Arquivos Mensais: janeiro \31\UTC 2010

O Anão da Catedral – por tonicato miranda / curitiba

NÃO SABE DIZER QUANDO TUDO COMEÇOU, mas lembra que aquela idéia lhe ocorreu numa tarde ensolarada, dois anos atrás. Como uma sezão incontrolável, a idéia brotou na cachimônia, criou corpo, enraizou-se, tomando conta da sua vontade. Era preciso levá-la até o fim. E ele assim o fez.

Tinha algo a ver com sua estatura e as pontadas sarcásticas que lhe dirigiam as pessoas. Agora que a idéia virara realidade sentia-se bem; vivia um sentimento de vingança aprazível e um ar superior. Apalpava o próprio fêmur e sentia que crescia, junto com toda sua espinha dorsal. Imaginava-se com dois metros de altura, até mais. Talvez quinze; não poderia dizer ao certo.

Quando aquela idéia lhe tomou de assalto ainda tinha vergonha de seus cento e dez centímetros de altura. A idéia era simples. Ao olhar a primeira vez lá para o alto viu que os anjos que ali estavam deveriam ter sua altura. Tudo estava ligado a esta breve constatação.

No dia seguinte, como mais um, atravessou a praça, cruzou a rua em miúdos passos, entrou na Catedral. Dissimulando mesmo sem precisar procurou observar a arquitetura interna do templo, os desvãos da nave da igreja, na busca de detalhes e de uma escada para o alto. Cruzou a passarela situada em frente à imagem do Cristo ao fundo, benzeu-se, realizando breve genuflexão com seu joelho esquerdo, caminhando em seguida até o canto direito da igreja.

Esteve por menos de uma hora ali dentro. Às seis da tarde voltou. Pôde perceber que a catedral cerrava suas portas às dezenove horas. Saiu dali, passou numa papelaria do outro lado da rua, comprou uma agenda. Durante duas semanas anotou cuidadosamente todos os hábitos dos fiéis, do pároco, dos mendigos e de todos que penetravam regularmente naquela Casa do Senhor.

Com um amigo artista plástico que trabalhava no Solar do Barão, espaço cultural de formação e exposição de trabalhos de gravura e artes plásticas de Curitiba, obteve informações sobre como realizar um curso de escultura em pedra. Passou a frequentá-lo.

Em casa ficava horas e horas nu, em frente ao espelho, desenhando-se. Não saberia calcular quanto gastou com papéis e lápis especiais. Embora aquilo estivesse lapidando-lhe o parco salário, não havia mais como abandonar a idéia.

O primeiro molde, após a conclusão do curso de escultura, até que não ficara de todo mal. Via-se que progredira. Não se reprimia. Dizia de si para si que estava realmente ficando bom. Seu quarto há muito já apresentava nova fisionomia: estava uma loucura. Eram papéis e papéis espalhados pelo chão; pregados nas paredes; e até no teto, sobre a cama. O tema, sempre o mesmo: ele. Ele nu, do primeiro ao centésimo décimo centímetro. Junto a tudo isso, pedaços e pedaços de mãos, pernas, meia-bundas, rostos. Eram pedaços de orelhas, narizes etc. Todos esculpidos em barro.

Suas mãos já haviam criado calos e uma decisão tornara-se inadiável: era preciso mudar para uma chácara. Ia começar a fase mais difícil: tinha de fazer uma peça em tamanho natural, e de pedra. Antes, porém, era necessário fotografar o modelo. Isto é, a escultura original.

Assim, um ano e meio após aquela idéia, adentrou a igreja, oito minutos antes de ela fechar, numa tarde cinzenta de Abril, escondendo-se debaixo de uma mesa onde são acesas lamparinas e velas para Nossa Senhora Aparecida. Juntou quatro oratórios em linha, encostou a mesa à parede e aquietou-se. Chegou a rezar uma Ave-Maria, misturando desculpas e pedido de auxílio à sua intenção profana. De onde estava podia perceber parcialmente o movimento no interior do templo e considerava que sua segurança somente estaria afetada se alguém afastasse um dos oratórios. Ficou ali por mais de duas horas.

Caminhando em direção ao altar principal da igreja virou-se e olhou para cima, em direção ao grande órgão lá no alto. Certamente estava ali a passagem para os níveis acima dos balcões da catedral. Voltou a caminhar para a entrada da igreja e tentou abrir uma porta de madeira situada ao lado da imagem da padroeira do país. Estava fechada. Lembrou-se de outro nicho, ao lado da porta onde havia um portão de ferro. Saltou o portão e, diante de uma grande escada de pintor, decidiu escalá-la. Já no alto notou que havia um alçapão no teto. Forçou-o e, sem dificuldade, abriu-o. Ficou de pé no piso do primeiro andar, por trás do grande órgão. Movido pela curiosidade, foi até o parapeito do balcão. Percebeu que alguém caminhava com uma lanterna na passarela central da catedral, lá embaixo. Silenciou os movimentos atrás de três tubos do grande órgão e meia hora mais tarde continuou sua escalada.

Do lado direito da porta de entrada, no que imaginou ser uma das torres da catedral, subiu por uma escada e deparou com uma janela muito comprida. Era ali. Sua certeza jamais lhe havia surgido com tanta força. Destravou a lingueta da fechadura, forçou a janela para o alto e a abriu, descortinando a noite escura e as luzes da rua. Equilibrando-se, caminhou por estreita platibanda ao lado da torre e pulou. Ficou por breves instantes suspenso com as duas mãos segurando o beiral do telhado principal da nave da igreja. Com dificuldade, aprumou-se e subiu as duas pernas no beiral. Refeito do susto, reiniciou a caminhada, desta feita com cuidado de gato. Logo atingiu os ornamentos do frontispício. Preparou sua câmera e o flash; tirou as fotografias. À uma da manhã já estava de volta no interior da catedral. Às seis horas e quarenta e sete minutos saía da igreja feliz e realizado, no rumo do quarto escuro que montara em sua chácara.

Reveladas as fotografias passou a estudá-las com afinco e iniciou a fabricação da sua escultura.

Quarenta dias depois da primeira aventura voltava ele à catedral, carregando numa carroça emprestada ao polaco Stanislaw que morava perto de sua chácara, a escultura de pedra feita à sua imagem e semelhança.

Assim, às três da manhã atravessou toda a extensão da Rua Cruz Machado, indiferente aos olhares das putas que faziam a noite por ali.

Às seis horas e quinze minutos conseguiu colocar sem ser muito observado a sua escultura para o interior da catedral.

Através de artifício semelhante ao da experiência vivida quando fora fotografar a imagem original, escondeu a nova estátua embaixo da mesa situada na frente de Nossa Senhora Aparecida. Saiu da igreja por volta das sete horas, retornando a ela às dezoito e quarenta e quatro minutos. Pretendendo para si melhor sorte do que a vivida anteriormente foi abrigar-se num nicho ao lado esquerdo da entrada da catedral, lá onde tem um vitrô com a imagem de São João Batista. Ficou ali, atrás de uma coluna.

Silenciou por exatas três horas e vinte e sete minutos. Era um fervoroso crente dos horários quebrados. Assim, às vinte horas e doze minutos sacou para fora seu corpo gêmeo, retirando-o de sob a mesa e da companhia dos oratórios. Munido de cordas, pranchas de madeira e de uma roldana, improvisou um andaime e através de subidas e descidas ao alçapão, levantou seu corpo de pedra ao piso dos balcões.

Foi uma tarefa árdua que lhe consumiu quase sete horas de trabalho. No entanto, às cinco e trinta e dois da manhã a nova estátua já ocupava o lugar da antiga escultura. Às seis e quinze o antigo anjo já estava deitado no carroção do polaco, e ele e o cavalo seguiram modorrentos pelas ruas, no rumo da chácara, debaixo de uma garoa fina, inteiramente abençoados.

Agora, lembrando-se daquela aventura, debruçado sobre a janela daquela privilegiada sala de escritório, ali na Praça Tiradentes, encantava-se ao ver as pessoas pararem e sorrirem para as duas estátuas presas no alto da Catedral. Valera à pena tanto esforço. Não ligava mais se o chamavam de tampinha de garrafa. Seu orgulho nu voava por sobre a cidade. Ele era o mais alto entre tantos que cruzavam a praça aos seus pés.

WILSON MARTINS, escritor e crítico literário, morre aos 87 anos

O escritor e crítico literário paulista Wilson Martins morreu ontem, sábado, aos 87 anos. Radicado em Curitiba, Martins morreu em decorrência de complicações cirúrgicas, cinco dias após sofrer uma operação para extração da bexiga.

Ele estava internado no Hospital Nossa Senhora das Graças, também na capital paranaense. O escritor não deixa filhos.

O corpo está sendo velado no cemitério Luterano, em Curitiba, até às 17h. Em seguida, será encaminhado a um crematório, conforme seu desejo registrado em cartório.

Martins nasceu em São Paulo, em 1921. Sua carreira acadêmica tem passagem por universidades norte-americanas. Ele lecionou na Universidade de Nova York durante 26 anos, até se aposentar, em 1992.

Sua obra literária inclui 12 volumes do livro “História da Inteligência Brasileira” –que lhe renderam prêmios de literatura, como o Jabuti e o Machado de Assis.

O escritor teve passagem por diversos periódicos brasileiros, como “O Globo” e “Jornal do Brasil”.

DE JEITO… por omar de la roca / são paulo

Puxei o cordão, e a cortina se abriu. Havia paisagem atrás.Mas o dia estava encoberto e eu prestei mais atenção ao céu chuvoso do que as arvores e as flores.Fechei as cortinas como se isso fosse afastar as nuvens carregadas.Olhei para a cama,para o corpo que ainda  sonhava.Me deitei com cuidado puxando as cobertas devagar.Não que estivesse frio,mas
como se me escondendo daquele tempo encoberto.Ela se virou,abriu os olhos brilhantes,e
tornou a fechá-los.Aconcheguei-me e ela passou o braço por cima do meu peito.Me dificultava um pouco a respiração mas eu não queria perder o momento mágico daquele toque.Mas precisei tira-lo e usei como desculpa afagos e beijos percorrendo-o.Ela resmungou qualquer coisa e se virou.
Encostei meu corpo no dela e comecei a falar baixinho sobre chuvas que teimavam em cair
quando precisávamos de sol.De trovões assustadores em lugar da respiração das ondas do mar.
Falei de luzes fortes,de chuvas cortantes,de brisas e garoa fina.E ela fingia que não ouvia.
Meu dedo percorria agora as costas dela,sem pressa,sem cócegas.E quando ameaçava descer até as profundezas insondáveis,apertava seu corpo contra o colchão,impedindo a passagem.
Parei e comecei a falar que queria deitar me com ela num campo florido,num vale iluminado onde a claridade penetrasse fundo na escuridão dos cantos escondidos. Incendiando pétalas, abrasando pedras, fervendo o lago. Mas logo lembrei me da chuva,e tudo tomou tons de cinza.
Mas ela dormia agora.Que bom,pensei,pelo menos não ouviu sobre o cinzento.Ai disse a ela que queria tomá-la numa praia deserta,de areias brancas.Onde o ritmo das ondas quebrando se confundia com o ritmo de nossos corpos procurando dançar juntos.E depois que a bussola parasse de rodar,orientada, nos deitaríamos olhando as gaivotas passando rápido,as palmeiras agitadas pelo vento contando novidades que dele ouviam.Mas o vento também trouxe uma nuvem,e precisamos nos cobrir de frio.Agora ela sonhava e se agitava.
Deitei-me com os braços ao longo do corpo.E ela,como sentindo falta da conversa,do aconchego,acordou.
Fingi que dormia,mas ela sempre sabia pela minha respiração.E começou e brincar comigo,me apertando o nariz,de leve,por saber que eu não gosto.E descobriu meu pescoço e peito querendo brincar com meus pelos.E eu fingia dormir.Quando ela me descobriu mais,fingi estar irritado e peguei a mão dela,afastando-a de mim.Mas era só brincadeira,eu queria mesmo que ela me tocasse, olhasse nos meus olhos.E segurei sua mão com mais jeito,fazendo-a percorrer as trilhas obscuras.Logo ela se chegou da maneira certa,fez o movimento certo,colou-se a mim e assim ficamos.Contei de novo a ela as estórias de praias distantes,ilhas perdidas em oceanos perdidos,chuvas invertidas,perolas roubadas,trovões silenciosos,conchas brancas e coloridas,pedras que se soltavam fácil do chão.cavalos correndo a beira mar,pássaros voando sem tiras prendendo as patinhas,folhas verdes e acobreadas,flores brancas que se abriam quando passávamos.Mas tudo isso em uma palavra,num gesto,num olhar,que o movimento exigia silencio e concentração.Ate a palavra final.

A RECLUSÃO DE SALINGER por hamilton alves / florianópolis

A reclusão a que se submeteu, depois que editou seu best-seller “O apanhador no campo de centeio”, o escritor J. D. Salinger, que veio a falecer há pouco, em Cornish, New Hampshire, EUA, que certamente não esperava que colhesse tanto sucesso como veio a ocorrer, é de certo modo explicável.

Houve um ensaísta que, no necrológio do escritor, ressaltou a questão de que o que deve ter ocorrido é um fenômeno que frequentemente acontece com produtores de arte (ou produtores em geral): o bloqueio da produtividade. Ou o que chamou, no caso de Salinger e de tantos outros renomados escritores, de “writer’s block”, bloqueio da escrita ou do ato de escrever.

Não creio que seja esse o fato que explica o caso específico de Salinger. Ele mesmo se referiu ao desejo de isolamento, de escrever só para seu prazer, ou de esconder-se, de não querer mais contato com os projetores da fama ou com pessoas, jornalistas, dar entrevistas, que, na verdade, tiram em grande parte o sossego.

Numa saída de supermercado, em Cornish, cidade pequena e de poucos habitantes, um fotógrafo se aproximou dele para colher alguns flagrantes. Recebeu, em troca, inesperadamente, umas braçadas largas de Salinger, cuja cena foi mostrada numa reportagem de jornal, em que aparece com o rosto convulsionado de revolta.

Deve ter sido uma cena cômica, que causara certamente ao espectador muitos e bons risos.

Particularmente, entendo Salinger.

O anonimato é algo que, para algumas criaturas, torna-se de visceral valor. Há quem o cultive de forma obsessiva. A privacidade, para tais indivíduos, tem uma importância maior que qualquer outra coisa. Sua vida não pode nem deve ser devassada minimamente. Uma entrevista, uma foto, seja o que for desse tipo, põe tudo a perder.

Certa vez, vi um homem conhecido no meio da multidão. Também ele uma ilustre personalidade entre tantos outros seres comuns.

Parecia-me revestir certa beleza o fato de estar só, embora reconhecido como pessoa de destaque,  procurando esquivar-se de uns e outros, seguindo solitário seu caminho ao destino que bem houvesse de escolher.

Tudo o que Salinger amava, mais, quem sabe, do que sua literatura, do que seu “alter ego”, Holden Caufield, era seu intransigente anonimato. Daí ter erguido um muro inexpugnável à frente de sua casa, sempre rodeada de curiosos, fotógrafos, jornalistas, em Cornish.

Ali era o reduto de um homem alheio ao ruído do aplauso, de prêmios, de academias, do bulício da fama, essa senhora detestável, como lhe chama outro recluso, Milan Kundera.

Mansões, prisões e infidelidades – por alceu sperança /cascavel.pr

“E lado a lado de meu irmão sem sapatos/ quis mudar o reino das moedas sujas./ Fui perseguido, mas a nossa luta continua” (Pablo Neruda)

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Nossas capitais e polos regionais são hoje cidades inchadas e poluídas, com elevado sofrimento psíquico, ínfima taxa de felicidade suave ou bruta, com grandes prisões e grandes mansões. Nota-se claramente o agigantar dos condomínios prisionais e a imponência dos condomínios habitacionais. A julgar por esse dado, são cidades tão boas para fazer negócios quanto para cometer crimes.

A uma enxurrada de negócios e riquezas rolando, corresponde uma catarata de crimes, do colarinho branco ao do pescoço sujo. E, como sempre, o apoio do governo aos ricos para lucrar ainda mais é inversamente proporcional à míngua das políticas sociais, que vão terrivelmente mal, mas são anunciadas como a glória, o paraíso na Terra.

