MANOEL DE ANDRADE comenta em: “SIETE PUÑALES EN EL CORAZÓN DE AMÉRICA” por fidel castro / cuba

Comentário:
Sete punhais no coração da América. Que poética imagem para relembrar as incontáveis punhaladas cravadas no corpo inteiro da América desde que os saqueadores europeus chegaram aqui há quinhentos anos.

Em 1519, no México, o Imperador Montezuma II acolhe os espanhóis como enviados divinos e recebe o ingrato punhal  da prisão e da  morte com grande parte do seu povo,  pela cobiça de seu ouro por Fernão Cortez,  Pedro de Alvarado e seus prespostos.
MANOEL DE ANDRADE - FOTO DELE - IMG_7355Em 1532, o Imperador do Peru, Atahualpa,  é traído e aprisionado em Cajamarca por Francisco Pizarro, que toma seu ouro e depois manda executá-lo por estrangulamento.

No Chile os indomáveis araucanos resistiram às crueldades e as fogueiras de Diego de Almagro e ao conquistador Pedro de Valdívia e seus sucessores, mas resistiram por 350 anos. Muitos caíram com  o punhal da crueldade espanhola…,como Galvarino, que teve as mãos cortadas e Caupolicán, que foi empalado vivo. Conheci seus sobreviventes, nas montanhas de Arauco, no sul do Chile,  onde se isolaram da “civilização” e mantém ainda viva a memória heróica do passado.

Artigas, San Martin, O’Higgins, Sucre, Bolívar, Hidaldo e Juarez, os pais de tantas pátrias e que arrancaram os punhais do domínio espanhol da América.

Mas depois viriam os punhais dos comerciantes ingleses a sangrar, com a usura e a ganância comercial  a nossa independência política.
Viriam os punhais yanques da United Fruit para engolfar-se no sangue dos camponeses guatemaltecos, hondurenhos e salvadorenhos.
E essa Cuba heróica,  bloqueada  pelo poder do império e apunhalada, há cinco décadas, pelos representantes bastardos do sangue latino-americano.
E vieram  os punhais da CIA para assassinar nossos revolucionários.

Sim…, há que tomar partido diante destes sete punhais a serem cravados no coração da América. Ali…, onde  em o6 de  dezembro de 1928,  a praça principal da cidade colombiana de Ciénaga, tingiu-se de vermelho no já esquecido “Massacre das bananeiras”. Sob as ordens yanques da United Fruit os velozes punhais de chumbo silenciaram o protesto de  mais de mil camponeses que caiam abraçados com suas mulheres e seus filhos.. Alí…, na pátria do “Bogotaço” onde assassinaram a voz de Eliécer Gaitán  e depois caiu  Camilo Torres.

RESISTÊNCIA …, SIM….   “los pueblos pueden resistir y ser portadores de los principios más sagrados de la sociedad humana. De lo contrario el imperio destruirá la civilización y la propia especie.”
Veja a matéria comentada  AQUI.

2 Respostas

  1. Prezado Manoel de Andrade,

    Também não posso me calar diante desta ignomínia intentada pelo Governo Ianque em perfeita parcimônia do Governo Colombiano. Com o propósito do combate ao narcotráfico e à guerrilha dos homens aramados da floresta (aramados, sim) pretendem ajudar ao cerco da América Latina atavés do plantio de base de plataformas para o lançamento da virtude armada americana sobre nós.

    Sobre o Presidente Obama, esperança de um esperanto lingual, emocional e intelectual, tenho a dizer que não se cria um carneiro no meio de porcos e espera-se que ele continue a se comportar como carneiro. Pode até parecer com carneiro, mas irá certamente chafurdar nas lamas, comer e se empazinar como seus coegas de cativeiro ou de campeadura livre. Ao final de um ano, ou pouco mais, estará tão gordo como seus camaradas porcos que duvidaremos seja ele descendente de carneiro.

    Pois bem, Galeano revelou ao nosso olhar e reflexão nossa América Latina devastada pelos europeus desde nosso início pela “civilização branca”. Agradeço a você que não nos deixa esquecer tão importantes fatos e acontecimentos demonstrando que ainda resistimos. Invertendo a frase famosa: certamente não perderemos a ternura, mas é preciso endurecer. Pelo menos em situações como esta.

    Grande Abraço.
    TM

  2. Comento meu próprio comentário para complementá-lo em função da reunião da UNASUL (União de Nações Sul-Americanas) realizada neste 28 de agosto em Bariloche e convocada para discutir o acordo entre Bogotá e Washington para a instalação de sete bases militares dos Estados Unidos, na Colômbia, com o propósito de combater o narcotráfico. Uma vez aprovado, esse acordo permitirá, manter por 10 anos, em território colombiano, 1400 norte-americanos, entre militares e civis.

    É inquietante ver a tolerância de alguns estadistas do continente, em relação a este acordo depois do que os Estados Unidos, através da CIA e do Pentágono, fizeram na América Latina, sobretudo na década de 70, treinando e assessorando o terror das ditaduras militares para o assassinato de vários políticos e militantes revolucionários notadamente na Bolívia, Brasil, Uruguai, Argentina e Chile.
    Salvo a declarada oposição dos presidentes da Venezuela, Bolívia e Equador e a tímida posição do Brasil e da Argentina, evidenciou-se o respaldo ao acordo por parte da presidência do Chile e do Peru e a posição indefinida do Paraguai.

    A radical posição do presidente colombiano Álvaro Uribe e a intencional bilateralidade desse acordo é um oportuno “cavalo de tróia” com que o imperialismo norte-americano pretende retomar seu domínio no sul do Continente. Preocupado com o avanço dos governos populares que na última década mudaram a paisagem sociopolítica da região o Império busca recuperar sua hegemonia com a expansão do seu poder militar cercando sobretudo países como Bolívia, Equador e Venezuela cujos territórios, além das sete bases da Colômbia, estariam também ameaçados pela bases norte-americanas em Aruba, Curaçao e Guantánamo. Fechando esse cerco à região andina, há o controle estratégico norte-americano da base de Mariscal Estigarríbia, no norte do Paraguai, a poucos quilômetros do território boliviano e cuja extensa pista pode receber gigantescos aviões de transporte militar. Este cenário se completa com a franca posição do presidente peruano Alan Garcia como um potencial aliado aos projetos militares ianques para América Latina.

    A propósito do artigo “SETE PUNHAIS NO CORAÇÃO DA AMÉRICA”, entendo que a legitimidade histórica deste texto de Fidel Castro se apresenta em nossos dias como um sugestivo segundo posfácio (virtual) ao livro “AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA”, escrito pelo uruguaio Eduardo Galeano há 40 anos e que aqui no Brasil já deve ter passado da 50ª edição. Oferecido, neste mês de abril, por Hugo Chavez a Barack Obama, como um oportuno presente de grego, e a subliminar intenção de um ofendido para um ofensor, o livro condensa os 500 anos de crueldade e saque à América luzo-espanhola, contados pela vivência itinerante do autor, respaldado por uma invejável bibliografia e por dados e estatísticas irrefutáveis. Galeano descreve toda a fisiologia histórica do Continente em cujas veias latinas ainda escorrem, abertamente, segundo Fidel, o sangue da América.
    Está na hora de abrir os olhos em relação a Obama. Todo aquele otimismo e esperança vai se transformando em desconfiança e não há sinais de que ele vá mudar a política externa de Bush.
    Quem sabe esteja voltando a Casa Branca uma renovada filosofia de expansão militar baseada no estilo de Theodore Roosevelt: “Fale com suavidade mas tenha à mão um porrete”.

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