O “HOMEM” CULPADO por alceu sperança / cascavel.pr

A indústria da morte é uma das mais lucrativas na atual etapa superior do capitalismo – o neoliberalismo.

Ela se distribui em vários ramos, dos remédios às armas (e às guerras), passando pela liquidação de gente e vida vegetal na progressiva ocupação da Amazônia via moto-serra, na disseminação de doenças entre os povos, no recrudescimento da aids nos países pobres, especialmente na África e na Ásia.Alceu sperança  - AJC (1)

E se mascara na repetida, malandra e continuada pregação ideológica de que é tudo culpa “do homem”. Não se atribui essa indústria da morte a um sistema cruel de exploração das necessidades humanas e dos recursos naturais, mas ao “homem”.

Um grande brasileiro, o médico gaúcho Ciro de Quadros, ao assumir o comando do Instituto Sabin de Vacinas, em Washington, decidiu voltá-lo a iniciativas para levar às populações mais pobres os benefícios da ciência.

Pode-se imaginar o que ele tem passado, no coração e no cérebro do neoliberalismo, enfrentando cara a cara a indústria da morte! Mas ele tem conseguido pelo menos duas vitórias: uma, está desmascarando a indústria da “saúde” a serviço do lucro e não da vida; outra, vai ampliando o alcance da vacinação de crianças em todo o mundo.

Empregos para robôs – Anualmente morrem ao redor de 10 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade. A maioria dessas mortes poderia ser evitada com as vacinas. Meio milhão morrem por sarampo, um milhão por pneumonia, 600 mil por rotavírus, doenças que podem ser perfeitamente prevenidas.

Por que não são? Ora, porque a saúde não dá lucro. Pessoas doentes alimentam toda uma estrutura “curativa” que movimenta fortunas cada vez maiores, tirando o dinheiro do bolso das pessoas com um pouco mais de posses e drenando dos cofres públicos para essa estrutura uma babilônia que poderia estar sendo empregada na melhoria da vida de todos.

Por exemplo, através de professores bem pagos em escolas integrais, boas bibliotecas e laboratórios equipados, centros de formação de jovens, estabelecimentos melhores que as Febems do inferno para tratar as crianças miseráveis etc.

O maravilhoso desenvolvimento da tecnologia está contribuindo para aprofundar as desigualdades. Ele reduz a geração de empregos e semeia o desespero entre os que estão ocupados, sob o risco de se trocar dez a vinte pessoas por uma nova máquina ou robô.

Como diz o dr. Ciro, “com o advento de novas e mais caras tecnologias, está ocorrendo uma grande iniquidade: os que não têm continuam não tendo e tendo menos, e os que têm continuam tendo e tendo mais”.

Rebelião geral – O economista norte-americano Jeremy Rifkin, autor do livro O Fim dos Empregos, adverte que os postos de trabalho serão poucos no futuro, ocupados por uma pequena e bem paga elite profissional altamente qualificada.

Ao menor sinal de esgotamento físico ou mental e o advento de nova tecnologia, esse profissional cai do topo para o buraco: já era. “Os dias de oferta de empregos em massa para os trabalhadores não qualificados ou com pouca qualificação acabaram”, diz Rifkin.

Ele, no entanto, crê ser possível uma solução capitalista para esse caos todo. Acha que dá para evitar a rebelião geral que isso vai causar se o governo estimular os grandes grupos econômicos a ganhar ainda mais.

Aí, generosamente, eles repartiriam os lucros com a sociedade através da redução da jornada de trabalho, gerando mais empregos…

Mesmo que os governos incompetentes atrelados ao neoliberalismo façam isso, o que é duvidoso, e mesmo que as mega-corporações passem a lucrar mais, como estão lucrando, não vão gerar mais empregos. Não adianta pôr a culpa no “homem”.

A culpa é de uma estrutura injusta, cruel, sem futuro. Pois o “homem” acusado de tamanhos crimes contra si mesmo, a natureza e a vida, um dia perceberá que é escravo e se libertará.

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