Arquivos Mensais: dezembro \27\UTC 2009

JESUS NASCEU E FOI CELEBRADO COM FÉ E ALEGRIA na residência de jb vidal e rô stavis, na praia dos ingleses / florianópolis

É NATAL, JESUS NASCEU HÁ 2009 ANOS. E CONTINUA UM GRANDE

E MISERICORDIOSO MENINO!

o poeta jb vidal e a educadora rô stavis renovaram seus sentimentos de amor e fraternidade durante a celebração da ceia comemorativa ao nascimento do GRANDE MENINO JESUS que foi seguidamente lembrado durante a noite de muita alegria, como deverá ser no transcorrer de todos os tempos.

.

caroline castro, filha de rô stavis, e yuri, marido, vieram passar alguns dias na praia dos ingleses a partir do NATAL. mais alegria na casa azul e branco.

.

a mesa para a ceia da 1/2 noite, arranjada entre a varanda da casa e a piscina por rô stavis. apesar da beleza singela, como devia ser, rô usou toalha e guardanapos de linho com arranjos artesanais. ao fundo, na mesa auxiliar, a ceia preparada, também, por rô stavis composta de: tender ao molho de cravos, frutas e fios d’ovos, farofa calabresa, jardineira de agrião e legumes, e, purê de batatas. acompanhou as iguarias  chanpagnes MOËT & CHANDON. EXCELENTE. PERFEITA. rô liberou o prazer da ceia após as orações  individuais ao GRANDE MENINO dono da data e do universo.

.

NO DIA 25 DE DEZEMBRO DE 2009:

a escritora íbero-americana rosa DeSouza e o jornalista, roteirista e ator naldo de souza filho ( ex BBC de Londres) foram festejar o NATAL, em almoço do dia 25/12/2009, na residência do casal jb vidal e de rô stavis. apesar de ser de uso habitual os homens trajaram nesse dia seus kaftans como uma relembrança de há dois mil anos atrás. jb vidal usou um kaftan marroquino e naldo um indiano, presente de rosinha. O GRANDE MENINO foi homenageado por diversas formas principalmente pelas orações à ELE dirigidas. QUE NATAL FELIZ! as conversas duraram 10 horas! é assim, quando bons amigos se encontram tem assunto para longo tempo!

.

sem esquecer que a razão do encontro era celebrar o nascimento do GRANDE MENINO JESUS, foi servido o seguinte menu: bacalhau do porto à GOMES DE SÁ,  pernil e costela de cordeiro à PORTUGUESA, terrina de espinafre e salada de legumes. os pratos foram preparados e oferecidos por rosinha e naldo. sabores fantásticos. foram acompanhados por vinhos brancos WEINERT CHARDONNAY , oferecidos pelos anfitriões. as sobremesas foram frutas frescas, secas e fios d’ovos. os digestivos degustados foram os licores STREGA, COINTREAU e ABSINTHE. ufa! que almoço! todos romperam com as dietas! naldo e rosinha! voltem sempre!

.

com muita alegria e fraternos sentimentos publico , no post, o comentário da jornalista, poeta e escritora e amiga de além mar VERA LÚCIA KALAARI que de Cascais lembrou de entrar neste site que além de arte e cultura também publica artigos e momentos de fé e gratidão:

Comentário:
“Querido amigo J.B.Vidal,
Que lindas imagens estas, que irradiam tanta felicidade e tanta ternura com a sua Rô que deve ser uma mulher maravilhosa e a melhor companheira que você poderia encontrar… Os jovens são encantadores… Enfim…Uma família linda evidenciando da forma mais simples mas verdadeira o que é viver em pleno o  espírito natalício.
A sua felicidade transborda e enche-me de alegria.
Este Natal, devido à doença da minha filha, foi passado aqui em Cascais, onde impera um inverno terrível em  nem faltou um pequeno tornado no dia . Nosso Natal foi optimo também, basta a Sonia estar a recuperar, apesar de parte da família ter ficado desalojada e ter-se refugiado cá em casa.
Para vocês todos, queridos amigos , os meus votos que o Novo Ano vos traga tudo de bom e vos conserve com esta imagem de felicidade e união, tão boa de se ver.
Um grande abraço da amiga
Vera Lucia

Anúncios

NEUROSE por hamilton alves / florianópolis

Neurose cada qual tem a sua, menor ou maior. Convive-se com ela como quem convive com qualquer outra coisa, um animal doméstico, uma planta, um livro (bom ou ruim), um amigo, e por aí vai.

Pode dar-se o caso de até se dialogar com ela.

– Vê se me abandonas ao menos por hoje.

Tenho muita coisa pela frente a fazer. Não estragues meu programa.

Tem muito doido que conversa nesses termos com sua neurose.

Leio numa revista que dois escritores namoraram por longo tempo e uniram também suas neuroses.

Ivan Lessa, que acompanhou de perto o caso, teria comentado: “em matéria de neurose nasceram um para o outro”.

Tratava-se de dois monstros sagrados de nossas letras, Clarice Lispector e Paulo Mendes Campos (quem diria, com aquela cara de santo?).

Pouco tempo depois, quando foram pilhados juntos, Paulo foi passar uma temporada em Londres (a mulher dele era inglesa), a bem de salvar a unidade familiar e escapar à sedução irresistível de Clarice, que, segundo ainda os amigos mais íntimos, o amou até o último dia.

Pergunto-me como conviveram com suas neuroses?

Não os conheci de perto. Tenho apenas vagas referências de sua conduta.

Ele era boêmio (alcoólatra?). Não chegava a tanto, mas era chegado a um copo. E perdulário.

Ela curtia uma fossa inenarrável. Tinha vindo de uma separação do marido, com quem teve filhos, numa convivência de 16 anos.

A seguir, teve um caso com Lúcio Cardoso, por quem (comenta-se) teria se apaixonado. E depois encontrou Paulo em seu caminho. Também não deu certo. Paulo era casado, beberrão, estróina e, por paradoxal que pareça, católico.

Juntaram suas neuroses em determinado momento, como bem ressaltou Ivan Lessa.

Será a neurose um componente mau do amor ou de uma relação amorosa?

Os dois, a meu ver, precisavam de sua neurose, sem o que não encontrariam o ritmo necessário a um bom relacionamento.

– Como vou casar minha neurose com a sua? – perguntou-lhe Paulo num dia em que tinha bebido demais.

– Sempre há um jeito (respondeu Clarice); afinal, minha neurose não é assim tão…tão… (como direi?) tão hostil à convivência ou ao amor.

Teria até dito:

– Minha neurose é uma aliada que tenho para desenvolver uma relação amorosa.

As neuroses de ambos podem ter se entendido (quem é que sabe?), mas havia o componente de que Paulo era casado. E isso acabou por complicar tudo.

Clarice voltou à solidão, amiga costumeira, e dedicou maior atenção a compor um romance inacabado, “A paixão segundo HG”.

INDECÊNCIAS MIL em DOIS MIL E DEZ por alceu sperança / cascavel.pr

Nos municípios, uma das práticas mais indecentes conhecidas é o misto de nepotismo e compadrio que drena dos mirrados cofres públicos um dinheiro que deveria estar servindo para o coletivo de uma população muito sofrida.

No Estado, a prática mais indecente verificada, dos governos ditatoriais até a data, é a conversa fiada do falso antagonismo dos donos da cena político-eleitoral que se alternam no brinquedinho palaciano enquanto mantêmdezenas e dezenas de municípios com um IDH similar ao dos Estados nordestinos.

Já uma das práticas mais indecentes do governo federal é asfixiar a população com uma carga tributária brutal, digna da Suécia, e submeter os municípios a uma asfixia que faz deles aldeias dignas de Uganda.

Em passado recente a moda foi malhar o tal de Renan, o Judas daquela hora. Mais recentemente, “fora Sarney”, o Judas atual. A velha ilusão de achar que o Senado, o Congresso e o País vão melhorar com uma simples cassação.

Sempre há cassados, mas o parlamento continua com maioria a serviço da engabelação. Hoje, a engabelação está num duplo pas de deux: de um lado, a dupla PT/PMDB, de outro a dupla PSDB-Dem. Nos bastidores, equipes de apoio formadas pelos aderentes dos quatro, suas sublegendas.

Só o que pode melhorar o País é a politização, pois enquanto continuar a atual compra de votos, serão eleitos os mesmos prefeitos nepotistas e aproveitadores, os mesmos governadores bons de bico e péssimos de jeito, presidentes que se fingem de “esquerda” ou “desenvolvimentistas” e entregam o País aos banqueiros.

A indecência do governo federal se expressa das mais variadas formas, mas talvez sua cara mais explícita e descarada esteja mesmo em seu amor aos banqueiros e seu rancor aos municípios.

É nos municípios que se concentram os miseráveis deste País, mas a imensa fortuna arrecadada pelo governo não se presta a corrigir as doenças da pobreza, das quais a ignorância é a maior, a diarréia prevalece no verão e a pneumonia no inverno.

É uma indecência que haja no Paraná uma dúzia de municípios ricos e várias dúzias pagando o ego de prefeitos incompetentes e vereadores desnecessários. Seria preciso que o governo federal parasse com a rendição ao neoliberalismo e que o governo do Paraná e o Congresso tivessem a honradez de propor e eliminar no mínimo a metade dos municípios paranaenses.

Nada muda se os brasileiros ingênuos e despolitizados se anestesiarem pelo assistencialismo do Bolsa-Família (criado pela dupla Republicanos-Democratas nos EUA para anestesiar os pobres), e as elites continuarem cegas, acreditando que fazer “luto” e devolver o país aos tucanos-demos resolve alguma coisa.

O pas de deux de hoje é o mesmo de ontem: a diferença é que em alguns movimentos da dança um dos membros do “casal” fica um pouco mais à frente no palco.

Como está, o máximo que os miseráveis poderão aspirar na vida será ganhar uma BF para assim chegar a ser pobres. E os pequenos municípios só poderão ter a ambição de um dia receber algumas migalhas a mais.

Isso não acabará com um presidente mantendo as más práticas reinantes desde os tempos de Cabral. Sem uma profunda reforma do Estado, inclusive mexendo fundo na questão financeira, continuaremos patinando sem sair do lugar.

Os candidatos a prefeito mentiram a valer na campanha eleitoral, apresentando-se como a solução para os problemas locais. Agora, os candidatos aos governos dos estados vão tecer a mentira de que resolverão os problemas estaduais.

Mas nenhum prefeito, em nenhum município, nenhum governador, em nenhum estado, vai resolver os verdadeiros problemas, que começam com o arranjo de poder no mundo.

Quem manda são os banqueiros, as transnacionais, o grande capital estrangeiro associado ao ou concorrente do local. E porque são manipulados lá de longe, nossos presidentes arrecadam para eles (vide trilionária dívida pública e remessas crescentes de lucros ao exterior), os governadores discursam abobrinhas, os prefeitos se entregam às picuinhas.

Uma indecência geral.

MORCEGOS AMARELOS de tonicato miranda / curitiba


para Marilda Confortin

a poesia

quando

vem a mim

vem assim

aos poucos

de manso

para mansinho

de um ganso

para o patinho

contornando tocos

desviando dos loucos

ativando meus sentidos

mudando minha cor interior

recuperando dados perdidos

a poesia

quando

vem a mim

bem assim

vem bailando

de vestido rodado

saia de chita e fitas

pés descalços

amassando o tablado

fandango pulsando

meu coração e o sangue

jorrando em todos meus rios

arrastando tudo das margens

enchente forte em todas as imagens

a poesia

quando

vem a mim

tem assim

aranha vistosa

às vezes lânguida

às vezes cândida

quase sempre cheirosa

mas pode também ser

revolucionária, guerreira

mesmo quando vem da mulher

arrebatando meu olhar e este mar

que há dentro de mim qual concha

abrigando pérolas que desconheço

a poesia

quando

vem a mim

cem assim

muda meu jeito

açoita meu peito

deixa-me triste ou quieto

passeando por bem perto

quase recolhido, na gruta escondido

eu e meus morcegos amarelos e belos

debaixo do cobertor, querendo um amor

para passear em caminhos imaginários ao sol

colher flores nos jardins das cores do teu olhar

aí onde gosto de sentar para ler simples jornal

PRETO OU BRANCO? de rosa DeSouza / portugal/florianópolis


Não há preto nem branco.

Felicidade intolerável. Infelicidade insípida.

Bondade acima de tudo.

Pairam vontades entre neurônios e veias.

Latejam germes de vida sem filosofia.

Ventos gozam sem entrega.

Encruzilhadas, caminhos sem destino.

Dúvidas existenciais. Viver viver,

mas se morrer é tão mais simples.

Sentido no preto arremessando alvas letras.

Pintura admirada e nunca entendida.

Museu de engano. Insano paradoxo.

AMOR SACRÍLEGO de vera lúcia kalaari / portugal



No meu negro pretérito já passado

Há a sombra triste dum amor imenso.

Imenso mas cruel por ter deixado

O perfume doce do seu incenso.

Amei-o, sim, em doce chama

Meu coração de menina lhe concedi.

Perdi a fé, a paz, perdi a alma,

E era um sacrilégio amar assim.

Era um sacrilégio, mas no seu todo,

Nosso amor era um raro sortilégio…

Criamo-lo neve e era lodo,

Criamo-lo santo e era sacrilégio.

Esse amor, esse amor, foi todo meu.

Em mim, seus laços ficaram impressos.

Nosso amor era luz e era sombra

E eram prantos e risos os nossos beijos.

E foi um sacrilégio e foi loucura

Foi loucura de amor, foi um lamento,

Como um hino imenso de amargura

Como um imenso, lento tormento.

ORAÇÃO de joanna andrade / miami. usa

Meu coração – uma bomba ativada pela dor do simples pensar

Se existo no meio de um mundo hipócrita e imbecilizado pelas mediocridades alheias ao meu bom querer- que meu mundo nao caia em descrença

Não deixe a dor no peito ensurdecida se transformar num longo suspiro de morte em busca de um consolo solitário

Impeça a ira e transforme minhas unhas inoxidáveis e meu coração vudu em paz e os segundos de tormento em salvação de minha boa alma

Dualismo duelante dolorido decalcificante deliberado dicotômico

Meu coração – uma bomba comandada por um cérebro maquinado a exercer a função de guerreiro

Que as marcas das punhaladas recebidas continuem em minhas costas e eu não grave in memorium o mau feitor- a falsidade deve ser colocada para trás

Sendo a força do destino propulsora em direção aos objetivos e aniquiladora de defeitos e limitações – livre-me do mal Amém!!!!

NATAL FELIZ !

FELIZ NATAL À TODOS OS AMIGOS E VISITANTES !

um NATAL FELIZ é quando você encontra o GRANDE MENINO em seu coração cheio de amor e solidariedade. siga-lhe as instruções que haverá de deixar para você!

OS PALAVREIROS DA HORA

jb vidal

Editor

na foto, representação do velho NOEL e o site PALAVRAS, TODAS PALAVRAS com dois anos de idade.

BALANÇO COM NOEL por sérgio da costa ramos / florianópolis

Abri um Johnnie Caminhador, selo azul, coisa rara, e enchi os copos de gelo, do jeito David Niven: on the rocks. Lembrei-me de um pub em Edimburgo, num janeiro gelado, neve para uns duzentos Papais Noéis. Pedi uísque e gelo pelo pescoço do copo alto. Recebi um olhar de desprezo e o único gelo que concederam foi um cocozinho de cabra, boiando dentro de um copo de conhaque!

Tive que xingar a rainha Mary da Escócia, William, o Coração Valente, e o próprio sir Walther Scott para conseguirmais umas duas pedrinhas, até ouvir a sentença:

– Os distillers levaram mil anos para depurar as águas, escolher as turfas certas e a melhor cevada pra vir um bárbaro aqui exigir água da torneira e estragar o nosso blend!

Pois é. Meu uísque é assim, com bastante gelo – e pronto. Meu convidado neste dia 24 é ninguém menos do que o Papai Noel, com quem tenho uma certa intimidade desde “rapaz pequeno”:

– Senta aí, old man… Vai um uisquezinho?

A Ave Maria de Gounod já anunciara a hora do ângelus e, à medida que o sol declina por trás da Serra do Mar, as papilas pedem “umazinha” pra celebrar a Natividad.

Para minha frustração, Papai Noel pediu uma “aquavita”, destilado dinamarquês, que mistura cereais, aniz, coentro, cravo e canela – mais algumas alquimias aromatizantes. Fazer o quê? Gosto não se discute. Providencio a bebida do bom velhinho, espero pelo seu primeiro gole, não sem antes trocarmos um caloroso Salut!

– O que houve com a árvore de Natal da cidade? Vinha fazendo o voo de aproximação com as minhas renas e não percebi qualquer sinal de árvore natalina…

– É uma longa história, meu velho. Coisas do Brasil e das administrações transparentes…

Dedicamo-nos, então, a “passar a limpo” esse 2009, que já agoniza no seu leito temporal, pronto pra virar história. O velhinho lamentou – lamentamos – o desaparecimento do astro pop, Michael Jackson, o gênio do rock-thriller, o inventor do jeito moonwalker de dançar, mas um menino que se perdeu na obsessão (de que também sofria o sublime poeta Cruz e Sousa) de querer se tornar um branco. Gostava mais do Michael genuíno, sem máscaras, dos tempos do Jackson Five…

Como sempre, o ano foi cruel, levou gente justa e famosa – e deixou por aqui tantos patifes, mensaleiros e corruptos, dos quais esse Arruda lá de Brasília é verdadeiro “emblema”.

