Arquivos Diários: 13 setembro, 2009

A BRANCA DE NEVE, o conto e HOJE / editoria

A história da Branca de Neve contada pelos irmãos Grimm tem algumas diferenças da história que muita gente conhece. No começo de tudo, a princesa se espeta numa agulha e ao deixar seu sangue cair na neve ela faz um pedido para que, se um dia, viesse a ter uma filha, que ela fosse branca como a neve, tivesse cabelos negros como o ébano e que seus lábios fossem vermelhos como aquele sangue que tocara a neve. Não tardou muito e a princesa teve uma filha de descrições idênticas ao seu pedido. Mas tão cedo sua filha veio ao mundo, a princesa morreu. Seu pai, o príncipe pôs então seu nome de “Branca de Neve” e logo desenviuvou, casando com a futura madrasta da princesinha recém-nascida. Após a morte do seu pai, Branca de Neve cresceu. Sua madrasta possuia um espelho mágico e sempre envaidecida vivia perguntando ao seu espelho quem era a mais bela daquela região. Até que um certo dia a madrasta perguntou: “Quem é a mais bela de todas?”, e o seu espelho não tardou a dizer: “Você é bela rainha, isso é verdade, mas a Branca de Neve possui mais beleza e vaidade.”

A Rainha cheia de inveja contratou um caçador e ordenou que ele matasse a Branca de Neve e trouxesse seu coração como prova, na esperança de voltar a ser a mais bela de todas. O caçador ficou inseguro, mas aceitou o trabalho. Pronto para matar a bela princesa, o caçador desistiu ao ver que ela era a moça mais bela que jamais tinha visto em toda a vida. Ele foi rápido ao dizer para a mesma fugir e se esconder na floresta, e para enganar a rainha ele entregou o coração de um jovem veado. A rainha assou o coração e comeu, crente de que Branca de Neve estava morta, só que ao consultar seu espelho mágico ele continuou a dizer que Branca de Neve era a mais bela. Branca de Neve então fugiu, e acabou achando uma casinha, onde ao entrar, descobriu que lá moravam sete anões. Ela, como sempre tão bondosa, limpou toda a casa e, cansada pelo esforço que fez, adormeceu na cama do anões, que ao chegarem levaram um susto, mas logo se alcamaram ao ver que era apenas uma bela moça e que a mesma tinha arrumado toda a casa. Como agradecimento eles cederam sua casa como esconderijo de Branca de Neve, mas na condição dela continuar a lavar e limpar a casa deles.

A rainha não tardou a descobrir o esconderijo de Branca de Neve e resolveu então matá-la com as próprias mãos. Ela disfarçou-se de mascate e foi a casa dos anõezinhos. Chegando lá, ela ofereceu um laço de fita a Branca de Neve que aceitou. A rainha ofereçeu ajuda para amarrar o laço em volta da cintura de Branca de Neve, só que ao fazer, apertou com tanta força que Branca de Neve caiu desmaiada. Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve sufocada pelo laço de fita, rapidamente cortaram-no e ela voltou a respirar. A rainha novamente descobriu que Branca de Neve não estava morta e voltou a se disfarçar, mas desta vez como uma velha senhora que vendia escovas, mas na verdade elas estavam envenenadas, e ao dar a primeira escovada, Branca de Neve caiu no chão desmaida. Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve desmaiada, rapidamente retiraram a escova de seus cabelos e ela acordou. A rainha já enlouquecida de fúria decidiu usar um outro método: uma maçã enfeitiçada. Dessa vez disfarçou-se de uma fazendeira e ofereçeu uma maçã, Branca de Neve ficou em dúvida, mas a Rainha cortou a maçã ao meio e comeu a parte que não estava enfeitiçada, Branca de Neve aceitou e comeu o outro pedaço, que estava enfeitiçado. Ele inchou dentro da garganta de Branca de Neve e esta ficou sem ar. Quando os anões chegaram e viram Branca de Neve no chão tentaram ajudá-la, mas não sabiam o que causou tudo aquilo, então eles pensaram que Branca de Neve estava morta, e por ser tão linda, eles não tiveram coragem de enterrá-la, então puseram-na num caixão de vidro.

Certo dia, um príncipe que andava pelas redondezas avistou o caixão de vidro e dentro dela uma bela donzela. Ficou tão apaixonado que perguntou aos anões se podiam levá-la para o seu castelo, os anões aceitaram e os servos do príncipe colocaram-na na carruagem. No caminho, a carruagem tropeçou, e no pulo que deu, o pedaço de maçã que estava entalado na garganta de Branca de Neve saiu, e ela pôde novamente respirar. O príncipe então casou-se com ela, e no dia da festa, a rainha compareceu, morrendo de inveja.

