Arquivos Mensais: setembro \30\UTC 2009

FOTOPOEMA 141 de rudi bodanese e ferreira gular / florianópolis e rio de janeiro

fotopoema 141

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ELEIÇÕES DE 2010 (no Brasil): Quais cuidados os blogueiros devem ter na hora de fazer campanha na rede – por guilherme felitti

Ainda que a reforma eleitoral dê liberdade para blogs, fóruns e redes sociais, os internautas precisam seguir algumas recomendações durante eleições.
A pressão popular diante da votação das emendas referentes ao uso da internet na reforma eleitoral forçou o senador e relator do Projeto de Lei 141 de 2009, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a mudar o texto do artigo que estipulava restrições ao uso da web durante as eleições.

Para ser aprovado no Senado, o texto final do antes polêmico artigo 57-D foi condensado em seis linhas que garantem a liberdade de manifestação de pensamento por sites, serviços, blogs e redes sociais, com eventuais problemas por utilização indevida sendo apreciados conforme a Constituição federal.

Isso quer dizer que você está totalmente livre de problemas legais quando  manifestar apoio a seu candidato ou criticar outros postulantes a cargos públicos em blogs, redes sociais e fóruns? Longe disto.

IDG Now! compilou dúvidas e possíveis distorções referentes às duas principais restrições presentes no texto final da reforma eleitoral – o anonimato e o direito de resposta. Essas informações podem ajudar blogueiros a evitar problemas durante o pleito de 2010.
Anonimato
O intuito da proibição ao anonimato nas eleições tem fundo nobre, como lembraram por seguidas vezes senadores presentes na plenária que aprovou a reforma eleitoral: trata-se de uma maneira para coibir ataques e ofensas feitas contra candidatos por quem se esconde atrás do anonimato.
Há, no entanto, um problema quanto à definição vaga de anonimato no texto, argumenta o pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marcelo Träsel.

“O problema é que esse parágrafo não define o que é anonimato”, afirma. Ele argumenta que até mesmo aqueles que blogam usando apelidos (ainda que suas identidades sejam amplamente conhecidas) podem ser classificados como anônimos em uma possível interpretação jurídica.
Outra possibilidade aventada pelo pesquisador é um comentário feito no nome (real) de outra pessoa. Ainda que se use nome e sobrenome, “ninguém garante que seja a mesma (pessoa) que está falando. Isso não é mais crime eleitoral, mas de falsidade eleitoral”, diz.

Ambas as possibilidade deve ser levadas em consideração pelos mais prevenidos. “Se fosse dar uma sugestão a um blogueiro, diria para assinar comentários com o próprio nome e moderar os que forem anônimos”, explica. O conselho vale também para quem opera um fórum online ou comunidades em rede social destinados ao debate político.

Em um cenário menos extremo, Träsel pondera a possibilidade de contatar o candidato criticado por leitor anônimo para que haja uma resposta oficial logo que o comentário for ao ar, o que impediria a interpretação de difamação por parte do respectivo político.

Nem a lei, no entanto, pode impedir que blogs difamatórios sejam criados em serviços hospedados fora do Brasil ou com empresas sem operação no Brasil. Situações como essas que praticamente inviabilizariam a quebra de sigilo exigida pela Justiça para se chegar aos culpados e aplicar a punição prevista pela Constituição.
O cuidado, obviamente, se traduz em um esforço maior por parte daqueles que cuidam de blogs, comunidades em redes sociais e fóruns. “No final das contas, o blogueiro fica responsável pelo que está no site”, sintetiza. O esforço, porém, é inimigo também da Justiça. “Quem vai fiscalizar isso?, questiona Träsel.
Direito de resposta
A questão levantada pelo pesquisador ecoa opinião do professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), Massimo di Felice, ao comentar as dúvidas envolvidas na segunda restrição a blogueiros prevista no  texto final da reforma eleitoral: o direito de resposta.

Ao prever que um blogueiro deve abrir seu blog à resposta de um candidato supostamente ofendido, usando o mesmo destaque e com o dobro de tempo de exposição do conteúdo original, a reforma eleitoral emula na internet restrições que fazem sentido em mídias analógicas – rádio e TV, por exemplo- , como espaço reduzido para programação.
Para que a lei se tornasse aplicável, Felice  seria necessário rastrear toda a rede. “Quero ver quem vai ficar monitorando todo site e blog para ver se há ataques a um candidato. Na TV era fácil, são sete ou oito canais. Agora, é objetivamente inaplicável. Trata-se de uma lei cômica, coisa absolutamente hilária”, afirmou ele ao IDG Now!.
Para o blogueiro, na prática a distorção pode guiar os usuários mais precavidos a consultar advogados antes da publicação de conteúdos potencialmente ofensivos em uma plataforma de relativa relevância, para que não haja exploração indevida do artigo 58.
A impossibilidade de aplicação da lei tal como formulada, diz  Felice, mostra como, por mais que na teoria haja perigos para blogueiros, a tendência na prática é haver sua aplicação em “casos muito extremos, com uma difamação muito grande”, algo que deve ser punido a título de exemplo para os outros, afirma Träsel. Ainda assim, um pouco de cuidado  não faz mal a ninguém.

Guilherme Felitti, do IDG Now – 21-09-2009

INVISÍVEIS MAS NÃO AUSENTES por victor hugo/paris

Quando morreu, no século XIX, Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes em seu cortejo fúnebre, em plena Paris.

Lutador das causas sociais, defensor dos oprimidos, divulgador do ensino e da educação.

O genial literato deixou textos inéditos que, por sua vontade, somente foram publicados após a sua morte.

Um deles fala exatamente do homem e da imortalidade:

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“A morte não é o fim de tudo. Ela não é senão o fim de uma coisa

e o começo de outra.

Na morte o homem acaba, e a alma começa.

Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto.

Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?

Eu sou uma alma.

Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.

O que constitui o meu eu, irá além.

O homem é um prisioneiro.

O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra.

Coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.

Aí, olha, distingue ao longe a campina, aspira o ar livre, vê a luz.

Assim é o homem.

O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade.

Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?

Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo.

De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?

VICTOR HUGO

VICTOR HUGO

A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo.

É por demais pesado para esta terra.

O mundo luminoso é o mundo invisível.

O mundo do luminoso é o que não vemos.

Os nossos olhos carnais só vêem a noite.

A morte é uma mudança de vestimenta.

A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.

Na morte o homem fica sendo imortal.

A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.

A morte é uma continuação.

Para além das sombras,estende-se o brilho da eternidade.

As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz.

Aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.

O ponto de reunião é no infinito.

Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.

Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito”.

VICTOR HUGO

Victor Hugo (26 de fevereiro de 1802 – 22 de maio de 1885) foi um escritor francês, autor de Les Miserábles (Os Miseráveis).

AI DE MIM – de otto nul / palma sola.sc

De hora em hora

A desoras

Ora ora ora

Estou por fora

Blasfêmias

Abstêmias

Sistêmicas

Abantesmas

Mesmo galho

No baralho

Com outro alho

Que esbugalho

Numa guinada

À rapaziada

Dou uma pernada

Na madrugada

E por fim

Diga sim

Ai de mim

Querubim

DESISTA!! por auro sérgio / são paulo

Estamos em 2050, não há nenhuma quarta guerra mundial. Os chefes mundiais conseguiram resolver a maioria das mazelas sociais. Os homens enfim perceberam que devem preservar o meio ambiente para sobreviverem mais e com qualidade. Nota se a amizade reinando entre todos os povos, principalmente nos do oriente médio que decidiram viver unidos em prol de um objetivo comum: Cultivar seus familiares vivos. Temos televisões que só comunicam boas notícias e transmitem programas culturais, filmes bons e antigos. Eliminamos os conservantes, acidulantes, flavorizantes, sentimos o gosto das coisas que temos na natureza preservada. Fomos à Lua, Marte, Júpiter e até em Plutão só pra perceber que aqui na Terra temos tudo. As crianças aprendem nas escolas conceitos de paz, honestidade, harmonia, sinceridade, justiça, retidão, integridade, boa fé, pureza, cordialidade… E aprendem. Não há mais preocupações idiotas com o enriquecimento individual, pois o capitalismo já derrocou a luz de um novo movimento que surgiu, um movimento diferente de todos os outros. O movimento Desistencialista.

Infelizmente estamos em 2010, essa projeção para um futuro é bem utópica e praticamente impossível de ser alcançada nesse curto espaço de tempo, em quarenta anos não aprenderemos senão a nos destruirmos uns aos outros num canibalismo acelerado, sem ética, sem respeito à faunas, floras, rios, crianças, próximos, e  nem a nós mesmos. Continuaremos fabricando bombas, refinando urânio, incitando o consumismo, vendendo, lucrando, produzindo e destruindo tudo. Continuaremos convivendo com líderes de estados corrompidos, ambiciosos e egoístas que se sentem os donos do mundo. Ainda observaremos a batalha num oriente sem sentido por uma Terra Santa que não é nem nunca foi de ninguém, por uma crença que não salva coisa nenhuma. Conviveremos ainda com a bestialidade urbana alimentada por uma gênese descompromissada com valores morais. Nesse tempo, infelizmente, partilharemos ainda da anorexia dos africanos, favelados de Ruanda, Serra Leoa e demais agonias sociais espalhadas por esse chão por culpa de um insensível ser que insiste em pensar que é ele que está no centro do Universo verdadeiramente.

O Desistencialismo. Uma doutrina baseada dentre outros dogmas no episódio de que basta simplesmente existirmos sem grande alarde, sem causar danos ao próximo, ao distante, ao desconhecido. Um conceito amplo de vida fundamentado na opção de não precisar haver celeridade nem solidez em nada que possuímos, uma vez que isso não é nosso, nem nós mesmos temos a eternidade nas mãos. Temos que deixar essa desenfreada busca particular por status, dinheiro, beleza, conforto etc. Para buscar formas de conviver com o próximo no mesmo nível, pois agora somos todos iguais. Esse movimento ainda descontínuo em seu fundamento, mas alicerçado de ideais legítimos é a única saída para que possamos alcançar um dia a consonância da sobrevivência em sociedade. Desista, tente algo novo, pois tudo que foi fato terá que ser recomposto.

DE LANTERNA NA MÃO por sergio da costa ramos / florianópolis

Acendo uma lanterna, e como um Diógenes no meio de uma floresta de letras, procuro uma boa notícia nos jornais. É como procurar um varão de Plutarco no Senado.

Aliás, a primeira má notícia é exatamente a da próxima votação, já marcada no Senado: a PEC dos Vereadores, pelaSERGIO DA COSTA RAMOSqual será alterada a relação de “edis per capita”.

As manchetes dos jornais refletem a realidade escabrosa:

– Casal Kirchner persegue Clarín com fiscalização!

– Sarney esquece malfeitorias e quer liberdade na internet!

– Piquet confessa que bateu de propósito!

O foco da lanterna de Diógenes vai derramando seu círculo de luz sobre uma coleção de más notícias:

– PMs são presos por tráfico no Rio.

– Gangue mata desafetos e depois bebe o sangue.

– PCC e Comando Vermelho querem fundar “fraternidade”.

– Argentina vai importar trigo e pãozinho de 50 gramas já custa R$ 0,30.

– Brasil não está imune a terremotos.

Meu Deus, até essa. Atravessei a infância e a adolescência com os mais velhos enaltecendo essa “qualidade” brasileira. “Trata-se de um país abençoado por Deus. É o único lugar do mundo que está livre de terremotos”, repetia o velho realejo patrioteiro, no mais puro estilo do conde Afonso Celso.

Pois agora vem o geofísico Lucas Vieira, da Universidade de Brasília, e garante que não é bem assim:

– Foram descobertas 48 falhas na placa tectônica brasileira, locais que podem ser vítimas de terremotos a qualquer momento.

O mito da intangibilidade era “falta de informação e de conhecimento técnico”.

Depois dessa, qualquer má notícia não chega a ser surpreendente. E elas se sucedem, distribuídas entre monstrinhos que espancam velhinhas, esfolam bebês, assassinam pais e mães. A mãe que jogou a própria filha num rio, netinhos drogados que esfaqueiam avós, famílias inteiras que traficam drogas até na porta de um jardim de infância.

Parece que o vaso da sensatez quebrou-se em mil pedaços na consciência do Brasil.

Agora, de manhãzinha, chega mais esta:

– Santa Catarina terá mais 287 vereadores!

Está na hora de alguma providência.

Por exemplo: procurar um “telefone vermelho”, daqueles que interligava as grandes potências na época da Guerra Fria, e ligar diretamente para Ele, o Todo-Poderoso, buscando uma fórmula caridosa de desarmar tragédias.

E perguntar, sem papas na língua:

– Acaso esquecestes que és brasileiro?

MINISTRA DILMA ROUSSEFF livre da doença afirma: “Pronta para o que der e vier”

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) anunciou ontem que finalizou o tratamento contra o câncer linfático que descobriu há cinco meses e que está pronta “para o que der e vier”, em referência à campanha presidencial de 2010.

Em nota, os médicos do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, que cuidam da ministra, afirmaram que, “após exaustivos testes, foi constatado que o tratamento atingiu o resultado esperado e que Dilma Rousseff encontra-se livre de qualquer evidência de linfoma, com estado geral de saúde excelente, podendo retornar à sua rotina normal”.

– Me sinto muito feliz porque a sensação que tenho, depois de acabar o tratamento e de ele ter sido feito com grande

DILMA ROUSSEFF em Caruaru. foto livre.

DILMA ROUSSEFF em Caruaru. foto livre.

sucesso, é de muita energia. O que eu fiquei muito feliz é que eles (médicos) disseram para mim: “Você tem condições totais de agora em diante, sem nenhum cuidado diferente do que qualquer pessoa tem que ter consigo mesmo ao exercer qualquer atividade” – afirmou a Dilma.

Questionada se está pronta para a campanha, pela primeira vez a ministra não desconversou:

– Estou pronta para o que der e vier. O que aparecer na minha vida eu acho que vou encarar.

Dilma afirmou que o momento mais difícil que enfrentou foi quando recebeu a notícia de que tinha câncer.

– Cada um de nós lá no fundo acha que nunca vai ter nada. Então, quando você recebe a notícia, ainda está muito despreparado para ela – disse.

A ministra disse que está conversando com o Ministério da Saúde para saber como é feito o tratamento do câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) e que quer entender por que o medicamento Mabthera, que utilizou no tratamento, não é distribuído no país inteiro gratuitamente.

BRASÍLIA.

OUTRO OLHAR: LULA PALOMANES, a arte sem limite de transgressão – II – por bruno liberati / rio de janeiro

Uma mirada de viés que entorta a realidade. Um trabalho cerebral, com muito de experimentação e suor nesta procura.

Lula, esta é sua assinatura. Por trás dela está a pessoa física de Luiz Fernando Palomanes Martinho, que nasceu em 1963, na cidade do Rio de Janeiro. Mistura de espanhol com português, é bom que se saiba que não é cartunista, nem chargista.  Apesar de seu humor ferino, ele pode ser classificado como artista gráfico. Suas caricaturas são desconcertantes e soberbas. É quase impossível adjetivá-las. O espanto que suas artes provocam ultrapassam todas as categorias conhecidas. Admirador de Rembrandt , Velázquez, Francis Bacon, Picasso e Egon Schiele – Lula já passou Lula_Palomanesmuitas noites observando de perto e de longe as reproduções das obras desses mestres da pintura. (Não contem para ninguém, mas me informaram que ele não dorme à noite. Passa esse tempo lendo, desenhando e estudando as obras de seus artistas prediletos – só vai descansar quando o sol anuncia a manhã que chega, isto depois de comprar o pão na padaria da esquina).

Lula é um magnífico ilustrador e dono de uma personalidade forte. Imprime aos seus trabalhos um signo único, uma forma própria de elaborar a exageração, uma mirada de viés que entorta a realidade e a busca de uma nova forma a cada obra. Seu trabalho é cerebral, mas tem muito de experimentação e suor nesta procura. Além da influência dos grandes das artes plásticas, compõe seu aprendizado a observação de mestres do “campo gráfico”, como Luis Trimano, Cássio Loredano, Rubem Grilo, Ralph Steadman e Gerald Scarfe.  Mas não se pode dizer que botou tudo isso no seu liquidificador pessoal e saiu por aí desenhando. Sua expressão é algo que ultrapassa esse caldo cultural e se projeta como algo “inaudito”, talvez o único adjetivo que se aproxima da sua singularidade.

Começou a mostrar sua arte nas páginas de O Pasquim e depois migrou para a chamada “grande imprensa” do Rio de Janeiro – trabalhou em O Globo e no Jornal do Brasil. O nosso herói gráfico publicou seus trabalhos também nas revistas ImãNebelfpalter eGráfica. Fez capas para as editoras Zahar, Record e Rocco, ilustrou  as revistas SeleçõesPlayboy Ciência Hoje. Tem uma medalha de prata pendurada em sua prancheta, conferida pela Society for News Design por uma caricatura de Gore Vidal, que publicou em O Globo. Mas não pensem que Lula contemplou com sua arte apenas o mundo dos adultos , ele com grande sensibilidade e versatilidade também ilustrou vários livros infantis.

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CHICO ANISIO_outro_olhar_02CHICO ANÍSIO

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CLAMOR de joão batista do lago / são luis.ma

( Dedicado ao poeta russo  Maiakóvski)

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Estranhamente acordo pensando Maiakóvsky!

Coisa estranha!

Ou talvez nem tão estranha assim!

Sinto-o dentro da minha carne

Como alma prenhe de versos inacabados…

Por onde andas, ó grande irmão?

Por que te fostes me deixando tão só?

Sinto tua presença nos meus versos

Eles são tão angustiados quanto os teus:

“Levantei-me como um atleta,
levei-o como um acrobata,
como se levam os candidatos ao comício,
como nas aldeias se toca a rebate
nos dias de incêndio.
Clamava:
“Aqui está, aqui! Tomai-o!”
Quando este corpanzil se punha a uivar,
as donas
disparando
pelo pó, pelo barro ou pela neve,
como um foguete fugiam de mim.
– “Para nós, algo um tanto menor,
algo assim como um tango…”
Não posso levá-lo
e carrego meu fardo.
Quero arremessá-lo fora
e sei, não o farei.
Os arcos de minhas costelas não resistem.
Sob a pressão
range a caixa torácica.”

Eis-me, aqui, personagem da tua poética

Carregando o meu velho fardo:

Agonia que não me transcende

Que não me permite arremessá-lo

Para além da minha caixa torácica

A pressão de me viver é tanta e quanta

Tanto e quanto é o desejo de me arremessar

No vazio da eternidade profana

Onde poderíamos fazer um poema universal

Próprio do mundo imaterial, mas sem os valores espirituais das seitas

Garbo, assim, ó grande irmão

Nas fileiras de homens sem hoste. Sem coração.

De homens condenados a inanição

De gentes que rangem entre costelas

A falta do emprego que lhe garanta o pão

(- “Para nós, algo um tanto menor,
algo assim como um tango…”)

A CANALHA SE ESPOJA – último texto escrito por WALMOR MARCELLINO enviado, hoje, por sua esposa ELBA

O povo é bom, mas é interesseiro e ingênuo, para não ser visto como burro. Este apotegma, a sua vez, é primarista, apofântico e cruel, mas a ele somos conduzidos pela atitude de classe e sua presunção de verdade. Essa “verdade” é o pensamento politicamente correto e conforma a ideologia civilizatória com que nos afagam.

Sem uma rigorosa análise de classe, de dentro das lutas sociais e com a responsabilidade de discerni-las do ponto de vista do trabalho, de sua dinâmica produtiva e de sua força inovadora, o discurso ideológico passou a ser o poder artificioso com que se explicam e garantem a hegemonia de classes e a justiça de sua imposição a todos.

(Walmor Marcellino, em 07/9/2009)

WALMOR MARCELLINO, jornalista, poeta, escritor, filósofo e dramaturgo.

WALMOR MARCELLINO, jornalista, poeta, escritor, filósofo e dramaturgo.

UM ARTIGO DE WALMOR:

REDOBLES A ERNESTO SERNA

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E a política como atitude e conduta; como ética, vivência e recompensa? Saiu do calendário porque não é mais valor ou nunca o foi na sociedade de classes; um farisaísmo de mercado para obrigar exação de negócios? E então, para ganhar credibilidades e confianças, assumimos compromissos senão incorporamos doutrinas sociais para alcançar vantagens?

A epopéia presente é para cada um apenas a busca de sobrevivência, como aventura existencial já não ante a natureza inóspita, não só ante as faltas pessoais e atrasos comunitários, mas sob a esperança que nos impele adiante e exalça por virtudes, e como cultura da dignidade de que dizem somos portadores: tenhamos mercê ou destino.

Remanesce em nossa cultura política a idéia vã de entrega e martírio, e então acreditamos em caudilhismos nas lutas sociais e martírios de uma causa comum; queremos, precisamos crer; seja porque existem exemplos e eles estão sufragados no imaginário coletivo, seja porque se multiplicam as tentativas de salvaguardar nosso compromisso da mutualidade.

O que tem a ver Gilgamesh com (São) Sebastião Arqueiro, martirizado em Roma no Século III, com Sebastião (Dom), o Desejado, XVI rei de Portugal, desaparecido aos 24 anos na batalha de Alcácer ? Talvez o espírito de Masaccio (Tommaso de Ser Giovanni, 1401) em busca das formas puras, quem sabe o Sebastianismo como um tropo (translação historicista do sentido martiriológio); ou, ainda, como quixotismo reinol em sua nobreza montada, ou poderia ser simples quixotada de estultas grandezas, por teimosias e caturrices, de obscurantismos cruzados em paranóias? Quem souber explique a este pobre Sancho Panza (Vida de Don Quixote y Sancho, ensayos, Don Miguel de Unamuno) que com utopias, grandezas e vilezas nos enredamos:

“Advirtas-te, irmão Sancho, que esta aventura e aquelas a esta semelhantes não são aventuras de ilhas (*fortuna), senão de encruzilhadas, nas que não se ganha outra coisa que decepada a cabeça ou uma orelha a menos.” Esse então seria o bom combate, sob regras de cavalaria, ou gigantismo do ego no atropelo a cada um?

Mas sem a altanaria do “Cavaleiro da Figura Triste” nem o despojado sensualismo de Sancho, o que faremos? Apenas advertir à Unamuno: “creio que se pode tentar a santa cruzada de ir resgatar o sepulcro de Don Quijote do poder dos bacharéis, curas, barbeiros e canônicos (vigários e regras) que o ocuparam”…

Alvitrarão: o que tem a ético-política e o socialismo que ver com os sentimentos, aspirações e utopias? Tudo o que pudermos encontrar na encruzilhada quando nos avulta grandioso Don Quijote de La Mancha a olhar para o horizonte.

MIUDEZAS de josé fernando nandé / curitiba

Juntem esses poucos retalhos,
Juntem esses pequenos ciscos,
Juntem os pensamentos apequenados,
Juntem as migalhas da mesa,
Juntem o que nos sobra direito ou torto,
Juntem essas pequeninas coisas
Porque é de miudezas que se enche o mundo.

Juntem os últimos suspiros dos moribundos
Juntem tudo que vaga entre os vagabundos
Porque é a partir do miúdo que se explica o todo.

Juntem o ar da manhã com o vento noturno
Juntem os signos às luas de Saturno
Juntem o perdão à pena do condenado
Juntem o remédio aos irremediados
Porque é da miudagem que se tem o inteiro.

Juntem tudo que não presta
Juntem tudo que tem serventia
Juntem tudo e bem juntado
Porque é da miuçalha que o Universo se veste.

TRILHAS E CAVALGADAS de marilda confortin / curitiba

Hora dessas, solto o freio

e laço este tordilho

sento no teu arreio

e te boto nos trilhos.

Nem que eu leve um tombo
e rasgue as a meias finas,

eu galopo no teu lombo
agarrada nas tuas crinas


Um dia ainda amanheço
“decorando tua geografia”

viro este guapo do avesso

ou não me chamo Maria

Pra te deixar feliz da vida,

uma noite, ainda eu laço

aquela lua exibida

e boto ela em teus braços.

Mas depois, juro que faço

um picadinho daquela china

porque, eu mando aqui em baixo

ela que fique lá em cima.

Uma hora dessas, qualquer

quando me bater a fome

vou querer ser tua mulher

e tu vais ser o meu homem

Depois?  Ah, depois tu voltas pra ela
e tudo fica em seu lugar
afinal, porque fizeram janelas

senão pra gente pular?

NAURO MACHADO e sua poesia / são luis.ma

Como te massacraram, ó cidade minha!
Antes, mil vezes antes fosses arrasada
por legiões de abutres do infinito vindos
sobre coisas preditas ao fim do infortúnio
(ânsias, labéus, lábios, mortalhas, augúrios),
a seres, ó cidade minha, pária da alma,
esse corredor de ecos de buzinas pútridas,
esse vai-e-vem de carros sem orfeus por dentro,
que sem destino certo, exceto o do destino
cumprido por estômagos de usuras cheios,
por bailarinos bascos sem balé nenhum,
por procissões sem deuses de alfarrábios velhos,
por úteros no prego dos cachos sem flores,
por proxenetas próstatas de outras vizinhas,
ou por desesperanças dos desenganados,
conduzem promissórias, anticonceptivos,
calvos livros de cheques e de agiotagem,
esses lunfas políticos que em manhãs — outras
que aquelas já havidas, as manhãs do Sol —
saem, quais ratazanas pelo ouro nutridas,
apodrecendo o podre, nutrindo o cadáver.
Se Caim matou Abel e em renovado crime
Abel espera o dia de novamente ser
assassinado em cunha de rota bandeira,
que inveja paira em Tróia ou em outro nome qualquer
da terra podre e azul de água e cotonifícios?
Mutiladas manhãs expõem-se nas vitrinas
de sapatos humanos mendigando pés,
de vestidos humanos mendigando peitos,
de saias humanas mendigando sexos.
Esta é Tróia!, o vigésimo século em Tróia,
blasfemam as fanfarras de súbito mudas
nos ouvidos mareando a pancada da Terra.

DOMINGO É UM NOME E UM DIA PODE SER DOMINGO por joão henrique / teresina


Assustado levantou-se pensando ser manhã quando já passara à tarde. Onde ela estará?, pensou em ligar, mas havia perdido o aparelho celular com todos os números. Passou os dedos pelo novo aparelho com a impotente certeza de não haver ali os números que lhe importam.
– porra, merda, telefone idiota.


Seu cinismo não impede uma ida aos caminhos virtuais. Não há encontro, ela não se encontra. É como se uma mulher gorda, dessas balofas mal vestidas, de bobes na cabeça, óculos de lentes grossas, e cara feia, dissesse a um pobre garotinho de treze anos, que lhe bate à porta a procura da garotinha neta dessa velha, que diz, a quase meio riso, “ela não está”. Não tem nada disso, nem mulher gorda ou netinha. Que viagem, pensa. Mas ela não está, deveras aqui ela não se encontra.
não lhe resta mais nada.
toca Chico aos fones de ouvido. Lá fora o sol das quatro horas começa a emprestar um brilho cansando que ensolara os domingos. Os carros passam indo ou vindo de algum programa dominical. Ele com esse semblante de ontem.
– cara de sábado em domingo, e esse dia que não começa, merda!


Almoça. Fuma o cigarro pós-almoço. Mais um pedaço da tarde, já às cinco horas, esse laranja, essas pessoas, esse riso de ida à sorveteria.
– eu deveria ir à sorveteria lembrar dela comendo um sorvete. Que idiota, lugar de lembranças é mesa de bar e não sorveteria. Eu poderia pegar um ônibus e dá umas voltas pela cidade, eu poderia fazer tanta coisa e não faço nada, diz-se a si.
Ouve Chico e anda pela casa. A mãe lhe pergunta o que tem. A avó lhe oferece algo pra comer,
– não, obrigado, responde.
– também, não para de beber, de fumar… perdeu até a fome, lhe diz a mãe.
– obrigado. Apenas responde como se ainda fosse parte da primeira resposta.


A tarde de domingo se vai.
olha os vizinhos às portas.
– quem será a manchete da vez, fala baixinho a si mesmo.
Fuma outro cigarro. Ao fundo ainda se pode ouvir, mesmo baixinho, vindo do quarto, os versos de Chico, “a dor da gente não sai no jornal”.
– porra, o Chico é foda.
Entrou a casa. Banhou-se. Vestiu-se, tendo o cuidado de pôr uma roupa que lhe desse sorte.
– vai com essa camisa branca, fica tão bonito, diz-lhe a mãe.
– essa não me dá sorte.
A mãe compreende porque sofre da mesma sandice.
– não dá sorte como?
– não é que não dê sorte, é que não acontece do jeito que era pra acontecer, mas isso com assuntos sérios, mas pra fuá dá certo. Não sei como é, mas não dá certo o que eu iria fazer, porém acontecem outras coisas boas. Dá errado, mas dá certo.
– tem coisa que é assim, dá certo, mas dá errado também.
– e isso é foda, né mamãe?
– é… é foda, responde a mãe.
Veste a camisa branca, se olha no espelho, “certo, mas errado”, pensa.
Frente ao espelho, assanha o cabelo do modo que lhe apraz. Sorrir Abre a boca. Manda um beijo a si mesmo. Sorri um riso mais evidente. Olha os dentes e as rugas. Entra no quarto e despede-se.
– não beba muito, hoje é domingo, lembra-lhe a mãe.
– pode deixar, eu sei que hoje é domingo. E quem não poderia saber que hoje é domingo minha mãe.
– vai sair com essa camisa mesmo?
Olha pra si, como se já houvesse esquecido com que roupa estava.
– é, vai que não dá certo de eu chegar na hora marcada, mas que eu chegue na hora certa.
– hora de quê?
– nada mamãe, até mais tarde
– não beba, não fume, não…

Dobra a esquina. Pára e olha.
Hoje é domingo. Eu não sei onde ela está. Não tenho pra onde ir, a não ser para minha noite de ontem, mas hoje é domingo, pensa. Logo surge uma caravana balançando bandeiras e apitando. Mais um candidato passa e fica a rua suja como prova do apreço que tem com a cidade que ele promete melhorar.

A rua. A réstia de sol.
Ela, certo e errado. Blusa branca, corpo sem rumo.


– bonita camisa, Pedro, diz uma velha vizinha de sua infância.
– obrigado

A rua não leva ninguém que não ande. Pedro fica a contemplar os últimos raios de luz do domingo.
Fuma outro cigarro. Volta pra casa.
– já chegou meu filho. Deu certo o que você ia fazer?
– deu. Quer dizer, ainda não. Deu certo porque deu errado
– como assim?
– deu certo porque deu errado. Deu errado porque eu não fui.
– e que deu certo?
– deu certo em dá errado, eu não sei, mas agora eu vou a outro lugar. Vou tomar uma cerveja como meu amigo Charles. Sabe mãe, deu certo porque eu não tinha pra onde ir. E ela não está nesses lugares que eu alcanço.
– quem é ela, eu conheço?
– não. Ainda não
– mas todo mês tu te apaixona…
– mãe, isso é bom ou ruim?
– não sei
– mas agora é serio, mãe
– mas toda vez é … acho que isso é como a camisa branca
– como assim?
– certo e errado, é bom e é ruim
– é… mas até eu gastar isso, é muito bom
– sabe Pedro…

A mãe ainda falava, mas Pedro já trocava de roupa. Assanhava os cabelos. Despedia-se da mãe e dá avó
– já vai sair de novo
– até mais tarde mamãe, vou ali que hoje ainda é domingo
– não demore
– tá.
Respondeu e saiu pra curar-se do domingo. Já estava na correria de segunda-feira ao fim daquele domingo.
Atravessou a rua em direção ao bar de sempre. Sentou-se. Pediu uma cerveja e cumprimentou o dono do bar.
– amanhã é segunda
– o quê?, perguntou o dono do bar, pensando ter ouvido o cliente falar-lhe algo.
– Amanhã é segunda-feira, Vicente. Segunda é um dia mais fácil de encontrar quem queremos.
Vicente se afastou. Entrou ao bar e pôs Chico pra tocar. Pedro recostou-se na cadeira. Acendeu outro cigarro. Deitou a saudade num verso de Chico.

Ao passar dos goles, Ela foi chegando às lembranças até a madrugada de segunda-feira, ainda na mesma noite de domingo.

Já à madruga de segunda-feira Pedro atravessa a praça rumo a sua casa, vestindo uma camisa típica de domingo.

CASLA – CASA LATINO AMERICANA convida:

casla cabeçalho

casla

WALMOR MARCELLINO, continua repercutindo a morte do poeta, jornalista, escritor, filósofo e dramaturgo / agência do governo do pr

Morreu nesta sexta-feira (25), aos 79 anos, o poeta, escritor e jornalista Walmor Marcellino. Militante contra a ditadura militar nas décadas de 70 e 80, Marcelino estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba com problemas renais e cardíacos. “Walmor Marcelino foi um militante persistente, que nunca se desviou de seu caminho. Alguns o chamavam de fundamentalista, mas eu sempre entendi suas atitudes como integridade”, afirmou o governador Roberto Requião.

Marcellino será velado a partir das 15h desta sexta-feira (25) na capela 3 do Cemitério Municipal de Curitiba, no bairro São Francisco. Seu corpo será cremado sábado (26), às 9h. Ele foi casado duas vezes e teve quatro filhos, um deles já falecido. Nascido em Araranguá (SC), em 1930, morou em Florianópolis, Porto Alegre e fixou residência em Curitiba. Escritor com forte atuação política, publicou mais de 30 livros, entre poesia, ficção e textos de opinião.