Todo ano cobra a sua quota de injustiças e catástrofes – suspirou o bom velhinho –, lamentando as enchentes do Vale do Itajaí, as chuvas, os deslizamentos, a morte de inocentes pela natureza desregrada.

– E ninguém faz nada pra melhorar a saúde ambiental do planeta, a natureza está “enferma” – e ela mesmo se “vinga”… Olha o que acabou de acontecer na Dinamarca, durante a COP15! Não fizeram nada, além de tomar umas aquavitas, é claro…

– Mas esse 2009 foi glorioso para o futebol – não é mesmo, Papai Noel? Pra mim, que torço pelo Avaí e pelo Mengão, nessa ordem, foi simplesmente glorioso! Pra quem é que o amigo torce, além de usar essa roupa do Inter de Porto Alegre?

– Sou Barça, meu amigo! Fui seis vezes campeão neste ano de 2009, estou comemorando o título mundial até agora!

– Foi ótimo pro futebol. Aqueles botinudos retranqueiros da Argentina, os Estudiantes, precisavam mesmo voltar pra escola…

Despedimo-nos com um abraço e o consenso de que o ano não foi de todo mal. Depois do desastre de Wall Street, o Brasil vai se recuperando bem e já não há tanto desemprego. Os shoppings estão cheios e a missão do velhinho está bem encaminhada.

Todo mundo assume a sua porção Noel e sai por aí a escolher presentes para os afetos e até para os desafetos. Uma gravata para o patrão, um videogame para a criança, uma bola para o futuro craque, um biquíni para a “Uva”, um óculos de sol para a namorada, um uísque para o pinguço – sem esquecer de um “autopresente”. Sim, será que o Papai Noel não reserva naquele saco um presente para si próprio?

O próprio Noel me confessou, naquela sua arrevesada língua do Ho-Ho-Ho, qual seria o “seu” presente:

– Quero me mudar da Lapônia pra Floripa! Aceito qualquer cobertura com vista pra Praia Mole!

O ESPELHO por lucas paolo / são paulo


Síntese da Palavra

O redesdizer parahiperbólico do não-nada. Tal que tresrefuta o narcisicômico joyceniano de contra-surrealizar o literário em um vade-mécum legível em planta-baixa narrativa. Plectro sorressoador de plêiadas (não piadas) desimportadas e quase profundorustidas. O signiexpandificar do ma-non-tanto-mascarado eu.

O escafandro quer ver o mar

(…) e tal qual um sonho daquele que não se rende aos fatos da vida, ele viu, pela primeira vez, o ondulatório espumante significado de uma palavra: mar.


O assassinato plágico

São Paulo, 22 de outubro de 2009

Alguém não vacilou em afirmar que já se tornou instintivo

Jorge Luis Borges, A seita da fênix

O escritor João Coucaso Mallandrade, de 99 anos, foi encontrado morto em seu apartamento, ontem às 22h34min. A polícia se deparou com seu corpo esquartejado em 99 pedaços espalhados pelo apartamento; estava quase irreconhecível, não fosse o rosto que fora mantido intacto pelo assassino.  A polícia suspeita da famosa escritora americana Sthephany Browncury que está passando uma temporada no Brasil para colher dados para seu novo romance: “O código dos Vampiros apaixonados”, que será situado em Copacabana.

O promotor público está investigando Browncury, pois esta havia sido publicamente acusada de plágio por Mallandrade. O escritor brasileiro havia aparecido em setembro em rede nacional para reclamar os direitos de seu texto “Síntese da Palavra” – publicado em 1953 pela editora Globo como prefácio do livro “Cartas a um jovem poeta” de Rainer Maria Rilke. Mallandrade julgava ter ocorrido plágio de seu texto no destacado final do famoso livro “O escafandro quer ver o mar” de Browncury, que possibilitou renome internacional a escritora. O caso repercutiu pelo mundo e as vendas da escritora haviam caído consideravelmente; do outro lado, o livro de Rilke havia sido reeditado e o prefácio de Mallandrade – antes substituído, em edições posteriores a de 53, pela introdução de Cecília Meirelles – voltara ao livro ganhando até uma ligeira ampliação que contava com uma pequena biografia de Mallandrade. Além disso, as vendas dos únicos dois livros do escritor, anteriormente pouco conhecido, haviam alavancado de maneira nunca vista antes.

Em sua defesa a escritora diz jamais ter lido o texto de Mallandrade – o que é consideravelmente plausível, afinal, o prefácio em questão só apareceu no livro de Rilke na edição brasileira. Na cena do crime foram encontrados, além da catana usada na partilha do corpo, um pouco de papoula e diversos textos ensangüentados de Kafka, Sartre, Calvino e Paulo Coelho espalhados pela casa; obviamente, tudo sem a menor evidência de impressões digitais.

O investigador conjectura que, além de aumentarem os processos de plágio e o próximo livro de Browncury ser um possível sucesso estrondoso, as evidências deste crime podem criar a suspeita de um segundo assassinato.


HAVAH e ADAM por “o ruminante” / belém.pa

Um dos ensinos sobre a criação conta a história de um casal que fora formado  diretamente por Deus. Esta situação é narrada nos primeiros cinco capítulos do Livro de Gênesis.

Não tenho a menor intenção de discorrer sobre as desavenças entre criacionismo e evolucionismo, mas apontar para aspectos deste texto que chegam a ser poéticos e demonstram uma grande sabedoria de seu suposto autor, o qual muitos acreditam ser Moisés.

Para os que possam achar que vou falar de religião, surpreendam-se.

1. Quem seria Adão?

Quando da criação do homem, é dito que deus criou um tal de Adão, porém a grande maioria dos leitores não sabem exatamente o seu significado. A palavra Adam significa humano no hebraico antigo, desta forma Moisés está utilizando um pequeno truque literário para indicar que Deus criou um personagem que representa toda uma espécie, não significando que este seja somente um elemento, mas toda a humanidade.

Ele ainda definiu um sexo para este personagem simplesmente para dar a deixa da mensagem que ele queria dar em relação a vida familiar.

2. Quem seria Eva?

Proseguindo no texto, percebemos que a humanidade precisava ser completada, dai Deus tirar da própria espécie Eva, ou, novamente do hebraico antigo, Havah. Este nome tem um peso muito grande, pois significa VIDA! Em outras palavras, o homem sem sua companheira não tem vida.

Caso alguém tenha paciência de ler o texto todo, troque as palavras e percebam como este vira uma grande lição sobre o relacionamento entre mulheres e homens.

Moisés ensina que a mulher é nosso suporte, nosso auxílio, nossa vida. Infelizmente, algum tempo depois, alguma pessoas pegaram este texto fora do contexto e subjugaram a mulher à coadjuvante na sociedade.

Para nós homens fica o ensino que estas são parte de nós e sem elas estamos mortos, precisamos de todas, desde nossas mães a todas nossas esposas ou amigas (tendo em vista que tem homem que não gosta da fruta ou costela).

Fico revoltado quando ouço falar em Delegacia da Mulher, Lei Maria da Penha, Dia Internacional da Mulher e campanhas contra a violência doméstica. Isto reflete, simplesmente, que nós homens somos incapazes de tratá-las com o respeito que lhes é devido. Covardes, isso é o que somos.

Caso alguém ainda me venha com o argumento que a mulher gerou a expulsão do Jardim do Édem, se lerem com um pouco mais de cuidado perceberão que foi um cunjunto de coisas que demonstraram que não havia verdadeiramente um arrependimento, mas uma fuga da responsabilidade de seus atos.´

Apenas para completar, a maioria das pessoas acreditam que estes dois personagens são os principais da histórias, mas na verdade trata-se de Deus, que criou todas as coisas e o ser humano afastou-se Dele por decisão própria.

Desta vez posso verdadeiramente dizer que Ruminar também é cultura.

No próximo texto espero não precisar falar tão sério. É que hoje comecei a ruminar sobre o assunto e acabei me irritando.

POEMA DE NATAL de vinicius de moraes / rio de janeiro

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

MEU CERRADO de aureo sérgio

A que me comparar? Ao que me comparar?
Essas árvores respiram bem devagar…
Quase morrem sequiosas e sedentas,
permanecem vivas no seu sofrimento.
O Sol resseca, as formigas trabalham.
Um intenso controle de seivas…
Xilema e floema compactados.
Um céu azul reflexo marítimo sem mar.
Ao que me comparar?
Uns caminhos trilhados de cristais,
Tucanos, sabiás, bem-te-vis, corujas,
Preguiças, tatus, capivaras, lobo guará.
Tudo há nesse paraíso de poeira e pedra.
Nesse deserto oásis de coqueiros buritis.
Um manto azul ao despertar planalto.
E acordar morrendo arrebol celeste.
Lado a lado, de leste a agreste…
Meu cerrado, meu NOROESTE.

JAIME LERNER é denunciado por CORRUPÇÃO /gp. curitiba

CORRUPÇÃO

Justiça acatou denúncia contra o ex-governador e mais 11 pessoas. Eles teriam provocado prejuízo de R$ 627,3 mil à Celepar

Publicado em 22/12/2009 | KARLOS KOHLBACH

foto de rodolfo buhrer.

O ex-governador do Paraná Jaime Lerner (1995-2002) foi denunciado à Justiça por crimes de formação de quadrilha, desvio de dinheiro público (peculato) e dispensa de licitação irregular num contrato firmado em 8 de agosto de 2001 entre o governo do estado, por meio da Cele par, e a Associação dos Diploma dos da Faculdade de Economia, Ad ministração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (Adifea-USP).

Além de Lerner, outras 10 pessoas foram denunciadas – entre eles o ex-secretário estadual da Casa Civil José Cid Campêlo Filho assim como ex-diretores e funcionários da Celepar e da Adifea. A denúncia, assinada em 12 de novembro de 2009 pelo promotor Marcelo Alves de Souza, foi acolhida no último dia 14 pela juíza Angela Regina Ramina de Lucca, da 9.ª Vara Criminal de Curitiba.

No documento, de 70 páginas, o promotor detalha a ação daquilo que classificou como “quadrilha” que teria lesado em R$ 627,3 mil os cofres públicos. O esquema montado, segundo a denúncia do MP, começou em fevereiro de 2001, quando iniciou o processo de contratação da Adifea para a prestação de serviços em diversas áreas – no caso da denúncia, contratos para a “recuperação de tributos e afins”. No entendimento do MP, a credibilidade da Adifea foi utilizada como justificativa para as ações criminosas dos 11 denunciados.

Depois da assinatura do contrato ilegal, segundo o MP, a Adifea elaborou uma planilha de créditos tributários e previdenciários a serem recuperados pela Celepar – o órgão do governo do estado responsável pelo processamento de dados e sistemas de informática do estado. Os créditos a serem recuperados seriam de R$ 15,5 milhões.

O elevado valor chamou a atenção dos setores jurídico e contábil da Celepar, que consideraram frágeis os relatórios feitos pela Adifea, que não teriam qualquer fundamentação jurídica. Diante esta fragilidade, diz o promotor na denúncia, o grupo reviu os valores emitindo um novo relatório, desta vez com o valor de R$ 5,9 milhões em créditos a receber. Mesmo assim, a Celepar resolveu compensar ou recuperar apenas as multas pagas em razão dos recolhimentos de tributos e contribuições em atraso – R$ 1,6 milhão.

O MP considerou como indevido o processo de compensação de créditos realizado pela Celepar porque “se baseou apenas no relatório apresentado pela organização criminosa, sem ter lançado mão de qualquer procedimento judicial ou administrativo que amparasse sua pretensão”.

O contrato previa o pagamento de valores para a Adifea na medida em que ocorresse a recuperação dos créditos. As compensações tiveram início em setembro de 2001. A Celepar pa gou R$ 291,9 mil aos denunciados, por intermédio da Adifea.

Sacramentado o desvio de re cursos da Celepar, diz um trecho da denúncia, “a organização criminosa lavava o dinheiro para depois repartir entre os acusados de integrar esta quadrilha”. O di nheiro, ainda de acordo com o promotor, era esquentado por meio de duas empresas capitaneadas por dois dos acusados. Dos R$ 291 mil recebidos, R$ 256 mil foram redistribuídos para essas duas empresas.

Aparências

Num primeiro entendimento, relata o promotor, a ação da Adifea parecia um bom negócio, já que a Celepar teria recuperado R$ 1,6 milhão em créditos tributários e pagou quase R$ 300 mil pelo serviço prestado pela Adifea. No entanto, o MP entendeu que a Celepar tomou um prejuízo de R$ 627 mil porque teve de restituir quase R$ 2 milhões ao Fisco, depois de inspetorias do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da Secretaria da Receita Federal (SRF). “Como sempre ocorre quando não há uma cristalina diferenciação entre o público e o privado, referido prejuízo segue, até o presente, pendente de ressarcimento”, diz um trecho da denúncia. O contrato firmado entre a Celepar e a Adifea só foi rescindido em agosto de 2002, após uma recomendação do Tribunal de Contas do Paraná.

A reportagem procurou o ex-governador Jaime Lerner e o ex-secretário Campêlo Filho, mas eles não atenderam aos telefonemas. A Gazeta do Povo também procurou a Adifea, mas ninguém atendeu o telefone da sede da entidade.

COPENHAGUE: “É A TREVA, RUMO AO DESASTRE” por leonardo boff / são paulo

Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Beatriz Drumond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão:”É a treva”. Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre. Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius. Ultrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas.

O Presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade:”faltou-nos inteligência” porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos.

Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os paises ricos. E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?

Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 de Copenhague: o grande vilão é o sistema do capital com sua correspondente cultura consumista. Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e se tomar medidas para preservá-las. Para ele centralidade possui o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Há muito tempo que distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios.

Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível.O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir. Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele.

Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos “pro tempore” e pratica trabalho infantil em vários paises.

Os negociadores e os lideres políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha, quer ter lucros, não hesita em pôr em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre os lobos e os cordeiros, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e os que a devastam sem piedade?

Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15 em Copenhague. O único que ergueu a voz, solitária, como um “louco” numa sociedade de “sábios”, foi o presidente Evo Morales: “Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra”.

Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra mas antes as vantagens e os lucros materiais.

o ex-frei leonardo boff é dedicado à teologia.

A BELEZA DO NADA de otto nul / palma sola.sc

(A Zuleika dos Reis)

Sigo em frente

Um pé aqui

Outro ali

A cada passo dado

Um vislumbre

Ou nem isso

Depara-se-me o mero

Acaso ou o fortuito

Nos meandros do destino

Aqui colho uma palavra

Ali uma impressão

E tudo se soma

Em meu rumo aventureiro

Tudo se espera

Ou tudo pode ocorrer

Com um pé aqui

Outro ali

Dou com a beleza do nada

NOITE DE REIS por hamilton alves / florianópolis

Num distante ano, num dia de Reis (ou Reis Magos), que se festeja a 6 de janeiro, apareceu, frente a minha casa, no interior da Ilha, um Terno de Reis, que, em vez de três (para ser caracteristicamente terno), era formado de quatro músicos. Dois tocavam violão, um cavaquinho e outro pandeiro (se me lembro bem). O vestuário dos quatro era de impressionante beleza, não que fosse de qualquer modo para fim de exibição pública, e, sim, do dia a dia. Nada poderia lhes calhar tão bem para o espetáculo a que se propunham. Eram afinadíssimos tanto na música quanto no canto que produziam.

Queria me deter especialmente no pandeirista, um velhote baixinho, com um paletó bem comprido, que lhe ia até abaixo do joelho, um chapéu de abas bem curtas, que lhe dava um ar típico e que o fazia se casar tão bem ao conjunto dos demais e até com algum realce quanto à indumentária.

Os quatro permaneceram, sob a luz de um poste público, por largo tempo, em torno dos quais logo se formou um grande número de pessoas, que se mostravam encantadas com a beleza improvisada dos cantadores.

– Quem me dera ter uma máquina de filmar – disse para mim mesmo na ocasião – para guardar essa imagem incomparável em beleza.

Eram artistas amadores (saídos do seio do povo), inteiramente ignorados quanto a sua grandeza, importância artística ou fosse lá o que fosse que poderiam, eventualmente, torná-los famosos ou populares.

Nem fizeram coleta de dinheiro dos expectadores, como é comum nesses casos.

Estavam ali brindando a Noite de Reis, que era, na realidade, uma noite belíssima, de um céu estrelado, de um ar tépido.

Como reproduzir essa cena tão bonita?

Lembrei-me de sugeri-la a um de nossos pintores para expressá-la.

Conversei com Tércio da Gama, que é mestre em trabalhar em temas semelhantes. Depois de um tempo, dera por concluido o trabalho, presenteando-me com a tela.