Como castigo, ao recuar para sair do palácio, acabou tropeçando num par de botas de ferro que estavam aquecidas (sabe-se lá quem pôs isso atrás dela). As botas fixaram-se na rainha e obrigaram-na a dançar, e ela dançou e dançou, até finalmente, cair morta.

A BRANCA DE NEVE HOJE:

.branca neve

arte livre.

wp.

TRÊS MONSTROS SAGRADOS por hamilton alves / florianópolis

Num dia desses, um amigo me brindou com a remessa de uma mensagem contendo o registro de Tom Jobim e Elis Regina cantando a memorável e inexcedível composição “Águas de Março” (letra e música, como sabido, casaram-se às mil maravilhas).

Me deleitava com essa audiência, com Tom na flauta, acompanhando Elis, os dois se entreolhando, quem sabe se namorando e, no fundo, se amando (tinham, na realidade, uma gamação um pelo outro  no plano da amizade que não escondiam ou não conseguiam esconder). Tom era ainda um moço bem aprumado de pouco mais de trinta anos, certamente. Elis estava na flor da idade também. Os dois exuberavam talento. Mas a vida, como sempre, fez o resto. Levou-nos os dois, ela de forma trágica. E a música popular brasileira, claro, tinha só que murchar e empalidecer.

Mas como dizia, estava assim a apreciar os dois grandes artistas quando Ilmar Carvalho – como sempre o faz – me liga do Rio. Ilmar não é apenas um excelente cronista, resenhista, melômano de mão cheia, crítico musical de clássico e popular, mas é, acima de tudo isso, um homem que acompanha o quadro cultural urbi et orbi.

Referi-lhe a coincidência de sua ligação, sendo ele, como dito, um apaixonado ou aficionado da MPB, com o fato de me deparar com os dois (Tom e Elis) na tela do computador, com essa beleza de canção.

Foi então que me contou duas histórias envolvendo Tom (há muitas, claro). Uma das quais ligada ao caso que lhe mencionei de ser Tom grande admirador de Drummond. Ele emendou, em seguida: – A admiração era tal que, quando, certa vez, Tom se encontrou com Drummond, numa rua de Copacabana, abaixou-se e lhe beijou os pés.

E disse-me mais: que essa letra de “Águas de Março” foi considerada a mais bela da música popular mundial        .

Aproveitei a oportunidade para lhe dar duas informações sobre o poeta: 1) que Houaiss recebeu missão dos membros da Academia Brasileira de Letras para convidar Drummond a integrá-la. Para isso, foi visitá-lo em seu apartamento na rua Conselheiro Lafayette, em Copacabana. Drummod recebeu-o amavelmente. Houaiss lhe disse que, para ingressar na ABL, Drummond precisaria apenas se candidatar; mais nada; o resto os membros da ABL fariam.

Drummond disse a Houaiss que se sentia muito sensibilizado com o convite, mas não conseguia se ver envergando o fardão de acadêmico nem muito menos pronunciando o discurso de posse, o que, de ante-mão, o levavam à recusa de tão nobre quão honrosa distinção; 2) o mesmo deu-se com a indicação de seu nome ao prêmio Nobel de literatura, na condição de poeta, não autorizando quem quer que seja a tomar tal iniciativa.

Drummond, Tom, Elis Regina, que grandes artistas, que colocaram numa altura tão grande a arte que praticaram, que, sem dúvida, assinalou uma época.

(set/09)

AS MEIAS LUTAS por alceu sperança / cascavel.pr

Gosto muito do senador Christovam Buarque, dos ambientalistas e especialmente dos estudantes, aos quais dediquei meu livro Cascavel, A História.

Mas é preciso ter esse radicalismo meio chato, e contudo necessário, de dizer a todos que de pouco resolve lutarAlceu sperança  - AJC (1)pontualmente pela educação, pela proteção ambiental, pelo passe-livre no ônibus.

Há muito canalha educado e de boas maneiras. O problema da destruição ambiental não é do “homem”, mas de um sistema cruel e injusto. E educar as pessoas para se acomodarem a ele não vai liquidá-lo.

Você pode ganhar o passe-livre hoje e não ter ônibus amanhã, porque o sistema é sacana: quem paga o transporte coletivo, de fato, é o trabalhador que aguenta chuva e vento no ponto de ônibus, e não o prefeito aburguesado ou o governador falastrão, diante de cujos palácios as passeatas são feitas.

Se os professores, os ambientalistas e os jovens não perceberem que o problema é o capitalismo, ainda mais agressivo em sua atual etapa neoliberal, continuaremos vítimas da ideologia.

Seguiremos tomando atitudes politicamente corretas, como lutar pela educação integral, pelo ambiente repleto de belas borboletas e pelo estudante sem pagar lotação, mas estaremos cultivando e mantendo as grandes causas das desgraças e das injustiças deste mundo.