Na década de 70, participou do Centro Popular de Cultura em Curitiba, e de grupos de teatro da UFPR, sempre em oposição à ditadura militar. Preso político, nunca se furtou da crítica ao governo militar e das suas posições políticas. “Era um homem de extrema coragem e todos que lutaram pela democracia sabem o  papel que teve este grande intelectual”, afirmou o advogado Geraldo Serathiuk, que o conheceu na década de 70, na Casa do Estudante.

“Ele foi um dos responsáveis pela reorganização do movimento estudantil e sindical durante a ditadura militar e um grande orientador para minha geração”, contou Serathiuk. Marcellino trabalhou em diversos órgãos de comunicação, entre eles a Gazeta do Povo e o jornal Última Hora, e também na Assembleia Legislativa do Paraná e no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

“Ele era um dramaturgo, repórter policial de alto nível e um líder da resistência durante a ditadura militar”, afirmou o jornalista Cícero Cattani, que contou que conviveu com Walmor já no início da década de 60, na redação do jornal Última Hora. “Apenas quem conviveu com ele sabe mensurar esta perda”, disse.

PROFESSOR – Segundo Cattani, uma das grandes qualidades de Walmor era a de transformar a redação em uma sala de aula. “Era um intelectual e um verdadeiro professor de jornalismo. O Paraná perde um dos seus maiores valores.”

O jornalista Luiz Geraldo Mazza, destacou  a militância, tanto política quanto cultural de Walmor. “Ele foi uma pessoa de firmeza e caráter,  guerreiro que participou dos movimentos importantes do nosso Estado, e um dos grandes desencadeadores do desenvolvimento cultural”, contou.

De acordo com o poeta e escritor Ewaldo Schleder, que publicou um livro a quatro mãos com Marcellino, destacou a responsabilidade do colega, mesmo com quem criticava. “Sempre polêmico, mesmo assim nunca fez uma crítica não embasada, por isso, era respeitado mesmo por aqueles que tinham posições contrárias”, afirmou.

O procurador-geral do Estado, Carlos Marés, era presidente do movimento estudantil e Walmor, um intelectual ligado aos estudantes, quando se conheceram. “Era muito respeitado, ele dirigia o Teatro do Estudante Universitário e eu ajudava na contra-regra. Era um grupo chamado de engajado, contra a ditadura e contra o capitalismo. Walmor teve uma vida muito coerente nas suas idéias e no modo de agir, isso só se vê no fim da vida.”

O jornalista Nego Pessoa comentou que as diferenças políticas entre os dois eram enormes. “Mas a nossa amizade era justamente pela ligação com a arte. Walmor era um grande conhecedor de poesia e amante do jazz”, contou. Nego Pessoa destacou os livros de poesia do amigo, segundo ele, a melhor produção de Marcellino.

O advogado Edésio Passos também conheceu Walmor na década de 60. “Era de um caráter sensacional, grande jornalista e um dos mais importantes escritores paranaenses. Autêntico e também um teatrólogo sensacional, atuou contra a ditadura militar de maneira ímpar. Ele é uma pessoa que vai ficar inscrita na nossa história”, disse.

Amadeu Geara, político e advogado, lembrou que  Walmor foi um dos colaboradores na organização do MDB no Paraná. “Nunca dizia uma palavra de agrado que não fosse sincera, muito menos fazia uma crítica que não fosse fundamentada. Foi o pensador que nos auxiliou, na formação dos quadros do partido.”

PLANO NACIONAL DE CULTURA foi aprovado na comissão da câmara federal

Por unanimidade, foi aprovado na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados o Plano Nacional de Cultura
Date: Sat, 26 Sep 2009 14:44:01 -0300

Por unanimidade, foi aprovado na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados o Plano Nacional de Cultura, que dá marco legal para as políticas da área pelos próximos dez anos. Ainda na Câmara, a Comissão Especial que analisava a PEC 150 aprovou, também por unanimidade, a proposta que destina 2% do orçamento federal para as políticas culturais, além de 1,5% para os estados e 1% para os municípios.
“Com o apoio dos parlamentares conseguimos dar um avanço claro na área, com duas ferramentas estratégicas para a nação. Após a aprovação final, essas propostas darão base legal para sustentar, a longo prazo, a cultura como algo vital para os brasileiros e uma das áreas prioritárias no desenvolvimento de nossa nação”, diz o ministro em nota oficial distribuída à imprensa, em que celebra, talvez precipitadamente, o Ano da Cultura no Congresso.
Há de se reconhecer o esforço do ministro nesta área. “Este avanço se traduz na garantia crucial de recursos para a área, mas seu alcance é muito maior. Significa que, uma vez aprovados estes instrumentos, nós brasileiros enfim surgiremos como pessoas e nação que se cultivam, que abandonam definitivamente o complexo de vira-latas apontado por Nelson Rodrigues, para, enfim, assumir-se no mundo como seres afetos à cultura – a cultura que nos traduz, explica, alimenta e posiciona no mundo”, empolga-se o ministro.
De fato, o Plano Nacional precisa vir acompanhado, como já dissemos antes, de uma serie de instrumentos de garantia orçamentária e reestruturação da máquina administrativa do MinC, para ampliar sua capacidade de ação, sistematizar e institucionalizar as ações programáticas provenientes do PNC.
Precisamos, por outro lado, garantir a continuidade dos fluxos econômicos da atividade cultural, que garantem a sustentabilidade de artistas e profissionais do setor, além de compensar e oferecer novas oportunidades de mercado à produção emergente.

GRUPO TORTURA NUNCA MAIS DO PARANÁ convida:

PESAR E CONVITE:
PESAR PELO FALECIMENTO DO NOSSO GRANDE COMPANHEIRO WALMOR MARCELINO. Um dos mais importantes militantes políticos de esquerda do Estado do Paraná e do Brasil.
CONVITE:
DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE: 30 ANOS DE LUTA PELA ANISTIA
e uma grande homenagem ao WALMOR MARCELINO
DIA 28 DE SETEMBRO – SEGUNDA FEIRA
19 HORAS Na sede do GRUPO TORTURA NUNCA MAIS DO PARANÁ
Rua Voluntários da Pátria, 475 – 6º andar – cj. 608 -Edifício ASA – centro – Curitiba
Segue abaixo a programação….

narciso

SARAVÁ, WALMOR! por hamilton alves / florianópolis

Conheci Walmor Marcelino há muitos anos, quando ainda a escola, que freqüentávamos, era, como se costuma dizer, risonha e franca. Falo da escola de jornalismo em que iniciamos praticamente juntos, no Diário da Manhã, do Zedar Perfeito da Silva, velho jornalista e escritor.

Ali ensaiamos os primeiros passos dessa atividade para a qual éramos vocacionados e que só largaríamos, como o fez Walmor, no fim da jornada. Carregou bravamente a tocha até o último suspiro.

O jornalismo que fez foi diferente do meu – um jornalismo de linha de frente, de combate pela justiça social, como bem assinala o necrológio feito na edição de ontem deste “blog”.

Marcelino pensava o mundo por um viés humaníssimo. Queria que todos tivessem acesso aos bens da vida e notadamente aos mais preciosos: educação, saúde, habitação, etc. Por isso, sempre combateu ao lado dos fracos e oprimidos com destemor. Pagou alto preço quando imperou neste país o regime militar, sendo preso várias vezes.

Walmor foi sempre fiel aos seus ideais, Não tinha temperamento nem muito menos formação para aderir, por exemplo, à linha burguesa de ação, na qual sabia que militavam os oportunistas, os que querem os cargos não para exercê-los no bem de todos mas no interesse de grupos (tipo Sarney, p. ex.) – só para citar um lídimo representante dessa corrente.

Walmor era um idealista e seu ideal estava colocado acima do cidadão Walmor Marcelino. Colocava-o muito alto, a uma altura quase inalcançável pela maioria de seus concidadãos. Era meio quixotesco na forma como encarava sua brava luta. Sabendo-se quase só ou um dos poucos que ainda alimentavam esse sonho de transformação do mundo pela perseverança ou pela doutrinação desses ideais puros.

Marcelino editou meu primeiro livro – uma pequena novela – a que dei o título de “O velho da aldeia”. Ele o alterou para “O velho e a aldeia”, que lhe dava uma semelhança com a novela de Hemingway “O velho e o mar”. Mas não fez isso deliberadamente; nunca o faria. Deve ter se equivocado. Acompanhei-o até sua casa, em Curitiba, para pegar os trezentos exemplares do livro. Antes havíamos nos encontrado na Ilha e me perguntou: – “Tens alguma coisa para editar?”

Guardava os originais datilografados dessa novela na gaveta fazia um bocado de tempo.

Mostrei-os para o Walmor. Levou-os para editar. Poucos meses depois entrou em contato comigo, informando-me que concluira a edição por sua editora “Hoje”. Fiquei radiante com a beleza, embora artesanal, da edição desse livro.

Há pouco, o Vidal , editor deste “blog”, me convidou para um encontro com ele em Santo Amaro da Imperatriz, onde fora descansar. Mas subitamente       teve que retornar a Curitiba. Perdemos essa chance de voltar a nos ver e relembrar os velhos tempos.

Walmor fez grandes amigos aqui na Ilha e certamente em Curitiba, onde morou longos anos, vindo a falecer há pouco.

Era um dessas raras figuras de combatente,  de uma só têmpera, de uma só linha, de um caráter inquebrantável na defesa destemida de seus sonhos.

Legará seu exemplo de retidão e de espírito de luta.

Saravá, Walmor!

O LULIBERALISMO por alceu sperança / cascavel.pr

Ao retornar de viagem de trabalho ao Rio de Janeiro, o colega Jairo Eduardo, do jornalzinho Pitoco, deixou no ar uma pergunta irrespondível. Depois de assinalar que há nas plagas fluminenses obras fantásticas, um mundaréu de turistas trazendo dinheiro a toda hora e fabulosos investimentos públicos e privados feitos cotidianamente naquele Estado, ele sapecou:

“Como pode tanto dinheiro gerar tanta miséria?”

Antes de responder ao irrespondível, vamos tentar responder a algumas perguntas mais simples. Por que o Primeiro Mundo é rico e a América Latina não é? É bem simples: o capitalismo se impôs no mundo através de grandes roubos, coisa que, aliás, Marx cansou de dizer.

Roubaram nosso ouro e, assim, ficaram ricos e nós seguimos pobres. Portugal, que iniciou essa roubalheira toda – e como deixou seguidores nas elites brasileiras! – saqueou fortemente o Brasil e deixou uma Independência falsa, soterrada por uma dívida externa que não devemos e até hoje, no luliberalismo, ainda se paga na forma de juros absurdos.

Luliberalismo? Delfim Netto: “O Lula tem virtudes e desvirtudes. Ele mudou o Brasil de forma importante, de forma a salvar o capitalismo” (O Globo, 20 de setembro de 2009)

Entregando o ouro

No entanto, todo o ouro surrupiado não contribuiu para que Portugal continuasse a grande potência da época dos descobrimentos. Esse ouro, cáspite!, acabou foi aprofundando a dependência de Portugal à Inglaterra.

O que Portugal comprava do florescente capitalismo inglês (hoje os endividados EUA compram da florescente China), era cobrado em muito ouro. Fomos nós, portanto, com nosso ouro, que financiamos a Revolução Industrial e o luxo europeu. Esse ouro, ufane-se, criou a grande força do capitalismo mundial.

Entregamos o ouro e sustentamos o florescimento do capitalismo no mundo, Lula entrega o ouro e salva o capitalismo no Brasil…

Foi a glória quando Napoleão enxotou d. João para o Brasil, pois assim partes da Europa, Ásia e África passavam a ser governadas daqui. É, sim: até a globalização fomos nós que iniciamos!

Agora o Brasil não era mais uma coloniazinha remota. Era a sede de uma tradicional monarquia europeia. Mas essa vinda aos trópicos entregou de vez a rapadura portuguesa à Inglaterra, que veio definitivamente a ser a grande beneficiária do ouro brasileiro.

Mais e mais perguntas

Além de devorar nosso ouro e com ele financiar o capitalismo/imperialismo no planeta azul, a Inglaterra nos passou a conversa e repentinamente estávamos lhe devendo os tubos, e cada vez mais.

Além de tomar nosso ouro, tomaram nossos melhores cérebros, colocando a seu favor, pagos com migalhas daquele ouro, os doutores, magistrados, governantes, parlamentares, fazendeiros, industriais, comerciantes.

Vemos aí que a roubalheira, a corrupção e a miséria que entristeceu nosso colega Jairo têm origem justamente numa grande riqueza: nosso ouro.

Ao irrespondível, há que responder com mais perguntas: como pôde toda a riqueza gerada pela madeira que saiu do Oeste paranaense para reconstruir a Europa devastada pela II Guerra Mundial, e depois construir Brasília, gerar a atual criminalidade e a violência na periferia de Cascavel e Foz?

Como pode toda a riqueza gerada pela soja dar nessa gurizada que mata e morre, rouba e assalta a toda hora no centro e nos bairros?

Como pode todo o ouro brasileiro ter produzido a corrupção, a elite mais calhorda e venal do mundo, esses governinhos federal, estaduais e municipais luliberais cheios de lábia e escassa competência, as bolsas-família, bolsa-jagunço, CPMF, mensalão etc?

Porque o espaço acabou, talvez seja a hora de mais gente começar a responder a tantas (e incômodas) perguntas.

RUMOREJANDO (27/09/09) por juca (JOSÉ ZOKNER) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Rico ganha abastança*; pobre, perde a esperança.

*Abastança =  substantivo feminino

1 provimento satisfatório ou suficiente

2 excesso de provimentos e haveres; abundância, riqueza.

3 vida segura, confortável, sem privações ou problemas de subsistência (Houaiss).

Constatação II

Um otimista sempre vai achar que o Paraná volta para a Primeirona do Brasileirão; o pessimista, que ele cai para a Terceirona; o realista que ele deverá continuar na Segundona. Esta, parece ser a  mais provável. Triste sina…

Constatação III

Não se pode confundir provisão com profissão, muito embora muitos políticos fazem de seus cargos uma profissão, recorrendo a alguma provisão de numerário, não necessariamente honesta, independentemente de seus estratosféricos salários.

Constatação IV

Não se pode confundir colunável (Quem aparece nas colunas sociais [e/ou policiais]) com colimável (passível de se ter em vista; pretenso), até porque nem sempre é possível obter o objeto, pessoa ou coisa que se deseja por meios lícitos ou não com o fito de passar a ser colunável. A recíproca é como é e tá acabado. Tenho democraticamente dito!

Constatação V

Parcos pode ser substantivo ou adjetivo; porcos, também. Mas nem por isso deve-se confundir uns com os outros.

Constatação VI

Eu achei o pedido da ministra incabível”, disse a ex-secretária da Receita Federal Dilma Vieira se referindo a Ministra Dilma Roussef. Taí mais uma expressão sendo inaugurada em depoimento. E a sua utilização, embora soe estranha, está correta. Igualmente como foi a de um outro ministro que usou o “imexível”. A utilização de ambas é infrequente (epa…).

Constatação VII

Esse pessoal do PT que votou a favor do Sarney agora tenta justificar o voto (“Obedeci ordens porque sou homem do partido”), para estar bem com todos. Os nazistas também, segundo eles, obedeciam a ordens. Tá na hora desse pessoal do PT se dar conta de quem bate o córner não consegue também cabecear. A falta de caráter virou pandemia…

Constatação VIII

Disse a mulher na praia para o marido: “Pare de olhar para essas meninas todas”.

Disse o marido: “Não sou eu que estou olhando pra elas. São elas que estão olhando pra mim. Como você já deve ter se dado conta, no meu caso específico, charme não se compra em farmácia”.

Contestou a mulher: “Mas xarope tem de todas as marcas”.

Constatação IX

Uma livraria cá de Curitiba colocou junto a sua placa indicativa uma máxima, atribuindo sua autoria ao grande escritor gaúcho Mário Quintana: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas; os livros mudam as pessoas”. A autoria da frase é contestada. Segundo os entendidos ela foi proferida pelo romano do século II a.C. Caio Graco. Rumorejando gostaria de receber informações dos seus leitores a respeito. Obrigado.

Constatação X

Travado

Pelo zagueiro,

De gol com gana e sede,

O artilheiro

Chutou-o e também a bola.

Esta, quicou

Como se tivesse cola

E ficou

Ali ao lado.

O coitado do zagueiro,

Ao ser chutado,

Voou

Raspando o travessão.

Acabou

Estatelado

Na rede

Onde se emaranhou

Na maior contusão.

Coitado!

Constatação XI

Nada de ladainha!

A credibilidade

Da Situação

E da Oposição

Tá um caco.

Na realidade,

Eles sempre foram farinha

Do mesmo saco.

Constatação XII

Se o Homem foi criado à semelhança de Deus, como se propaga por aí, a Sua imagem como é que fica?

Constatação XIII

Rico dispõe de tudo; pobre, eventualmente do entrudo.

Constatação XIV

Deu na mídia: “Presidente da Inguchétia retorna dois meses após atentado”. E Rumorejando que achava que seus conhecimentos de gografia estavam em dia. Inguchétia?

Constatação XV

E como dizia o obcecado para a solteirona convicta, parodiando o antigo partido União Democrática Nacional – UDN (“O preço da liberdade é a eterna vigilância”): “O preço da ignorância é a eterna vigilância. E o preço da vigilância é a eterna ignorância”.

Constatação XVI

E já que falamos no assunto da incompreendia liberdade, o livro Poemas para a Liberdade, do escritor Manoel Andrade, catarinense radicado em Curitiba, publicado em vários países da América do Sul, saiu em português, pela editora Escrituras de São Paulo, numa edição bilíngue. Leitura obrigatória , como diriam os críticos.

WALMOR MARCELLINO entregou as moedas para o barqueiro na manhã de hoje / pela editoria

faleceu nesta manhã o jornalista, escritor, filósofo e dramaturgo WALMOR MARCELLINO. WALMOR era colunista deste site para assuntos politicos. os PALAVREIROS DA HORA rendem suas homenagens ao grande batalhador pela justiça social no planeta e com ênfase no nosso país. foi um lutador incansável contra a ditadura militar sendo preso em diversas oportunidades. nasceu em Araranguá (sc) e morou em Porto Alegre onde juntou-se ao grupo QUIXOTE de poesia. WALMOR era também editor e estimulava os novos autores, que tivessem uma visão critica e social da vida moderna, publicando, às suas expensas, diversos deles. com a Editora QUEM DE DIREITO uma das suas ultimas publicações foi a antologia Iª REUNIÃO DOS POETAS DO SUL – ” PRÓXIMAS PALAVRAS” onde participaram os PALAVREIROS manoel de andrade, jb vidal e  o colaborador e artista visual nelson padrella.

desejamos fôrça à Elba, sua esposa, e aos seus familiares, para enfrentar este momento dolorido.

o velório ocorrerá na capela nº 1 do Cemitério Municipal de Curitiba a partir das 16:00 havendo a cremação amanhã as 09:00.

Walmor marcellino fotoWALMOR MARCELLINO.

NADA de vera lúcia kalahari / portugal

Amanhã, como agora

Estarei a pensar no Nada.

Nada: O absolutismo total, o esquecimento,

O vazio, o coisa nenhuma.

Nada: O ponto de partida e de chegada.

Nada: A interrogação, a resposta, a negação.

Nada: A crença, o cepticismo.

Nada: Aquilo que fomos, que somos, que seremos.

Nada: O gostar, o desprezar, o odiar.

Nada: A centelha fugaz da vida,

A eternidade real da morte.

Nada: O sonho, a realidade, o sobreviver.

Nada: Nós…Átomos perdidos do Nada

Na busca incessante do Nada.

.

P.S. Escrito por nada, num dia sem nada.

O CASO TOFFOLI por hamilton alves / florianópolis

Os golpes baixos não param nunca de detonar neste país. Agora, apresenta-se aos olhos dos espectadores da cena nacional o caso do advogado José Antonio Dias Toffoli, advogado geral da União, e ex- (ou ainda é?) advogado do PT, que foi ungido por Lula (não consigo chamá-lo de presidente depois do conhecido episódio Lina Vieira x Dilma Rousseff) ao cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal. O caso é que a justiça do Amapá condenou-o (ao eleito de Lula) com uma sentença condenatória de devolução aos cofres públicos da vultosa soma de R$420 mil reais por ter havido, segundo se divulga, afronta à Lei das Licitações e ao princípio da moralidade administrativa (Estado de S. Paulo, de 21/09/09). Sustenta-se ainda que Toffoli teria sido reprovado duas vezes em concurso para Juíz de Direito e que, por isso mesmo, põe-se em dúvida sua competência ou capacidade profissional para ser investido nas funções de Ministro do Supremo Tribunal Federal. Acusa-se o advogado ainda de firmar contrato irregular para representar o Estado do Amapá nos tribunais superiores, em Brasília, à época do governo de João Capiberibe (PSB).

Toffoli é tido como inexperiente e despreparado para ocupar o STF, além de ligado ao PT (não seria outro o motivo pelo qual Lula o teria indicado ao cargo), especialmente ao ex-deputado José Dirceu. A condenação sofrida pelo advogado pela justiça do Amapá à devolução da importância referida representa mais um desgaste para vir a ser efetivado no cargo de Ministro do Supremo, segundo algumas opiniões que analisam o caso.

Num dia desses, o presidente do STF, José Mendes (que é conhecido por posições jurídicas discutíveis, que vêm assumindo frente a algumas questões debatidas bem recentemente, defrontando-se com oposição no seio do próprio STF, como no caso das denúncias formuladas contra José Sarney, que foram todas arquivadas. Liderou a corrente a favor de tal decisão ou fez parte do grupo que as rejeitou), saiu em defesa de Toffoli, minimizando a decisão da justiça do Amapá. Para ele, Mendes, na condição de advogado militante é absolutamente rotineiro alguém sofrer ações e eventuais condenações na justiça. E salientou: “Até me surpreende que não tenha havido mais processos”. Ó, senhor dos céus, onde chegamos!

Segundo o Ministro Presidente, tudo isso não constitui motivo para que o Senado recuse a indicação ao Supremo do nome de Toffoli. Ó, senhor dos céus, para onde vamos?!

Anuncia-se que aliados, no Palácio do Planalto, estariam defendendo a aprovação do nome de Toffoli ao STF. Ó, senhor dos céus, por que novos descaminhos segue este país!

Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Nenhuma novidade à vista. Tudo sob o império do facilitário.

AINDA SOBRE O OPOSTO DO CONTRÁRIO de osvaldo wronski /curitiba

de longe a proximidade os altera
quando eles se retocam
a faísca é inevitavelmente indelével
choque anato-térmico que crepita
arrepiando os pelos
arrancando suas raízes

quando se encostam
as palavras poliglotam
impossível mantê-los unidos
diante de tamanha atração contrária
ou se diz pára
os se separam
para drasticamente
se anularem

Escrita em iminência – por lucas paolo / são paulo

Ou será que, sendo tão fraco de visão quanto tímido de espírito,

ele sentia menos prazer com o reflexo do mundo sensível e

brilhante através do prisma de uma linguagem multicolorida e

ricamente lendária do que com a contemplação

de um mundo interior de emoções individuais perfeitamente

espelhadas em uma prosa periódica, lúcida e flexível?

James Joyce, um retrato do artista quando jovem

Preâmbulo Ostensivo

Inconclusivo, mas ele decidira experimentar as teclas do computador:

<PALAVRAS>

A sugestão estaria dada. Algum hipotético leitor (absolutamente necessário) poderia facilmente influir que era um azarão: apenas alguns pouquinhos professores ineficientes a mais e duas mil, duas mil e duas páginas de literatura fantástica a menos [leitor criativo adicione a esta conta vivências artísticas e humanas a seu bel-prazer] e pronto! seria ele um futuro físico-quântico, acadêmico, político, médico, engenheiro, talvez um pedagogo, que poderia confortavelmente viver de forma satisfatória duas, talvez  três vezes por semana. [mais uma vez fiquem à vontade para complementar a sugestão à monotonia]

* Reflito agora e percebo que alguns leitores poderão se sentir subestimados, ou, superestimados com as liberdades oferecidas acima, sendo assim, do próximo parágrafo em diante, poderia eu correr o risco de não sugerir complemento imaginativo nenhum; mas por achar divertida a idéia  de uma possível antecipação redundante do leitor, continuarei com minhas sugestões totalmente desnecessárias. [Porém deixo a seu critério: se quiser, leia o que esta dentro das chaves; se não quiser, não leia!]

Por essas e aquelas palavras já se pode alumbrar um axioma:

Ele é inextricavelmente um pensador!

Pensador! mas é um filosofador bem ruinzinho – da pior espécie – daqueles que congenitamente saem sempre do nada para dar em lugar nenhum. [Aqui há espaço para a implementação fátua de alguma situação vivida pelo próprio leitor – algo como: uma conversinha de buteco, um simpósio sobre a estética de tal parágrafo de tal autor sobre a estética de outro autor, …]

Deixando de preâmbulos, havia ele de escrever alguma coisa.

Redenção da Introdução à Crônica

Antes de me desenrolar (e me enrolar) em reflexões acerca de algum assunto, gostaria de tentar muito perfunctoriamente imergir o leitor em minha problemática. De antemão peço desculpas por meu escasso repertório, mas com as singelas ferramentas que tenho tentarei dizer alguma coisa.

Introdução à Crônica

Pode-se escrever sobre tudo (e muitos aspirantes-pseudo-pensadores-picaretas como eu são a prova escrita disto). Ao mesmo tempo é absolutamente incontestável que tudo já foi escrito, pensado ou imaginado por algum ser humano. Que nenhuma idéia é nova ou inteiramente auto-referente. Desta forma, um bom leitor jamais escreveria uma palavra sequer de qualquer tipo de literatura. Entretanto a vida nos impregna de uma poesia completamente inquietante [peço que se dê a poesia o infindável sentido que a palavra possui e merece] que anseia por transbordar em sons, cores, cheiros, sabores, gestos, enfim, palavras.

Não há como resistir ao comichão ansioso que vive a cutucar a imaginação e o ego, pedindo para virar mais uma refletida expressão do nada. Por isso, é irrevogável desnudar a mente e o coração em mais uma manifestação do eu que muitíssimo raramente acrescentará ou melhorará algo em Nós.

Penso que julgar intenções e méritos de pobres almas mortais que pensam exprimir algo através da palavra é sandice das mais ignóbeis. Tanto faz ler 1.500 livros para descrever a ignorância de dois homenzinhos ou tirar da própria ignorância material para escrever 1.500 livros. (Que se divirta que tem saco para tanto! Hoje minha ignorância cabe muito bem em três páginas redigidas em letras grandes). [Transportem o exemplo do conhecimento literário para os vários âmbitos da existência humana: a vivência amorosa, o conhecimento sobre as duras realidades e injúrias da vida, e por aí vai…].

Um problema imponente e de insondáveis divagações existencialistas é a vaidade literária. Todos os escritores querem escrever o Quixote, (os que desistem da imortalidade se contentam em ser o best-seller semanal). Como se contentar em ser mais um autor-sem-editora ou blogueiro-potencial?

Apesar de tudo, toda palavra quer ser lida, imaginada, colorida, musicada, saboreada, profanada, respeitada, sussurrada, adjetivada, citada, ensotaqueada, silabeada, esmiuçada, aguçada, emporcalhada, mal-tratada, esgotada, …

Talvez o pior entrave seja, finalmente, o esgotamento da criatividade. Quando ela esgota esgotou… E muitas vezes não se disse nem um tiquinho do que se ansiava dizer.

Resumo da tentativa de Crônica

[Ao fim, algo foi realmente dito?

O que havia me feito começar a escrever?

Consegui explicar a primeira palavra?

Minha existência foi justificada?

Nos divertimos?

Pensamos?

Entrarei eu agora para a infinita Biblioteca?]

*

Hei de escrever outros textos?

I_CWB 5 – Zombie Zombie (Fr) + François Virot (Fr) + Felipe Ayres (Wandula) + Djs + bares Wonka e Mafalda, dia 25 na Casa Vermelha / curitiba

icwb-eflyerI_CWB # 5

Edição Francesa, com Wonka Bar e Café Mafalda dentro!

ZOMBIE ZOMBIE (Fr)

Etienne Jaumet (sintetizadores) e Cosmic Neman (bateria) são o Zombie Zombie, duo de música eletrônica ou o “Hot Chip na visão do diretor de filmes-b, Bela Lugosi”, segundo o NME. Música instrumental forrada de samples e artefatos analógicos bizarros, como um gerador de “risadas étnicas”. Som descomplicado, feito na hora, para dançar e se deixar levar sem ter que pensar muito.

FRANÇOIS VIROT (Fr)
Inspirado por Nick Drake e Kurt Cobain, o músico François Virot começou a tocar guitarra ainda cedo e logo que começou a se apresentar ao vivo, adquiriu o vício de gravar uma nova demo para vender nos shows. Assim nasceu o disco “Yes or No”, que espalhou seu nome por toda Europa. Virot abriu os shows do Kings of Convenience e passou por alguns dos principais festivais do mundo, como o Glastonbury na Inglaterra e o espanhol Benicasin. Suas composições seguem um formato mais simples, com violão, voz e pedais, e até lembram o formato do Animal Collective, crescendo ao vivo com poesia e melodia desconcertantes.

FELIPE AYRES
Ayres é um músico erudito. Harpista do renomado grupo curitibano Wandula, acaba de lançar um projeto solo voltado para a música eletrônica. Sintetizadores, laptops, teclados, vocoders e claro: a harpa. Também conta com a participação especial da vocalista do Wandula, Edith de Camargo. O clima sonoro reverberam desde o etéreo Tom Yorke, até o idm de Kruder and Dorfmeister.

A I_CWB

Em sua quinta edição, a I_CWB já trouxe a Curitiba grandes nomes da música contemporânea, como os norte-americanos Jon Spencer and Heavy Trash e Nathan Bell, o gaúcho Jupiter Maçã e o suéco Jens Lekman. Sucesso de público e crítica, o evento agora possui local próprio: o fantástico prédio da Casa Vermelha, uma antiga casa de ferragens situada bem no coração do centro histórico da cidade.

Outra novidade é a parceria com o Wonka Bar, vencedor do prêmio Veja de melhor música ao vivo. Agora, nas noites de I_CWB, o Wonka fecha as portas e se muda literalmente para dentro do evento. Para completar, será montada no jardim da Casa Vermelha uma versão ao ar livre do Café Mafalda, que irá oferecer seus já famosos drinks e petiscos.

A próxima edição acontece dia 10 de outubro e traz novamente ao Brasil  os franceses do Rubin Steiner. Também é o primeiro aniversário do conceitual Salon de Coiffure Lolitas.

O calendário geral, praticamente fechado até maio de 2010, conta com nomes como Fugiya & Miyagi, The Walkmen, Au Revoir Simone, Coco Rosie, Gogol Bordello e Yann Tiersen.

SERVIÇO

Palco principal:

Zombie Zombie (França)

François Virot (França)

Abertura:
Felipe Ayres (Wandula) – live PA com participação especial de Edith de Camargo

DJs:
Our Gang (special set)
Bernardo (rock to rock – Wonka)
Ivanovick (Tirana – Wonka)

Especial:
Bares Wonka e Bistrô Mafalda ao ar livre
Data: 25.09.2009 (sexta)
Local: Casa Vermelha (Largo da Ordem, São Francisco)
Abertura da casa: 22:00
Início dos shows: 23:00

Ingressos antecipados: primeiro lote R$20,00 – segundo lote R$30,00
Pontos de venda: Café Mafalda, Wonka, Kitinete, Lolitas, V.U., Roberto Arad e Lamb
Informações: 9142-0810 ou 9929-3109
Site: www.icwb.com.br

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UMA IMENSA AVENTURA AMARELA EM VAN GOGH por omar de la roca / são paulo

Ou ( Como encontrei o amarelo imenso e correto para uma tela inacabada de Van Gogh)

.

( Para a borboleta que existe em todos nós e as vezes não sabemos)

Eu descia a Consolação ( pois é,no meu conto tambem era a Consolação) e minha consolação é que eu a estava descendo,que ainda não corro a São Silvestre.Não preciso falar do cinza da Consolação,da poluição do barulho.Eu desci tentando me distrair do sol forte vendo, se é que via alguma coisa nas vitrines esparsas.Entrei na loja de CD’s e DVD’d usados o famoso sebo empoeirado e mal cheiroso e percorri as vitrines vazias para mim já que pouca coisa me interessava.Não encontrei a Julia Roberts.Sai para o sol quente,já falei que era pleno verão? pois era.E o som dos carros me ensurdeceu,a poluição me travou a garganta, o vazio o vazio a tontura.”DE REPENTE,não mais do que de repente” o escândalo.Fiquei aterrorizado e paralisado.De repente desceu de um beiral uma imensa,se é que elas podem ser imensas,uma imensa borboleta amarela!!!Ela vinha alegre batendo suas asas amarelas deixando um rastro de purpurina por onde passava.Que coisa louca,pensei,quando poderia pensar em ver uma imensa,imensa borboleta amarelo Van Gogh na Consolação!Aturdido fiquei a segui-la com os olhos pra la e pra cá.Pra lá não ,pensei, olha o onibus despencando pela avenida abaixo.Mas ela esperta e amarela,desviava e encontrou o ramo de uma arvore para descansar.Eu pensei em seguir em frente mais sossegado,já que ela havia encontrado refúgio.Mas a danadinha da borboleta amarela imensa Van Gogh desprendeu-se do ramo verde e pos se a voar de novo.Ai meu Deus,olha o onibus.Mas ela desviava subia e descia com suas asas,bom voce ja sabe que eram amarelo Van Gogh.E imensas.Ou ainda não falei? Com o coração aos pulos comecei a segui-la como a uma dama da qual se quer favores.Seu vestido amarelo arrastava-se sem se sujar,e ela dançava com uma graça propria dela sem se deixar tocar.Incitando a perseguição e esquivando-se a tempo.De repente não estava mais ao alcance da minha mão.Continuei a segui-la com olhos avidos para consumar o ato. De fato parece que ela percebeu que eu estava interessado nela e aproximou-se sorrindo.E ai perguntei vamos conversar?e ela logo fugiu.

