OLHOS TRISTES, CORAÇÕES FELIZES – por alceu sperança / cascavel.pr

O coração se retorce à visão das imagens: os olhos tristes das focas bebês e dos golfinhos que serão trucidados para satisfazer a ganância dos capitalistas.

Aquelas peles macias, porém, vão encher de alegria os corações perversos das madames, que as usam em roupas one way nas recepções a algum embaixador em cujo País a empresa do marido quer explorar mão-de-obra baratíssima eAlceu sperança  - AJC (1) destruir seus recursos naturais.

Ninguém repassa as imagens pelo e-correio, mas também deve ser difícil suportar sem revolta as cenas dos olhos infelizes dos bichinhos que primeiro lacrimejam, avermelham-se e em seguida são torrados impiedosamente pelos “ruralistas” que destroem áreas imensas de florestas.

Ali, sobre as cinzas, seus corações se enchem de alegria (e lucro) para produzir o malsinado biocombusível, condenado a ser inútil dentro de brevíssimo tempo.

Quantos olhinhos, redondinhos como os das focas, amendoados, estreitinhos ou rasgados, são destruídos em um só hectare cuja madeira foi cortada, quando sabemos que só o aproveitamento de pequena parte do lixo substituiria toda aquela matéria florestal viva? Quantos olhinhos desfocados viraram cinza nessa terra devastada, para logo receber plantações de cana e outros vegetais capazes de produzir o poluente biocombustível?

150 milhões X 130 bilhões

Olhinhos a sucumbir em terras griladas, como aquelas das laranjas tratoradas. Terras que o governo legaliza às correrias, confiando bestamente que a “era do biocombustível” será algo digno de glória eterna perante a história.

Somos solidários a todos os que manifestam seu justo horror a essa matança absurda de focas nas águas da Europa ou golfinhos no Japão. Temos realmente que nos horrorizar com isso.

Mas seria nosso dever como seres humanos sensíveis também nos horrorizar com as mortes de milhões de índios: hoje, a população indígena brasileira é menor que a torcida de um time de várzea.

Seus olhinhos, vidas e sonhos também foram destruídos. Mas eles não são bebês focas europeias ou golfinhos asiáticos para nos tocar os corações.

Não estamos também sendo muito sensíveis ao ver crianças impedidas de ter uma boa educação, alvo da sanha preconceituosa e egoísta dos ruralistas em seu tolo combate ao MST.

Reclamam que o governo gasta 100 e tantos milhões com os pobres sem-terra, mas querem socorro público (ou seja, nosso) para sua dívida de 130 bilhões de reais, que vão sempre rolando enquanto compram aquelas caminhonetes enormes e elegem sua aguerrida bancada. Que coisa!

Merecem viver

No MST há milhares de crianças, com seus respectivos olhinhos tristes, precisando de muito apoio para ter educação. Olhinhos pedindo que seus pais possam ter o direito de trabalhar em cooperativas de agricultura familiar, para que essas crianças tenham um futuro pelo menos tão bom quanto aquele que desejamos para os golfinhos, cãezinhos, ruralistazinhos e focas na Europa, na Ásia, seja onde for.

Não estamos sendo sensíveis quando deixamos de pensar na enorme quantidade de pequenos golfinhos, plantas e animais, desprotegidos seres de nossa biodiversidade, que poderiam estar curando doenças e mantendo flora e fauna intactas, ou menos agredidas, e são destruídos nas “fronteiras agrícolas”. E não para produzir comida, mas porcaria poluente.

Mas nós não pensamos: achamos que alguns milhões de dólares na balança comercial valem esse horror, a matança, a queimada imoral, clandestina, ilegal. Tristes olhos de focas, golfinhos e crianças. Haja coração!

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3 Respostas

  1. Concordo plenamente com a Claudinha em seu comentário.

  2. Olhos de crianças que sofrem existem em todo o mundo, não apenas no MST, que por sinal está com sua imagem desgastada com tanta invasão indiscriminada, com tanto estrago que andam semeando. Ainda não ouvi, de ninguém, alguma notícia positiva que venha desse grupo. Sim, me compadecço com as crianças, mas não com o movimento, que certamente perdeu seu rumo.
    Abraços

  3. Seja quais foram os olhinhos, todos são inocentes, crianças ou focas ou golfinhos ou mais…

    Eu fico arrasada com o sofrimento mundial de tantas criancinhas. Eu sempre me pergunto se a sociedade e as empresas fazem o suficiente… sim, porque se depender do Governo, de cada um deste planeta, será impossível alguma solução. Eu creio que se o pior ainda não aconteceu, é porque existe uma tentativa diária de solidariedade de grupos voluntários pela vida.

    Adorei seu texto, muito inteligente.
    Bjs

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