A ilha, a uns tempos passados, tinha um caráter mais rústico (hoje toda a nossa paisagem foi de alguma forma afetada (e piorada) pela urbanização desenfreada e mal planejada. Não há mais um cenário adequado para esses cantadores populares em Noite de Reis. E em outras manifestações semelhantes de nosso folclore, que é , sem dúvida, um de nossos traços culturais marcantes e ricos.

Tudo isso, que devia ser preservado como peculiar à vida ilhoa, vai pouco a pouco desaparecendo, até o dia que só nos restará esse furor de sons promovidos pelas bandas de rock, que nada têm a ver com nossas tradições culturais.                                                  Lembro-me com nostalgia desse grupo de grandes artistas populares, anônimos e belos, que enfeitavam nossas Noites de Reis.

Mulher? Que mulher? – por alceu sperança / cascavel.pr

Morreu em novembro, em Cascavel, uma das mulheres mais interessantes que já conheci. Lydia Maria Postalli Luchesa, esposa de um homem extraordinário – Itasyr Luchesa – e mãe de um filho também brilhante – o líder cooperativista Cláudio Luchesa.

Pouquíssimos conheceram d. Lydia, mesmo vivendo na mesma cidade, porque as crônicas históricas só dão conta dos maridos.  Para figurar na história, a mulher, além de ralar muito, ainda tem que ser algo de extraordinário, como a visionária Joana d’Arc, mártir também como Santa Engrácia e Olga Benário Prestes, entregue aos nazistas grávida de uma brasileirinha.

Saiu disso, e daquelas intragáveis “celebridades” que pouco mais celebram o vazio, a mulher é invisível. Aquela pobre coitada que, diz a hipocrisia masculina prevalente, é a que está “por trás de um grande homem”.

Mas a professora Maria Elena Bernardes, no livro “Laura Brandão: a invisibilidade feminina na política”, liquida a questão por todos os ângulos ao narrar a trajetória da esposa do líder comunista Octávio Brandão.

Não se trata só de indiferença à mulher, mas de ignorância. As ditaduras jamais suportaram a existência de homens que fizessem o mesmo que a desafiadora Engrácia, nobre romana que aderiu à causa dos escravos, Olga ou Laura.

Sobre essa gente “baderneira” não se fala em jornal,m rádio e TV, a não ser para culpá-los de todos os pecados do mundo, como fazem hoje com o MST.

Escritora e jornalista, presa e espancada pela polícia da ditadura Vargas, sem jamais poder retornar ao Brasil, Laura Brandão morreu no exílio, durante a II Guerra. Seu corpo está enterrado no Cemitério dos Heróis, em Moscou.

A invisibilidade que Maria Elena evoca é a mesma que cerca tantas mulheres brasileiras, lutadoras, combativas, generosas, mas esquecidas. Lydia Luchesa foi uma dessas pessoas que sempre se desvelaram em cuidar da família, sem aparecer em manchetes e nas rinhas de galo da política “masculina”, por isso foi sempre o lado escuro da lua em sua comunidade.

Mas por que, afinal, Laura Brandão é a única brasileira sepultada no Cemitério dos Heróis, em Moscou?

Aqui, ela combatia a miséria, a injustiça, a falta de liberdade e pregava um Brasil realmente independente, cujas riquezas fossem utilizadas para redimir o povo da doença, da ignorância e da virtual escravidão em que a população trabalhadora se encontrava.

Quando não estava na porta da fábrica educando os operários para a revolução socialista, ela ensinava crianças, participava do movimento feminista e escrevia suas belas poesias, apreciadas por Olavo Bilac.

Isso era inaceitável para os donos do Brasil. Laura e suas três filhas foram expulsas do Brasil, assim como o marido Octávio Brandão, em 1931. Na Rússia ela teria mais uma filha.

Ela morreu lutando ao lado do povo que a recebeu como irmã, em Ufá, nos Urais, antiga União Soviética, em 28 de janeiro de 1942, em plena II Guerra Mundial, na defesa de Moscou contra o avanço nazista.

Ela jamais voltou ao Brasil, seu maior sonho no exílio. Quando já estava doente, em plena luta para conter os nazistas, afirmou: “Viva ou morta, quero voltar para o Brasil”. Isso jamais aconteceu. Ela não pôde e o Brasil não quis.

Mas os russos, antes de declará-la heroína de seu país haviam lhe permitido continuar a falar aos brasileiros: Laura foi locutora da Rádio Central de Moscou, que fazia transmissões para a América Latina, Portugal e demais países lusófonos.

**

Uma poesia de Laura Brandão:

Última página

Meu coração é um livro de Poesia

Que se vai desfolhando ao palpitar:

Poemas de dor, sonetos de alegria,

Da luz da aurora à luz crepuscular.

.

Da canícula ardente à idade fria,

Versos de rir, estrofes de chorar

Aumenta em dor, as dores alivia,

Ora, depressa, às vezes, devagar.

.

Ide sonhos de amor para onde vão

As ondas fundas que ressurgirão

Nas altas nuvens, num feliz reverso

.

Oh! Vida passageira, passa em verso…

Pensamento, eterniza-te disperso…

Fecha-te livro – pára coração.

EM DEZEMBRO de eunice arruda / são paulo



a lenta
iluminada
agonia

retorna a
voz esquecida sob a
pele

em dezembro

águas passadas movem
moinho

UTÓPICA INTUIÇÃO (v) – de joão batista do lago / são luis.ma

Rasgo meu coração atormentado

Viscerado pelas madrugadas indormidas

Cálido dos calores humanos

Destruídos pelos hinos das insônias

Soçobradas dos cansaços vomitados pelas almas

.

Hoje à noite quero o sono mais profundo

Adormecer no colo da utopia que me segreda

Como a criança ‘inda não nascida

Como a esperança ‘inda que desesperada

De todas as vidas desaparecidas nos campos de guerras

.

Hoje à noite quero a eternidade de todas minhas paixões

Quedá-la no meu peito com profundidade

Qual punhal (!)

Estraçalhando meu coração em mil paixões

E desta visceral volúpia arrancar-me de dentro como antihumano

.

Quero, enfim, nesta noite sacrossanta

Batizar-me de todos meus desejos

Tomar o corpo da minha amada, minha Temis!

E deitá-lo no mais profundo dos meus gozos

E sabê-lo eterno no tempo da eternidade que me restara

NATAL, UMA LIÇÃO DE HISTÓRIA – rosa DeSouza / portugal/florianópolis


O que é o natal?

Lembrança sideral?

Desde a pré-história

povos celebram

da natureza a glória.

Solstício,

sol bem longe do Equador,

fazia duvidar

do tempo benfeitor.

Uma árvore era queimada,

imolada

a algo superior:

Ser que cuidava da agricultura,

fertilidade, sobrevivência,

da arte e da ciência.

Com uma crença tão arraigada,

o Nascimento foi adaptado

ao que não podia ser mudado.

Numa doutrina bem engendrada,

aliou-se o pagão ao sagrado.

Um pinheiro cheio de luz

apagou o clarão da Verdade.

O Bardo morreu,

papai noel nasceu.

A ficção usurpou a realidade.

O consumo destruiu

a mística e a caridade.

Também…

desde a pré-história,

essa que nem temos memória,

a cada ciclo,

grandes Mestres

abrem o Portal,

e, de um modo real e visual,

ajudam, com a luz que deles emana,

o homem a ser mais racional,

a si mesmo leal,

expandindo a consciência humana.

Entre eles veio Manu,

Zoroastro, Buda e Maomé.

Visnu,

Moisés e Lau Tsé.

Na nossa cultura celebramos

Jesus de Nazaré.

Também…

desde a pré-história,

existe uma crença.

Quiçá real – ou ilusória?

De que o símbolo da mirra, incenso e ouro

marcam o vínculo

da potência e do tesouro

de uma esperança infinita,

pelos deuses descrita,

no humano currículo.

Porém, continuamos a teimar,

que a lei da atração

é mais importante do que a da sintonia.

A ciência esmiuça a mística,

mas o homem só quer ganhar,

continuando a tirania

sem logística,

sem responsabilidade,

procurando a quem culpar.

Aos deuses pede a  paz

que teima

em não querer resgatar.

Deliberadamente pequeno,

todos os Mestres contradizendo

o ser humano continua sofrendo.

Odiando em vez de amar,

Desvia suas decisões

para igreja ou tribunal,

transformando o natal

em coloridas superstições

e num vulgar arraial.

Amor e Paz

não é desejo de um só dia,

nem utópica filosofia,

mas um ideal ancestral.

Lutemos

para que todos os momentos

sejam muito mais

do que um simples natal.

worksong – de jorge barbosa filho / curitiba


sempre admiro o meu trabalho

o meu sangue e meu suor

para fazer o melhor que posso

e cantar uma worksong.

depois de trabalhar em navios,

algodoais, ou estradas de ferro de mentirinhas.

meus braços suportam,

mas meus olhos baços, não.

quando fui teu escravo

fiz canções para te abarcar

e te abraçar de uma vez.

mas nunca tive vez.

fique sabendo que teu inimigo

é cara do teu espelho!

lamento, me dá um medo…

queria você bem, muito bem,

pra cantar junto comigo

dentro do infinito!

enquanto isto, eu trabalho

posso fazer um atrapalho

em nome de nosso amor.

mas vou cantando,

em nome, em nome não sei do quê!

meu deus…  se existe deus!

a pior coisa do amor

é levar teus pelos, teus cheiros

teus olhos, tua pele, juntos.

assim eu fico perto, de ti.

enquanto canto, canto.

e vou trabalhando.

A MULHER MADURA por affonso romano de sant’anna / rio de janeiro

O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.
De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.

Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.

A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.

A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.

A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.

A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.

O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.

Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.

Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.

Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.

A mulher madura está pronta para algo definitivo.

Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.

A mulher madura é um ser luminoso, repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.

Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.

LITERATURA PARA QUÊ ? – por marcelo spalding / porto alegre

Eis uma questão recorrente em salas de aula e mesas de bar: afinal de contas, literatura para quê? Respostas prontas temos várias: ler é viajar, ler é conhecer a si mesmo, ler é trilegal, ler é tudo. Mas raros são os textos sérios sobre o tema, textos que abordem de frente a diminuição do tempo de leitura, do gosto pelos livros, especialmente os literários, do desinteresse social por uma instituição milenar como a literatura. Por isso indico a leitura do livro de Antoine Compagnon Literatura para quê?(Editora UFMG, 2009, 57 págs.), resultado de uma conferência do autor no Collège de France.

Logo num primeiro momento percebemos que essa problemática não é própria do Brasil e sua educação deficiente: Compagnon fala do “berço da civilização” para um público de letrados franceses que um dia estudaram ou conheceram Barthes, Lévi-Strauss etc. E diz:

“Hoje, mesmo se cada outono vê a publicação de centenas de primeiros romances, pode-se ter o sentimento de uma indiferença crescente pela literatura ou mesmo de um ódio à literatura, considerada como uma intimidação e um fator de ‘fratura social’. (…) Toda menção ao poder da literatura era julgada obscena, pois entendia-se que a literatura não servia para nada e que somente o domínio dela contava. Mas em nossa época de latência em que o progressismo como confiança no futuro não está mais na ordem do dia, o evolucionismo sobre o qual a literatura repousou durante todo um século pode ter chegado a seu termo”.

Preciso nos diagnósticos, o autor não consegue, porém, responder de forma convincente sua própria indagação, embora aponte alguns “para quês” fundamentais. Lembra uma frase de Sartre, por exemplo, que dizia: “mesmo que não haja livro que tenha impedido uma criança de morrer, seu poder nos faz escapar das forças de alienação ou de opressão”. “Contrapoder”, dirá Compagnon, “[a literatura] revela toda a extensão de seu poder quando é perseguida. Por conseguinte, o enfraquecimento da literatura no espaço público europeu no final do século XX poderia estar ligado ao triunfo da democracia: lia-se mais na Europa, e não somente no Leste, antes da queda do muro de Berlim”.

O deleite, é claro, também aparece como um motivo importante para a existência da literatura, mas Compagnon ressalta que “a recusa de qualquer outro poder da literatura além da recreação pode ter motivado o conceito degradado da leitura como simples prazer lúdico que se difundiu na escola do fim do século”. Adiante, o autor arrisca que “a literatura deve ser lida e estudada porque oferece um meio de preservar e transmitir a experiência dos outros, aqueles que estão distantes de nós no espaço e no tempo, ou que diferem de nós por suas condições de vida”.

A evolução tecnológica e o surgimento de outras mídias para a ficção, como o cinema, não passam desapercebidos pelo autor, que afirma, entretanto, que “a literatura inicia superiormente às finesses da língua e às delicadezas do diálogo”, para concluir sua fala, adiante, dizendo ser a literatura não a única, mas mais atenta que a imagem e mais eficaz que o documento, o que é suficiente para garantir seu valor perene. “Ela é A vida: modo de usar, segundo um título impecável de Georges Perec.”

Até aqui me ative ao precioso texto de Compagnon, que não poderia mesmo ser definitivo, mas expõe uma ferida aberta e nos permite, também, pensar sobre ela. Afinal, literatura para quê? Agora me proponho a arriscar algumas respostas.

Primeiro, não sou daqueles que acham que a literatura torna o homem ou a humanidade melhores. Meu pai deve ter lido meia dúzia de livros em toda sua vida e é uma pessoa boníssima, enquanto pessoas de ética duvidosa têm estantes abarrotadas de clássicos (lidos ou não), e por vezes se jactam em citá-los (Fausto O Príncipe, não por acaso, entre eles).

Segundo, não acho que seja impossível vivermos sem literatura. Uma vez uma professora comentou, na faculdade, que era impossível vivermos sem poesia. Contestei, dizendo que muitas pessoas jamais abriram um livro de poemas, e ela me respondeu que na sociedade moderna muitas vezes as músicas, com suas letras, suprem esse papel. Bela resposta, me convenceu. Assim também nenhuma pessoa pode viver sem narrativas, mas pode viver sem ler romances, pois as narrativas estão no cinema, no teatro, nas telenovelas, nos quadrinhos.

Terceiro, não acredito que a literatura ajude alguém a “vencer na vida”. Não por culpa da literatura, mas porque “vencer na vida”, hoje, significa ter mais dinheiro ou mais poder ou mais respeito, e a literatura por si só não torna ninguém mais rico ou poderoso ou influente. Não por acaso policiais ganham muito mais que professores, e aspirantes a modelos são muito mais valorizada$ que escritores. Sem falar nos jogadores de futebol…

Ou seja, parte desse questionamento de literatura para quê tem a ver também com questionamentos mais amplos que devemos fazer sobre a vida. Viver para quê?, pergunto eu. Se for para acumular riquezas e porres e cargos, a literatura não serve para nada mesmo. Não se iluda. Agora se vivemos para conhecer, ampliar os horizontes, descobrir o outro e nós mesmos, explorar aquela enorme fatia do cérebro inexplorada pela maioria dos homens, a literatura é, sim, fundamental. Se valorizamos a liberdade e a diversidade, a literatura é, sim, fundamental. Se queremos indivíduos críticos e ativos socialmente, a literatura é, sim, fundamental.

Não só a literatura, claro. E está aí, aliás, uma grande confusão: a literatura perdeu muito espaço de 100 anos para cá, de 50 anos para cá, porque seu espaço era exagerado, superestimado. A literatura havia se institucionalizado de tal forma que se confundiu com a arte em si, mas a arte abriga o cinema, a música, o teatro, a ilustração, a pintura, a escultura e, inclusive, a literatura. Nem mais nem menos importante: a literatura é a arte da palavra.

Aliás, talvez responder para quê literatura seja olhar com atenção essa definição: a literatura é a arte da palavra. Ou seja, enquanto existir arte ou enquanto existir palavra, fatalmente haverá alguém fazendo literatura e alguém buscando literatura.

Outra resposta mais afinada com nossa sociedade materialista seria a de que a literatura é uma “vantagem competitiva”, porque um leitor de literatura sempre será um leitor melhor, mais preparado para as leituras técnicas, os concursos, os contratos… Mas deixo esse tipo de argumentação para os leitores de Maquiavel.

ZULEIKA DOS REIS e seus HAIKAIS, com “kigos” perfeitos / são paulo


De primavera

Chega a primavera.

Perfumes transpõem muros

destes casarões.

.

Os guris perseguem

breves bolhas de sabão.

Ah! Vida translúcida.

.

As flores do ipê.

Até o cachorro cego

parece feliz.

.

Da página aberta

salta a pétala seca.

Primavera antiga.

.

De verão

Os trovões ribombam.

O pequeno cão Valente

treme no meu colo.

.

Cartão de Natal.

Jesus ainda está dormindo

no colo de Maria.

.

Vejo, do sombral,

o rendilhado das folhas.

Ah! Sol tecelão.

.

Saída da feira

pausa na primeira banca:

Pastel e água de coco.

.

De outono

Dia da Paixão.

Mãe com o filho, na calçada,

e uma cruz no olhar.

.

Boca cheia d’água.

A trouxinha de pamonha

sendo desatada.

.

Relâmpago azul.

Crescem os olhos da criança

no colo da mãe.

.

Pelas alamedas

o falatório dos grilos.

