Arquivos Diários: 16 agosto, 2009

FORA SARNEY! ontem, sábado (15/08/09), nas capitais deste BRASIL!

FORA SARNEY

em Belo Horizonte. foto de bruno figueiredo.

BRASIL
autor e interprete: CAZUZA

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer…

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha…

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer…

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer “sim, sim”

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair…

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…(2x)

Confia em mim
Brasil!!

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FORA SARNEY RIO DE JANEIRO

Copacabana/ Riode Janeiro. foto de nelson de paula.

FORA SARNEY - SÃO APULO

fora sarney. em São Paulo. foto de nelson antoine.

PROTESTO/SARNEY/CURITIBA

em Curitiba. foto de rodolfo buhrer.

FIM DE JOGO por hamilton alves

A peça famosa de Beckett “Fim de Jogo” chegou-me às mãos por um texto em espanhol. Comecei a lê-lo e, a partir de certo ponto em diante, o larguei. Não pude colher nenhuma impressão das poucas páginas lidas. Sabia, no entanto, que se tratava de uma das melhores peças do dramaturgo irlandês. Vinha precedido de outro sucesso de palco, esse mais estrondoso – “Esperando Godot”, representado, no Brasil, pela primeira vez, por Walmor Chagas e Cacilda Becker, que, num dos espetáculos, teve uma crise de aneurisma e morreu em cena.

“Fim de Jogo” foi exibida aqui por Edson Celulari (canastrão global) e Cacá Carvalho (ator excelente). Revezavam-se ambos na interpretação dos personagens Clov e Hamm (dificílimos). Mas se saíram muito bem de sua missão árdua, melhor do que se poderia esperar.

Como fui ver essa peça é preciso que se conte.

Não tinha nenhum interesse de vê-la porque não acreditava em Celulari. Cacá era, para mim, um ilustre desconhecido, se bem que, como o outro, trabalhava nas novelas xaropes da Globo.

Um amigo, um dia antes da sessão a que compareci, me ofereceu dois ingressos.

Tinha-os ganho mas não revelava nenhuma disposição de ver a peça.

De minha parte, como aludido, tinha minhas restrições a Celulari, mal conhecia os demais atores, que formavam um quarteto, dois dos quais tinham pouca participação.

Sabia do valor do texto de Beckett, que, àquela altura, tinha corrido mundo.

Enfrentando uma má vontade de rotina de sair de casa à noite, onde invariavelmente me enfurno para distrair-me com leitura de livros ou jornais ou para compor algum trabalho literário, além do convívio com a família, fui ver a peça, já sabendo de ante-mão o que me esperava. Ou as poucas perspectivas de assistir a alguma coisa que me agradasse.

Bem, para resumir: o tiro me saiu pela culatra. Ou seja, foi um dos maiores espetáculos de teatro que já vi.                                                                                                Celulari que, na oportunidade em que assisti à peça, interpretava Hamm, e Cacá, Clov, deram ambos um show ”au complet” de arte teatral.

Punha as barbas de molho pela crítica ferina que havia feito de suas possibilidades de atores. Celulari, especialmente, estava absolutamente senhor de seu complicado papel de interpretar um velho caquético e autoritário como Hamm, que submetia sob seu tacão o pobre Clov, que lhe era todo servil. Cacá merece igualmente destaque especial (fez Clov de forma absolutamente espetacular). Trata-se, para mim, da revelação de um ator genial.

Quando saía do teatro, vinha comentando com um amigo a funda impressão que me deixara o desempenho de todos os quatro atores, com destaque para Celulari e Cacá. Notei que uma pessoa, que me ouvia, fez um risinho de mofa, levando-me a crer que não entendera lhufas da peça.

Não quero aprofundar o tema, mas me ocorreu como são mal aproveitados e pior dirigidos os atores de novelas.

RUMOREJANDO – PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES (16.08.09) por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

A torcida do Paraná contra o Bragantino chegou a gritar olé. É. Quem nunca come melado, quando come chega até a esquecer que pode se lambuzar na próxima. Mas, afinal. A gente estava acostumado a apenas levar e não dar olé…

Constatação II (E já que falamos no assunto, vamos externar nossa modesta e abalizada opinião):

A possibilidade do Paraná ser campeão

E ascender pra Primeira Divisão

É inversamente proporcional

A eu encontrar um adversário local,

Nacional ou mundial

Que me ganhe no truco.

