, o meu verdadeiro papel na sociedade.

“Que bunda- mole!!!”.

Finalmente, depois de tantos anos de crise existencial, pude perceber que eu era uma peça importante na sociedade, um legítimo Bunda-mole brasiliense (ou BMB).

Existem bunda- moles municipais e estaduais, mas eu tenho orgulho de dizer que sou um bunda-mole federal!! Nas minhas viagens de férias sempre algum engraçadinho vinha falar: “De Brasília né….já tem conta na Suíça?”. Eu ficava indignado, falando que eu era um funcionário público concursado, que pagava os meus impostos, enquanto o povo que roubava vinha de fora e blá blá blá. Mas agora eu vejo com nitidez que eu tenho um papel importante nesse cenário. Eu como um legítimo BMB ajudei a criar esta barreira de proteção que mantém os verdadeiros FDP livres para fazerem o que bem entenderem.

Eu acho que as coisas estão bem do jeito que estão. Tenho dinheiro todo mês para pagar a prestação do meu carro 1.0 e do meu apartamento de dois quartos, freqüento uma academia para queimar o meu excesso de ociosidade, tenho meu smart phone comprado na feira do Paraguai, e no final do ano ainda vou ficar um mês em uma casa de praia alugada junto com a minha família para a incrível experiência de assarmos como batatas na areia… Mais BMB impossível!!

Nas sextas-feiras, eu me sento com os meus amigos em um barzinho e depois do terceiro copo de cerveja soltamos toda a nossa indignação contra a patifaria que rola solta em Brasília, cada um conta um caso de um amigo próximo que enriqueceu da noite para o dia às custas do dinheiro público (o difícil é disfarçar aquela pontinha de admiração pelo “ixperto”). Depois traçamos os planos para endireitar o país. Planos que vão embora pelo ralo do mictório antes de pagar a conta. BMB de carteirinha!!

Os anos passam e as conversas vão mudando: PC Farias, anões do orçamento, precatórios, privatizações, dólar na cueca, mensalão, sanguessugas, vampiros, Lulinha Gamecorp, Daniel Dantas, o dono do castelo, Petrobrás, e agora a cereja do bolo, ele, o único, o inigualável Sarney!! Sarney é como um ícone do atraso nacional (clientelismo, fisiologismo, nepotismo, coronelismo, apropriação da máquina pública, desvio de verbas públicas etc), mas o que seria do Sarney sem a legitimidade dos BMB´s? O que seria da ilha da fantasia, dos cabides de emprego, dos lobistas, do QI (quem indicou), dos cargos de confiança, dos funcionários fantasmas, dos atos secretos sem a nossa apática presença?

Imaginem se no nosso lugar estivessem aqueles sul-coreanos malucos que iam para a rua protestar partindo pra cima da polícia, ou aqueles jovens em Seattle que furavam um forte esquema de segurança da OMC para protestarem contra a globalização.

O BMB precisa ter o seu papel reconhecido, somos nós que deixamos tudo correr frouxo, somos nós que damos uma cara de democracia a este coronelismo em que vivemos. O nosso poder aquisitivo acima da média nacional protege o Congresso e os palácios da miséria e da violência que fervilham em nosso entorno.

Bunda-moles: Vamos exigir os nossos direitos!! Precisamos finalmente mostrar a nossa cara. Nunca antes na história deste país o bundamolismo foi tão grande. Seja ele de centro, de esquerda ou de direita. Bundamolismo no movimento estudantil chapa-branca, nos sindicatos que só vão para a frente do Congresso para pedir aumento e nos artistas que se acomodaram no conforto dos patrocínios oficiais.

Vamos exigir que se crie em Brasília o museu do bundamolismo nacional na esplanada dos ministérios, uma enorme bunda branca de concreto, que irá combinar muito bem com a arquitetura de Niemeyer.

Assistimos de nossas poltronas o Brasil tomar o rumo da mediocridade, sem um projeto à altura do seu papel de grande potência ambiental do planeta, que pode liderar a nova economia limpa e inclusiva que irá gerar milhões de empregos. Mas que faz o contrário, age como a eterna colônia de exportação de matéria-primas, fazendo vista grossa para o colosso chinês que irá nos engolir com a sua máquina movida à destruição ambiental e desrespeito aos direitos humanos, para criar uma efêmera ilusão de prosperidade às custas de nossa biodiversidade e da nossa água doce (estes sim os nossos bens mais valiosos).