Segredos nas árvores.

.

De inverno

A garoa cai.

Cintilam poças na rua

À luz dos faróis.

.

Velho de bengala.

Mesmo frágil, o sol de inverno

aquece-lhe as mãos.

.

Fogos de artifício.

As crianças batem palmas

ao voo de estrelas.

.

Os pés dos passantes

marcam as folhas caídas.

Assim, certas vidas.

O SILÊNCIO DOS INOCENTES por sérgio da costa ramos / florianóplois

Uma boa democracia não poderia jamais dispensar três cláusulas pétreas: liberdade de imprensa, alternância no poder e políticos honestos.

Nem será preciso repetir, aqui, a nunca assaz citada máxima de sir Winston Churchill, segundo a qual a democracia é o pior dos sistemas de governo – “com a exceção de todos os demais”.

Nem todos pensam assim, principalmente os autocratas, os caudilhos do continuísmo e os políticos que fazem da cueca o seu cofrinho.

Neste momento, no Brasil, os três pilares da democracia estão sob feroz ataque. A imprensa vive, no Hemisfério Sul, um momento de semiescuridão: os governos mal escondem a “comichão” pela censura prévia, a saudade dos tempos em que os borzeguins entravam numa redação e lá penduravam o seu Index Proibitorum. Houve época, na ditadura, que noticiar um surto de meningite meningocócica “era proibido”. A notícia era considerada mais perigosa do que a doença. Hoje, a imprensa está proibida de publicar a “advocacia administrativa” do filho do senador José Sarney, Fernando, gravado, mediante autorização judicial, quando “negociava” nomeações para o feudo do pai, inclusive a do novo namorado da netinha senatorial.

A imprensa não deve, jamais, substituir a Justiça – e, infelizmente, como tantas instituições, a imprensa também falha. Mas uma boa democracia prefere correr esse risco. Pois o preço da liberdade, bem sabemos, é muito maior. Não foi à toa que Thomas Jefferson, um dos fouding fathers da pátria americana, proclamou, há mais de 200 anos:

“Se me fosse dado escolher a existência de um governo sem jornais, ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a segunda hipótese.”

O segundo pilar, a alternância no poder, está sob fogo cerrado dos que “não querem largar o osso” – e, aqui, é “ânimo geral” entre os políticos que se consideram “grandes benfeitores”, primeiro, de si mesmos, e, depois, dos seus partidos sem nenhuma tradição ou compostura. A perpetuação no poder, ou a reeleição ad infinitum, é o primeiro requisito dos regimes liberticidas. Adolf Hitler só existiu na lamentável história de sangue e opressão da primeira metade do século 20 porque cultivava a sua própria perpetuação no “Reich dos Mil Anos”. A Alemanha não sairia incólume do estigma de ter transigido e “permitido” a instalação de um Estado-Bandido – e muito se deve à omissão dos bons, ao silêncio dos “inocentes”, aqueles que ouviam falar dos pogroms (massacres) étnicos, do horror dos campos de concentração, ou dos que aceitaram o Parlamento do partido único, da única verdade e da única imprensa, a oficial…

O último dos pilares, talvez o mais importante – o espírito público dos políticos de uma verdadeira democracia –, nunca esteve “antes neste país” tão corroído, corrompido e arrasado.

O primeiro filtro da honestidade deveria estar nos partidos – desde que esses fossem instituições respeitáveis e autênticas representantes das três ou quatro correntes do pensamento político, gradações entre um liberalismo mitigado e um socialismo democrático. O que esperar de 40 partidos, a maioria “provisórios”, dispostos a alugar a legenda? O que move um partido nascido na ditadura – e, portanto, conservador, a aceitar a inscrição de facínoras, como Hildebrando Paschoal, o ex-deputado federal da motosserra? Ou os Delúbios do mensalão, agora revigorados – no outro extremo – pelos cuecões e meias desse inefável José Roberto Arruda, ainda governador do Distrito Federal?

Acredito na existência de políticos honestos. Inteiros. Homens públicos para os quais a independência moral é o esteio da dignidade. O problema – para o Brasil e para sua tenra e hesitante democracia – é o silêncio desses honestos. Se não se manifestam, levam à crença de que não existem. Aí, a própria democracia corre o sério risco de morte. Hitler só foi factível porque a democracia de Weimar “apodreceu”, no meio da inflação e da corrupção.

Os inocentes precisam falar, protestar, dizer “Não!” aos que sujam as águas do rio democrático. Antigamente, quando um governador ia assumir o seu cargo, o cerimonial do palácio programava para a primeira hora da manhã uma Missa em Ação de Graças – na Catedral Metropolitana.

Hoje, o cerimonial remete o novo mandatário para os ofícios de um indiciamento no Código Penal – na catedral da Polícia Federal.

Os cordeiros de Deus não podem se calar.

ANTONIN ARTAUD e sua “loucura” – editoria

Antonin Artaud (1896-1948) desde cedo apresentou problemas de saúde e neurológicos. Aos 24 anos começou a tomar tintura de ópio para aliviar dores de cabeça. Tornou-se dependente. Foi internado diversas vezes. Sofreu vários tratamentos para loucura(!). Autor de teatro e cinema, teórico do teatro e autor de peças teatrais, poemas, ensaios, cartas (seu meio de expressão preferido).

Artaud questionou e subverteu a noção de LOUCURA em seus textos, como em “Van Gogh: O Suicidado Pela Sociedade”.

Seus últimos poemas são sucessões de palavras sem sentido:

potam am cram
katanam anankreta
karaban kreta
tanaman anangtera
konaman kreta
e pustulam orentam
taumer dauldi faldisti
taumer oumer
tena tana di li
kunchta dzeris
dzama dzena di li

Artaud, o existencialista do desespero. Poetas e críticos afirmam que Artaud ampliou a visão de Rimbaud, do poeta vidente. Um artista francês chegou a afirmar que ARTAUD era a reencarnação de RIMBAUD e seu sucessor espiritual.

“Pode-se falar da boa saúde mental de Van Gogh, que em toda a sua vida  apenas assou uma das mãos e, fora  isso, limitou-se a cortar a orelha esquerda numa ocasião.  Num  mundo no qual diariamente comem vagina assada com molho verde ou sexo de recém-nascido  flagelado e triturado, assim que sai do sexo materno.  E isso não é uma imagem, mas sim um fato abundante e cotidianamente repetido e praticado no mundo todo.

E assim é que a vida atual, por mais delirante que possa parecer esta afirmação, mantém sua velha  atmosfera de depravação, anarquia, desordem, delírio, perturbação, loucura crônica,  inércia burguesa, anomalia psíquica (pois não é o homem,  mas sim o mundo que se tornou anormal),  proposital desonestidade e notória hipocrisia,  absoluto  desprezo por tudo  que  tem uma  linguagem e reivindicação de uma ordem inteiramente baseada no cumprimento de uma primitiva injustiça; em suma, de crime organizado.   Isso vai mal porque a consciência enferma mostra o máximo  interesse,  nesse  momento,  em não recuperar-se da sua enfermidade.   Por isso, uma sociedade infecta  inventou a psiquiatria,  para defender-se   das  investigações feitas por algumas  inteligências extraordinariamente lúcidas,  cujas  faculdades de adivinhação a incomodavam.

E o que é um autêntico louco?   É um homem  que preferiu ficar louco,  no sentido socialmente aceito, em vez de trair uma determinada  idéia superior  de  honra humana.   Assim,  a sociedade mandou estrangular nos seus manicômios todos aqueles dos quais queria desembaraçar-se ou defender-se porque se recusavam a ser cúmplices em algumas  imensas sujeiras.   Pois o louco é o homem que a sociedade não quer  ouvir e que é impedido de enunciar certas verdades intoleráveis.”

Trecho de “VAN GOGH: O SUICIDADO PELA SOCIEDADE.”

KRÉ
KRÉ
PEK
E
PTE

TUDO ISSO DEVERÁ

SER ARRANJADO

MUITO PRECISAMENTE

NUMA SUCESSÃO

FULMINANTE

PUC TE

PUK TE

LI LE

PEC TI LE

KRUK

PAPA BENTO VI! eu exijo a sua renúncia: SINEAD O’CONNOR / irlanda

“Eu exijo que o Papa renuncie por seu silêncio desprezível sobre a questão e seus atos de não cooperação com o inquérito”

SINEAD O’CONNOR, cantora irlandesa, que voltou aos holofotes recentemente para novamente criticar a autoridade máxima da Igreja Católica. Agora foi o Papa Bento 16, a quem ela acusa, segundo o jornal The Independent, de ter silenciado a respeito dos casos de abuso sexual envolvendo padres daquele país. Segundo um relatório do governo irlandês, líderes da Igreja Católica acobertaram os casos durante três décadas. Em 1990, a cantora provocou a ira dos católicos ao rasgar a foto do Papa João Paulo II no videoclipe da canção Nothing Compares 2U.

MANHÃ DE SÁBADO de otto nul / palma sola.sc

Chove

Sai sob a chuva

Armado de guarda-chuva

Forma-se um quadro curioso

Como uma espécie de carapaça

Negra sobre as costas

Caminha a passos curtos

Como se nas nuvens

Vai e volta

Como se na ida e na volta

Tivesse cumprido certo

Pacto consigo mesmo

Um conjunto harmonioso

(ele e o guarda-chuva)

Como se um fosse

Parte do outro

Como se ele e o guarda-chuva

Tivessem muito que dizer

Um para o outro

Secretamente

“Pulseira do sexo” gera polêmica entre pais e educadores em SP


Usuários negam que jogo britânico tenha a ver com uso de adereços.
Colégio particular tradicional enviou recado a pais sobre ‘brincadeira’

Um e-mail com reportagem do tabloide britânico “The Sun” circula na internet alertando os pais de crianças e adolescentes para um jogo que virou febre nas escolas do Reino Unido: o Snap. A “brincadeira” funciona da seguinte forma: uma menina coloca diversas pulseiras de silicone coloridas no braço e um jovem tenta arrebentar um dos adereços. Cada cor representa um “carinho”, que vai desde um abraço até sexo; quem arrebentar receberá a “prenda” da dona da pulseira.

As pulseiras já são moda por aqui. Baratas e fáceis de serem encontradas – um conjunto de 20 delas sai por, no máximo, R$ 2 –, elas não têm relação alguma com o jogo britânico, segundo usuários. “Pode acontecer isso fora daqui, mas no Brasil usamos só porque é legal”, disse a estudante Camila Perrenchelle, de 20 anos.

De fato, não há evidências de que algo semelhante tenha ocorrido nas escolas paulistas, segundo a Secretaria Estadual da Educação. Mesmo assim, educadores de instituições adiantaram-se à chegada da moda e começaram a tomar providências.

É o caso do colégio particular Marista Arquidiocesano de São Paulo. No fim do mês passado, a direção enviou comunicado aos pais dos alunos intitulado “Entretenimento? Consumo? Manipulação? Exploração de crianças e adolescentes?”. “Pedimos que, com discernimento e serenidade, […] conversem sobre o melhor posicionamento para seus filhos e filhas”, informa o texto.

Em entrevista ao G1, o diretor educacional do colégio, o professor Ascânio João Sedrez, afirmou que a discussão foi parar também na sala de aula e teve um lado positivo. “Foi interessante. Surgiram pautas muito boas entre alunos e professores e também foi uma boa desculpa para que os pais começassem uma conversa necessária.”

Mãe de duas meninas, Patrícia Paz, de 39 anos, aconselhou a caçula de 10 anos e a adolescente de 13 a deixarem de usar as pulseirinhas na escola onde estudam, no Centro de São Paulo. “Elas usam desde pequenas, mas por precaução vão deixá-las de lado até essa moda passar”, afirmou.

As meninas questionaram a mãe, mas, após uma conversa franca, concordaram em colocar os adereços somente fora do ambiente escolar.

Vendas
Quem não gostou dos alertas sobre o jogo Snap foram os ambulantes que vendem os adornos nas proximidades das escolas. O G1 visitou cinco barracas e em todas a situação é a mesma: desde que começou a circular o e-mail com a reportagem do “The Sun”, as vendas tiveram uma acentuada queda.

“Antes eu vendia de 150 a 200 conjuntos de pulseiras por dia, mas agora não vendo mais do que 20”, disse o ambulante José da Silva Fontes, de 36 anos, que trabalha perto de uma escola na Vila Mariana, Zona Sul da capital paulista.

O vendedor Jean Souza Santos, de 40 anos, também sentiu a diminuição na procura pelo adereço. “Há uns quatro meses, vinham mães com seus filhos comprar. Agora nem as crianças compram mais.”

Moda passageira
Para o educador Sedrez, o jogo Snap, se chegar ao Brasil, será rápido “como fogo de palha”. “A sensação é que há maleabilidade, franqueza aqui. O gingado que o brasileiro tem na questão dos relacionamentos é muito mais solto em comparação aos britânicos.”

Para ele, o jogo pode ser aceito em uma cultura rígida, mas não ganha força em um país em que a sexualidade é tratada com mais naturalidade. “O jogo não se enquadra na nossa cultura. É estranho ao nosso país”, concluiu.
g1.

Israel Desenvolve Tecnologia Para Evitar Falsificações De DNA – editoria

Após constatarem que o DNA coletado na cena de um crime pode ser facilmente falsificado, cientistas israelenses desenvolveram uma nova tecnologia para combater a substituição da identidade genética. Segundo os pesquisadores, não é difícil fabricar artificialmente amostras de DNA que podem se incorporar à saliva e ao sangue humanos, utilizando material primário e tendo algum conhecimento. Também é possível propagar este DNA artificial no local de um crime.

“Atualmente, os métodos de identificação não permitem diferenciar as amostras de sangue, de saliva ou as superfícies em contato com o DNA artificial”, escrevem os cientistas em um artigo publicado na revista especializada “Forensic Science International: Genetics”.

Os especialistas afirmam que é possível pedir a qualquer laboratório que reproduza uma amostra de DNA a partir de uma xícara de café suja ou de uma ponta de cigarro para deixá-la na cena de um crime. Também é possível modificar o DNA do sangue separando em uma centrífuga os glóbulos brancos (onde fica o DNA humano) dos vermelhos e acrescentar a eles o DNA artificial.

Segundo os israelenses, um renomado laboratório americano, que trabalha com o FBI, não foi capaz de distinguir o DNA falso do verdadeiro. Para evitar este tipo de fraude, a Nucleix, empresa israelense especializada em análises de DNA, desenvolveu um método de autenticação do DNA que permite diferenciar o DNA natural do artificial e até mesmo do DNA “contaminado”. O DNA é, atualmente, uma das ferramentas usadas com maior êxito e eficácia nas investigações criminais.

AI 5 – HÁ 41 ANOS, uma longa e tenebrosa NOITE ESCURA pairou sobre a nação brasileira

há 41 anos, 13 de dezembro de 1968, os generais golpistas de 1º de abril de 1964 (como é o dia da mentira anteciparam o aniversário para 31 de março) decretaram o ATO Institucional nº5 que suspendia TODAS as garantias do cidadão brasileiro e extrangeiro que se encontrasse dentro das fronteiras do país.  fecharam o Congresso Nacional por tempo indeterminado. milhares de prisões, torturas e assassinatos iriam preencher aquela grande noite que se abateu sobre a nação brasileira. a inteligência nacional foi expurgada das escolas públicas e  universidades. os deputados nacionalistas, defensores do retorno ao estado de direito, tiveram seus mandatos e direitos civis cassados por dez anos. militares  defensores da constituição foram expulsos, presos e torturados. generais defensores da volta à legalidade no país, foram colocados na reserva e proibidos de se pronunciarem pela imprensa e em público. civis, estudantes, intelectuais e sindicalistas eram presos e processados pelas mais vis acusações, em todo o território nacional sem direito de retorno às suas atividades de estudo ou trabalho. perseguições de toda ordem nos órgãos públicos que culminavam com a exoneração do perseguido, na maioria das vezes caluniados de ação subversiva no local de trabalho pelos seus desafetos pessoais. injustiças e mais injustiças é sempre a marca de todo regime discricionário. suspenso o direito de reunião. nas esquinas, ruas e praças, não poderiam haver mais que tres brasileiros conversando, seriam presos de imediato a manu militari por qualquer guarda de transito. o ar do país era irrespiravel tal a pressão psicológica exercida pelos jornais e televisões sobre a população “para que andasse direitinho e denunciasse qualquer crítico da ditadura”. recordamos, hoje, aqueles momentos covardes e sanguinários para que continuem vivos na nossa memória como bandeira desfraldada em homenagem aos companheiros que conheceram a dor do exílio, aos torturados e mortos e como sinal para as futuras gerações reagirem contra qualquer tentativa de estabelecer um regime despótico. a nação brasileira está e deverá permanecer livre de coturnos e tanques marchando sobre si mesma.

JB VIDAL

Editor

.

o ATO institucional nº 5

Presidência da República


Casa Civil


Subchefia para Assuntos Jurídicos

.

