MINHA POESIA de julio saraiva / são paulo


minha poesia não foi educada

na escola de bilac

e nunca será convidada para o chá

dos imortais da academia brasileira de letras

minha poesia anda descalça pelas ruas

do centro velho de são paulo

nenhum tradutor francês perderá seu tempo

debruçado sobre ela

nem será lembrada nos saraus familiares

não a dirão nas escolas

nos dias de festas cívicas depois que a

bandeira nacional onde se lê Ordem e Progresso

for hasteada por uma menina loura

minha poesia sai todos os dias

muito cedo da favela de heliópolis

pega ônibus lotado

desce pela porta da frente sem pagar a passagem

e vai vender balas no cruzamento da brasil com

[a rebouças

 

minha poesia é aquela mulher despudorada

que se oferece a qualquer um sem cerimônia

se bobear assalta e é capaz até de matar

minha poesia se alimenta do lixo das palavras

podres proibidas que não cabem na boca

das pessoas de bem e por isso deve ser execrada

de todas as antologias e condenada a trinta anos

[de silêncio

4 Respostas

  1. não vejo na minha poesia, linda mara, nenhuma relação familiar. poesia é um ato de liberdade. e você, sendo minha prima, sabe que sempre me fiz livre. do contrário, saído de uma família conservadora, com falsos tabus religiosos, nunca escreveria nada. talvez fosse bancário, funcionário público ou executivo.

    carinho,

    j.

    1. Gostei dessa poesia suja, encardida, esfarrapada, pés no chão, sem lenço, sem documento, sem rumo, sem direção, catando tocos de cigarros na rua… Num dos meus poemas chamado CONTEMPLAÇÃO há um verso dedicado aos mendigos de rua… (leia-se o último verso a seguir)

      Ele contemplou o universo.
      Viu galáxias, planetas,
      estrelas, cometas e luas…
      Mas não viu Deus!

      Onde esta Deus?

      Mas…
      O homem esqueceu-se de olhar
      para dentro de si mesmo…
      Esqueceu-se de contemplar a vida!
      Não sentiu o aroma dos campos!
      Não viu a beleza das matas…
      Não ouviu a canção dos ventos,
      nem sentiu o perfume das flores.
      Não viu a inocência nos olhos de uma criança.
      Não ouviu a melodia da chuva
      nem percebeu a pureza de uma manhã ensolarada.
      Não escutou o canto dos pássaros!
      Nem percebeu a beleza esvoaçante
      nas asas de uma borboleta.
      Não ouviu o fragor das águas de uma cachoeira,
      nem sentiu a nostalgia de um entardecer
      e o mistério de uma noite sem luar e sem estrelas…
      Não sentiu compaixão pelo seu irmão
      que adormecia
      coberto de noites e de madrugadas
      na calçada fria…

      Tenho outro poema que tambem fala de alguém sem nada no mundo…

      Ah! Ser poeta!
      Hoje eu encontrei um amigo.
      Não tinha nada; nem dinheiro, nem posses,
      nem abrigo.
      No entanto ele sentia
      ser dono do universo.
      Perguntei-lhe: na vida, o que fazia,
      e ele respondeu-me: Eu faço versos…

      Abel Fernandes

  2. obrigado pela postagem do meu poema. está à disposição para visita e também postagem o meu blogue, que é de todos.

    carinho,

    j.

    1. muito bonita suas poesias, mas gostaria que o seu coração pensasse como a sua cabeça, eu as vezes ate tento entender por que voce nunca colocou todo amor para fora, nunca falou de amor para a pessoa que maisl lhe amou que foi a sua mae, agora Julio voce esta só como voce sempre quis. Será que vai ser bom. Agora voce não precisa mais brigar com ninguem, voce está só, pois nosso vinculo maior com a vida é a mãe.

      Perdoe as palavras, talvez ate sairam sem querer mais eu tinha que falar depois de tantos anos de silencio.

      Sua prima MARA CARVALHO PERES

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