Arquivos Diários: 26 agosto, 2009

MÚSICA, MAESTRO! por jorge lescano / são paulo

– Para esses ouvintes a arte deve se parecer com um bom jantar ou um par de sapatos macios!

Ao Maestro parecia-lhe que a educação musical havia chegado a um ponto no qual era possível ouvir as estruturas à par da melodia, do ritmo. Pensava em termos de som e pausas expressivas. Os ouvintes do Café Concerto precisavam de música de fundo para não ouvir suas próprias palavras, e de melodias que se gravassem na memória para reproduzi-las, ou convites à dança.

– A isto chamam de utilidade, justificação social da arte! Eu chamo de ganha-pão!

Alguma vez pensou num concerto só de cadenzas, uma para cada instrumento. Assim a orquestra permaneceria como estrutura, porém, sua função seria outra, destacando as qualidades de todos os sons sem se misturarem:

– O ouvinte vinculará esses elos dentro do seu tempo de escuta. Uma composição que utilize a descontinuidade do tempo através de instrumentos musicais e temas sonoros diversos, unidos, no entanto, pela estrutura da orquestra e a continuidade da audição.

Lamentava não poder discutir estes assuntos com seus companheiros do Café. Todos estavam preocupados com o artesanato da música, a reprodução exata das notas do pentagrama. Todos eram partidários da melodia bem feita:

– Apenas o trivial variado, não variado demais se se quer trivial. Mas eu entendo; é preciso sobreviver!

Às vezes se abandonava aos impulsos de mudança, de rupturas:

– Não respeitar as formas estabelecidas pelo romantismo, e ainda estamos nisso, é o único modo de ser autenticamente romântico! Pense nas Humoresques de Sibelius, nos Caprichos de Paganini, nos Noturnos de Chopin, mas sem o instrumentista virtuose. Houve um caso de flautista virtuose. Seu maior sucesso era o Moto Perpétuo. Fez carreira até que se soube que era gago. O interesse do público esfriou e ele acabou como faquir, pobre, em sânscrito. É uma piada, naturalmente, mas ilustrativa. Compreende o que quero dizer? Na situação em que foi colocado, o público só aprecia fenômenos, e o artista, em tanto que profissional, só pode aspirar a ser um fenômeno. Tudo isso é puro romantismo. O indivíduo exótico contra a multidão comum, para agradá-la. Mas, como poderia ter dito Mozart: vida de artista não é uma valsa de Strauss. Nunca sentiu que o Bravo! Ouvido na sala de concertos é o Gol! das elites culturais? Eu sempre penso nos concursos de arte como um campeonato. Como se o amor, o ódio, a consciência e o medo da própria morte e a perplexidade ante a vida, pudessem ser avaliados com pontos, como uma redação escolar, e premiados numa competição! Arte é forma, diz você. Concordo, mas todo prêmio é por bom comportamento, e há de convir comigo que os sentimentos não respeitam convenções formais. Eu quero construir algo assim como haikus musicais. Fragmentos que são um todo. Sim, Webern, mas não é isso…

Coçava o queixo, impotente ante as limitações da palavra

– Cada instrumento criará seu próprio contexto, sic, confiando na perspicácia do ouvinte, e com ele se relacionando de forma sutil, no mesmo plano de criação. O músico provocando e o ouvinte, que é tão musical quanto ele, estimulando sua criatividade. Os dois no mesmo plano, unidos pelo som e este diversificado por cada instrumento.

Antecipava-se à jogada do outro:

– O jazz era isso! Hoje também tem partitura e autor e arranjador e direito autoral e empresas gravadoras e colecionadores e críticos e tratados enciclopédicos. A arte, como o esporte, é boa quando praticada. Chega de ver o rei passar! A música, meu amigo, deve ser vivida. Imagine um coro que cantasse em uníssono a mesma melodia, mas cada cantor cantando em língua diferente, segundo suas necessidades e convidando o público, vamos pôr aspas na palavra público, e convidando o público as participar ativamente, juntando sua voz e melodias ao tutti. Que festa!

O outro poderia ter avançado seu Ives, ou atacado com a música para não ser ouvida de Satie, para não apelar com John Cage, a música aleatória e tutti quanti:

– Sim, sim! Isso já foi feito, ouviu Deus que lhe diziam…

Segundo o Maestro, o Concerto é um gênero romântico: o mocinho solista contra a orquestra de bandidos:

– Não importa se surgiu antes do romantismo. Estou falando de uma atitude, não de baboseiras escolares. É um gênero, como o nu, a natureza morta e o soneto. Agora abundam os Concertos num só movimento. Veja as sonatas de Béla Bartók, têm um ou dois movimentos, quer dizer, não são Sonatas. A Sinfonia Inacabada de Schubert não é uma Sinfonia porque não preenche os requisitos formais da Sinfonia. Você já leu algum Soneto de sete ou oito versos? Nem poderia! Eu já vi um Nu Corretamente Vestido, o que não está errado, se pensarmos que todos somos Adão sob a roupa; e outro nu intitulado Natureza Morta, mas o autor dos dois quadros era um poeta que propositadamente misturava as linguagens e confundia os gêneros para chegar a outra coisa. Meu amigo Rodrigo Barrientos, um pintor colombiano que atualmente reside em Paris, ameaçava pintar um Nu Esotérico. Nunca soube como seria, provavelmente estava tão oculto que nem ele sabia como era. Quero dizer que vivemos presos às palavras; chamamos de inacabado algo que o autor não teve necessidade de continuar. No Masp há um retrato de Diego Rivera pintado por Modigliani. Aparentemente não está terminado porque aparecem trechos da tela que não foram preenchidos, mas está acabado. O pintor percebeu que não era necessário acrescentar nada. Fugiu da redundância parando onde o assunto se esgotou como pintura. A coisa muda e nós continuamos usando as mesmas definições, ou então acreditamos que mudando o nome mudamos a coisa. Para que chamar uma composição musical de Concerto ou Sonata, Suite ou Sinfonia? Para não falar do absurdo do Poema Sinfônico, como se a música precisasse da literatura! Talvez o contrário seja verdadeiro. O que importa é a música, não o rótulo. Eu quero desnudar a orquestra, por assim dizer, e mostrá-la ao vivo. Lembra de Pedro e o Lobo?, ampliar essa idéia musical, desafiar o ouvinte a unir os fragmentos e construir mentalmente sua própria composição. Falo de ouvintes, não de todos os que têm orelhas. Orelha não é documento! Ir além da sensualidade do som, reorganizar o tempo de escuta. Imagino uma composição como um quebra-cabeça, um mosaico e um caleidoscópio de sons, onde a orquestra não seja o meio, o suporte de uma Sinfonia ou de um Concerto, mas apenas produtora de som, do qual o objeto será a própria orquestra. Quanta música na Sinfonia Inacabada! Bartók compôs um Concerto para Orquestra, e Barber um Ensaio para Orquestra, mas não é isso, ainda não é isso… Isto está parecendo um manifesto! É melhor deixar sempre algo por dizer, parar antes de chegar à idéia, essa Musa morta!

(do Livro de Marievar)

EM BUSCA DA PRÓPRIA VERDADE por titi vidal / são paulo


Vivemos em busca de algo e nem sempre sabemos o que. Baseados nesta busca, passamos a vida fazendo escolhas. Desde cedo, somos obrigados a fazê-las. Escolhemos com o que vamos brincar, quem será nosso amigo, o que vamos ser quando crescer, que caminho profissional vamos seguir, com quem vamos nos casar. Escolhemos também coisas mais simples, como o que vamos comer, que caminho vamos fazer, com que roupa vamos sair. Mas se pararmos para pensar, veremos que nossa vida nada mais é do que uma grande seqüência de escolhas que fazemos a cada instante de nossa existência. Das mais simples às mais complexas, das mais mutáveis às mais definitivas. As escolhas são a essência de nossa vida.

Mas será que escolhemos com consciência e de acordo com nossa própria verdade? Geralmente não. É certo que a todo momento criamos nossa realidade. Tudo que nos acontece é fruto de nossas escolhas. Isto porque, em primeiro lugar, uma escolha sempre leva a outras. Além disso, muitas vezes escolhemos sem saber, pois nossos pensamentos e sentimentos possuem mais força do que podemos imaginar. Pensamentos e sentimentos são vibrações capazes de materializar acontecimentos em nossa vida. E como muitos deles são inconscientes, nem sempre sabemos o quanto estamos materializando determinadas coisas em nossa vida. E tanto os pensamentos e sentimentos conscientes como os inconscientes têm poder. Muitas vezes, os inconscientes têm até mais poder por buscar uma forma de se fazerem presentes. Querem nos mostrar o que passa dentro de nós mesmos e que sua voz seja ouvida. Acontece que muitos deles também não estão em sintonia com nossa verdade interna.

O tempo todo fazemos escolhas baseadas em nossos pensamentos, sentimentos e padrões. E como tudo que acontece em nossa vida é fruto de nossas escolhas, devemos estar mais atentos ao que estamos escolhendo e ao que de fato queremos. Por isso o autoconhecimento é tão importante! Pois quando nos conhecemos e estamos sintonizados com nossa verdade, tudo parece fluir melhor e fica mais fácil encontrar a felicidade verdadeira. E sempre podemos rever nossas escolhas e mudar o nosso futuro.
Muitas vezes nos lamentamos, pensando em escolhas erradas que fizemos no passado. Devemos nos perdoar e seguir em frente. Se escolhemos errado foi porque não tínhamos uma sintonia com nossa essência, com nossa mais pura verdade, fazia parte de nosso caminho e aprendizado. Temos que nos conscientizar que podemos e devemos escolher o que acontece no “aqui e agora” e no que acontecerá daqui para a frente.

