Arquivos Diários: 20 setembro, 2009

CHARLES SILVA e sua POESIA I – florianópolis

o hímen e o sêmen

quando gemem

é por amor

a língua e o lábio

quando tremem

por favor

não diga nada

eu vou botar

sal na saudade

e preparar para o almoço

que um passo de coragem

tem que ir até o osso

minha fada

estica a rede

um gole verde dessa tarde

enrosca alegre meu pescoço

é tão verdade

é tanta febre

o hímen e o sêmen

quando gemem

é puro amor

DISCURSO DE POSSE por hamilton alves / florianópolis

Sabe-se que Drummond recusou-se de pertencer aos quadros da Academia Brasileira de Letras, com horror do fardão e de proferir o discurso de posse. Imagino qual teria sido, aproximadamente, numa ocasião dessas, caso aceitasse integrar-se àquele sodalício (ó, palavrinha horrível):

“Meus senhores,

Eis-me aqui eleito para esta Academia, à qual fui convidado a candidatar-me à vaga de Fulano de Tal. Não falarei desse Fulano porque mal o conheci e mal o li.

O convite, podeis crer, foi inesperado. Pois jamais sonhei ou sequer cogitei de um dia vir a pertencer aos vossos quadros e formar convosco sob o teto desta vetusta e respeitável casa.

Aqui estou. E, na verdade, nem sei para que. Ou com que cara.

Vacilei muito entre aceitar ou não o convite que me foi formulado por um de vós.

Foi, para mim, crede-me, honraria excessiva, eu que me reconheço um modesto poeta, com uma dúzia, se tantos, de poemas bem realizados, um dos quais sempre esperei que uma comissão julgadora, formada por ilustres personalidades, incluísse  entre os dez melhores do mundo, que considero o que corresponde as minhas exigências – “José”, que, no entanto, foi preterido por dois de Fernando Pessoa. Mas fazer o que?

Estou aqui, para minha surpresa ou perplexidade, vestindo esse fardão, que podeis perceber não me assentar bem. Sinto-me ridículo nele. E, sobre tudo isso, pesa-me. E de dois modos: pesa-me por ser o vosso fardão, instituído por esta casa; pesa-me porque é uma roupa que não me vai bem.

O que faz a vaidade!

Não encontro palavras para expressar o meu ingresso nesta Academia, que conta com figuras tão eminentes quão respeitáveis. Quisera me sentir à altura de todos os senhores para bem merecer vestir esse fardão e receber o título de acadêmico.

Mas farei tudo por merecê-los, eu que, de mim, sou refratário a todos esses incômodos rapapés.

Sou, de natureza, um homem simples, que não se sente confortável sob as luzes da fama ou do aparato acadêmico.

Que mais direi neste momento de tanta solenidade quanto de perplexidade para minha modéstia?

Acho que disse tudo o que me cabia.

E mais não direi”.

Ao fim, Drummond, com apertos de mãos e calorosos abraços, tomaria assento em sua cadeira. Seguir-se-ia, muito certamente, o chá das cinco, tão costumeiro e tradicional na Casa de Machado de Assis. Para gáudio de todos os presentes e do eleito.

20 DE SETEMBRO DE 1835: ESTOURA a REVOLUÇÃO FARROUPILHA – REPÚBLICA DO PIRATINI – GUERRA dos FARRAPOS / editoria –

REVOLUÇÃO FARROUPILHA, também é chamada de Guerra dos Farrapos ou Decênio Heróico ( 1835 – 1845), eclodiu no Rio Grande do Sul e configurou-se, na mais longa revolta brasileira. O detalhes sobre a Revolução Farroupilha, irás conhecer no texto abaixo.

Carga de Cavalaria7868carga de cavalaria. museu julio da castilhos. porto alegre. foto livre.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA

Causas:

O Rio Grande do Sul foi palco das disputas entre portugueses e espanhóis desde o século XVII. Na idéia dos líderes locais, o fim dos conflitos deveria inspirar o governo central a incentivar o crescimento econômico do sul, como pagamento às gerações de famílias que se voltaram para a defesa do país desde há muito tempo. Mas não foi isso que ocorreu.

