AMIGO – de pablo neruda / chile


  1. Amigo, toma para ti o que quiseres,
    passeia o teu olhar pelos meus recantos,
    e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,
    com suas brancas avenidas e canções.

  2. Amigo – faz com que na tarde se desvaneça
    este inútil e velho desejo de vencer.

    Bebe do meu cântaro se tens sede.

    Amigo – faz com que na tarde se desvaneça
    este desejo de que todas as roseiras
    me pertençam.

    Amigo,
    se tens fome come do meu pão.

  3. Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto
    que sem olhares verás na minha casa vazia:
    tudo isto que sobe pelo muros direitos
    – como o meu coração – sempre buscando altura.

    Sorris-te – amigo. Que importa! Ninguém sabe
    entregar nas mãos o que se esconde dentro,
    mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,
    e toda eu ta dou… Menos aquela lembrança…

    … Que na minha herdade vazia aquele amor perdido
    é uma rosa branca que se abre em silêncio…

Pablo Neruda, in “Crepusculário”
Tradução de Rui Lage

 

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