É possível escolher diferente. É possível mudar de opinião, de escolha, de caminho. É possível seguir em frente de acordo com o que nosso eu verdadeiro deseja. É ele quem sabe o que é melhor para nós. Para isso, podemos nos auto conhecer e contar também com os sinais que a vida nos dá. Esses sinais vêm através de nossas sensações, dos sonhos, das pessoas que conhecemos e encontramos, e de muitas outras maneiras.
Se estamos atentos, fica mais fácil observar o que se passa à nossa volta. Mas é sempre bom lembrar que sintonizamos algo que tenha ressonância com o que estamos emitindo.

Vejo que temos muitas formas de chegar a esta nossa verdade. E uma delas é o mapa astrológico, capaz de nos apresentar ao nosso eu verdadeiro, à nossa própria verdade. Ele nos mostra o caminho a seguir. Nos mostra quem somos e onde queremos chegar. Mostra quais nossas motivações e onde nossas escolhas se baseiam: se em fatores conscientes ou inconscientes, se escolhemos de acordo com o que nos é mais fácil ou confortável, se na nossa verdade ou em padrões herdados ou aprendidos etc.
O mapa também pode nos mostrar quais os desafios e dificuldades que encontramos em nosso caminho, onde tendemos a esbarrar ao fazer uma escolha e ao buscar nosso futuro. Nos apresenta, também, as oportunidades que temos que aproveitar, além de nos mostrar quais nossos verdadeiros talentos. É como um mapa que nos mostra o caminho do tesouro, que é nossa verdade, nosso bem mais precioso.

Quando paramos de escolher baseados no que nos prende, no que não é compatível com nossa essência, tudo começa a fluir em nossa vida e podemos de fato encontrar a felicidade. O caminho pode ser trabalhoso, difícil, cheio de obstáculos. Mas sem dúvida vale a pena encontrar-se com aquilo que mais importa em nossa vida: nossa própria verdade. Ao fazermos isso, é como que um milagre estivesse se manifestando. Passamos a fazer escolhas mais conscientes. Conseguimos mudar o que precisa ser alterado, fortalecer o que precisa ser mantido e então estamos prontos para viver em plenitude a nossa felicidade. Por isso, convido todos a fazerem esta busca, a reverem as escolhas e a encontrarem-se consigo mesmos. Vale a pena tentar!

ESCRITURAS EDITORA e CASA DAS ROSAS CONVIDAM: QUINTA POÉTICA em SÃO PAULO

Com os poetas convidados:

Rubens Jardim (anfitrião), Raquel Naveira, Zuleika dos Reis e a jovem poeta Deborah Goldemberg. Participação especial de Neuza Pinheiro.

Quinta-feira, 27 de agosto de 2009

a partir das 19h

Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos

Av. Paulista, 37 – São Paulo/SP

Próximo ao metrô Brigadeiro.

Convênio com o estacionamento Patropi – Alameda Santos, 74

Informações: (11) 5904-4499

Próxima QUINTA POÉTICA: 24 de setembro de 2009, quinta-feira, às 19h, na CASA DAS ROSAS.

Escrituras Editora

Rua Maestro Callia, 123 – Vila Mariana
04012-100 – São Paulo – SP – Brasil
Tel.: (11) 5904-4499 (Pabx)

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nota do editor:  ZULEIKA DOS REIS é PALAVREIRA DA HORA PREMIADA!


ERNÂNI GETIRANA CONVIDA:

ernâni getirana comenta sobre o prêmio recebido pelo PALAVRAS, TODAS PALAVRAS:

Só podia dar nisso!! Prêmio merecidíssimo. Estamos todos de parabéns.

E  CONVIDA:

para lançamento de seu livro LENDAS DA CIDADE DE PEDRO II

dia 27 de agosto, as 19:00 hs, na sala de cultura do Banco do Nordeste

na cidade de  Pedro II – PI.

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quero dizer aos leitores que este site é muitissímo acessado no estado do piauí e na bela cidade de pedro II. o piauí é grande produtor de talentos artísticos que se tornaram nomes nacionais e internacionais. para não esquecer nenhum vou citar, representando a todos, o poeta e letrista TORQUATO NETO, já falecido, parceiro de músicas com caetano veloso, gilberto gil e outros. e agora nos manda ernâni getirana.

TODOS LÁ!

obrigado amigo pelas palavras de carinho e incentivo,

jb vidal

Editor