De repente pensei em possui-la como um tesouro que não pode ser dividido.Ai olhei em volta e pensei,com quem eu a dividiria?Quem mais prestou atenção naquela ridícula borboleta imensa e amarela que nem Van Gogh quis pintar ?Na verdade eu a queria só para mim e pensei em captura-la com minhas mãos vazias.Então todo meu ser prático se apossou de mim,como vai alimenta-la, aonde vai mante-la?Como ira transporta-la ate o trabalho e de lá ate em casa.Irás amestra-la e leva-la ao ombro?Não,seria uma impossibiliade absoluta.Esta sim uma verdade absoluta ao contrario das outras não é ?Humildemente tive que me render ao meu lado pratico.A borboleta pertence a Natureza.Ou será que a Natureza pertence a ela ? Pobre ser amarelo e imenso como uma tela de um pintor holandes condenada a vagar como um espirito dourado pela avenida da Consolação sempre a procurar, sempre a procurar um lugar ,nunca se conformando com o cinza,a fuligem o barulho…um lugar verde e refrescante, se possivel florido para descansar. Só posso desejar que ela encontre o ansiado refugio,o porto seguro a flor perfeita para acolhe-la.Ou então querida,se te fores,tenho certeza que encontraras um bom lugar no céu das borboletas.Aliás um lugar onde as asas batendo fazem um barulho maravilhoso.A poluição visual é colorida e o cheiro de plantas nos espanta.Opa!Ela subiu a atravessou a rua e ainda dançando feliz como uma bailarina amarela dançando primavera, deixando uma pincelada de tinta amarelo Van Gogh no ar desapareceu atras de uma fachada cinza.Cinzenta,poluida como meus pensamentos antes dela aparecer.Mas agora não,o Cinza de Payne se misturou ao amarelo borboleta e a paleta mostra uma cor mais suave,aceitável, socialmente e ecologicamente correta.E o sol,a poluição o barulho perderam sua importancia diante daquela minúscula mancha colorida que ousou atravessar a rua da Consolação.Ela deixou em meu coração uma impressão forte,de sobrevivencia,de garra.Uma impressão de borboleta amarela de Van Gogh que insiste em sobreviver apesar de tudo.E tudo isto ela fez sem o saber,inconsciente de seus poderes curativos.Ela, que só queria passear,se alimentar ao sol,sobreviver me mostrou uma lição de fugacidade ( fugir da cidade também ) mas tambem de fortaleza nesta mesma delicadeza amarela,porque não, amarela e imensa como um sol de Van Gogh.

MORRER de otto nul / palma sola.sc

Morrer num repente

E para sempre

Morrer de tédio,

Subitamente,

Morrer aqui e agora

Ao despontar da aurora

Morrer aniquilado

De morte jubilado

Morrer sem remissão

E sem perdão

Morrer de tristeza

Ou de paixão

Morrer de desencanto

Ou de beleza.

“AOS MEUS AMIGOS DA TERRA” soneto de EMILIO DE MENEZES psicografado por CHICO XAVIER / uberaba.mg

Amigos, tolerai o meu assunto,
(sempre vivi do sofrimento alheio).
Relevai, que as promessas de um defunto
são coisa inda invulgar no vosso meio.

.

Apesar do meu cérebro bestunto,
o elo que nos unia, conservei-o,
como a quase saudade do presunto,
que nutre um corpo empanturrado e feio.

.

Espero-vos aqui com as minhas festas,
nas quais, porém, o vinho não explode,
nem há cheiro de carnes ou cebolas.

.

Evitai as comidas indigestas,
pois na hora do “salva-se quem pode”,
muita gente nem fica de ceroulas…

.

Emílio de Meneses, jornalista e poeta, nasceu em Curitiba, PR, em 4 de julho de 1866, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de junho de 1918. Eleito em 15 de agosto de 1914 para a Cadeira n. 20, na sucessão de Salvador de Mendonça, não chegou a ser recebido. Deveria ser saudado por Luís Murat.

Filho de outro poeta, Emílio Nunes Correia de Menezes, e de Maria Emília Correia de Menezes, era o único filho homem na família, ao lado de oito irmãs. Fez como pôde os estudos primários e secundários no Paraná. Aos 14 anos começou a trabalhar na farmácia de um seu cunhado farmacêutico. Aos 18 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, influenciado pelo movimento simbolista e levado por Rocha Pombo. Ainda em Curitiba distinguia-se pela originalidade de sua figura e dos seus hábitos, pela extravagância das maneiras e das roupas e pela singularidade da imaginação.

No Rio de Janeiro aproximou-se dos boêmios e jornalistas da época, entregando-se ele também ao jornalismo. O escritor e crítico do Simbolismo Nestor Vítor deu-lhe uma recomendação para trabalhar com o professor Coruja, um dos educadores mais conhecidos do Rio. Este abriu as portas do lar ao jovem provinciano. Um ano depois Emílio estava casado com uma das filhas do professor Coruja.

Obteve uma nomeação para Curitiba, como funcionário do Recenseamento federal. Finda a comissão, regressou ao Rio. Era a época do Encilhamento, e poucos resistiam à sedução de ganhar dinheiro fácil. Emílio arranjou algum capital, fez especulações na bolsa e em pouco tempo estava rico. Possuía carros de luxo e fez-se colecionador de objetos de arte. Mas os tempos eram de crise, e Emílio de novo empobreceu. Continuava, entretanto, a viver a vida despreocupada e solta dos botequins, na companhia de jornalistas e poetas. Tornou-se colaborador das colunas humorísticas dos jornais. O poeta esmerava-se na publicação de poesias satíricas e ferinas, sob vários pseudônimos: Neófito, Gaston d’Argy, Gabriel de Anúncio, Cyrano & Cia., Emílio Pronto da Silva.

Ao fundar-se a Academia Brasileira de Letras, em 1897, ele teria sido também um dos fundadores, mas havia preconceitos contra a sua maneira boêmia de viver. Entretanto, foi eleito para a instituição em 15 de agosto de 1914, sucedendo a Salvador de Mendonça. Deveria ser saudado por Luís Murat. Emílio compôs um discurso de posse, em que revelava nada compreender de Salvador de Medonça, nem na expressão da atuação política e diplomática, nem na superioridade de sua realização intelectual de poeta, ficcionista e crítico. Além disso, continha trechos argüidos, pela Mesa da Academia, de “aberrantes das praxes acadêmicas”. A Mesa não permitiu a leitura do discurso e o sujeitou a algumas emendas. Emílio protelou o quanto pôde aceitar essas emendas, e quando faleceu, quatro anos depois de ter sido eleito, ainda não havia tomado posse de sua cadeira.

Além das obras publicadas, deixou copiosíssimo anedotário, quase todo disperso, pouca coisa tendo se reunido em volume, ao que se junta a crônica da cidade no tempo em que Emílio e seus companheiros de boêmia viveram e esbanjaram o melhor de seu talento.

Obras: Marcha fúnebre, sonetos (1892); Poemas da morte (1901) Dies irae A tragédia de Aquidabã (publicação de O Malho, 1906); Poesias (1909); Últimas rimas (1917); Mortalha Os deuses em ceroulas, publicação organizada pelo humorista Mendes Fradique, com um prefácio de sua autoria (1924); Obras reunidas (1980).

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emilio-de-menezesEMILIO DE MENEZES

WILLIAM HAZLITT e seus PENSAMENTOS – editoria

William Hazlitt (10 de abril de 1778, Mitre Lane, Maidstone – 18 de setembro de 1830, St. Anne’s Churchyard, Soho, Londres) foi um escritor inglês, lembrado por seus ensaios humanistas.

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A arte de agradar consiste em ter agrado com isso.

The art of pleasing consists in being pleased.

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Antipatias violentas são sempre suspeitas e revelam uma afinidade secreta.

Violent antipathies are always suspicious, and betray a secret affinity.

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Regras e modelos destroem gênios e arte.

Rules and models destroy genius and art

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O preconceito é o filho da ignorância.

Prejudice is the child of ignorance

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Nenhum jovem acredita que um dia morrerá.

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O homem é o único animal que ri e chora, porque é o único que se impressiona com a diferença que há entre o que é e o que devia ser.

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Pensar mal da humanidade sem lhe desejar mal talvez seja a forma mais elevada de sabedoria e de virtude.

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As pessoas mais silenciosas geralmente são aquelas que pensam o melhor de si mesmas.

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É impossível odiar alguém que conhecemos.

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Quase toda a seita do cristianismo representa uma perversão da sua essência, com a finalidade de adaptá-lo aos preconceitos do mundo.

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A simplicidade de carácter é o resultado natural de profundo raciocínio

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O homem é um animal que finge – e nunca é tão autêntico como quando interpreta um papel.

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Nunca conseguimos fazer nada correctamente enquanto não pararmos de pensar em como o fazer.

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O espírito é o sal da conversa, não o seu alimento.

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Aqueles para quem a roupa é a parte mais importante da pessoa, acabam, geralmente, por valer tanto quanto a sua roupa.

180px-William_Hazlitt_self-portrait_(1802)

WILLIAM HAZLITT

KAPRYXO por jorge lescano

Não cheira, apesar do seu peso e, preservando a cor natural, é frio nos meses ímpares é arredondada quando não áspero. Possui sabor próprio em torno, mas ao entardecer é agudo com pintinhas dodecafônicas. Para conservá-la, é bom, porém não exageradamente. No entanto, se for necessário, pode ser salpicado com si bemol, ocre ou multas. Neste caso é conveniente sair da sala. O uso de argamassa ou paletó é opcional, não assim a preposição. Como seu nome indica, existem os que são contra as comichões da pele e as estatais. Outros tipos crescem tacitamente a ambos lados das margens, no entanto, não dispomos de informações detalhadas a respeito. É certo, contudo, que não suportam a temperatura se imersos cautelosamente. Isto é válido apenas para as de cume furta-cor, os de rodinhas e as que pagam juros: os mais comuns apresentam características diferenciadas segundo os graus de rigidez e uso. Em todos os casos, aconselha-se ficar atenta, embora não seja de todo inexpugnável. A observação anterior só faz sentido, obviamente, quando tem os pés bem conservados ou estão vazias. Pelo avesso, seu aspecto é peculiar ou semelhante, o que facilita a manipulação e melhora sensivelmente o moto mortis e a vida convexa. Outrossim: importa muito bem os acentos de sábado. Sua sombra tem poderes abrasivos ou refratários, salvo exceções: não precisa contra-indicação e tem alvará na versão infantil. Apenas esta advertência deve ser feita: cuidado com suas metamorfoses, cópias e falsificações; quanto ao resto: é eterna.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, ex presidente do BRASIL FOI COLABORADOR (agente) da CIA (central de inteligência americana /usa) afirma FRANCES STONOR SAUNDERS – londres / Movimento Verdade / são paulo

FHC

Mal chegou às livrarias e o livro ”Quem pagou a conta?” já se transformou  em bestseller.

A obra da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editada no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro), ao mesmo tempo em que pergunta, responde: quem “pagava a conta” era a CIA, a mesma fonte que financiou os US$ 145 mil iniciais para a tentativa de dominação cultural e ideológica do Brasil, assim como os milhões de dólares que os precederam, todos entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do país no período de 1994 a 2002.

O comentário sobre o livro consta na coluna do jornalista Sebastião Nery, do diário carioca Tribuna da Imprensa. “Não dá para resumir em uma coluna de jornal um livro que é um terremoto. São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas: “Consistente e fascinante” (The Washington Post). “Um livro que é uma martelada, e que estabelece em definitivo a verdade sobre as atividades da CIA” (Spectator). “Uma história crucial sobre as energias comprometedoras e sobre a manipulação de toda uma era muito recente” (The Times).

Dinheiro da CIA para FHC

“Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap”. Esta história, assim aparentemente inocente, era a ponta de um iceberg. Está contada na página 154 do livro “Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível”, da jornalista francesa Brigitte
Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O “Inverno do ano de 1969” era fevereiro de 69. (este é outro livro que deve ser lido!)

Fundação Ford

Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o País no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. Até Juscelino e Lacerda tinham sido presos. E Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares.

Agente da CIA

Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro “Dependência e desenvolvimento na América Latina”, em que os dois defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos.

Montado na cobertura e no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique logo se tornou uma “personalidade internacional” e passou a dar “aulas” e fazer “conferências” em universidades norte-americanas e européias. Era “um homem da Fundação Ford”.
E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA o serviço secreto dos EUA.

Milhões de dólares

1 – “A Fundação Farfield era uma fundação da CIA… As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos… permitiu que a CIA financiassefhc (1) um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas” (pág. 153).

2 – “O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça…” (pág. 152). “A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria” (pág.
443).

3 – “A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares… Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos… com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos” (pág. 147).

Fernando Henrique foi fácil.
4 – “Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante” (pág. 123).

5 – “Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil” (pág. 119).

6 – “A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana” (pág. 45).

TV GLOBO OMITE FATOS IMPORTANTES NOS FESTEJOS DE SEUS 40 ANOS por diogo moysés / são paulo

william e fátimao casal de apresentadores WILLIAM BONNER  e FÁTIMA BERNARDES.

Muitos leitores devem ter notado que a TV Globo passou as duas últimas semanas celebrando o aniversário de 40 anos do Jornal Nacional. Desde a sua criação, o telejornal global é, de longe, a principal fonte de informação de milhões de brasileiros.

Bonner e Fátima Bernardes fizeram questão de nos lembrar das tantas glórias conquistadas pelo JN e pelo jornalismo da emissora. Matérias intermináveis – intermináveis mesmo, de quase 15 minutos – exaltaram os feitos do telejornal. Os mais antigos repórteres (os que certamente melhor cumprem ordens do patrão) foram chamados à bancada e, ao vivo, recordaram as coberturas dos fatos que marcaram a história recente do país.

Telespectadores desavisados, desconhecedores de episódios importantes da vida nacional, talvez até tenham ficado com lágrimas nos olhos.

É fato incontestável que o Jornal Nacional consolidou-se desde a década de 1970 (estreou em 1969) como símbolo do poder das Organizações Globo. Com uma estrutura quatro, cinco ou seis vezes maior do que os telejornais de suas concorrentes, ainda hoje bota medo na maioria dos políticos, que temem ser alvos de abordagens, digamos, pouco simpáticas. Quando as menções são positivas, aí é só festa. Dá até pra pensar em vôos mais altos. Símbolo maior desse poder é o fato de seu lobista-chefe ser chamado de “senador” nos corredores do Congresso Nacional. Sem nunca ter sido candidato nem eleito para cargo algum, desfruta de poderes que nenhum parlamentar possui.

O JN tem todo o direito de comemorar o que bem entender. Aliás, a Globo é perita em se auto-promover. Já fez isso em diversas ocasiões e continua a fazer com competência, posando de defensora da cultura nacional e da liberdade de expressão, além da já manjada face “solidária” que os Crianças Esperanças da vida buscam construir.

O perigo iminente disso tudo é que, em um país pouco conhecedor da biografia de seus meios de comunicação, corre-se o risco de reescrever a história. O temor não se faz em vão: como historiadores cansam de afirmar, a memória coletiva muitas vezes é fruto do legado dos mais fortes.

Mas voltemos ao nosso tema. Como era previsível, o JN tratou de lembrar das tantas ocasiões nas quais noticiou fatos da vida política, econômica, cultural e esportiva do país.

Esqueceu-se, no entanto – e ao acaso isso não pode ser creditado -, de recordar os momentos em que o telejornal global foi ele mesmo sujeito da história.

Ficou de fora da retrospectiva, por exemplo, que o surgimento e fortalecimento da TV Globo deu-se a partir de um acordo ilegal com o grupo estrangeiro Time-Life, que foi inclusive objeto de CPI no Congresso Nacional.

Esqueceram de dizer que a emissora foi criada e se fortaleceu com o apoio decisivo dos sucessivos governos militares. E que seu jornalismo, em especial o JN, ignorou solenemente as torturas, os desaparecimentos e as mortes dos que lutavam contra a ditadura, como se não tivessem acontecido.

O resgate histórico deixou de lado a tentativa de ignorar o movimento pelas eleições diretas nos primeiros anos da década de 1980, assim como a participação da emissora na tentativa mal sucedida de fraude nas eleições para o governo do Rio de Janeiro, com o objetivo de evitar a posse de Leonel Brizola.

A memória seletiva igualmente deu conta de apagar a participação decisiva do JN na eleição de Fernando Collor em 1989, quando a emissora editou de forma canalha o último debate entre Collor e Lula, além de utilizar contra o candidato petista as acusações lunáticas de sua ex-mulher e o seqüestro do empresário Abílio Diniz.

Nos anos seguintes, de forma nem um pouco sutil, foi linha de frente na consolidação da idéia – hoje comprovadamente furada – de que o neoliberalismo e a privatização de empresas estatais eram o único caminho a seguir, impulsionando a eleição e reeleição de FHC à Presidência.

Há ainda uma série infindável de episódios mais recentes que poderiam ser acrescentados à lista, como a cobertura favorável ao tucano Alckmin nas últimas eleições presidenciais. Ao contrário de outras tentativas, a tática não deu certo, graças à multiplicação das fontes de informação e, quem sabe, ao aumento da consciência política das classes menos favorecidas.

Fato é que, ao longo de toda a sua história, a Globo consolidou-se como os olhos e ouvidos da atrasada elite brasileira, cerrando fileiras contra movimentos sociais e quaisquer políticas distributivas. Em Brasília, seu “senador” é sempre recebido com afagos. Tapetes vermelhos se estendem aos seus pés. E assim, políticas que visam democratizar as comunicações do país são enterradas antes mesmo de nascerem.

É normal, compreensível até, que o JN tente recontar a sua própria história. O que não pode acontecer é que a história não contada por ele seja esquecida por nós.

Diogo Moyses é especialista em políticas de comunicação e membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

SEM CHANCES e A SORTE DOS MERCADORES por raimundo rolim / morretes.pr

Sem chances

Que inferno que nada, gritava o ateu empírico. Deus? Céu? Nem pensar! Não vou e não quero. Recuso-me terminantemente a ir a qualquer desses lugares pelo simples, tranqüilo e justificado motivo de nunca ter comungado com tais Entidades antes. Não seria agora, depois de fazer a grande travessia da vida que se entregaria, assim sem lutas, nem bandeiras. Fez uma careta danada de feia, torceu os braços numa banana sólida. Fora-lhe o último gesto a carregar túmulo adentro.

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A sorte dos mercadores

E veio a neve e veio o frio e veio a chuva e a tempestade e o maremoto. Depois o furacão impiedoso e o granizo, a peste e a fome. Os vulcões explodiram, liberando um forte cheiro de enxofre e na saraivada de impropérios, o carrasco brandindo a machadinha na mão direita com o decreto real na esquerda, despojava a todos de seus bens. Mulheres e filhos abandonados à própria sorte correram, e os trovões se expuseram assustadores. Raios e mais raios coriscaram os céus e a terra com intensidade jamais imaginadas enquanto os cães ladravam. Um dragão saiu do fundo do mar e a besta do Apocalipse roncou alto. Nos campos, os grãos secaram e um terremoto sacudiu a crosta. As montanhas vieram abaixo e os vales se elevaram enquanto a caravana passava tranqüila.


O HOMEM DO NOSSO TEMPO – por otaciel de oliveira melo / fortaleza

Duas concepções do mundo estão sintetizadas em duas frases aparentemente contraditórias, mas de fato utilizadas como complementares pelo homem. A primeira é atribuída a Assis Chateaubriand, O Rei do Brasil em sua época: “sei que vou morrer amanhã, mas ajo como se não fosse morrer nunca”. A segunda, o contraponto, é uma imposição do tempo vindouro: “você vai morrer amanhã e aja considerando esta certeza”. Mais do que duas frases de efeito, elas revelam concepções e práticas de vida voltadas para objetivos apenas ilusoriamente distintos.

A primeira embala os sonhos do homem pretensamente eterno, do capitalista que até o último suspiro pensa numa jogada mirabolante com o objetivo de acumular e morrer como o homem mais rico do mundo. A ética não é o forte desses que empregam todas as suas energias no sentido de amealhar uma quantidade ilimitada de bens materiais, destruindo tudo e a todos que se oponham a essa “lógica” avassaladora e insana. Esse tipo de homem nunca se pergunta sobre o necessário para que sua presença no planeta Terra promova o mínimo de impacto na vida dos outros seres vivos. Sua cobiça aumenta com o crescimento de sua conta bancária. Geralmente eles morrem milionários porque não tiveram tempo de gastar nem mesmo um milésimo de toda fortuna acumulada. E a briga entre os herdeiros freqüentemente começa na sala do velório.

Portanto, esse homem é o construtor e desagregador de impérios familiares, desses que empregam dezenas de advogados para defender seus membros de deslizes junto ao fisco, de mortes provocadas por pegas de automóveis, do consumo de drogas pesadas, de um eventual assassinato de uma “modelo” e de outras loucuras que a sociedade do espetáculo classifica de “excentricidades”. É a estupidez elevada à categoria de genialidade. Eles se acham e agem acima da lei e da ordem e também das regras do mercado. São os vitoriosos a serem imitados. Na Itália essas famílias são chamadas de mafiosas, no Brasil, de abastadas ou tradicionais. Aqui, lá e alhures, todos abusam do poder propiciado pelo dinheiro. Aqui, como em todo lugar do mundo, tudo lhes é perdoado.

A segunda frase, de autoria do tempo vindouro, consegue sensibilizar alguns homens, mas só depois dos 60 anos de idade. Isto porque aos 20 todos os homens se julgam imortais. E nesse intervalo eles se comportam de maneira semelhante aos discípulos de Chateaubriand, sempre perseguindo uma quantidade ilimitada de bens materiais. Geralmente são pessoas remediadas ou pobres que sonham com a riqueza das grandes fortunas, mas apostando em obtê-la da forma mais repentina e fácil possível. São sonhadores que arriscam pequenas quantias em jogos de azar, e os mais endinheirados costumam aplicar parte de seus ganhos nas bolsas de valores de um mundo desequilibrado. Geralmente esses homens têm uma admiração quase bovina por aqueles que são os verdadeiramente donos do mundo. Mas depois dos sessenta anos, muitos começam a pensar numa existência finita.< /p>

Na última quadra da vida, as mudanças hormonais, as doenças hereditárias e adquiridas passam a perturbá-lo. Os vícios da juventude e da maturidade começam a cobrar honorários e os fármacos são incorporados a sua existência até o dia do suspiro final. Alguns desses fármacos servem para estender o prazer sexual por alguns anos, e os antidepressivos para manter um prazer artificial pela vida; alguns permitem que o homem continue respirando, enquanto outros propiciam momentos de lucidez. Mas quando a doença degenera em câncer, o confronto com a morte em muito se antecipa.

E nesta ultima quadra da vida, a do purgatório aqui na Terra, alguns homens procuram se aproximar de Deus: algo indescritível no qual eles nunca acreditaram, mas sempre ouviram falar. Alguns chegam até a pensar no próximo, e que a salvação da alma depende de pequenos gestos de desprendimento e solidariedade. Tornam-se mais mansos, o que para muitos dos que os rodeiam é sinal de sabedoria.

Na realidade, o animal homem nesta fase da vida está com medo do amanhã. De um amanhã com data marcada, finalmente ele percebe. Ele não aprendeu nem desfrutou absolutamente nada da vida porque não teve tempo para desfrutá-la, ele estava sempre ocupado. Mas agora o tempo urge, a percepção lhe foge, a memória lhe falha, os sentimentos se confundem e ele se sente só e com um percepção de inutilidade projetada no espaço vazio das concepções religiosas no qual permanecerá até à última e eterna noite de sono.

NAVEGANTE EM MARES REVOLTOS de laércio zaramela / são paulo


Conheço um poeta taciturno,
que vem banhado à ouro
trazendo em sua bagagem
poemas de grandes amores.

.

De vez em quando aparece
sorrateiro e silencioso.
Observo o poeta misterioso,
mas conheço os seus anseios.

.

A vida para o poeta
é um laço que enforca
e entrelaça os seus sonhos…
desvendá-los é mistério…

.

Mas eu conheço um poeta
escondido entre as rimas.
Constrói momentos como a vida
isolada dentro da própria vida.

THE PRESENT de joanna andrade / miami.usa

I do not know who I am or what I can become

No more

Arrested thoughts by the anguished pain

I render my life to my own dreams of freedom

No more prisoners

No more past

The present loneliness

CHARLES SILVA e sua POESIA I – florianópolis

o hímen e o sêmen

quando gemem

é por amor

a língua e o lábio

quando tremem

por favor

não diga nada

eu vou botar

sal na saudade

e preparar para o almoço

que um passo de coragem

tem que ir até o osso

minha fada

estica a rede

um gole verde dessa tarde

enrosca alegre meu pescoço

é tão verdade

é tanta febre

o hímen e o sêmen

quando gemem

é puro amor

DISCURSO DE POSSE por hamilton alves / florianópolis

Sabe-se que Drummond recusou-se de pertencer aos quadros da Academia Brasileira de Letras, com horror do fardão e de proferir o discurso de posse. Imagino qual teria sido, aproximadamente, numa ocasião dessas, caso aceitasse integrar-se àquele sodalício (ó, palavrinha horrível):

“Meus senhores,

Eis-me aqui eleito para esta Academia, à qual fui convidado a candidatar-me à vaga de Fulano de Tal. Não falarei desse Fulano porque mal o conheci e mal o li.

O convite, podeis crer, foi inesperado. Pois jamais sonhei ou sequer cogitei de um dia vir a pertencer aos vossos quadros e formar convosco sob o teto desta vetusta e respeitável casa.

Aqui estou. E, na verdade, nem sei para que. Ou com que cara.

Vacilei muito entre aceitar ou não o convite que me foi formulado por um de vós.

Foi, para mim, crede-me, honraria excessiva, eu que me reconheço um modesto poeta, com uma dúzia, se tantos, de poemas bem realizados, um dos quais sempre esperei que uma comissão julgadora, formada por ilustres personalidades, incluísse  entre os dez melhores do mundo, que considero o que corresponde as minhas exigências – “José”, que, no entanto, foi preterido por dois de Fernando Pessoa. Mas fazer o que?

Estou aqui, para minha surpresa ou perplexidade, vestindo esse fardão, que podeis perceber não me assentar bem. Sinto-me ridículo nele. E, sobre tudo isso, pesa-me. E de dois modos: pesa-me por ser o vosso fardão, instituído por esta casa; pesa-me porque é uma roupa que não me vai bem.

O que faz a vaidade!

Não encontro palavras para expressar o meu ingresso nesta Academia, que conta com figuras tão eminentes quão respeitáveis. Quisera me sentir à altura de todos os senhores para bem merecer vestir esse fardão e receber o título de acadêmico.

Mas farei tudo por merecê-los, eu que, de mim, sou refratário a todos esses incômodos rapapés.

Sou, de natureza, um homem simples, que não se sente confortável sob as luzes da fama ou do aparato acadêmico.

Que mais direi neste momento de tanta solenidade quanto de perplexidade para minha modéstia?

Acho que disse tudo o que me cabia.

E mais não direi”.

Ao fim, Drummond, com apertos de mãos e calorosos abraços, tomaria assento em sua cadeira. Seguir-se-ia, muito certamente, o chá das cinco, tão costumeiro e tradicional na Casa de Machado de Assis. Para gáudio de todos os presentes e do eleito.

20 DE SETEMBRO DE 1835: ESTOURA a REVOLUÇÃO FARROUPILHA – REPÚBLICA DO PIRATINI – GUERRA dos FARRAPOS / editoria –

REVOLUÇÃO FARROUPILHA, também é chamada de Guerra dos Farrapos ou Decênio Heróico ( 1835 – 1845), eclodiu no Rio Grande do Sul e configurou-se, na mais longa revolta brasileira. O detalhes sobre a Revolução Farroupilha, irás conhecer no texto abaixo.

Carga de Cavalaria7868carga de cavalaria. museu julio da castilhos. porto alegre. foto livre.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA

Causas:

O Rio Grande do Sul foi palco das disputas entre portugueses e espanhóis desde o século XVII. Na idéia dos líderes locais, o fim dos conflitos deveria inspirar o governo central a incentivar o crescimento econômico do sul, como pagamento às gerações de famílias que se voltaram para a defesa do país desde há muito tempo. Mas não foi isso que ocorreu.

Guerra dos Farrapos
A partir de 1821 o governo central passou a impor a cobrança de taxas pesadas sobre os produtos rio-grandenses, como charque, erva-mate, couros, sebo, graxa, etc.

No início da década de 30, o governo aliou a cobrança de uma taxa extorsiva sobre o charque gaúcho a incentivos para a importação do importado do Prata.

Ao mesmo tempo aumentou a taxa de importação do sal, insumo básico para a fabricação do produto. Além do mais, se as tropas que lutavam nas guerras eram gaúchas, seus comandantes vinham do centro do país. Tudo isso causou grande revolta na elite rio-grandense.

A revolta:

Em 20 de setembro de 1835, os rebeldes tomam Porto Alegre, obrigando o presidente da província, Fernandes Braga, a fugir para Rio Grande. Bento Gonçalves, que planejou o ataque, empossou no cargo o vice, Marciano Ribeiro. O governo imperial nomeou José de Araújo Ribeiro para o lugar de Fernandes Braga, mas este nome não agradou os farroupilhas (o principal objetivo da revolta era a nomeação de um presidente que defendesse os interesses rio-grandenses), e estes decidiram prorrogar o mandato de Marciano Ribeiro até 9 de dezembro. Araújo Ribeiro, então, decidiu partir para Rio Grande e tomou posse no Conselho Municipal da cidade portuária. Bento Manoel, um dos líderes do 20 de setembro, decidiu apoiá-lo e rompeu com os farroupilhas.

Bento Gonçalves então decidiu conciliar. Convidou Araújo Ribeiro a tomar posse em Porto Alegre, mas este recusou. Com a ajuda de Bento Manoel, Araújo conseguiu a adesão de outros líderes militares, como Osório. Em 3 de março de 36, o governo ordena a transferência das repartições para Rio Grande: é o sinal da ruptura. Em represália, os farroupilhas prendem em Pelotas o conceituado major Manuel Marques de Souza, levando-o para Porto Alegre e confinando-o no navio-prisão Presiganga, ancorado no Guaíba.

Os imperiais passaram a planejar a retomada de Porto Alegre, o que ocorreu em 15 de julho. O tenente Henrique Mosye, preso no 8o. BC, em Porto Alegre, subornou a guarda e libertou 30 soldados. Este grupo tomou importantes pontos da cidade e libertou Marques de Souza e outros oficiais presos no Presiganga. Marciano Ribeiro foi preso e em seu lugar foi posto o marechal João de Deus Menna Barreto. Bento Gonçalves tentou reconquistar a cidade duas semanas depois, mas foi batido. Entre 1836 e 1840 Porto Alegre sofreu 1.283 dias de sítio, mas nunca mais os farrapos conseguiriam tomá-la.

Em 9 de setembro de 1836 os farrapos, comandados pelo General Netto, impuseram uma violenta derrota ao coronel João da Silva Tavares no Arroio Seival, próximo a Bagé. Empolgados pela grande vitória, os chefes farrapos no local decidiram, em virtude do impasse político em que o conflito havia chegado, pela proclamação da República Rio-Grandense. O movimento deixava de ter um caráter corretivo e passava ao nível separatista.

A República:

Bento Gonçalves, então em cerco a Porto Alegre, recebe a notícia da proclamação da República e da indicação de seu nome como candidato único a presidente. Decide então contornar a capital da província para se juntar aos vitoriosos comandados de Netto. Quando vai atravessar o rio Jacuí na altura da ilha de Fanfa, tem seus mais de mil homens emboscados por

Sede do governo em Piratini - RS

Bento Manuel e pela esquadra do inglês John Grenfell. Bento Gonçalves, Onofre Pires, Pedro Boticário, Corte Real e Lívio Zambeccari, os principais chefes no local, são presos, e a tropa é desbaratada. O governo imperial, após esta vitória, oferece anistia aos rebeldes para acabar de vez com o conflito. Netto, contudo, concentrou tropas ao recorde Piratini, a capital da República, e decidiu continuar a luta.

Sede do governo em Piratini

Bento Gonçalves foi escolhido presidente da República, mas enquanto não retornasse, Gomes Jardim assumiu o governo, organizando a estrutura dos ministérios. Foram criados seis: Fazenda, Justiça, Exterior, Interior, Marinha e Guerra. Cada ministro cuidava de dois ministérios por medida de economia.

Em fins de 1836,  sem seu líder e com o governo central fazendo propostas de anistia, a revolução estava perdendo a força, mas no início de 1837 o Regente Feijó nomeou o brigadeiro Antero de Brito para presidente da província. Este, acumulando o cargo de Comandante Militar, passou a perseguir os simpatizantes do movimento em Porto Alegre e tratar os farrapos com dureza. Mas estes atos devolveram o ânimo aos rebeldes, que conseguiram a partir daí uma série de vitórias. A cavalaria imperial desertou em janeiro de 1837 em Rio Pardo, e Lages, em Santa Catarina, foi tomada logo após. Em março, Antero de Brito mandou prender Bento Manoel, por achá-lo pouco rígido com a República. Mas Bento Manoel resolveu prendê-lo e passar novamente para o lado farroupilha. Um mês após, Netto, com mais de mil homens, tomou o arsenal imperial de Caçapava, capturando armas de todos os tipos e ganhando a adesão de muitos soldados da guarnição local. E em 30 de abril, Rio Pardo, então a mais populosa cidade da província, foi tomada.

