O MELHOR CRONISTA por hamilton alves / florianópolis

Há pouco, um crítico literário, que mantém uma coluna diária num de nossos jornais, falando de um livro de crônicas, disse considerar o autor o melhor cronista do país.

Cada qual, obviamente, tem o direito de dizer o que quer. Ou o que pensa sobre isso e aquilo.

Mas direitos à parte, há um certo exagero em tal afirmação, até porque não se sabe exatamente quantos cronistas andam por aí, desconhecidos, que não foram devidamente catalogados ou qualificados pelo dito crítico.

Então, a partir daí fica muito vago dizer-se que fulano é o melhor seja no que for.

O autor do livro, ao ser assim distinguido, certamente se babou de vaidade, auto-considerando-se, certamente, o melhor ou que o crítico teria razões de sobra de assim julgá-lo.

A vaidade muitas vezes cega.

Não queria entrar no mérito desse assunto tão desprovido de interesse.

Isso é de uma banalidade de doer nos calos.

Eu, de mim, não me acho melhor em nada. Não acho também que alguém, seja no que for, possa ser tido o melhor no que faz.

Trata-se de uma questão quase sempre imponderável, que não permite um juízo de rigor ou justo sobre as possibilidades de uns e outros.

Por isso, o melhor é não arriscar palpite, que sempre pode levar o endereço errado. Ou esquecer que há valores que estão sempre um pouco acima daquele que somos capazes de perceber ou julgar como sendo o maior.

Já vou longe nessa catilinária inútil.

Preferível não atacar esse assunto tão mofino.

Preferível seria não ter lido a crítica do colunista. Passar por alto por ela.

No meu caso, se fosse me auto-julgar, gostaria de ser considerado o melhor cronista da minha rua. Todos me apontariam por onde diariamente passo:

– Olha, lá vai o melhor cronista de nossa rua.

Ser o melhor cronista de minha rua é já, segundo penso, um enorme galardão ou uma imensa responsabilidade, que carrego sobre as costas, de que o vulgo bem poderia me poupar.

Mas, enfim, que assim seja.

Uma resposta

  1. Prezado Hamilton,

    Esta sua crônica é de fato uma delícia. Quanta verdade simples.
    Meu caro você desconstruiu as patuscadas dos vaidosos com estilo.

    “__Olha, lá vai o melhor cronista de nossa rua.”
    Esta frase contém uma beleza e uma singeleza surpreendentes.
    Ao mesmo tempo simples ela é cheia de humor.

    Eu, de minha parte, pretendo ser o melhor cronista do meu prédio.
    E que feito este. Para mim já basta o olhar do vizinho, sentado
    na cadeira da padaria no sábado de manhã, lendo minha crônica e comentando:
    Boa, boa, muito boa mesmo esta sua crônica.
    E eu, orgulhoso acima das minhas sandálias,
    direi sem ser absolutamente preciso:
    __ Você gostou mesmo?

    Parabéns, Hamilton.
    Gostei mesmo.
    TM

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