MAU SUCO por alceu sperança / cascavel.pr

O PPS cometeu um enorme desserviço à história do País quando tentou destruir o Partido Comunista Brasileiro (PCB), dando-nos um enorme trabalho para reconstruir tudo do zero.

Para dificultar esse trabalho, espalhou por aí, sem o menor pudor, todo o patrimônio documental do Partidão, que acabou nas mãos da Globo, veja só!

Em seguida, irrefletidamente, apoiou a tucanagem nas eleições. E agora anuncia a intenção de promover discussões sobre a “esquerda democrática”… Deveria ter mais respeito pela própria história e não levar água ao moinho da direita.

A esquerda é democrática por definição e a adjetivação dela é absolutamente imprópria e malandra. Sugere que o PPS é “esquerda democrática” em oposição a uma esquerda que seria “antidemocrática” ou “não-democrática”.

O que é a esquerda, hoje, neste planeta? É não se render à ideologia capitalista, que hoje se apresenta com sua cara mais feroz e, contudo, hipnótica: o neoliberalismo. A ideologia que leva o escravo a desejar ser escravo, querer consumir e ser consumido, gastar e ser gasto.

Coisa gagá

O grande ridículo dos últimos tempos foi aquela coisa gagá dita pelo presidente Luiz Inácio:

“Se uma pessoa idosa é muito esquerda, então ele não sofre bem da cabeça”.

A besteira está menos na questão da idade que no conceito absurdo de intensidade: o que é ser “muito esquerda”, “pouco esquerda” ou “médio-esquerda”? Uma bobagem como “muito grávida”, “medianamente grávida” ou “pouco grávida”.

A esquerda é um amplo e multifacetado movimento anticapitalista e antineoliberal, de teor humanista e ambientalista, comandado pelas forças do mundo do trabalho em sua autodefesa, que procura de forma admirável, persistente, enfrentando toda a ardilosa e renitente ideologia vigente, radicalizar a democracia e não se opor a ela.

Sequer está em busca do Comunismo, um horizonte ainda impossível de compreender sem antes construir o socialismo como processo de transformação do antigo em novo.

O deputado Chico Alencar, do PSol – um dos partidos integrantes da Frente de Esquerda, ao lado de PCB e PSTU nas últimas eleições presidenciais –, fez, em uma palestra, um resumo do que é a esquerda nos dias atuais:

“Pela democratização radical: dos grandes meios de produção e… dos meios de governar (inclusive as caixas-pretas dos bancos centrais e dos gestores econômicos)”.

Abraça ainda a utopia de um governo mundial cooperativo (que Paulo VI já pregara, na encíclica Populorum Progressio, de 1967, atenção!) e de um planeta saudável e auto-sustentável.

Ou seja: ser esquerda hoje é pensar mais ou menos como o Papa pensava em 1967.

Frutos amargos

Essa mania de adjetivar a esquerda lembra aquilo que o filósofo Michel Foucault (1926–1984) dizia pensarem dele:

“Fui considerado um tecnocrata, agente do governo gaullista pelos democratas. E pelos gaullistas, pela direita, como um perigoso anarquista. Até mesmo um docente americano indignou-se porque nunca um veterano marxista como eu, certamente um agente da KGB, seria convidado pelas universidades americanas, e assim por diante”.

Mas se o neoliberalismo é o inimigo principal da esquerda, que não precisa de adjetivos e nem merece que alguém tente rachá-la com adjetivação, não é inimigo menor o neo-anarquismo, que também conduz à despolitização, à desmobilização e à omissão.

O neoliberalismo e o neo-anarquismo têm de muito parecido entre si o fato de semearem o desinteresse dos cidadãos por aquilo que é seu, é público e precisa do controle e da iniciativa popular para no mínimo corrigir rumos.

Ambos apostam na disfuncionalidade do Estado-nação. Ou seja, uns querem o Estado mínimo no sentido de ausente, outros querem nenhum Estado, acreditando que basta negá-lo para destruí-lo. Os frutos dessas duas árvores são igualmente amargos e nocivos. Dão mau (e antidemocrático) suco.

Ser esquerda é estar serviço da humanidade. É, portanto, ser radicalmente, e sempre, democrático.

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