Para fazer um relato ao governo francês a respeito de como as pessoas enriqueciam nos EUA e sobre sua realidade prisional, o francês Alexis de Tocqueville (1805–1859) foi aos EUA, em 1831. Ele próprio teve os pais aristocratas presos pelos revolucionários e o avô materno guilhotinado por essa “turma dos direitos humanos”, como dizem os fascistas. O que Tocqueville viu nos EUA daquela época eram partidos deixando de ser feudos de interesses locais para se tornar agremiações nacionais.

A corrida maluca do troca-troca partidário, antes da atual (e artificial) lei da fidelidade, foi assistida pela população com a pasmaceira de sempre, igualzinha àquela da proclamação da República ou da imposição das ditaduras. Em nome da fidelidade, um show de infidelidade.

Essa corrida revelou um quadro ainda anterior à América de 1831 estudada por Tocqueville. Os partidos são teoricamente nacionais, mas, para obter capilaridade, seus caciques nacionais repartem entre os grupos de interesses do interior cartelas de poder, na forma de comissões provisórias, para representar suas siglas nesses locais.

No entanto, aquele fazendeiro uderréico que comanda o PDT num grotão dá boas gargalhadas quando ouve falar que Brizola sonhava com o socialismo. Há peemedebistas nas frentes desbravadoras que, entre uma briga com um padre ou uma freira e uma expulsão de índios ou posseiros, colocam o programa do PMDB como escora da espingarda.

Vê-se tucano que detesta a social-democracia. Há “socialistas” que arrancam o couro dos empregados em suas empresas e fazendas. Há “democratas” que financiam grupos armados paramilitares para liquidar sem-terras. Usam e abusam das siglas apenas para fazer negócios. Elegem prefeitos, vereadores e deputados para fortalecer seus grupos na concorrência com outros.

Há localidades em que a disputa eleitoral não se dá entre dois partidos, pois nesse caso as siglas não têm a menor importância, mas entre dois ou três grandes negociantes concorrentes.

Não é de estranhar que muitas prefeituras sejam apenas uma extensão da empresa do prefeito, nem que ele considere os vereadores seus assalariados, no máximo jogadores de um time de futebol aos quais dá um “bicho” (ou mensalinho) pelas vitórias conseguidas frente a eventuais adversários.

O troca-troca partidário mostrou apenas “peões” mudando de empresa por melhores salários ou gerentes caídos em desgraça em seus grupos aderindo a antigos adversários. Nada mais que vendilhões de votos mudando de lado entre os grupos que a cada dois anos intercambiam peças: o pefelista vira pedetista, o trabalhista vira tucano, o “socialista” sem a menor idéia do que seja socialismo vira republicano, sem também saber o que é isso, e vai por aí.

Alguém poderia sonhar que em breve o espírito de Tocqueville nos possa visitar e os partidos deixem de ser essas quadrilhas ávidas por mansões e prisões. Quem acredita nessa ilusão que me atire o primeiro programa partidário rasgado e pisoteado.

Rumorejando (Coisas que precisam ser inventadas, apresentando). – por juca (josé zockner / curitiba

COISAS QUE PRECISAM SER INVENTADAS.

–         Políticos que não se perpetuem no poder.

–         Poder que efetivamente emane do povo, para o povo e pelo povo. (Perdão, leitores, mas sonhar é preciso).

–         “Abolidor” definitivo da violência, cujos índices cada vez crescem mais em velocidade e em forma logarítmicas.

–         Sistema econômico, afastado dos extremismos dos sistemas capitalista e socialista, que beneficiem a todos sem os privilégios de uns em detrimento de outros. (Perdão, leitores, mas, como já dissemos, sonhar é preciso).

–         Certos sonhos que se tornem realidade.

–         Certos pesadelos que não se tornem realidade.

–         Transformador automático e instantâneo de “persona non grata” em grata.

–         Dispositivo, uma espécie de bumerangue, que transforme as balas de chumbo, utilizadas pelos caçadores, em balas de sal e que, ao mirar qualquer animal e atirar, acerte no próprio atirador, ali, onde as costas mudam de nome.

–         Rosas naturalmente azuis.

–         Canteiro de obras do governo, porém com obras.

–         Premonitor para avisos com bastante antecedência de visitas inoportunas tais como: sogra, cobradores, sogra, chatos em geral, sogra, etc.

–         Laboratório farmacêutico que, de uma vez, pare de aumentar os preços desmesuradamente.

–         “Desengarrafamentador” automático para desfazer os engarrafamentos do trânsito.

–         Riso jovial para carrancudos de qualquer idade.

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De conselhos úteis).

Só consuma viagra com amendoim desde que os efeitos sejam cumulativos e não excludentes. De nada !

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo).

-“O Xá já tomou chá ?”

-“Já. Na ja…nta. Com aquele xa…rope cha…to”. (Perdão, leitores).

Constatação III

Rico faz grandes negócios que descobre; pobre faz grandes esforços para que não soçobre.

Constatação IV

E como dizia nervosamente o neurótico: -“Não sei porque, mas a neurose me deixa neurótico e neurastênico”.

Constatação V

Não se deve confundir coque, que quer dizer “penteado feminino, que consiste em enrodilhar os cabelos no alto da cabeça” comcroque, que é “pancada na cabeça com o nó dos dedos”, muito embora, tanto no primeiro caso como no segundo, esta tão importante e fundamental parte do corpo humano esteja envolvida. E, hoje em dia, vejam só, no caso do coque, também por homens, o que absolutamente não faz com que mereçam levar um croque, pois gosto não se discute e tá acabado.

Constatação VI

Nem em Nova Iorque, Londres ou Paris,

Nem em Londrina, Maringá ou Mangaratiba.

Parece que o que São Pedro sempre quis

Que apenas chovesse, ali, em Curitiba.

Constatação VII

Com crise ou sem crise,

Rico resplandece

E logo esquece;

Com crise ou sem crise,

Pobre quando não esmorece,

Perece…

Pelo menos, assim parece…

Constatação VIII (Ah, esse nosso vernáculo).

-“O careca corou até a raiz dos cabelos”.

Constatação IX (Passível de mal entendido, principalmente com relação ao motivo do cumprimento).

Entre uma “lewinskada” e outra, o presidente Clinton chegou a 35 anos de casado com a Da. Hilary. Parabéns !

Constatação X (De conselhos úteis, via pseudohaicai).

Cuidado com o bocejo

Você poderá engolir

Um percevejo.

Constatação XI

E beijo que muito perdura

Arrisca engolir

A dentadura.

(Perdão, leitores).

Constatação XII (De ditado, adaptado para as atuais condições norte americanas).

Acabou-se

O que era doce

Quem comeu

Ferrou-se*.

*Ou estrepou-se. Você decide, tá ?

Constatação XIII

E como dizia aquele especulador: -“Antes das Bolsas de Valores, a gente era feliz, vivia contente e não sabia”.

Constatação XIV

E como dizia aquele burocrata que controlava a entrada de estrangeiros no país: -“Pelo visto, o seu visto não foi visto”.

Constatação XV

Estava sempre entalado:

Para fugir dos seus credores,

Vivia esquivo, camuflado,

Fugindo e sofrendo horrores.

Constatação XVI (Via pseudohaicai).

Uma conversa entabula

Com o farmacêutico: -“É falso

O seu remédio; ou a bula.

Constatação XVII (Via pseudohaicai).

Com esta notícia em destaque:

“Corte no orçamento da Saúde”.

Sofreremos todos um “peripaque”.

Constatação XVIII

Assim como existe tutear que quer dizer “tratar ‘(alguém) por tu”, “tratar-se mutuamente por tu”, tomo a liberdade de sugerir aos nossos filólogos a expressão “vocear”, já que o “tu” não é utilizado em todas as regiões do nosso país. De nada !

Constatação XIX

A computação, assim como as mulheres, tem aspectos maravilhosos. Agora, que é preciso saber manejá-las, isso lá é preciso…

Constatação XX (De uma dúvida crucial meio confusa).

O prezado leitor não acha que, já que mulher nua, vende, como dizem os entendidos em “marketing”, mulher vestida, consequentemente, não deveria comprar ?

Constatação XXI (Via pseudohaicai).

Só caquético

Torce pro

Atlético*.

*Calma pessoal! É o Atlético de Bilbao. Aliás, isso já foi dito, anteriormente, em outras edições de Rumorejando. Favor prestar mais atenção nas leituras para não cometer eventuais maus juízos e/ou falsas interpretações. Obrigado.

Constatação XXII

Nela, o sexo,

Projetado pra frente;

O bumbum,

Coerente,

Convexo.

Mergulho,

Tchimbum,

Neste anti bagulho.

Quanto desvelo!

Quanto orgulho!

Mas, era um sonho,

Aliás, nada enfadonho.

Que decepção,

Meu irmão!

Acordo alagado,

A realidade,

Que pecado:

Um baita pesadelo!

WALMOR MARCELLINO e sua novela ULCISCOR (seu último livro) – LANÇAMENTO / curitiba

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WALMOR MARCELLINO: escritor, poeta, filósofo e jornalista. completa 80 anos nessa data porque continua vivo na memória dos amigos.

BORIS CASOY revela o seu MAU CARÁTER /são paulo

BORIS CASOY revela, neste episódio, o pensamento e a ação das TVS brasileiras. É LAMENTÁVEL! concessões públicas a serviço da “canalhocracia” . ISTO SIM, É UMA VERGONHA NACIONAL!


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AUMENTE O SOM !!

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UM clique no centro do vídeo:

A IDADE E A MUDANÇA por lya luft / porto alegre

Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher.

Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades.

E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.

Foi um momento inesquecível…

A platéia inteira fez um ‘oooohh’ de descrédito.

Aí fiquei pensando: ‘pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?’


Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado ‘juventude eterna’. Estão todos em busca da reversão do tempo.

Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.


A fonte da juventude chama-se “mudança”.


De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.

A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.

Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.

Mudança, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.

Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos.

Rejuvenesceu.


Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.

Rejuvenesceu.


Toda mudança cobra um alto preço emocional.

Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.

Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.


Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.

Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.

Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.


Olhe-se no espelho…

PICASSO: “GUERNICA em 3D”

UM clique no centro do vídeo:

UM a ZERO por charles silva / florianópolis

Atravessou a sala da emergência do hospital e, desesperado, invadiu o consultório médico:

– Doutor, me ajude, tem um gol dentro de mim!

– Como é que é?!

– Um gol, doutor, um gol!

– Você engoliu uma bola, foi isso?

– Não, doutor, é um golaço, daqueles de placa!

– Você engoliu um rádio?

– Por favor, doutor, me ajude!!!

– Só posso ajudar depois que você disser o que está sentindo!

– Eu sinto o Maracanã de pé! Foi gol, doutor, foi gol!

– Olhe, você só pode estar de brincadeira. Por favor, retire-se imediatamente do meu consultório!

– Não, doutor, eu preciso muito da sua ajuda! Isso já dura uma eternidade! Vou acabar enlouquecendo com essa narração absurda! O senhor precisa fazer alguma coisa!

– Narração?

– Do gol, doutor.

– E quem está narrando, Luciano do Valle ou Galvão Bueno?

– Galvão.

O velho médico recordou as tardes de domingo diante da TV Globo, onde um gol narrado por Galvão parecia valer, no mínimo, o dobro. Não importava se o gol fosse para esse ou aquele time, se fosse legal ou não. A emoção do locutor dava-se do mesmo jeito: “Goooooooooollllllllll!!!!!!!!!! É do….” Rubro-negro, o grito de Galvão era, para os flamenguistas, a música que guardava o sol carioca nas redes crepusculares daquelas tardes. Enternecido pela lembrança, o doutor disse:

– Sente-se ali, por favor. Deixe-me auscultá-lo… Sabe quem joga?

– FlaFlu

– E você é…

– Flamengo, lógico!

– Respire fundo… Segure… Solte. Mais uma vez, bem fundo. Segure… Solte… ai, ai, ai!

– ?!

– Ih…

– O que foi, doutor?

– Essa, não! Aí é dose!

– Que cara é essa, doutor?! O que está acontecendo?!

– Pênalti para o Fluminense…

– Ah, não, essa não!!!

– E ainda expulsou dois do Flamengo…

– Ladrão! Juiz filho da mãe! Só assim mesmo, para o Fluminense ganhar! Só comprando o juiz e os bandeirinhas! E quem é que vai bater?

– Fred.

– Vai errar.

– Arrumou a bola com carinho, olhou pro goleiro, Atenção!… Correu, bateu…

Não foi possível saber o resultado, pois o homem chegou como o vento e saiu como um raio. Algumas horas depois, o estranho paciente irrompeu no consultório médico outra vez, olheiras profundas, olhos esbugalhados, visivelmente perturbado. O médico, que não havia cobrado pela consulta anterior, perguntou com cara de poucos amigos:

– O que foi dessa vez?

– Doutor, me ajude, tem uma trave dentro de mim!

CLETO DE ASSIS e “PILOTO DE BERNUNÇA” / curitiba

Saudade no papo da Bernunça

No segundo dia do ano ainda recebi presente de Natal. Quando visitei o bom amigo J. B. Vidal no seu recanto sempre acolhedor, lá nos Ingleses da ilha do Desterro, ganhei dele um livro autografado pelo autor, com um nome incomum: Piloto de Bernunça.

Para quem não sabe, a Bernunça ou Bernúncia é um dos bonecos do auto popular do Boi de Mamão, a versão catarina do Bumba-meu-boi nordestino. Ela tem uma cabeça enorme, lembra um dragão, na sua simplicidade artesanal, e engole gente à medida que a dança vai se desenrolando.

No primeiro momento, pensei que se tratava de um estudo folclórico, mas ao folheá-lo percebi logo ser de uma coletânea de crônicas, assinada por um consagrado escritor catarinense, Sérgio da Costa Ramos, e ilustrada pelo nosso querido amigo Dante Mendonça, em edição realizada pelo Vinicius Alves. Como férias convidam ao descanso acompanhado de bons livros, deixei de lado os que havia levado a Floripa e iniciei a leitura do livro de Sérgio.

Eu estava em uma casa na praia do Meio, em Coqueiros, exatamente a região que abrigou parte de minha infância e foi emocionante percorrer o passado descrito nas crônicas e relembrar personagens ilhéus que também conheci na década de 50, quando retornei a Florianópolis para estudar no Colégio Dias Velho. Quase no final do livro, encontrei a crônica Coqueiros era assim. Lembro de Coqueiros apenas como uma faixa de praias coleando os morros ao fundo, estes com poucas residências e misteriosas furnas formadas por superposição de pedras enormes, local constante das brincadeiras de meninos. As praias, naquela época, eram limpíssimas e, sem os ventos do Sul, eram piscinas espelhadas para onde vinha boa parte da população da ilha, uma vez que os balneários hoje badalados não eram facilmente acessíveis. A praia da Saudade era o point dos mais jovens. Nada de asfalto, com o lembra Sérgio: “O ‘gostosão’ – frente embutida e motor ‘pra dentro’ – subia a Filipe Schimidt, a rapaziada em pé no corredor, recendendo a óleo dos bronzeadores, resposta ao Verão que chegava. O trajeto incluía passagem sobre o assoalho de taboas da ponte – e, depois, sob a sua estrutura, na estrada de terra que serpeava até o aclive da igrejinha, ponto em que o ônibus ‘esvaziava’, bem em frente ao Praia Clube”.

Foi esse um dos cenários de minha infância. O Praia Clube era uma sede praieira do Clube 12, se não me engano, e era o último edifício do lado norte. À sua frente, ficou em construção, por vários anos, a base de um trampolim. Na pequena elevação a seu lado ficava a residência do polêmico jornalista Manoel de Menezes, pai do também jornalista Cacau Menezes (que não deve lembrar, certamente, pois era bem pequeno, mas chegamos a brincar juntos muitas vezes, com suas irmãs Kátia e Mirela).

