Arquivos Diários: 23 agosto, 2009

EU e os GREGOS por joão batista do lago / são luis.ma

A senhora pergunta, sob o meu ponto de vista “(caso a vida continuasse após a morte do corpo)”, que destino eu daria:

1) Ao Sócrates Histórico?;
2) Ao Sócrates de Xenofonte?;
3) Ao Sócrates de Platão?;
4) Ao Sócrates de Aristóteles?

“- Não lhes daria nenhum destino.”

Mas esta resposta é por demais simplória, e não abarca, ou seja, não contempla a excelsa sabedoria introjetada em vosso argumento (segundo minha visão). No seu parêntesis estão contidos já três temas fenomênicos fundamentais JOÃO BATISTA 002para a história do pensamento, para a filosofia e para a história da formação do humano, assim como das espécies: Vida, Morte e Corpo.

“EU”, não acredito na morte, do que quer que seja. Mas, ao inferir este brocardo, ocorre-me um fluir paradoxal, isto é, sou, pelo senso comum, assim como pelo senso intelectual, dos quais sou construído, condicionado a pensar no contrário da “Morte”, ou seja, na “Vida”. E, ao pensar na Vida, ocorre-me um novo paradoxo: o Corpo. Eis, aqui, um “João Poeta” totalmente agrilhoado. Preso ao “MEU” desconhecimento, à “MINHA” não-sabedoria.
Mas, como sou anti-humano, por demais anti-humano, e penso, anti-humano “despertado” e “desperto”; inquietado com a “MINHA” ignorância, e ansioso para alcançar a “MINHA” Sabedoria, não canso em buscar aprender, e apreender, sobre essas questões metafísicas, uma razão racional tendo como laboratório de análise, estudo e pesquisa o meu próprio “EU”. E, em razão disso, questiono-me, desde que me considerei desperto, respostas para fenômenos como esses que a senhora se me remete.

Para justificar a minha não-crença na Morte, tomo, por empréstimo, o pensamento de Arthur Schopenhauer (1788-1860), pensamento que também foi emprestado por Friedrich Nietzsche (1844-1900): tudo que sabemos do mundo é puro fenômeno, ou seja, aparência, ilusão, fantasia; qualquer objeto de conhecimento é sempre condicionado ou, melhor, “DETERMINADO”, pelos esquemas radicados na mente do sujeito cognoscitivo: o espaço, o tempo, a relação de causa e efeito…; Isso significa que é sempre e essencialmente uma construção mental, uma representação…; Todas as nossas convicções são subjetivas, pois, não existe objetividade, nem mesmo no campo científico, e o mundo inteiro no seu conjunto, mesmo que nos pareça estável, real e independente de nós, é somente uma totalidade de representações mentais pessoais.

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Portanto, minha prezadíssima filósofa, penso que a Morte, assim como a Vida, são representações mentais. Assim sendo, “EU”, não tenho como “destinar” nenhum dos “Sócrates” para “destino” quaisquer. O “destino” não passa de representação individual da mente do humano. Mas é interessante perceber-se, no interior da sua questão, a existência desse fenômeno: o corpo.

Qual daqueles “Sócrates” (inclusive o de Alighieri, como refere a senhora) tem um Corpo? E o que é Corpo? E na possibilidade da existência de um Corpo, de que matéria são compostos esses corpos? Como e de que forma se pode ter consciência sobre a existência de Corpo naqueles “Sócrates”? Qual matéria constitui o corpo do “Sócrates de (…)”, que “com certeza perambularia por toda a eternidade através do planeta, conhecendo povos e épocas diferentes?”

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E agora invertamos os papéis: e se a esta nossa existência, deste aqui e agora, chamássemos Morte, e depois do desaparecimento do corpo a concebêssemos como Vida? Porventura não continuariam sendo apenas representações fenomênicas, isto é, representação mental individual de cada humano?

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E quanto ao corpo, vejamos o que diz Schopenhauer: que cada um é capaz de conhecer apenas “UM” objeto, somente “UM” no universo inteiro, em toda a sua objetivação e realidade efetiva. Esse objeto é o “NOSSO” corpo. Porventura não é a única “coisa” fenomênica que realmente percebemos, ou seja, que não percebemos por meio dos sentidos?
Ser; Ser-si; Sentir-se um corpo vivente é, para “NÓS”, o único conhecimento númeno possível, isto é, verdadeiro, essencial, objetivo, não fenomênico.