Guerra dos Farrapos
A partir de 1821 o governo central passou a impor a cobrança de taxas pesadas sobre os produtos rio-grandenses, como charque, erva-mate, couros, sebo, graxa, etc.

No início da década de 30, o governo aliou a cobrança de uma taxa extorsiva sobre o charque gaúcho a incentivos para a importação do importado do Prata.

Ao mesmo tempo aumentou a taxa de importação do sal, insumo básico para a fabricação do produto. Além do mais, se as tropas que lutavam nas guerras eram gaúchas, seus comandantes vinham do centro do país. Tudo isso causou grande revolta na elite rio-grandense.

A revolta:

Em 20 de setembro de 1835, os rebeldes tomam Porto Alegre, obrigando o presidente da província, Fernandes Braga, a fugir para Rio Grande. Bento Gonçalves, que planejou o ataque, empossou no cargo o vice, Marciano Ribeiro. O governo imperial nomeou José de Araújo Ribeiro para o lugar de Fernandes Braga, mas este nome não agradou os farroupilhas (o principal objetivo da revolta era a nomeação de um presidente que defendesse os interesses rio-grandenses), e estes decidiram prorrogar o mandato de Marciano Ribeiro até 9 de dezembro. Araújo Ribeiro, então, decidiu partir para Rio Grande e tomou posse no Conselho Municipal da cidade portuária. Bento Manoel, um dos líderes do 20 de setembro, decidiu apoiá-lo e rompeu com os farroupilhas.

Bento Gonçalves então decidiu conciliar. Convidou Araújo Ribeiro a tomar posse em Porto Alegre, mas este recusou. Com a ajuda de Bento Manoel, Araújo conseguiu a adesão de outros líderes militares, como Osório. Em 3 de março de 36, o governo ordena a transferência das repartições para Rio Grande: é o sinal da ruptura. Em represália, os farroupilhas prendem em Pelotas o conceituado major Manuel Marques de Souza, levando-o para Porto Alegre e confinando-o no navio-prisão Presiganga, ancorado no Guaíba.

Os imperiais passaram a planejar a retomada de Porto Alegre, o que ocorreu em 15 de julho. O tenente Henrique Mosye, preso no 8o. BC, em Porto Alegre, subornou a guarda e libertou 30 soldados. Este grupo tomou importantes pontos da cidade e libertou Marques de Souza e outros oficiais presos no Presiganga. Marciano Ribeiro foi preso e em seu lugar foi posto o marechal João de Deus Menna Barreto. Bento Gonçalves tentou reconquistar a cidade duas semanas depois, mas foi batido. Entre 1836 e 1840 Porto Alegre sofreu 1.283 dias de sítio, mas nunca mais os farrapos conseguiriam tomá-la.

Em 9 de setembro de 1836 os farrapos, comandados pelo General Netto, impuseram uma violenta derrota ao coronel João da Silva Tavares no Arroio Seival, próximo a Bagé. Empolgados pela grande vitória, os chefes farrapos no local decidiram, em virtude do impasse político em que o conflito havia chegado, pela proclamação da República Rio-Grandense. O movimento deixava de ter um caráter corretivo e passava ao nível separatista.

A República:

Bento Gonçalves, então em cerco a Porto Alegre, recebe a notícia da proclamação da República e da indicação de seu nome como candidato único a presidente. Decide então contornar a capital da província para se juntar aos vitoriosos comandados de Netto. Quando vai atravessar o rio Jacuí na altura da ilha de Fanfa, tem seus mais de mil homens emboscados por

Sede do governo em Piratini - RS

Bento Manuel e pela esquadra do inglês John Grenfell. Bento Gonçalves, Onofre Pires, Pedro Boticário, Corte Real e Lívio Zambeccari, os principais chefes no local, são presos, e a tropa é desbaratada. O governo imperial, após esta vitória, oferece anistia aos rebeldes para acabar de vez com o conflito. Netto, contudo, concentrou tropas ao recorde Piratini, a capital da República, e decidiu continuar a luta.

