Arquivos Diários: 24 setembro, 2009

AINDA SOBRE O OPOSTO DO CONTRÁRIO de osvaldo wronski /curitiba

de longe a proximidade os altera
quando eles se retocam
a faísca é inevitavelmente indelével
choque anato-térmico que crepita
arrepiando os pelos
arrancando suas raízes

quando se encostam
as palavras poliglotam
impossível mantê-los unidos
diante de tamanha atração contrária
ou se diz pára
os se separam
para drasticamente
se anularem

Escrita em iminência – por lucas paolo / são paulo

Ou será que, sendo tão fraco de visão quanto tímido de espírito,

ele sentia menos prazer com o reflexo do mundo sensível e

brilhante através do prisma de uma linguagem multicolorida e

ricamente lendária do que com a contemplação

de um mundo interior de emoções individuais perfeitamente

espelhadas em uma prosa periódica, lúcida e flexível?

James Joyce, um retrato do artista quando jovem

Preâmbulo Ostensivo

Inconclusivo, mas ele decidira experimentar as teclas do computador:

<PALAVRAS>

A sugestão estaria dada. Algum hipotético leitor (absolutamente necessário) poderia facilmente influir que era um azarão: apenas alguns pouquinhos professores ineficientes a mais e duas mil, duas mil e duas páginas de literatura fantástica a menos [leitor criativo adicione a esta conta vivências artísticas e humanas a seu bel-prazer] e pronto! seria ele um futuro físico-quântico, acadêmico, político, médico, engenheiro, talvez um pedagogo, que poderia confortavelmente viver de forma satisfatória duas, talvez  três vezes por semana. [mais uma vez fiquem à vontade para complementar a sugestão à monotonia]

* Reflito agora e percebo que alguns leitores poderão se sentir subestimados, ou, superestimados com as liberdades oferecidas acima, sendo assim, do próximo parágrafo em diante, poderia eu correr o risco de não sugerir complemento imaginativo nenhum; mas por achar divertida a idéia  de uma possível antecipação redundante do leitor, continuarei com minhas sugestões totalmente desnecessárias. [Porém deixo a seu critério: se quiser, leia o que esta dentro das chaves; se não quiser, não leia!]

Por essas e aquelas palavras já se pode alumbrar um axioma:

Ele é inextricavelmente um pensador!

Pensador! mas é um filosofador bem ruinzinho – da pior espécie – daqueles que congenitamente saem sempre do nada para dar em lugar nenhum. [Aqui há espaço para a implementação fátua de alguma situação vivida pelo próprio leitor – algo como: uma conversinha de buteco, um simpósio sobre a estética de tal parágrafo de tal autor sobre a estética de outro autor, …]

Deixando de preâmbulos, havia ele de escrever alguma coisa.

Redenção da Introdução à Crônica

Antes de me desenrolar (e me enrolar) em reflexões acerca de algum assunto, gostaria de tentar muito perfunctoriamente imergir o leitor em minha problemática. De antemão peço desculpas por meu escasso repertório, mas com as singelas ferramentas que tenho tentarei dizer alguma coisa.

Introdução à Crônica

Pode-se escrever sobre tudo (e muitos aspirantes-pseudo-pensadores-picaretas como eu são a prova escrita disto). Ao mesmo tempo é absolutamente incontestável que tudo já foi escrito, pensado ou imaginado por algum ser humano. Que nenhuma idéia é nova ou inteiramente auto-referente. Desta forma, um bom leitor jamais escreveria uma palavra sequer de qualquer tipo de literatura. Entretanto a vida nos impregna de uma poesia completamente inquietante [peço que se dê a poesia o infindável sentido que a palavra possui e merece] que anseia por transbordar em sons, cores, cheiros, sabores, gestos, enfim, palavras.

Não há como resistir ao comichão ansioso que vive a cutucar a imaginação e o ego, pedindo para virar mais uma refletida expressão do nada. Por isso, é irrevogável desnudar a mente e o coração em mais uma manifestação do eu que muitíssimo raramente acrescentará ou melhorará algo em Nós.

Penso que julgar intenções e méritos de pobres almas mortais que pensam exprimir algo através da palavra é sandice das mais ignóbeis. Tanto faz ler 1.500 livros para descrever a ignorância de dois homenzinhos ou tirar da própria ignorância material para escrever 1.500 livros. (Que se divirta que tem saco para tanto! Hoje minha ignorância cabe muito bem em três páginas redigidas em letras grandes). [Transportem o exemplo do conhecimento literário para os vários âmbitos da existência humana: a vivência amorosa, o conhecimento sobre as duras realidades e injúrias da vida, e por aí vai…].

Um problema imponente e de insondáveis divagações existencialistas é a vaidade literária. Todos os escritores querem escrever o Quixote, (os que desistem da imortalidade se contentam em ser o best-seller semanal). Como se contentar em ser mais um autor-sem-editora ou blogueiro-potencial?