Mesmo me deixando maluco.

Enfim, um cara bom…

Constatação III

Deu na mídia: O senador Artur Virgílio, que protocolou ações contra o presidente do Senado José Sarney, admitiu que manteve em seu gabinete um funcionário que estudava na Espanha. O líder do PSDB negociou com a diretoria do Senado o ressarcimento do dinheiro pago, R$ 210 mil em quatro parcelas”.

Moral I: Quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado do vizinho.

Moral II: Em certos países os desonestos são sempre os outros.

Moral III: Aparentemente, os dois não estavam do mesmo lado. A nossa relativa suposta sorte é que eles estavam se degladiando entre eles. Até a hora que sobreveio a tradicional e não surpreendente pizzada: “Eu não mexo com V. Excia.. E V Excia. não mexe comigo”. E viva “nóis” que não somos V. Excias…

Constatação IV (Classe é classe…)

Deu na mídia: “SÃO PAULO – O senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL), disse em discurso em plenário dia 10 de agosto estar “obrando” na cabeça do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, da revista Veja”. Data vênia, como diriam nossos juristas, masRumorejando supõe que na bacia sanitária seria bem mais cômodo e confortável.

Constatação V (Quadrinha para ser recitada em algum Fórum Mundial, daqueles que não levam absolutamente a nada).

Se eu fosse o presidente

Da República do Burundi

Eu viveria por lá, somente

E não viveria por aqui.

Constatação VI (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

Na chuva, foi o amigo Bertoldo

Que, ao invés de guarda-chuva,

Usava um baita de um toldo?

Constatação VII (De outra dúvida crucial via pseudo-haicai).

Inspiro gás carbônico

Sobrevivo assim mesmo.

Será que sou biônico?

Constatação VIII (Quadrinha de cinco estrofes [pentinha?] para ser recitada no Senado ou na Câmara dos Deputados).

Conversa vai, conversa vem

Sempre haverá alguém

Que jamais, na vida, fará um bem.

E, qual um líquido, outro alguém

Tomará a forma do vaso que o contém…

Constatação IX (E já que falamos no assunto…)

Falta pros simples mortais perspicácia

Em se dar conta  que a democracia,

Apregoada por esses políticos, é uma falácia?

Constatação X (Pseudo-soneto da série Ah, o Amor…)

Chegamos no motel rotundo

Fechamos a porta do apartamento

E ficamos separados do mundo.

Nos olhando por um momento.

Trocamos beijos e abraços

No estilo “finalmente sós”.

Não foram pouco escassos.

As línguas, só faltavam dar nós.

As peças de roupa voavam

Quais corruíras no firmamento

E o teu corpo desnudavam

Você disse: “Vou tomar um banho

E volto em um momento”.

Tardou. Te segui. Visões de antanho.

Constatação XI (Com os agradecimentos ao professor de Educação Física, Personal training e Fisioterapeuta João Paulo de Andrade Alarcão).

Rico tem escápula; pobre paleta.

Rico tem gastrocnêmio; pobre, batata da perna.

Rico tem patela; pobre, rótula.

Constatação XII

O empate do Campinense um minuto após o gol do Paraná aos 46 minutos do segundo tempo lembra “mutatis mutandis” que o pão de pobre sempre cai com a manteiga voltada para o chão. E que alegria de pobre dura pouco…

Constatação XIII

Foi a mosquita

Que disse pro mosquito:

“Você andou chupando pirulito

Ou alguém que tomou birita?”

Constatação XIV

Foi a tigresa

Que disse pro tigre:

“Mas que beleza

Chegando essa hora!

Vá embora!

Emigre!

Você tá atrasado!

Seu desmiolado!”

Coitado!

Constatação XV

Não que a gente seja contra. Ao contrário. Mas a facilidade com que certas mulheres mostram os seios também pode ser explicado pelo fato delas acharem que estão mostrando algo que não lhes pertencem. Eles não são os seus seios originais. Eles foram siliconados. Elementar…

Constatação XVI

Escritor rico é vocabularista; pobre, sensacionalista.

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FREIRAS - DE MARTA FERREIRA

a mesa diretora do senado federal em pose especial para o domingo de sol.

foto de marta ferreira.

ilustração do site.