Sede do governo em Piratini

Bento Gonçalves foi escolhido presidente da República, mas enquanto não retornasse, Gomes Jardim assumiu o governo, organizando a estrutura dos ministérios. Foram criados seis: Fazenda, Justiça, Exterior, Interior, Marinha e Guerra. Cada ministro cuidava de dois ministérios por medida de economia.

Em fins de 1836,  sem seu líder e com o governo central fazendo propostas de anistia, a revolução estava perdendo a força, mas no início de 1837 o Regente Feijó nomeou o brigadeiro Antero de Brito para presidente da província. Este, acumulando o cargo de Comandante Militar, passou a perseguir os simpatizantes do movimento em Porto Alegre e tratar os farrapos com dureza. Mas estes atos devolveram o ânimo aos rebeldes, que conseguiram a partir daí uma série de vitórias. A cavalaria imperial desertou em janeiro de 1837 em Rio Pardo, e Lages, em Santa Catarina, foi tomada logo após. Em março, Antero de Brito mandou prender Bento Manoel, por achá-lo pouco rígido com a República. Mas Bento Manoel resolveu prendê-lo e passar novamente para o lado farroupilha. Um mês após, Netto, com mais de mil homens, tomou o arsenal imperial de Caçapava, capturando armas de todos os tipos e ganhando a adesão de muitos soldados da guarnição local. E em 30 de abril, Rio Pardo, então a mais populosa cidade da província, foi tomada.

Em outubro, chegou a notícia de que Bento Gonçalves havia fugido do Forte do Mar, em Salvador, vindo a assumir a presidência em 16 de dezembro. Era o auge da República. A diminuição dos combates, a estruturação dos serviços básicos – correios, política externa, fisco – davam a impressão de que o Estado Rio-Grandense estava em vias de consolidação.

Mas 1838 não foi o ano da vitória como esperavam os farrapos. Apesar de mais uma vitória em Rio Pardo, o fracasso na tentativa de tomar Rio Grande e a falta de condições de conquistar Porto Alegre abatem as esperanças dos republicanos. A maioria das vitórias farrapas neste ano foram em combates de guerrilha e escaramuças sem importância estratégica. Com Piratini ameaçada, a Capital é transferida para Caçapava em janeiro de 1839.

Garibaldi:

Em 24 de janeiro de 1837, Guiseppe Garibaldi saiu da prisão onde fora visitar Bento Gonçalves carregando uma carta de corso que lhe dava o direito de apresar navios em nome da República Rio-Grandense, destinando metade do valor da carga para o governo da República. Ainda no Rio, ele toma o navio “Luiza”, rebatizando-o de “Farroupilha”. É o primeiro barco da armada Rio-Grandense. Depois de muitas aventuras (prisão no Uruguai, tortura em Buenos Aires), Garibaldi apresenta-se em Piratini em fins de 1837. Ao chegar à capital farroupilha, ele recebe uma missão: construir barcos e fazer corso contra navios do império. Dois meses depois, ele apresenta dois lanchões: o “Rio Pardo” e o “Independência”. Mas havia um grande problema: a ausência de portos. Com Rio Grande e São José do Norte ocupadas pelo inimigo, e Montevidéu pressionada pelo governo imperial, os farrapos planejam a tomada de Laguna, em Santa Catarina. A idéia era um ataque simultâneo por mar e por terra. Mas como sair da Lagoa

dos Patos? John Grenfell atacou o estaleiro farrapo, mas Garibaldi escapou com os Lanchões “Farroupilha” e “Seival” pelo rio Capivari, a nordeste da Lagoa. Daí resultou o mais fantástico acontecimento da guerra, e talvez um dos lances de combate mais geniais da história.

Travessia dos lanchões sobre rodas

Travessia dos lanchões sobre rodas

Foram postas gigantescas rodas nos barcos, e eles foram transportados por terra, levados por juntas de bois, até Tramandaí, a aproximadamente 80km do ponto de partida. O transporte foi feito através de campos enlameados pelas chuvas de inverno.