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Contudo, além de todas essas razões que apontei aqui e agora, lógico, partindo do pensamento de Schopenhauer, no qual acredito e, portanto, tomo-o como a “MINHA” verdade fenomênica, há, ainda, em sua questão, um fenômeno que subjaz, que está envolto por uma obscuridade apolínea, mas que a contesto dentro de uma concepção dionisíaca: a existência da “alma” que perambula.

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Se, porventura, “EU” destinasse para algum lugar, quaisquer daqueles “Sócrates” [inclusive o Sócrates de Alighieri, assim como o Sócrates de (…)], “EU” estaria pressupondo a existência de um outro ser ou de uma outra entidade: a alma, o que, por inferência lógica, com base numa tipologia de intuicionismo ou, quando muito, estabelecida a partir de uma teoria empirista da metempsicose, teria uma forma, ou seja, acabaria, de alguma maneira, prefigurando a existência de um corpo que “com certeza perambularia por toda a eternidade através do planeta, conhecendo povos e épocas diferentes”, como acredita a filósofa (…).

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Permita-me, filósofa (…), discordar do vosso aforismo filosófico, mas se porventura entendi errado o vosso pensamento, conceda-me, por gentileza, o dom da vossa correção. De minha parte não acredito na existência de uma alma que vaga mundo afora “conhecendo povos e épocas diferentes”, transmigrando de um corpo para outro após a morte, para novamente se instalar num novo “parto”, ou pairando em algum limbo, que “soi-disant” em humanos adormecidos pela estética do apolíneo. Isto, entretanto, não significa dizer que “EU” esteja com a verdade ou que tenha razão sobre este fenômeno. E, com certeza, provavelmente não estou com a verdade ou com a razão sobre este fenômeno. A verdade e a razão também não passam de representações mentais da mente pessoal.

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Por sua vez, Dante Alighieri, que não faz parte da história e do pensamento da Filosofia, a não ser sob o aspecto literário, nos remete para o “limbo”, um espaço metafísico ou um provável lugar onde “almas que não puderam escolher a Cristo”, pelo batismo, continuam a experienciar suas vidas após a morte. Devo admitir que esta é um das mais belas criações da literatura universal, e que se junta à “Odisséia” e à “Ilíada”, de Homero, assim como ao “Erga”, de Hesíodo. Não é a-toa que ‘o’ “Dante” da “Divina Comédia” encontra-se no Limbo com ‘o’ “Homero” da mesma obra dantesca, construída em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso.

Não seria isso tudo, pois, a representação mental fenomênica de Alighieri? E o que são o Inferno, o Purgatório e o Paraíso se não representações mentais fenomênicas? Podemos assinalar que Alighieri, nesta obra, em que pese toda a sua beleza, a sua plasticidade, a sua estética enfim, é um “ser adormecido”? Porventura a sua obra não foi criada para “(contentar em parte a igreja)”, conforme assinalou a senhora ao criar o tópico em debate?

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Veja, cara filósofa, o quanto de importância, beleza e profundidade têm o vosso questionamento. E o que se disse até aqui não é sequer um grão de areia nessa imensidão de conhecimento e sabedoria. Talvez não seja nada mesmo! Quem sabe!? Mas o fato é que estamos todos – todos mesmo – imbricados nessa avalancha monolítica do desconhecimento da origem das espécies, assim como do universo, apesar das teorias científicas modernas que nos alentam de conhecimentos racionais e científicos… E ainda sequer falamos de quaisquer dos “Sócrates”: o Histórico, o de Xenofonte, o de Platão e o de Aristóteles.

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Penso que o maior problema do debate sobre Sócrates reside, fundamentalmente, na dissonância discursiva dos principais discípulos, sobretudo quando falamos do “Sócrates” de Platão ou do “Sócrates” de Xenofonte, ou de ambos simultaneamente. E pior ainda, quando associamos a esses dois o Sócrates Histórico.

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Mas para que possamos falar em (e de) Sócrates é indispensável que lembremos de um autor “maldito”, mas que me é caro e atraente, mesmo que dele discorde em muitas coisas: Friedrich Nietzsche. Sem este autor, quer gostemos ou não do seu pensamento, é quase que impossível, nos dias de hoje, estudarmos a socrática. Senão vejamos: foi a partir do instante em que N. desligara-se do Cristianismo, a partir do instante em que proclamara o advento do super-homem, que Sócrates teve de dar contas do ilimitado poder que desde o início da Idade Moderna exercera, como protótipo da “anima naturaliter christiana”. Somente para se ter como alocução sobre o poder de Sócrates, na Idade Média, veja-se o que o grande humanista da época da Reforma, Erasmo de Roterdam, sentia a respeito do helenista, chegando, inclusive, a incluí-lo entre os seus santos. E orava: “Sancte Socrates, ora pro nobis!”.