A bundamolização é muito mais eficaz do que o autoritarismo, ela pode ser eletrônica, através de novelas, videocassetadas, big brotheres e cultos picaretas. Pode ser química, com cerveja, maconha ou anti-depressivos. E também pode ser ideológica, com receitas milagrosas, e debates calorosos que sempre desaparecem em um clicar de mouse. Vivemos em uma sociedade anestesiada e chapada, sem rumo, imersa em ilusões baratas.

O bundamolismo nos une, não segrega ninguém, é a democracia verdadeira, que brilha por debaixo de uma crosta de hipocrisia e ignorância. E como toda ideologia que se preze, nós temos o nosso avatar, o nosso guru. Aquele que nos trás para a realidade e mostra quem realmente somos, revela o nosso eu profundo, a nossa essência.

Obrigado Sarney, só você para tirar as minhas dúvidas e me mostrar o mundo real por trás das ilusões. Sarney, nós somos duas faces da mesma moeda. Somos Yin e Yang. Nós somos os pilares deste país, um não existiria sem o outro. A sua cara de pau só existe porque do outro lado está a minha babaquice.

Bunda-moles de todo o país uni-vos!!

Vamos celebrar a nossa mediocridade, vamos sair às ruas gritando: Viva Sarney!! Viva Collor!! Viva Maluf!! Viva Roriz!! Viva Gim Argello!! Viva Renan Calheiros!! Viva Romero Jucá!!Viva o FHC!! Viva a República das bananas do Brasil!!!

Mas isso é pedir demais para um bunda-mole, vou voltar para a minha poltrona porque o jornal nacional já vai começar.

*Por Adelécio Freitas (um BMB legítimo).

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ARTE DE RUA 1

enquanto o povo é sacricrucificado os “bunda-moles” assistem. foi assim há mais de 2.008 anos.

ilustração do site. foto livre.

CAOS de otto nul / palma sola.sc

Do fundo primordial

Das coisas

.

Difuso entre tudo

E nada

.

Ouve-se o canto

De um pássaro

.

Que permeia o ar

E impõe o silêncio

.

Entre sombra e luz

Sob forma de sonho

.

O canto perpassa

Todos os limites

.

Até restabelecer

A atmosfera do caos

NASA tira foto inédita do centro da galáxia – por paula rothman, de INFO

centro-via-lactea-NASA-20090807155547

O telescópio espacial Spitzer conseguiu registrar o centro da Via Láctea, uma região escondida por nuvens de gás e poeira.

Com suas lentes infra vermelhas, ele fotografou o coração da nossa galáxia, um local há cerca de 26 mil anos luz de distância da Terra, em direção à constelação de Sagitário.

O amontoado de pequenos pontos  é falsamente colorido pelo efeito da câmera, e mostra estrelas mais velhas e frias em tons azulados. As nuvens de poeira brilhantes e vermelhas indicam estrelas mais jovens e quentes nos berçários estelares.

A imagem tem um alcance de cerca de 900 anos luz.

OS INIMPUTÁVEIS por sérgio da costa ramos / florianópolis

Se pudesse invocar a Deus, o Senhor não deixaria de tomar uma divina providência. O Todo-Poderoso entendeu que aquele era um caso pessoal, de intervenção imediata. Num lugar exótico do planeta Terra, homens e mulheres transgrediam a lei, a moral social e os bons costumes e não lhes cabia qualquer tipo de penitência.SERGIO DA COSTA RAMOS

O primeiro desses “anjos caídos” habituara-se a tomar o público como privado. Apropriava-se dos bens do povo com a desenvoltura de um Lúcifer. Nomeara parentes e amigos, distribuíra empregos e benesses sem a devida contraprestação em trabalho. Pior: amealhara dinheiro de falsos convênios, subtraíra recursos que poderiam socorrer um carente, manter um hospital, salvar uma vida.

Ironia: chamava-se José, como o carpinteiro do Novo Testamento, em cujo abrigo nasceu o Salvador.