Apenas um reparo: a igrejinha a que se refere Sérgio ainda não havia sido promovida a tanto. Era simplesmente a Capela e dava nome para a região, como um subdistrito de Coqueiros. Que começava no Saco da Lama, logo após um prédio da Marinha, passava pela Palhocinha, chegava à Capela, descia para a praia da Saudade, seguia até a praia do Meio, depois Itaguaçu – a bela Itaguaçu semeada de pedras, onde também havia uma pequena capela – e, morro acima, ia até a praia do Bom Abrigo, escondida ao pé do morro. Dali em diante era território estrangeiro, que só podia ser penetrado em companhia dos pais. Se fôssemos adiante, passaríamos pelo Abrahão e seguiríamos até São José e Palhoça. Mas isso já era viagem intermunicipal. O ônibus de Coqueiros só chegava até o Bom Abrigo.

Eu morei em Coqueiros (onde nasceu minha mãe) em duas épocas distintas. A primeira, na praia da Saudade, lado sul. Era só atravessar a rua e estava de cara com o mar. Menino criado no frio da serra catarinense, eu não respeitava nem o vento Sul do inverno e causavam espanto nos vizinhos os meus banhos malucos, eu sozinho na praia para aproveitar as ondas maiores, ainda pequenas em relação às do “mar grosso”, como contavam meus pais.

Obrigado, Sérgio, por essa viagem a um passado onde, como disse mestre Ataulfo, a gente era feliz e nem sabia.

Mas seu livro também me premiou com passagens gostosíssimas, como na crônica sobre o “espírito galhofeiro” do florianopolitano, sem perder oportunidade para tascar um apelido em todo mundo, sempre aproveitando características invulgares da vítima. Lá assisti a desafios de apelidos, nos quais os dois contendores trocavam “elogios” mútuos, para fazer gargalhar a platéia improvisada. Ato que só terminava quando a genitora de um dos apelidantes era subitamente lembrada e a brincadeira corria o risco de acabar em briga.

Na ilha nada escapava a esse humor espontâneo. Sérgio lembrou que o assoalho da ponte Hercílio Luz era pavimentado por grossas tábuas de madeira. Creio que o piso foi uma das únicas contribuições materiais brasileiras na construção da ponte, inaugurada em 1926, pois toda a sua estrutura foi fabricada nos EUA e de lá trazida pelos engenheiros projetistas. O assoalho tinha que ser consertado periodicamente, em razão do tráfego já mais pesado, naquela época. Em uma dessas reformas (creio até ter sido a primeira tentativa de asfaltar a pista de rolagem), quase na cabeceira da ponte, chegando à ilha, formou-se um degrau de dez ou quinze centímetros, que ali permaneceu por muito tempo, pois as obras foram paralisadas, talvez por falta de verba. Os veículos eram obrigados a dar uma paradinha e, em primeira marcha, descer vagarosamente o degrau, como hoje se faz nas lombadas rodoviárias. Mas os ônibus, bem mais pesados, não podiam evitar o salto, que sacudia todos os passageiros. Não era raro formar-se um coro de vozes para acompanhar o rotineiro evento e o humor logo deu nome ao degrau: era o “soluço da ponte”…

Também me lembro de outros apelidos engraçados. Um rapaz que tinha o rosto provavelmente marcado por crateras herdadas de uma catapora, recebeu rapidamente o apelido de “areia mijada”. E outro, com um problema nos olhos que o obrigava a manter um dos dois semicerrado, ficou conhecido como “olho de espiar garrafa”.

Ah, linda Florianópolis, onde ficaram meus passos de guri e por onde passeio a minha saudade, de quando em quando. Saudade adoçada por Sérgio da Costa Ramos e suas crônicas, bom presente de Vidal neste começo de ano.

MAESTRO WALTEL BRANCO “O SHOW”

Dia 3 de fevereiro, sobem ao palco do Espaço Santander, em Porto Alegre, Waltel Branco, Cláudio Menandro, Paulo Porto Alegre (violonista erudito de São Paulo) e Ulisses Rocha. Um recital inteiro, apenas com músicas do parnanguara Waltel.

Este mesmo show deve ir a Curitiba apenas em novembro, com os quatro violonistas, mais o paranaense Mário da Silva. Aqui serão três apresentações no Teatro da Caixa (projeto foi aprovado em edital da Caixa Cultural). A produção é deAlvaro Colaço, que já promoveu, em 2008, o lançamento de um livro de partituras com composições de Waltel.

A Caixa Cultural também garantiu o patrocínio ao projeto de CD de Waltel Branco, aprovado pela Lei Municipal, e que conta com 18 violonistas e um quarteto tocando as músicas dele. O time é composto por (ordem alfabética): Alisson Alípio, André Prodóssimo, Cláudio Menandro, Eva Fampas, Ezequiel Piaz, Fabiano Zanin, Fabrício Mattos, Guinga, Hestevan Prado, Israel Bueno, João Egashira, Luiz Cláudio Ribas Ferreira, Marcello Guima, Marco Pereira, Mário da Silva, Paulo Bellinati, Quarteto Maogani, Ulisses Rocha e Waltel Branco.

As gravações começam em março, no Estúdio Trilhas Urbanas. O disco terá 2 mil exemplares. Produção de Alvaro Colaço, fotos de Gilson Camargo e direção de arte de Adalberto Camargo.

SOBRE O LULA: “Em carta ao ‘NYT’, Lurian rebate críticas ao filme sobre o pai” / florianópolis

Lurian Cordeiro da Silva, filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, rebateu, em carta ao jornal americano “The New York Times”, as críticas ao filme “Lula, o filho do Brasil”, publicadas no dia 11 de janeiro.

De acordo com o “NYT”, o filme falha ao não mencionar que Lula abandonou sua namorada, Miriam Cordeiro, mãe de Lurian, aos seis meses de gravidez.

“Primeiro, minha mãe não foi ‘abandonada’. Apesar do fim do relacionamento com meu pai, ele pagou todas as despesas médicas, incluindo pré-natal e o parto. Ele também me registrou no mesmo dia em que nasci. Isso não se encaixa no perfil de alguém que abandona mulheres grávidas”, diz Lurian, na carta.

Ainda de acordo com o “NYT”, a produtora do filme, Paula Barreto, disse que não incluiu o episódio por a família de Miriam Cordeiro teria ameaçado entrar com uma ação na Justiça.

Lurian argumenta, no entanto, que nenhum dos outros filhos de Lula aparece no filme.

“Por que eu deveria (aparecer)? Se o filme é sobre a trajetória do meu pai, um imigrante pobre que se torna líder sindical, onde eu e meus irmãos nos encaixamos?”, questiona.

Na carta, ela diz ainda que adorou o filme.

“Apenas fortaleceu minha admiração por esse homem, que não é somente meu pai, mas um líder mundial, simbolizando o ‘homem comum’.

ISTO É UM HAICAI? por zuleika dos reis / são paulo

ISTO É UM HAICAI?

Os anões de pedra,

ciranda abraçando as águas.

Canta o chafariz.


I

A questão que me coloco, a partir dos princípios do Grêmio Haicai Ipê, ao qual pertenço, é a seguinte: Isto é um haicai?

O Grêmio Haicai Ipê, nascido em 1987 e tendo como seu principal co fundador o Professor H. Masuda Goga, procura seguir os princípios inaugurados a partir do trabalho de Matsuo Bashô (Japão : 1644-1694) os quais estabelecem que:

1. O haicai deve transcrever, o mais fielmente possível, uma imagem da natureza, natureza cujos aspectos mudam o tempo todo obedecendo, não obstante, ao ciclo das estações.

2. Cada haicai deve conter um “kigo”, como é chamado o termo da estação. Exemplo: “Paineira”, kigo de outono, porque as paineiras florescem no outono; “chuva de granizo”, kigo de verão, porque é quando tais chuvas ocorrem (abstraindo-se a presença das mudanças climáticas, originadas pelas ações do homem, que vêm alterando aspectos  dos ciclos vitais); “cartão de Natal”, chamado kigo vivencial porque se refere a eventos sociais específicos ( nesse caso também kigo de verão), e assim por diante.

3. O haicai deve, preferencialmente, ater-se à tradição métrica 5/7/5.

4. O haicai deve prender-se ao momento presente, à descrição o mais objetiva possível do  fenômeno observado, evitando considerações explícitas de natureza filosófica, emocionais do “eu” poético, etcétera.

Evidentemente, estes princípios não esgotam os preconizados pelo Grêmio Haicai Ipê, embora sejam, talvez, os mais importantes para os que praticam o haicai  segundo a “filosofia” desta escola.

Devo deixar claro que, embora seguindo os princípios de determinada práxis haicaística, não me considero no direito de julgar do valor do trabalho dos que pertencem a outras escolas. Na história do haicai brasileiro, o poeta Guilherme de Almeida criou uma tradição poderosa que exerce, ainda hoje, bastante influência  (o uso da rima, por exemplo, pertence a esta tradição). Muitos outros poetas brasileiros utilizaram e utilizam o haicai como forma de expressão e cada um deles acaba por influenciar a práxis de outros: assim Leminski, assim Millôr, para citar apenas dois. Há poetas que intitulam seus haicais, outros tantos falam da natureza em geral, sem especificar o termo da estação;  há os que não consideram fundamental o rigor no uso da métrica…, e se multiplicam as abordagens de tão breve forma poética.

II

CONSIDERAÇÕES SOBRE ISTO É UM HAICAI?

O poema que encabeça este artigo pode ser considerado um haicai?

A favor desta hipótese:

– Segue a métrica 5/7/5.

– Tem o kigo da estação = chafariz (fonte luminosa)= kigo vivenvial [ relacionado a experiências sociais ligadas a objeto fabricado pelo homem, objeto que abriga  elemento da natureza (água)].

No entanto, esse terceto não surgiu  de uma observação imediata da natureza, nasceu de imagem retirada de um romance, o CIRANDA DE PEDRA, de Lygia Fagundes Telles. A autora descreve um chafariz “abraçado” por anões de pedra, imagem que dá origem ao título do romance.

Estamos diante de uma observação indireta, “terceirizada” da natureza. Em defesa do meu poemeto enquanto haicai posso indagar: Não ocorre o mesmo quando se faz um haicai a partir de uma fotografia? Alguns ou muitos dirão: Não, não ocorre o mesmo: a fotografia é uma representação icônica de elemento ou de cena da natureza; no presente caso trata-se do aproveitamento de uma descrição verbal ( da imagem de um chafariz) que, talvez, jamais tenha existido para além do romance em que aparece descrito.

Finalizando: Eis uma questão aberta, para mim. Houvesse menos lacunas neste pequeno artigo ( ou ensaio, como prefiram), haveria mais elementos para a ampliação de possibilidades de respostas.

III

Os anões de pedra,

ciranda abraçando as águas.

Canta o chafariz.

ISTO É UM HAICAI?

(*) Peço desculpas: deveria ter escrito haikai, para seguir a nova norma ortográfica que estabelece a volta do k à ortografia oficial do português. Por idiossincrasia, rebeldia ou porque o pessoal do Grêmio ainda não aderiu oficialmente à nova norma, mantive a grafia  “haicai”,  utilizada tradicionalmente no Brasil.

Zuleika dos Reis

Papa João Paulo II se flagelava com frequência, diz livro de monsenhor / roma.it


Pontífice teria assinado termo prometendo deixar cargo se ficasse doente.
Revelações estão no livro do padre que cuida do processo de canonização.

O papa João Paulo II se flagelava regularmente para imitar o sofrimento de Cristo e teria assinado um documento secreto comprometendo-se a renunciar ao pontificado, em lugar de ocupá-lo de modo vitalício, se ficasse incuravelmente doente. As revelações estão contidas em um livro recém-lançado.

O livro, intitulado “Why a Saint?” (Por que um santo?), foi escrito pelo monsenhor polonês Slawomir Oder, o funcionário do Vaticano encarregado do processo que pode levar à canonização de João Paulo, e inclui alguns documentos inéditos.

O Papa João Paulo II, em imagem de 2005 (Foto: Reuters)

João Paulo II morreu em 2005 e esteve doente, passando por sofrimento físico, durante vários momentos de seu pontificado. Ele foi baleado e quase morto em 1981, foi submetido a várias cirurgias, incluindo uma devida a um câncer, e sofreu da doença de Parkinson por mais de uma década.

Lançado nesta terça-feira (26), o livro revela que, mesmo quando não estava doente, João Paulo se flagelava, algo que no cristianismo é conhecido como mortificação, para sentir-se mais próximo de Deus.

“Tanto em Cracóvia como no Vaticano, Karol Wojtyla se flagelava”, escreve Oder no livro, citando depoimentos de pessoas do círculo mais próximo de João Paulo na época em que ainda era bispo em seu país de origem, a Polônia, e depois de ser eleito papa, em 1978.

“Em seu armário, em meio a suas vestimentas, um tipo especial de cinto ficava pendurado num cabide, e ele o usava como açoite”, escreve Oder.

Ainda segundo o autor, quando era bispo na Polônia João Paulo frequentemente dormia no chão duro para praticar o asceticismo.

Muitos santos da Igreja Católica, incluindo São Francisco de Assis, Santa Catarina de Siena e Santo Inácio de Loyola, praticavam a flagelação e o asceticismo como parte de sua vida espiritual.

O livro também confirma que, quando sua saúde ficou fragilizada, João Paulo redigiu um documento para seus assessores afirmando que renunciaria ao pontificado se ficasse incuravelmente doente ou permanentemente incapacitado de cumprir seus deveres de papa.

Ele assinou o documento em 15 de fevereiro de 1989, oito anos após o atentado fracassado contra sua vida. A existência do documento foi motivo de muitos rumores e relatos ao longo dos anos, mas o texto foi publicado na íntegra no livro, pela primeira vez.

No final, o papa decidiu permanecer em sua função até sua morte, dizendo que isso era para o bem da Igreja. Se tivesse renunciado, teria sido o primeiro pontífice católico a fazê-lo por vontade própria desde 1294.

João Paulo chegou mais perto da canonização no mês passado, quando o papa Bento aprovou um decreto reconhecendo que seu predecessor viveu a fé cristã heroicamente. Foi um dos passos chaves no procedimento pelo qual a Igreja reconhece seus santos.

O próximo passo será o reconhecimento de um milagre atribuído a João Paulo. O milagre envolve uma freira francesa que foi inexplicavelmente curada do mal de Parkinson depois de fazer uma oração para o papa.

Depois de o Vaticano reconhecer o acontecimento como milagre, João Paulo poderá ser beatificado. A beatificação é o último passo antes da canonização.

Da Reuters.

RÁDIOCAOS: TAVINHO PAES e BETINA KOPP em curitiba

O POETA MANOEL DE ANDRADE comenta sobre a extradição de militar torturador / curitiba

Publicado por Manoel de Andrade em janeiro 25, 2010 23:30 pm às 23:30 pm r r  edit

Passar a limpo tudo isso é só uma questão de tempo. Na história das lutas políticas e sociais, mais tarde ou mais cedo, sempre são revelados os nomes dos heróis e dos bandidos, das vítimas e dos algozes.
Este Major Cordeiro, acusado de tortura e desaparecimento de militantes de esquerda e do sequestro uma criança de 10 anos, em 1976, teve muita sorte de escapar dos tribunais revolucionários dos Montoneros e do ERP, na Argentina. Não foi esta a sorte de Dan Mitrione julgado e executado pelos Tupamaros em agosto de 1970, Uruguai.
Agente da CIA, o norte-americano Daniel Mitrione, na década de 70, operou na América Latina como “O Mestre da Tortura”. No Brasil deixou muitos discípulos com as “experiências práticas” de tortura usando mendigos e indigentes presos e ensinando nossos agentes da repressão a torturar sem deixar marcas.
Em 1969 foi para o Uruguai disfarçado de funcionário da Embaixada Americana e lá os Tupamaros encerraram a sua carreira “diplomática”

O torturador Juan Manuel Cordeiro teve uma carreira semelhante na ditadura mais sanguinária da América e está para a repressão argentina como Sergio Paranhos Fleury, Carlos Alberto Brilhante Ulstra, José Paulo Burnier e muitos outros, não tão “ilustres”, estão para a ditadura brasileira.