O ataque é feito de surpresa, com Davi Canabarro por terra e Garibaldi a bordo do “Seival” (o Farroupilha naufragou em Araranguá-SC) e resulta na conquista da cidade e na apreensão de 14 navios mercantes, que são somados ao “Seival”,  e armas, canhões e fardamentos. Em 29 de julho de 1839 é proclamada a República Juliana, instalada em um casarão da cidade. Mas o

Sede da República Juliana

sonho durou apenas quatro meses. Com a vitória de Laguna, os farrapos resolveram tentar a conquista de Desterro, na ilha de Santa Catarina. Mas são surpreendidos em plena concentração e batem em retirada, com pesadas perdas materiais. Os navios de corso, contudo, vão mais longe.O “Seival”, o “Caçapava” e o novo “Rio Pardo” vão até Santos, no litoral paulista. Encontrando forças superiores, voltam para Imbituba-SC.

Sede da República Juliana, em Laguna-SC

Em 15 de novembro de 1839, um ataque pesado a Laguna, com marinha, infantaria e cavalaria resulta na destruição completa da esquadra farroupilha e na retomada da cidade. Todos os chefes da marinha rio-grandense são mortos, com exceção de Garibaldi. Davi Canabarro recua até Torres, enquanto outra parte das forças terrestres vai para Lages, onde resistem até o começo de 1840.

Declínio:

Em 1840 começou a decadência da revolução. Enquanto a maioria das forças rio-grandenses se concentrava no sítio a Porto Alegre, a capital, Caçapava, era atacada de surpresa. Os líderes farrapos consideravam Caçapava quase inexpugnável, em virtude do difícil acesso à cidade. A partir daí, os arquivos da República foram colocados em carretas de bois pelas estradas. Foi o tempo da “República andarilha”, até que Alegrete foi escolhida como nova capital. Em Taquari, farroupilhas e imperiais travaram a maior batalha da guerra, com mais de dez mil homens envolvidos. Mas não teve resultados decisivos. São Gabriel foi perdida em junho, e alguns dias depois o General Netto só escapa do imperial Chico Pedro graças à sua destreza como

cavaleiro. Em julho, novo fracasso farroupilha, desta vez em São José do Norte. Bento Gonçalves começa a pensar na pacificação. Em novembro é a vez de Viamão cair, morrendo no combate o italiano Luigi Rossetti, o criador do jornal “O Povo” órgão de imprensa oficial da república. Para piorar a situação, em janeiro de 1841, Bento Manoel discordou de algumas promoções de oficiais e abandonou definitivamente os farrapos.

Jornal "O Povo"

Capa da primeira edição do jornal “O Povo”


Caxias:

A partir de novembro 1842 o conflito é dominado pela estrela de Luís Alves de Lima e Silva, o Barão (depois Duque) de Caxias. Nomeado presidente da província como a esperança do Imperador para a paz, Caxias usou do mesmo estilo dos farrapos para ganhar o apoio da população. Nomeou como comandantes militares Bento Manoel e Chico Pedro, dois oficiais do mesmo estilo, priorizou a cavalaria, e espalhou intrigas entre os farrapos sempre que pôde. Tratou bem a população dos povoados ocupados e empurrou os farroupilhas para o Uruguai. Estes ainda fizeram outra grande tentativa, atacando São Gabriel em 10 de abril de 1843 e, em  26 do mesmo mês, destroçaram Bento Manoel em Ponche Verde. Mas esta foi a última vitória dos farrapos.

Em dezembro de 42 reuniu-se em Alegrete a Assembléia Constituinte, sob forte discussão política. era forte a oposição a Bento Gonçalves. Durante 1843 e 1844, sucederam-se brigas entre os farrapos. Numa destas o líder oposicionista Antônio Paulo da Fontoura foi assassinado. Onofre Pires acusou Bento Gonçalves de ser o mandante. Este respondeu com o desafio a um duelo. Neste duelo (28 de fevereiro de 1844) Onofre é ferido, e veio a falecer dias depois.


pampas tradição.

BANDEIRA DO RIO GRANDE - TREMULANDO

bandeira do RIO GRANDE DO SUL.BR /foto livre.

dê UM clique no centro do vídeo.