O segundo desses anjos decadentes era um “administrador de obras públicas”. Ou melhor: um “sugador” de recursos orçamentários. De uma única avenida, chupou nada menos do que US$ 400 milhões. Fortuna que viajou pelo mundo e, devidamente “lavada”, voltou ao domínio desse Ali Babá. O político – brasileiro, é claro – já foi condenado em duas instâncias do Judiciário, mas ainda não conhece penitência. Naquele bizarro país, trambiqueiros costumam viver soltos e impunes.

Num país da reforma de Lutero, os que “subtraem”, pagam. Como aquele financista do mal, Bernard Madoff. Condenado a 150 anos de prisão.

Nesse outro país da contrarreforma, o “administrador em causa própria”, Maluf, acabou ungido como o deputado federal mais votado – apesar de condenado a 23 anos de prisão. Estranha condenação – que o condenado cumpre em total liberdade, fundado na onírica presunção de que “mesmo os culpados, havendo recurso, são considerados inocentes e não se obrigam à penitência”…

E havia ainda aquela menina de rosto angelical, belas feições de “anja” numa persona dissimulada. Aquela jovem havia reunido representantes de Satanás, a quem abriu as portas de sua casa, para que massacrassem seu próprio pai e sua própria mãe, enquanto eles dormiam.

Naquele país, tristemente conhecido como “O Limbo dos Inimputáveis”, as forças do mal estão prontas para libertar a ré desse crime hediondo, depois de cumprido apenas um sexto da pena que lhe destinaram, já de si branda e “compreensiva”.

Está nas mãos do Senhor visitar esse “Limbo” e justiçar José Sarney, Paulo Maluf e Suzane Von Richthofen – os Inimputáveis.

Alexandre França apresenta sua Música de Apartamento – hoje / curitiba

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Publicado em 13/08/2009 | Pedro de Castro, especial para a Gazeta do Povo

Seguindo a linha de temas tristes e intimistas iniciada com “A solidão não mata, dá a idéia”, o novo disco do músico curitibano Alexandre França toma um espaço de clausura das cidades como metáfora para falar de um personagem ordinário, o chefe de uma família de classe média. Música de Apartamento transforma a previsibilidade deste cenário numa sequência de tragédias teatrais, acompanhada de uma instrumentação pouco carregada. França lança o novo disco hoje e amanhã, no Teatro Paiol, às 21 horas.
O apartamento é o espaço onde se desenvolvem as histórias das letras das canções, que mantêm uma tênue linha narrativa, pouco evidente de propósito. Dentro dele, o homem experimenta decepção, traição e morte. Porém a continuidade não é mais importante que os episódios isolados. O espaço delimita a ação, é a clausura do personagem, e acumula outro significado. “Exploramos o sentido burguês do apartamento, símbolo desta camada, que não só contém como está ligado ao percurso do sujeito de classe média”, explica França. A presença do tema do isolamento remete ao disco anterior, que o músico faz questão de diferenciar. “Bus ca mos outro sentido além da solidão do apartamento, e este disco tem um tom mais intimista”, esclarece.
A visão voltada para si próprio é reforçada por um arranjo de poucos instrumentos, que tam bém abre espaço ao viés cênico das canções. Sons encontrados no ambiente de um apartamento, como o barulho de água fervendo na chaleira até o ranger de portas ou o choro de um bebê, interferem na melodia das canções, pautadas pela estética da MPB. Um exemplo é a faixa que abre o trabalho, “Valsa de Apartamento”, onde o som de escovar de dentes dita o ritmo da canção. “A intenção é que o ouvinte fique absorvido na atmosfera do lugar através do disco e a instrumentação contribui com isso”, conta o músico.
França espera que o trabalho tenha uma boa recepção. “O outro disco já tinha recebido boas críticas”, lembra. O CD foi produzido dentro do âmbito do projeto Pixinguinha, da Funarte, que visa difundir a música popular brasileira.
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Serviço
Música de Apartamento – Alexandre França. Teatro Paiol (Lgo. Guido Viaro, s/nº – Prado Velho), (41) 3213-1340. Hoje e amanhã, às 21 horas. Ingresso: R$ 15 (com CD), R$ 10 e R$ 7 (estudantes).

POESIA VISUAL de hugo mund junior / brasilia

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