No Chile os torturadores de Pinochet já estão indo pra cadeia. O General Manuel Contreras, chefe da DINA, Policia Secreta da Ditadura Chilena. foi condenado, há um mês atrás, a três anos de prisão pelo sequestro qualificado do poeta Ariel Santibañez em novembro de 1974. Ariel, na época editor da prestigiosa Revista Tebaida, onde pontificam os grandes poetas da geração sessenta , era membro do Movimiento de Izquierda Revolcionaria (MIR) e foi torturado até a morte. Me regozijo com a justiça feita ao seu carrasco porque partilhávamos os mesmos sonhos e tive, com Ariel, belos momentos em Arica, em agosto de 1969 e durante muito tempo trocamos cartas ao longo de minha viagem pela América Latina.

A memória desses crimes no Brasil está sendo revelada, não ainda pelos arquivos oficiais, mas pela publicação em livros, entrevistas, etc., dos depoimento dos sobreviventes e herdeiros da dor dos mortos e desaparecidos.
Acabo de ler o livro “VIRGÍLIO GOMES DA SILVA – DE RETIRANTE A GUERRILHEIRO”, escrito pelos historiadores cariocas Edson Teixeira e Edileuza Pimenta e editado pela Fundação Perseu Abramo. Conta a história de um homem que deixa o sertão do RGN e vem pra SP, se politiza na luta sindical, entra para o Partido Comunista e depois para a Aliança Libertadora Nacional (ALN), comandada por Marighella e com o codinome de “Jonas” comandou, no Rio, em 04 de setembro de 1969, o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, trocado por quinze presos políticos. Aprisionado uma semana depois em São Paulo, e resistindo ao interrogatório sem entregar os quadros da organização Virgílio foi cruelmente torturado até a morte na OBAN (Operação Bandeirantes) pela equipe do capitão Benone de Arruda Albernaz. Em nenhum momento se intimidou e mesmo morrendo cuspia na cara dos torturadores. Acredita-se que seja o caso mais cruel de tortura de um preso político durante a ditadura. A repressão mascarou e escondeu sua morte, dando-o como desaparecido (o primeiro desaparecido da ditadura) e somente em 2004 pela pesquisa datiloscópica é que se pode comprovar a tutela do Estado quando de sua morte.
Há uma parte do livro que diz o seguinte: “Um delegado do DOPS, doutor Orlando Rozande, contou, chorando, para o doutor Décio, o seguinte: ‘ — A cena que eu assisti, nunca assisti em canto nenhum, em todos esses anos de delegado: os olhos do Virgílio tinham saltado como dois ovos de galinha, o pênis dele estava no joelho, de tanto pisarem em cima dele. Eu nunca vi uma coisa tão bárbara como aquela”.

Os leitores interessados, que não tiverem acesso ao livro, poderão encontrar parte da história
de Virgílio, na página 104 do livro “DIREITO Á MEMÓRIA E Á VERDADE – Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos”, editado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos.

VEJA A MATÉRIA COMENTADA: AQUI

RETTA e sua arte / curitiba

JARDIM DO SORRISO INTERIOR – técnica mista sobre tela.

CANARINHO DA TELHA por hamilton alves / florianópolis

Ainda estou bastante abatido com o acidente ocorrido com o Tisio, que neste momento encontra-se entre a vida e a morte numa UTI de uma clínica de cachorros.

As últimas notícias que recebi de seu estado geral não foram nada animadoras; muito ao contrário, terá, ao que tudo indica, disse-me a veterinária, poucas chances de sobreviver.

Há quatro dias que está assim entre a vida e a morte.

– Se resistiu até agora, há esperança de melhora. – disse-me a veterinária

Mas ainda que melhore ou ainda que volte a viver, não será certamente mais o Tisio de outros tempos, alegre, vivo, brincando com seu jacaré de borracha, que procurava estraçalhar com os dentes, nem nos fará as festas costumeiras quando o surpreendia à porta da casa de manhã cedo.

Estava nesse estado de geral abatimento, debruçado ao muro da sacada, quando um canarinho da telha dos mais típicos de sua raça trepou num galho da árvore fronteira, perto do comedor de pássaros. Teria certamente se abastecido de alpiste antes de empoleirar-se no galho.

Fiquei a olhá-lo, longamente, a examinar os detalhes de sua beleza, com amarelo, verde, azul, a cabecinha de um amarelo mais vivo, quando lhe ouvi dar um trinado:

– Que tens, homem, com essa cara triste?

– O Tísio…

– Quem é o Tisio?

– É o meu cachorro…

– O que tem ele?

– Sofreu um acidente e está entre a vida e a morte.

– Eu, por acaso, não valho nada? Será que não mereço tanta atenção quanto o Tisio? Ou tanto amor?

– Claro que sim, sem dúvida.

– Então por que tanta amargura? Vivo praticamente em função de vocês, homens. A beleza existe em toda parte. Sou um mensageiro dela para lhe trazer alegria.

– Bem sei, bem sei!…

– Esqueça o Tísio por uns momentos e me desfrute, mesmo que seja nesse canto resumido a pequenos chilreios.

O canarinho desceu de novo ao comedor; dali saiu em desabalado voo a perder-se de vista.

Deixou-me mais animado de que o Tisio volte de novo a conviver conosco. Mas mesmo que o perca (não será uma compensação, certamente), o canarinho da telha virá ali todas as manhãs para dar cor e vida ao cenário.

A VIDA de joanna andrade / miami.usa

é alegria e dor

é pobre e rica

é ódio e amor

é vazia e cheia

com altos e baixos

de todas as formas

A vida é o Espelho da Morte

sorriso e lágrimas

abraço e saudades

uma colagem

A vida é um suspiro delicado

de almas batidas e doces olhares

– na ponta dos dedos-

-no cheiro das flores-

-no canto das aves-

-num piscar de olhos-

ávida a grosso modo

curta e dura em poucos sentidos

UMA ETERNIDADE!

É proibido fumar! – por jorge barbosa filho / curitiba


“Diz o aviso que eu li”… “é proibido fumar, pois o fogo pode pegar”…

Lei Municipal 13.254/2009 e Lei Estadual 16.239/2009. “mas não adianta o aviso olhar… pois a brasa que vou mandar, nem bombeiro pode apagar”.

O ato de fumar é tão antigo como a existência da humanidade. Fumávamos para misturar o azul da fumaça com o azul das estrelas, e mais, bebíamos para não distinguir as ondas dos copos, dos corpos das mulheres e as ondas do mar batendo em nossas bocas.

Bebíamos e fumava-nos (per fume) para nos fazer poesia…

Tudo era uma distração após dias de trabalho! O Fumo e a bebida ante um worksong!

Nos bares cada vez mais…

O cachimbo dos pretos, a chanupa sioux, o caminho da fumaça, e onde há fumaça, há fogo!

Fogo!

Quanto prazer negado pelo “politicamente correto”…

Onde meus amigos negos, são afrodescendentes, e meus amigos bichas, são homoerógenos…

Quanta babaquice em nome da polidez, hipocrisia e conveniência de nossa covarde classe média…

Tudo bem! Fomos proibidos de fumar em estabelecimentos públicos em nome dos defensores da Saúde, dos ex–fumantes, dos cancerígenos mentais…

Tais… como o Hospital do Câncer, na Cruz Vermelha , no Rio que levou muita grana com os fumantes desavisados… Muita verba gasta sem necessidade. Poderíamos prevenir! Câncer, Câncer!

Preferimos gastar com a conseqüência… ao invés da causa

Tais…como eu te amo!

Meu avô fumou até os 95 anos, e trepou mais que isto,  meu pai até os 56!  Fumando e galinhando!

Fico vendo o vendedor de cigarros oferecer no bar o que tem pra fumar! Como seus pacotes de Hollywood, Malrboro, Derby . etc. Os bares proíbem, mas ao mesmo tempo fornecem.

A gente tem fumar (o quê?).

É proibido fumar!

“Diz o aviso que eu li”

“No entanto a maconha no Brasil foi liberada, na cara dura, na frente da polícia… Até o presidente já fumou… laralara! Eu te amo meu Brasil, eu te amo, meu coração é amarelo, verde, branco e azul anil”. Os Incríveis!

Com esta lei os fumantes são obrigados a fumarem na rua… Na madrugada se expondo a assaltos.

Teve um caso de uma pessoa que foi fumar na calçada, fora do estabelecimento, foi assaltada e ainda sofreu agressões físicas sérias.

Quantas não serão?

Acho que as “leizinhas” dos nossos senhores deputados não chegam a suas casas. Fumam os seus “puros”, baianos e cubanos perto de suas descentes famílias…

Se é Proibido fumar! Pra onde vão as Tabacarias?

Onde ficam os alvarás?

Por que vender cigarros nos bares se É Proibido Fumar! Se neles não podemos fumar!

A arrecadação de impostos em cima do tabaco, só quem ganha é o Governo. Se não me engano deve ser no mínimo 80% de impostos que vão para a União. Para que os filhos- das- putas do Congresso fumem a nossa grana e traguem suas caras-de- pau. Fazendo as nossas de fumaça! Recebendo propinas da Indústria do Tabaco para suas campanhas políticas.

Não podemos agir em cima das conseqüências, e sim em cima das causas. Lembre-se que um Professor educa e trabalha sobre as causas, enquanto um Médico, nas conseqüências… Sempre um remédio…

O professor deveria ter um salário igual ou maior, por tratar da causa e não da conseqüência.

Um remedinho… E o cigarro é um remedinho para controlar a tensão social.

Igualmente aos fumantes de maconha que patrocinam a barbárie em todos os morros do Rio de Janeiro, nossa classe média…

É o que eu digo: Pois É Proibido fumar! “Diz o aviso que eu li”. Por que não substituem os plantations de tabaco no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, por plantação de legumes ou folhas hidropônicas?  Distribuindo pra população para matar a fome!

Por que não “ter um rancho de éter no Texas e uma plantation de maconha no Wyoming”?

Mas É proibido fumar

A caretice tomou conta de nossa classe média que antes topava Vinícius e Tom , mas sem inícios ou tons… Tom, qual tom?

Sem o charuto no ar… “que o fogo pode pegar”.

Diz o boteco que eu li.

Sejamos coerentes, fumemos em qualquer lugar!

Lugar, lugar! Estamos ficando sem lugar!

Tudo bem: “Vou apertar, mas não vou acender agora”.

Deveriam existir bares para fumantes e não fumantes.

Isto seria mais democrático e opcional…

Agora eu e meus amigos compramos cigarros, cervejas e mulheres e levamos pra casa.

Isto ficou mais barato meu caro amigo… um grande barato, até o vizinho reclamar que É proibido fumar!

Viva a hipócrita democracia brasileira!!!!!!!!!!!!

TELA de charles silva / florianópolis


o que é belo

na paisagem

é só a luz e um pincel suave

o mais precioso

vai na cor da sabotagem

o que é belo

na miragem

é o sabor com que se faz a nave

beijo milagroso

língua cama camuflagem

eu preciso saber

o que muda em todo porto

quando a onda pede bis

eu preciso saber

em que parte do teu corpo

minha boca é mais feliz

A MALDIÇÃO BRANCA – por eduardo galeano / uruguai

No primeiro dia deste ano, a liberdade completou dois séculos de vida no mundo. Ninguém se inteirou disso, ou quase ninguém.
O Haiti foi o primeiro país onde se aboliu a escravidão. Contudo, as enciclopédias mais conhecidas e quase todos os livros de escola atribuem à Inglaterra essa histórica honra. É verdade que certo dia o império que fora campeão mundial do tráfico negreiro mudou de idéia; mas a abolição britânica ocorreu em 1807, três anos depois da revolução haitiana, e resultou tão pouco convincente que em 1832 a Inglaterra teve de voltar a proibir a escravidão.

Nada tem de novo o menosprezo pelo Haiti. Há dois séculos, sofre desprezo e castigo. Thomas Jefferson, prócer da liberdade e dono de escravos, advertia que o Haiti dava o mau exemplo, e dizia que se deveria “confinar a peste nessa ilha”. Seu país o ouviu. Os Estados Unidos demoraram 60 anos para reconhecer diplomaticamente a mais livre das nações. Por outro lado, no Brasil chamava-se de haitianismo a desordem e a violência. Os donos dos braços negros se salvaram do haitianismo até 1888. Nesse ano o Brasil aboliu a escravidão. Foi o último país do mundo a fazê-lo.

O Haiti voltou a ser um país invisível, até a próxima carnificina. Enquanto esteve nas TVs e nas páginas dos jornais, no início deste ano, os meios de comunicação transmitiram confusão e violência e confirmaram que os haitianos nasceram para fazer bem o mal e para fazer mal o bem. Desde a revolução até hoje, o Haiti só foi capaz de oferecer tragédias. Era uma colônia próspera e feliz e agora é a nação mais pobre do hemisfério ocidental. As revoluções, concluíram alguns especialistas, levam ao abismo. E alguns disseram, e outros sugeriram, que a tendência haitiana ao fratricídio provém da selvagem herança da África. O mandato dos ancestrais. A maldição negra, que empurra para o crime e o caos.

Da maldição branca não se falou.

A Revolução Francesa havia eliminado a escravidão, mas Napoleão a ressuscitara:

– Qual foi o regime mais próspero para as colônias?

– O anterior.

– Pois, que seja restabelecido.

E, para substituir a escravidão no Haiti, enviou mais de 50 navios cheios de soldados. Os negros rebelados venceram a França e conquistaram a independência nacional e a libertação dos escravos.

Em 1804, herdaram uma terra arrasada pelas devastadoras plantações de cana-de-açúcar e um país queimado pela guerra feroz. E herdaram “a dívida francesa”. A França cobrou caro a humilhação imposta a Napoleão Bonaparte. Recém-nascido, o Haiti teve de se comprometer a pagar uma indenização gigantesca, pelo prejuízo causado ao se libertar. Essa expiação do pecado da liberdade lhe custou 150 milhões de francos-ouro. O novo país nasceu estrangulado por essa corda presa no pescoço: uma fortuna que atualmente equivaleria a US$ 21,7 bilhões ou a 44 orçamentos totais do Haiti atualmente. Muito mais de um século demorou para pagar a dívida, que os juros multiplicavam. Em 1938, por fim, houve e redenção final.

Nessa época, o Haiti já pertencia aos brancos dos Estados Unidos.

Nem Bolívar

Em troca dessa dinheirama, a França reconheceu oficialmente a nova nação. Nenhum outro país a reconheceu. O Haiti nasceu condenado à solidão. Tampouco Simon Bolívar a reconheceu, embora lhe devesse tudo. Barcos, armas e soldados lhe foram dados pelo Haiti em 1816, quando Bolívar chegou à ilha, derrotado, e pediu apoio e ajuda. O Haiti lhe deu tudo, com a única condição de que libertasse os escravos, uma idéia que até então não lhe havia ocorrido. Depois, o herói venceu sua guerra de independência e expressou sua gratidão enviando a Port-au-Prince uma espada de presente. Sobre reconhecimento, nem uma palavra.

Na realidade, as colônias espanholas que passaram a ser países independentes continuavam tendo escravos, embora algumas também tivessem leis que os proibia. Bolívar decretou a sua em 1821, mas, na realidade, não se deu por inteirada. Trinta anos depois, em 1851, a Colômbia aboliu a escravidão, e a Venezuela em 1854.

Em 1915, os fuzileiros navais desembarcaram no Haiti. Ficaram 19 anos. A primeira coisa que fizeram foi ocupar a alfândega e o escritório de arrecadação de impostos. O exército de ocupação reteve o salário do presidente haitiano até que este assinasse a liquidação do Banco da Nação, que se converteu em sucursal do City Bank de Nova York. O presidente e todos os demais negros tinham a entrada proibida nos hotéis, restaurantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro. Os ocupantes não se atreveram a restabelecer a escravidão, mas impuseram o trabalho forçado para as obras públicas.

E mataram muito. Não foi fácil apagar os fogos da resistência. O chefe guerrilheiro Charlemagne Péralte, pregado em cruz contra uma porta, foi exibido, para escárnio, em praça pública.

A missão civilizadora terminou em 1934. Os ocupantes se retiraram deixando no país uma Guarda Nacional, fabricada por eles, para exterminar qualquer possível assomo de democracia. O mesmo fizeram na Nicarágua e na República Dominicana. Algum tempo depois, Duvalier foi o equivalente haitiano de Somoza e Trujillo.