Apesar de tudo, toda palavra quer ser lida, imaginada, colorida, musicada, saboreada, profanada, respeitada, sussurrada, adjetivada, citada, ensotaqueada, silabeada, esmiuçada, aguçada, emporcalhada, mal-tratada, esgotada, …

Talvez o pior entrave seja, finalmente, o esgotamento da criatividade. Quando ela esgota esgotou… E muitas vezes não se disse nem um tiquinho do que se ansiava dizer.

Resumo da tentativa de Crônica

[Ao fim, algo foi realmente dito?

O que havia me feito começar a escrever?

Consegui explicar a primeira palavra?

Minha existência foi justificada?

Nos divertimos?

Pensamos?

Entrarei eu agora para a infinita Biblioteca?]

*

Hei de escrever outros textos?

I_CWB 5 – Zombie Zombie (Fr) + François Virot (Fr) + Felipe Ayres (Wandula) + Djs + bares Wonka e Mafalda, dia 25 na Casa Vermelha / curitiba

icwb-eflyerI_CWB # 5

Edição Francesa, com Wonka Bar e Café Mafalda dentro!

ZOMBIE ZOMBIE (Fr)

Etienne Jaumet (sintetizadores) e Cosmic Neman (bateria) são o Zombie Zombie, duo de música eletrônica ou o “Hot Chip na visão do diretor de filmes-b, Bela Lugosi”, segundo o NME. Música instrumental forrada de samples e artefatos analógicos bizarros, como um gerador de “risadas étnicas”. Som descomplicado, feito na hora, para dançar e se deixar levar sem ter que pensar muito.

FRANÇOIS VIROT (Fr)
Inspirado por Nick Drake e Kurt Cobain, o músico François Virot começou a tocar guitarra ainda cedo e logo que começou a se apresentar ao vivo, adquiriu o vício de gravar uma nova demo para vender nos shows. Assim nasceu o disco “Yes or No”, que espalhou seu nome por toda Europa. Virot abriu os shows do Kings of Convenience e passou por alguns dos principais festivais do mundo, como o Glastonbury na Inglaterra e o espanhol Benicasin. Suas composições seguem um formato mais simples, com violão, voz e pedais, e até lembram o formato do Animal Collective, crescendo ao vivo com poesia e melodia desconcertantes.

FELIPE AYRES
Ayres é um músico erudito. Harpista do renomado grupo curitibano Wandula, acaba de lançar um projeto solo voltado para a música eletrônica. Sintetizadores, laptops, teclados, vocoders e claro: a harpa. Também conta com a participação especial da vocalista do Wandula, Edith de Camargo. O clima sonoro reverberam desde o etéreo Tom Yorke, até o idm de Kruder and Dorfmeister.

A I_CWB

Em sua quinta edição, a I_CWB já trouxe a Curitiba grandes nomes da música contemporânea, como os norte-americanos Jon Spencer and Heavy Trash e Nathan Bell, o gaúcho Jupiter Maçã e o suéco Jens Lekman. Sucesso de público e crítica, o evento agora possui local próprio: o fantástico prédio da Casa Vermelha, uma antiga casa de ferragens situada bem no coração do centro histórico da cidade.

Outra novidade é a parceria com o Wonka Bar, vencedor do prêmio Veja de melhor música ao vivo. Agora, nas noites de I_CWB, o Wonka fecha as portas e se muda literalmente para dentro do evento. Para completar, será montada no jardim da Casa Vermelha uma versão ao ar livre do Café Mafalda, que irá oferecer seus já famosos drinks e petiscos.

A próxima edição acontece dia 10 de outubro e traz novamente ao Brasil  os franceses do Rubin Steiner. Também é o primeiro aniversário do conceitual Salon de Coiffure Lolitas.

O calendário geral, praticamente fechado até maio de 2010, conta com nomes como Fugiya & Miyagi, The Walkmen, Au Revoir Simone, Coco Rosie, Gogol Bordello e Yann Tiersen.

SERVIÇO

Palco principal:

Zombie Zombie (França)

François Virot (França)

Abertura:
Felipe Ayres (Wandula) – live PA com participação especial de Edith de Camargo

DJs:
Our Gang (special set)
Bernardo (rock to rock – Wonka)
Ivanovick (Tirana – Wonka)

Especial:
Bares Wonka e Bistrô Mafalda ao ar livre
Data: 25.09.2009 (sexta)
Local: Casa Vermelha (Largo da Ordem, São Francisco)
Abertura da casa: 22:00
Início dos shows: 23:00

Ingressos antecipados: primeiro lote R$20,00 – segundo lote R$30,00
Pontos de venda: Café Mafalda, Wonka, Kitinete, Lolitas, V.U., Roberto Arad e Lamb
Informações: 9142-0810 ou 9929-3109
Site: www.icwb.com.br