Isso, de certa maneira, atravessou os séculos, até que, na tendência anti-socrática de N. renascia, sob nova forma, o velho ódio do humanismo erasmiano contra o humanismo conceptual dos escolásticos. Para N., não era Aristóteles o “Príncipe” da Escolástica, mas o próprio Sócrates era “a autêntica personificação daquela petrificação intelectualista da filosofia escolástica, que durante meio milênio manietava o espírito europeu e cujos últimos rebentos o discípulo de Schopenhauer julgava descortinar nos sistemas teologizantes do chamado idealismo alemão” (Werner Jaeger) [Já na primeira obra de N., Die Geburt der Tragödie aus dem Geist der Musik, manifesta-se o ódio contra Sócrates, convertido pelo autor pura e simplesmente em símbolo de toda a “razão e ciência”. Nesta obra, N. tomava uma decisão interior entre o espírito racional da socrática e a concepção trágica do mundo dos Gregos. Esta mesma formulação do problema só se poderá compreender se o situarmos nos estudos sobre o helenismo que preenchem toda a vida de Nietzsche. Cf. E. SRANGER].

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Minha Mestra, permita-me fazer, por enquanto, um corte a este meu comentário, que, agora percebo, já se alongou, mas que está distante de sua conclusão.

UM JORNALISTA DE VISÃO por hamilton alves

Só conheci Assis Chateaubriand, que mantinha uma rede de jornais e emissoras de rádio, por longo anos, pontificando entre os primeiros “O Jornal”, que era, para seu tempo, algo que representava um avanço além dos marcos já conquistados pela imprensa do país e até, por que não dizer?, mundial, pelo nome e por via de fotos. Era um velhote baixote, muito simpático – e mais que tudo isso velha raposa do jornalismo tupiniquim. Conheceram-no os grandes jornalistas brasileiros que com ele conviveram e lhe conheceram certamente as pequenezas e grandezas características de todo o ser humano.

Refiro-me a Chateaubriand para lembrar o senso jornalístico que possuía. Ou a forma de conquistar leitores quando as coisas lhe pareciam não ir bem, o que falta nos proprietários de muitos de nossos jornais de hoje, que se contentam com o rebotalho de que dispõe (não vou citar nomes).

Houve, por exemplo, um momento em que “O Jornal” passou por uma crise de anunciantes e até mesmo de boiar nas bancas de meter medo e assustar Chatô (como era chamado pelos mais íntimos).

O que é que fez?

Usou a cabeça ou a imaginação, que lhe serviram de bússola a vida toda.

Convocou à redação Nelson Rodrigues, que, por essa época, pontificava em algumas colunas de jornais menos badalados e menos importantes, mas com público fiel que o lia.

O que lhe propôs Chatô para atrair leitores e ganhar anúncios? Simplesmente lhe disse:

– Nelson, você vai inaugurar no jornal uma história em folhetim. Cada dia publica-se um novo capítulo.

Nelson não deve ter achado difícil cumprir a missão que lhe foi confiada. Até porque era uma coisa que sabia fazer como poucos: inventar histórias, as mais dramáticas e rocambolescas, como eram, tempos depois, as crônicas que escrevia, na “Zero Hora”, de Samuel Wainer, na última página, no rodapé, que hoje foram transformadas em livro por iniciativa de seu grande admirador, Ruy Castro, que conta no prefácio (A vida como ela é) que sua mãe as lia para ele, que ouvia entre deslumbrado e embevecido.

Chatô acertou em cheio com a convocação de Nelson para iniciar esse folhetim, que assinava com o pseudônimo de Suzana Flag, que acabou noutro de seus grandes romances, lançado pela Companhia das Letras, prefaciado também por Ruy, com o título de “Núpcias de Fogo”.

Estamos assistindo à decadência de alguns de nossos jornais (notoriamente os que ainda mantêm algum prestígio e boa circulação, mas que dão sinais evidentes de descompasso com os novos tempos, com a concorrência forte do computador, com a formação de blogs) e pergunto se os donos desses jornais têm alguma receita pronta para reagir aos solavancos eventuais de falta de leitores e anunciantes?

Ou pretendem manter as coisas dentro do atual padrão? Vale lembrar a lição de Chatô.