Em outubro, chegou a notícia de que Bento Gonçalves havia fugido do Forte do Mar, em Salvador, vindo a assumir a presidência em 16 de dezembro. Era o auge da República. A diminuição dos combates, a estruturação dos serviços básicos – correios, política externa, fisco – davam a impressão de que o Estado Rio-Grandense estava em vias de consolidação.

Mas 1838 não foi o ano da vitória como esperavam os farrapos. Apesar de mais uma vitória em Rio Pardo, o fracasso na tentativa de tomar Rio Grande e a falta de condições de conquistar Porto Alegre abatem as esperanças dos republicanos. A maioria das vitórias farrapas neste ano foram em combates de guerrilha e escaramuças sem importância estratégica. Com Piratini ameaçada, a Capital é transferida para Caçapava em janeiro de 1839.

Garibaldi:

Em 24 de janeiro de 1837, Guiseppe Garibaldi saiu da prisão onde fora visitar Bento Gonçalves carregando uma carta de corso que lhe dava o direito de apresar navios em nome da República Rio-Grandense, destinando metade do valor da carga para o governo da República. Ainda no Rio, ele toma o navio “Luiza”, rebatizando-o de “Farroupilha”. É o primeiro barco da armada Rio-Grandense. Depois de muitas aventuras (prisão no Uruguai, tortura em Buenos Aires), Garibaldi apresenta-se em Piratini em fins de 1837. Ao chegar à capital farroupilha, ele recebe uma missão: construir barcos e fazer corso contra navios do império. Dois meses depois, ele apresenta dois lanchões: o “Rio Pardo” e o “Independência”. Mas havia um grande problema: a ausência de portos. Com Rio Grande e São José do Norte ocupadas pelo inimigo, e Montevidéu pressionada pelo governo imperial, os farrapos planejam a tomada de Laguna, em Santa Catarina. A idéia era um ataque simultâneo por mar e por terra. Mas como sair da Lagoa

dos Patos? John Grenfell atacou o estaleiro farrapo, mas Garibaldi escapou com os Lanchões “Farroupilha” e “Seival” pelo rio Capivari, a nordeste da Lagoa. Daí resultou o mais fantástico acontecimento da guerra, e talvez um dos lances de combate mais geniais da história.

Travessia dos lanchões sobre rodas

Travessia dos lanchões sobre rodas

Foram postas gigantescas rodas nos barcos, e eles foram transportados por terra, levados por juntas de bois, até Tramandaí, a aproximadamente 80km do ponto de partida. O transporte foi feito através de campos enlameados pelas chuvas de inverno.

O ataque é feito de surpresa, com Davi Canabarro por terra e Garibaldi a bordo do “Seival” (o Farroupilha naufragou em Araranguá-SC) e resulta na conquista da cidade e na apreensão de 14 navios mercantes, que são somados ao “Seival”,  e armas, canhões e fardamentos. Em 29 de julho de 1839 é proclamada a República Juliana, instalada em um casarão da cidade. Mas o

Sede da República Juliana

sonho durou apenas quatro meses. Com a vitória de Laguna, os farrapos resolveram tentar a conquista de Desterro, na ilha de Santa Catarina. Mas são surpreendidos em plena concentração e batem em retirada, com pesadas perdas materiais. Os navios de corso, contudo, vão mais longe.O “Seival”, o “Caçapava” e o novo “Rio Pardo” vão até Santos, no litoral paulista. Encontrando forças superiores, voltam para Imbituba-SC.

Sede da República Juliana, em Laguna-SC

Em 15 de novembro de 1839, um ataque pesado a Laguna, com marinha, infantaria e cavalaria resulta na destruição completa da esquadra farroupilha e na retomada da cidade. Todos os chefes da marinha rio-grandense são mortos, com exceção de Garibaldi. Davi Canabarro recua até Torres, enquanto outra parte das forças terrestres vai para Lages, onde resistem até o começo de 1840.

Declínio:

Em 1840 começou a decadência da revolução. Enquanto a maioria das forças rio-grandenses se concentrava no sítio a Porto Alegre, a capital, Caçapava, era atacada de surpresa. Os líderes farrapos consideravam Caçapava quase inexpugnável, em virtude do difícil acesso à cidade. A partir daí, os arquivos da República foram colocados em carretas de bois pelas estradas. Foi o tempo da “República andarilha”, até que Alegrete foi escolhida como nova capital. Em Taquari, farroupilhas e imperiais travaram a maior batalha da guerra, com mais de dez mil homens envolvidos. Mas não teve resultados decisivos. São Gabriel foi perdida em junho, e alguns dias depois o General Netto só escapa do imperial Chico Pedro graças à sua destreza como

cavaleiro. Em julho, novo fracasso farroupilha, desta vez em São José do Norte. Bento Gonçalves começa a pensar na pacificação. Em novembro é a vez de Viamão cair, morrendo no combate o italiano Luigi Rossetti, o criador do jornal “O Povo” órgão de imprensa oficial da república. Para piorar a situação, em janeiro de 1841, Bento Manoel discordou de algumas promoções de oficiais e abandonou definitivamente os farrapos.

Jornal "O Povo"

Capa da primeira edição do jornal “O Povo”


Caxias:

A partir de novembro 1842 o conflito é dominado pela estrela de Luís Alves de Lima e Silva, o Barão (depois Duque) de Caxias. Nomeado presidente da província como a esperança do Imperador para a paz, Caxias usou do mesmo estilo dos farrapos para ganhar o apoio da população. Nomeou como comandantes militares Bento Manoel e Chico Pedro, dois oficiais do mesmo estilo, priorizou a cavalaria, e espalhou intrigas entre os farrapos sempre que pôde. Tratou bem a população dos povoados ocupados e empurrou os farroupilhas para o Uruguai. Estes ainda fizeram outra grande tentativa, atacando São Gabriel em 10 de abril de 1843 e, em  26 do mesmo mês, destroçaram Bento Manoel em Ponche Verde. Mas esta foi a última vitória dos farrapos.

Em dezembro de 42 reuniu-se em Alegrete a Assembléia Constituinte, sob forte discussão política. era forte a oposição a Bento Gonçalves. Durante 1843 e 1844, sucederam-se brigas entre os farrapos. Numa destas o líder oposicionista Antônio Paulo da Fontoura foi assassinado. Onofre Pires acusou Bento Gonçalves de ser o mandante. Este respondeu com o desafio a um duelo. Neste duelo (28 de fevereiro de 1844) Onofre é ferido, e veio a falecer dias depois.


pampas tradição.

BANDEIRA DO RIO GRANDE - TREMULANDO

bandeira do RIO GRANDE DO SUL.BR /foto livre.

dê UM clique no centro do vídeo.

RUMOREJANDO (20/09/09) por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Não se pode confundir Maradona com maratona, até porque vai ser uma maratona, Maradona armar um time JUCA - Jzockner pequenissima (1)para enfrentar o Brasil e os demais para se classificar para o mundial.

Constatação II

A execrável censura contra o Estadão lembra a fábula de Esopo (Phaedrus) O lobo e o cordeiro, ou o indefectível “O senhor sabe com quem está falando” e coisas desse jaez. Pena!

Constatação III

“Na gafieira,

Segue o baile calmamente”,

Diz a canção.

No Senado,

Por todo o lado,

Só se ouviu, recentemente,

Uma profusão de besteira

Entremeada de palavrão.

Constatação IV (De velhos tempos quando a gente costumava abotoar o cabelo atrás e deixar um topete como o Elvis Presley e mais tarde como um presidente da República do nosso país).

O barco descia

Na corredeira

Do rio Iguaçu.

Dava tanto solavanco

Que a gente se sacudia

No banco

E tanto molhava

A cabeleira,

Da água que espirrava,

Que até não adiantaria

O uso de “glostora” e xampu.

Constatação V

Deu na mídia: “Casa Branca prevê déficit de US$ 9,05 trilhões em 10 anos”. Este assim chamado escriba que trabalhou boa parte da sua vida – que nem por isso deixará de ser eternamente curta – no Banco de Desenvolvimento do Paraná S.A. – Badep, antiga Codepar, acostumado a ouvir falar de repasses, investimentos e financiamentos de expressivas cifras, confessa que não sabe contar até lá. Mas que é um baita* número, isso lá deve ser.

*Usamos a expressão “baita” porque somos educados como é sobejamente reconhecido por nossos prezados leitores.

Constatação VI (Pseudo-soneto da série Ah, o amor…)

Lábios nem sempre carnudos

Também são feitos para beijar

Os casais, nessa hora, ficam mudos

Efetivamente não vale a pena falar.

Beijo na bochecha ou selinho

É tênue e rápido demais

Dá impressão de não haver carinho

Entre os desvelados casais.

Beijo que é recomendável

E premonição de algo notável

É o que tira a respiração.

Se for de língua melhor ainda

Nessa benfazeja hora infinda

Que não enseja anúncio de solidão…

Constatação VII

Não se pode confundir sanefa, que o dicionário Houaiss, entre outros, dá comolarga tira de tecido que se coloca na parte superior da cortina ou reposteiro, nas vergas das janelas etc., geralmente rematada com franja ou galão” com safena, a veia que se usa para substituir por alguma outra que esteja entupida, para se fazer uma ponte, “by-pass”, etc. Até porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como já foi propalado por aí.

Constatação VIII

E também não se pode confundir loquacidade com louca cidade, até porque a loquacidade dos prefeitos, visando melhorar o tráfego nunca é posto em marcha e transitar ou atravessar as ruas fica difícil, pois se tem a impressão que se vive numa louca cidade.

Constatação IX

E ainda não se pode confundir libertinagem, que o dicionário Houaiss dá como “licenciosidade de costume, conduta de pessoa que se entrega imoderadamente a prazeres sexuais; a prática do libertino” com libidinagem, que o mesmo dicionário, dentre outros, define como “qualidade, condição ou comportamento próprio do que ou de quem é voluptuoso, lascivo, sensual”, até porque o referido dicionário ainda define libertinagem, no sentido figurado, como “insubmissão, indisciplina”. Elementar, crianças!

Constatação X

Disse o obcecado para o amigo, mostrando uma foto da playboy duma “poupança” de uma gatona: -“preferência multinacional”. Respondeu o amigo: -“Por que multinacional se a turma define como nacional?” –“Porque eu sempre procuro ser original. E, além disso, depois da globalização, ainda existe empresa nacional no nosso país?”

Constatação XI

“Desprazerosa

A tua companhia”,

Disse a sogra pro genro

Nada amorosa.

Numa cantilena

Sem melodia,

Fazendo cena.

”Você não é tenro

Com a tua mulher

Trata, a pobre,

Como uma qualquer.

Não trata como o finado

Me tratava

Como se eu fosse nobre.

O tempo todo ele me paparicava.

Você não dá a ela atenção.

Só fica vendo televisão,

Ou fica no computador.

E as tuas juras de amor?

Seu vento virado*.

Coitado!

*Vento-virado = “prisão de ventre, constipação” (Houaiss).

Constatação XII

Rico, quando fala, usa estrangeirismo; pobre, caipirismo.

De joelhos, não! – por alceu sperança / cascavel.pr

Não é o caso de morrer de amores por Pierre-Joseph Proudhon (1809–1865), a quem Marx deu a devida resposta em Miséria da Filosofia, mas ele estava coberto de razão quando disse que “os grandes só parecem grandes porque estamos de joelhos”.

Bairros não precisam pedir licença a uma Prefeitura para criar suas associações comunitárias. Foi o que se tentou fazer em Cascavel, uma cidade que deveria ser mais evoluída que isso.

As entidades de bairros sequer precisam necessariamente estar afiliadas a uma união municipal de associações, comoAlceu sperança  - AJC (1) tentaram oficializar na Terra Vermelha, para que tivessem “autorização” para funcionar.

Nada contra uma união comunitária que reúna esforços gerais, pois isso permitirá melhores condições de pressionar o poder público a dar conta de suas enormes responsabilidades.

Mas apesar de alguns diretores de associações de bairro amarem estar comprometidos até a medula com os poderosos de plantão, os moradores têm todo o direito de se reunir e formar suas entidades, livres da tutela oficial, escapando à síndrome da correia de transmissão – aquelas organizações corrompidas rebocadas a líderes políticos, traficantes e quejandos.

Esse comentário tem a ver com a ojeriza que acometeu certos setores do poder em Cascavel com a reativação de uma entidade de moradores que, segundo se publicou pela imprensa, não seria “reconhecida pelo movimento comunitário”.

Que “movimento” é esse, que reconhece ou deixa de reconhecer entidades de bairro?

Parece o tal do “Mercado”, que grita seu silencioso grito através da mídia toda vez que o povo começa a exigir seus direitos.

“O Mercado ficou nervoso”, diz um jornalista de economia. “O Mercado gostou da decisão do presidente Lula”, diz outro, passando a opinião do tal “Mercado”, na verdade um timinho de banqueiros.

O jovem mas já calejado João Luiz de Araújo, polêmico e persistente líder comunitário popular em Cascavel, fez o “Mercado”, quer dizer, o tal “movimento comunitário”, subir nas tamancas ao reativar a entidade que abrange os loteamentos Colonial, Clarito, Jardim Pazzinatto e Jardim Floresta, depois que a associação ficou inativa por mais de um ano.

Trata-se de uma atitude exemplar: quando os dirigentes das entidades de bairros se amarram às botas do prefeito, vereadores e dirigentes partidários, elegendo-se com belas propostas e depois passando apenas a usar o título de dirigente de bairro para fazer negócios com os políticos, é a hora do pessoal se reunir na saída da igreja e combinar outra saída.

Ou a convocação de uma assembleia geral para destituir a direção corrompida, adulterada, vendida, alugada, mensalizada, ou refundar a entidade com bases nos princípios estatutários que, invariavelmente, proíbem os dirigentes de meter a entidade em política partidária. No limite, criar uma nova entidade, mais democrática e combativa.

A política partidária não é o território das associações de bairro, aliás, nem de associações empresariais ou clubes lojistas. O movimento comunitário é formado por todas as correntes subjacentes na sociedade: não pode se atrelar ao grupo no poder municipal, ao vereador, ao deputado, ao rei da cocada ou da crackada periférica.

O exemplo de João Luiz Araújo, goste dele quem quiser, deteste-o quem julgar ter motivos para tal, é uma sinalização correta de como se deve agir quando a paralisia toma conta das entidades comunitárias.

Vale o recado da brilhante escritora e fotógrafa norte-americana Eudora Welty (1909–2001), grande conhecedora da alma humana:

“A hora em que você precisa fazer alguma coisa é quando ninguém mais quer fazê-la ou quando todos dizem que é impossível”.

Pileque – de marilda confortin / curitiba


Quando a  sede é tanta

Que a garganta fica seca

Me excedo, seco a fonte

Me embebedo, perco a conta

E seja lá o que deus quiser

.

Quando a sede excede

Um trago  só não basta

Me embriago quebro a taça

Tasco fogo me incendeio

Meto os  peitos, faço feio

E seja lá o que deus quiser

.

Mas se deus não quer

Eu não quero nem saber

É só você querer

Que o resto se ajeita

A gente deita e rola

Se enrosca se embola

Fica como o diabo gosta

E como a gente quer.

SALVADOR DALÍ em “LIBELO CONTRA ARTE MODERNA”

“Portanto, a meu ver (nunca insistirei o bastante sobre esse ponto de vista), é precisamente a arquitetura ideal do Modern´Style que encarnaria a mais tangível e delirante aspiração de hipermaterialismo. Encontrar-se-á uma ilustração desse SalvadorDaliparadoxo aparente numa comparação comum, empregada, é verdade, em mau sentido, no entanto muito lúcida, que consiste em assimilar uma casa modern´style a um bolo, a uma torta exibicionista e ornamental de “confeiteiro”. Repito que se trata aqui de uma comparação lúcida e inteligente, não apenas porque denuncia o violento prosaísmo-materialista das necessidade imediatas, sobre o qual repousam os desejos ideais, mas também porque, por isso mesmo e em realidade, é feita assim alusão sem eufemismo ao caráter nutritivo comestível dessa espécie de casas, que não são outra coisa senão as primeiras construções erotizáveis, cuja existência verifica esta “função” urgente e tão necessária para a imaginação amorosa: poder comer, da maneira mais real, o objeto do desejo.”

3Salvador-Dali-Portrait-of-Paul-Eluardobra do pintor.

O GRANDE MÚSICO de otto nul /palma sola.sc

ele voltou

sempre volta

à época própria

faz sua récita

músico virtuoso

de gênio sem igual

de dobres ricos

inventa a pauta

anda aqui e ali

artista itinerante

graças a seu talento

a beleza se renova

no ar soa a música

que vem de Deus

Auto Ajuda! Nem Pensar! por ” o ruminante”* / belem.pa


Estive tentando ler o livro “O Monge e o Executivo”, digo tentando, pois não sei como alguém pode achar este livro tão bom, existem diversas contradições entre o que está querendo ser passado e os panoramas que envolvem as lições.

Acho que no final das contas vou acabar sendo muito criticado, pois o livro é muito famoso dentre a literatura de auto-ajuda (algo que desprezo por natureza), mas vou opinar em algumas mensagens que em breve pretendo escrever.

O problema deste tipo de literatura não está no livro, pois se trata da opinião de quem o escreveu e de sua intenção de ganhar dinheiro (e isso é um direito de cada um), mas da idolatria criada pelas pessoas que lêem estes livros, considerando-os a solução para suas vidas profissionais ou pessoais. Buscando angustiadas pelas soluções que por vezes não se aplicam as suas situações específicas, acabam por perder o senso crítico.

Não é incomum, por vezes, acontecer de alguém tentar aplicar os princípios deste tipo de literatura e não ter sucesso, piorando ainda mais a auto-estima do indivíduo que fracassou, pois não percebeu que seu caso não se aplicava a opinião e experiência do escritor.

Estou tendo a oportunidade de acompanhar uma pessoa que está empolgadíssima com estes livros, porém o seu sucesso é questionável, pois ao contrário do que deveria estar conseguindo, ninguém a respeita. Sua situação chega a ser ridícula, porém como ela possui o direito de fazer estas coisas, que siga em frente! Mas vai acabar virando conto escrito por mim qualquer dia desses.

Pior ainda, é que o mundo literário tem estimulado esta máquina de vendas que são os livros de auto-ajuda. Em outras palavras: todo o marketing que existe é só para explorar as pessoas angustiadas com suas vidas. Ao invés de promover a leitura que levaria as pessoas a pensarem sozinhas.

PENSAR SOZINHO! É isso que não querem que as pessoas façam! Se você aprender a pensar sozinho vais descobrir que quase tudo que é lançado de forma espalhafatosa pela mídia é bosta pura. Material escrito por pessoas que tem dinheiro influência para garantir suas publicações e sucesso.

Tenho pouca experiência literária, mas agradeço aos meus pais que sempre me estimularam a me virar sozinho e aprender a pensar, portanto estou voltando minha atenção a livros mais clássicos e/ou autores que me pareçam não serem um dos grandes cafajestes que estão vivendo a suas custas! Sim, as suas custas, pois da minha não mais viverão.

* o site tem a verdadeira identidade do autor.

Lula teve ‘visão correta’ ao falar que crise era ‘marolinha’, diz ‘Le Monde’


Segundo o jornal, governo foi ‘preciso em estratégia concentrada no apoio do mercado interno’.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão “bastante correta” ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma “marolinha”, diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira (17).

lula-08O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo e do real.

“A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais”, afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado “A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics”, o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo – Brasil, Rússia, Índia e China – um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

Outros países

“É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna”, diz o jornal.

Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.

O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços.

Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses.

g1.

PROFESSOR ISRAELITA ASSEGURA: ‘‘PODÍAMOS DESTRUIR TODAS AS CAPITAIS EUROPEIAS’’ por vera lúcia kalahari / portugal

Numa entrevista ao jornalista Nadim Lodki, entrevista que considero bastante polémica, mas que, incompreensivelmente não foi divulgada nos Meios de Comunicação Sociais ocidentais, o professor da Universidade de Jerusalém Martin Van Creveld, surpreende-me com as declarações agressivas que, sem embargo, profere.

O que me deixa admirada e, de certa forma, apreensiva, é o facto de não ter havido qualquer reacção quer por parte dos Estados Unidos, quer por parte da União Europeia,

que tão susceptíveis se têm mostrado a qualquer atitude menos moderada de qualquer outro país , que não foram nada, se comparadas com a arrogância e as ameaças veladas evidenciadas nesta entrevista. Poder-se-á argumentar, que não foram declarações atribuídas a Entidades Oficiais mas pergunto: Alguém terá sido admoestado quanto à gravidade destas afirmações? Ponho as minhas dúvidas, porque, em bom português, ‘’Quem fala assim, não é gago…’’.

Mas passemos às declarações de Creveld que primam igualmente por uma falta de ética moral que nos faz pensar que ideologia é semeada, numa Universidade estatal, por este professor? A resposta, no meu ponto de vista, é só uma: o ódio e a segregação racial, levada até aos extremos.

Vamos aos factos:

Durante a referida entrevista, indagado sobre a força militar de Israel, Creveld assegura que o seu país tem a capacidade militar para arrasar com a maior parte das capitais europeias, com bombas nucleares.

‘’Possuímos várias centenas de ogivas e rockets, que podemos disparar em várias direcções, talvez até sobre Roma. Para não falar na nossa força aérea que poderá arrasar a maior parte das capitais europeias.’’

Creveld que é especialista na História Militar de Israel, referiu ainda que a ‘’deportação colectiva, foi um meio estratégico militar para melhor controlar o Povo palestiniano’’. E acrescentou:’’Os palestinianos poderiam e poderão ser até todos deportados. O nosso povo tem esperança que isso aconteça. E o governo israelita está unicamente à espera pelo homem e pelo tempo certo. Há dois anos, somente 7 a 8 por cento dos israelitas eram da opinião que esta seria a melhor solução. Há 2 meses, a percentagem subiu para 33 por cento. Hoje cifra-se em 44 por cento’’.

Creveld afirmou ainda que ‘’está seguro que o primeiro ministro Ariel Sharon deseja deportar todos os palestinianos.’’ Tenho a certeza que era esse o seu desejo. Ele desejava a escalada do conflito. Sabe-se que outra coisa não poderá acontecer.’’

Indagado se não estaria equivocado já que Israel, ao tomar tal atitude transformar-se-ia num Estado que ficaria para sempre ligado a uma deportação genocida, Creveld recordou a frase do Ministro da Defesa Moshe Dayan quando afirmou:’’Israel é como um cão raivoso, muito perigoso para se abater’’.

O professor argumentou ainda que Israel já não tinha que se preocupar com o seu estatuto no panorama mundial: ‘’As nossas Forças Armadas não são as décimas-terceiras mais fortes no mundo, mas sim as segundas ou terceiras. Temos a capacidade

De fazermos cair o mundo o connosco. E posso assegurar-vos que isto acontecerá antes de Israel cair.’’

Não nos surpreendem afirmações vindas de quem quer que seja ou de onde quer que venham. Admira-nos, isso sim, que não tivessem surgido reacções a tais declarações. Se tivermos em conta que tudo tem servido de pretexto para o desencadear de guerras no Médio Oriente – lembremo-nos, por exemplo, que o Líbano sofreu uma desoladora destruição e milhares de mortos civis, com bombardeamentos israelitas sob o pretexto, pasme-se, de que haviam sido atacados na sua fronteira, por um ou dois elementos do Hezbollah.

Torna-se cada vez mais evidente que o poder económico tudo domina. É a senhora que a todos prostitui. E se pensarmos que neste momento Israel tem a economia mundial nas mãos e que, segundo os entendidos, terá tido um papel muito importante na crise económica que assola todos os países precisamente para fortalecer ainda mais esse poderio económico, até os mais cépticos dão por si a pensar nas profecias de Nostradamus em 1555, sobre a 3ª Guerra Mundial:’’Líderes loucos lançarão bombas nucleares sobre o Mediterrâneo e a Europa.’’

Vera Lucia

Eu já… – de manoel antonio bonfim / natal.rn


Já enxuguei as lágrimas…

… que dos meus olhos ainda não escorreram…

Já me refiz do medo….

… que ainda não tive…

Já rasguei as páginas do diário…

… que ainda não escrevi…

Já protestei a gritos…

… contra aqueles que se calaram…

Já cuspi nas palavras céticas…

… que ainda não pronunciei…

Já fiz o balanço de um Brasil…

… que ainda não vivi…

Já li as manchetes….

… que ainda não publicaram…

Já escutei as músicas…

… que escritas, ainda não foram…

Já chorei as mágoas…

… que ainda não senti…

Já solucei o pranto….

… antes mesmo de chorar…

Já vivi num futuro…

… que ainda não vêio…

Vou chegar num mundo….

… Que nunca existirá…

Pois, eu sou alguém…

… Que ninguém nunca vai conhecer…

Chuva com Velhos na Cabeça! – por tonicato miranda / curitiiba


Por aqui chove um oceano.

Da rua vem o barulho dos pneus chiando no asfalto com tanta água.

Vozes soltas aqui e por lá, além das pombas voando meio perdidas junto à janela do Escritório das Penas Eternas. Todos estão meio desorientados em meio a este momento diluviano. Interessante dizer que estou há pouco mais de 24 horas para retornar para Curitiba. Chega. Já estou cansado de estar ausente de casa. Por mais que existam parentes por aqui, lar é sempre o lar.

É certo que tenho mais amigos aqui do que por aí. Daqueles amigos que se pode falar mal da companheira, dos filhos e até mesmo falar mal de nós mesmos. O ouvido é surdo e escuta tudo calado. Pressente que o momento é de desabafo e se presta à condição de fossa. Claro que não abusamos da amizade nestes momentos, é só um vomitozinho pequeno. Logo nos recompomos e seguimos viagem junto à amizade tão querida. Está claro que têm pessoas que exageram e fazem do ouvido alheio uma Fossa de Java. Destila o fel e a amargura interminável. Acabam por se tornar chaaatos!. Os velhos são dados a esses papéis. Deus e o Diabo livrem-me deste vício. Chamo os dois porque desta pecha não quero ser lembrado. Uma vez que os dois, segundo a mitologia da igreja católica, andaram juntos no começo de tudo, invocando-os em dupla não estou nem pecando, nem sendo ingrato.

Mas falava dos velhos.

Puxa, que chuva incrível!

Sigamos nesta crônica oceânica.

Interessante as queixas do meu pai sobre minha mãe, hoje pela manhã.

Disse-me ele:

__ Sua mãe não me dá descanso. Imagine que se abro a janela um pouco mais ela reclama. Ela quer que a janela fique aberta dois palmos, nem mais nem menos. E a toalha? Se penduro no varal da esquerda, ela reclama porque isto tampa a claridade que entra na cozinha. Pior ainda quando vou comprar verduras e legumes. As batatas têm que ser quase do mesmo tamanho. Caso traga para casa uma grande em meio a um monte mais ou menos do mesmo tamanho, lá vem o esbregue. É difícil, meu filho.

Posso dizer que tenho sido vítima também do humor e das manias da minha mãe.

Do alto dos seus 82 anos, ela tem lá as suas razões, mas tem exagerado um pouquinho. Ontem, antes de dormir lembrou do meu Tio Geninho, espécie de patriarca da Família Mattos. Ele morreu aos 95 anos e 3 meses. Mesmo assim ainda deu algumas ordens a todos aos 95 anos e 1 mês. Minha mãe, citando-o, disse que toda a casa deve dormir arrumada, pois se houver a necessidade da visita de um médico durante a noite ou na madrugada, o que iria pensar o médico sobre uma família desorganizada que dorme sem arrumação?

Dá para imaginar uma colocação dessas? Isto ocorreu a propósito das minhas sandálias que estavam sob uma mesinha de centro quando a minha mãe entrou no quarto da TV para arrumá-las antes de eu dormir. Como estou passando um período aqui em Brasília, na condição de hóspede, engoli em seco. Carona e hóspede prolongado não dão pitaque. Têm de ficar calados.

Ainda bem que passo o dia inteiro longe da casa dos meus pais, somente chegando mais de 21h, todos os dias.

Mas tenho uma pena danada do meu pai!

Coitado do velho, vítima de uma pobre e adorável velhinha.

Caso fechasse o olho e pensasse um pouquinho, acho que não casaria com ela não.

Isto hoje, um momento em que já a conheço há muito tempo.

Mas teve época que a aceitava de forma integral.

Agora, pensaria duas vezes.

Putcha lá vida! Como dizem os curitibocas do interior do município, que chuva lazarenta! Travou a pesquisa de campo no seu último dia, adiando o fecho do trabalho e o reboliço dos estagiários aqui no Escritório das Penas Eternas. Quem sabe amanhã chova menos?

Eu preciso voar em asas de aço, no rumo de Curitiba.

Vou sentir saudades da mãe arrumadinha.

E conto uma última.

Diz meu pai que quando a diarista está limpando a casa ela sai andando atrás da coitada e vai passando a mão sobre os móveis para ver se não sobrou um resquício de poeira.

Ah minha pobre mãe!

Ah mais ainda, meu pobre pai!

O MUNDO É UMA FESTA…fotopoema de rudi bodanese / florianópolis

RUDI

TONINHO VAZ e a MÚSICA de VILLA-LOBOS / rio de janeiro

TONINHO VAZ - BRAVO

O escritor TONINHO VAZ  (biógrafo de PAULO LEMINSKI) recebe em Santa Teresa, Rio, a repórter PAULA NADAL, da revista Bravo. O assunto entre eles era o maestro VILLA-LOBOS, que vai ganhar edição especial em outubro. TONINHO, como já foi noticiado aqui, está escrevendo uma nova biografia do autor de Trenzinho Caipira. O concertista MÁRIO DA SILVA interprete do genial maestro, apresentou algumas peças para violão. Foto de Rocio Infante.

Hermeto Pascoal quer sua obra difundida e libera todas as suas 614 canções / curitiba

Com um bilhete escrito de próprio punho, ilustrado pelo desenho de um sorriso, o músico Hermeto Pascoal deu o seu recado: liberou, para gravações em CD, todas as suas músicas já gravadas. São 614 composições. “Aproveitem bastante”, arremata ele, tornando-se protagonista de mais um capítulo da história dos direitos autorais, que toma novos rumos depois da internet.

O gesto de Hermeto firma o seu passo no território do que hoje se chama de cultura livre: aquela que defende que todo bem cultural, científico e tecnológico produzido pertence à sociedade – e não exclusivamente ao seu criador. “Já terminou o tempo em que as gravadoras tinham o direito de comercializar as minhas músicas, pois eu mesmo quis cancelar os contratos que tinha com elas”, diz Hermeto. Além disso, ele explica que a sua intenção é a de facilitar para que seus “amigos de som, os músicos” possam gravar cada vez mais a sua obra, “sem burocracias e sem custos”. O mesmo artista que, em 1973, gravou um disco com o nome de A Música Livre de Hermeto Pascoal, agora devolve ao mundo o que diz ter aprendido com ele: música.


Menino Criativo

Hermeto Pascoal quer sua obra difundida e libera todas as suas 614 canções


licenciamento_declaracao hermeto



Papai Noel gaúcho com sotaque alagoano!


“Meu nome é Hermeto Pascoal. Nasci em 22 de junho de 1936, no Olho d’Água da Canoa, estado de Alagoas. Sou filho de Pascoal José da Costa e Vergelina Eulália de Oliveira”, escreveu Hermeto, no prefácio de seu livro Calendário do Som (editora Senac e Instituto Itaú Cultural, São Paulo, 2004).
Seria improvável imaginar que, no interior nordestino, um filho de agricultores, albino e de olhos frágeis, pudesse se tornar um gênio da música, com discos gravados no Brasil e no exterior, reconhecimento mundial e agenda de shows, no auge dos seus 72 anos, mais do que concorrida. No entanto, foi ali, naquele canto de mundo, na época sem luz, água encanada nem nada, que o pequeno Hermeto encontrou aqueles que costumam ser os seus maiores parceiros musicais: pássaros, bois, porcos, cavalos, formigas, o barulho do vento, do mato, da chuva. Em uma de suas muitas histórias com animais, conta da vez que assustou vizinhos porque estava de ouvido no chão tentando escutar o ciscar de patas das formigas. Ainda menino, usou de um talo de um pé de jerimum (como é chamada a abóbora, em sua terra) para improvisar um pífano e tocá-lo para os passarinhos. Quando ia se banhar na lagoa, também se demorava tocando na água. As sobras do material do seu avô ferreiro iam parar num varal que, tilintando, gerava sons. Assim passou sua infância, recheada de histórias pitorescas.
O primeiro instrumento que Hermeto aprendeu a tocar foi uma sanfona, de oito baixos, de seu pai. Tinha entre sete e oito anos de idade. Com seu irmão mais velho, José Neto, passou a tocar em festas de casamento, forrós em pé de estrada. Revesava com o irmão a sanfona e o pandeiro. Em 1950, com 14 anos, foi para o Recife com a família e ganhou trabalho se apresentando em programas de rádio. Depois, com o irmão e o sanfoneiro Sivuca, ambos albinos, formou o trio O Mundo Pegando Fogo. Em 1958, Hermeto morava no Rio de Janeiro, tocando no trio Pernambuco do Pandeiro. Três anos depois, foi para São Paulo. Nessa época, trabalhando na noite, já sabia tocar piano e flauta com muita maestria.
No Quarteto Novo, fazendo parceria com Airto Moreira, Hermeto ajudou a música Ponteio, de Edu Lobo, a ganhar o primeiro lugar no 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967. A convite de Moreira e de Flora Purim, viajou para o Estados Unidos e gravou por lá dois discos, em que atuou como compositor, arranjador e instrumentista. Tornou-se amigo de grandes jazzistas, entre eles nada menos que Miles Davis, com quem gravou duas músicas: Nem um Talvez e Igrejinha, ambas no álbum Live Evil (1970), de Davis.
De lá até hoje, o tempo parece ter passado rápido para Hermeto, músico que chega a compor uma música por dia. Foram inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo, parcerias e histórias das mais diversas. Uma delas aconteceu em março de 1995, quando apresentou uma sinfonia no parque do Sesc Itaquera, na cidade de São Paulo. Para esse espetáculo, Hermeto inventou instrumentos gigantes, que foram distribuídos pelo parque. No mesmo ano, um convite da Unicef o levou à cidade de Rosário, na Argentina, onde se apresentou para duas mil crianças. Detalhe do concerto: os músicos tocaram dentro de uma piscina que, invenção de Hermeto, foi montada no palco.

hermeto foto mulhero músico HERMETO PASCOAL e sua companheira ALINE MORENA.

