Arquivos Diários: 2 setembro, 2009

O ARTISTA VISUAL “JUAREZ MACHADO” abriu sua exposição: CHÂTEAUX BORDEAUX em CURITIBA

abriu ontem a exposição Châteaux Bordeaux, do artista visual catarinense Juarez Machado, na Simões de Assis Galeria de Arte. Juarez passou três meses viajando pelo interior da França, país em que reside há 20 anos, hóspede dos mais encantadores castelos da região.

na exposição estavam presentes:

JUAREZ MANECO TEREZA CLETODSC06525

o poeta –  palavreiro da hora – manoel de andrade e autor de CANTARES e POEMAS PARA A LIBERDADE, tereza (esposa de cleto), o artista visual juarez machado e o poeta e editor cleto de assis. amigos das antigas.

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MEU DISCURSO NO PLENÁRIO por “o ruminante”* / belem

Todos nós, cidadãos brasileiros, temos o direito de nos expressar ante as assembléias e senado. Um dia pretendo falar no plenário, seja municipal, estadual ou federal, ainda que desprezado, vou utilizar deste meu direito, que hoje acredito estar tornado-se dever.

Apenas para registrar: não tenho nenhuma pretensão política!

Caso o discurso fosse hoje, este seria assim:

“Caros cidadãos que me ouvem, gostaria de dizer que não sou líder comunitário, não represento nenhuma classe social ou grupo sindical, não tenho conhecimento dos procedimentos políticos necessários para a adequada governança de nosso país. Além disso, nunca me interessei realmente por política, sendo assim, não conheço a fundo o histórico político da grande maioria dos políticos que aqui se encontram.

Apesar da desqualificação que vos apresentei agora, tenho algo que me faz apto para expressar minha indignação: SOU CIDADÃO BRASILEIRO E NÃO AGUENTO MAIS!

Desde minha infância ouço dos que estão a minha volta que a carreira política não é para pessoas honestas, porém sempre achei que isso fosse um exagero, certamente estas pessoas que receberam votos estavam lá para ajudar o povo e governar o país na direção correta, poucos deveriam ser os desonestos.

Minha inocência passou, passei a prestar atenção com olhos maduros ao que acontece no dia-a-dia dos políticos brasileiros e, hoje, temo não confiar em mais nenhum destes cidadãos (sim, vocês também são somente cidadãos, assim como eu).

Apesar de me parecer que todos os políticos brasileiros são corruptos, quero acreditar que dentre todos vocês ainda há alguém que realmente se preocupa com o próximo, que se comove ante as necessidades e dramas alheios, que tem moral e ética para agir conforme o bem da nação, no cumprimento das leis e, principalmente, no respeito ao próximo.

O simples respeito ao próximo seria suficiente para que os governantes deste país atuassem de forma mais digna do que vemos atualmente! Basta isto: RESPEITO!

Hoje nossos políticos sofrem de um total desrespeito por nós, cidadãos comuns (apesar de que para mim, todos são cidadãos comuns), por conta disso não fazem o que nós precisamos, mas o que precisam aos seus interesses pessoais.

Nós brasileiros não estamos reagindo como deveríamos! Não falo de luta armada, de revoltas e nada de violento, mas de voto. Tem exatamente 12 anos que não voto em ninguém, tenho anulado meu voto a cada eleição, não consigo votar em nenhuma pessoa que se habilita para defender os meus direitos de brasileiro.

Não deixei de votar como um ato de protesto, mas por não ter em quem votar! Quase votei no Presidente Lula, mas agradeço no repente de nacionalismo que tive em frente a urna que me levou a anular, também, este voto.

Atualmente, digo a todos que não temos políticos em nosso país, mas um grupo de pessoas acima da cidadania que não respeitam ninguém. Estas pessoas não se importam com a base moral que deveriam representar e que, tanto quanto um traficante de drogas, prejudicam nosso país com suas atitudes egoístas e mercenárias.

Sou apenas, repito, um cidadão comum, mas sei que minha consciência jamais se calará diante da condição política que nos encontramos. Se minha voz puder chegar ao resto da nação, espero fazer nestas poucas palavras mais do que qualquer polítco da atualidade tem feito por nosso país.

Muito obrigado

O Ruminante”

Caso alguém queira saber, estou completamente bêbado, mas escrevo de coração.

* o site tem a verdadeira identidade do autor.

ARROZ de CARRETEIRO – de jayme caetano braun / são borja.rgs

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Nobre cardápio crioulo das primitivas jornadas,
Nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado,
Por certo nisso inspirado, o xiru velho campeiro
Te batizou de “Carreteiro”, meu velho arroz com guisado.

Não tem mistério o feitio dessa iguaria bagual,
É xarque – arroz – graxa – sal
É água pura em quantidade.
Meta fogo de verdade na panela cascurrenta.
Alho – cebola ou pimenta, isso conforme a vontade.

Não tem luxo – é tudo simples, pra fazer um carreiteiro.
Se fica algum “marinheiro” de vereda vem à tona.
Bote – se houver – manjerona, que dá um gostito melhor
Tapiando o amargo do suor que –
às vezes, vem da carona.

Pois em cima desse traste de uso tão abarbarado,
É onde se corta o guisado ligeirito – com destreza.
Prato rude – com certeza,
mas quando ferve em voz rouca
Deixa com água na boca a mais dengosa princesa.