Em recente reunião, discutindo a importância da educação no processo de desenvolvimento político, a professora Ana Carla Marques da Silva alertou que a educação, por si mesma, não é nenhum instrumento revolucionário.

Por sua vez, a propósito da pasmaceira do movimento estudantil, hoje engabelado pela guarda pretoriana do lulismo, a professora Francis Mary Nogueira nos deu um recado magnífico:

“Não só o movimento estudantil, como o sindical e de esquerda, precisam entender o que está acontecendo para orientar as organizações”.

São questões incompreensíveis para quem sucumbiu à ideologia, essa coisa manipuladora e quase invisível que sacraliza o pontual e demoniza o geral.

As lutas pontuais são importantes, é claro, pois seria um absurdo estudante não brigar para ter professor em sala, desempregado não lutar por trabalho, favelado não reclamar casa, deserdado do campo se conformar em não ter terra.

É preciso inclusive intensificar todas essas e outras lutas. Mas ainda assim estaremos hipnotizados pelo pêndulo manipulado pela causa de toda essa desgraceira que nos aflige, enluta, entristece e deixa inseguros: a ideologia, que mente, distorce, esconde a verdade, privilegia o secundário, distrai com a irrelevância.

Um pêndulo a serviço do neoliberalismo, com sua economia desempregadora, sua precarização do trabalho, maximização de lucros dos banqueiros e das transnacionais, a adequação dos estados nacionais a seus propósitos desumanizantes.

Assim, as lutas pela educação, pelo meio ambiente e pelo passe-livre são apenas meias lutas, pois não focam as causas ocultas – e malandramente disfarçadas – do descalabro educacional, da destruição ambiental e do elevado custo do transporte urbano (e da vida, em geral).

Só a luz no fim do túnel não basta. É preciso abrir o olho para aproveitá-la e ver de fato o que acontece em nosso mundo: a prevalência do sistema de culto ao vencedor, que implica haver guerras.

Moderno, eficiente e poderoso, ele nos enreda em sua teia de trapaças, ameaçando a sobrevivência da espécie humana com o desastre do clima, por exemplo.

Um desastre que igualará na desgraça ricos e remediados aos famintos. O “socialismo” da infelicidade substituindo aquele que desejamos – o usufruto coletivo das riquezas.

Ecossistemas do Ártico são gravemente afetados pelo aquecimento, diz estudo / pensilvania.usa

Populações de certas espécies estão se alterando na região.
Desequilíbrio de ciclo nutricional afeta sobrevivência.ECOSSISTEMAS DO ÁRTICO - ARTICO FOTO 1

Aquecimento no Ártico foi duas a três vezes maior que a média global. (Foto: Universidade Estadual da Pensilvânia/Science

A temperatura média da superfície terrestre subiu 0,4°C nos últimos 150 anos. Mas no Ártico o aquecimento foi duas a três vezes maior. Nas últimas duas a três décadas, a extensão mínima da calota de gelo sobre o mar ártico recuou 45 mil quilômetros quadrados por ano. Evidentemente, isso não pode ocorrer sem consequências. Pesquisadores liderados por Eric Post, do departamento de biologia da Universidade Estadual da Pensilvânia, publicaram na “Science” um balanço dos impactos do efeito estufa sobre ecossistemas do Polo Norte.

ECOSSISTEMAS DO ÁRTICO - artico foto 2

As espécies mais afetadas são aquelas que dependem do gelo para obter provisões, reproduzir-se e para escapar de predadores. Estão nessa situação incômoda a foca-de-crista ou foca-de-capuz (Cystophora cristata), a foca anelada (Pusa hispida), a morsa do Pacífico (Odobenus rosmarus divergens), o narval ou unicórnio-do-mar (Monodon monoceros) e o urso polar.

Mas há muitos outros sinais de desarranjo. Por exemplo: a população de raposas-do-Ártico (Alopex lagopus) está declinando em certas áreas, enquanto cresce a de raposas-vermelhas (Vulpes vulpes). Em algumas regiões da Groenlândia, o princípio da temporada de crescimento de vegetação foi antecipado, enquanto o período de procriação das renas (Rangifer tarandus) continua como sempre foi. O auge de oferta de alimento acontece agora antes do pico de demanda das fêmeas prenhes. Quando elas mais precisam, a comida já está escasseando. O resultado disso é um desequilíbrio de ciclo nutricional que está reduzindo o número das crias e abreviando seu tempo de vida.

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Efeito estufa altera ciclo nutricional e está prejudicando a reprodução de renas. (Foto: Universidade Estadual da Pensilvânia/Science)

Essas alterações aceleradas que estão sacudindo o Ártico, todas vinculadas ao clima, podem ser um indício de mudanças prestes a ocorrer em latitudes mais baixas, avisa a equipe de Post.

G1