Arquivos Diários: 17 agosto, 2009

JOÃO BATISTA DO LAGO jornalista e poeta, COMENTA em “FLORES ROUBADAS DO JARDIM ALHEIO” de ivo barroso / são luis.ma

COMENTÁRIO:

Belíssimo texto.

Belíssima denúncia.

Corajosa reflexão.

Permito-me, neste comentário, reproduzir o seguinte trecho:JOÃO BATISTA 002

“Essa prática inescrupulosa da apropriação de traduções alheias – pela cópia deslavada ou enganosa maquiagem – parece estar se ampliando junto a editores de livros em série ou coleções ditas populares. Há muitos títulos de obras clássicas que circulam por aí que, se examinados com cuidado, revelariam – como um triste palimpsesto – o nome apagado e explorado do tradutor original.”

E por que o reproduzi?(!)

Exatamente para embasar e solidificar este meu comentário que não faz crítica ao tradutor em si, pois este, é filho bizarro da subcultura que se vem propagando sob o patrocínio da pós-modernidade ou de uma modernidade tardia.

Minha crítica tem endereço certo: a indústria cultural brasileira (e de resto mundial) que se fundamenta em livreiros que não têm quaisquer compromissos com a “Paidéia”; essa indústria cultural, responsável por um sem-número de títulos imbecis (este não é o caso das Flores do Mal) é quem, de fato, deveria ser condenada e denunciada veementemente – como o fazem aqui o site e o autor do texto – pois, para além do plágio tosco e inculto, produzem uma tipologia de circularismo da circularidade presente de livros e textos de autores consagrados, sobretudo daqueles com mais de 100 anos, para evitar pagar os direitos autorais.

É devido a essa produção daninha – inescrupulosa mesmo! -, dessa tipologia de indústria cultural, desses fornos de subcultura – produto do capital capitalista -, que não vemos nascer novos grandes escritores que vivem condenados ao esquecimento e, possivelmente, suas obras jamais serão conhecidas do grande público.

Paralelamente, o Poder Público, ou seja, o Estado (no caso brasileiro: o Estado Brasileiro) não se tem revelado competente para o estabelecimento de uma política cultural que vislumbre o aparecimento ou a “produção” de uma indústria cultural capaz de revelar os novos atores da literatura nacional ou das belas artes brasileiras.

…E assim ficamos – todos, todos mesmos! – refém de uma produção literária ou de uma indústria cultural incapaz, ineficiente, imbecil, decursiva da idiotia idolatrada pelos senhores donos do capital da subcultura nacional.

Tenham todos um bom dia.

Bem sejam.

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A LUTA PELAS TREVAS – da redação de CARTA CAPITAL

jereissatifoto de geraldo magela. agência senado.

Lê-se na coluna de Merval Pereira, em O Globo, que o pedido de desculpas na tribuna do senador tucano Tasso Jereissati, metido dias antes em um duelo verbal com o colega peemedebista Renan Calheiros, foi mais um gesto do grupo de parlamentares “éticos”, preocupados em recuperar o Senado das mãos da horda de meliantes que o administra. Finda a leitura, era possível até imaginar Jereissati vestido em uma armadura, como Ricardo Coração de Leão, a liderar um exército para salvar Jerusalém dos infiéis.

Merval, como se sabe, é da mesma estirpe do tucano. Jornalista equidistante e imparcial, movido pelas mais nobres intenções, não deve ser confundido como gente como nós, da CartaCapital, sempre prontos a vender a alma ao demônio por qualquer moeda, não é mesmo? Não importa se o colunista de O Globo peque em um fundamento essencial do jornalismo: o apego à verdade factual. Na nossa última edição, que chegou às bancas na sexta-feira 7, o texto de autoria de Cynara Menezes antecipa uma informação a que o resto da mídia só atentaria dias depois: a costura de um acordo entre o PMDB e o PSDB para zerar a contenda no Senado. Salva-se o pescoço de José Sarney, preserva-se o de Arthur Virgílio, cujos pecados seriam suficientes para queimá-lo na fogueira da Comissão de Ética.

Portanto, o gesto “nobre” de Jereissati está mais para aceno a um acordão conveniente a todas as partes. Os leitores de O Globo foram iludidos. Não existem Ricardos e Saladinos neste episódio. Há sim uma luta política corriqueira, grosseira, pautada pelo calendário eleitoral. Jereissati e Calheiros, Virgílio e Sarney são espelhos da institucionalização da política como trapolim para a realização de interesses privados, paroquiais, na melhor das hipóteses. Circunstancialmente, estão em lados contrários no momento. Mas no Brasil, onde o mundo intelectual foi dominado pelo embuste, jornalistas disfarçam seus desejos de análises desapaixonadas sem nenhum pudor.

Por falar em santos e demônios, a tevê imita o Senado. GloboRecord, Jereissati e Calheiros. Tudo a ver.

A rede da família Marinho esbalda-se nas denúncias de lavagem de dinheiro contra os integrantes da Igreja Universal. Acuados pelas transações mal explicadas, Edir Macedo e sua turma apontam as baterias contra a Vênus Platinada. A Globo reprisa os métodos nada ortodoxos de arrecadação ensinados por Macedo. A Record relembra as mazelas da rival, das relações promíscuas com o regime militar às manipulações nos sucessivos governos civis. O pano de fundo é a guerra milimétrica da audiência. Em nome dela, vale tudo. Assim como no Senado, trata-se de uma batalha pelo controle das trevas.