ATO INSTITUCIONAL Nº 5, DE 13 DE DEZEMBRO DE 1968.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, ouvido o Conselho de Segurança Nacional, e

CONSIDERANDO que a Revolução Brasileira de 31 de março de 1964 teve, conforme decorre dos Atos com os quais se institucionalizou, fundamentos e propósitos que visavam a dar ao País um regime que, atendendo às exigências de um sistema jurídico e político, assegurasse autêntica ordem democrática, baseada na liberdade, no respeito à dignidade da pessoa humana, no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo, na luta contra a corrupção, buscando, deste modo, “os. meios indispensáveis à obra de reconstrução econômica, financeira, política e moral do Brasil, de maneira a poder enfrentar, de modo direito e imediato, os graves e urgentes problemas de que depende a restauração da ordem interna e do prestígio internacional da nossa pátria” (Preâmbulo do Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964);

CONSIDERANDO que o Governo da República, responsável pela execução daqueles objetivos e pela ordem e segurança internas, não só não pode permitir que pessoas ou grupos anti-revolucionários contra ela trabalhem, tramem ou ajam, sob pena de estar faltando a compromissos que assumiu com o povo brasileiro, bem como porque o Poder Revolucionário, ao editar o Ato Institucional nº 2, afirmou, categoricamente, que “não se disse que a Revolução foi, mas que é e continuará” e, portanto, o processo revolucionário em desenvolvimento não pode ser detido;

CONSIDERANDO que esse mesmo Poder Revolucionário, exercido pelo Presidente da República, ao convocar o Congresso Nacional para discutir, votar e promulgar a nova Constituição, estabeleceu que esta, além de representar “a institucionalização dos ideais e princípios da Revolução”, deveria “assegurar a continuidade da obra revolucionária” (Ato Institucional nº 4, de 7 de dezembro de 1966);

CONSIDERANDO, no entanto, que atos nitidamente subversivos, oriundos dos mais distintos setores políticos e culturais, comprovam que os instrumentos jurídicos, que a Revolução vitoriosa outorgou à Nação para sua defesa, desenvolvimento e bem-estar de seu povo, estão servindo de meios para combatê-la e destruí-la;

CONSIDERANDO que, assim, se torna imperiosa a adoção de medidas que impeçam sejam frustrados os ideais superiores da Revolução, preservando a ordem, a segurança, a tranqüilidade, o desenvolvimento econômico e cultural e a harmonia política e social do País comprometidos por processos subversivos e de guerra revolucionária;

CONSIDERANDO que todos esses fatos perturbadores da ordem são contrários aos ideais e à consolidação do Movimento de março de 1964, obrigando os que por ele se responsabilizaram e juraram defendê-lo, a adotarem as providências necessárias, que evitem sua destruição,

Resolve editar o seguinte

ATO INSTITUCIONAL

Art. 1º – São mantidas a Constituição de 24 de janeiro de 1967 e as Constituições estaduais, com as modificações constantes deste Ato Institucional.

Art. 2º – O Presidente da República poderá decretar o recesso do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e das Câmaras de Vereadores, por Ato Complementar, em estado de sitio ou fora dele, só voltando os mesmos a funcionar quando convocados pelo Presidente da República.

§ 1º – Decretado o recesso parlamentar, o Poder Executivo correspondente fica autorizado a legislar em todas as matérias e exercer as atribuições previstas nas Constituições ou na Lei Orgânica dos Municípios.

§ 2º – Durante o período de recesso, os Senadores, os Deputados federais, estaduais e os Vereadores só perceberão a parte fixa de seus subsídios.

§ 3º – Em caso de recesso da Câmara Municipal, a fiscalização financeira e orçamentária dos Municípios que não possuam Tribunal de Contas, será exercida pelo do respectivo Estado, estendendo sua ação às funções de auditoria, julgamento das contas dos administradores e demais responsáveis por bens e valores públicos.

Art. 3º – O Presidente da República, no interesse nacional, poderá decretar a intervenção nos Estados e Municípios, sem as limitações previstas na Constituição.

Parágrafo único – Os interventores nos Estados e Municípios serão nomeados pelo Presidente da República e exercerão todas as funções e atribuições que caibam, respectivamente, aos Governadores ou Prefeitos, e gozarão das prerrogativas, vencimentos e vantagens fixados em lei.

Art. 4º – No interesse de preservar a Revolução, o Presidente da República, ouvido o Conselho de Segurança Nacional, e sem as limitações previstas na Constituição, poderá suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos e cassar mandatos eletivos federais, estaduais e municipais.

Parágrafo único – Aos membros dos Legislativos federal, estaduais e municipais, que tiverem seus mandatos cassados, não serão dados substitutos, determinando-se o quorum parlamentar em função dos lugares efetivamente preenchidos.

Art. 5º – A suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:

I – cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função;

II – suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais;

III – proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;

IV – aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:

a) liberdade vigiada;

b) proibição de freqüentar determinados lugares;

c) domicílio determinado,

§ 1º – O ato que decretar a suspensão dos direitos políticos poderá fixar restrições ou proibições relativamente ao exercício de quaisquer outros direitos públicos ou privados.

§ 2º – As medidas de segurança de que trata o item IV deste artigo serão aplicadas pelo Ministro de Estado da Justiça, defesa a apreciação de seu ato pelo Poder Judiciário.

Art. 6º – Ficam suspensas as garantias constitucionais ou legais de: vitaliciedade, mamovibilidade e estabilidade, bem como a de exercício em funções por prazo certo.

§ 1º – O Presidente da República poderá mediante decreto, demitir, remover, aposentar ou pôr em disponibilidade quaisquer titulares das garantias referidas neste artigo, assim como empregado de autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista, e demitir, transferir para a reserva ou reformar militares ou membros das polícias militares, assegurados, quando for o caso, os vencimentos e vantagens proporcionais ao tempo de serviço.

§ 2º – O disposto neste artigo e seu § 1º aplica-se, também, nos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios.

Art. 7º – O Presidente da República, em qualquer dos casos previstos na Constituição, poderá decretar o estado de sítio e prorrogá-lo, fixando o respectivo prazo.

Art. 8º – O Presidente da República poderá, após investigação, decretar o confisco de bens de todos quantos tenham enriquecido, ilicitamente, no exercício de cargo ou função pública, inclusive de autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. (Regulamento)

Parágrafo único – Provada a legitimidade da aquisição dos bens, far-se-á sua restituição.

Art. 9º – O Presidente da República poderá baixar Atos Complementares para a execução deste Ato Institucional, bem como adotar, se necessário à defesa da Revolução, as medidas previstas nas alíneas d e e do § 2º do art. 152 da Constituição.

Art. 10 – Fica suspensa a garantia de habeas corpus, nos casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular.

Art. 11 – Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.

Art. 12 – O presente Ato Institucional entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.

Brasília, 13 de dezembro de 1968; 147º da Independência e 80º da República.

A. COSTA E SILVA

Luís Antônio da Gama e Silva

Augusto Hamann Rademaker Grünewald

Aurélio de Lyra Tavares

José de Magalhães Pinto

Antônio Delfim Netto

Mário David Andreazza

Ivo Arzua Pereira

Tarso Dutra

Jarbas G. Passarinho

Márcio de Souza e Mello

Leonel Miranda

José Costa Cavalcanti

Edmundo de Macedo Soares

Hélio Beltrão

Afonso A. Lima

Carlos F. de Simas

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 13.12.1968.

.

você assiste e ouve a reunião em que o gal. Costa e Silva e seus ministros aprovam o famigerado AI5:

clique AQUI

.

há 30 anos acontecia a NOVEMBRADA em Florianópolis, como ficou conhecida a presença do gal. João Figueiredo no dia 30 de novembro de 1979.

UM clique no centro do vídeo:

gal. joão batista figueiredo, o último ditador desde a quartelada de 1964 e sua turma de governo.


DISCURSO DE MAX BROD NO TÚMULO DE KAFKA – por hamilton alves / florianópolis

De uma pequena biografia, escrita pelo inglês Paul Strathern, relata-se que, quando Kafka morreu e foi sepultado num cemitério judaico, em Praga, seu amigo Max Brod, o único que privou mais intensamente de sua intimidade, fez o discurso fúnebre, que, segundo ainda esse biógrafo, só foi interrompido quando Dora Dymant, uma judia, que Kafka conheceu quando se mudou para Berlim, já no fim da vida, vivendo, nessa época, a Alemanha um período de hiperinflação, que provocava a desvalorização da moeda, a fome, e filas intermináveis nos mercados de alimentos, se atirou sobre o túmulo de Kafka, chorando inconsolavelmente.

Qual teria sido, mais ou menos, nessa ocasião, o discurso de Brod, que recebeu do amigo, quando fez essa mudança para Berlim, o pedido de que destruísse sua obra, poupando apenas alguns escritos, indicados certamente por ele?  Max resolveu não cumprir o testamento do amigo e, refugiando-se em Israel, começou a trabalhar na divulgação da obra legada por Kafka.

Imagino que teria sido aproximadamente o seguinte:

“Caro amigo Franz,

A morte o levou deste mundo prematuramente. Era esperado que isso acontecesse desde quando você adquiriu essa doença mortal da tuberculose. Acompanhei durante tempos sua trajetória, seu dilaceramento no que respeita a sua vida pessoal e familiar. A dificuldade que sempre encontrou em se ajustar aos diversos aspectos de sua vida. Quando conheci seus primeiros escritos logo descobri seu talento literário sem igual e a natureza originalíssima de sua obra. Procurei, na medida do possível, divulgá-la e fazer ver aos nossos contemporâneos quanto essa obra, desde logo, me pareceu destacável dos demais escritores europeus de nosso tempo. À medida que sua obra se desenvolvia só aumentava minha visão pessoal de sua incomparável grandeza, a colocá-lo entre os mais destacados escritores mundiais.

Ao lado disso, sua vida seguia rumos imprevisíveis, com seu profundo desajustamento à família, ao meio social, ao trabalho, às pessoas e até mesmo às suas primeiras relações amorosas, parecendo que fora marcado para o infortúnio.

Tive o privilégio de, como seu amigo, acompanhar passo a passo sua vida em todas as formas em que se expressava, sua determinação em se envolver com seu trabalho de escritor, parecendo que isso fora sempre seu objetivo primordial – e nele encontrava a única forma de escapar a todos os seus dilemas.

Fui de seus poucos amigos que privou de sua intimidade. Conheci sua envergadura moral e artística mais do que qualquer outra pessoa.

A morte parece lhe ter sido o ponto de encontro com a paz ou a forma de superar sua generalizada incapacidade de existir.

Entre, caro amigo, na imortalidade da vida eterna e na da arte”.

Rumorejando (Com os estudantes de Brasilia se solidarizando). – por juca (josé zockner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (Via pseudo-haicai).

Não sei, se dizer eu devo,

Mas, neste país, com mais de setenta

Eu me considero longevo…

Constatação II

E como a turma se referia ao preguiçoso, numa dúvida crucial: -“O que será que o Joãozinho não está fazendo, agora ?”

Constatação III

Não se deve confundir mandão, que, entre outras definições do Aurelião, quer dizer “aquele que gosta de mandar com arrogância, ou que gosta de mandar” com mandrião – indivíduo preguiçoso – muito embora, exista muito mandão que, justamente, possui essa característica por ser mandrião

Constatação IV (E também dúvida crucial).

A abertura econômica, a globalização, são coisas maravilhosas. Apenas têm um senão: só atingem uma minoria. Quanto a maioria ? Ora, falemos de coisas mais amenas… Afinal, desde que o mundo é mundo, as minorias, as elites dirigentes, sempre agiram em benefício próprio, em detrimento da maioria. Há alguma razão plausível, neste começo de século – e  outros mais –, para que seja diferente ???

Constatação V

Não se trata absolutamente de ser machista, mas não é possível imaginar, por mais boa vontade que se tenha, uma mulher fazendo uma baliza num lugar bem apertado. Tenho dito!

Constatação VI (Via pseudo-haicai).

A gente fica inerme,

Diante de tanta violência.

E pior: se sentindo um verme.

Constatação VII (Via pseudo-haicai).

Ela é uma mulher esfuziante.

Pena que vive mascando chicletes

E os estica qual barbante…

Constatação VIII (Via pseudo-haicai).

O cantor tinha topete:

Se metia a cantar

E era só falsete.*

*Falsete = Voz esganiçada.

Constatação IX (De um mundo cão, digo, mundo Homem).

Nesse mar de desempregos, que se verifica em todo o mundo, inclusive em nosso país, há oferta de empregos na área de informática. São os empregos, tão conhecidos, que criam desempregos…

Constatação X

Rico não vê obstáculos a sua frente; pobre, tropeça na própria sombra.

Constatação XI

Em certos países, “Mens sana in corpore sano” não é levado nem um pouco a sério porque os governantes consideram o latim uma língua morta.

Constatação XII

Sob condição normal

De pressão e temperatura

Tem muito marginal

Que abre qualquer fechadura.

Constatação XIII

E, também, sob condições normais

De pressão e temperatura

Ela, nua, antes dos esponsais

Era uma fulgurante pintura…

Constatação XIV

E, ainda, sob condição normal

De pressão e temperatura

O problema econômico social,

Com as tais privatizações, perdura…

Constatação XV

Em certos países, o horário político é obrigatório; o voto é obrigatório. Governo e políticos decentes não são obrigatórios…

Constatação XVI

Sob condição normal

De pressão e temperatura,

Não sei por que,

Quem se julga o tal,

Se pôs a proclamar

Que, graças o real,

O povo pode comprar

Até dentadura.

Dúvida crucial:

Pra mastigar o quê ?

Constatação XVII

E como dizia o ancião: -“Graças ao viagra, minhas manhãs, tardes e noites estão sendo menos desperdiçadas e, dependendo da parceira, poderiam até ser melhor aproveitadas”…

Constatação XVIII (via psseudo-haicai).

A pertinácia,

Nem sempre,

Evita a falácia.

Constatação XIX

Rico vive endinheirado; pobre, endividado.

Constatação XX

Leitor,

Afinal,

Por favor,

Entenda:

A vida,

Bem

Ou mal

Vivida

É também

Uma essencial

Contenda.

São poucos,

Meio loucos,

Os ganhadores.

A maior parte,

Destarte,

São perdedores…

Constatação XXI (Via pseudo-haicai).

O silêncio e a paz do monastério

Eram infinitamente maiores

Que aqueles, lá, do cemitério.

Constatação XXII

E como filosofava o ancião: -“Os excessos e a qualidade do que você comeu na juventude, você paga na velhice. Em todos os sentidos”…

Constatação XXIII

Pobre é careca; rico é calvo.

COISAS QUE PRECISAM SER INVENTADAS.

– Velhice auto-administrante.

– Pão, sem produto químico, que não fique como borracha no dia seguinte.

– Remédio contra a rabugice.

– Desvirador automático de cocho que possa ser usado tanto para suínos como para pessoas.

– Peneira fina para peneirar cara grosso.

– Catapultador para catapultar cara chato pra catalputa que o pa, digo, para bem longe de onde a gente se encontra.

– Religioso que não diga que a religião dele é a melhor, a verdadeira ou a mais certa de todas.

– Polemista, de qualquer assunto, que não seja fanático.

– Hooligans (quando forem do exterior) e torcida uniformizada que só se dedique a causas nobres.

– Retrato de carteira de identidade e/ou, para aqueles que viajam, passaporte nos quais, a gente não saia com cara de “Procurado pela polícia”.

– Empresa de pesquisa de opinião pública que não seja facciosa.

– Removedor de mancha a base de um simples assoprão.

– Viagra pra mulher meio fria.

– Viagra pra mulher muito quente.

– Calçada, com laje solta, que não te espirre em dia de chuva.

– “Desapelador” pra programas de televisão que são eminentemente apelativos.

– Jogador de truco que me ganhe.

– “Despalpitador” automático que anule palpites que são, na sua totalidade, errados.

– Pimenta do reino que não reine em parte alguma do nosso corpo.

– Sentença que satisfaça todas as partes em litígio.

– Chuvas mais gentis e delicadas que não provoquem danos.

– Restaurante que permita que você pendure a conta diante de uma situação de aperto, ou não.

– Carpideira para chorar pelo leite derramado.

– Robô para ouvir ladainha.

Farsantes, apátridas e um filme americano – por alceu sperança / cascavel.pr



O que o neoliberalismo à brasileira – o luliberalismo – tem apresentado à população, tirando as maravilhas da propaganda oficial?

Fabricantes de máquinas e equipamentos passaram a cortar postos de trabalho, afetados pelo salto de importações de bens de capital e pela emigração de fábricas brasileiras para o exterior.

O mesmo fenômeno abala empregos em vários outros setores que têm transferido a produção para países vizinhos como Argentina e Uruguai. Não elaboramos matérias-primas: elas vão a preços baixos e retornam, elaboradas, a preços elevados.

Isso quer dizer que estamos exportando empregos quando poderíamos estar exportando produtos. “Empresários” voejam pra lá e pra cá, desviando investimentos do País para a Argentina, Uruguai, China, Leste Europeu, Índia e México enquanto exibem na lapela bottom com a bandeirinha do Brasil.

Alguns confessam, como o industrial calçadista Paulo Picaddily: “É lamentável ter que produzir lá fora, mas (…) a moeda deles é mais favorável a exportações e o custo de produção do sapato é de 20% a 25% menor”.