Livre, na Internet

Não faz muito tempo que computador e internet eram assuntos pouco conhecido de Hermeto. Ao lado de Aline Moreira, sua parceira musical e de vida, ingressou no mundo digital. Aline organizou quatro sites com informações sobre as formações musicais do artista: Hermeto Pascoal e Grupo, Hermeto Pascoal Solo, Hermeto Pascoal e Big Band, Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica, além, claro, do duo com ela, que se chama Chimarrão com Rapadura. Foi Aline, ainda, a responsável por apresentar ao artista a ideia de cultura livre – algo que, embora desconhecido, já soava tão familiar a Hermeto, que costuma dizer que suas músicas, quando prontas, são jogadas ao vento.
Aline responde aos e-mails endereçados a Hermeto Pascoal, como foi o caso desta reportagem à revista ARede. Ela agradece aos jornalistas por divulgar essa “tão generosa atitude de Hermeto”, se referindo ao seguinte recado deixado no site do artista: “O músico que desejar gravar um CD com algumas ou várias composições de Hermeto Pascoal já lançadas basta imprimir sua autorização, acessando a página “licenciamento” deste site!”. A página “licenciamento” nada mais é do que o bilhete escrito de próprio punho, liberando suas músicas para gravações totais ou parciais. O gesto remete, de alguma forma, a um pensamento que Hermeto expressou, em 1996, em outro recado, dessa vez rabiscado no rodapé de uma partitura (publicada no livro Calendário do Som): “A vida é linda porque estamos sempre juntos. Tudo de bom, sempre”.
Fonte:
http://produtorindependente.blogspot.com/2009/09/hermeto-pascoal-libera-para-gravacao.html

EDITOR DE ANIVERSÁRIO fecha o site e vai PARA O ABRAÇO! até amanhã!

faço uso da oportunidade para agradecer aos PALAVREIROS DA HORA que acreditaram e foram à luta produzir suas escrituras para que este projeto desse certo, como deu. agradecer também aos inúmeros colaboradores que ao acessarem a página, confiaram no padrão de produção artística e cultural, aqui veiculada, e passaram a enviar seus trabalhos que vieram enriquecer nosso conteúdo. e, finalmente, aos responsáveis por nosso sucesso no mundo virtual, os leitores. desejo, pois, muita saúde e alegrias durante a construção de suas vidas.

BEBE FAZENDO XIXI - DE LECO REISsó para lembrarem: eu já FUI assim! foto de leco reis.

deixo aqui um pequeno conto que faz parte do livro: DO PÃO QUE O DIABO AMASSOU ATÉ DEUS COMEU a ser editado assim que encontrar um editor disponível:

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A INTELECTUAL PELADA

jb vidal

primavera de 1994

era uma fase em que passava o tempo disponível fechado em meu quarto lendo. lia muito. Altusser, Fernando Pessoa, Lênin, Álvares de Azevedo, Rosa de Luxemburgo, Castro Alves, Hegel, Mário Quintana, Goethe, Pedro Nava, Spinoza, García Lorca, Camus e outros, e outros. filósofos e poetas sempre me perseguiram. como fantasmas. quando entro nas livrarias, eles me chamam, me puxam pelo braço, quando me dou conta já tenho nas mãos um deles. alguns valeram a pena, outros, uma merda. aos treze anos já escrevia algumas poesias de cunho romântico e alguns textos cujo conteúdo tinham as cores da esperança.

para relaxar, ia até a sacada  fumar um fininho refletindo sobre o que havia lido. leituras difíceis para um adolescente de dezesseis anos.  sem ajuda para interpretar. no seco.

“aquela mulher está me olhando” observei durante uma longa tragada.

quem indicava a leitura? explico. eu morava em Porto Alegre, na Av. Borges de Medeiros no. 1042, décimo andar, apartamento 102, Edifício Império. eu e minha mãe, dona Silvia. no mesmo endereço, segundo andar, residia a mãe do Érico Veríssimo. conversamos algumas vezes, quando ele ia visitá-la. ao acaso. presenteou-me com algumas de suas obras.

porque os dados acima? não sei. que fiquem. talvez sirvam para algum biógrafo eh, eh, eh, eh, eh!

pois bem, numa das lojas do térreo,  estava instalada a Livraria Sulina, uma das grandes da época e ponto de venda do Érico. o proprietário, seu Lory, que certa vez encontrou-me,  com o grande escritor, conversando no all do edifício, sugeria, quando lhe perguntava “o que devo ler de bom?” nem tudo que li, é claro; bom? o que é isso? quanta ingenuidade! comprei poucos. não tinha grana. emprestava-me com a recomendação de não marcá-los. nunca devolvia. continuava “emprestando”. aquela conversa flagrada, com o Érico, era o meu aval sem que eu soubesse.

anos depois, reli alguns. o entendimento foi outro. fruto da observação. da vivência. então, de que valeu a leitura? para compreender o pensamento do autor tive que viver! que se foda então. o autor é claro.

numa dessas idas à sacada para umas “baforadas”, notei uma mulher na janela de um apartamento no edifício em frente, o Yucatan, olhando-me. contei os andares. oitavo.

eu a olhava. ela à mim.  sorriu. sorri.

no dia seguinte, a mesma cena. só que, enquanto eu enrolava um baseado, encostado na porta que se abria para a sacada, ela recuou para o centro da sala e começou a despir-se até ficar completamente nua. uma nuvem cúmplice deixou de encobrir o sol.

olha para mim, sorri e dá umas voltas em torno de si mesma, como bailarina de caixa de música. na pele, extremamente branca, o morro de vênus sobressaía.

não sabia o que pensar diante do inusitado. mas gostei. sentia  algo mexendo-se em mim.

repetiu. nesse dia e nos seguintes.

lia menos e fumava mais. mais sacada. perdi a conta das punhetas.

também não sei se contava.

não entendia o meu interesse por uma velha que deveria ter uns setenta anos, murcha, decrépita e tudo mais que cabe a um velho, imaginava. não entendia, mas havia. provavelmente a expectativa de uma trepada, o que naqueles tempos era coisa rara fora dos prostíbulos.

certo dia, enchi-me de coragem e, mímicamente, fiz um sinal de que iria até o seu apartamento. aquiesceu de pronto. enquanto aguardava o elevador, no seu prédio, tive uma ereção espontânea.

recebeu-me de quimono verde com grandes flores bordadas, muito coloridas.

o perfume que exalava de seu corpo e o cheiro de café recém passado tomavam conta da sala que segurava nas paredes algumas telas, me inquietaram. algo se movia dentro de mim, indelével, de maneira suave  absorvia o impacto do ambiente, confortavelmente, na minha ignorância.

sorriso simpático. olhos azuis. à mim, pareceu, que ali eram as nascentes dos oceanos. guardava traços bonitos no rosto, apesar das gelhas profundas. o coração acelerado. o pau, duro. como uma rocha; disfarçava, segurando-o com a mão esquerda pelo bolso da calça. senti alguma umidade.

“sente-se” disse oferecendo o sofá “você é prisioneiro naquele quarto?” perguntou sorrindo “não” respondi como se estivesse com a boca cheia de areia.

o planeta sumiu e eu não sabia onde estava!

com voz serena, indagando à meu respeito e abordando temas que pudessem me interessar, ela conduziu com traquilidade aquele instante. serviu  café.  sabia que estava tenso.

alisou-me o rosto. esse gesto foi uma merda. deixou-me menor do que estava me sentindo.  não era sua intenção, hoje  eu sei. mas fiquei puto!

em meia hora dávamos gargalhadas. tirei a mão do bolso. já não era necessário ele amolecera. “que mulher maravilhosa” repetia  meu pensamento. este encontro durou  entorno de duas horas.

levou-me até a porta segurando minha mão e depositou, suavemente, um beijo em meu rosto ( descrição de mau gosto, segundo um critico de merda), mas esse beijo foi o pingo de prata, em meus olhos de recém nascido!

nunca mais se despiu no centro da sala.

novos encontros. muitos. ela alfabetizava minha alma.

entre tantos autores, que havia lido, entusiasmava-se com Sartre e Simone. alcançamos muitas madrugadas discutindo sobre suas obras, as quais passei a ler por sua influência.

eu crescia. quer dizer, dava os primeiros passos em direção à compreensão da miséria humana. não é isso? pense melhor.

deixava ler suas poesias; ria muito quando dizia “não entendi”.

nunca explicava.

algumas vezes, passeávamos por horas no Parque da Redenção, conversando sobre os mais variados assuntos. filosofia e arte eram seus preferidos. eu não era, nem de longe, o interlocutor ideal. ela sabia disso. investia. minhas primeiras babas críticas, sobre a humanidade, começaram a escorrer.

nessas ocasiões, vez por outra, tinha que colocar a  mão no bolso esquerdo.

assim foi, por quase dois anos. sexo? de nenhum tipo. jamais, sequer, insinuou que desejava foder comigo. também  não perguntei porque havia dançado nua para mim.

aquele momento, tornara-se parte da apresentação.

foi num verão, em certa manhã, as janelas do seu apartamento permaneceram fechadas. por muitos anos mais, morei naquele endereço e fumei alguns  baseados com o  olhar fixo na janela da sala…  permaneceram fechadas.

nunca mais a vi.

confesso, que algumas vezes chorei quando olhava o oitavo andar do Yucatan.

saudades Helga.

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JB VIDAL - EM CASA NO FOGÃO A LENHA 018o autor.

A BRANCA DE NEVE, o conto e HOJE / editoria

A história da Branca de Neve contada pelos irmãos Grimm tem algumas diferenças da história que muita gente conhece. No começo de tudo, a princesa se espeta numa agulha e ao deixar seu sangue cair na neve ela faz um pedido para que, se um dia, viesse a ter uma filha, que ela fosse branca como a neve, tivesse cabelos negros como o ébano e que seus lábios fossem vermelhos como aquele sangue que tocara a neve. Não tardou muito e a princesa teve uma filha de descrições idênticas ao seu pedido. Mas tão cedo sua filha veio ao mundo, a princesa morreu. Seu pai, o príncipe pôs então seu nome de “Branca de Neve” e logo desenviuvou, casando com a futura madrasta da princesinha recém-nascida. Após a morte do seu pai, Branca de Neve cresceu. Sua madrasta possuia um espelho mágico e sempre envaidecida vivia perguntando ao seu espelho quem era a mais bela daquela região. Até que um certo dia a madrasta perguntou: “Quem é a mais bela de todas?”, e o seu espelho não tardou a dizer: “Você é bela rainha, isso é verdade, mas a Branca de Neve possui mais beleza e vaidade.”

A Rainha cheia de inveja contratou um caçador e ordenou que ele matasse a Branca de Neve e trouxesse seu coração como prova, na esperança de voltar a ser a mais bela de todas. O caçador ficou inseguro, mas aceitou o trabalho. Pronto para matar a bela princesa, o caçador desistiu ao ver que ela era a moça mais bela que jamais tinha visto em toda a vida. Ele foi rápido ao dizer para a mesma fugir e se esconder na floresta, e para enganar a rainha ele entregou o coração de um jovem veado. A rainha assou o coração e comeu, crente de que Branca de Neve estava morta, só que ao consultar seu espelho mágico ele continuou a dizer que Branca de Neve era a mais bela. Branca de Neve então fugiu, e acabou achando uma casinha, onde ao entrar, descobriu que lá moravam sete anões. Ela, como sempre tão bondosa, limpou toda a casa e, cansada pelo esforço que fez, adormeceu na cama do anões, que ao chegarem levaram um susto, mas logo se alcamaram ao ver que era apenas uma bela moça e que a mesma tinha arrumado toda a casa. Como agradecimento eles cederam sua casa como esconderijo de Branca de Neve, mas na condição dela continuar a lavar e limpar a casa deles.

A rainha não tardou a descobrir o esconderijo de Branca de Neve e resolveu então matá-la com as próprias mãos. Ela disfarçou-se de mascate e foi a casa dos anõezinhos. Chegando lá, ela ofereceu um laço de fita a Branca de Neve que aceitou. A rainha ofereçeu ajuda para amarrar o laço em volta da cintura de Branca de Neve, só que ao fazer, apertou com tanta força que Branca de Neve caiu desmaiada. Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve sufocada pelo laço de fita, rapidamente cortaram-no e ela voltou a respirar. A rainha novamente descobriu que Branca de Neve não estava morta e voltou a se disfarçar, mas desta vez como uma velha senhora que vendia escovas, mas na verdade elas estavam envenenadas, e ao dar a primeira escovada, Branca de Neve caiu no chão desmaida. Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve desmaiada, rapidamente retiraram a escova de seus cabelos e ela acordou. A rainha já enlouquecida de fúria decidiu usar um outro método: uma maçã enfeitiçada. Dessa vez disfarçou-se de uma fazendeira e ofereçeu uma maçã, Branca de Neve ficou em dúvida, mas a Rainha cortou a maçã ao meio e comeu a parte que não estava enfeitiçada, Branca de Neve aceitou e comeu o outro pedaço, que estava enfeitiçado. Ele inchou dentro da garganta de Branca de Neve e esta ficou sem ar. Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve no chão tentaram ajudá-la, mas não sabiam o que causou tudo aquilo, então eles pensaram que Branca de Neve estava morta, e por ser tão linda, eles não tiveram coragem de enterrá-la, então puseram-na num caixão de vidro.

Certo dia, um príncipe que andava pelas redondezas avistou o caixão de vidro e dentro dela uma bela donzela. Ficou tão apaixonado que perguntou aos anões se podiam levá-la para o seu castelo, os anões aceitaram e os servos do príncipe colocaram-na na carruagem. No caminho, a carruagem tropeçou, e no pulo que deu, o pedaço de maçã que estava entalado na garganta de Branca de Neve saiu, e ela pôde novamente respirar. O príncipe então casou-se com ela, e no dia da festa, a rainha compareceu, morrendo de inveja.

Como castigo, ao recuar para sair do palácio, acabou tropeçando num par de botas de ferro que estavam aquecidas (sabe-se lá quem pôs isso atrás dela). As botas fixaram-se na rainha e obrigaram-na a dançar, e ela dançou e dançou, até finalmente, cair morta.

A BRANCA DE NEVE HOJE:

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arte livre.

wp.

TRÊS MONSTROS SAGRADOS por hamilton alves / florianópolis

Num dia desses, um amigo me brindou com a remessa de uma mensagem contendo o registro de Tom Jobim e Elis Regina cantando a memorável e inexcedível composição “Águas de Março” (letra e música, como sabido, casaram-se às mil maravilhas).

Me deleitava com essa audiência, com Tom na flauta, acompanhando Elis, os dois se entreolhando, quem sabe se namorando e, no fundo, se amando (tinham, na realidade, uma gamação um pelo outro  no plano da amizade que não escondiam ou não conseguiam esconder). Tom era ainda um moço bem aprumado de pouco mais de trinta anos, certamente. Elis estava na flor da idade também. Os dois exuberavam talento. Mas a vida, como sempre, fez o resto. Levou-nos os dois, ela de forma trágica. E a música popular brasileira, claro, tinha só que murchar e empalidecer.

Mas como dizia, estava assim a apreciar os dois grandes artistas quando Ilmar Carvalho – como sempre o faz – me liga do Rio. Ilmar não é apenas um excelente cronista, resenhista, melômano de mão cheia, crítico musical de clássico e popular, mas é, acima de tudo isso, um homem que acompanha o quadro cultural urbi et orbi.

Referi-lhe a coincidência de sua ligação, sendo ele, como dito, um apaixonado ou aficionado da MPB, com o fato de me deparar com os dois (Tom e Elis) na tela do computador, com essa beleza de canção.

Foi então que me contou duas histórias envolvendo Tom (há muitas, claro). Uma das quais ligada ao caso que lhe mencionei de ser Tom grande admirador de Drummond. Ele emendou, em seguida: – A admiração era tal que, quando, certa vez, Tom se encontrou com Drummond, numa rua de Copacabana, abaixou-se e lhe beijou os pés.

E disse-me mais: que essa letra de “Águas de Março” foi considerada a mais bela da música popular mundial        .

Aproveitei a oportunidade para lhe dar duas informações sobre o poeta: 1) que Houaiss recebeu missão dos membros da Academia Brasileira de Letras para convidar Drummond a integrá-la. Para isso, foi visitá-lo em seu apartamento na rua Conselheiro Lafayette, em Copacabana. Drummod recebeu-o amavelmente. Houaiss lhe disse que, para ingressar na ABL, Drummond precisaria apenas se candidatar; mais nada; o resto os membros da ABL fariam.

Drummond disse a Houaiss que se sentia muito sensibilizado com o convite, mas não conseguia se ver envergando o fardão de acadêmico nem muito menos pronunciando o discurso de posse, o que, de ante-mão, o levavam à recusa de tão nobre quão honrosa distinção; 2) o mesmo deu-se com a indicação de seu nome ao prêmio Nobel de literatura, na condição de poeta, não autorizando quem quer que seja a tomar tal iniciativa.

Drummond, Tom, Elis Regina, que grandes artistas, que colocaram numa altura tão grande a arte que praticaram, que, sem dúvida, assinalou uma época.

(set/09)

AS MEIAS LUTAS por alceu sperança / cascavel.pr

Gosto muito do senador Christovam Buarque, dos ambientalistas e especialmente dos estudantes, aos quais dediquei meu livro Cascavel, A História.

Mas é preciso ter esse radicalismo meio chato, e contudo necessário, de dizer a todos que de pouco resolve lutarAlceu sperança  - AJC (1)pontualmente pela educação, pela proteção ambiental, pelo passe-livre no ônibus.

Há muito canalha educado e de boas maneiras. O problema da destruição ambiental não é do “homem”, mas de um sistema cruel e injusto. E educar as pessoas para se acomodarem a ele não vai liquidá-lo.

Você pode ganhar o passe-livre hoje e não ter ônibus amanhã, porque o sistema é sacana: quem paga o transporte coletivo, de fato, é o trabalhador que aguenta chuva e vento no ponto de ônibus, e não o prefeito aburguesado ou o governador falastrão, diante de cujos palácios as passeatas são feitas.

Se os professores, os ambientalistas e os jovens não perceberem que o problema é o capitalismo, ainda mais agressivo em sua atual etapa neoliberal, continuaremos vítimas da ideologia.

Seguiremos tomando atitudes politicamente corretas, como lutar pela educação integral, pelo ambiente repleto de belas borboletas e pelo estudante sem pagar lotação, mas estaremos cultivando e mantendo as grandes causas das desgraças e das injustiças deste mundo.

Em recente reunião, discutindo a importância da educação no processo de desenvolvimento político, a professora Ana Carla Marques da Silva alertou que a educação, por si mesma, não é nenhum instrumento revolucionário.

Por sua vez, a propósito da pasmaceira do movimento estudantil, hoje engabelado pela guarda pretoriana do lulismo, a professora Francis Mary Nogueira nos deu um recado magnífico:

“Não só o movimento estudantil, como o sindical e de esquerda, precisam entender o que está acontecendo para orientar as organizações”.

São questões incompreensíveis para quem sucumbiu à ideologia, essa coisa manipuladora e quase invisível que sacraliza o pontual e demoniza o geral.

As lutas pontuais são importantes, é claro, pois seria um absurdo estudante não brigar para ter professor em sala, desempregado não lutar por trabalho, favelado não reclamar casa, deserdado do campo se conformar em não ter terra.

É preciso inclusive intensificar todas essas e outras lutas. Mas ainda assim estaremos hipnotizados pelo pêndulo manipulado pela causa de toda essa desgraceira que nos aflige, enluta, entristece e deixa inseguros: a ideologia, que mente, distorce, esconde a verdade, privilegia o secundário, distrai com a irrelevância.

Um pêndulo a serviço do neoliberalismo, com sua economia desempregadora, sua precarização do trabalho, maximização de lucros dos banqueiros e das transnacionais, a adequação dos estados nacionais a seus propósitos desumanizantes.

Assim, as lutas pela educação, pelo meio ambiente e pelo passe-livre são apenas meias lutas, pois não focam as causas ocultas – e malandramente disfarçadas – do descalabro educacional, da destruição ambiental e do elevado custo do transporte urbano (e da vida, em geral).

Só a luz no fim do túnel não basta. É preciso abrir o olho para aproveitá-la e ver de fato o que acontece em nosso mundo: a prevalência do sistema de culto ao vencedor, que implica haver guerras.

Moderno, eficiente e poderoso, ele nos enreda em sua teia de trapaças, ameaçando a sobrevivência da espécie humana com o desastre do clima, por exemplo.

Um desastre que igualará na desgraça ricos e remediados aos famintos. O “socialismo” da infelicidade substituindo aquele que desejamos – o usufruto coletivo das riquezas.

Ecossistemas do Ártico são gravemente afetados pelo aquecimento, diz estudo / pensilvania.usa

Populações de certas espécies estão se alterando na região.
Desequilíbrio de ciclo nutricional afeta sobrevivência.ECOSSISTEMAS DO ÁRTICO - ARTICO FOTO 1

Aquecimento no Ártico foi duas a três vezes maior que a média global. (Foto: Universidade Estadual da Pensilvânia/Science

A temperatura média da superfície terrestre subiu 0,4°C nos últimos 150 anos. Mas no Ártico o aquecimento foi duas a três vezes maior. Nas últimas duas a três décadas, a extensão mínima da calota de gelo sobre o mar ártico recuou 45 mil quilômetros quadrados por ano. Evidentemente, isso não pode ocorrer sem consequências. Pesquisadores liderados por Eric Post, do departamento de biologia da Universidade Estadual da Pensilvânia, publicaram na “Science” um balanço dos impactos do efeito estufa sobre ecossistemas do Polo Norte.

ECOSSISTEMAS DO ÁRTICO - artico foto 2

As espécies mais afetadas são aquelas que dependem do gelo para obter provisões, reproduzir-se e para escapar de predadores. Estão nessa situação incômoda a foca-de-crista ou foca-de-capuz (Cystophora cristata), a foca anelada (Pusa hispida), a morsa do Pacífico (Odobenus rosmarus divergens), o narval ou unicórnio-do-mar (Monodon monoceros) e o urso polar.

Mas há muitos outros sinais de desarranjo. Por exemplo: a população de raposas-do-Ártico (Alopex lagopus) está declinando em certas áreas, enquanto cresce a de raposas-vermelhas (Vulpes vulpes). Em algumas regiões da Groenlândia, o princípio da temporada de crescimento de vegetação foi antecipado, enquanto o período de procriação das renas (Rangifer tarandus) continua como sempre foi. O auge de oferta de alimento acontece agora antes do pico de demanda das fêmeas prenhes. Quando elas mais precisam, a comida já está escasseando. O resultado disso é um desequilíbrio de ciclo nutricional que está reduzindo o número das crias e abreviando seu tempo de vida.

ECOSSISTEMAS DO ÁRTICO - artico foto 3

Efeito estufa altera ciclo nutricional e está prejudicando a reprodução de renas. (Foto: Universidade Estadual da Pensilvânia/Science)

Essas alterações aceleradas que estão sacudindo o Ártico, todas vinculadas ao clima, podem ser um indício de mudanças prestes a ocorrer em latitudes mais baixas, avisa a equipe de Post.

G1

ETERNOS de jb vidal / praia dos ingleses.sc

jb vidal

03/80

meu corpo no teu

acende a dúvida

.

ser ou estar

.

eu!? nós!?

.

gozo cósmico!?

.

prazer em deixar-me ir

onde estás ou sejas

.

sou inteiro em ti

.

estou metade

O VAGO de otto nul / palma sola.sc

Tenho que me entender

Com o vago, o vazio, o nada,

.

Caso contrário não chego

Ao âmago das coisas;

.

Me incapacito para o diálogo

De supinos saberes;

.

Só a linguagem muda,

Hermética, meio louca,

.

Pode ir ao fundo das questões

Ou trazer à luz o indizível;

.

Sem esse aprofundamento

É impossível colher o sumo

.

Supremo de que se compõem

Os mistérios da vida;

.

O vago é meu caminho,

Meu mestre de sutilezas.

SABICAS, O MAESTRO ESPANHOL toca: “FANTASIA”

para atender ao pedido do amigo e poeta MANOEL DE ANDRADE feito no post do PACO DE LUCÍA.

UM clique no centro do vídeo:

.

PACO DE LUCÍA: “ENTRE DOS AGUAS”

dê UM clique no centro do vídeo:

11 DE SETEMBRO DE 2001 – 8 ANOS HOJE / PARA REFLETIR / editoria

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11 de setembro

INRI CRISTO concede entrevista ao TOCANDO.ORG / são paulo

Gostaria de agradecer o Senhor Inri Cristo por essa polêmica entrevista concedida ao Tocando.Org e as suas Discípulas pela prestatividade.

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Tocando.Org: Sei que essa pergunta todo mundo faz: Se Jesus morreu na cruz, ressuscitou, foi pro céu, porque ele voltaria pra esse mundo? Ele é você e você é ele?

INRI CRISTO: “Eu voltei porque eu prometi que voltaria, ninguém é obrigado a crer. Vim para dar continuidade à minha missão aqui na Terra. Voltei com um nome novo, INRI, o nome que paguei com meu sangue na cruz (Apocalipse c.3 v.12). Eu fui em espírito para o PAI, e não de carne e osso. Por isso voltei em espírito e recolhi meu corpo das entranhas de uma mulher. A ressurreição física é um delírio, uma loucura que inculcaram na cabeça do povo cristão. Quando me perguntaram quais seriam os sinais de minha vinda e do fim do mundo, respondi aos discípulos: “Porque ouvireis falar de guerras e de rumores de guerras, e se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, pestilências e terremotos em diversos lugares. Todas essas coisas são apenas o princípio das dores” (Mateus c.24 v.6 a 8). Agora o mundo está nas condições que meu PAI me mostrou já há dois mil anos. Basta ligar a televisão e ver que o mundo está um caos. E como nenhum Jesus voltou lá do céu voando igual a uma ave, mais cedo ou mais tarde terão que assimilar a realidade de que sou o mesmo de ontem, hoje e sempre”.

Tocando.Org: Sua mãe na sua primeira encarnação foi Maria? Se ela era virgem como deu a luz a uma criança? Seria José o maior corno da história?

INRI CRISTO: “A árvore genealógica registrada no Evangelho mostra bem claramente que foi José quem fecundou Maria, pois José era oriundo da linhagem de David (Mateus c.1 v.16). E para cumprir-se o que profetizara Isaías (“Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel. Ele comerá manteiga e mel até que aprenda a separar o mal do bem” – Isaías c.7 v.14), Maria foi fecundada virgem por José, por obra do Espírito Santo, que juntou os dois em estado de sonambulismo antes de coabitarem. A virgindade de Maria não era himenal, pela presença de uma membrana a mais ou a menos; era a virgindade da pureza, uma vez que após o ato sexual praticado com José, ela continuava inconsciente da relação carnal. Diz-se que ela era virgem antes, durante e depois do parto. E conforme tu bem observaste, como ela poderia permanecer virgem depois do parto se a virgindade fosse himenal? É mister separar o mito dos fatos. Essa história de fecundação com espermatozóide vindo do céu é invencionice, fica por conta do imaginário dos idólatras que se comprazem em adorar os mitos e lendas impostos pelos pseudo-religiosos como verdades absolutas”.
(ver Maria Mulher no link http://www.inricristo.net/index.php/pt/enigmas-teologicos/maria-mulher-o-mito-sem-mascara ).

Tocando.Org: O que você acha das igrejas que exploram as pessoas, através dos dízimos e outras formas de extorsão? Sua seita faz isso? Como você sobrevive?

INRI CRISTO: “São os lobos com pele de ovelha que conseguem enganar os incautos, eles estão cumprindo o que eu já previ há dois mil anos: “Orai e vigiai, que ninguém vos engane. Porque falsos cristos e falsos profetas virão em meu nome, farão prodígios e enganarão a muitos, até os eleitos se possível fosse” (Mateus c.24 v.5 e 24). E o maior prodígio está justamente em chantagear o dízimo usando meu nome antigo (Jesus). Eles alegam que o dízimo é bíblico, e deveras é bíblico, mas é o dízimo do lucro, e não do miserável salário do obreiro, e o dízimo é para a Casa do SENHOR, e não para a toca do lobo com pele de ovelha. E justamente para diferenciar-me de todos eles, eu voltei com um nome novo, INRI (Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade), o nome que paguei com meu sangue na cruz (Apocalipse c.3 v.12) e em nome de meu PAI, SENHOR e DEUS. E a SOUST, por ser a formalização do Reino de DEUS sobre a Terra, na formação de um só rebanho e um só pastor (João c.10 v.16), sobrevive sob os auspícios da graça divina. Na SOUST não se pratica a chantagem do dízimo, a exploração da fé, e todos os sacramentos são realizados graciosamente, coerente com o que eu disse há dois mil anos: “Dai de graça o que de graça recebestes” (Mateus c.10 v.8). O SENHOR é o provedor, Ele inspira os filhos dEle a participar da provedoria da SOUST; cada um dá com a mão direita sem que a esquerda saiba quanto (Mateus c.6 v.3). Os filhos de DEUS participam da causa divina por ideal, por consciência, e para sentirem o sagrado vínculo com o SENHOR e seu santo reino de luz”.
(vide Provedoria do Reino de DEUS no link http://www.inricristo.org.br/pdf/provedoria_da_soust.pdf ).

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Tocando.Org: O que você acha do Pastor Edir Macedo?

INRI CRISTO: “Edir Macedo é o inspirado comandante da legião de roedores que têm a missão de roer o casco podre do meu antigo barco (a proscrita igreja romana, meretriz do Apocalipse c.17). Quanto mais eles roem, mais o meu antigo barco naufraga, para que o meu novo barco, a SOUST, possa flutuar suavemente”.
(vide Parábola do Barco Náufrago no link http://www.inricristo.net/index.php/pt/parabolas-de-inri-cristo/182-parabola-barco-naufrago ).

Tocando.Org: Se eu for um verdadeiro “filho-da-puta” (ladrão, safado, corrupto etc.) à vida toda e no final pedir perdão pra Deus, eu irei pro céu?

INRI CRISTO: “A ascensão espiritual ao plano superior dependerá do peso de teus pecados. Se tu cometeres todo esse rosário de crimes e pedires perdão, serás perdoado, mas como no céu, no infinito, não se alberga fugitivos da justiça terrenal, terás que ficar nas redondezas da Terra purgando como uma alma penada, até chegar a hora de conseguires um novo corpo para reencarnar. Mas se antes de desencarnar fizeres boas obras que anulem e sobrepujem os efeitos nefastos de teus pecados, terás a chance de subir e repousar no seio do PAI Celeste no infinito. Por isso não adianta se “converter pra Jesus” na ilusão de que “Jesus salva”, isso é alienação, esquizofrenia, fuga da realidade. Cada ser humano tem que acertar pessoalmente suas contas com a lei divina, que sintetizada em duas palavras é ação e reação, causa e efeito. Há dois mil anos, na condição de redentor, tive que resgatar os pecados que a humanidade cometera até então, porque havia sido eu, Adão, o Primogênito de DEUS, quem iniciara a humanidade no caminho do pecado. Mas inexiste anistia preventiva. Quem pecou depois terá que saudar o débito com a lei”.

Tocando.Org: Suas discípulas estão fazendo muito sucesso na internet com as versões místicas de musicas populares, de onde vem tanta inspiração?

INRI CRISTO: “A inspiração vem do ALTÍSSIMO, meu PAI, SENHOR e DEUS. Ele é quem inspira os seres humanos. Todas as artes que existem a serviço do bem são inspiradas por DEUS.”

assage-discipula-inri-cristodiscípula de inri cristo. foto sem autoria.

Tocando.Org: Elas não praticam sexo? São proibidas?

INRI CRISTO: “Elas não são proibidas, e sim optaram viver em pureza, perceberam o benefício de viver em pureza, porque o Reino de DEUS não é um reino de proibição, e sim um Reino de conscientização. No Reino de DEUS eu ensino os filhos de DEUS a viver em harmonia com a lei divina em estado de pureza, e a paz da Casa do SENHOR está entesourada na observância das leis do SENHOR. Mas do lado de fora dos muros da Casa do SENHOR, nós assimilamos o direito de todos fazerem o que quiserem de seus corpos, afinal a opção sexual de cada ser humano é uma questão de foro íntimo e ninguém tem o direito de interferir”.