MAU SUCO por alceu sperança / cascavel.pr

O PPS cometeu um enorme desserviço à história do País quando tentou destruir o Partido Comunista Brasileiro (PCB), dando-nos um enorme trabalho para reconstruir tudo do zero.

Para dificultar esse trabalho, espalhou por aí, sem o menor pudor, todo o patrimônio documental do Partidão, que acabou nas mãos da Globo, veja só!

Em seguida, irrefletidamente, apoiou a tucanagem nas eleições. E agora anuncia a intenção de promover discussões sobre a “esquerda democrática”… Deveria ter mais respeito pela própria história e não levar água ao moinho da direita.

A esquerda é democrática por definição e a adjetivação dela é absolutamente imprópria e malandra. Sugere que o PPS é “esquerda democrática” em oposição a uma esquerda que seria “antidemocrática” ou “não-democrática”.

O que é a esquerda, hoje, neste planeta? É não se render à ideologia capitalista, que hoje se apresenta com sua cara mais feroz e, contudo, hipnótica: o neoliberalismo. A ideologia que leva o escravo a desejar ser escravo, querer consumir e ser consumido, gastar e ser gasto.

Coisa gagá

O grande ridículo dos últimos tempos foi aquela coisa gagá dita pelo presidente Luiz Inácio:

“Se uma pessoa idosa é muito esquerda, então ele não sofre bem da cabeça”.

A besteira está menos na questão da idade que no conceito absurdo de intensidade: o que é ser “muito esquerda”, “pouco esquerda” ou “médio-esquerda”? Uma bobagem como “muito grávida”, “medianamente grávida” ou “pouco grávida”.

A esquerda é um amplo e multifacetado movimento anticapitalista e antineoliberal, de teor humanista e ambientalista, comandado pelas forças do mundo do trabalho em sua autodefesa, que procura de forma admirável, persistente, enfrentando toda a ardilosa e renitente ideologia vigente, radicalizar a democracia e não se opor a ela.

Sequer está em busca do Comunismo, um horizonte ainda impossível de compreender sem antes construir o socialismo como processo de transformação do antigo em novo.

O deputado Chico Alencar, do PSol – um dos partidos integrantes da Frente de Esquerda, ao lado de PCB e PSTU nas últimas eleições presidenciais –, fez, em uma palestra, um resumo do que é a esquerda nos dias atuais:

“Pela democratização radical: dos grandes meios de produção e… dos meios de governar (inclusive as caixas-pretas dos bancos centrais e dos gestores econômicos)”.

Abraça ainda a utopia de um governo mundial cooperativo (que Paulo VI já pregara, na encíclica Populorum Progressio, de 1967, atenção!) e de um planeta saudável e auto-sustentável.

Ou seja: ser esquerda hoje é pensar mais ou menos como o Papa pensava em 1967.

Frutos amargos

Essa mania de adjetivar a esquerda lembra aquilo que o filósofo Michel Foucault (1926–1984) dizia pensarem dele:

“Fui considerado um tecnocrata, agente do governo gaullista pelos democratas. E pelos gaullistas, pela direita, como um perigoso anarquista. Até mesmo um docente americano indignou-se porque nunca um veterano marxista como eu, certamente um agente da KGB, seria convidado pelas universidades americanas, e assim por diante”.

Mas se o neoliberalismo é o inimigo principal da esquerda, que não precisa de adjetivos e nem merece que alguém tente rachá-la com adjetivação, não é inimigo menor o neo-anarquismo, que também conduz à despolitização, à desmobilização e à omissão.

O neoliberalismo e o neo-anarquismo têm de muito parecido entre si o fato de semearem o desinteresse dos cidadãos por aquilo que é seu, é público e precisa do controle e da iniciativa popular para no mínimo corrigir rumos.

Ambos apostam na disfuncionalidade do Estado-nação. Ou seja, uns querem o Estado mínimo no sentido de ausente, outros querem nenhum Estado, acreditando que basta negá-lo para destruí-lo. Os frutos dessas duas árvores são igualmente amargos e nocivos. Dão mau (e antidemocrático) suco.

Ser esquerda é estar serviço da humanidade. É, portanto, ser radicalmente, e sempre, democrático.