PAC dos banqueiros

O governo Lula pagou no primeiro mandato R$ 600 bilhões de juros. Um colossal PAC enfiado no bolso dos banqueiros. O custo dos juros, diga-se, supera bilionariamente o volume de investimentos previstos até 2010 no PAC lulista. Equivale a mais de 50 vezes os gastos com todas as famílias atendidas pelo Bolsa Família.

Como a oposição a Lula é a dupla DEM-Tucanato, não raciocina em cima desses dados objetivos. Eles (tucanos, DEM, PMDB e quejandos) estão na raiz das dívidas, fizeram a mesma coisa antes e querem continuar fazendo no futuro.

Os políticos governistas repartem o País com os DEMs e os tucanos, que fingem ser oposição a seu clone petista-peemedebista. Essa turma feliz, no governo ou encarapitados sobre suas fortunas, não dá a mínima para os semelhantes que sofrem nas ruas, nas prisões, no desemprego, nas vilas distantes e inseguras.

As mães começam a rezar quando o filho sai para a escola, os pais que saem não sabem se voltam ainda empregados.

Vale recordar uma ilustre personalidade que abandonou os brasileiros involuntariamente, não para desviar investimento à Argentina, mas pela imposição da morte: Milton Santos.

“Nosso mundo é complexo e confuso ao mesmo tempo”, disse Milton, “graças à força com a qual a ideologia penetra nos objetos e ações”.

Essa ideologia agora engana os humildes com a ideia infantil de que eleições resolvem tudo por si sós, sem que seja preciso organizar e pressionar desde a base da sociedade.

Hippies bushianos

Desmobilizadora e despolitizante, a ideia é amplamente difundida pela mídia, que torna tudo refém dos palácios ou do “mercado”, onde se aboletam os deuses do Olimpo globalizado.

A mídia PAG (a governista) e o outro lado da mesma moeda – a mídia PIG – se esforçam para deixar tudo ainda mais confuso e fazer crer que é forçoso escolher entre os farsantes de hoje e os farsantes de ontem, quando os dois “lados” estão a serviço da mesma ideologia engabeladora.

A idiotice é tão grande que poucos já perceberam que o Bolsa-Família é originado da política de anestesia popular bolada pelos políticos republicanos nos EUA e posta em prática pelo Partido Democrata, ambos constituindo já um partido único, na prática.

A repartição do poder entre PT e PSDB nos levará a esse mesmo partido único. Aliás, na Alemanha, onde há mais sinceridade, os social-democratas e os conservadores já governaram em conjunto.

Esse laboratório – a origem do Bolsa-Família nos EUA e o governo compartilhado na Alemanha – mostrou que mesmo povos escolarizados são levados facilmente no bico, aceitando como “democracia” um partido único repartido em duas ou mais siglas com os mesmíssimos propósitos.

Com uma cavalar ironia, David Arquette denunciou a situação em seu filme The Tripper (Perseguição Assassina, 2007), com seus hippies que ao mesmo tempo fumam maconha, cheiram cocaína e adoram Bush. Aliás, o melhor do filme está nos créditos finais.

SÔ JAYRO de vinícius alves / florianópolis

para Jayro Schmidt

Sô Jayro,

copia e cola no navegador
cola no navegador e copia
copia a cola e navega
navega na copia e cola

LULA é eleito PERSONAGEM DO ANO pelo jornal EL PAÍS da ESPANHA. os “demos” e o “tucanato” deploram e choram na imprensa brasileira.

Em artigo no ‘El País’, Zapatero diz que Lula ‘surpreende’ o mundo

Presidente foi escolhido um dos 100 personagens do ano pelo jornal.
Mundo se dá conta de que Brasil é mais que futebol e praias, diz espanhol.

Lula e Zapatero. foto de Ricardo Stucker (Presidência).

Eleito um dos 100 personagens do ano pelo jornal espanhol “El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi tema de um artigo assinado pelo primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, com o título “O homem que surpreende o mundo”. No texto, Zapatero diz que sente “profunda admiração” por Lula e faz diversos elogios ao colega brasileiro.

“O mundo tem se dado conta que o Brasil é muito mais que carnaval, futebol e praias. É um dos países emergentes que conta com uma democracia consolidada e está chamado a desempenhar nas décadas seguintes uma liderança política e econômica crescente no mundo, assim como já vem fazendo na América Latina com sucesso”.

Ele conta que conheceu Lula em setembro de 2004, quando a Espanha passou a integrar a Aliança contra a Fome, na cúpula das Nações Unidas em Nova York. “Não podia ter havido melhor ocasião”, diz Zapatero.

O premiê espanhol diz que Lula marcou posição ao declarar que é inaceitável uma ordem econômica em que “poucos podem comer cinco vezes por dia e muitos sequer saber se conseguirão comer ao menos uma” e lembra uma declaração do brasileiro de que terá realizado a missão de sua vida se, no fim de seu mandato, os brasileiros puderem tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias.

“Nesse empenho, segue esse homem honesto, íntegro e admirável, transformado em referência inegável para a esquerda do continente americano.”

Ao destacar que o Brasil deixou de ser o país de um futuro que nunca chegava, o líder espanhol diz que o país foi conduzido pela mão de Lula, seguindo um caminho aberto por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.
“Lula tem o imenso mérito de ter unido a sociedade brasileira em torno de uma reforma tão ambiciosa como tranqüila. Está sabendo, sobretudo, enfrentar, com determinação e eficácia, os desafios de desigualdade, pobreza e violência que tanto têm atingido a história recente do país.”

Zapatero destaca ainda que, durante o mandato de Lula, o Brasil tem recebido a confiança dos mercados financeiros internacionais “pela capacidade de atrair investimentos diretos e pelo rigor com as contas públicas”.

g1.

obs.: a segunda frase da manchete é do site.

RUDI BODANESE e WILLIAM SHAKESPEARE em fotopoema 142 / florianópolis / londres

dedicado a WESLEY COLLYER e  LUZ CARPIN

LUNA comenta em ” A SOLIDARIEDADE É!” por rubem alves

Publicado por luna em Dezembro 10, 2009 17:39 pm às 17:39 pm

eu odiei esse site é um orror

veja a matéria comentada por luna AQUI

APELO AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: NÃO ANISTIE OS TORTURADORES! / A NAÇÃO BRASILEIRA

Exmo. Sr. Dr. Presidente do

Supremo Tribunal Federal
Ministro Gilmar Mendes

.

Eminentes Ministros do STF: está nas mãos dos senhores um julgamento de importância histórica para o futuro do Brasil como Estado Democrático de Direito, tendo em vista o julgamento da ADPF (Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que requer que a Corte Suprema interprete o artigo 1º da Lei da Anistia e declare que ela não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão contra os seus opositores políticos, durante o regime militar, pois eles não cometeram crimes políticos e nem conexos. Tortura, assassinato e desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade, portanto não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia. O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os carrascos da ditadura militar e é de rigor que seja realizada a interpretação do referido artigo para que possamos instituir o primado da dignidade humana em nosso país. A banalização da tortura é uma triste herança da ditadura civil militar que tem incidência direta na sociedade brasileira atual. Estudos científicos e nossa observação demonstram que a impunidade desses crimes de ontem favorece a continuidade da violência atual dos agentes do Estado, que continuam praticando tortura e execuções extrajudiciais contra as populações pobres. Afastando a incidência da anistia aos torturadores, o Supremo Tribunal Federal fará cessar a degradação social, de parte considerável da população brasileira, que não tem acesso aos direitos essenciais da democracia e nesta medida, o Brasil deixará de ser o país da América Latina que ainda aceita que a prática dos atos inumanos durante a ditadura militar possa ser beneficiada por anistia política. Estamos certos que o Supremo Tribunal Federal dará a interpretação que fortalecerá a democracia no Brasil, pois Verdade e Justiça são imperativos éticos com os quais o Brasil tem compromissos, na ordem interna, regional e internacional. Os Ministros do STF têm a nobre missão de fortalecer a democracia e dar aos familiares, vítimas e ao povo brasileiro a resposta necessária para a construção da paz. Não à anistia para os torturadores, sequestradores e assassinos dos opositores à ditadura militar.

.

Comitê Contra a Anistia aos Torturadores

.

Entidades lançam campanha contra anistia a torturadores

Nos próximos meses, o Supremo Tribunal Federal (STF) irá julgar um processo decisivo para o futuro democrático do Brasil. Trata-se da ADPF (Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que reivindica que o Supremo interprete que a Lei de Anistia não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da ditadura civil militar (1964-1985). O processo aguarda o parecer do Procurador Geral da República, e, em seguida, o ministro relator, Eros Grau, poderá colocar em pauta de julgamento.

Com o objetivo de impedir que os agentes da repressão sejam anistiados, um grupo de defensores de direitos humanos e entidades da sociedade civil criou o “Comitê contra a Anistia aos Torturadores”.

Tortura, assassinato e desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade, portanto não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia. Estudos  indicam que a impunidade dos crimes de ontem favorece a continuidade da violência atual dos agentes do Estado, que continuam praticando tortura e execuções extrajudiciais contra a população pobre.

A primeira iniciativa do comitê é o lançamento de um manifesto on-line, que já conta com o apoio de intelectuais, artistas, juristas, parlamentares e defensores de direitos humanos. Entres os que subscrevem a petição estão Antonio Candido, Chico Buarque, José Celso Martinez  Correa, Aloysio Nunes Ferreira, Frei Betto, Marilena Chauí, João Pedro Stedile e Sérgio Mamberti.

PARA ASSINAR O MANIFESTO CLIQUE AQUI

Mais informações: Tatiana (11) 8327-5319

“GURI de ACAMPAMENTO” – composição e interpretação de luiz carlos borges / música gaúcha / porto alegre

UM clique no centro do vídeo:

ANGÚSTIA de joão batista do lago /são luis.ma


Dobram os sinos na minha catedral!

Aguardo os fiéis

Mas eles não chegam…

Passam as horas

Passa o tempo e todos os Tempos

Mas eles não chegam…

Para quem direi o meu sermão?

Há multidão dentro de mim

E ela está mouca!

E (também) não chega…

Então estou só

Guardado no sacrário das

Minhas angústias

Esquecidas como o velho vinho

Agora tornado vinagre

Que só a mim

Cabe-o sorver

Às 06:00 horas

Dum Tempo qualquer

Tornarei aos sinos da catedral

E os tocarei

E esperarei, por fim,

Que todos regressem

A letra “P” – Apenas a língua portuguesa nos permite escrever isso: (autor desconhecido)



Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.

Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.
Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo… Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses. – Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.

Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir. Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.

Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? Papai – proferiu Pedro Paulo – pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.

Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando.
Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito.
Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo. Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo pereceu pintando…
Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar… Para parar preciso pensar.
Pensei. Portanto, pronto pararei.

.

ilustração do site. tela das “COBRAS PINTORAS“.  veja mais pinturas AQUI.

KATIA HORN convida:

MARÃO comenta, com poema, na página SALA DE VISITAS / FOTOS

Enviado em 09/12/2009 às 7:26

A Sala de Visitas

Entre rodas mais seletas
Vejo o amigo Miranda,
Sorvendo bons goles de vinho,
Em volutas de ciranda
Campeia em searas poetas,
Pulando entre umas e ostras
Adejante passarinho,
Ora se esconde ou se mostra.

Tem gente de barba grande
Cara boa, sem maldade,
Cabelos branquinhos em nuvem
Como o Manoel de Andrade,
Outro com nome de whisky,
Nunca parece normal
O JB Vidal!

Nessa Sala de Visita,
Acolhedora e bonita,
O visitante se inspira,
Queria guardá-la pra mim,
Tem Valquírias e o conforto,
De uma Musa Confortim…

Acordo aqui em Brasília,
Insipidez de Planalto,
As árvores são contorcidas,
Em cólicas que vão pro alto,
Capim rasteiro e sem mato,
Fertilidade de rato
Me lembro de Tonicato!

VEJA A PÁGINA COMENTADA AQUI.

Multidão segue o funeral do cantor chileno Victor Jara

Nem a longa espera e o sol quente foram suficientes para afastar os milhares de chilenos que acompanharam, com um cravo vermelho na mão, a despedida ao cantor Victor Jara, 36 anos após seu assassinato. Jara foi torturado e morto no estádio Nacional, uma pequena instalação esportiva vizinha ao palácio presidencial de La Moneda, pouco depois do golpe militar de 11 de setembro de 1973.

.Claudio Reyes/EFE/05/12/09

Em 12 de setembro daquele ano, mais de 600 estudantes, professores, e funcionários da Universidade Técnica do Estado foram concentrados à força no estádio. Eles tinham permanecido na universidade com a intenção de defender o governo da Unidade Popular do presidente socialista Salvador Allende contra o golpe desencadeado pelo general Augusto Pinochet. Destacado militante comunista, Jará foi golpeado e submetido a varias sessões de tortura durante cinco dias, antes de falecer.

Essa semana, a viúva, Joan e suas filhas Amanda e Manuela, junto com a fundação Victor Jara, decidiram organizar a despedida pública a qual ele não teve direito em 1973, quando seu corpo foi encontrado. Naquela época, Joan sepultou clandestinamente os restos mortais de seu companheiro acompanhada de apenas duas pessoas.

O funeral público acontece após a exumação do corpo, em 4 de junho passado. A família quis aproveitar as novas tecnologias do Instituto Genético de Innsbruck, na Áustria, para saber o que tinha realmente acontecido. Os médicos concluíram que Jara morreu de múltiplas feridas e que tinha recebido mais de 30 tiros.

Jovens em massa

Um velório de três dias foi organizado, desde quinta-feira (3), na Praça Brasil, bairro ainda marcado pela presença da esquerda. Milhares de pessoas suportaram filas de várias horas para poder tocar o caixão do músico e, sobretudo, escrever algumas linhas nos três livros de condolências dispostos na calçada, enquanto grupos folclóricos dançavam e outros declamavam poesia ou cantavam.

.Claudio Santana/AFP/05/12/09

“Você representa o melhor da juventude”, escreveu Nicolas Valencia, 19 anos. O estudante de direito nem tinha nascido quando a democracia foi restabelecida em 1999, com a saída do general Pinochet da presidência, 17 anos após o golpe. Mas para ele, era fundamental acompanhar o funeral. “Victor era um grande lutador, ele soube falar da pobreza do povo em suas canções, é por isso que a ditadura o matou”, afirma, ao lado de vários colegas da universidade.

Nicolas interrompe a conversa para gritar, junto à multidão “Victor Jara vive! Victor Jara presente!”. Emocionado, ele espera sua vez para entrar no velório. “Olha, colocaram o poncho que ele usava sempre!”, diz, antes de acariciar a madeira do caixão com solenidade.

A dois metros de distância, Fedora Demsky Verdugo observa a cena com um sorriso. Ela tem 59 anos e, comunista convencida, lembra de cada minuto do golpe e da repercussão da morte do cantor. “É bom ver tantos jovens”, diz a funcionária do Ministério da Educação. De fato, a metade do público tem menos de 25 anos. “Não sei se os adolescentes sabem toda a história, mas a presença deles aqui é o sinal de que eles rejeitam a injustiça e a desigualdade que estão cada vez maiores no Chile. A mensagem de Victor é mais forte que nunca”, analisa.

Fedora guarda, porém, um motivo de tristeza: “ninguém pagou pela morte de Victor, justiça não foi feita”. Em maio passado, um juiz decidiu processar o ex-oficial Jose Adolfo Paredes Márquez, considerando-o um dos autores do assassinato do cantor. O acusado negou e foi libertado pelo tribunal, que considerou que faltavam provas sólidas.

Candidatos

A uma semana da eleição presidencial, no domingo (13), vários políticos fizeram questão de aparecer no velório, começando pela própria presidente Michelle Bachelet. “Acredito que finalmente, trinta e seis anos após sua morte, Victor pode descansar”, declarou Bachelet, que termina seu mandato com uma popularidade de cerca de 80% – no Chile, a reeleição é proibida pela Constituição.

O esquerdista Jorge Arrate foi o único dos quatro candidatos presidênciais – além dele também Eduardo Frei, Sebastian Piñera e Marco Enríquez-Ominami – a acompanhar o enterro desde o velório até o Memorial dos presos desaparecidos, no cemitério geral de Santiago. “Victor simboliza o triunfo da memória”, declarou o candidato, atualmente na quarta posição das intenções de voto dos eleitores, segundo as pesquisas.

O autor de canções como El cigarrito e Te recuerdo Amanda, que os intérpretes Silvio Rodriguez, Joan Manuel Serra e Joaquim Sabina incorporaram aos seus repertórios, chegou finalmente à porta do memorial, onde sua família e um grupo de amigos se recolheram em uma cerimônia intima. Fora, a festa em sua homenagem continuou, com vários grupos preparando o palanque para cantar até a noite.

Lamia Oualalou

OM.

DA TRAIÇÃO AOS PRINCÍPIOS À FANTASIA ESCRUPULOSA por alceu sperança / cascavel.pr

No que deu o welfare state da “terceira via” pseudo-socialista europeia? Deu no neoliberalismo desempregador.