E, assim, de ditadura em ditadura, de promessa em traição, foram somando-se as desventuras e os anos. Aristide, o cura rebelde, chegou à presidência em 1991. Durou poucos meses. O governo dos Estados Unidos ajudou a derrubá-lo, o levou, o submeteu a tratamento e, uma vez reciclado, o devolveu, nos braços dos fuzileiros navais, à Presidência. E novamente ajudou a derrubá-lo, neste ano de 2004, e outra vez houve matança. E de novo os fuzileiros, que sempre regressam, como a gripe.

Entretanto, os especialistas internacionais são muito mais devastadores do que as tropas invasoras. País submisso às ordens do Banco Mundial e do Fundo Monetário, o Haiti havia obedecido suas instruções sem pestanejar. Eles o pagaram negando-lhe o pão e o sal.

Náufragos anônimos

Teve seus créditos congelados, apesar de ter desmantelado o Estado e liquidado todas as tarifas alfandegárias e subsídios que protegiam a produção nacional. Os camponeses plantadores de arroz, que eram a maioria, se converteram em mendigos ou emigrantes em balsas. Muitos foram e continuam indo parar nas profundezas do Mar do Caribe, mas esses náufragos não são cubanos e raras vezes aparecem nos jornais.

Agora, o Haiti importa todo seu arroz dos Estados Unidos, onde os especialistas internacionais, que é um pessoal bastante distraído, se esquecem de proibir as tarifas alfandegárias e os subsídios que protegem a produção nacional.

Na fronteira onde termina a República Dominicana e começa o Haiti, há um cartaz que adverte: o mau passo.

Do outro lado está o inferno negro. Sangue e fome, miséria, pestes…

Nesse inferno tão temido, todos são escultores. Os haitianos têm o costume de recolher latas e ferro velho e, com antiga maestria, recortando e martelando, suas mãos criam maravilhas que são oferecidas nos mercados populares.

O Haiti é um país jogado no lixo, por eterno castigo à sua dignidade. Ali jaz, como se fosse sucata. Espera as mãos de sua gente.

Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina e Memórias do Fogo.

Brasil extradita acusado de integrar Operação Condor

Brasil extradita acusado de integrar Operação Condor

Manuel Cordero foi levado de ambulância até Uruguaiana.
Cordero foi preso no Brasil em fevereiro de 2007.

Do G1, em São Paulo

O militar reformado uruguaio Manuel Juan Cordero Piacentini, acusado participar da Operação Condor, responsável pela perseguição e desaparecimento de opositores dos regimes militares no sul do continente nos anos 70, foi extraditado neste sábado (23) para a Argentina.

Cordero teve sua extradição autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto do ano passado. A Justiça argentina pediu a extradição para julgá-lo por crimes de violações de direitos humanos. Ele ficou conhecido pela alcunha de Coronel Cordero mas, nos documentos oficiais, se apresenta como major.

O militar, que passou os últimos seis meses em prisão domiciliar em Santana do Livramento, foi retirado na terça-feira (19) de sua casa por agentes da Polícia Federal. Por causa de um mal-estar, no entanto, os policiais o transferiram ao hospital Casa de Saúde dessa cidade.

Na sexta (15), o advogado de Cordeiro havia ajuizado no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de suspensão da extradição, sob a alegação de que ele é beneficiário da Lei da Anistia em vigor no Brasil. No ano passado o advogado já havia tentado outro recurso contra a extradição, negado pelo Supremo.

Segundo a Polícia Federal do Rio Grande do Sul, Cordero foi transferido em uma ambulância a partir de Santana do Livramento para Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, onde foi recebido pelas autoridades argentinas. Ele foi submetido a um novo exame médico e entregue aos agentes argentinos, que o levaram de ambulância até Buenos Aires.

Na Argentina, ele deverá comparecer diante do juiz federal de Buenos Aires Norberto Oyarbide, que o interrogará dentro do processo de violações aos direitos humanos cometidos na Operação Condor.

Com informações da EFE e da Agência Estado.

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DA EDITORIA:

é preciso que o ministro (sic) da defesa nelson jobim abandone, conscientemente, a sua postura militaresca que chegou ao ridiculo de vestir a sua roupinha de “rambo”, de fins de semana, para visitar a tragédia que atingiu o haiti e se descubra um civil brasileiro com a obrigação, que o cargo lhe exige, de apurar todos os crimes cometidos pelos militares radicais, que entenderam que o inimigo era o povo brasileiro durante o período da ditadura exercida pelas forças armadas nacionais. não se trata de vendetta, trata-se de apurar os excessos de um período na história brasileira que se de um lado os atores estão mortos ou com sequelas das torturas do outro é necessário identificar e punir os torturadores e assassinos. trata-se de passar a limpo esse período obscuro da nação. outros países do hemisfério já tomaram essas providências porquanto viveram ditaduras semelhantes e não se permitiram que tal abismo histórico dividisse suas pátrias. este assunto não será sepultado como querem alguns dirigentes das corporações em razão de ser extremamente grave para unidade do povo brasileiro e suas instituições. o estado não pode ceder à vontade de alguns em detrimento da honra e da grandeza de seu povo. identificar os responsáveis por tal selvageria é resgatar a dignidade das nossas forças armadas que desde então andam às cegas na história brasileira.

jb vidal

Editor.

A SOBERANIA DO COPO de otto nul / palma sola.sc

Eis o copo

Em cima da mesa

Ali é seu pequeno

E insubstituível reino

Um copo compõe

Bem qualquer lugar

Mas notoriamente

Uma mesa

E independe da mesa

Seja pobre ou rica

Feia ou bonita

Bem ou mal ornamentada

O copo é uma coisa

Meio soberana

O copo é o senhor

Do espaço que ocupa

A estupidez dos ditadores – por alceu sperança / cascavel.pr

O mais genial escritor brasileiro – mais uma briga, agora com os machadistas! – escreveu, dentre outros, um livro obrigatório: O Triste Fim de Policarpo Quaresma.

Conheço um pessoalzinho que odeia o livro por estar na lista de leituras que “caem” no Vestiba. Mas ler, quando não é obrigação, faz muito bem à alma.

Sem ter assistido a nenhum AtleTiba, dizia Lima Barreto, na revista Careta, em 1922:

“O football é uma escola de violência e brutalidade e não merece nenhuma proteção dos poderes públicos, a menos que estes nos queiram ensinar o assassinato”.

Toda vez que uma torcida organizada mata um, essas palavras ocupam minha memória.

Mas o livro por vezes indesejado de Lima Barreto conta a história de Quaresma, que confundia patriotismo com formalismo e acabou resvalando para o nacionalismo, que é de todos os ismos provavelmente o mais traiçoeiro.

Ele pregava a substituição do idioma Português pelo Tupi. Isto sim, seria patriotismo nacionalista!

O pobre Paraguai, quando venceu a ditadura (tem maluco a desejando de volta), humilhou os patriotas nacionalistas brasileiros instituindo o Guarani como seu segundo idioma.

Poderíamos fazer o mesmo e livrar a cara dessa vergonha. Mas já não tem jeito: liquidamos, com nosso patriotismo nacionalista, praticamente todos os índios, sua cultura e idiomas.

Estudar Guarani na escolinha do bairro tem mais a ver que o Francês, que me obrigaram a estudar em Foz do Iguaçu. Belchior: “Um tango argentino me vai bem melhor que o blues”.

O ditador Vargas, cujo desconfiômetro depois o levou a tentar a defesa do Brasil contra o imperialismo de Tio Sam, também tinha rompantes nacionalistas, que por um certo período o aproximaram dos galinhas-verdes integralistas.

Uma das burrices mais flagrantes do período nacional-galinhista de Vargas foi a mania de trocar os nomes dos lugares e transformá-los em indígenas.

Curitiba já nasceu assim, indígena e dedicada a Nossa Senhora da Luz, embora os coxas mais tradicionais preferissem a grafia antiga – Coritiba –, o que evitaria a maldade catarinense de dizer que “Tiba” significa “Do Mundo”.

Se o lugar se chama Cascavel, por exemplo, os esbirros da ditadura procurariam no glossário de padre Anchieta que palavra pode traduzir Cascavel melhor para o Tupi. Digamos, Boicininga.

A Sociedade Rural e seus ganaderos (ganhadores de dinheiro) iriam adorar!

Gaurama (RS), a terra do Rei da Soja, Odílio Balbinoti, e do nosso camarada de Voz do Estudante, Auri Rommel, é um caso digno de Gabriel García Márquez, algo como uns cem anos de maldição.

A história de Gaurama é uma das provas mais categóricas de como a ânsia de puxar o saco do ditador leva seus cupinchas a excessos ridículos.

O nome tradicional do lugar era Barro. Isso mesmo, aquele que se forma quando chove e, quando seca, vira poeira. Mas virou Barro porque o engenheiro que construiu a ferrovia tinha o sobrenome Barros.

Até aí a gente vai descontando. Perder um S, afinal, não é o fim do mundo. Mas aí veio a ditadura Vargas e a ordem para tupizar tudo o que viesse pela frente.

Que diabos fazer para traduzir Barro ao Tupi-Guarani? Dando tratos à bola, encontraram a palavra “Igau”, sendo o “I” a palavra indígena para “rio”.

Ora, mas não tem rio em Barro! Simples, tira o I, fica só o “Gau”. O que acontece quando você tira o rio? Fica a lama. Assim, “Gau” quer dizer lama e “Rama” quer dizer terra. Pronto: “Gaurama”, palavra perfeita para significar Barro. Batize-se!

A forçação de barra contra o Barro foi tão boçal que o padre Benjamin Busatto ridicularizou a besteira pela imprensa, mostrando que além de contrariar a raiz histórica, a “tradução” para o Tupi-Guarani era uma esputidez, como diria Guimarães Rosa, completa.

Mas, fazer o quê? Lá está a pequena Gaurama, com seus filhos ilustres e bons, fingindo que é índia.

Rumorejando (Socorro! Socorro! O horário eleitoral tá chegando). – por juca (josé zockner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Nem sempre os sinônimos e os antônimos podem ser referidos através da negação de um em relação ao outro, como por exemplo, se você disser “ela não é simpática” não é a mesma coisa que se você disser “ela é antipática”. Pode-se não ser simpático, sem necessariamente ser antipático. Tenho, simpaticamente, dito.

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo).

Cheia de dedos, pediu emprestado à vizinha o seu único dedal.

Constatação III

“O livre mercado provoca instabilidade, desigualdade, empobrecimento e abandono dos mais necessitados. Abre terreno para desespero e violência. Também facilita o aparecimento de líderes carismáticos e fundamentalistas”. (Afirmação do Dr. John Gray, Professor da London School of Economics and Political Science, uma das mais importantes academias e ciência política do mundo, autor do livro Falsa aurora – as desilusões com o capitalismo global).

Constatação IV

O septuagenário jamais quer comparecer aos eventos badalativos para os quais tem sido freqüentemente convidado, com medo de que sua foto saia na coluna social de algum jornal, com os seguintes dizeres: “Fulano de Tal da atual geração imergente”.

Constatação V

Tá certo que nós somos um povo cordato e pacífico e que, por tal razão, não estamos preparados para a guerra. Mas isso, absolutamente, não quer dizer que estejamos preparados para a paz…

Constatação VI

Psicologia feminina: “Perua, são sempre as outras”…

Constatação VII (Com a primeira frase, passível de mal entendidos).

A gente até poderia estar se dirigindo em direção ao 1º Mundo. Mas, os juros das passagens aéreas estão muito elevados…

Constatação VIII

E já que falamos no assunto de 1º Mundo, os programas das televisões comerciais estão a cada dia em níveis tais que não parecem ser nem do 1º, 2º, 3º ,4º ou Enésimo Mundo. Parecem ser de algum outro mundo em via de formação, semelhante à feitura do planeta Terra, conforme nos é narrada na Bíblia Sagrada: “No começo era o caos”…

Constatação IX

Cavalinho recém nascido dá a impressão de que está com os lábios pintados, se é que cavalo tem lábios.

Constatação X (Meio eufemística e tergiversante).

Não se deve confundir redunda com redonda que são coisas totalmente distintas. Redunda tem rima fácil com tunda, cacunda, etc., principalmente etc.; já redonda é, normalmente, a forma do “principalmente etc.” o que não impede de também ter as suas rimas, como com sonda, ronda, onda e por aí afora. Elementar, minha gente.

Constatação XI ( Meio repetitiva, via pseudohaicai).

Comigo, ela não consegue falar

O sânscrito, pelo menos, mais ou menos.

Nem menos o mais rudimentar.

Constatação XII (Teoria da Relatividade para principiantes).

Em certos países, é preferível furar o sinal vermelho e pagar o ônus disso (perda de pontos na carteira de habilitação; perda de dinheiro por ter que pagar multa), do que ser furado por tiros de revólver ou faca, pagando o ônus disso (perda de sangue, da consciência, da vida, etc.).

Constatação XIII (De conselhos úteis).

Depois do famigerado “aumento”para os aposentados, “exulta-te e jubila-te”, quer dizer, vá escutar está obra de Mozart, já que a terapia musical é recomendada pelos médicos. De nada.

Constatação XIV

Não se pode confundir “tenha modos” com “tenha mudas”, até porque, se você mora em apartamento, é muito mais fácil você ter o primeiro que o segundo. Pelo menos, aparentemente, já que, no primeiro caso, depende da tua educação e da tua vocação; no segundo, mais da tua vocação…

Constatação XV

Rico escreve; pobre, garatuja.

Constatação XVI (Ah, esse nosso vernáculo).

Não trema se alguém te disser que a palavra “trema” leva trema.

Constatação XVII

Não se deve confundir Germinal que é o nome de uma obra do escritor Emile Zola, levada ao cinema pelo diretor Claude Berri, com terminal, muito embora a demora do ônibus em um ou outro terminal permitiria de se ficar assistindo o filme até o fim, mesmo sabendo-se que é de longa metragem…

Constatação XVIII (Via pseudohaicai).

Tchimbum!

Mergulhei de novo nos doces

Quebrando meu efêmero jejum.

Constatação XIX (Via pseudohaicai).

Nada mais que um arrufo

Foi o que ela teve

Com o hipócrita, o tartufo.

Constatação XX

Em certos países, viver é uma arte,/ sem que um trinta e oito te descarte.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I (De antigamente).

Foram os nubentes

Que já iam se agarrando,

Totalmente carentes ?

E o padre, ali, esperando ?

Dúvida II (Via pseudohaicai).

Foi depois daquela festa

Que o maridão começou a ficar

Com certos problemas na testa ?

Dúvida III

A troça, o riso de escárnio, o deboche são auto defesas dos complexados burros ou dos burros complexados ? (Cartas. Obrigado).

Dúvida IV

Joaquim!

Diga pra mim

Se é o fim

Escrever,

Ou ler,

Fim,

Em tupiniquim,

Assim:

Fin ?

Dúvida V (Via pseudohaicai).

Foi o Fernando*

Que andou

Pererecando ?

*Não quer dizer que, necessariamente, seja(m) o(s) Fernando(s) que vocês tanto conhece(m). Pode até ser outro totalmente desconhecido. Vá lá um saber…

Dúvida VI

Se “interechá” quer dizer se interessar por uma chávena de chá ? (Perdão, leitores).

Dúvida VII

Pouco lhe importa,

Minha senhora,

Comer torta

Fora de hora,

Sem oferecer

Também

A alguém

Que lhe quer

Tanto bem

E está a sofrer,

A esmaecer ?

Pouco lhe importa,

Hein, hein  ?

Dúvida VIII

O meu time Paraná não ia melhorar, segundo os novos dirigentes?

Dúvida IX

Elefante assoa a tromba quando está resfriado ? E, em caso afirmativo, qual é o tamanho do lenço?

Dúvida X

O Brasil tem milhões de analfabetos, a saúde tá um caos e tem a petulância de falar em 1º Mundo. Falta de sentido de observação ou de desconfiômetro mesmo ?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

DESAFIO por vera lucia kalaari / portugal

Hoje resolvi apresentar-vos um trabalho diferente. Nesta época natalícia, que todos vivem o nascimento de Cristo, gostaria de vos conhecer um pouco melhor. Por isso,

aqui vai o meu desafio:

Eles vieram de longe, do Oriente… Seguindo a estrela mensageira, encontraram no deserto os caminhos que conduziam a Jesus.

