ONDE ARTISTAS MORREM por hamilton alves / florianópolis

Não sei se acontece com todo mundo, mas comigo dá-se esse interesse por saber ou ter curiosidade por lugares (hotéis, cidades, ruas) onde grandes artistas morreram ou foram sepultados. Ou deixaram um registro qualquer. Ainda que não sejam os artistas escritores propriamente ditos, mas seus personagens.

Há pouco, soube, lendo um conto de Hemingway, que Verlaine morreu num hotel modesto perto da rue Mouffetard, uma rua sempre atravancada como conta Hemingway. Mais recentemente, lendo uma crônica de Rubem Braga, ao acaso, para fazer outro tipo de consulta (saber se em alguma crônica teve a infelicidade de usar a palavra “todavia” – (discuti com um amigo sobre a questão de que essa palavra não soa bem numa crônica; em outro qualquer lugar, sim, poderá ser muito própria, por exemplo, num ofício de um excelentíssimo senhor para um outro excelentíssimo senhor) – lendo uma crônica do Braga, li que Proust morreu na rua Hamelin, próximo de onde morou quando passou curta temporada em Paris.

Sei que Odete de Crécy, personagem de “Em busca do tempo perdido”, de Proust, morou numa rua atrás do Arco do Triunfo, na rue La Pérouse (com um restaurante com esse mesmo nome). Um dia irei lá, nem que seja na forma de espectro.

Sei que Joyce foi sepultado no cemitério Fluntern, em Zurique, Suíça.

Tenho esses dados espalhados (ou anotados) em livros.

Kafka foi enterrado, em Praga, sua cidade natal.  Augusto Frederico Schmidt, o poeta, com quem, em certa época, andei trocando algumas cartas, esteve lá para conhecer esse local. Procurou colher informação com um e outro. Nada ficou  sabendo. O mesmo acontecera com Carpeaux, que foi numa clínica onde Kafka se tratara de sua doença, que o matou. Só conheceu a clínica e o filho do médico que deve ter cuidado do escritor, mas nada mais além do local em que estivera cuidando de sua saúde, que descreve como sendo muito discreto. Até pode observar por uma janela envidraçada uma sala onde provavelmente estivera Kafka sob tratamento. Ou o quarto onde se hospedara.

Há curiosidade em torno dessas coisas, que, afinal, marcam a história de um artista, que há pessoas que têm interesse de saber.

Se for um dia a Paris, procurarei conhecer o hotel modesto, no dizer de Hemingway, em que morreu Verlaine ou a rua, na informação de Rubem Braga, em que morreu Proust.

Ou ainda, em Praga ou em Zurique, conhecer os locais onde estão sepultados Kafka e Joyce.

E nos respectivos túmulos depositar uma flor.

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