Tocando.Org: Você sabe o dia de sua morte? Será enterrado onde?

INRI CRISTO: “Eu não posso saber o dia de minha morte porque a morte não existe, a morte é a renovação, é uma etapa para o recomeço de uma nova vida. Então eu jamais morrerei, meu espírito permanecerá vivo para sempre e um dia meu corpo será novamente recolhido pela mãe terra, que espera pacientemente seus filhos queridos para o reencontro místico da renovação”.

Tocando.Org: Pesquisas demonstram que 86% da internet é pornografia, o que você acha disso? Você costuma visitar esse tipo de site?

INRI CRISTO: “Considero isso um sinal dos tempos, mas não tenho ânimo, não tenho motivo para visitar essas páginas. Tenho consciência de que elas existem, e se eu sentisse atração iria ver, mas não sinto atração. Todas essas misérias da carne eu já conheço, já passei por tudo isso antes do jejum em Santiago do Chile, em 1979. Até então fui levado pelo meu PAI sem livre arbítrio a experimentar os pecados do mundo a fim de que eu pudesse compreender a natureza dos seres humanos. Meu PAI disse que o ápice da evolução humana passa necessariamente pelos estertores da carne. Tenho consciência de que tudo isso existe, faz parte do laboratório de experiências que o ser humano passa até sobrepujar as inquietudes da carne”.

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Tocando.Org: Além de jogar sinuca, você curte uma cervejinha com aperitivo, talvez um churrasquinho?

INRI CRISTO: “Eu não aprecio churrasquinho, posto que não tenho hábito de me alimentar de cadáver, seja cadáver de boi, de galinha, de porco ou qualquer outro. Prefiro os alimentos naturais. Todavia, tomo sim uma cervejinha vez por outra, nada contra”.

Tocando.Org: Em outra entrevista você afirmou já ter experimentado os prazeres da carne, isso aconteceu mesmo? Quando? Lembra quantas mulheres transou? Você transou com homens?

INRI CRISTO: “Há dois mil anos, antes de começar a vida pública como Jesus, com o nome de Emanuel, dos treze aos trinta anos experimentei os pecados do mundo inerentes àquela época (“Eis que o SENHOR vos dará este sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel. Ele comerá manteiga e mel até que aprenda a separar o mal do bem” – Isaías c.7 v.14). “Comer manteiga e mel” significa experimentar o doce e o azedo, as coisas boas e ruins, até obter o discernimento (nas traduções mais antigas da Bíblia se traduz, em lugar de manteiga, leite coalhado, que é azedo). Só passei a me chamar Jesus depois do jejum. Justo por haver me enlameado no pecados do mundo é que exigi ser batizado por João Batista (Mateus c.3 v.14 e 15), e só depois disso pousou sobre mim o Espírito Santo. E assim agora também, dos treze aos trinta anos, vivi os pecados do mundo, até que o SENHOR me levou ao jejum em Santiago do Chile e me deu poder sobre a carne. Desde então já não tenho as inquietudes carnais que são inerentes aos seres humanos. Mas quanto ao número de mulheres que estiveram comigo na alcova, nunca carreguei comigo uma calculadora nem agenda para registrar. Até o jejum eu vivia como profeta de um DEUS desconhecido, peregrinava de cidade em cidade e estava sempre de passagem, cumprindo o que está previsto em Apocalipse c.3 v.3: “Virei a ti como um ladrão e não saberás a que hora virei a ti”. Depois do jejum foi que tudo mudou”.

Tocando.Org: A igreja é contra métodos anticoncepcionais tal qual camisinha, qual sua postura em relação a isso?

INRI CRISTO: “Melhor seria que todos pudessem viver em pureza, como ensino meus discípulos, mas já que o ato sexual faz parte da vida dos habitantes da terra não só para fins procriativos e a explosão demográfica salta aos olhos, então eu recomendo aos meus filhos, principalmente aos jovens, que usem sim a camisinha não só para evitar a gravidez indesejada, mas também como prevenção, já que existem tantas pestilências, como AIDS, sífilis, etc. E eu posso lhes garantir, meus filhos, que usar camisinha não condenará ninguém ao inferno. Melhor saudável encamisado do que doente descamisado”.

Tocando.Org: Rumores apontam um possível fim do mundo em 2012, o que você tem a dizer sobre isso?

INRI CRISTO: “Há dois mil anos já me perguntaram quando seria o fim do mundo, aos que lhes respondi: “Mas quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o PAI” (Mateus c.24 v.36). Portanto agora não vou mudar minha postura, continuo coerente com o que eu disse. O que posso vos dizer é que os homens, fazendo mal uso do livre arbítrio, construíram armas destrutivas, violaram as sagradas leis de DEUS e esqueceram-se também dos santos mandamentos. Semearam desta forma, através de atos e pensamentos, catástrofes e terremotos que, acompanhados da hecatombe nuclear, culminará com o fim deste mundo caótico. Menos de um milhão de pessoas restarão vivas na terra, e a maioria será constituída de mutilados que suplicarão a morte, que em princípio não lhes ouvirá. Então, como você bem disse, são rumores, assim como no ano 2000 pensaram que eu voltaria voando lá do céu de carne e osso e se decepcionaram. Tão somente o ano 2000, mais precisamente no dia 24/10/2000, foi quando o Poder Judiciário brasileiro reconheceu oficialmente meu nome como INRI CRISTO”.

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Tocando.Org: Você aceitaria ser penetrado no ato sexual conhecido como sexo anal, se para isso te pagassem 1 milhão de reais?

INRI CRISTO: “Em primeiro lugar, eu não pratico sexo, e em segundo lugar, não tenho ambição pessoal, não possuo nem jamais possuirei bens materiais. Logo, essa tua proposta não combina com minha condição, não condiz com minha realidade, pois vivo uma vida espiritual”.

Tocando.Org: Pra finalizar, poderia deixar sua mensagem para nosso nossos leitores e para todos os internautas brasileiros?

INRI CRISTO: “Rogo ao meu PAI, SENHOR e DEUS que vos inspire e ilumine para que, ao acessar o site www.inricristo.org.br , assimileis os ensinamentos que ministrei da parte d’Ele, facultando-vos viver em harmonia na Terra e sobrepujar as turbulências que estão por vir. Que tenhais todos a minha paz”.

BRDE abre inscrições para EXPOSIÇÕES / curitiba

BANCO REGIONAL DE DESENVOLVIMENTO DO EXTREMO SUL

Abertas as inscrições de propostas para exposições no Espaço Cultural BRDE

Artistas interessados em mostrar o seu trabalho no Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões – em Curitiba, já podem apresentar projeto para o calendário de 2010-2011.  A coordenação do Espaço vai receber projetos para exposições individuais ou coletivas de artes visuais – pintura, desenho, gravura, fotografia, obras tridimensionais, instalações e outras técnicas. O prazo encerra-se no dia 30 de outubro. As propostas serão analisadas e aprovadas conforme os critérios constantes do regulamento de uso do espaço e de acordo com as vagas disponíveis no calendário de eventos.

Já passaram pelo Espaço Cultural BRDE este ano gravuras de Loizel Guimarães, pinturas de Edilson Viriato, esculturas de Espedito Rocha, pinturas e peças em cerâmica de Rossana Guimarães, desenhos e pinturas de André Mendes, além de outras duas exposições coletivas. Artistas com longa carreira, novos artistas, técnicas variadas e linguagens diversas fazem parte das opções oferecidas no Espaço Cultural BRDE. O pintor Jair Mendes e o fotógrafo alemão Stefan Moses também já tiveram suas obras expostas no prédio histórico.

O já consagrado escultor Alfi Vivern, diretor do Museu de Arte Contemporânea (MAC) em Curitiba, expôs no BRDE em 2008. “Foi ma-ra-vi-lho-so pelo fato de ter obras que faziam referência ao século passado, época em que o palacete foi construído. Uma delas foi uma instalação sem título, que dialogava com o ambiente do palacete antigo. Trata-se de um quarto de hotel ‘com estrelas negativas’ – alusão feita pelo autor às hospedarias que pecam pela qualidade. A instalação remete a um hotel de rodoviária, por onde circulam migrantes. A outra peça foi a escultura ‘Freud no Divã’. Eu tive muita sorte na ambientação. O diálogo entre as obras e a casa transcorreu em perfeita harmonia. Acho importante o artista ter consciência da importância desse diálogo entre o espaço e obra” comenta.

André Mendes, jovem artista plástico, recentemente teve seu trabalho exposto na antiga casa da família Leão. “O espaço é muito interessante, carrega uma longa história e tem uma energia muito boa. A localização também é boa, praticamente central e na rota de outros espaços culturais. Existem várias formas de incentivar o uso de um espaço cultural, assim como assessoria de imprensa, convites e divulgação porque uma exposição exige um investimento inicial com o qual muitas vezes o artista tem que arcar. É muito interessante e atraente para novos artistas a ajuda para material de divulgação, montagem, etc”.

O Palacete dos Leões também abre as portas para outras atividades culturais como oficinas, pequenos concertos, lançamento de livros ou CDs e palestras. Nestes casos, será observada a disponibilidade de data, bem como a capacidade máxima de pessoas no local. As propostas deverão ser apresentadas com no mínimo 30 (trinta) dias de antecedência em relação à data pretendida.

Espaço Cultural BRDE – Mantido e coordenado pelo BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, o Espaço Cultural iniciou suas atividades em junho de 2005, no Palacete dos Leões, construção histórica de Curitiba, e desde então já recebeu mostras das mais variadas técnicas e linguagens. Além das exposições de artes visuais, também possibilitou apresentações de grupos musicais e lançamentos de livros. Considerado pelos artistas como um espaço nobre, o casarão da Rua João Gualberto, no Bairro Alto da Glória, por si só é uma obra de arte. Concluída em 1902, para ser residência da família de Ermelino de Leão Júnior, a construção é tombada pelo patrimônio histórico e é testemunho do ciclo da erva mate, um dos períodos mais prósperos da economia paranaense.

O regulamento para apresentação de propostas encontra-se disponível no site www.brde.com.br, e maiores informações podem ser obtidas no local.

Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões
(41) 3219-8056

Poliana Dal Bosco
Estagiária / ASCOM
Fone: 41 3219.8035
Fax: 41 3219.8153

www.brde.com.br

USHA RAMANLAL, MESTRE EM MEDITAÇÃO no MOURISCO / rio de janeiro

convite palestra Usha Ramanlalconvite palestra Usha Ramanlal 2

ARTETERAPIA, PÓS-GRADUAÇÃO NO ISEPE / curitiba

Arteterapia

Olá!

O ISEPE oferece em Curitiba o curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Arteterapia. Se você tem interesse em adquirir conhecimentos para utilizar a Arte como ferramenta terapêutica, aproveite esta oportunidade para ingressar na 32° turma de Arteterapia do ISEPE.

O início do curso está confirmado para o dia 26 e 27 de setembro, com o primeiro módulo:LITERATURA E POESIA – “O contador de histórias”, com a palestra Scheherazade – a tecelã das palavras, fundamentado em Walter Benjamin, que tratou do tema “narrar e curar”, ministrado pela professora MSc. Rosi Mariana Kaminski.

Horário:
A palestra será no sábado das 8h30 até as 11h. No domingo a aula inicia às 8h e terminará às 18h, com intervalo para almoço.

Local:
Este curso será ministrado no Hotel Paraná Suite, próximo ao Shopping Estação, na Rua Lourenço Pinto, 456 – no centro de Curitiba – PR. Para achá-lo no mapa, clique aqui.

Para as demais mensalidades, receba 10% de desconto na pontualidade. Se você ainda não fez sua matrícula não perca mais tempo, ligue agora mesmo para 41 3091-8080 e informe-se sobre a matrícula ou venha até a sede do ISEPE, na Rua Comendador Araújo, 143 18°andar do Executive Center Everest, no centro de Curitiba.

Venha participar da melhor turma de Arteterapeutas em Curitiba!

Atenciosamente,

Elizabeth Freitas
Pós-ISEPE Curitiba
Instituto Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão
Fone: 41 3091-8080 ou 8439-4909
atendimentopos@isepe.com.br
www.isepe.com.br

O ISEPE atende a todas as recomendações do MEC para oferecer cursos de Pós-Graduação Lato Sensu. Credenciamento no MEC: Portaria nº 579, de 04 de março de 2002, publicada no DOU em 05 de março de 2002.
Caso o número mínimo de 25 alunos não seja alcançado, o ISEPE reserva-se ao direito de adiar o início do curso ou devolver a taxa referente à matrícula, se solicitado pelo aluno.

CHARLES BUKOWSKI entrevistado pelo ator SEAN PENN / los angeles.ca

quinze anos passados desde a morte do escritor (09/03/1994), reproduzimos uma célebre entrevista feita pelo ator Sean Penn. O encontro ocorreu em 1987, quando o ator estava em Los Angeles para protagonizar Barfly, um filme-biografia sobre a vida de Bukowski, que ultrapassou em muito o território da literatura. Na última hora, porém, Sean perdeu o papel que foi entregue a Mickey Rourke. A entrevista se manteve e tornou-se memorável. Por razões de edição, a intervenção de Sean Penn concentra-se em escolher assuntos, pontos, questões que Charles Bukowski enfrenta como sempre: debochadamente, desbocadamente, cinicamente e… apaixonadamente, como era do feito daquele último beatnik, primeiro punk, amante das mulheres, das corridas e proprietário de frases e pensamentos sem freios.

BARES:
“Eu não vou muito a bares. Tirei isso do meu sistema. Hoje, quando entro num bar, sinto náuseas. Freqüentei muito, enche o saco. Os bares servem para quando somos jovens e queremos brigar, dar uma de macho, arrumar umas mulheres. Na minha idade, eu não preciso mais dessas coisas. Agora só entro nos bares para urinar. Às vezes, entro e já começo a vomitar”.

ÁLCOOL:
“O álcool é provavelmente uma das melhores coisas que chegaram à Terra, além de mim. Nos entendemos bem. É destrutivo para a maioria das pessoas, mas eu sou um caso à parte. Faço todo o meu trabalho criativo quando estoubukowski025intoxicado. O álcool, inclusive, me ajudou muito com as mulheres. Sempre fui reticente durante o sexo, e ele me permitiu ser mais livre na cama. É uma liberação porque basicamente eu sou uma pessoa tímida e introvertida, e ele me permite ser este herói que atravessa o espaço e o tempo, fazendo uma porção de coisas atrevidas… O álcool gosta de mim.”

FUMAR:
“O cigarro e o álcool se equilibram. Certa vez, ao despertar de uma embriaguês, notei que havia fumado tanto que minhas mãos estavam amarelas, quase marrons, como se eu tivesse colocado luvas. E passei a reclamar: ‘Droga! Como estarão os meus pulmões?’”

BRIGAR:
“A melhor sensação é quando você acerta um sujeito que todo mundo acha impossível. Certa ocasião enfrentei um cara que estava me xingando. Falei pra ele: ‘Tudo bem, venha’. Não tive problema – ganhei a briga facilmente. Caído no chão, com o nariz ensangüentado, ele falou: ‘Jesus, você se move tão lentamente que pensei que seria fácil. Mas quando começou a briga, eu não conseguia nem ver as tuas mãos. O que aconteceu?’. Respondi: ‘Não sei, cara. As coisas são assim. Um homem se prepara para o dia que precisa’.”

GATOS:
“É bom ter um monte de gatos em volta. Se você está mal, basta olhar pra eles e fica melhor, porque eles sabem que as coisas são como são. Não tem porque se entusiasmar com a vida, e eles sabem. Por isso, são salvadores. Quantos mais gatos um sujeito tiver, mais tempo viverá. Se você tem cem gatos, viverá dez vezes mais que se tivesse dez. Um dia, isso será descoberto: as pessoas terão mil gatos e viverão para sempre.”

MULHERES, SEXO:
“Eu as chamo de máquinas de queixas. As coisas entre elas e os homens nunca estão bem para elas. E quando vêm com essa histeria… Ah, eu tenho que sair, pegar o carro, ir embora para qualquer lugar. Tomar café em algum canto, fazer qualquer coisa, menos encontrar outra mulher. Acho que elas são feitas de maneira diferente, não? Quando a histeria começa, o cara tem de ir embora e elas não entendem porque. ‘Onde vai?’, gritam. ‘Vou à m…, querida!’. Pensam que sou um misógino, mas não é verdade. É fofoca. Ouvem por aí que Bukowski é ‘um porco chauvinista’, mas não vêm de onde partiu o comentário. Verdade! Às vezes, eu pinto uma má imagem das mulheres nos meus contos, e faço a mesma coisa com os homens. Até eu me ferro nesses escritos. Se realmente não gostar de uma coisa, digo que é ruim, seja homem, mulher, criança ou cachorro. As mulheres são tão encanadas que pensam que são meu alvo especial. Esse é o problema delas.”

PRIMEIRA VEZ:
“Minha primeira vez foi insólita. Não sabia como fazer, e ela me ensinou todas essas coisas de sacanagem. Lembro que ela dizia: ‘Hank, você é um bom escritor, mas não sabe nada sobre as mulheres.’ ‘O que você está dizendo? Eu já estive com uma porção de mulheres.’ ‘Não, não sabe nada. Vou te ensinar algumas coisas.’ Concordei. Depois, e ela disse: ‘Você é bom aluno, entende rápido’. [Bukowski faz cara de envergonhado. Não pelos detalhes, mas pelo sentimento da lembrança.] Mas esse assunto de … Eu gosto de servir a mulher, mas isso tudo tá tão exagerado! O sexo só é bom quando você não o faz.”

ESCREVER:
“Escrevi um conto a partir do ponto de vista de um violentador de uma menininha. E as pessoas passaram a me acusar. Diziam: ‘Você gosta de violentar criancinhas?’. Eu disse: ‘Claro que não. Estou fotografando a vida’. De repente, estava envolvido com uma porrada de problemas. Por outro lado, os problemas vendem livros. Em última instância, eu escrevo para mim. [Bukowski dá uma longa tragada em seu cigarro.] É assim. A tragada é para mim, a cinza é para o cinzeiro. Isto é publicar. Nunca escrevo de dia porque é como ir pelado a um supermercado – todos te podem ver. À noite é quando saem os truques da manga… E vem a magia.”

POESIA:
“Faz séculos que a poesia é quase um lixo total, uma farsa. Tivemos grandes poetas, entenda bem. Existiu um poeta chinês chamado Li Po que tinha a capacidade de colocar mais sentimento, realismo e paixão em quatro ou cinco simples linhas que a maioria dos poetas em suas doce ou treze páginas de m… Li Po bebia vinho também e costumava queimar seus poemas, navegar pelo rio e beber vinho. Os imperadores o amavam porque entendiam o que ele dizia. Lógico que ele só queimou os maus poemas. O que eu quis fazer, desculpem, é incorporar o ponto de vista dos operários sobre a vida… Os gritos de suas esposas que os esperam quando voltam do trabalho. As realidades básicas da existência do homem comum… Algo que poucas vezes se menciona na poesia há muito tempo.”

SHAKESPEARE:
“É ilegível e está demasiadamente valorizado. Só que as pessoas não querem ouvir isso. Ninguém pode atacar templos. Shakespeare foi fixado à mente das pessoas ao longo dos séculos. Você pode dizer que fulano é um péssimo ator, mas não pode dizer que Shakespeare é uma m… Quando alguma coisa dura muito tempo, os esnobes começam a se agarrar a ela como pás de um ventilador. Quando os esnobes sentem que algo é seguro, se apegam. E se você lhes disser a verdade, eles se transformam em bichos. Não suportam a negação. É como atacar o seu próprio processo de pensamento. Esses caras me enchem o saco.”

HUMOR E MORTE:
“Para mim, o último grande humorista foi um cara chamado James Thurber. Seu humor era tão real que as pessoas gritavam de rir, como numa liberação frenética. Eu tenho um ‘fio cômico’ e estou ligado a ele. Quase tudo o queCHARLES BUKOWISKI - FOTOsem títuloacontece é ridículo. Defecamos todos os dias – isso é ridículo, não? Temos que continuar urinando, pondo comida em nossas bocas, sai cera de nossos ouvidos… As tetas, por exemplo, não servem para nada, exceto…”.

NÓS:
“A verdade é que somos umas monstruosidades. Se pudéssemos nos ver de verdade, saberíamos como somos ridículos com nossos intestinos retorcidos pelos quais deslizam lentamente as fezes… enquanto nos olhamos nos olhos e dizemos: ‘Te amo’. Fazemos e produzimos uma porção de porcarias, mas não peidamos perto de uma pessoa. Tudo tem um fio cômico.”

GANHAR:
“E depois de tudo, morremos. Mas a morte não nos ganhou. Ela não mostrou nenhuma credencial; nós é que nos apresentamos com tudo. Com o nascimento, ganhamos a vida? Não, verdadeiramente, mas a f.da p. da morte nos sufoca… A morte me provoca ressentimento, a vida também, e muito mais estar pressionado entre as duas. Você sabe quantas vezes eu tentei o suicídio? Me dá um tempo, tenho só 66 anos. Quando alguém tem tendências suicidas, nada o incomoda, exceto perder nas corridas de cavalos.”

AS CORRIDAS:

“Durante um tempo quis ganhar a vida com as corridas de cavalos. É doloroso, vigoroso. Tudo está no limite, o dinheiro do aluguel, tudo. É preciso ter cuidado. Uma vez, eu estava sentado numa curva, haviam doze cavalos na disputa, todos amontoados. Parecia um grande ataque. Tudo o que eu via era essas grandes traseiras de cavalos subindo e descendo… Pareciam selvagens. Pensei: ‘Isso é uma loucura total’. Mas tem outros dias em que você ganha 400 ou 500 dólares, ganha oito ou nove corridas, e se sente Deus, como se soubesse tudo.”

AS PESSOAS:
“Não olho muito as pessoas. É perturbador. Dizem que se você olha muito para uma outra pessoa acaba ficando parecido com ela. Pobre Linda! Na maioria das vezes eu posso passar sem as pessoas. Elas me esvaziam e eu não respeito ninguém. Tenho problemas nesse sentido. Estou mentindo, mas, creia-me: é verdade.”

A FAMA:
”É uma cadela, é a maior destruidora de todos os tempos. A fama é terrível, é uma medida numa escala do denominador comum que sempre trabalha num nível baixo. Não tem valor nenhum. Uma audiência seleta é muito melhor.”

SOLIDÃO:
”Nunca me senti só. Durante um tempo fiquei numa casa, deprimido, com vontade de me suicidar, mas nunca pensei que uma pessoa podia entrar na casa e curar-me. Nem várias pessoas. A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só. Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente. Cito uma frase de Ibsen: ‘Os homens mais fortes são os mais solitários’. Viu como pensa a maioria: ‘Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?’. Eu respondo sim porque não tem nada lá fora. É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem eles, entre eles. Nunca tive a ansiedade de cair na noite. Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas. Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.”

TEMPO LIVRE:
“É muito importante e temos que parar por completo, não fazer nada por longos períodos para não perdê-los inteiramente. Ficar na cama olhando o teto. Quem faz isso nesta sociedade moderna? Pouquíssimas pessoas. Por isso é que a maioria está louca, frustrada, enojada e com ódio. Antes de me casar, ou de conhecer muitas mulheres, eu baixava as cortinas e me punha na cama por três ou quatro dias. Levantava só para ir ao banheiro e comer uma lata de feijão. Depôs me vestia e saía à rua. O sol brilhava e os sons eram maravilhosos. Me sentia poderoso como uma bateria recarregada.”

BELEZA: “A beleza não existe, especialmente num rosto humano – ali está apenas o que chamamos fisionomia. Tudo é um imaginado, matemático, um conjunto de traços. Por exemplo, se o nariz não sobressai muito, se as costas estão bem, se as orelhas não são demasiadamente grandes, se o cabelo não é muito comprido. Esse é um olhar generalizante. A verdadeira beleza vem da personalidade e nada tem a ver com a forma das sobrancelhas. Me falam de mulheres que são lindas… Quando as vejo, é como olhar um prato de sopa.”

FIDELIDADE:
“Não existe. Há algo chamado deformidade, mas a simples fidelidade não existe.”

IMPRENSA:
“Aproveito as coisas más que dizem sobre mim para aumentar a venda de livros e me sentir malvado. Não gosto de me sentir bem porque sou bom. Mas, mau? Sim, me dá outra dimensão. Gosto de ser atacado. ‘Bukowski é desagradável!’ Isso me faz rir, gosto. ‘É um escritor desastroso!’ Rio mais ainda. Mas quando um cara me diz que estão dando um texto meu como material de leitura numa universidade, fico espantado. Não sei, me assusta ser muito aceito. Parece que fiz alguma coisa errada.”

O DEDO:
[Ergue o dedo mínimo de sua mão esquerda] “Você viu alguma vez este dedo? [O dedo parece paralisado em forma de “L”]. Quebrei uma noite, bêbado. Não sei porque, ele nunca voltou ao normal. Mas funciona bem para a letra ‘a’ da máquina de escrever, e – que mistério! – acrescenta coisas aos meus personagens.”

VALENTIA:
“Falta imaginação à maioria das pessoas supostamente valentes. É como se não pudessem conceber o que aconteceria se alguma coisa saísse mal. Os verdadeiros valentes vencem a sua imaginação e fazem o que devem fazer.”

MEDO:
“Não sei nada sobre isso.” [Ri]

VIOLÊNCIA:
“Acho que, na maioria das vezes, a violência é mal interpretada. Faz falta uma certa violência. Existe em nós uma energia que precisa ser liberada. Se ela for contida, ficamos loucos. Às vezes, chamam de violência à expulsão da energia com honra. Existe loucura interessante e loucura desagradável; há boas e más formas de violência. Sei que é um termo vago, mas ela fica bem se não acontecer às custas dos outros.”

DOR FÍSICA:
“Com o tempo, o cara se endurece e agüenta. Quando eu estava no Hospital Geral, um cara entrou e disse: ‘Nunca vi ninguém agüentar a agulha com tanta frieza’. Ora, isso não é valentia. Se o sujeito agüenta, alguém cede. É um processo, um ajuste. Mas não existe maneira de se acostumar com a dor mental. Fico longe dela.”

PSIQUIATRIA:
“O que conseguem os pacientes psiquiátricos? Uma conta. Creio que o problema entre um psiquiatra e seu paciente é que o psiquiatra atua de acordo com o livro, ainda que o paciente chegue pelo que a vida lhe fez. E mesmo que o livro possa ter certa astúcia, as páginas sempre são as mesmas e cada paciente é diferente. Existem muito mais problemas charles-bukowskiindividuais que páginas. Tem muita gente louca para resolvê-los, dizendo: ‘São tantos dólares por hora e quando a campainha tocar a sessão estará terminada’. Isso só pode levar um cara um pouco louco à loucura total. Quando as pessoas começam a se abrir e sentir bem, o psiquiatra diz: ‘Enfermeira, marque a próxima consulta’. O cara tá aí para sugar, não para curar. Quer o teu dinheiro. Quando toca a campainha, que entre o louco seguinte. Aí o louco sensível vai perceber que quando toca a campainha, é sinal que o f… Não existem limites de tempo para curar a loucura. Muitos psiquiatras que vi parecem estar no limite deles mesmos, mas estão bem acomodados. Ah, os psiquiatras são totalmente inúteis. Próxima pergunta…”

FÉ:
“Tudo bem que as pessoas a tenham, mas não me venham enfiar isso na cabeça. Tenho mais fé no encanador que no Ser Eterno.”

CINISMO:
“Me chamaram sempre de cínico. Creio que o cinismo é uma uva amarga, uma debilidade. É dizer: ‘Tudo está uma m… Isso não tá bom, aquilo tá ruim’. O cinismo é a debilidade que evita que nos ajustemos ao que acontece no momento. O otimismo também é uma debilidade: ‘O sol brilha, os pássaros cantam, sorria.’ Isso é uma m… igual. A verdade está em algum ponto entre os dois. O que é, é. Se você não está disposto a suportar a verdade, dane-se!”

MORALIDADE CONVENCIONAL:
“Pode ser que não exista o inferno, mas os que julgam podem perfeitamente criá-lo. As pessoas estão muito domesticadas. O cara tem que ver o que acontece e como vai reagir. Vou usar um termo estranho aqui: o bem. Não sei de onde vem, mas sinto que existe um componente de bondade em cada um de nós. Não acredito em Deus, mas creio nessa ‘bondade’ como um tubo que está dentro de nossos corpos e que pode ser alimentada. Ela é sempre mágica quando, por exemplo, numa estrada sobrecarregada de automóveis, um estranho te oferece lugar para mudar de mão.”

SOBRE SER ENTREVISTADO:
“É vergonhoso e, por isso, nem sempre digo toda a verdade. Gosto de brincar e mentir um pouco. Daí que dou informações falsas só pelo gosto de distrair. Se quiserem saber alguma coisa de mim, não leiam uma entrevista. Ignorem esta, também”.

O MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO APRESENTA O SEU RECENTE “BEST SELLER”

REVISTA "VIP" para "MODELOS".

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o mercado editorial brasileiro produz e distribui, de forma massiva, em livrarias e bancas de jornais, esta formidável revista de entretenimento e cultura para as nossas jovens que sonham em ser modelos de grandes grifes ou “relações públicas” de casas de espetáculo. a manchete da revista mostra como ela tem a intenção e pode “ajudar” as meninas brasileiras a se encaminharem na vida “profissional”. indico tal revista, como uma das representantes do mercado editorial, para receber TODOS os prêmios de literatura nacionais. enquanto isso, o judiciário brasileiro censura a nossa imprensa por publicar crimes de natureza pública.

jb vidal

COMO SE POLUI UM RIO (PARTE I) por gil portugal / rio de janeiro

Em realidade, despoluir ou não poluir um rio é uma tarefa de múltiplas facetas e exige atuações postas tais quais um feixe de retas paralelas em uma mesma direção.

Em primeiro lugar, para coordenar idéias, compete definir aquilo que é, para um rio, o seu elemento ou elementos vitais, a partir de que ele será um rio “com saúde”.

Desculpem-me se, daqui para frente, passarei a escrever sobre o óbvio mas, se o farei, nada mais é que para ordenar a linha de pensamento.

Na massa d’água corrente de um rio existem um sem número de organismos vivos dos reinos vegetal e animal e em todos os graus de entrosamento. É um ecossistema. E a Natureza nos ensina que todo ecossistema tem que viver harmoniosamente.

Vejamos, para começar, o reino animal que está presente no rio. A grande maioria de seus membros, devido ao rio, sobrevive, porque ali se alimenta e respira (oxigênio) ar e por isso, eles são animais aeróbios. Se não existissem no rio alimento ou ar eles morreriam. Com isso, tira-se a primeira conclusão: o ar, isto é, o oxigênio é peça indispensável para a sobrevivência do ecossistema, da mesma forma que o alimento, como para qualquer animal, e que, neste caso é a matéria orgânica. Acontece que a respiração é a função primordial, visto que, à sua falta o animal perece de imediato, donde se conclui que o oxigênio é a matéria prima fundamental para a sobrevivência do ecossistema rio.

Basicamente, o oxigênio estará presente na massa líquida por dois processos: a diluição em contato com o ar atmosférico e a fotossíntese devida aos vegetais. E aí, podemos chegar à primeira grande conclusão: se não houver diluição de contato e fotossíntese somadas em quantidade suficiente, fornecendo oxigênio para atender a fauna, ela perecerá gradativamente, até a posição de equilíbrio com a demanda.

O animal respira oxigênio e expira CO2 (dióxido de carbono), se alimenta de matéria orgânica e a transforma em minerais; a planta absorve o CO2 e através da fotossíntese, regenera o oxigênio.

Essa teoria é límpida e certa e com ela, podemos analisar um a um os fatos que fazem “adoecer” um rio e, com isso, nominar cada reta do nosso feixe de paralelas citado. Vejamos:

Desmatamentos – A retirada de um vegetal do solo ou mesmo sua morte, enfraquecerá a resistência mecânica desse solo graças a fixação que havia pelas raízes. Ao perder essa resistência, as águas de chuva iniciam um processo de erosão que, invariavelmente, mesmo que longe do curso d’água, irá carregar para os leitos desse curso, quantidades anormais de sólidos, levando ao processo de assoreamento.

O assoreamento conduz a dois acontecimentos, um deles de caráter não ambiental propriamente dito, que é a diminuição da seção fluída e com isso, provocará alagamento extra-caixa do rio e o outro ambiental, que se dá pelo soterramento dos vegetais de fundo e inibição da penetração para eles do oxigênio, passando, aí, a ocorrer outro processo de decomposição do material orgânico soterrado – sem a presença de oxigênio – através de organismos ditos anaeróbios (que não necessitam do oxigênio dissolvido para respirarem) mas que, ao invés de darem como produto o dióxido de carbono e minerais (insumos para a fotossíntese), produzirão gases derivados de carbono e do enxofre como o metano, as mercaptanas e os gases sulfurosos, venenos para a fauna aeróbia.

Agrotóxicos – São substâncias utilizadas em plantações com a finalidade de matar organismos nocivos à saúde dessas plantações; evidentemente que, essas substâncias, mais cedo ou mais tarde, pelas chuvas, serão carreadas para um curso d’água, continuando ali seu efeito tóxico sobre outros organismos que não aqueles a que se destinavam eliminar. Tais organismos, principalmente os microorganismos, são exatamente aqueles que se encarregam de fazer a decomposição das substâncias orgânicas no seio da massa líquida e se eles estão mortos ou doentes, funcionarão como mais alimentos a serem consumidos, ao invés de transformadores de alimentos.