Menino-Deus, pedacinho de gente, dormindo sobre palhas…

A História conta que levaram presentes dignos do rei mais poderoso da terra. Não conta, isso não, que foi feito do ouro, do incenso e da mirra… E da estrela que guiou os passos dos três Reis Magos, Baltazar, Gaspar e Melchior…

Perguntas que deixaram de ser, porque cada vez que surge um presépio, uma manjedoira e uma estrela, a história do Menino repete-se, como se cada um de nós tivesse estado presente nessa noite distante de Belém.

E se assim tivesse acontecido? Se a sua presença fosse ali, bem perto da manjedoira? Qual teria sido o seu presente para Jesus, SE VOCÊ FOSSE REI MAGO?

DESEJO FINAL

Quando eu morrer

Não quero rosas,

Não quero prantos.

Quero flores de buganvílias rubras,

De ouro e sangue…

Quero ventos…

Os que mordem as areias do deserto…

Os que curvam os corpos dos coqueiros desgrenhados,

Arrojados para o azul.

Sim…

Quando eu morrer,

Não quero rosas,

Não quero prantos.

Quero o ressoar dos tambores

Atroando os ares…

Ran-tan-tan-tan-ran …

Quero o óleo doce do denden…

Quero tudo …tudo da terra…

Que m’importam  rosas?

Que m’importam cantos?

Quero beber as ondas do mar…

O marufo ardente…

Quero sentir o tumulto da terra

A alegria do Povo…

Por isso tragam-me tudo…

Para ter a ilusão,

De ainda viver.

CHORO de joão batista do lago / são luis

Sonhei-te por toda noite
Vagando esmo entre pensares
Assimétricos, mas escorreitos,
Lânguidos como a tísica doença que
Empoeira os pulmões do mundo.
Oh! Os velhos sinais dos tempos meus,
Que de tão meus prostraram por terra
Os tempos teus vazados pelos poros
Salientes de nossos corpos, dormentes
Nas frias madrugadas curitibanas,
Vão-se longes e distantes da
Ausente presencialidade que
Torpedeia meus caminhares ilháticos nas
Sorumbáticas noites de versos sem poesia.
Meus cantos internos estão tristonhos,
Meus olhares fraternos cansados estão… E
Meus andares sobre os paralelepípedos
Tropeçam nas sarjetas de almas condenadas
Pelo escárnio do senhor de todos os senhores.
Entre todos, São Luis – maior dos ilhéus –, já é morta!
Agora condenada à presencialidade das misérias,
Frutos condecorados no Palácio dos Leões,
Reverbera no caldo da diversidade
Toda cultura da maranhensidade
Prostrada no verbo que não rima um sujeito, mas
Constrói indivíduos que perambulam pela cidade,
Outrora versos praguejados nas cachaças dos abrigos…
Os bondes levaram todos para a eternidade.
Quanto a mim resta-me o choro de todas as saudades!

FOTOPOEMA 146 – de rudi bodanese / florianópolis

O cachorro doido e o dono que perdeu a loucura – de tonicato miranda / curitiba


Este é aquele antigo Mário

Estava antes preso no armário

Vai agora se soltando da casca

Cigarra cantadeira em desatino

Garras fincadas no ipê amarelo

Colore todo cerrado planaltino

Poeta de traço invejado

Arquiteto de perspectivas tais

Um Dalí com o grafite na mão

Corpo do Adônis do Michelangelo

Das coleguinhas arrancando ais

Cabelos de querubim quase anjo

Com calças pijama e cordames

Soltos pelos joelhos se arrastando

Projetava concretos e muitos arames

Surpreendia professores e distraídos

Deitava a prancha no chão e traçava

Catapultas romanas de tempos idos

Tinha um cachorro louro como ele

Corredor de corridas de trinta metros

Dizem bebiam cachaça juntos por aí

Será algum dia tomaram muito álcool

Por vezes sentavam-se no gramado

Juntos bebiam as cores do pôr-do-sol

Ele com uma haste de alpiste à boca

O cachorro mastigando relógios de Dalí

Os dois ali, ao alcance do meu olhar

E nem tinha à frente um mar assim

Era puro delírio, a juventude exposta

A alma deitada, afagos de grama e do capim

Mário saiu do armário derramou o leite

Por vezes voltava ao Piauí, outras a Deus

Mas sempre brincava com seus diabos

De repente sumiu na roda da fortuna

Virou barnabé, esquecendo da sua arte

Matou-a esquartejada, ela virou aluna

Ë bom estar ele malucando por aqui

Entre Valquírias, Marildas e Zuleides

Junto ao nosso maestro dono da whiskeria

Índio bravo que volta para apenas sentar

Comigo e o Manoel, nas cadeiras a balançar

Venha à varanda beber ou simplesmente calar

D O I S V E L H O S por jorge lescano / são paulo

O ancião maltrajado, aparentemente ébrio e surdo, a julgar pelo modo de inclinar a cabeça, deixou um pacote de supermercado sobre o banco e sentou-se à minha frente, sem me olhar. Lembrei-me dele de cócoras no umbral do açougue, lia uma folha amassada do Butantã Zeitung. Parece estrangeiro, talvez por ter os olhos claros. Encontramo-nos às vezes, ao eu andar por este lado do bairro. Suspeito que não tem moradia fixa.

Ficou alguns instantes quieto, os olhos no espaço. Depois retirou do bolso a página de jornal dobrada várias vezes e um maço de cigarros quase vazio. Notei que era da mesma marca que eu fumo, embora não fosse impossível que as marcas do maço e dos cigarros não coincidissem.

Os dedos grossos não conseguiam separar as paredes de papel. Enquanto o indicador da mão direita escarvava a abertura, a mão esquerda apalpava o maço querendo adivinhar-lhe o conteúdo. Um ou dois cigarros, não mais, concluí.

Olhávamos para frente, indecisos.

Deixei que alguns cigarros lhe caÍssem na mão espalmada. Colocou-os no seu maço e guardou o pequeno volume no bolso interno do paletó.

Por que oferecer cigarros? Porque avaliava a situação sem pedir auxílio?

Deveria ter agradecido /? Deveria ter  agradecido /? Porque lia momentos antes?

Um leitor sempre interessa, especialmente aquele para o qual a rotina parece ser a ausência do mundo. Talvez seja assim, no entanto (seu gesto de virar a página também faz parte de nossa leitura), o mecanismo (hábito?) de ler permanece. Porque se identificou com o outro num futuro não longínquo? Oferecer cigarros apenas para ter sobre o quê escrever (?). Não é improvável que este rascunho já estivesse no horizonte do gesto. Ou porque são iguais na leitura?

Ele acendeu o cigarro que permanecera oculto na mão esquerda. Depois de alguns segundos concentrado em fumar, perguntou se era quarta-feira. Confirmei em silêncio. As sombras já apagavam nossos contornos e eu mal percebia seu rosto através da fumaça. Sentia-se obrigado a conversar ou queria se comunicar com alguém?

Não esperei para saber, peguei meu jornal e o pacote com meu jantar – pão e margarina às quintas-feiras – e fui embora; minha solidariedade não inclui o diálogo. Prefiro ler  nos fins de tarde.

DE CARA CHEIA de osvaldo wronski / curitiba

Hoje acordei de bem com a vida

de fato foi o efeito da bebida

minha  velha amiga saideira

Cúmplice  a ressaca

fazendo  mais uma vítima

em legítima defesa

Tomado de cólera

arregaço as mangas da casaca

e levanto mais uma taça

Meta fora esta metáfora

melhor viver a vida

a cadáver  tida

Logo a vida toma outro rumo

sigo no sentido da seta

atingir  além da meta

Depois que desmamei

nunca mais achei um peito seguro

pra me liquidar

Vamos ao boteco

em estado  anônimo completo

beber até dar um treco

De virada tomo outro tanto

existem  varias formas

de enxugar o pranto

Oração ao “Mor” – de delinar pedrinho


.

Ó “Mor”

Espero que não fiques a pensar que meu amor por você sejas um breve acontecimento em meio ao barulho de uma queda d’agua…,.

Pra min…, o amor “Mor” é mais…, bem mais.

Amor é satisfazer a nos dois

Não satisfiz você…,.

Nem a mim…,.

Tenho certeza de que será como assim o desejas

Poderemos gozar da plenitude do amor que espero para nós dois

Assim que deixarmos de sermos dois e passarmos a ser um

Deixarmos de ser Eu e Tu para sermos Nós

Quando num abraço seu e meu, nos tornarmos impossíveis de distinguirmos um do outro…,.

Amém.

A VIDA : assim eles viram

Quando você olha para fora, você sonha, quando você olha para dentro, você acorda.” Carl Jung

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O povo nunca é humanitário. O que há de mais fundamental na criatura do povo é a atenção estreita aos seus interesses, e a exclusão cuidadosa, praticada sempre que possível, dos interesses alheios.

Fernando Pessoa.

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TOSTOI :- A maior surpresa da vida é a velhice”.

Bette Davis: – “A velhice não é feita para covardes”.

A minha velhice é definitiva, mas a sua juventude é provisória” – Bibi Ferreira falando para os jovens no Jô 11 e meia. Não sei se é verdade, mas se for, vale a pena repassar!

A única coisa necessária para o Triunfo do Mal é as pessoas de bem não fazerem nada” – (Edmund Burke, 1729-1797).

Tome partido. Neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. Silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado” –(Elie Wiesel).

“O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética.  O que mais preocupa é o silêncio dos bons” – (Martin Luther King).

Na Alemanha Nazista eles primeiro vieram buscar os comunistas e eu não falei nada porque eu não era comunista.

Então eles vieram buscar os judeus e eu não falei nada porque eu não era judeu.

Então eles vieram buscar os sindicalistas e eu não falei nada porque eu não era sindicalista.

Então eles vieram buscar os católicos e eu não falei nada porque eu era protestante.

Então eles vieram me buscar – e a esta altura já não havia mais ninguém para falar nada.” – (Pastor Martin Niemoller).

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Quem não pune o mal, ordena que se pratique o mal (chi non punisce il male, comanda che si facci)“- (Leonardo da Vinci).

NAURO MACHADO e sua poesia / são luis

Maldita a vida me seja,
três vezes maldita seja
a vida que me desastra
e que por ser-me finita,
três vezes seja maldita
e amaldiçoada madrasta.

Quem me fez como um qualquer,
dormindo aonde estiver,
saiba deste desprazer,
para sempre e desde saiba,
para que o seu Ser não caiba
na pequenez do meu ser,

que eu não pedi para estar
com minhas pernas no andar,
com minha emoção a sentir
este universo que tapa
a minha boca num tapa
e a minha língua sem Ti,

essa coisa que fede a iodo,
como a água do mar ou do
envelhecimento o rim,
essa coisa que derrama
seu púbis velho de chama
a extinguir-se quase ao fim,

corpo de Deus! Corpus Christi!
Viste-O algum dia? Tu O viste
sequer um dia como tu?
Integral e à dor exposto,
desde o cio ao suor do rosto,
desde impotente até nu?

Os meus membros são crepúsculos!
São sangue e iodo os meus músculos,
é iodo e sangue a minha cruz.
Por que não nasci não sendo?
Por que, ao amanhecer, acendo,
noutra treva, cega luz?

Se além da terra existe ar,
se além da terra ainda há
por menor que seja, um seja,
como à noite volta o dia,
como, ao corpo, o que o procria,
como, em mim, meu ser esteja!

Dentro ou fora, qual gaveta,
para que, em mim, o ser meta
quem, em mim, é este meu ser,
olho, em volta, à minha volta,
e olho nada — só o que solta
de qualquer um: quem ou o quê?

Nada é, pois tudo se sonha.
E se alguém me falar: ponha
tudo o que lhe resta, e resta
no que, ao pôr-se, se me põe,
para que em mim meu ser sonhe,
vivo morto — e a morte empesta!

Como dar à vida pôde
o nada ser que sou de
outro feito pelo ser?
De outro ser, igual a mim,
mas de outro início a outro fim,
noutra vida até morrer?

Ó envelhecer do meu estar!
Da leitura de Balzac,
de La Comédie Humaine,
se passaram tantos anos
nos malogros desenganos,
sem disfarce ou mise-en-scène.

Bela Eugénie Grandet:
sois lembrança a anoitecer
pelas tardes do meu Carmo,
quem me traz a quem não sou
na usura do pai Goriot
que me a mim dá, para dar-mo

no meu duplo a ser mais dois,
quais búfalos que são bois,
ao mar meu a ser mais mar de
ontem que ao ser-te, alma, foi-te,
nas noites que são mais noite,
nas tardes que são sem tarde.

Só me lembro das andorinhas,
que hoje são luas-vinhas
que iam e vinham às seis,
só me lembro das sequazes
na imprecisão de alguns quases,
na distância de vocês!

Róseas ruas da memória,
róseas ruas hoje escória
que a soçobrar mais me sobe,
afundai-me na lembrança
hoje cravos da criança
que meu cadáver descobre.

Como, à noite, acendo a lâmpada,
para imitar (rampa da
noite) uma inútil manhã,
como o como que mais como,
assumo, na idéia, o pomo
da primitiva maçã.

Assumo o dia original.
Nascimento à morte igual,
nascimento em morte assumo
nesta página onde, em branco,
minha vida inteira arranco
do nada em que subi. E sumo.

E sumo a sós. Mas prossigo:
“na idéia é bem maior o trigo
que na boca o próprio pão,
na idéia janto a sós, comigo,
o pão real que mastigo
feito de imaginação”.

Azul manhã em contumácia!
Negra noite, azul, te amasse
a idéia sem pensamento,
te amasse a própria Idéia
reduzida a uma hiléia
sem ar, floresta, rio, vento.

Locador de um condomínio
frustrador de um hímen híneo,
frustrador de um hímem são,
locador que loca um louco,
de carne e ossos sou reboco
deste barro em maldição.

Tudo é farsa, menor dor.
Sou, em mim, o que me sou
desde o ventre que me fez.
E contemplo a arraia, e raia
dela, como de uma praia,
a noite toda. Ei-la aqui. Eis:

andaime, sucata, ferro,
vagido, vagina e berro,
viatura e papelório,
passa tudo, e é a viatura
conduzindo à sepultura
meu ser morto. E sem velório.

Pois viu a terra e além bebeu-a,
pois viu o tempo e disse: é meu, à
solidão cerzindo a roupa
onde, se me dispo, visto
o sexo nu de algum Cristo
que, despido, não me poupa.

Dez anos de coito cego
são as metáforas que lego
à solitária da escrita,
aonde não chega ninguém
exceto o vazio que vem
de uma montanha infinita.

Ao ouvir da tarde: fracasso!,
conquanto, vergando, os braços
dissessem: pára, enfim finda!
e morre, ó alma desgraçada,
eu ousei retornar do nada,
ousei retornar ainda.

Abandona, ó rei, abandona
o abono de qualquer cona
além do sangue e da queixa.
Cerca a tua casa e a mura
com o suor da tua estatura,
e deixa o remorso, deixa-o!

Senhor do teu sofrimento,
vai-te com o diabo e o vento,
vai-te com a noite e o monte.
E fala, ainda que mudo,
que, do nada, igual a tudo,
sobre ambos nasces. E põe-te!

Elimina todo se
da pretensão de existir
na existência que é demérito,
e no não haver nascido
elimina-te existido,
elimina-te pretérito!

Eliminar o talvez.
Não saber dia, hora ou mês,
não saber até o minuto
em que me vim sendo feito
plantando a morte no peito
e o espinhaço no meu fruto.

Por que o vemeversoverbo
da herbívora erva que eu erbo
no meu plantio masculino,
inverte o chão do seu galho
arrancado do assoalho
repicando como um sino?

Ter olhos-Deus! olhos-sóis
tem-no o Deus que cego a sós,
tem-no o horizonte a pôr-se
como colírio em dordolhos,
tem-no quem me olha nos olhos
como se cego eu já fosse!

Ah!, se a pedra me fizesse
fazer-me cobrir quem desce
à região do ser meu se,
para não haver nascido
ou o houvesse enfim já sido
sem que eu dissera: nasci!