FOTOPOEMA 138 de rudi bodanese e paulo leminski / florianópolis

RUDI BODANESE - fotopoema 138

GENTE BRONZEADA por alceu sperança / cascavel.pr

Se males piores o capitalismo em sua etapa neoliberal não contivesse além da brutal contradição entre desenvolvimento e destruição ambiental e da liquidação geométrica dos postos de trabalho proporcional à evolução Alceu sperança  - AJC (1)aritmética do progresso científico e tecnológico, ele deveria ser condenado como desumano no mínimo por uma constatação inquestionável e da maior relevância: ele é cruel para com o futuro da nossa espécie.

Evidencia-se isso de várias formas, inclusive pela destruição ambiental e pelo desemprego gerado com a introdução de computadores e robôs nas empresas, mas a face mais ofensiva desse sistema injusto é o que está acontecendo com as crianças, agora mesmo.

Mais de 200 milhões de crianças menores de cinco anos nos países mais pobres não atingem seu potencial de desenvolvimento, apontou um estudo do University College de Londres, publicado na revista médica The Lancet. Os pesquisadores mostraram o óbvio: pobreza e desnutrição redundam num cérebro menos capaz de aprender.

Essas crianças podem até ter vagas na educação “universalizada”, mas entram em sala com desvantagem competitiva com aquelas cujas mães conseguiram cuidar bem desde a gestação.

No que isso dá

É claro que a maioria delas, com exceção de um André Rebouças aqui ou de um Milton Santos acolá, devido às condições excepcionais de sua criação, poderão erguer a cabeça além do nível da água, mas essas crianças em desvantagem tendem a ter mau desempenho na escola, reproduzindo a velha equação: baixa renda + alta fertilidade = mais gente com menos dinheiro. E sempre mais gente infeliz.

É assim que a pobreza vai atravessando as gerações e explode na forma de insegurança e violência nas nossas cidades sitiadas no medo e nas injustiças sociais, agravadas dia a dia pelo neoliberalismo e sua máquina ideológica de engabelar.

O estudo promovido pela instituição britânica desfila um rol de obviedades: as crianças dos países pobres sofrem com a pobreza renitente, a má nutrição continuada e a completa falta de estímulo da família para elas, e à família por parte da sociedade e dos governos eleitos pelo povo para a alegria dos banqueiros compradores de votos. O fruto óbvio dessa desgraceira toda é a criança afetada em seu desenvolvimento cognitivo, motor e socioemocional.

Hoje, vivem em países pobres mais de 600 milhões de crianças menores de cinco anos, das quais 160 milhões têm problemas de crescimento e 130 milhões penam na absoluta pobreza. Essas crianças estão condenadas a ter menos educação, um menor desenvolvimento cognitivo e a ser menos produtivas.

“Deveriam implementar”

Ingenuamente, os pesquisadores que elaboraram o estudo concluem que “para alcançar os Objetivos do Milênio para reduzir a pobreza – e assegurar que meninos e meninas completem a escola primária –, os governos e as sociedades civis deveriam implementar programas de desenvolvimento infantil de alta qualidade”.

Esses governos neoliberais do tipo PT/PSDB/PMDB/DEM e essa sociedade omissa e conivente que aí estão não vão fazer nada disso em homenagem à bela cor dos olhos pidões e sofridos dos miseráveis em geral. Vão enrolar a massa a bolsadas e enriquecer os barões assinalados que financiam as campanhas eleitorais.

Pois, já dizia Marx em Miséria da Filosofia, essa coisa hoje dominante só pensa no que lhe dá lucro:

“É o tempo da corrupção geral, da venalidade universal ou, para falar em termos de economia política, em que qualquer coisa, moral ou física, tendo-se tornado valor venal, é levada ao mercado para ser apreciada por seu valor adequado.”

Por aqui, temos que reviver a bela palavra-de-ordem do poeta Assis Valente:

“Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor” (Brasil Pandeiro, 1941).

RUMOREJANDO -PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES. por juca ( josé zokner) / curitiba


Constatação I

Não se pode confundir acata com ataca, até porque quem acata quem te ataca quer dizer que você é um bunda-mole que o dicionário Houaiss define como:

1 Regionalismo: Brasil. Uso: informal, pejorativo.

Pessoa fraca, covarde; pusilânime.

Ex.: agora vamos ver quem é homem e quem é b.JUCA - Jzockner pequenissima (1)

2 Regionalismo: Brasil. Uso: informal, pejorativo.

Pessoa pouco ativa, desanimada.