RUMOREJANDO (20/09/09) por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Não se pode confundir Maradona com maratona, até porque vai ser uma maratona, Maradona armar um time JUCA - Jzockner pequenissima (1)para enfrentar o Brasil e os demais para se classificar para o mundial.

Constatação II

A execrável censura contra o Estadão lembra a fábula de Esopo (Phaedrus) O lobo e o cordeiro, ou o indefectível “O senhor sabe com quem está falando” e coisas desse jaez. Pena!

Constatação III

“Na gafieira,

Segue o baile calmamente”,

Diz a canção.

No Senado,

Por todo o lado,

Só se ouviu, recentemente,

Uma profusão de besteira

Entremeada de palavrão.

Constatação IV (De velhos tempos quando a gente costumava abotoar o cabelo atrás e deixar um topete como o Elvis Presley e mais tarde como um presidente da República do nosso país).

O barco descia

Na corredeira

Do rio Iguaçu.

Dava tanto solavanco

Que a gente se sacudia

No banco

E tanto molhava

A cabeleira,

Da água que espirrava,

Que até não adiantaria

O uso de “glostora” e xampu.

Constatação V

Deu na mídia: “Casa Branca prevê déficit de US$ 9,05 trilhões em 10 anos”. Este assim chamado escriba que trabalhou boa parte da sua vida – que nem por isso deixará de ser eternamente curta – no Banco de Desenvolvimento do Paraná S.A. – Badep, antiga Codepar, acostumado a ouvir falar de repasses, investimentos e financiamentos de expressivas cifras, confessa que não sabe contar até lá. Mas que é um baita* número, isso lá deve ser.

*Usamos a expressão “baita” porque somos educados como é sobejamente reconhecido por nossos prezados leitores.

Constatação VI (Pseudo-soneto da série Ah, o amor…)

Lábios nem sempre carnudos

Também são feitos para beijar

Os casais, nessa hora, ficam mudos

Efetivamente não vale a pena falar.

Beijo na bochecha ou selinho

É tênue e rápido demais

Dá impressão de não haver carinho

Entre os desvelados casais.

Beijo que é recomendável

E premonição de algo notável

É o que tira a respiração.

Se for de língua melhor ainda

Nessa benfazeja hora infinda

Que não enseja anúncio de solidão…

Constatação VII

Não se pode confundir sanefa, que o dicionário Houaiss, entre outros, dá comolarga tira de tecido que se coloca na parte superior da cortina ou reposteiro, nas vergas das janelas etc., geralmente rematada com franja ou galão” com safena, a veia que se usa para substituir por alguma outra que esteja entupida, para se fazer uma ponte, “by-pass”, etc. Até porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como já foi propalado por aí.

Constatação VIII

E também não se pode confundir loquacidade com louca cidade, até porque a loquacidade dos prefeitos, visando melhorar o tráfego nunca é posto em marcha e transitar ou atravessar as ruas fica difícil, pois se tem a impressão que se vive numa louca cidade.

Constatação IX

E ainda não se pode confundir libertinagem, que o dicionário Houaiss dá como “licenciosidade de costume, conduta de pessoa que se entrega imoderadamente a prazeres sexuais; a prática do libertino” com libidinagem, que o mesmo dicionário, dentre outros, define como “qualidade, condição ou comportamento próprio do que ou de quem é voluptuoso, lascivo, sensual”, até porque o referido dicionário ainda define libertinagem, no sentido figurado, como “insubmissão, indisciplina”. Elementar, crianças!

Constatação X

Disse o obcecado para o amigo, mostrando uma foto da playboy duma “poupança” de uma gatona: -“preferência multinacional”. Respondeu o amigo: -“Por que multinacional se a turma define como nacional?” –“Porque eu sempre procuro ser original. E, além disso, depois da globalização, ainda existe empresa nacional no nosso país?”

Constatação XI

“Desprazerosa

A tua companhia”,

Disse a sogra pro genro

Nada amorosa.

Numa cantilena

Sem melodia,

Fazendo cena.

”Você não é tenro

Com a tua mulher

Trata, a pobre,

Como uma qualquer.

Não trata como o finado

Me tratava

Como se eu fosse nobre.

