VERA LÚCIA KALAHARI e sua poesia / portugal

Disseste que voltavas

E eu esperei…

Mandei que as acácias rubras

Florissem só para ti.

Que as casuarinas desgrenhadas

Se vestissem com mantos de nívea espuma.

Mandei que as rosas

Se abrissem só para ti…

Que juncassem de flores

As pedras de cada rua…

Que tocassem batucadas

Na noite luarenta…

Qu’acendessem fogueiras

Em todas as esquinas…

Tu não voltaste.

Murcharam as acácias

A florirem numa ansiedade vã…

Curvaram-se as casuarinas

Com lágrimas d’espuma

Caindo na praia escura…

Calaram-se os cantos nos beirais.

Parados quedávamos

Tentando o som dos teus passos escutar…

Calou-se o menino de barriguinha inchada

Qu’esperava por ti para o salvares…

Que fazias que não voltavas?

Que fizemos p´ra não voltares?

Tu que trouxeras a fé e a crença

A este povo descrente

Eras agora uma voz …

Uma voz…nada mais.

3 Respostas

  1. Vera e Marilda,
    Desculpem-me a intromissão.

    Duas mulheres conversando, francas.
    Que delícia, quanto perfume no ar…
    …tendo um belo poema como motivação, assim dá-se o elo.

    Marilda, estou conhecendo e cada vez mais me apaixonando.
    Vera Lúcia é uma nova árvore no caminho, que vai ventando
    soltando cabelos e galhos ao sabor da brisa balouçante.

    Que bom estar entre vocês.
    Tenham um dia muito feliz.
    E não nos deixem de brindar com seus poemas.
    Mesmo que eles sejam de esperas ou de lamentos por esperar…
    nós, homens, também esperamos…
    …e como.

    Deixo às duas fortes abraços,
    TM

  2. Cada vez mais cresce a minha admiração por si… Passar um tempinho conversando consigo deve ser uma delícia, com essa sua maneira de estar na vida… Sabe, que ao contrário do que transparece nos meus textos, também sou bastante bem disposta…Quer dizer, sou os dois extremos. Agora vou entrar numa nova espera: Espero ter a oportunidade de um dia a conhecer pessoalmente. Penso que vamos dar boas risadas.Beijo grande,Marilda.

  3. Nós mulheres, e a eterna sina da espera… esperar namorado, esperar marido, esperar filhos, esperar netos, esperar a morte. Andei contando os poemas que escrevi sobre “espera”… mais de 30, acredita? Esse teu poema, cabe em todas as espera, Vera.
    Beijo

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