Os subsídios à agricultura ineficiente da Europa são uma desumanidade para com os países pobres, primários e agrícolas, mas o máximo que as lideranças social-democratas-trabalhistas-verdes europeias admitem é reduzi-lo um bocadinho lá pelas calendas gregas.

Para quem trabalha hoje na Europa, o continente está se transformando num pesadelo. A comprovar esse fato, a diferença entre ricos e pobres na Grã-Bretanha vai se ampliando, como apontam as pesquisas de política social.

É a globalização capitalista. Aqui, como lá. As ações do movimento sindical precisam se inclinar não mais para questões salariais, apenas, mas para forçar um rumo à Europa, à América, ao planeta.

Em Portugal, a “esquerda” fajuta, similar à do Brasil, condenada severamente como “estúpida” pelo escritor José Saramago, demonstra uma completa submissão aos interesses do capital: o governo “socialista” de José Sócrates só faz cumprir com fidelidade as estratégias da Otan e dos EUA.

Aqui, seus equivalentes (PT et alia) marcham canhestramente para a liquidação dos direitos trabalhistas.

Aqui e na Europa, o mesmo quadro. “Socialistas” intensificando a ofensiva contra os interesses dos trabalhadores, levando ao agravamento da situação social da população, piorando as desigualdades.

É sintomático: o Banco do Brasil socorre a Sadia, ameaça pela quebra, com 900 milhões de reais. É tudo o que o governo promete gastar com o crédito-instalação da Reforma Agrária em 2010.

Tudo o que o governo prometeu gastar com o início da Reforma Agrária em 2010 serviu de socorro em 2009 a apenas uma empresa…

Claro, são políticas antipopulares, mas vendidas pela máquina de propaganda da ideologia como o “caminho único” a seguir. Ou suas canalhices, ou nada.

Aqui, já se assiste aos arreganhos da direita, que na luta contra os sem-terras e os povos das florestas, devoram os recursos naturais, arruínam o meio ambiente e começam a montar seu projeto de nova ditadura, ainda que sob a máscara de uma “esquerda” estúpida e irrefletida a serviço de interesses alheios aos do nosso povo.

Como não dá mais certo a cara fascista explícita, voltam sob peles de cordeiro social-democrata, trabalhista ou verde, e vão se alternando no poder sempre com as mesmas práticas.

Quais práticas? Engabelar e oprimir os trabalhadores favorecendo o grande capital econômico e financeiro, que nada arrisca e está triplamente blindado, como se diz por aqui:

1) é protegido pela impunidade, pois financia as campanhas dos governantes e parlamentares e estes, ao não cobrar suas obrigações e responsabilidades, na verdade o apoiam na ação destrutiva;

2) é protegido por uma política fiscal que se recusa a eliminar seus privilégios especiais;

3) e é protegido porque vive e prospera à sombra de um mercado garantido, através do qual suga as energias de um conjunto de trabalhadores cada vez mais debilitados pela exploração, pela doença, pelo vício, a vida inutilizada de quem deveria ter direito a ser feliz.

Isso ocorre por conta das consequências deliberadas do arrocho salarial e do desemprego em contraposição aos amplos reajustes dos preços dos bens, serviços e impostos para que o grande capital econômico e financeiro continue a acumular lucros astronômicos, um testemunho gritante da injustiça que se aprofunda.

Que fazer? Lênin: “É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias”.

Rumorejando (Será que efetivamente vão lançar no mercado cuecas e meias com fundo falsos, perguntando). – por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De diálogos desencontrados).

Exclamou a mulher que estava ao telefone: -“Caiu a ligação”.

Quis saber o marido que estava lendo o jornal: -“E ela se machucou ?”

Constatação II (De diálogos esclarecedores).

-“Afinal, aquele esquema de reencontros, de aproximações sucessivas para reatar com a tua ex-mulher acabou ocorrendo ?”

-“Que nada. Arrumei uma outra, muito melhor”…

Constatação III (De elucubrações, com conselhos úteis).

A palavra caduca pode ser escrita também da seguinte maneira 2k+du, senão vejamos:

Caduca, colocando em evidência “ca”, segue-se: ca(1+1)+du = 2ca+du; ca = a constante k,  donde caduca = 2k+du, c.q.d.*

*Se você ainda não aprendeu c.q.d. quer dizer como queríamos demonstrar, conforme Rumorejando já andou divulgando em tempos imemoriais.

Constatação IV (De resposta “bazofiamente” “gabola”).

“Você conseguiu resolver aquele problema que eu depois de mil e uma tentativas não consegui ?”

“Claro! Não só resolvi como achei a solução muito fácil, muito elementar”…

Constatação V (Via pseudo-haicai).

Procurou, com acuidade,

Uma rua, sem buraco, lá,

Na sua “desadministrada” cidade.

Constatação VI

Quando a gente estudava no ginásio, a Cadeira de História do Brasil, os livros e os professores, da época, enalteciam os Bandeirantes, sob a alegação que eles desbravaram o interior, abrindo novos caminhos, quando, na verdade, iam em busca de riquezas, como qualquer povo colonialista fez em todos os tempos, seja na América, Ásia, África, nesses continentes todos, enfim. O que os Bandeirantes escravizaram, torturaram e mataram índios, dificilmente é abordado, como a  História Oficial deveria. Tá na hora, pois, de revisá-la. Mormente, levando-se em conta que já comemoramos os 500 anos do descobrimento que só foi na base de oba-oba.

Constatação VII (De respeitosa mensagem aos senhores filólogos).

Assim como existe a figura do livreiro – não me refiro somente ao vendedor de livro, mas aquele que te orienta, uma vez que também costuma ler as obras do seu estoque –, existe, também, o “videolocadeiro”. A sugestão, do neologismo, fica aqui consignada para a sua respectiva adoção. De nada!

Constatação VIII

Não se deve confundir faturamento com futuramente, muito embora todo e qualquer faturamento que seja contra a nossa douta e ilustre pessoa poderia e deveria ser feito futuramente, isto é, adiadas sine die e sem juros. No caso do faturamento ser feito por nós, seria de bom, muito bom, de ótimo alvitre que fosse para pagamento a vista, sem desconto. Aliás, foi agindo dessa maneira que um comerciante descobriu como “tirar proveito em tudo”, tão em voga hoje em dia em vários setores…

Constatação IX (Via pseudo-haicai).

O gerente ficou tiririca:

Ao invés de assinatura

Uma ilegível rubrica…

Constatação X (Ah, esse nosso vernáculo).

Eles foram educados, para serem educados. Qual o quê !…

Constatação XI (Via pseudo-haicai).

Esgueirou-se do hospital.

Assim, sobreviveu

A mais de um carnaval…

Constatação XII

As estações do ano estão se antecipando em um mês. Talvez pelo fato da Terra estar se inclinando. Mas, com toda a segurança, não deve ser pelo peso da consciência da Humanidade. Principalmente daquela que se considera civilizada. Muito menos, da dita que se arvora a civilizar os outros…

Constatação XIII

A fim de, em tempo algum, não ser acusado de machismo, Rumorejando sugere que nas conjugações dos verbos também sejam incluídos os pronomes femininos “ela” e “elas”. Exemplo:

Eu rabisco

Tu digitas

Ele escreve

Ela datilografa

Nós garatujamos

Vós “vernaculais”

Eles redigem

Elas transcrevem.

Outro exemplo:

Eu digo

Tu sussuras

Ele declara

Ela resmunga

Nós falamos

Vós exclamais

Eles balbuciam

Elas fofocam.

Constatação XIV

A amiga da japonesa grávida, que há muito tempo não a via, perguntou simpaticamente:

-“É um japonesinho que vem vindo aí ?”

-“O Kenitiro, meu marido, que você ainda não conhece e que também é japonês, espera que sim”…

Constatação XV (Teoria da relatividade para principiantes, não necessariamente apenas pros vetustos, óbvia).

É muito melhor sofrer de priapismo – excitação sexual excessiva – do que de impotência – “desexcitação” sexual excessiva.

Constatação XVI

Efetivamente, num aspecto, as mulheres já se igualaram aos homens: as mesmas barbaridades que eles cometem no trânsito, elas também estão cometendo…

Constatação XVII

Sob condições normais

De pressão e temperatura,

Ela, sem seus percais,

Mereceria uma moldura…

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Foi o fabricante de parafusos, aquele que tinha um parafuso a menos, que, com as medidas governamentais, entrou em parafuso ?

Dúvida II

Se, eventualmente, o psicanalista conhece e não gosta da pessoa de quem a gente, na sessão, está se queixando e/ou falando mal, não é ele que nos deveria pagar a consulta ou, pelo menos, fazer um razoável desconto ?

Dúvida III

“Me diga, prima: Prima pela ausência a prima do teu primo ?”

Dúvida IV

É mentira, ou verdade, que é mentira ?

Dúvida V

Se os franceses fossem tão apaixonados por futebol como nós, brasileiros, e se não existisse no seu hino nacional o “le jour de gloire est arrivé”, o dia de glória chegou, será que, depois de haverem levantado a Copa do Mundo – vencendo na final, estrondosamente, o Brasil –, será que eles acrescentariam esse tão patriótico trecho ?

Dúvida VI

A alternativa para fugir dos remédios com efeito colateral é recorrer à medicina alternativa ou existe alguma outra alternativa ?

Dúvida VII (De um diálogo com a famosa rima em “ão”, tão raramente usada…)

-“Não é a televisão

Que deixa teu patrão

Mais bobão ?”

-“Meu caro irmão,

Se isso não,

O que, então ?”

Dúvida VIII

Sabendo-se que as ostras somente elaboram uma pérola quando doentes, se alguma espirasse perto de você, você exclamaria “saúde!”, com sinceridade ?

Dúvida IX (Via pseudo-haicai).

Uma derrota do Brasil

Ou do teu time, também te deixa

Uma sensação de vazio ?

Dúvida X (Via pseudo-haicai).

À perspectiva de eleição,

Você também considera

Uma encheção ?

Dúvida XI

Era a atriz que, esperando sua vez de entrar no palco, ficava, no bastidor, bordando com bastidor?

PROFESSOR de marilda confortin / curitiba

Não fale grego comigo!

Não sabes o perigo que estás correndo!

Eu não entendo!

E um mal entendido pode despertar

a ira do minotauro adormecido

do livro de Tolentino que ando lendo.

Mestre, mestre…

Tu sabes que odeio línguas (exceto a tua).

Elas só dizem o que já foi sentido.

E se não sinto na tua ou na minha língua,

não faz sentido.

Beije-me!

Deixe que eu entenda

o que dizem as estrelas

do céu de tua boca.

Não preciso de idiomas

para ouví-las, sentí-las

vê-las cintilando a olho nu,

em nosso olhos,

nus.

Esquece a classe, professor.

Traduza-me enquanto te devoro!

O MAR SECRETO de otto nul / palma sola.sc

À noite o mar

Tem segredos

Tudo se resume

A um esplendor

Ante o mar fico

Mudo e quedo

O mar à noite

É um degredo

Tão secreto

De dar medo

O mar sem rumo

Sem sossego

EM MANUTENÇÃO ! ninguém é de ferro !

CRÔNICA DE NATAL – por jorge lescano / são paulo

O senhor me ama? – indagou a bela.

De modo algum – ripostou o Fama*.

Então tira! – exigiu a donzela.

Na longa noite de inverno (caprichar na cor local), apesar da névoa e do mau tempo normais, após termos sido espetados diversas vezes por galhos de pinheiros congelados, darmos de chofre em chifres de renas, sermos despistados pelos latidos de cães São Bernardo e acompanhados de perto por uma escalofriante matilha de lobos em jejum, chegamos à aldeia.

Tiritando, nem só de frio, manipulamos a aldrava – todos juntos, não! Esperamos poucos minutos, porém gélidos, na escuridão circundante. A porta é aberta por uma anciã corretamente vestida à moda dela. Dona (sic) de olhos cinzentos e de cabelos brancos como o tapete que cobre a Lapônia (boa a relação da personagem e o seu meio ambiente).

Segundos de incerteza separam nossa pergunta em esperanto de sua resposta numa língua do grupo ugro-fínico (esta é fina, hein, J.L?). O intérprete nos diz que ela  vai “ver se o patrão tá por aí”. Hum, pensei berlitzianamente. A nativa volta; adentramos na humilde choupana.

A decoração é encantadoramente rústica. Paredes de madeira, poltronas forradas com peles de urso e, defronte a nós, aconchegante lareira acesa. Tapeçarias minuciosamente bordadas mostram cenas natalinas em várias partes do mundo. (A cor local tá jóia! Agora um toque de nacionalismo.) Para nossa surpresa, o Brazil também está ali representado: à sombra de uma bananeira nevada, um simpático Mickey, dono (sic) de olhos azuis, alva barba e pijama vermelho cheio de babados, carrega, num trenó, sacos de vários tamanhos e variegadas cores. De um deles caem artisticamente algumas frutas típicas: amêndoas, castanhas, nozes… Ficamos comovidos por reencontrar, nas antípodas, um cantinho da  pátria amada.

Repentinamente ouvimos um rufar de motor e hélices planando por cima do telhado, este recoberto de capim, para conservar o calor. Do centro de uma nuvem de cinzas, sorrindo kolynamente e corretamente vestido para a ocasião, Ele surge sobre o fogo da lareira. Esboça uns passos de dança ou de algum esporte desconhecido por nós. A maternal governanta Tove, 983, oferece-nos uma coke gelada. Tanta hospitalidade deixa-nos acanhados. O consagrado idoso afasta nossos receios com sua proverbial bonomia.

– TOC-TOC! – a porta dá à luz um rosto de contínuo:- Na recepção há um ancião maltrajado, presumivelmente ébrio e deficiente auditivo, a julgar pelo modo de inclinar a cabeça, que deseja falar consigo.

– Manda entrar na fila! Estou escrevendo a crônica de Natal.

– Ele porta um saco do Pão de Açúcar vazio e afirma ser Papai Noel.

– Então diz para ele que ele não existe.

– Já foi devidamente informado, mas é surdo ou se faz de tal.

– Que língua ele fala?

– Lusitano de Sarjeta & Banguela.

– Então é nosso Papai Noel! Fala que não estou.

Mi saberr qual serr vossa míssão – diz Papai Noel, 952, empurrando-nos moralmente para o fundo das poltronas macias. Afirma: Serr tudo lorrota, gente boa! – Acende seu cachimbo norueguês e se concentra na contemplação do próprio umbigo. “Pronto, o papo mixou!”,   pensamos  em  mil  novecentas  e  noventa  e  nove  línguas  cultas – incluindo a portuguesa – pois somos dois mil os repórteres à espera da entrevista exclusiva.

Sorry... – diz o inglês; todos entendemos porque a esta altura a tradução é simultânea.

O nórdico levanta uma mão gorducha:

Porr êxemplo: mi nunca estarr em zona suadirige-se ao enviado especial do Kopan Zeitung.

A  revelação é: Otillaten! Magelost! Unglaublich! Incroyable! Incredible! Incredibile! Increíble! Etcétera!

(Esta nem Georgie. Rá!) Quem, então, presenteava as criancinhas da supracitada zona?!, perguntamo-nos à socapa, fitando-nos de esguelha.

Álias, se vôces querrem mesmo sáberr, nunca éstar em zona nênhuma, mi serr  homem caseirro – continuou o escandinavo, implacável.

Pretendia o veterano manter esse tom ambiguo de conversa? Estaria a imprensa disposta a tolerá-lo? Hum!, tornei a pensar, em conseqüência.

O enviado em pauta decidiu mostrar que sou cobra no meu serviço:

– Então o senhor não é?… – pergunsugeri venenosamente.

– Arrrre, quanto a isso!… – as reticências do lendário ser soavam sardônicas.

–  O que o  senhor não quer dizer com isso?

– Toc-Toc! / Ele insiste./- Já falei!/- Mas ele insiste./- Dá o FORA!

– Poderr escrrêverr que não conhêcerr  parrturriente em qüêstão! – chumaços de fumaça saem por todos os orifícios do seu crânio desmatado.

Well!...  – o anglo-americano quer: – Prouvas, míster Claus!

De facto, pois que nas montras estão à mostra meias rendadas, máscaras,  chicotes e  apetrechos diversos…

– Dependurados em pinus erectus, de cujos cumes goteja alva neve

– Assim, até minha mulher, ora!… Está a perceber?

Y su barba brillante, su sonrisa de algodón… Bien…, prometen cosas que las niñas...

As raparigas.../ Le fanciulle…/ Las filles…/The girls/As ninfetas, em suma!

Sem falar dos miúdos

– E dos seus colegas

Tudo fazerr parrte de  plano muito bem bôlado parra envôlverr eu em mêrrcado errótico interrnaciônal. Um jogada de merrchandise, está a se verr – declara o ancião mexendo no saco, e acrescenta, em portinavo:- Mi desâfiarr múlherr provetarr o que dizendo! Todo senhôrrita prrenhe terr önskan!… vôntades, isto!

Ma è fatto che Lei e la ragazza!… – retorquiu furioso o itálico.

Madame Marie et le petit garçon... – intervêm com  charme o haitiano.