A ALMA ENCANTADORA DAS RUAS – por enéas athanázio / florianópolis


Sustentando que só flanando pelas ruas, em contato direto com o povo, se pode conhecer uma cidade, o escritor carioca João do Rio publicou, no início do século passado, um livro tão interessante quanto raro nos dias de hoje – “A Alma Encantadora das Ruas” (1908). Perambulando sem cansaço pelas ruas, praças e becos, conseguiu captar a vida urbana ao seu natural, a fisionomia da cidade, as pequenas profissões e atividades do povo miúdo, seus dramas, paixões e alegrias, tornando-se um dos mais autênticos intérpretes da alma carioca e contribuindo para que se tornasse conhecida. No seu rastro viria, pouco depois, Lima Barreto, pintor de uma paisagem ocupada por seres sofridos mas que sabem desfrutar os momentos de fugidia felicidade. E Jorge Amado, mais tarde, prestaria idêntico serviço a Salvador. Ambas as cidades muito devem à literatura; foi ela que contribuiu de forma decisiva para que se divulgasse o modo de ser de seu povo e sua filosofia de vida.

Surge agora, em outro recanto do país, um romancista de fôlego que se propõe a enfrentar idêntico desafio em relação à sua cidade de Teresina, a chamada “cidade verde.” Trata-se de Oton Lustosa, escritor piauiense que acaba de lançar o romance “Vozes da Ribanceira” (EDUFPI – Teresina – 2003), cuja ação se ambienta no bairro do Poti Velho, nos arrabaldes da metrópole e às margens do Poti, um dos rios que a banham. Escrito numa linguagem muito pessoal, com estilo próprio, o autor revela desde o início conhecer com segurança a vida daquela gente e seu modo de agir e pensar, transmitindo seu texto um retrato autêntico do meio onde batalham pela sobrevivência os oleiros, artesãos, pescadores, pequenos comerciantes, passarinheiros, proprietários, canoeiros, violeiros e cantadores, não faltando malandros, traficantes, jagunços, prostitutas e todo um ror de figuras entregues às mais variadas e estranhas ocupações. Desse meio buliçoso, barulhento e colorido ele compõe uma poesia que brota das águas do rio, do barro, da alma do povo, enfim.

O tema central do romance é desenvolvido em torno da gente humilde que habita o bairro, vítima da costumeira exploração pelos mais aquinhoados ou mal intencionados que existem em toda parte. Para complicar o quadro, surge ali um elemento estranho, perturbando os espíritos e gerando suspeita, na pessoa do “hippie” oriundo do Recife, cujo passado misterioso intriga a “autoridade” e fascina o povo. Artesão habilidoso, músico e, ainda por cima, poeta – reúne tudo que possa inquietar o coração do soldado que impava de orgulho por ser “nobre e descendente do Visconde de Parnaíba”, cuja maquinação junto a um investigador que farejava “subversivos” em todos os cantos acaba por levá-lo à prisão, e, depois, à fuga para local desconhecido, episódio em que contou com a solidariedade silenciosa dos moradores do bairro. Além disso, seu porte atlético, suas tatuagens e seus versos acalentavam os sonhos secretos das moças e acabaram por seduzir uma radialista cujo programa tinha intensa penetração popular. Ele “faz um pacto de amor com o rio de águas barrentas”, o que implica em dizer com o povo ribeirinho.

No desenvolvimento da trama o autor se movimenta com desenvoltura, colocando no cenário um sem número de outras figuras, situações e episódios que revelam um mundo ativo e complexo na sua aparente singeleza, onde explodem conflitos, maiores ou menores, nos quais todos se envolvem, muitas vezes com paixão.

Entre tais episódios, chamam atenção a rivalidade entre adeptos de crenças diferentes, esboçada de forma clara na festa de São Pedro, o santo pescador, e a procissão aquática em que os seguidores de outras seitas não deveriam participar, ainda que seus santos fossem os mesmos, provocando intermináveis discussões. A criação da Oficina do Barro, organizando as artesãs numa espécie de cooperativa que permite a produção de um artesanato de luxo e a melhoria dos rendimentos das que lidam com a “massa peguenta do barro.”As “coroas” do rio, onde medram plantas passageiras, enquanto as águas não vêm, amores fugazes e encontros suspeitos, observados, talvez, pelo Cabeça-de-Cuia, o pescador Crispim, cuja lenda povoa o imaginário local. A procissão pelo rio, capitaneada pela majestosa lancha “Sereia”, luzidia e enfeitada, compondo uma cena de cinema. A festa, o baile, os desafios dos repentistas, as comidas típicas e as bebidas fortes, as músicas, o permanente temor das enchentes, a preocupação com o desmatamento, os incêndios, as invasões de terrenos e a inevitável presença do latifúndio a sugar arrendatários. Dramas e alegrias de um povo miúdo e sofrido, ligado ao rio por um amor carnal, físico, e que fez um pacto de amor com a cidade desenhada no horizonte, da qual todos se sentem integrantes. Nada escapou ao autor na pintura desse cenário repleto de vida, luta e esperança.

Acentuando a autenticidade do ambiente, o autor lança mão de termos e expressões locais, embora bem dosadas, evitando o exagero e a caricatura. Revela riqueza de imagens, algumas de cunho popular e de uso comum nas ruas: “todo lorde” (elegante), “alisado de mão” (carícia), “moças oferecidas”, “o rio a lamber as raízes”, “o rio manso é ginete marchador”, “em riba das canoas”, “no colo da terra”, “galego”, “quicé”, “gungrene” etc., e assim fixando ainda mais o romance ao chão teresinense.

Concluindo, direi que o romance de Oton Lustosa é convincente e bem escrito, contribuindo para que sua cidade seja melhor conhecida e, em conseqüência, amada. Não temo em afirmar que Teresina ganhou o seu romance. Como dizia Câmara Cascudo, “bata o Piauí nas tábuas do peito: ganhou um grande escritor brasileiro!”

A TERRA DO QUASE por sérgio da costa ramos / florianópolis

Florianópolis não é apenas a Terra-do-Já-Teve. É também a do Quase-Teve.
Quase tivemos três pontes em 20 anos. A Colombo Salles seria dupla, em 1974. A Pedro Ivo, em 1989, seria a terceira.

O atual governo “quase” reformou a ponte Hercílio Luz. Faltou consertar o principal – os tirantes que sustentam as pistas sobre o vão livre de 340 metros.

Quase tivemos o Grande Hotel da Ponta do Coral. Quase tivemos a ligação Ilha-Continente, ao sul, do Pântano do Sul a Paulo Lopes.

Quase tivemos vários “Quase”. Como a moderníssima Arena Florianópolis para a “Quase” Copa do Mundo de 2014.

A Ilha “Quase-Teve”, em outubro de 1994, um transporte coletivo marítimo, embora o seu principal instrumento se revelasse inadequado: os barcos selecionados foram “catamarãs” – e não “ferries”.

Os terminais que seriam servidos pelas novas linhas – nas Baías Sul e Norte, Ponta do Leal e São José – não foram construídos, a não ser um atracadouro “experimental”, às margens do aterro da Prainha, fundos do atual Centro de Convenções. Tratado com amadorismo, o projeto não “navegou” para fora do papel, revelando-se mais um “factoide”.

No início do século 20, pré-ponte Hercílio Luz, as lanchas venciam a distância entre o Miramar e o trapiche da Florestal em 12 minutos, desde que o mar estivesse calmo. Do Estreito para a Ilha, em dias de vento sul, a navegação se baldeava para a baía norte, nas enseadas abrigadas do velho vento de Cruz e Sousa.

Os “lanchões” viveram os seus dias de glória em plena belle-époque, de 1878 até a inauguração da ponte, em 13 de maio de 1926, às 13 horas, quando o governador em exercício, Antônio Vicente Bulcão Vianna, descerrou a fita da grande obra de Hercílio Luz.

O serviço de “travessia” do canal funcionava das sete da manhã até as oito horas da noite, durante o inverno. No verão, a última lancha zarpava às nove da noite. Havia um “quê” de romantismo nesse “último ônibus das 9”, os casais iluminados pela luz bruxuleante dos candeeiros da lancha “Zury”, refletindo seu lume nas marolas do Miramar – o que emprestaria à cena um certo parentesco com um embarque no Grand Canale de Veneza.

O transporte pelo mar, numa época de engarrafamentos selvagens e deslizamentos de encostas, merece o estudo sério e o empenho dos governantes, à margem dos habituais “factoides” pré-eleitoreiros.

San Francisco, Nova York, Barcelona, Marselha, Lisboa, Atenas, Nápoles, Hong-Kong, Istambul, Londres, Rio de Janeiro – não há cidade marítima, lacustre ou ribeirinha que despreze a líquida estrada que o Senhor espalhou pelos sete cantos do Mundo.

Além de ser belo, o mar é econômico, ajuda a desafogar o trânsito em terra firme – e, o melhor de tudo – não enriquece as empreiteiras de sempre.

FLOR DO VENTO de otto nul / palma sola.sc

Colho a flor

E o vento

Numa paisagem

De desalento

No espaço

Em que mora

A flor do ar

Inusitada

A flor do nada

Sob a aurora

Todo o esplendor

Que súbito aflora

A flor do mar

Na fanada hora

“FINANCIAL TIMES: LULA é uma das 50 pessoas que MOLDARAM a DÉCADA” / usa – …e os DEMOS e TUCANOS permanecem “chorando” na mídia brasileira. FHC, o poliglota, jamais recebeu UM reconhecimento como estes da ESPANHA, FRANÇA, ALEMANHA e ESTADOS UNIDOS .

Lula é uma das 50 pessoas que moldaram a década, diz ‘Financial Times’

Segundo jornal, presidente combina ‘charme e habilidade política’; lista conta ainda com políticos, artistas e empresários.


Da BBC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido pelo jornal britânico “Financial Times” como uma das 50 personalidades que moldaram a última década.

Segundo o diário, Lula entrou na lista porque “é o líder mais popular da história do Brasil”.

“Charme e habilidade política sem dúvida contribuem (para sua popularidade), assim como a baixa inflação e programas de transferência de renda baratos, mas eficientes”, diz o jornal.

“Muitos, inclusive o FMI, esperam que o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo até 2020, trazendo uma mudança duradoura na ordem mundial.”

Vilões

Ainda no campo da política, o FT também destaca como as personalidades mais influentes da década o presidente do Irã, Mahmoud Ahamadinejad; o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; a chanceler alemã Angela Merkel; o ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin; e o presidente da China, Hu Jintao.

O jornal selecionou também o que chamou de “alguns vilões” que acabaram por determinar o curso da história destes últimos dez anos, como o líder da rede al-Qaeda, Osama Bin Laden, e o ex-presidente americano George W. Bush.

A lista do FT também inclui personalidades das áreas de negócios, economia e cultura. Muitas delas refletem o crescimento e o fortalecimento da internet e das novas tecnologias, como os empresários Jeff Bezos, da loja virtual Amazon; Meg Whitman, do eBay; Larry Page e Sergey Brin, do Google; Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams, do Twitter; Mark Zuckerberg, do Facebook; e Steve Jobs, da Apple.

Outras figuras foram eleitas pelo jornal britânico pelo mérito pessoal de terem se tornado ícones mundiais em suas áreas, como a escritora JK Rowling, autora dos livros do personagem Harry Potter; o jogador de golfe Tiger Woods; a apresentadora americana Oprah Winfrey; o diretor japonês de desenhos animados Hayao Miyazaki; o produtor de TV John De Mol, criador da fórmula do Big Brother; e os astros da música Beyoncé e Jay-Z.

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manchete após as “aspas” é do site. foto livre também deste site.

MAS COMO? de rosa DeSouza / florianópolis


Quantos olham riachos pensando em mar.

Caminhantes de pedras ásperas, grãos de areia.

Cama turbulenta de jasmim… alergia.

A invejavam tanto. Se inspiravam romanceando.

Mas como? Que mais queria?

Aquilo que fazem no casebre pintado de branco.

Soleira ensolarada de flores silvestres, aquecendo o pé.

Degrau que eleva o chão a um finito sem fim.

Cama perfumada de rosmaninho.

A questão não é ser ou ter, mas dar.

Não há barcos no horizonte. O mar murchou.

Chuva no cimento. Terra inundada de sede.

POEMA PARA O ANO NOVO de philomena gebran / curitiba

E por que…

Ainda há flores

Desabrochando no campo

Ainda há cores

Ardentes no sol poente

Ainda há luas de

Fogo, crescentes

Ainda há crianças

Sorrindo ingenuamente

É que tentamos esquecer

A lama a podridão

A impunidade

Vigentes

As catástrofes nacionais

E internacionais

A crise rolando universal,

A violência global.

Ousando pensar que

Cada Novo Ano

Ainda conseguimos

Mais uma vez

Abrir o coração

Acordar a esperança

E sonhar

Um mundo melhor

Para todos nós

E para a humanidade em geral.

Algumas Reflexões sobre a História do Haiti e Suas Durações – por maria clara carneiro sampaio

O historiador norte-americano Eric Foner escreveu sobre a independência do Haiti (no início do século XIX): “A espiral econômica descendente que deixou o Haiti como uma das nações mais pobres do hemisfério pareceu também demonstrar a muitos observadores do século XIX que uma nação camponesa de ex-escravos leva necessariamente ao desastre econômico”.

A lição que Foner depreendeu da experiência dos haitianos, entretanto, não foi o que observadores do séculos XIX, XX e XXI ainda parecem ver na miséria da ilha. O que Foner quis demonstrar não é o que inconscientemente ficou cristalizado no pensamento racista dos oitocentos (e dos novecentos e dos anos 2000), que é, a grosso modo, que a experiência de uma nação de negros ex-escravos jamais poderia alcançar contornos políticos, sociais e econômicos desenvolvidos. Nessa linha, conclui o autor: “Nascida da revolução escrava, a república negra representava uma ameaça permanente para as sociedades escravocratas no Novo Mundo e para os impérios do Velho. Por esse motivo o Haiti era tratado como um pária pela comunidade internacional”.

Se depois do terrível terremoto e do caos humanitário já se sabe bem mais sobre ilha; se já a reconhecemos mais facilmente dentre o emaranhado de ilhas do Mar do Caribe, muitos de nós ainda desconhece esse outro lado interessante da história do país, talvez porque ainda concebemos o Haiti como “pária internacional”. O irmão negro e mais pobre na América. Se desde a independência até hoje mais de 200 anos se passaram, algumas das circunstâncias dela ainda ecoam na forma como o país conduziu sua vida política e econômica até aqui.

O Haiti, que ocupa a parcela ocidental de uma das maiores ilhas da região, já foi a jóia das Antilhas no século XVIII, sob domínio colonial da França. Seguindo o padrão econômico mais ou menos uniforme das Américas, o Haiti foi um dos maiores exportadores de açúcar, dentre outros gêneros como o algodão e o café, da época. Esse padrão, a grosso modo, envolveu o privilégio do cultivo de itens valorizados no mercado internacional, cultivo esse feito em sua maioria em propriedades rurais de grande porte e com grande incidência do emprego de trabalho escravo de origem africana em larguíssima escala.

Se no início do século XVIII a realidade do Haiti – chamada então de Saint-Domingue – parecia-se muito com as realidades das ilhas vizinhas, e mesmo de colônias continentais, as últimas décadas dos anos setecentos fizeram dela uma das primeiras nações a se separar da metrópole nas Américas. Embora os conflitos entre escravos e senhores – colônia e metrópole – tenham começado antes do início do século XIX, tendo a notável e complexa figura de Toussaint L’Overture como o grande articulador da abolição da escravidão na ilha, o ano simbólico da independência do país é 1804 – quando L’Overture já havia sido preso e morrido – devido a declaração de independência de Jean Jacques Dessalines.

Embora tenhamos o exemplo dos Estados Unidos, cuja declaração de independência da Inglaterra é de 1776, o caso do Haiti é especial porque sua conturbada independência envolveu justamente a abolição geral e irrestrita da escravidão, abalando os dogmas do trabalho cativo como base produtiva de grandes porções do território das três Américas. Até mesmo a porção sul dos recém-independentes Estados Unidos ainda utilizavam o trabalho escravo de origem africana como um de seus pilares de produção. Era a primeira colônia, ex-colônia, que abolia a escravidão negra em todo seu território.