Ah! Que saudades eu tenho
dos tempos em que tropeava
Quando de volta me apeava
num fogão rumbeando o cheiro
E por ali – tarimbeiro, cansado de bater casco,
Me esquecia do churrasco saboreando um carreteiro.

Em quanto pouso cheguei de pingo pelo cabresto,
Na falta de outro pretexto indagando algum atalho,
Mas sempre ao ver o borralho onde a panela fervia
Eu cá comigo dizia: chegou de passar trabalho.

Por isso – meu prato xucro, eu me paro acabrunhado
Ao te ver falsificado na cozinha do povoeiro
Desvirtuado por dinheiro à tradição gauchesca,
Guisado de carne fresca, não é arroz de carreteiro.

Hoje te matam à Mingua, em palácio e restaurante
Mas não há quem te suplante,
nem que o mundo se derreta,
Se és feito em panela preta, servido em prato de lata
Bombeando a lua de prata sob a quincha da carreta!

Por isso, quando eu chegar,
nalgum fogão do além-vida,
Se lá não houver comida já pedi a Deus por consolo,
Que junto ao fogão crioulo,

Quando for escurecendo, meu mate -amargo sorvendo,
A cavalo nalgum tronco, escute, ao menos, o ronco
De um “Carreteiro” fervendo.

PONDERAÇÕES e VAI – de raimundo rolim / morretes.pr

Ponderações

Ele andava meio desconsoladaço com a sua vaquinha de estimação. Mas que não era para tanto, para ir tão longe, isto não!! Era verdade que ela já lhe havia escondido o leite umas não sei quantas vezes. Talvez fosse a ração, ou o feno não estava fresco o quanto deveria; a contento, sei lá. Quem sabe era o tempo! Andava mesmo meio úmido e meio frio, chove não chove. Mas os seus olhos, isto é, os da vaquinha, guardavam sempre a mesma aparência tranqüila, apuradissimamente bovinos! Mansos, redondos, meio revirados às vezes, por não ter o que fazer a não ser ruminar infinitamente o bocado que lhe era oferecido pelo seu amo e senhor! E ele passou a mão, vendeu-a pro açougue! Ela ficou lá, dependurada, com seus imensos olhos redondos, meio revirados, já não tinha mais o que fazer.

Vai

Com seu estilo erótico, o poeta anárquico, a convite da madre superiora que não lhe conhecia a fama ou o estilo, ruborizar-se-ia e muito, depois de ouvir dele os satânicos, apoquentados e luxuriantes versos impregnados de todas as intenções possíveis. Eles encheriam de sangue e calor as partes internas e delicadas das mocinhas que lá estavam a aprender dentre outras matérias a etiqueta social e prendas domésticas; além, é claro de muita religião. Algumas seriam freiras mais tarde. E foi lá que o poeta, desferiu-lhes golpes de estupor, volúpia e desejos num sábado, à tarde, no outeiro, um tipo de recital ! Sabedoras que lá estaria um poeta, as noviças já o esperavam entre ardores e suspiros. Ficavam pelas janelas do enorme e retangular prédio, às espreitas, ouvidos aguçados para o pátio interno, onde, a qualquer momento, cercado por flores e pequenos arbustos, o poeta belo e sedutor, estaria a traduzir os delírios amorosos por meio de seus poemas! Chegou-se ele, como elas o imaginavam: doce, lábios rosados, tez pálida e cabelos alourados encaracolados, de olhar divagante e algo triste. Com gestos largos e delicados, voz firme e grave, recitou seus poemas. Falava de todos os sonhos possíveis, da arte de amar e ser amado(a), das intimidades destes amores e do que eles são capazes de provocar na reclusa e faminta alma humana. Quando das derradeiras estrofes do caliente e lírico “Para bem amar” (que por óbvias razões ele deixara por último) as fêmeas do convento, corações em brasa e completamente despossuídas de quaisquer sentimentos da razão, passaram ao desnudamento. Peça por peça esvoaçaram para cair lá, onde estava o poeta, braços abertos, a olhar incrédulo o que acontecia naquele convento. Toda uma santa nudez vista de baixo para cima! Ato contínuo e a um só tempo, começaram as criaturas candidatas a esposas do sagrado, a gemer e a revirar lânguidos e brilhantes olhinhos, com os dedinhos lá, num ato de justiça com as próprias mãos, enquanto o poeta, extasiado, terminava a sua fala: “Para um profundo estado de excitação coletiva, faz-se mister que haja mais de uma pessoa”… E o poeta que nem era tão bom assim, ou seja, era ruinzinho mesmo (como se percebe pelos seus versos últimos), fora expulso do recinto pelas outras sórores antes que a superiora madre o agarrasse sôfrega em pleno estado de ululação e o prendesse numa tesoura de pernas. Ufah! Foi por pouco. Alcunhou-se o lugar, a partir de então, como o “Convento das Possessas Uivantes”.

GLORIA AO POETA de anibal nunes pires / florianópolis

Manejas rimas e imaginação
No ébrio jogo de palavras seletas;
Derramas música no coração
E música n’alma do triste injetas.

Incompreendido! Sofre incompreensão!
Nada podes esperar dos patetas
Que bem longe se acham da perfeição.
Tudo dizem, tudo falam dos poetas:

Os destinos sempre lhes são adversos
E nada aprimora os seus caracteres.
Tu Musa! diz aos poetas diversos!

Que existe um prêmio, diz como quiseres.
A glória de transformar tudo em versos,
Morrer do amor, do gozo das mulheres!

[in Revista Terra, acervo IHGSC]