Nota de Rumorejando: Os deputados e senadores são pessoas de muita atividade. Lamentavelmente, em seu próprio benefício…

Constatação II

Deu na mídia: “O Banco católico Pax Bank pediu desculpas por investir em armas, cigarros e pílulas anticoncepcionais”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que banqueiro é banqueiro, sem distinção de raça, cor ou religião. Aliás, a religião do banqueiro é o dinheiro. E, em certos países, sempre visando lucros estratosféricos e, consequentemente, pornográficos… Não é à-toa que o irlandês George Bernard Shaw disse que “o pecado do ladrão é a virtude do banqueiro”.

Constatação III (e já que falamos no assunto…)

Ela era toda circunspeta

Inclusive sua bunda,

Pouco rotunda,

Que tava mais para atleta.

A dita, nunca mostrava os dentes

Foi a única que conheci assim

As demais, sempre sorridentes,

Como costumam ser

As bundas femininas,

Pela manhã, à tarde e ao anoitecer.

Sejam de meia-idade,

Da longínqua mocidade

Ou de meninas;

Sejam brancas, morenas ou carmesim.

Será que, além dos glúteos, os músculos,

Das bundas que abrigam algum biquíni,

Grandes ou minúsculos,

Possuem também o músculo Risório de Santorini*?

*que ou o que se localiza na proximidade dos lábios (diz-se de pequeno músculo).  (Houaiss). Músculo do riso.

Constatação IV (Pseudo-soneto da série Ah, o Amor…)

Meus sensíveis pontos erógenos

Ela, irritada, me ponderou,

São os que mexem com meus estrógenos

E você mais uma vez se enganou.

Você foi muito pro lado e acima

E, como sempre, muito depressa.

Você só pensa na tua superestima,

Você ainda não aprendeu, ora essa!

Me diga, então, os pontos exatos

To cansado de ouvir teus desacatos.

Preciso reaprender com exatidão.

Meu nariz, meu pulso e meu cotovelo;

Meus cílios, minhas unhas e meu tornozelo,

As bochechas, o cabelo e o metatarso do dedão.

Constatação V (De diálogos matrimoniais intelectualizados).

Sugeriu à mulher

Um “ménage à trois”.

Ela, como quem nada quer,

Esnobou no francês:

-“Ce serait bon, tu crois?

Você vai convidar

Teu amigo javanês?”

-“Não. Queria que você convidasse

A mulher dele”.

-“Aí, vamos ficar

Num baita impasse.

A javanesa,

Que, reconheço, é uma beleza,

Apenas topa ir com ele.

No ménage que eu participei

Com os dois

Eu só fiquei

No feijão com arroz”*

*Não ficou claro o que ela quis dizer com o “feijão com arroz”. Quem souber, por favor, cartas a este assim chamado escriba, pelo correio eletrônico, para podermos esclarecer aos nossos prezados leitores. Obrigado.

Constatação VI

Não se pode confundir prensado com repensado, mormente no caso da crise do Senado brasileiro, até porque, cada vez que o presidente do Senado é prensado por atos que cometeu e/ou tinha conhecimento sem tomar providencias e a Oposição tenta afasta-lo entram variáveis do tipo “eles também têm o rabo preso” e o caso passa a ser, incontinentemente, repensado

Constatação VII

Pintou e bordou:

Pintou o sete;

Bordou no corpete

A foice e o martelo.

O marido de Direita

Pôs-se amarelo.

Broxou.

Cortou, logo, o elo

E com ela não mais se deita.

E com cara amarrada

Falou muito zangado:

“Quem assim se enfeita,

Por si só se enjeita”.

Coitada!

Coitado!

Constatação VIII

Incorrigível,

O Senado doente

Acertou os ponteiros

Que o seu presidente,

Ainda por muitos janeiros,

À semelhança de anos inteiros,

Parece ser irremovível.

Constatação IX

O coringa ensejou

Que ele batesse

No jogo de canastra.

Aí, ela a roupa tirou,

Conforme combinado

De quem perdesse.

Ela, de tão magra,

Parecia uma pilastra.

Eis que o pai entra na sala

E os dois flagra.

Brande sua bengala.

Em sua direção.

“Seu safado!”

Ele nem se despede,

Se escafede

E na escuridão

Do jardim

Cai numa vala.

E rasga sua túnica

E sua única

Calça de brim.

Coitado!

Constatação X

Rico sempre seus ganhos dobra; pobre, soçobra.