UMA IMENSA AVENTURA AMARELA EM VAN GOGH por omar de la roca / são paulo

Ou ( Como encontrei o amarelo imenso e correto para uma tela inacabada de Van Gogh)

.

( Para a borboleta que existe em todos nós e as vezes não sabemos)

Eu descia a Consolação ( pois é,no meu conto tambem era a Consolação) e minha consolação é que eu a estava descendo,que ainda não corro a São Silvestre.Não preciso falar do cinza da Consolação,da poluição do barulho.Eu desci tentando me distrair do sol forte vendo, se é que via alguma coisa nas vitrines esparsas.Entrei na loja de CD’s e DVD’d usados o famoso sebo empoeirado e mal cheiroso e percorri as vitrines vazias para mim já que pouca coisa me interessava.Não encontrei a Julia Roberts.Sai para o sol quente,já falei que era pleno verão? pois era.E o som dos carros me ensurdeceu,a poluição me travou a garganta, o vazio o vazio a tontura.”DE REPENTE,não mais do que de repente” o escândalo.Fiquei aterrorizado e paralisado.De repente desceu de um beiral uma imensa,se é que elas podem ser imensas,uma imensa borboleta amarela!!!Ela vinha alegre batendo suas asas amarelas deixando um rastro de purpurina por onde passava.Que coisa louca,pensei,quando poderia pensar em ver uma imensa,imensa borboleta amarelo Van Gogh na Consolação!Aturdido fiquei a segui-la com os olhos pra la e pra cá.Pra lá não ,pensei, olha o onibus despencando pela avenida abaixo.Mas ela esperta e amarela,desviava e encontrou o ramo de uma arvore para descansar.Eu pensei em seguir em frente mais sossegado,já que ela havia encontrado refúgio.Mas a danadinha da borboleta amarela imensa Van Gogh desprendeu-se do ramo verde e pos se a voar de novo.Ai meu Deus,olha o onibus.Mas ela desviava subia e descia com suas asas,bom voce ja sabe que eram amarelo Van Gogh.E imensas.Ou ainda não falei? Com o coração aos pulos comecei a segui-la como a uma dama da qual se quer favores.Seu vestido amarelo arrastava-se sem se sujar,e ela dançava com uma graça propria dela sem se deixar tocar.Incitando a perseguição e esquivando-se a tempo.De repente não estava mais ao alcance da minha mão.Continuei a segui-la com olhos avidos para consumar o ato. De fato parece que ela percebeu que eu estava interessado nela e aproximou-se sorrindo.E ai perguntei vamos conversar?e ela logo fugiu.

De repente pensei em possui-la como um tesouro que não pode ser dividido.Ai olhei em volta e pensei,com quem eu a dividiria?Quem mais prestou atenção naquela ridícula borboleta imensa e amarela que nem Van Gogh quis pintar ?Na verdade eu a queria só para mim e pensei em captura-la com minhas mãos vazias.Então todo meu ser prático se apossou de mim,como vai alimenta-la, aonde vai mante-la?Como ira transporta-la ate o trabalho e de lá ate em casa.Irás amestra-la e leva-la ao ombro?Não,seria uma impossibiliade absoluta.Esta sim uma verdade absoluta ao contrario das outras não é ?Humildemente tive que me render ao meu lado pratico.A borboleta pertence a Natureza.Ou será que a Natureza pertence a ela ? Pobre ser amarelo e imenso como uma tela de um pintor holandes condenada a vagar como um espirito dourado pela avenida da Consolação sempre a procurar, sempre a procurar um lugar ,nunca se conformando com o cinza,a fuligem o barulho…um lugar verde e refrescante, se possivel florido para descansar. Só posso desejar que ela encontre o ansiado refugio,o porto seguro a flor perfeita para acolhe-la.Ou então querida,se te fores,tenho certeza que encontraras um bom lugar no céu das borboletas.Aliás um lugar onde as asas batendo fazem um barulho maravilhoso.A poluição visual é colorida e o cheiro de plantas nos espanta.Opa!Ela subiu a atravessou a rua e ainda dançando feliz como uma bailarina amarela dançando primavera, deixando uma pincelada de tinta amarelo Van Gogh no ar desapareceu atras de uma fachada cinza.Cinzenta,poluida como meus pensamentos antes dela aparecer.Mas agora não,o Cinza de Payne se misturou ao amarelo borboleta e a paleta mostra uma cor mais suave,aceitável, socialmente e ecologicamente correta.E o sol,a poluição o barulho perderam sua importancia diante daquela minúscula mancha colorida que ousou atravessar a rua da Consolação.Ela deixou em meu coração uma impressão forte,de sobrevivencia,de garra.Uma impressão de borboleta amarela de Van Gogh que insiste em sobreviver apesar de tudo.E tudo isto ela fez sem o saber,inconsciente de seus poderes curativos.Ela, que só queria passear,se alimentar ao sol,sobreviver me mostrou uma lição de fugacidade ( fugir da cidade também ) mas tambem de fortaleza nesta mesma delicadeza amarela,porque não, amarela e imensa como um sol de Van Gogh.

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2 Respostas

  1. Cara Eva

    O que vale é a sobrevivência nesta imensa av da Consolação em que vivemos.Todo o resto é artifício.
    Espero te encontrar em breve seja no Mar,nas rochas ou no vale.

    bjk

  2. Parabéns pela publicação no palavrastodaspalavras deste teu lindo texto, meu querido amigo Omar de la Roca.
    Beijo carinhoso da
    Eva do Vale

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