Serr  porr  isso  que  mi  querrerr  chamado  serr  de  títio, ou mêlhor, vovôzinho! – sapateia nas pontas dos pés o descendente de Thor, à beira  do pranto em sua língua materna..

Si, si, Il Bambino!…

Todo crriança serr um prroto-dada! – sofismou o patriraca mítico. – Prrova serr que ainda acrreditarr em Pápai Nöel! / toc… toc. PÔ! TOC!!! / E nos despediu abruptamente, em danês (sic): – Féliz Nátal prôces!

Nossa modesta opinião é que Papai Noel, que nunca foi criança, teria bebido manguaça em demasia – como todos, aliás, nesta época do ano – razão pela qual sempre sai nas fotos com o nariz vermelho, ou…

PAI E MÃE (CRÔNICA INSPIRADA EM “PAI E MÃE” DE GILBERTO GIL) – por zuleika dos reis / são paulo

O pai que me habita tenta sempre ser uma mulher amorosa e a mãe em mim, um homem justo mas, às vezes, essa troca de papéis gera apenas uma enorme confusão nos papéis.

Diz Chico Buarque em “Fado Tropical”: “E se meu coração nas mãos estreito, me assombra a súbita impressão de incesto”.

Quando eu te beijo, meu amor, é tanta vez com os lábios de tua mãe, daquelas mães antigas sempre à beira do cais, em noites de calmaria, em noites de tempestade, rezando pela volta dos navios com seus marinheiros a salvo.

Quando me beijas me assombra, às vezes, a súbita saudade de meu pai.

É como se não houvesse senão mães e pais, todos os demais papéis sendo apenas variações dessa potência primeira gerada da união de dois corpos e prolongada através da vida por todos os outros corpos, potência sempre e sempre aparentemente outra.

Pai e mãe tanta vez implacáveis no seu amor e na necessidade ditada pela Lei de restabelecer a Justiça através do Sacrifício. E então o filho se vê só, em hora de Sacro-Ofício e pergunta: PAI, POR QUE ME ABANDONASTE? Mas, pai e mãe mantêm os lábios selados. Então, só resta  ao filho confiar-se à escuridão do Silêncio Que Nada Diz e, apesar disso, esperar. Esperar contra a esperança; esperar sobre a esperança, como sobre um barco à deriva. Esperar, apesar de. Confiar-se a.

E, enquanto isso, a canção fala de um amor sem brechas, sem qualquer fratura. O céu azul é apenas um céu azul. Na árvore, um pássaro canta. É apenas um pássaro que canta e essa é a verdade simples e transparente. Simples e transparentes pais e mães do mundo, um Único a ouvir conosco este pássaro cantando na tarde azul.

“O DOENTE IMAGINÁRIO” pela CIA. DE ARTE IRREVERSÍVEL / florianópolis

Fracasso em Copenhague seria melhor, diz cientista da Nasa / usa

Usina na Alemanha espalha fumaça pelo ar. Países ricos se recusam a controlar a poluição.

Na opinião de Hansen, o combate à mudança climática não deixa margem para o tipo de concessão que costuma dominar a política mundial

O mundo estará melhor se a reunião climática da ONU neste mês em Copenhague fracassar, afirmou um cientista da Nasa que ajudou a fazer os alertas sobre os perigos do aquecimento global.

Em entrevista ao jornal britânico Guardian, James Hansen afirmou que qualquer acordo resultante do evento será tão falho que, para as futuras gerações, seria melhor que as discussões fossem retomadas do zero.

“Seria melhor não acontecer, se as pessoas aceitarem esse como o melhor caminho, porque é um caminho desastroso”, disse Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa, em Nova York.

“Toda a abordagem está tão fundamentalmente errada que é melhor reavaliar a situação. Se for uma coisa como (o atual Protocolo de) Kyoto, aí serão gastos anos tentando determinar exatamente o que significa.”

Na quarta-feira, um documento assinado por China, Brasil, Índia e África do Sul rejeitou as principais metas propostas pela Dinamarca, como a redução pela metade das emissões globais de gases do efeito estufa até 2050, em comparação aos níveis de 1990.

Os países em desenvolvimento querem mais empenho dos países ricos na redução das suas emissões antes que haja metas globais, pois temem que isso transfira para si o ônus da ação, travando seu crescimento econômico.

Hansen se opõe fortemente aos esquemas de créditos de carbono, em que autorizações para poluir são compradas e vendidas. A União Europeia e outros governos consideram esse sistema como a melhor forma de reduzir emissões e “limpar” a matriz energética do mundo.

O cientista também é contra o plano do governo norte-americano para um sistema de limites e créditos para as emissões nos EUA. Ele prefere um imposto sobre o uso da energia.

Na opinião de Hansen, o combate à mudança climática não deixa margem para o tipo de concessão que costuma dominar a política mundial.

“Isso é análogo à questão da escravidão enfrentada por Abraham Lincoln ou a questão do nazismo enfrentada por Winston Churchill”, afirmou. “Nesse tipo de questão, não se pode fazer concessões. Não se pode dizer ‘Vamos reduzir a escravidão, vamos encontrar um acordo e reduzi-la em 50 ou 40 por cento’. Não temos um líder que seja capaz de captar isso e dizer o que é realmente necessário.”

REUTERS.

SÉRGIO DA COSTA RAMOS faz segundo lançamento do livro PILOTO DE BERNUNÇA no “BOX 32” em Florianópolis

o jornalista e cronista SÉRGIO DA COSTA RAMOS bate papo com o poeta JB VIDAL no BOX 32 do Mercado Municipal, onde fez um segundo lançamento de seu livro PILOTO DE BERNUNÇA. SÉRGIO, no dizer de MILLÔR FERNANDES é o melhor cronista brasileiro da atualidade.  foto do editor do livro VINÍCIUS ALVES. 02/12/09.

.

SÉRGIO autografando seu livro para o BETO , ao centro, e JB VIDAL. BETO é o gourmet que comanda o BOX 32 e sua griffe de cachaças de excelente qualidade. ontem, 2/12/09, passaram pela mesa de SÉRGIO mais de uma centena de admiradores e amigos. foto do poeta e editor VINÍCIUS ALVES. 02/12/09.

VERA LUCIA KALAHARI cumprimenta o PALAVRAS, TODAS PALAVRAS pelo aniversário / portugal

Publicado por vera lucia kalahari em Dezembro 3, 2009 16:35 pm às 16:35 pm edit

Meu querido amigo J.B.Vidal,

No desterro da minha vida cultural, o seu blogue ”Palavras todas palavras” chegou até mim como uma porta que se escancarava para me dar a oportunidade de conhecer a criar laços de amizade com pessoas incríveis dum país a que sempre me ligaram grandes e quase inexplicáveis elos duma imensa cumplicidade. Você, a encabeçar a lista, a Marilda, Zuleika, Cleto, Manoel de Andrade, João Batista, Tornicato, e tantos outros que me perdoem se não foram enumerados, hoje fazem parte da minha família, sei que estão algures no outro lado do mundo, mas estão lá e não imaginam como isso é reconfortante para mim. Por isso, meu querido amigo, que me abriu os portões deste maravilhoso mundo que me permitiu conhecer pessoas tão especiais como estas, meus irmãos na poesia e de coração, receba, primeiro, as palmas das minhas palmeiras por estes dois anos maravilhosos e um beijo imenso desta sua irmã angolana.
Vera Lucia

Responder

FERNANDO PESSOA e sua poesia / portugal

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um ‘não’.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

CLETO de ASSIS comenta em “PALAVRAS, TODAS PALAVRAS DE ANIVERSÁRIO” / curitiba

Comentário:

Publicado por Cleto de Assis em Dezembro 3, 2009 13:51 pm às 13:51 pm edit

Há exatamente um ano e dois dias eu postei o seguinte comentário:

“Abri o blog: nem bolo nem vela. Ninguém reparou no registro do lado direito: “ INÍCIO DO SITE: 01/12/2007 atualizado diariamente”. Aliás, bolo nos deu o J. B. Vidal, que colocou seus alforjes nas costas e foi-se para Floripa, sem uma digna festa de despedida. Não duvido nada se essa repentina migração tenha colaborado para mudar o clima catarinense: mistura de La Niña com minuano gaúcho e faíscas de espora arribando na praia …

A última comunicação que recebi de nosso blogueiro foi sobre a perda de sua agenda e o pedido para renovar meus endereços. Prá que? Se deles não se faz uso, de que servirão, chê? Onde estão minhas últimas contribuições não publicadas?

Mas, mesmo considerando que ele esteja “de mal de mim”, quero cumprimentá-lo por esta primeira primavera, pois ele merece. Sei que sua mudança para a ilha encantada (morro de inveja!) não mudará sua dedicação ao Palavras, já reconhecido como um valente contributo para a cultura brasílica.”

Havia mais, mas esta foi a parte mais importante, bem na época em que Vidal tinha sido surpreendido pelas lágrimas tempestuosas da meteorologia e se encontrava literalmente ilhado em Florianópolis, computador encaixatado e sem poder comunicar-se com os amigos. Nós, os desterrados de Palavras, estávamos pensando em abandono total e eu cheguei a cobrar, em versos, a ausência do nobre gaúcho.

Mas ele logo apareceu e nos brindou com a continuidade de Palavras que, já renovado graficamente, atinge seus dois aninhos de existência. Hoje seu blog já faz parte da cultura brasileira. Ganhou um irmãozinho, o Banco de Poesia, que eu ainda estou amamentando. Sem dividir amigos, somamos amizades, tornando a nossa ainda mais forte.

Por isso, mando meu grande abraço ao Vidal e realço sua tenacidade em levar adiante esse excelente projeto de comunicação e divulgação cultural.

Cleto de Assis

Responder

TONICATO MIRANDA, ZULEIKA DOS REIS, O RUMINANTE e MANOEL DE ANDRADE comentam no post de aniversário do PALAVRAS, TODAS PALAVRAS

  1. Publicado por Tonicato Miranda em Dezembro 2, 2009 9:58 am às 9:58 am edit

Prezado Vidal,

O mérito pode ser dividido, 10% aos palavreiros, 39% aos leitores, mas são seus – e ninguém duvide, os 51% majoritários. Por isto mesmo, leva você meu Grande Abraço, extensivo aos demais palavreiros, colaboradores e leitores deste fantástico “blog”.

A propósito, o desafio está lançado.
Quando é que vai sair o “livrão”, editado, com o melhor do “blog” no biênio?
Acho que a oportunidade faz a bocada ou a bicada, está mais do que maduro, Vidal.
Aceita o desafio.

Abraços, amigo
Tonicato Miranda

Responder

Publicado por Zuleika dos Reis em Dezembro 2, 2009 13:13 pm às 13:13 pm edit

Parabéns, querido Vidal, parabéns, de todo o meu coração. A mim honra-me, desde o fundo, fazer parte do Site, como palavreira e como leitora.
Grande abraço a ti, a todos.
Zuleika.

Responder

Publicado por O Ruminante em Dezembro 2, 2009 19:47 pm às 19:47 pm edit

Um grande Parabéns do Ruminante, muito obrigado por me permitir participar de algo tão fantástico que é o Palavras, Todas Palavras

Responder

Publicado por Manoel de Andrade em Dezembro 3, 2009 10:50 am às 10:50 am edit

Meu caro Vidal,
esse território democrático da cultura,
essa confraria de respeitaveis intelectuais,
essa bandeira da beleza empunhada num tempo tão cruel,
esse porto para onde nossas palavras navegam com ansiedade,
dois anos apenas e um infante encantado que que se aventura pelo mundo.

Parabéns Vidal,
ao companheiro, na memória de velhas trincheiras,
ao poeta, com quem partilho o mágico lirismo da vida,
ao amigo, na memória e na saudade do Walmor Marcelino,
e na nossa mútua gratidão a quem reuniu nossos caminhos…

.

o editor agradece as palavras de carinho  e retribui afirmando que as razões de tamanho  sucesso são de todos vocês PALAVREIROS DA HORA  e dos COLABORADORES que sustentam este espaço com seus trabalhos frutos de esforço intelectual.

GRATO a todos,

JB VIDAL

Editor

BALANÇA COMERCIAL de nauro machado / são luis

Troco sóis pelas naus,
os são pelos loucos troco,
na embriaguez com que soco
minha fúria no meu caos.

Tudo é uma questão de troca:
noves fora, restam nove,
até que outro alguém nos prove
que Deus é um dente sem broca,

que Deus é um maxilar
independente do alvéolo
tal como independente é o
ser do seu próprio estar.

Onde estamos não nos cabe,
onde estamos não comporta
a nossa alma que é uma morta
que do corpo nada sabe.

Ó desejo para fora
a romper-nos desde o dentro!
Ah, sairmos do nosso centro
para sempre e desde agora!

Abandonarmos casca e ovo,
abandonarmos a casca,
é um desejo que nos lasca
para quebrar-nos de novo.

Sermos gema, sem ser clara!
Sermos o Ser que É, não o que é
uma coisa chã e qualquer
nesta cara, a mesma cara!

Termos olhos, que são dois,
termos olhos, só dois a esmo:
troco tudo por uns bois
e até a alma comigo mesmo!

Troco tudo, como troco,
se trocar eu me pudera,
esta verdade quimera
do sonho com que me soco.

De O Signo das Tetas (1984)

AMOR SACRÍLEGO de vera lúcia kalaari / portugal

AMOR SACRÍLEGO


No meu negro pretérito já passado

Há a sombra triste dum amor imenso.

Imenso mas cruel por ter deixado

O perfume doce do seu incenso.

Amei-o, sim, em doce chama

Meu coração de menina lhe concedi.

Perdi a fé, a paz, perdi a alma,

E era um sacrilégio amar assim.

Era um sacrilégio, mas no seu todo,

Nosso amor era um raro sortilégio…

Criamo-lo neve e era lodo,

Criamo-lo santo e era sacrilégio.

Esse amor, esse amor, foi todo meu.

Em mim, seus laços ficaram impressos.

Nosso amor era luz e era sombra

E eram prantos e risos os nossos beijos.

E foi um sacrilégio e foi loucura

Foi loucura de amor, foi um lamento,

Como um hino imenso de amargura

Como um imenso, lento tormento.

DOIS ANOS DE “PALAVRAS, TODAS PALAVRAS” COM SUCESSO ABSOLUTO!

PALAVRAS, TODAS PALAVRAS DE ANIVERSÁRIO: em APENAS dois anos (01/12/09), e até este momento, são mais de 580.000 acessos! obrigado a todos, principalmente aos nossos leitores. o site cumpriu e cumpre o propósito da sua criação que é o de promover e divulgar  arte, cultura e produção literária de novos autores e autores não agraciados pelo famigerado mercado editorial e ignorados pela não menos famigerada mídia tradicional.

MUITO OBRIGADO.

JB VIDAL

Editor

Florianópolis: BOX 32 e VINÍCIUS ALVES (Bernúncia) CONVIDAM:

MARILDA CONFORTIN convida para tres noites de poesia e música / curitiba

O ator JUCA DE OLIVEIRA envia “bilhete” para o poeta MANOEL DE ANDRADE / são paulo / curitiba

Manoel, querido:

Gratíssimo pelos livros e pelo material que você me enviou. Li quase tudo e gostei muito do que li. O Poesia e Oralidade é uma jóia, um precioso subsídio para o Devaneio que estamos fazendo na BandNews. Claro que vou dizer algum poema seu numa próxima gravação. As gravações são feitas com antecedência e fica um grande saldo até esgotar o “almoxarifado”…

Fiquei muito impressionado com a sua história, Manoel. Também estive exilado com Guarnieri em 64, na Bolívia, mas o que deveria ser uma longa ausência na Europa acabou sofrendo um remanejamento. O Pai do Guarnieri, maestro do Teatro Municipal foi preso no Brasil, Guarnieri insistiu em voltar e eu, companheiro de partido, o acompanhei na viagem de volta. Ficamos em La Paz apenas 8 meses, mas o suficiente para sentir o peso do exílio.

Mas o seu caso, não, foi uma militância política através da qual você conseguiu metamorfosear a sua poesia até se identificar com a luta do povo latino-americano pela liberdade. É um caso fascinante, talvez único de vocação revolucionária. Só me ocorre o Che Guevara, mas ele lutava ao lado de seus iguais, pelo menos iguais na língua. Enquanto você…

Bom, vou continuar lendo os seus livros e torcer para que você se reintegre logo como o grande poeta que é.

Parabéns!

Abração do

Juca de Oliveira

HOMO LUDENS de jorge barbosa filho / curitiba

SONETO QUEBRADO de joão batista do lago / são luis


Vasos quebrados (e)

Espalhados pela casa

Perseguem meus caminhares

Órfãos de emoções e razões

.

Oh! Madrugadas insólitas

Cosmopolitas

Vagas em mim como putas vagabundas

À procura duma naca de felicidade

.

Mas depois do gozo fatal

Emolduras-me nos umbrais dos esquecidos

Donde todos os meus silêncios são gritos adormecidos

.

Ecos que vibram na minha caverna

Solitária de emoções e razões

Onde apenas flores podres vicejam um pétala já morta