Adubos – São substâncias colocadas em plantações com a finalidade de abastecê-las de seus elementos vitais como o nitrogênio, o potássio e o fósforo, são as “vitaminas” da flora e estimulam seu crescimento. De uma forma ou de outra, parte desses adubos serão carregados para os rios e ali incentivarão o crescimento dos vegetais aquáticos, principalmente os minúsculos como as algas e esse crescimento exagerado fará acontecer o fenômeno de eutrofização (proliferação exagerada de vegetais) que turvará de verde as águas, dificultando a penetração de luz solar, imprescindível à fotossíntese (que é geradora de oxigênio).

Barragens – O turbilhonamento das águas é fator que facilita a dissolução de oxigênio do ar na água. Se as águas ficam tranqüilas, caso das águas barradas, a tendência à oxigenação diminui à montante (antes) da barragem e também, fica facilitada a deposição de poluentes pesados que comprometem o ecossistema; de positivo, nesse caso, há um favorecimento na depuração das águas à jusante (depois).(continua…)

angela – de jorge barbosa filho / curitiba

angela

essa moça

quando canta blues

lembra a leveza

de um zagueiro

do Bangu.

e quando canta

leva a certeza

de um drible de língua

e um beijo

por de baixo das pernas.

essa moça canta

uma partida

de um amor perdido

mas no último minuto

ganha-o no grito.

horas ácidas – de charles silva / florianópolis

seis horas
ela já vem vaidosa
de corpete liga e lingerie
a noite é uma fêmea impecável
sombra e rímel realçam a malícia
as unhas compridas aguardam o descuido das presas
são fantasmas que como eu percorrem os becos em busca de gozo fácil

sete e meia
o amendoim salgado alegra o gosto adocicado da cerveja
mulheres passam tingindo pêlos passos pensamentos
o que há em mim de fantasma não se apressa
o blefe da noite é comprido
os jogos noturnos implicam baralhos sutis
são lances de olhares coringas febris e damas que trocam seus pares

oito e quarenta e sete
um fantasma perambula pelas ruas da cidade
o mistério dessas margens é fazer dos habitantes uma ilha
por não saber nadar fico preso seco e viro pó

dez gramas e meio
agora o copo é de uísque
novos fantasmas sorriem pra mim
desenvolvo argumentos fantásticos que nunca usei
pensá-los assim tão vivos alegres arregalados assusta
da janela uma mulher astuta me deseja
ou deseja apenas o que a língua acusa

um ácido e meio
a ilha inteira flutua
surfistas abotoam o vestido das ondas
por que meus pais não me contaram essa história?
bungee jumpo-me do mundo!

duas torradas com pasta de cogumelo
as cadeiras jantam os garçons
corro e caio e exponho os ossos
ergo-me lobato cobra norato aladim
os ladrões de ali babá já somam dezesseis bentos
alice mata um coelho
bovary papa um convento

cinco ecstasys e meio da madrugada
pouca ilha… muita água
a língua trava

INTI PEREDO – 40 ANOS DA MORTE DE UM BRAVO – por manoel de andrade / curitiba

Após quatro meses no Chile, cheguei em La Paz em 02 de setembro de 1969. Trazia uma referência de Santiago para contato com um membro de Exército de Liberação Nacional da Bolívia (ELNB), onde pretendia ingressar.

Ambientava-me ainda na cidade, quando ao fim daquela primeira semana o país foi sacudido por uma trágica notícia: o guerrilheiro Inti Peredo, comandante do ELNB fora morto por forças combinadas da Polícia e do Exército num bairro central  de La Paz.

Lugar-tenente de Che Guevara na guerrilha boliviana, sobrevivente do trágico combate na Quebrada do Yuro em outubro de 1967, estrategista da audaciosa retirada pela fronteira com o Chile, onde o esperava o senador Salvador Allende e reorganizador da luta armada na Bolívia depois da morte do Che, o guerrilheiro Inti Peredo, morreu assassinado aos 32 anos, no dia 09 de setembro de 1969.

Nascido em 30 de abril de 1937, em Cochabamba, Alvaro Inti Peredo Leigue era  filho do escritor boliviano Rômulo Peredo. Aos 13 anos já militava no Partido Comunista Boliviano, seguindo muito jovem para estudar na escola do Partido no Chile e dali para Moscou em 1962 para um curso político. No ano seguinte, já de volta, desloca-se para o norte da Argentina, dando apoio ao Exército Guerrilheiro do Povo, dirigido pelo jornalista Jorge Ricardo Masetti, na região de Salta. Posteriormente colabora com a guerrilha peruana e em 1966 faz treinamento militar em Cuba. Volta a Bolívia em 1967, rompe com Mario Monje, secretário geral do Partido Comunista Boliviano e adere à guerrilha comandada por Che Guevara.

Sobrevivente de Ñacahuazu, escapa pela fronteira do Chile, volta a Cuba e em maio de 1969 retorna clandestinamente à Bolívia para reorganizar a guerrilha. Dois meses depois, lança sua mensagem “Voltaremos às Montanhas”, que comoveu o opinião pública do país e deu início a sua brutal perseguição por parte do governo. Delatado seu esconderijo em La Paz, a casa  foi cercada  e sozinho resistiu por uma hora ao ataque de 150 policiais e militares, até que uma granada lançada por uma janela o feriu gravemente.  Arrombada a porta, finalmente foi preso, sem jamais ter se rendido.

Inti Peredo foi selvagemente torturado pelo seu heroico silêncio e barbaramente assassinado a cuteladas de fuzil pelo sanguinário coronel Roberto Toto Quintanilla, o mesmo que mandou cortar as mãos do cadáver do Che, em La Higuera.

Diante de sua morte, meus planos foram totalmente frustrados. Convidado, naqueles dias para participar do Segundo Congresso Nacional de Poetas,  a realizar-se em Cochabamba,  entre 22 e 27 de setembro, transformei minha frustração e minha revolta em versos escrevendo  um poema em homenagem a Inti Peredo,  para dizê-lo, correndo todos os riscos, em pleno Congresso.  Foi meu primeiro poema escrito em espanhol e no dia 25, ao encerrar minha apresentação ante o grande auditório do Palácio da Cultura, declamei o poema: “El guerrilleiro”, explicitando meu tributo poético ao grande combatente assassinado há duas semanas em La Paz.

A Bolívia, naqueles dias, respirava uma pesada atmosfera de golpe e em 26 de setembro cai o presidente democrata Luis Adolfo Siles Salinas e toma o poder e general Alfredo Ovando Candia, responsável pelo grande massacre de mineiros, em junho de 1967, conhecido como “La noche de San Juan”. No dia seguinte fui detido, interrogado e posteriormente liberado por intervenção dos organizadores do Congresso, com a condição que deixasse o país em 48 horas.

Neste 09 de setembro de 2009, solidário com a memória das lutas da América Latina e comemorando o aniversário de morte de Inti Peredo, publico aqui  o poema “ O guerrilheiro”,  em espanhol, escrito exatamente há quarenta anos, em Cochabamba, como meu lírico tributo a um dos maiores revolucionários do Continente.

coco_peredo_nato_loyola_guzman_Inti_402x256na foto: coco peredo, nato, loyola guzmán e inti peredo na selva boliviana.

El guerrillero

En memoria de Inti Peredo

El guerrillero, señores

es un sueño armado que marcha

en el suelo injusto de la patria.

Sabe que quien tiene la tierra

no la reparte sin guerra…

y en ese áspero camino

es um pájaro sin nido

migrando para el porvenir.

.

el guerrillero, señores

es una flor clandestina

que se abre en la mata inmensa

cuando los ecos de la montaña

rompen el silencio del tiempo

y revelan el puño escondido

en las manos agrarias de un pueblo.

.

Su cuerpo… es su trinchera,

su vida por una bandera…

por su honor, por su fe

y su destino trazado.

Si cae… sigue erguido en la verdad

cuando la voz de la libertad

sorviendo la taza de hiel

es un grito asesinado.

.

Ay qué dureza en tus puños

hijo querido del pueblo.

Con qué ternura forjaste

tu corazón de granada

Pues abatieron este hombre

es la esperanza sangrada

y vivo está con su fuego

renaciendo en cada niño

ay, niño sin hogar, sin pan

tu heroico padre de estaño

fue minero masacrado

en una noche de San Juan

.

En la memoria del pueblo

en la sangre continental

fue tu estatua de espanto

que yo esculpí con mi canto

con mi dolor de extranjero

ay, hermano boliviano

ay, un sol asesinado

en tu cuerpo de sendero.

.

pero el alba rompe el día

en la patria y en el corazón

y vivo estás compañero

en el rastro azul de tus pasos.

Ay qué destino tan lindo

América como bandera…

Señores, no tengo patria

soy latino y americano

y e1 guerrillero más bravo

no conoció las fronteras.

.

Compañeros, camaradas

ya es la hora de partir…

Camilo Torres, Guevara

Inti Peredo y Sandino

enseñaron que el sueño

es la palanca del destino.

Pues canten siempre en mi canto

los mártires de la libertad

pocos pueden presentir

que detrás del velo del tiempo

los coágulos de su sangre

son el pan del porvenir.

.

Cochabamba, septiembre de 1969

Este poema, en versión bilingüe, consta del libro

POEMAS  PARA A LIBERDADE, editado por Escrituras

BORRA ASSINADA de lilian reinhardt


(líricas de um evangelho insano)

No fundo da xícara
a borra do meu olhar.
Dos olhos borrados de pó,
de orvalho salgado,
no (dó)i do teclado que ouço
e não entendo…
meu olhar geométrico
se perde na mancha abstrata,
onde assino?!

CONSIDERAÇÕES PESSOAIS EM TORNO DE FERNANDO PESSOA, OFÉLIA E ÁLVARO DE CAMPOS – por zuleika dos reis / são paulo


Álvaro de Campos se intrometeu e destruiu o romance entre Fernando Pessoa e Ofélia Queirós.

Amar um homem sabendo que ele nos ama e que também é outro que nos odeia. Perceber, aos poucos, que este outro vai ganhando mais e mais força, vai nos exilando daquele que, nele mesmo, nos ama; saber também que somos uma e apenas uma. Conviver com essa inalienável unidade e, tendo somente dezenove anos, nos sentirmos obrigada a compreender a dualidade essencial do ser amado e a aceitá-la, a esta dualidade que é, de certo modo, a nossa sentença de morte.

Álvaro de Campos venceu. Paladino da literatura, guerreiro da palavra, ganhou definitivamente Pessoa para si e para Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares e outros mais. Para isso, Ofélia teve que ser sacrificada. Hamlet português, Ofélia portuguesa, que não enlouqueceu, que guardou durante muitos anos, no anonimato e na clausura de um cofre, as cartas de amor de seu poeta. Durante quinze anos, esperou por ele de algum modo, esperou por uma rendição de Álvaro de Campos e dos outros a Fernando Pessoa, na verdade rendição de todos a um outro do Fernando Pessoa ele – mesmo, como o poeta se auto intitulava, e que era apenas mais um heterônimo.

Esperou em vão, a literatura venceu. Ganhamos todos. Algo se perdeu? Quem o perdeu? O que teria sido se, em determinado dia de um distante outubro do começo do século XX, Fernando Pessoa não tivesse dado à luz Álvaro de Campos? E se este, nos dezenove anos de Ofélia, não tivesse manifestado a força e a vontade implacáveis que afastaram Fernando de Ofélia? Existiria a Obra que houve, que há? Afinal, o que teria existido se o grande poeta houvera optado por viver, ao invés de navegar… e navegar… e… navegar?

Só temos o que temos, só existe o que existe e em mim esta repentina dor quando penso naquela musa quase adolescente a tomar parte, meio sem consciência, de tal batalha entre o amor e a palavra poética; de tal luta, no interior do ser, entre o poeta com sua dor existencial feita de indagações, de respostas sempre provisórias, de certezas nenhumas e o homem desejoso do simples amor humano e destinado à perpetuação da espécie: homem abdicado, anestesiado, por vontade própria, da consciência trágica inerente à condição de se existir e de se ser.

Venceu a Poesia. Vencemos nós. Perdeu Ofélia? Perdeu Fernando? Toda e qualquer resposta se esvai sem deixar rastro. Venceu a literatura para a qual os nomes e os destinos pessoais acabam por não ter, no decorrer da História, a menor importância.

ESPERA de otto nul / palma sola.sc

Espero-o

Não vem

Já andei em círculo

Contei carneirinhos no céu

Li um artigo num jornal

Conversei sobre o tempo

Com um desconhecido

Dei uma volta na praça

Tomei cafezinho

Fui até uma esquina e voltei

Vi duas vezes o mesmo ônibus passar

O relógio marcava uma hora a mais

Espero-o

Não virá nunca

A FORMIGA & A CIGARRA (versão atualíssima) – captada na rede

arte livre.

arte livre.

Era uma vez, uma formiguinha e uma cigarra muito amigas. Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de inverno. Não aproveitou nada do Sol, da brisa suave do fim da tarde e nem o bate-papo com os amigos ao final do trabalho tomando uma cervejinha gelada. Seu nome era ‘Trabalho’, e seu sobrenome era ‘Sempre’.
Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou nem um minuto sequer. Cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o Sol, curtiu prá valer sem se preocupar com o inverno que estava por vir.
Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando.
A formiguinha, exausta de tanto trabalhar, entrou para a sua singela e aconchegante toca, repleta de comida. Mas alguém chamava por seu nome, do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu. Sua amiga cigarra estava dentro de uma Ferrari amarela com um aconchegante casaco de vison.
E a cigarra disse para a formiguinha: – Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris. Será que você poderia cuidar da minha toca? E a formiguinha respondeu: – Claro, sem problemas! Mas o que lhe aconteceu? Como você conseguiu dinheiro para ir à Paris e comprar esta Ferrari? E a cigarra respondeu: – Imagine você que eu estava cantando em um bar na semana passada e um produtor gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer show em Paris… À propósito, a amiga deseja alguma coisa de lá? – Desejo sim, respondeu a formiguinha. Se você encontrar o La Fontaine [autor da fábula original] por lá, manda ele ir para a puta que o pariu!!!


Moral da história :
Aproveite sua vida, saiba dosar trabalho e lazer, pois trabalho em demasia só traz benefício em fábulas do La Fontaine e ao seu patrão. Trabalhe, mas curta a sua vida. Ela é única!!! Se você não encontrar a sua metade da laranja, não desanime: procure sua metade do limão, adicione açúcar, pinga e gelo…


MENINA E PAI por jorge lescano / são paulo

In memoriam Luanda Lescano

A menina estica o braço, abre a mão, os delicados dedos improvisam uma coreografia. A mão do pai rasga o pão. A crosta dourada crepita em surdina, libera o morno aroma do miolo tenro. O homem deposita o pedaço de pão na mão da filha. A menina recebe a dádiva com gesto natural. Seus dentes repetem o som ao entrar em atrito com a casca, ela sorri, os olhos fixos no rosto do homem. Ele a observa. Seus olhos parecem procurar algo muito distante no espaço, ou talvez alguma imagem antiga. Sem o saber, ambos vivem um ritual.

Os gestos de dar e receber o pão são dos mais antigos da vida familiar, pois o pão é o primeiro alimento fabricado pelo homem. Até aquele momento fundador, a espécie se alimentava com o que conseguisse colher da natureza. A cozinha limitava-se a cozer verduras, raízes, assar a carne da caça e da pesca.

Houve um momento em que a mulher plantou a semente e a família deu início à cerimônia da espera da maturação. A família colheu a espiga, moeu o grão. A mãe fez massa da farinha e a levou ao forno de onde saiu transformada em pão. Não é improvável que naquele dia este fosse o único alimento consumido, para melhor apreciá-lo. É possível que aquele dia prefigurasse muitos outros em que o pão, tornado símbolo, se multiplicasse nas mãos do pai, do chefe da tribo, do messias. Desde então sua presença, ou ausência, revela a condição dos que se reúnem em torno da mesa.

Talvez o homem pense nisto, sequer de modo obscuro, ao entregar o pão e ver a filha apanhá-lo com seu sorriso de criança e sem hesitar levá-lo à boca. Talvez o pai tente imaginar se aquele instante virá a fazer parte das lembranças da menina quando ele não mais estiver no mundo. Talvez ela guarde para sempre o olhar do pai no momento da oferta. O silêncio e a lentidão com que se deu o ato permitem estas especulações.

O IMBECIL RETÓRICO por walmor marcellino /curitiba

WALMOR MARCELLINO FOTO 1

Estranhos e perigosos

Cultura essencialmente ágrafa ou insinuantemente letrada para os efeitos de exibir-se em público ‑ na verdade, só por ter ouvido falar de questões profundas e participado de aulas e comícios, e de fraternizar num clube ideológico-político de auto-apreciação-e-estima ‑ ele é o controverso perfeito idiota que não perdoa o Lula por ser inteligente demais sem diploma e lamenta que Fernando-Henrique Color Cardoso seja cultura das ciências sociais com verniz internacional de falar cinco idiomas. porém não passando de um gangasterzinho barato nas lides capitalistas. Onde você esteja, qualquer que seja o tema, a besta não se avexa de lhe ocupar a paciência com o que leu no noticiário de O Estado de S. Paulo, na Folha de S. Paulo, em “O Globo” e nas revistas Veja e Isto É,  ou ouviu algum jornalista comentando questão em entrevista momentosa. O imbecil “prêt-a-porter” da política, à direita ou à esquerda, quer ser notado e nomeado, porque se julga “um seu igual” em preocupação, compromisso e estudo.

1 – Ele é um produtor primário que filosofa: “não cresce uma planta ou um ‘pé-de-pau’ sem que Deus queira” (ou alguém que mande mais); “não se muda metal sem competência e ambiência”, e com apoio na sorte vamos buscando resultados”. O que pensa sempre lhe serviu aos usos e assim leva seu farnel de fatuidades. 2 – Ele tem uma profissão conceituada; é “técnico” e reputado sapiente no fazer produtivo para seu circuito de relações sociais interativas; e assim por que o ele ajuíza sobre sociedade e política pode ser tão constrangedor, exceto nele? 3 – Ele tem alguma herança na prática transformadora, da matéria prima em úteis ao mercado; mas desde nunca se sujeitou a aprendiz-técnico nem se entregou à manufatura; para poder manter livre a criatividade, a idéia de produtividade em seu sentido artesanal. Suas opiniões culturais e políticas constituem uma estultice independente e alegre com que se incha de preceitos. 4 – Ele tem uma atividade liberal sacramentada no convencionado “círculo superior” da sociedade civil e na política, porém um universo de interesses inextricados atou-lhe uma presilha ao umbigo com o qual dialoga sua estupidez e vitupera seus dissentimentos. À vista de todos que o invejam de sua prosódia fluente. 5 – Ele é da organização experimentada desse sistema e da produção capitalistas. E não são importantes os fatos que vão sendo vistos e julgados e sim como ele desempenha sua interveniência magistral: como pensa e procede na avaliação do que ocorre para convencer interlocutores, produtores e alvores e propor-lhes práticas produtivas, economicidades alterativas e políticas públicas subsidiárias. Sua palavra impositiva é a articulação dos lugares-comuns com as novas tecnologias virtuais. 6 – Ele é um processador intelectual, um demiúrgo dos acontecimentos que só poderão ir aparecendo necessariamente ressaltados pela significação que lhes empresta sua inteligência. Entrementes, ele reflete sobre a singularidade de sua função social, com o privilégio do seu entendimento e na esplendência de sua iluminação sobre o que lhe toca (sua radiante weltanschaaung!) Sua compreensão é inexcedível e sua valorização soberba.

Qualquer desses filhos das classes em conflito pode ser o cretino que lhe cospe ideologia da “classe privilegiada”, que tem um pensamento “científico-filosófico” peculiar porque “politicamente adequado senão “correto”, na justificação de todos os crimes e iniqüidades. E ele será um dos merdas com que tropeçamos todos os dias nas ruas, casas e repartições; e que lhe dirá algumas “palavras definitivas” sobre qualquer assunto do momento.

A ARTE com CANETA ESFEROGRÁFICA de JUAN FRANCISCO CASAS RUIZ / espanha

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Prêmios – de marilda confortin / curitiba


Tenho na minha sala, uma lareira velha toda enfeitada de troféus e diplomas que ganhei pela vida afora. Modéstia a parte, sou foda.

Aquele troféu bonito ali na frente é de TIRO ao ALVO. A mosca morta no centro, sou eu.

E aquela taça dourada é de quando fui campeã mundial de BOLA FORA. Não dei uma dentro.

O crânio rachado, em gesso, revestido de bronze, ganhei num torneio de CABEÇADAS.

A miniatura de vaso sanitário em cerâmica branca é um troféu de CAGADAS HOMÉRICAS.

Aqueles barcos em latão são vários primeiros lugares que tirei nos campeonatos de CANOA FURADA e por sempre ter entrado de GAIATO NO NAVIO.

O diploma azul, que parece uma passagem aérea para lugar nenhum é de TEMPO DE VÔO. Tenho acumulado milhares de milhagens de horas com a cabeça nas nuvens.

Ao lado do Atestado de Burrice, você pode ver a Certidão de Casamento e a Declaração de Divórcio. Fazem parte do mesmo Festival de Besteiras que participei.

Aquela bola branca, maciça,  no canto esquerdo da lareira, é de torneios de SINUCA. Vivo numa sinuca de bico constante.

Aquelas cédulas emolduradas, são dos MICOS que paguei e os galos de bronze, são das BRIGAS  que comprei.

Aquela dama no porta-retrato sou eu: UMA CARTA FORA DO BARALHO.

Tenho também um punhado de medalhas de desonra, luta inglória, maratonas de trabalho, levantamento de peso inútil,  prêmio iBesta, nadação, danação  e por aí vai.

No momento estou disputando o primeiro lugar no FENAESBO – Festival Nacional de Escrita de Bobagens.  Apesar do imensurável número de concorrentes, minhas chances são enormes.

CAMPOS POR MIM AFORA de tonicato miranda / curitiba


A sinceridade na loucura

é o membro mais louco dela

é assim como a queimadura

incendiando apagada vela

.

Sim, posso amá-la nas distâncias:

perto e mudo; longe e gritando

mas o amor somente tem infâncias

se for do balão o que lhe vai inflando

.

Os meus pulmões pulsam do lado fora

mas gemem dentro do meu peito

até chego a sorrir quando do chão vão embora

os pés que caminham o seu jeito

.

Bobagem, diriam os parvos e os bobos

por que se contentar com migalhas?

mas minha fome não é a dos lobos

aceito do trigal comer as palhas.

.

A carne meu alimento predileto não é

nem tampouco me constrói orgulhos

mas certamente algo tem da mulher

e seus segredos a me conchear marulhos

.

Por isto lhe digo minha amiga

não ligue para meus instintos felinos

minha loucura não mata – abriga

está em mim a sinceridade dos meninos

LEONEL BRIZOLA, 30 ANOS HOJE DO RETORNO DO EXÍLIO – editoria

Considerado o herdeiro político de Getúlio Vargas e de João Goulart, dois ex-presidentes do Brasil, Leonel de Moura Brizola foi um dos mais destacados líderes nacionalistas do país. Ex-governador do Rio Grande do Sul, onde iniciou a sua carreira política, e do Rio de Janeiro, onde fixou residência em meados da década de 60, Brizola nasceu no dia 22 de janeiro de 1922, no povoado de Cruzinha, que pertencia a Passo Fundo (RS). Em 1931, passou à jurisdição de Carazinho (RS).
Filho de camponeses pobres, Leonel Brizola estudou em Passo Fundo e em Viamão, antes de ingressar no curso de engenharia civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se formou em 1949. Na época, Brizola já tinha iniciado a sua carreira política. Dois anos depois de filiar-se ao PTB (1945), foi eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Sul. Em 1950, casou-se com Neuza Goulart, irmã do ex-presidente João Goulart (1961/64), tendo como um dos padrinhos outro líder histórico do Brasil: Getúlio Vargas.

Em 1951, Leonel Brizola sofreu uma grande derrota política, ao perder a disputa pela Prefeitura de Porto Alegre. Mesmo assim, continuou trabalhando nos bastidores e voltou à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, em 1954. No ano seguinte, deixa a AL para disputar novamente a Prefeitura da capital gaúcha. Desta vez, os eleitores garantiram a sua vitória.

Com a popularidade crescendo muito, Brizola não teve nenhuma dificuldade nas eleições de 1958, quando se elegeu governador do Rio Grande do Sul, com mais de 55% dos votos válidos. Em 1962, pela primeira vez, Brizola foi eleito deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara, com uma votação recorde – 269 mil votos.

Como parlamentar, fez discursos veementes defendendo a implantação da reforma agrária e a distribuição de renda no Brasil. Com a deposição do presidente João Goulart pelos militares, em 1964, Leonel Brizola foi obrigado a se exilar no Uruguai. Somente voltou ao Brasil em 1979, com a Lei da Anistia.

Depois de perder a legenda do PTB, Brizola fundou o PDT, partido pelo qual foi eleito governador do Rio de Janeiro em 1983. Na antiga capital federal, a sua administração foi marcada pela criação de dezenas de Cieps, os centros integrados de educação, copiados por muitos políticos nos anos seguintes. Em 1984, apoiou a campanha das Diretas-Já, um projeto derrotado do então deputado Dante de Oliveira.

Cinco anos mais tarde, participou da primeira eleição direta à Presidência da República no Brasil desde o golpe militar de 1964, ficando em terceiro lugar. Na época, no segundo turno, apoiou o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva (derrotado por Fernando Collor) que, anos depois, veria o seu sonho de chegar ao Palácio do Planalto tornar-se realidade.

No ano seguinte, pela segunda vez, Brizola conquistou o governo do Rio de Janeiro. Com posições firmes em defesa dos produtores nacionais e sempre defendendo restrições ao capital estrangeiro no país, Brizola disputou novamente a Presidência da República em 94, mas a sua participação foi decepcionante, obtendo apenas 3,2% dos votos válidos.

Com a política no sangue, Brizola foi candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva em 98 e novamente foi derrotado _os eleitores brasileiros conduziram Fernando Henrique Cardoso à reeleição. No final de sua carreira, mais duas derrotas: a Prefeitura do Rio de Janeiro (2000) e o Senado (2002).

Em dezembro de 2003, já com Lula como presidente, Leonel Brizola rompeu com a base aliada e começou a fazer críticas constantes à administração federal.

Brizola morreu aos 82 anos no dia 21 de junho de 2004, de infarto decorrente de complicações infecciosas, no Rio de Janeiro.

dê UM clique no centro do vídeo:

a tentativa de golpe em 1961 e a campanha pela LEGALIDADE:

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a tentativa de golpe em 1961 e o golpe dos militares em 1964.

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chegada do exílio: JB VIDAL recebe BRIZOLA  em fóz do iguaçu. 09/1979.

chegada do exílio: JB VIDAL recebe BRIZOLA em Fóz do Iguaçu. 07/09/1979.

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JB VIDAL e LEONEL BRIZOLA - entrevista para a imprensa em Curitiba. 03/1980.

JB VIDAL e LEONEL BRIZOLA - entrevista para a imprensa em Curitiba. 03/1980.

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na fundação do partido em curitiba. stênio jacob (hoje presidente da sanepar), jb vidal, LEONEL BRIZOLA. 09/80.

na fundação do partido em curitiba. stênio jacob (hoje presidente da sanepar -2009), jb vidal e LEONEL BRIZOLA. 09/80.

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comício pelas DIRETAS-JÁ em Porto Alegre.

comício pelas DIRETAS-JÁ em Porto Alegre. foto da internet.

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comício das DIRETAS-JÁ na Candelária. Dio de Janeiro. foto da internet.

comício das DIRETAS-JÁ na Candelária. Rio de Janeiro. foto da internet.

¿Cuál será el futuro de nuestros nietos? – por leonardo boff / são paulo

Los pronósticos de los especialistas más serios son amenazantes. Hay una fecha fatídica o mágica de la que hablan siempre: el año 2025. Casi todos afirman que si ahora no hacemos nada o no hacemos lo suficiente, la catástrofe ecológico-humanitaria será inevitable.
La lenta recuperación de la actual crisis económico-financiera que se nota en muchos países, todavía no significa una salida de ella. Solamente que terminó la caída libre. Vuelve el desarrollo/crecimiento, pero con otra crisis: la del desempleo. Millones de personas están condenadas a ser desempleados estructurales, es decir, que no volverán a ingresar en el mercado de trabajo, ni siquiera quedarán como ejército de reserva del proceso productivo. Simplemente son prescindibles. ¿Qué significa quedar desempleado permanentemente sino una muerte lenta y una desintegración profunda del sentido de la vida?

Leonardo Boff

Leonardo Boff

Añádase además que hasta esa fecha fatídica están pronosticados de 150 a 200 millones de refugiados climáticos.
El informe hecho por 2.700 científicos «State of the Future 2009» (O Globo de 14.07/09) dice enfáticamente que debido principalmente al calentamiento global, hacia 2025, cerca de tres mil millones de personas no tendrán acceso a agua potable. ¿Qué quiere decir eso? Sencillamente, que esos miles de millones, si no son socorridos, podrán morir de sed, deshidratación y otras enfermedades. El informe dice más: la mitad de la población mundial estará envuelta en convulsiones sociales a causa de la crisis socio-ecológica mundial.
Paul Krugman, premio Nóbel de economía de 2008, siempre ponderado y crítico en cuanto a la insuficiencia de las medidas para enfrentar la crisis socioambiental, escribió recientemente: «Si el consenso de los especialistas económicos es pésimo, el consenso de los especialistas del cambio climático es terrible» (JB 14/07/09). Y comenta: «si actuamos como hemos venido haciéndolo, no el peor escenario, sino el más probable será la elevación de las temperaturas que van a destruir la vida tal como la conocemos».

Si probablemente va a ser así, mi preocupación por los nietos se transforma en angustia: ¿qué mundo heredarán de nosotros? ¿Qué decisiones se verán obligados a tomar que podrán significar para ellos la vida o la muerte?
Nos comportamos como si la Tierra fuese nuestra y de nuestra generación. Olvidamos que ella pertenece principalmente a los que van a venir, nuestros hijos y nietos. Ellos tienen derecho a poder entrar en este mundo mínimamente habitable y con las condiciones necesarias para una vida decente que no sólo les permita sobrevivir sino florecer e irradiar.

Leonardo Boff

2009-08-28

O AMOR ACABA por hamilton alves / florianópolis

Paulo Mendes Campos, que é um cronista que muito admiro, que foi fiel a esse gênero (também fez poesia) até o fim; nunca escreveu, que eu saiba, um conto, uma novela ou coisa semelhante, tem uma crônica, que li estampada no caderno “Mais”, da Folha de S. Paulo, faz uns anos, que refere várias situações em que o amor acaba.

Deu-me vontade de seguir referindo outros casos ou momentos em que o amor acaba, se isso não fosse redundante e até, por que não dizer?, fastidioso.

Sim, o amor acaba, quando menos se espera.

Nada é eterno.

Tudo começa e tudo termina. Tudo tem um início e um fim irremediáveis, nem que seja pelo mais doloroso dos fins.

– Tudo acaba. – disse-me uma vez uma namorada

Estávamos no auge do namoro e ela me disse isso de supetão, me pegando desprevenido para a idéia de um dia, sem mais nem menos, ter fim nosso relacionamento.

E teve.

Não sei o que discutimos certo dia que, sem pensar muito, lhe disse:

– É melhor acabar isso de uma vez; não dá mais certo.

Cobrara uma providência que não tomara referente a um interesse dela.

Laconicamente, respondeu:

– Sim, estou de acordo. Já vai longe essa relação.

Tinha alguma coisa para lhe devolver ou entregar no dia seguinte. Ela mesma, resolutamente, propôs a solução da entrega do objeto:

– Você pode deixar em tal lugar (citou o local  onde deixá-lo); não há necessidade de nos encontrar.

Quer dizer, amor mesmo nunca houve entre nós. Dois seres que se amam verdadeiramente não põem termo a uma relação tão friamente assim.

Paulo, na sua crônica, citou uma infinidade de situações em que o amor acaba. Diz ele: “o amor acaba numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois do teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar”, etc.

O fato é que, quando o amor acaba, cada qual sai com sua dor para seu lado, sem às vezes medir consequências, sem mesmo avaliar o que isso poderá custar. O amor acaba, sim, mas como dói tantas vezes.

(set/09)

JORNAL “A TARDE” (BA) entrevista o poeta MANOEL DE ANDRADE / cássia candra

Autor de uma obra engajada nos ideais revolucionários que incendiaram a América Latina a partir da Revolução Cubana, Manoel de Andrade se tornou alvo do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e teve de deixar o Brasil em 1969. Seu acervo poético dos anos que se seguiram, ainda inédito no País, vem a público 40 anos depois com a publicação de Poemas para a liberdade (Escrituras).

A poesia política, carregada de emoção, remete a uma saga literária original, que cruzou as fronteiras latino-americanas com jovens mochileiros. Editado em espanhol, Poemas para la libertad chegou à Bolívia, levado por contrabandistas equatorianos, ao Peru, Colômbia, e em 1971, na Califórnia, EUA. Seus poemas são algumas das pérolas da literatura brasileira condenadas ao ostracismo pelo AI-5.

Para o poeta, “Não houve na história um ano com tantas barricadas como em 1968”.