O tempo todo ele me paparicava.

Você não dá a ela atenção.

Só fica vendo televisão,

Ou fica no computador.

E as tuas juras de amor?

Seu vento virado*.

Coitado!

*Vento-virado = “prisão de ventre, constipação” (Houaiss).

Constatação XII

Rico, quando fala, usa estrangeirismo; pobre, caipirismo.

De joelhos, não! – por alceu sperança / cascavel.pr

Não é o caso de morrer de amores por Pierre-Joseph Proudhon (1809–1865), a quem Marx deu a devida resposta em Miséria da Filosofia, mas ele estava coberto de razão quando disse que “os grandes só parecem grandes porque estamos de joelhos”.

Bairros não precisam pedir licença a uma Prefeitura para criar suas associações comunitárias. Foi o que se tentou fazer em Cascavel, uma cidade que deveria ser mais evoluída que isso.

As entidades de bairros sequer precisam necessariamente estar afiliadas a uma união municipal de associações, comoAlceu sperança  - AJC (1) tentaram oficializar na Terra Vermelha, para que tivessem “autorização” para funcionar.

Nada contra uma união comunitária que reúna esforços gerais, pois isso permitirá melhores condições de pressionar o poder público a dar conta de suas enormes responsabilidades.

Mas apesar de alguns diretores de associações de bairro amarem estar comprometidos até a medula com os poderosos de plantão, os moradores têm todo o direito de se reunir e formar suas entidades, livres da tutela oficial, escapando à síndrome da correia de transmissão – aquelas organizações corrompidas rebocadas a líderes políticos, traficantes e quejandos.

Esse comentário tem a ver com a ojeriza que acometeu certos setores do poder em Cascavel com a reativação de uma entidade de moradores que, segundo se publicou pela imprensa, não seria “reconhecida pelo movimento comunitário”.

Que “movimento” é esse, que reconhece ou deixa de reconhecer entidades de bairro?

Parece o tal do “Mercado”, que grita seu silencioso grito através da mídia toda vez que o povo começa a exigir seus direitos.

“O Mercado ficou nervoso”, diz um jornalista de economia. “O Mercado gostou da decisão do presidente Lula”, diz outro, passando a opinião do tal “Mercado”, na verdade um timinho de banqueiros.

O jovem mas já calejado João Luiz de Araújo, polêmico e persistente líder comunitário popular em Cascavel, fez o “Mercado”, quer dizer, o tal “movimento comunitário”, subir nas tamancas ao reativar a entidade que abrange os loteamentos Colonial, Clarito, Jardim Pazzinatto e Jardim Floresta, depois que a associação ficou inativa por mais de um ano.

Trata-se de uma atitude exemplar: quando os dirigentes das entidades de bairros se amarram às botas do prefeito, vereadores e dirigentes partidários, elegendo-se com belas propostas e depois passando apenas a usar o título de dirigente de bairro para fazer negócios com os políticos, é a hora do pessoal se reunir na saída da igreja e combinar outra saída.

Ou a convocação de uma assembleia geral para destituir a direção corrompida, adulterada, vendida, alugada, mensalizada, ou refundar a entidade com bases nos princípios estatutários que, invariavelmente, proíbem os dirigentes de meter a entidade em política partidária. No limite, criar uma nova entidade, mais democrática e combativa.

A política partidária não é o território das associações de bairro, aliás, nem de associações empresariais ou clubes lojistas. O movimento comunitário é formado por todas as correntes subjacentes na sociedade: não pode se atrelar ao grupo no poder municipal, ao vereador, ao deputado, ao rei da cocada ou da crackada periférica.

O exemplo de João Luiz Araújo, goste dele quem quiser, deteste-o quem julgar ter motivos para tal, é uma sinalização correta de como se deve agir quando a paralisia toma conta das entidades comunitárias.

Vale o recado da brilhante escritora e fotógrafa norte-americana Eudora Welty (1909–2001), grande conhecedora da alma humana:

“A hora em que você precisa fazer alguma coisa é quando ninguém mais quer fazê-la ou quando todos dizem que é impossível”.