ANSELMO DUARTE por hamilton alves / florianópolis

Soube agora há pouco pelo noticiário da imprensa da morte de Anselmo Duarte, aos 89 anos, realizador de um dos maiores filmes no plano mundial, “O Pagador de Promessa”, tanto é que foi ganhador da Palma de Ouro, em Cannes, em que figuraram grandes atores, que competiu com filmes da repercussão e qualidade de “O anjo exterminador”, de Buñuel, o que, sem dúvida, enaltece ainda mais seu feito.

A notícia divulgada dá conta que Anselmo desde o dia 27 de outubro estava internado no Hospital das Clínicas em São Paulo para tratamento de problemas vasculares e outros, e recebeu alta médica para tratar-se em casa, quando veio subitamente a ser atingido por um AVC, que o matou nesta madrugada de sábado, 7 de novembro.

Além do prêmio em Cannes, que o consagrou como um dos melhores diretores de cinema do mundo, Anselmo assinou outros filmes, com um dos quais tentou concorrer à premiação noutro festival de cinema mas foi barrado pela má vontade que, de certa parte em diante de sua atividade de cineasta, acompanhou-o como uma praga. Não houve (entre notoriamente os cinemanovistas, tipo Glauber Rocha, Arnaldo Jabor, Cacá Diegues e outros) quem não quisesse questionar os méritos de
“O pagador…”, considerando-o de uma estética ultrapassada. Então estava em voga o cinema do autor ou da linha godardiana, que era apregoada como o modelo a seguir – ou “uma máquina na mão e uma idéia na cabeça”, que Anselmo jocosamente traduziu, em seu livro, “Adeus, cinema”, por “uma máquina na mão e merda na cabeça”.

O fato é que, no cinema brasileiro, bem poucas vezes realizou-se um filme da envergadura de “O pagador…”, ainda que as línguas ferinas (e invejosas) sempre tratassem de menosprezá-lo, não obstante a consagradora vitória num certame da importância do festival de Cannes e com cineastas concorrentes do valor do já citado Buñuel.

Nesse livro de Anselmo, referido, narra-se o que passou, em matéria de agruras, depois do triunfo em Cannes, os conflitos vividos, as incompreensões, que o deixaram na maior decepção frente ao fato de ter sido o ganhador de um festival da importância do que tinha participado e levado o prêmio. Os cinemanovistas, principalmente, nunca lhe perdoaram essa vitória, e trataram de enxovalhar, quanto puderam, a grande expressão artística, sob todos os aspectos, que merecera internacionalmente “O pagador de promessa”, que é, hoje, incluido no rol dos melhores filmes já produzidos no universo da sétima arte.

Se outro fato não fizesse por destacar Anselmo Duarte, por sua atividade de cineasta e também de ator de tantos filmes em que apareceu, a vitória em Cannes seria suficiente para guindá-lo a uma posição igual à de tantos outros grandes mestres do cinema.

Ave, Anselmo.

 

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