A Tarde – O senhor viveu os anos dourados de sua trajetória revolucionária fora do Brasil. É lamentável que tenha sido assim?
Manoel de Andrade | Pelo saldo sangrento que a Ditadura deixou na nossa história, minha saída foi o passaporte para a minha sobrevivência. Caso contrário, quem sabe não estivesse a responder esta entrevista, já que quando deixei o Brasil estava sendo procurado pelos agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Por outro lado, o importante era estar engajado na luta revolucionária, não importa em que país sua trincheira fosse aberta. O que tenho a lamentar foi o vazio em que caiu minha poesia naquela longa ausência e, posteriormente, pelo meu  próprio manecodesinteresse  ante as dificuldades de expressão ideológica nos anos que antecederam a abertura democrática.  Em 1968 meus versos começavam a ter notoriedade nacional, sobretudo pela sua publicação pela Revista Civilização Brasileira e o amplo destaque que vinha tendo na imprensa do Paraná. A partir da minha saída, em março de 1969,  meus versos vieram à luz em outros berços fraternos, contudo não tiveram a insubstituível carícia da pátria, nem o leite materno da língua portuguesa.

AT – Esta experiência foi capaz de gerar, consciente e gradativamente, um cidadão latino- americano?
MA | Sempre me senti um cidadão do mundo. Sentir-se latino-americano é uma postura  natural quer pelas nossas origens latinas e ibéricas, quer pelo respeito à herança cultural pré-colombiana e a própria da história libertária do Continente. Esta consciência nos coloca, antes de tudo, diante de uma memória colonial de crimes e injustiças inomináveis. Diante de sua memória o ofício do escritor é sempre um compromisso de resgate, de testemunho, de acusação e de esperança e neste sentido minha experiência de caminhante  ampliou minha consciência e, consequentemente, as dimensões dessa cidadania.

AT – No prefácio de seu livro Poemas para a liberdade o senhor diz que em 2008 sua geração “foi colocada no divã da história para fazer a psicanálise de suas ações e omissões”. Como o senhor se sente neste processo?
MA | Sinto-me muito solitário, a exemplo de outros tantos que ousaram preservar seus sonhos. A recente história política do país é um farto repositório de omissões e concessões. Mas depois de tantos escândalos é irrelevante explicitar exemplos. Os encantos do poder reuniram na pátria romanos e cartagineses e,  diante das tantas benesses,  as grandes bandeiras foram arriadas e os ideais emudeceram de vergonha. Foram tantas as sementes lançadas pelos nossos sonhos ao longo do país e do Continente. Muitas delas foram sacrificadas. Outras morreram quando mataram nossa utopia. Algumas, contudo, se preservaram no meio de tanto desencanto, resistiram às ilusões do poder e  sobreviveram com suas cicatrizes, incorruptíveis na dor e ao silêncio. Algumas dessas sementes são hoje flores solitárias num mundo político com cartas marcadas. Sobrevivem porque ainda sonham. Sabem que no mundo não há mais lugar para heróis e muito menos para o homem novo. Estamos mesmificados pela globalização e, nesta ribalta, somente os mitos são iluminados. Penso que todos aqueles que empunharam suas bandeiras naquela década de lutas deveriam honrar ainda essa memória. Nunca tivemos na história do mundo um ano com tantas barricadas como o ano de 1968. Nesse contexto, meus poemas foram apenas uma solitária expressão daquela luta, porque, nos anais dessa memória, todos  sabem que  os verdadeiros poemas da bravura não foram escritos em versos. Contudo esse foi o principal motivo porque resolvi, quarenta anos depois, publicar no Brasil os meus Poemas para a liberdade.

AT – Que Manoel de Andrade nasceu daquele processo revolucionário?
MA | Nasceu um cidadão comprometido com todos os homens.  Que já não acredita na violência revolucionária para mudar o mundo e que para isso todos devem dar as mãos para empunhar as  bandeiras da educação e da paz. Que ainda acredita no sonho de um mundo socialista.
Um homem iluminado pelo sol da liberdade e  cujo coração é uma aldeia da solidariedade. Um homem despojado de interesses pessoais.  Preocupado com a justiça, com o amor ao semelhante e a caridade para os excluídos. Um homem escravo da sua consciência e que busca nunca fazer a ninguém o que não gostaria para si mesmo. Que aprendeu a combater o bom combate, disposto a dar a outra face e perdoar as ofensas. Um homem que respeita o Criador e todas as criaturas, que vê o mundo como poeta e que acredita que a poesia e a música são as mais belas expressões da alma humana.  Um homem preocupado com sua  transformação moral e que luta para transformar seu egoísmo em amor e seu orgulho em humildade.

AT – O senhor transformou política em poesia. Que consciência tinha, naquela época, do poder dos seus versos?
MA | Meus poemas políticos  nasceram pela consciência histórica que tive do meu tempo. Em 1965, um ano depois de golpe militar, participei da Noite da Poesia Paranaense, no Teatro Guaira e ali, entre os quatorze poetas convidados, fui o único a encarar a ditadura  com o poema “A Náusea” que consta deste livro. A partir de então  minha poesia foi se engajando nos ideais revolucionários da época. A revolução Cubana era o nosso farol aceso no Caribe e ao longo da América Latina os movimentos de liberação nacional abriam suas trincheiras. Eu era estudante de Direito e depois de História e declamava meus poemas entre os estudantes e em  passeatas de protesto, panfletava suas cópias mimeografadas nos ambientes da Universidade e os publicava nos boletins acadêmicos. Não sei se naquela época eu tinha consciência do poder dos meus versos, mas embora soubesse que com a poesia não se podia mudar o mundo eu acreditava que no contexto político em que vivíamos no Brasil, o papel do intelectual, e sobretudo do poeta, era comprometer-se politicamente com a época em que vivia, como fizera Castro Alves ante da escravidão,  Maiakovski na Revolução Russa e tantos outros como Byron, Garcia Lorca, Marti, Vallejo, Miguel Hernandez, Nazim Hikmet, Guillén, Neruda, Evtuchenko e depois aqui mesmo no Brasil com Thiago de Mello, Moacyr Felix, Ferreira Gullar, etc. Se meus versos tinham ou não poder que o digam os arquivos da ditadura no Paraná  onde constam cópias mimeografadas de meu poema “Saudação a Che Guevara” — panfletado nos meios estudantis e sindicais de Curitiba em novembro de 1968 –, bem como o registro de minhas atividades e das quatro edições dos meus “Poemas para La Libertad”, na América Latina. Que o digam também os registros da ABIN, em Brasília, relatando minhas atividades como intelectual, e “difamando o nome do Brasil no exterior”. Por certo o poder da minha poesia estava em seus versos libertários, seu poder de denúncia, em sua ânsia de convocação para um sonho que contagiava um continente inteiro e por eram também um lírico manifesto de esperança em um mundo novo.

AT – Como avalia o movimento que vivenciou? Que cidadãos e que sociedade foram gerados naquele processo revolucionário?
MA | Foram muitas sementes lançadas pelas vanguardas revolucionárias em todo o mundo, mas, à semelhança da “Parábola do Semeador”, a maioria delas se perdeu pelos caminhos, ou caiu entre as pedras e no meio dos espinhos. A exemplo da simbologia cristã, muitas daquelas sementes não brotaram porque caíram no terreno árido dos longos anos de ditaduras que reprimiram várias gerações  latino-americanas, deixando a juventude órfão de valores políticos e culturais. Outras brotaram, mas suas raízes não mais encontraram, no tempo, o terreno histórico para fecundar suas flores e seus frutos e outras ainda foram sufocadas pelos espinhos do capitalismo perverso e suas ilusões consumistas. As poucas sementes que caíram na boa terra brotaram e se preservaram imaculadas na seiva do ideal. Contudo os tempos já eram outros, marcados pelos cacos das grandes ideologias e seus sonhos foram marginalizadas pelo oportunismo dos seus próprios pares e pelos interesses e equívocos de uma sociedade dominada pela esperteza, pela corrupção e pelo hedonismo. Escrevi, no ano passado, pela memória dos quarenta anos de 1968, quatro artigos enfocando o problema estudantil no Brasil e no Mundo e sua opção pela luta armada na América Latina. Toda a essência desta pergunta e sua resposta estão avaliadas nas considerações finais do 4º artigo: As barricadas que abalaram o mundo”, à disposição na Internet.

AT – Qual o seu olhar sobre a América Latina hoje?
MA | É historicamente gratificante ver a América Latina representada politicamente por uma grande mobilidade social.  Na Venezuela, na Bolívia e no Equador o apoio popular tem permitido avanços mais profundos nas estruturas sociais, visando abolir seculares desigualdades de classes. É um período de transição, em que os governos mais corajosos começam a desterrar as teses  neoliberais que dominaram a política do Continente no século passado. Creio que finalmente a América Latina começa a despertar para o mundo, política e economicamente. É desejável que a integração do Brasil com a América Latina se torne ainda muito mais fraterna.

NOSSA VINGANÇA por alceu sperança / cascavel.pr

Quando perdemos amigos involuntariamente, por motivos externos, parece que um mecanismo igualmente involuntário é acionado. Pensamos que se estivéssemos mais presentes, solidários ou parceiros poderíamos ter evitado essa perda. E vem aquela ideia, que por vezes acode apenas por alguns poucos e fugazes momentos, de que pelo menos agora deveríamos ser mais presentes, solidários e parceiros dos amigos que ficam.

Agora mesmo sentimos a perda do artista plástico Wanderley Damasceno, como sentimos antes as perdas do Andrezinho Costi e do advogado Aírton Reis, sobre os quais a colega Lara Sfair e o eterno camarada Mário de OliveiraAlceu sperança  - AJC (1) já teceram memoráveis referências.

Sobre o André, tenho a declarar que um dia chegamos a tramar o esboço de um festival de música, um Woodstock cascavelense, a partir de uma idéia fixa do companheiro Chicão Lustosa.

Sobre o dr. Aírton, vale a recordação agradecida de Mário Ferreira de Oliveira. Quando Mário foi preso, na ditadura, acusado de montar um arsenal de armas para uma inexistente “subversão comunista” do PCB, o dr. Aírton Reis foi defendê-lo.

Reis não só foi impedido de verificar as dramáticas condições carcerárias em que Mário estava, sofrendo ofensas e torturas, como também ele próprio foi maltratado. São episódios que não podem ficar esquecidos nem ocultos.

Curiosamente, nosso Wanderley Damasceno, o último a pular daqui pra lá, ao ser recrutado pelo PCB tomou a iniciativa de reunir armas para uma tomada de assalto ao prédio da Prefeitura de Cascavel. Fui o encarregado de dizer a ele que a ação era descabida: a revolução percorre os caminhos da consciência política, não os da aventura irresponsável.

Coisa difícil de dizer a um entusiasmado camarada, pois eu próprio achei a coisa de um romantismo fenomenal e até senti vontade de participar!

Se não pudemos ser mais solidários, presentes ou parceiros de Damasceno, Andrezinho, Aírton, da menininha Emanuele, assassinada no acampamento de sem-terras, da garota executada no Bobódromo, dos idosos e das crianças que sucumbem à violência do trânsito, dos que sofrem as epidemias de gripe suína, dengue e hepatite resultantes da falsa “prioridade” à saúde, dos jovens trucidados na periferia, temos ao menos que estar e ser presentes, solidários e parceiros dos familiares e amigos que sobrevivem e procuram, com amor e emoção, transformar este chamado “vale de lágrimas” num planalto de humanidade, carinho e construção.

Sem deixar de derramar as lágrimas cabíveis, pois continuam chorando em nossa Pátria mãe gentil as Marias e Clarices, devemos ter claro que nenhuma homenagem seria mais necessária, suficiente e eficaz aos nossos mortos que zelar fraternalmente pelos que ficam.

Para que não se desesperem, para que se reanimem, para que reforcem o ímpeto progressista de sua missão nesta vida e neste solo. Para que combatam a chaga triste da exploração do trabalho humano, do enriquecimento com o sofrimento dos homens, do neoliberalismo e seu aquecimento global, do espírito belicoso e ofensivo da indústria de armas, da sanha homicida dos senhores da droga e das finanças, do culto à filosofia hobbesiana de que “o homem é o lobo do homem”.

Que uma dor assim pungente não seja inutilmente a derrota, o entregar dos pontos, a desistência de tornar este mundo melhor para os familiares dos nossos mortos, para seus amigos que ficam e querem extrair dessas dores e lágrimas todas a melhor vingança possível.

E qual seria ela? A transformação do Brasil num país melhor, mesmo sendo hoje oprimido pela conversa mole de Lula e seus parceiros, liquidando direitos, trapaceando com a poupança dos pobres e o dinheiro dos trabalhadores, em seu papel odioso de agentes internos, a quinta-coluna do neoliberalismo.

E a vingança maior de transformar este mundo num lugar melhor para viver, pois isso, apesar das dores pungentes, das lágrimas e das armas quentes, é não só possível como absoluta e inevitavelmente necessário/obrigatório se não queremos abdicar de nossa humanidade e de manter a vida soberana sobre este planeta.

Haverá luz e alegria no fim do túnel. Mas ainda temos que cavá-lo.

PROFECIA de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

Na minha morte

milhões de pássaros vão cantar

por que milhões de pássaros cantam sempre.

Crianças nascerão,

por que  crianças nascem todos os dias.

e como combinado também

muitos homens morreram na mesma hora

que homens morrem a todo minuto.

Flores se abrirão

por mais que aqui seja inverno,

mas em algum lugar do mundo será primavera

e lá as flores se abrirão

E rosas secarão em jardins e floriculturas

Porque a muito tempo que rosas secam nos jardins

e causam prejuízo nas floriculturas

Neste dia uma pomba fará seu primeiro vôo

e nos cantos escuros e camas de toda a terra

haverá êxtases e fecundações

e terá em algum lugar  chuva, em outro sol

em metade do planeta será claro em outra, escuro

como no ing-iang

E posso profetizar

Que na exata hora da minha morte

alguns copos e pratos  se quebrarão

para sempre

por que é corriqueiro que pratos quebrem

VOAR, SEM GLAMOUR por sérgio da costa ramos / floranópolis

Viajar, ser outro em outros países, como poetou Fernando Pessoa, já não desperta os mesmos prazeres dos tempos dourados.

Os acordes de Fly Me to the Moon, ou Come Fly with Me, como festejava Frank Sinatra, resumindo a alegria de voar, transformaram-se em Missa de Réquiem depois do 11 de setembro de 2001. Os terminais se tornaram sucursais do SÉRGIO DA COSTA RAMOS 1hospício, com passageiros tresnoitados, overbookings e hordas de viajantes indignados, entregues à má sorte. As companhias aéreas e os aeroportos simplesmente não conseguiram crescer com a mesma velocidade do “mercado” e naufragam ao peso da incompatibilidade de custos: terminais malconservados ou inadequados, companhias aéreas falidas.

Voar, a partir de qualquer aeroporto rotulado como busy ou “muito ocupado” transformou-se num pequeno calvário. Se o aeroporto se hospeda nos Estados Unidos, onde voaram os “pilotos” de Bin Laden, então, a experiência é ainda mais desagradável. E acaba revogando todos os direitos individuais já conquistados pelos homens nos dois séculos e meio que se seguiram à Constituição de Filadélfia. Até ministro brasileiro já ficou descalço para as autoridades da alfândega, em Nova York…

Voar perdeu o glamour, depois da grande tragédia das torres gêmeas, na mesma Manhattan antes festiva, durante aqueles anos dourados de muito jazz, paz, fleuma e vida mansa.

Os aeroportos estão travestidos num grande formigueiro de moscas assustadas – os passageiros – submetidas aos “zangões” da imigração ou da segurança. Só no segundo trimestre de 2009, cerca de 900 brasileiros tiveram seu acesso negado pelas autoridades do Aeroporto Internacional Roissy-Charles de Gaulle, em Paris.

Foi de brasileiros a nacionalidade mais barrada na França, depois dos chineses – e isto, em pleno Ano da França no Brasil! Por conta desse minueto cultural, as autoridades francesas concordaram em refrear o seu controle draconiano. Mas os aeroportos estão transbordando de mau humor e de intolerância.

As estatísticas comprovam que ainda é muito seguro voar. Mas nunca tantos estiveram tão à mercê de acidentes fatais, como os passageiros da geração “digitalizada”, seus destinos cruzados com os dados de um supercomputador que voa a 10 mil metros de altitude. Quando um desastre aéreo acontece, a tragédia desaba sobre homens e mulheres emboscados no meio da noite – o breu gélido e assustador invadindo os charutos metálicos e os desintegrando ares abaixo, rumo ao cume das montanhas ou ao inóspito assoalho dos oceanos.

Nem por isso o verbo “viajar” deixará de ser conjugado pela humanidade – pois, a despeito dos terroristas ou do mau funcionamento de algum computador, o homem só foge do tédio se o passar dos dias lhe trouxer novos horizontes.

Pena que o preço seja cada vez mais alto. Se não em dinheiro, em dignidade e cidadania. Glamour, nos aeroportos de hoje, só se o passageiro brincar de ser um astro hollywoodiano e desempenhar o papel do “hóspede forçado”, como o Tom Hanks de O Terminal.

PRIMAVERA de philomena gebran / curitiba

TULIPAS ROJAStulipas.  foto livre.

urgente preparar-me

acordar, ficar atenta

prestar muita atenção

.

para quando a primavera vier

.

quero lavar-me no fraescor

do orvalho da manhã

mesmo antes de o sol chegar

.

para quando a primavera vier

.

quero despir-me da noite

do frio, da bruma da névoa

das nuvens, do chumbo

.

para quando a primavera vier

.

quero lavar meu rosto pálido

minhas mãos vazias e frias

meus olhos cinza e triste

.

para quando a primavera vier

.

quero soltar meu coração

quero correr livre e nua

beber o ar da manhã,

.

para quando a primavera vier

.

quero deitar-me na grama,

cobrir-me de flores

vestir-me de todas as cores

.

para quando a primavera vier

.

quero abrir meu corpo, minha alma

libertar-me de tudo, de todos

entregar-me nua e pura

.

quando a primavera chegar

FLORIANÓPOLIS, ilha dos nomes flutuantes – por charles silva / florianópolis

Quando o poeta Zininho escreveu o verso “um pedacinho de terra perdido no mar”, não fazia referência a nenhuma ilha flutuante. Ele cantava uma ilha de cinquenta e quatro quilômetros de comprimento, cujas cristas montanhosas permanecem petrificadas até hoje. Ele cantava a figueira centenária e profundamente enraizada, a lagoa de águas azuis e sonolentas, a natureza exuberante de uma paisagem que se renova constantemente sem sair do lugar. E foi assim, reunidas e paradas, que as belezas deslumbrantes e eternizadas pelo tempo encheram os olhos e o coração do poeta: “Jamais a natureza reuniu tanta beleza! Jamais algum poeta teve tanto pra cantar!”

O mesmo não se deu com o nome. Os índios carijós, muito antes dos portugueses, chamavam a ilha de “Meiembipe”, palavra que traz a ideia de “montanha ao longo do rio”. O italiano Sebastião Caboto, a serviço da Espanha, numa de suas expedições, por volta de 1526, desembarcou na ilha e assinalou em seus mapas o nome de “Porto dos Patos”. Decerto que o topônimo está ligado a uma grande quantidade dessas aves, que imitando a flecha certeira dos legítimos donos da ilha, espetavam os pequenos peixes, pingentes prateados sob a lâmina azul daqueles dias.

Pouco mais de três anos da chegada de Caboto, tanto ele como um outro navegante, Diego Ribeiro, passaram a anotar em seus mapas o nome de “Ilha de Santa Catarina”. Não se sabe se tal nomenclatura foi uma homenagem de Sebastião Caboto à sua esposa, Catarina Medrano, ou a Santa Catarina de Alexandria, venerada pela Igreja Católica até 1969, quando foi banida do Calendário Litúrgico por falta de provas históricas de sua existência.

Devido a sua localização, era comum a visita de portugueses e espanhóis à ilha. Praticamente todas as embarcações que partiam do Rio de Janeiro em direção ao Rio da Prata, entre Argentina e Uruguai, necessitavam de reparos, água e víveres de toda sorte. Assim, no ano de 1623, aportou na ilha o bandeirante Francisco Dias Velho, provavelmente por sugestão do Governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá e Benevides, e deu início ao povoado de “Nossa Senhora do Desterro”. O nome do novo povoado foi motivado por ser a ilha, à época, habitada por vários desterrados. A estes, juntavam-se náufragos, marinheiros desertores e alguns frades franciscanos.

Quase três séculos se passaram até a eclosão da Revolução Federalista em 1893, no Rio Grande do Sul. À frente dos acontecimentos estava “o primeiro vice-presidente a se tornar presidente”, o marechal Floriano Peixoto, que se revelou um ditador implacável, crudelíssimo, inimigo de toda e qualquer liberdade. Os federalistas gaúchos exigiam que Floriano se pautasse pela Constituição. Como o marechal não fosse homem de acordos, em pouco tempo os três estados do Sul se revoltaram. A ilha assistiu ao conflito sangrento entre “federalistas” e “legalistas”, até que, no ano seguinte, em 1894, Desterro foi ocupada pelas tropas de Floriano Peixoto. O Coronel Antônio Moreira César assumiu a chefia estadual. Seguiu-se uma ferrenha perseguição aos revoltosos, que em poucos dias foram fuzilados impiedosamente, sem direito algum de defesa.

A julgar pelos acontecimentos históricos, o nome atual da ilha recai como uma ironia ácida às famílias que viram muitos de seus membros serem assassinados friamente. Em homenagem lúgubre à carnificina imposta pelos vencedores do conflito, a ilha passou a se chamar “Florianópolis”, a “cidade de Floriano”, o terrível marechal.

É claro que hoje o nome soa antipático apenas aos que conhecem a outra parte da história do “pedacinho de terra perdido no mar”. Várias sugestões já foram dadas para que a ilha mudasse mais uma vez de nome. Já se falou em “Ondina”, que segundo a mitologia germânico-escandinava eram ninfas aquáticas de beleza extraordinária. Essas ninfas estariam ligadas à eternidade e efemeridade do amor. O nome é bem apropriado, posto a ilha como um símbolo do amor do Oceano Atlântico, que embora seja conhecedor de todo o corpo de sua amada, não pode adivinhar-lhe o nome exato.

Conquanto as empresas de turismo tenham explorado bastante a expressão “Ilha da Magia”, atualmente os moradores da cidade a chamam carinhosamente de “Floripa”. As ruas do centro ostentam dois nomes em cada placa, o atual e o antigo. Através dos antigos nomes, “Rua do Príncipe”, “Rua da Paz”, “Rua da Saudade”, pode-se flanar também pela atmosfera poética que continua adoçando toda ilha. É quando o caminhante mais sensível observa, na penumbra do palimpsesto urbano, o verdadeiro tesouro da ilha dos nomes flutuantes… Mais do que uma descoberta, um momento de puro amor.

(Charles Silva é poeta da ilha, graduado em História e mestre em Educação)

A VIDA COM TEMPO de osvaldo wronski / curitiba


O satélite fotografa a alma da chuva

Que por acima se aproxima

Fazendo-nos ficar a sós

.

Nada podemos contra o seu avanço

Que medonho e cativante nos enfrenta

estremecendo todas as estruturas

.

Vamos dar um tempo ao tempo

Este pode ser um bom momento

Para acompanhar os seus estágios

.

Por momentos nos contemos

Cercados por água saciante

Benvinda de todos os lados

.

Lá fora  a água retinge a cor da tinta

Invadindo lugares, privando a cidade de pessoas

Que andam em círculos sobre o metro quadrado

.

Nuvens obscuras encobrem o céu

O raio aponta para o chão

estarrecendo o cenário

.

Indo até aonde nós nos temos

Debaixo de algum abrigo metereológico

O clima se modifica e tudo se reedita

.

Chuva que cai como uma luva

quem me dera ficar ao deus dará

e ver o tempo que não para de cessar

QUERO SER FADA de ana carolina cons bacila /curitiba


Fada das quatro estações,
me traz emoções,
me traz meu sonhar.

Crio coragem pra te falar,
quero asas para voar,
sonho do coração.

Asas negras para o inverno.
Asas vermelhas para o verão.

Asas marrons para o outono,
Asas rosadas para a primavera.

Asas de anjo
para confortar um coração.

.

ana carolina (16) faz parte do grupo jovens poetas do site.

IMPACIÊNCIA de josé dagostim / criciúma

Impaciência

O tempo corta-me num cerco implacável. Percorro perdido entre os limites da rota e o balanço, num ritual que tenta agradar os deuses da lentidão. Minha dança é sem compasso, presa no entroncamento do destino. Avanço o sinal num gesto previsível que acusa o agastamento do logradouro…


ÁFRICA de nelson padrella / curitiba

Os rios eram azuis na folha de cartolina. Tão azuis quanto os olhos de Margot. Ela ficou de vir estudar aqui em casa, ela e seus olhos muito azuis.

Os garotos vieram me procurar para a gente ir brincar. Bem que eu estava com vontade de descer a rua no carrinho de rolimã, mas a menina era muito mais importante.

Quando a campaínha tocou meu coração mudou de lugar. Margot entrou sobraçando cadernos. Nem um beijo à porta.

Sentados na sala grande como crianças comportadas. a África era nossa, onde sonhávamos safáris. Os faraós nos aguaravam, deitados pacientemenmte em seu sono de pó. O pó dos séculos deve ser como a areia do Sahara. O Nilo foi criado no papel, sem ameaça de crocodilos. Só o azul das águas ameaçava.

– Quando desenhei o rio pensei nos teus olhos.

Ela, concentrada na leitura de um texto.

Falo de maneira diferente:

– Teus olhos me lembram o Nilo.

Ela deixou o interesse pela leitura.

– Meus olhos estão cheios d’água?

– Não – eu disse.

– Cheios de faraós?

Abaixei a cabeça não envergonhado, abaixei para sorrir melhor.

A menina continuava me provocando:

– Então, meus olhos…(fez uma grande pausa, inventado o que dizer)…eles são os maiores do mundo?

– Sim – respondi.

Ela se admirou. Olhou séria para mim:

– Tenho olhos tão grandes assim?

– Não, Margot. Os olhos de você são os maiores do mundo em beleza.

Ela continuou seria. Retomou o texto, como se o que eu tivesse dito não importasse. Depois, apanhou a ecoline e ia pincelando savanas na África inventada. Parou nas margens do Nilo.

– Por que você disse aquilo?

O cheiro de Margot me inebriou. Flores da África ofereciam perfume. O siroco me sufocava com seu ar quente.

– Disse porque é verdade.

Agora, era ela quem se perdia. Retomou o desenho, mas a caneta parada na mão era como a caravana indecisa nas areias, que não sabe o rumo a ser tomado. Ela olhava para fora, o jardim onde verdes se insurgiam.

– E se fossem verdes?

– O quê?

– Meus olhos. Se fossem verdes?

Pensei um pouco, mas ela respondeu antes que eu falasse.

– Iam lembrar o lodo do fundo do Nilo?

Ela estava contrariada e eu não atinava o motivo. Era quase agressiva quando olhava daquele modo para mim.

– Não, Margot. Se fossem verdes me lembravam das florestas da África.

Paramos de falar. Da rua, gritos alegres de crianças. Um perfume vindo não sei de onde. A vontade de tocar na menina.

– Um dia queria ir pra África – eu disse.

Ela não respondeu. Talvez não tivesse o que dizer. Eu me enchi de coragem.

– Queria navegar no rio Nilo.

Ela ergueu o rosto e estava sereno. Era um sorriso nascendo no canto dos lábios?

– Queria navegar nos teus olhos – eu disse.

Ela abaixou a cabeça e fez que sim. Eu toquei com a mão em seu ombro e ela suspirou. O segredo da esfinge desvendado. Trouxe a cabeça da menina até perto da minha.

‘Entre o Linear e o Pictórico’ discussão no Espaço Cultural BRDE / curitiba

Discutir a produção individual de cada artista e relacioná-la ao contexto contemporâneo, trazendo um conceito entre o desenho e a pintura é o objetivo da exposição “Entre o Linear e o Pictórico” , que começa no dia três de setembro no Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões.

A coletiva é formada por professores do curso de Artes Visuais da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Os cinco artistas são integrantes do Grupo Papel, formado pelo curso de Artes Visuais da UTP, que tem como objetivo fomentar a produção cultural local, aliando o fazer artístico ao pensamento teórico, de forma que possa estimular uma produção crítica e consistente de arte contemporânea a partir do papel.

Como o nome diz, o papel é o que dá suporte às experimentações, então por que não utilizar a linha como estrutura que dá forma e corpo ao desenho? As poéticas, as lembranças e o olhar de mundo de cada um dos cinco artistas acontece por meio da costura, do lápis, da corrosão do ácido na placa de metal, do nanquim (tinta preta)  ou digital.  Para entender a obra, é necessário que o espectador se aproxime e observe de forma atenta o jogo de linhas sobre o papel.

Eliza Gunzi,  Mestre em Poéticas Visuais, reproduz  detalhes observados em estampas japonesas. Seus desenhos são feitos com nanquim sobre papel, por meio de linhas finas e delicadas. Depois de toda a etapa, são plotados em formatos grandes e adesivados em paredes.  “Me interesso por trabalhos que tenham minúcia detalhista em que o espectador tenha que se aproximar para olhar”.

Detalhes é o que podemos encontrar nos trabalhos de Evandro Gauna. Formado em artes e com gosto pela fotografia, sai pela cidade em busca do que passa desapercebido no dia a dia.  Com agulha e linha, suas fotos viram bordados em papel. “Nos meus trabalhos as pessoas reconhecem os detalhes do dia a dia da cidade”, comenta o artista que em seus desenhos deixa pequenos espaços vazios, tornando assim necessário que com o olhar as pessoas preencham o que não foi bordado. A pictorialidade da mancha e do desfocamento também fazem parte do trabalho do artista.

Assim como Gauna, a artista plástica Haydée Guibor também tem olhos atentos. Desenhos feitos em ambiente digital, jogo entre o preto e o translúcido, impressos em adesivo e colados em acrílico são pequenas descrições do expressionismo abstrato de seu trabalho. “Eu tenho a necessidade de desenhar. Quero que as pessoas percebam a massa (preto) e o vazio (transparente).”

Imagens de propagandas e filmes são apropriadas e transformadas pelo artista visual Hugo Mendes. “Vejo uma imagem e sinto como se já tivesse vivido aquilo, por conta desta lembrança eu dou o nome à figura”. Os desenhos em nanquim sobre papel, feitos a partir de linhas horizontais, trazem uma reflexão de pensar no original, que é por tantas vezes modificado e chega sempre ao espectador de uma forma diferente.

Renato Torres, Bacharel em Gravura, trabalha com idéias de temporalidade, em cima daquilo que já foi gravado pelas pessoas através de linhas que suscitam um desdobramento da imagem. “É uma discussão entre as linguagens, uma tentativa é ir além da técnica tradicional”.

Rubens Portella, curador da exposição, faz um resumo da essência das obras.

“Como sugere o próprio título da exposição, é de interesse do grupo investigar não apenas as características, linguagens e possibilidades expressivas de cada modalidade artística isolada, mas as transições, convergências e interligações entre elas, estabelecendo novos pontos de vista, tensões e desafios. É por meio da troca constante de referências, do debate de idéias e da abertura do diálogo, que estes jovens artistas  e pesquisadores esbatem as fronteiras entre o desenho, a fotografia, a arte eletrônica, o objeto, a pintura e a gravura – áreas específicas  do interesse década um dos integrantes do grupo – para ingressar em um novo campo experimental e poético, propiciado pela atmosfera do pensamento em coletividade”.

Entre o Linear e o Pictórico

Abertura

03 de setembro às 19hs

Exposição

De 04/09 a 30/09

Segunda a sexta-feira, 12h30 às 18h30

Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões

Av. João Gualberto, 530/570 (com estacionamento)

Alto da Glória – Curitiba -PR

Informações: (41) 3219-8056

Poliana Dal Bosco
Estagiária / ASCOM
Fone: 41 3219.8035
Fax: 41 3219.8153

www.brde.com.br

MEDIOCRIDADE versus TALENTO / editoria

quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas.

o velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: -“Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta.”

e ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio podia dar ao pupilo que se iniciava numa carreira difícil. a maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência. temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam apetite pelo poder. mas é preciso considerar que esses medíocres, ladinos, oportunistas e ambiciosos têm o hábito de salvaguardar as posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar.

dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do “Elogio da Loucura”  de Erasmo de Roterdam, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir-se de burra se quiser vencer na vida.

o grande dramaturgo brasileiro nelson rodrigues nos deixou esta:

Finge-te de idiota e terás o céu e a terra.

VERA LÚCIA KALAHARI e sua poesia / portugal

Disseste que voltavas

E eu esperei…

Mandei que as acácias rubras

Florissem só para ti.

Que as casuarinas desgrenhadas

Se vestissem com mantos de nívea espuma.

Mandei que as rosas

Se abrissem só para ti…

Que juncassem de flores

As pedras de cada rua…

Que tocassem batucadas

Na noite luarenta…

Qu’acendessem fogueiras

Em todas as esquinas…

Tu não voltaste.

Murcharam as acácias

A florirem numa ansiedade vã…

Curvaram-se as casuarinas

Com lágrimas d’espuma

Caindo na praia escura…

Calaram-se os cantos nos beirais.

Parados quedávamos

Tentando o som dos teus passos escutar…

Calou-se o menino de barriguinha inchada

Qu’esperava por ti para o salvares…

Que fazias que não voltavas?

Que fizemos p´ra não voltares?

Tu que trouxeras a fé e a crença

A este povo descrente

Eras agora uma voz …

Uma voz…nada mais.