A abolição da escravidão no Haiti e sua independência, entretanto, preencheram processos sociais longos e violentos, cujas conseqüências podem ainda se perceber. No final do século XVIII, a realidade social das colônias francesas no Caribe, mas especialmente no atual Haiti, era a de uma maioria esmagadora de escravos mantidos majoritariamente nas fazendas, de uma pequena elite – branca – proprietária dessas fazendas e dos escravos, e uma incipiente massa de libertos, mestiços e livres.

Com a simbólica queda da Bastilha em Paris, em 1789, a França mergulhou em sua Revolução, se vendo obrigada a afrouxar o controle militar das colônias na América, por estar ela mesmo afundada em terrível guerra civil. Se por um lado, a situação política e fática da metrópole contribuiu para que os escravos antilhanos de diversas ilhas acirrassem sua resistência à escravidão e lutassem pela liberdade, é preciso pensar que o fim da escravidão nas Américas, no atual Haiti, foi uma luta não só cotidiana e pessoal ao longo dos séculos, mas também foi uma revolução de idéias de liberdade que tomavam o pensamento e as armas na França revolucionária, mas que também se expressava nas pequenas e grandes ações por todo o Novo Mundo.

A emancipação e independência no Haiti conseguiram resistir às tentativas dos exércitos de Napoleão – e de outras metrópoles, como a Inglaterra – de restabelecer a escravidão em suas colônias (e que obtiveram sucesso na Martinica, por exemplo). A luta dos haitianos para construir sua identidade nacional e reconstruir seu país depois de tantas sangrentas batalhas ainda estava por encontrar as maiores dificuldades nos anos por vir.

Se a base econômica do país sempre fora a agricultura de exportação, uma vez aniquilado ou exilado o grupo social dos proprietários de terras e escravos, manter o mesmo nível de exploração dos então recém-libertos para manter a produção haitiana competitiva no mercado internacional não condizia mais com as aspirações dos milhares negros que experimentavam a liberdade pela primeira vez. Os haitianos em sua maioria tendiam a fugir das fazendas nas quais haviam trabalhado como escravos e procuravam encontrar novas localidades para se restabelecer, através da agricultura de subsistência ou da produção para o crescente mercado interno.

As terras passaram a ser controladas pelo estado e políticas sucessivas de trabalho forçado foram impostas nas décadas seguintes na tentativa de manter a agricultura de exportação como estrutura da economia. A despeito da violência e das iniciativas de manter o país como grande exportador de produtos primários a realidade econômica haitiana obedeceu uma lógica decrescente por todo o século XIX, marcada pela evasão da população das grandes propriedades estatais e pela emergência de um campesinato. Campesinato esse que se afastava cada vez mais dos desejos do Estado em manter as grandes propriedades exportadoras.

A experiência da independência parecia, portanto, a prova real de que os negros, camponeses, jamais conseguiriam construir um país com instituições políticas complexas. O que muitos deixaram de fora de suas reflexões foram os empecilhos que as grandes potências metropolitanas da época impuseram ao recém-independente estado. O reconhecimento diplomático do Haiti foi um processo demorado e custoso. Com poucos anos de liberdade o país já sofria um encargo econômico irrazoável de indenizar os fazendeiros franceses expulsos. E para além da dívida externa o Haiti ainda foi submetido à quarentena de seus parceiros comerciais de longa data, circunstâncias que criavam um abismo cada vez maior entre o Estado haitiano e a população.

Uma nação independente de negros nas Américas colocava em perigo o delicado equilíbrio entre senhores e escravos de todas as localidades, bem como, colocava em cheque a estrutura de economia exportadora de bens primários. Tão perigosa parecia a revolução de idéias abolicionistas no Haiti, quanto haviam sido as sangrentas batalhas contra os exércitos de Paris. A idéia de um país de ex-escravos em um mundo mergulhado na escravidão era assustadora não só para a Europa, mas para as elites escravocratas de toda América.

Um dos resultados da revolução haitiana foi a falta de interesse da comunidade internacional em restabelecer laços comerciais e culturais. E se não bastasse todo o medo internacional que mais revoluções escravas pipocassem no mundo atlântico, já no século XX os interesses imperialistas apenas se renovaram na ocupação militar dos Estados Unidos entre os anos 1915 e 1934, em mais uma tentativa relativamente frustrada de refazer a estrutura de imensas propriedades voltadas para a exportação. Ainda assim a experiência de séculos de exploração intensa da população nessas grandes propriedades parece ter pairado como uma sombra nefasta empurrando os haitianos a resistir em suas pequenas propriedades por todos os confins do território, a despeito dos projetos de sucessivos governos mais ou menos estáveis de reinstalar o regime econômico da grande propriedade exportadora.

Assim como o século XIX, o século XX tem seus próprios processos históricos, mas é impossível negar o vácuo criado entre a experiência de luta pela liberdade dos haitianos e a construção de seu Estado, por vezes preocupado em re-inserir a nação nos mesmos moldes de nação exportadora de bens primários da sua pré-revolução.

O descompasso entre um projeto social de liberdade e um projeto estatal de sobreviver através de um comércio internacional enforcado pelos antigos e novos parceiros comerciais, abrem brechas para se refletir sobre a continuidade desses conflitos do século XIX. O Haiti do século XX viu ditaduras violentas após o fim da ocupação norte-americana, talvez confirmando essa separação entre um projeto social camponês, duramente reprimido, e um Estado instável, incapaz de construir instituições políticas sólidas e um projeto nacional conciliador.

Maria Clara Carneiro Sampaio é bacharel em Direito pela PUC-SP, bacharel e mestre em História pela USP. O seu mestrado foi sobre projetos de colonização (expatriação) de ex-escravos norte-americanos na Amazônia Brasileira, proposto no Governo Lincoln. Atualmente, faz doutorado no Programa de História Social da USP. A sua pesquisa amplia o estudo do mestrado, para propostas semelhantes feitas simultaneamente para diversos países da América Latina, inclusive Haiti.

bairro da capital PORT-AU-PRINCE antes do terremoto.

OS ANCESTRAIS e os PLANOS VIBRATÓRIOS marcelo debbio / são paulo

Os Ancestrais e os Planos vibratórios
Em todas as mitologias de todos os povos do planeta, sem exceção, existem contos e textos descrevendo o encontro de seres do Plano Material com seres do Plano Astral. Chamados pelos profanos de Fantasmas, Assombrações, Espíritos, Encostos, Poltergeists, Kamis, Veneráveis, Ancestrais e outros infindáveis nomes, estes seres são basicamente pessoas EXATAMENTE como nós; apenas estão em outra faixa de vibração, indetectável para a maioria das pessoas. Entendendo este princípio simples, fica muito fácil de explicar todos os fenômenos ditos “paranormais” ou “sobrenaturais”…

Para entender como todo este processo de Diferentes Vibrações funciona, vamos fazer uma analogia simples, Analisando nossos cinco sentidos: Em nossa visão, detectamos uma faixa de vibrações do espectro que vai do vermelho ao violeta. Abaixo desta faixa, temos o chamado Infravermelho e acima o Ultravioleta, cores que existem, mas somos incapazes de detectar. O primeiro aparelho capaz de detectar infravermelho foi construído a menos de dois séculos, mas graças às telecomunicações, esta é uma das áreas da ciência ortodoxa que mais avançamos nos últimas décadas.

Nos sons, temos uma faixa audível para o ser humano entre 20Hz e 20kHz. Abaixo deste valor temos os chamados Infrasons e acima disto os chamados Ultrassons, que os seres humanos não são capazes de detectar.
Nos gostos, além dos 4 sabores tradicionais (salgado, doce, azedo e amargo), os cientistas descobriram um quinto sabor, já conhecido há muito tempo pelos orientais com o nome de Umami e recentemente cientistas descobriram que alguns ratos são capazes de sentir um sexto tipo de sabor. Ainda há muito debate sobre isso e os cientistas não chegaram a nenhum acordo a respeito disso, mas sabe-se que existem sabores que não são detectados pelo paladar humano, apenas por alguns animais.
Nos cheiros, existem odores que o ser humano consegue captar e outros que não consegue detectar (chamados ferormônios). O estudo nesta área ainda está engatinhando e mal se projetam aparelhos capazes de detectar odores para uso prático, como detectar explosivos, drogas e outros aparelhos. Nos dias de HOJE, o melhor aparelho para se detectar explosivos continua sendo um cachorro. Ou seja, a ciência ortodoxa não é capaz de detectar com precisão nem ao menos odores ou gostos, quanto mais matéria sutil como a Luz Astral e o Pensamento.
Finalmente chegamos ao tato. Sabemos através de Eisntein que a matéria é energia, coisa que os antigos ocultistas conheciam há milênios (apenas usavam palavras diferentes para expressar a mesma idéia). Todos os objetos considerados “sólidos” são, na verdade, grandes vazios eletromagnéticos compostos de cargas positivas e negativas, que por estarem no mesmo plano de vibração, seus campos eletromagnéticos as repelem, causando a sensação de “físico” que possuímos ao tocar em um objeto “sólido”. Mesmo assim, existem partículas que são tão pequenas que nossos instrumentos não são capazes de pesar, como os Neutrinos (e somos bombardeados o tempo todo por milhões deles por segundo, vindos do Sol).

Os Sete Corpos
Para os ocultistas, os seres humanos possuem sete corpos. A saber: O Corpo Físico (este de carne e osso), o Duplo Etérico (que possui uma infinidade de nomes, de acordo com a tradição estudada: perispírito, campo etérico, corpo vital, biossoma, corpo ódico, corpo bioplasmático, prânamâyakosha, Veículo de Prana, etc). O Duplo etérico faz a ligação entre nossos corpos mais sutis e o nosso corpo físico, adotando a mesma forma que nosso corpo físico. Estudar o duplo-etérico é extremamente importante para compreendermos a maioria das lendas a respeito de fantasmas e assombrações.
Depois dele vem o Corpo Astral propriamente dito. Aquele que se desdobra nas projeções astrais e que permanece ligado ao físico pelo chamado cordão de prata. Os espíritas chamam este corpo de “alma”, os gregos chamavam de Psique.
O Quarto corpo é chamado Corpo Mental. Aqueles que supõe que a mente é o cérebro estão totalmente equivocados. A mente é energética, pode permanecer independente da matéria densa, pois é um corpo à parte, constituído de matéria mental. A mente elabora os pensamentos que se expressam por meio de cérebro. Pensamentos, mente e cérebro são três coisas totalmente distintas. Como o Kentaro demonstrou em umacoluna antiga, entre o ato de se desejar um movimento e o corpo físico efetivamente se movimentar, há um pequeno intervalo de tempo, necessário para se passar a informação da mente para o corpo astral, para o duplo etérico e finalmente para o corpo físico. O cientista Benjamin Libet chamou isso de “potencial pré-motor”.

Desta maneira, a razão converte a mente em um campo de batalha. O processo de racionalização extremada acaba rompendo as delicadas membranas do corpo mental, aprisionando-os no corpo físico (ver texto sobre Hod). Segundo a filosofia oriental e gnóstica, o pensamento deve fluir silencioso sereno e integralmente, sem o batalhar das antíteses (ver Netzach).
O corpo mental pode viajar através do tempo e do espaço, independentemente do cérebro físico. Em um determinado processo do estudo esotérico, o discípulo aprende a se desdobrar em corpo astral. Já em corpo astral, aprende a abandonar este corpo e a ficar no corpo mental. De acordo com a Teosofia, o corpo mental da raça humana encontra-se no início de sua evolução, estando quase que completamente desorganizado (chamado corpo mental lunar).
Corpo Causal (ou da Vontade) é o chamado quinto corpo e vem a ser o veículo da alma humana. No ser humano comum, este corpo ainda não está formado, tendo encarnado dentro de si mesmo apenas uma fração da alma humana. Tal fração é denominada “essência” e no zen budismo japonês “Budhata”. É a Lua dos Alquimistas, a princesa dos contos de fadas, que precisa ser libertada dos castelos do Mundo Material.
Podemos e devemos estabelecer diferença entre o seu corpo da vontade de seres humanos comuns e correntes, do tipo lunar e o corpo da vontade consciente de um Mestre. O legítimo corpo da vontade permite ao adepto realizar ações nascidas da vontade consciente e determinar circunstâncias. O Corpo Causal é a tal “força de vontade” que os leigos tanto apregoaram em filmes como “o Segredo”. É através deste corpo que materializamos nossas “telas mentais” para a realização de desejos.
O sexto corpo é chamado de ” Budhi ” ou Alma Divina. É um corpo totalmente radiante que todo ser humano possui, porém, ao qual ainda não está intimamente ligado. É Tiferet na Kabbalah, o “Espírito Crístico” de Jesus, o deus-solar dos Antigos e o Sol do Casamento alquímico dos hermetistas. É o cavaleiro de Armadura Brilhante dos contos de fadas. Quando desenvolvido plenamente, faz com que nos tornemos verdadeiramente iluminados.
O sétimo corpo é chamado Átmico, Atman ou Atmã. Chamado também de o Deus interno, o real ser, o íntimo de cada um, o EU SOU.
Atman, em si mesmo é o ser inefável, o que está além do tempo e da eternidade. Não morre e nem se reencarna, é absolutamente perfeito. Atman se desdobra na alma espiritual, esta se desdobrando na alma humana, a alma humana se desdobra na essência e essa essência se encarna em seus quatro veículos (corpo físico, etérico, astral e mental), se veste com eles.

Isto colocado, podemos entender o primeiro deus Psycopompo: Thanatos, o Deus dos Mortos. O Plano Astral é a morada daqueles que ainda não encarnaram ou que estão em fase intermediária entre duas encarnações.
Quando uma pessoa morre (ou “desencarna”, ou “passa para o oriente eterno”, como preferirem), ela abandona seu corpo material e permanece no Astral com seus seis corpos sutis, na forma que seu duplo-etérico (perispírito) possuía quando faleceu. Neste ponto de nossa trama, existem MUITAS histórias e possibilidades. Estas pessoas são chamadas de “Espíritos” pelos kardecistas e são eles que se comunicam na maioria das vezes em sessões mediúnicas. Eles também formam os “encostos”, “assombrações”, “fantasmas” e outros.
Após algum tempo no Astral, os mortos abandonam seu duplo etérico, que se dissolve, e permanecem apenas com seu Corpo Astral, que vai para Planos de Consciência mais sutis, onde recebe outro duplo-etérico na ocasião de um novo nascimento. Quanto mais evoluído é o espírito, menos tempo ele passa na forma de seu Perispírito.

Cascões Astrais
quando o duplo-etérico é abandonado, ele pode resultar nos chamados cascões astrais, que são formas vazias possuidoras da imagem de alguém que faleceu recentemente. Muitas vezes estes cascões astrais podem ser habitados temporariamente por elementais (muitas vezes as imagens projetadas em centros espíritas não são na realidade a pessoa falecida, mas apenas o cascão astral dela, animado por um elemental). Os ocultistas chamam estes seres de Doppelgangers.

“Eles se movem por ai, como pessoas normais. Vêem o que querem ver, e não enxergam uns aos outros”
No Plano Astral, o duplo etérico funciona EXATAMENTE como nosso corpo físico, limitado apenas pelo nosso subconsciente. Se uma pessoa acredita que a parede é sólida, então ela se torna sólida para ele. Se é um iniciado e sabe que pode atravessar uma parede, então ele assim o fará (mas como veremos a seguir, a imensa maioria dos habitantes do astral é tão ignorante quanto suas contrapartes do Plano Físico). A Vontade (Thelema) é o que realmente comanda dentro dos Planos sutis. As pessoas que sabem como Yesod funciona rapidamente se tornam “chefes” das massas ignorantes de espíritos.

I see dead people
No Astral, as pessoas enxergarão aquilo que estiver na mesma freqüência de vibração que elas; muitas vezes não saberão sequer que estão mortos. Já tive experiências de resgate em que as pessoas simplesmente não acreditavam que haviam morrido. A senhora havia falecido durante o sono e achava que seus netos e filhos apenas não prestavam mais atenção a ela…
Alguns animais (gatos especialmente) são capazes de sentir estas vibrações. Crianças e sensitivos também enxergam dentro de algumas faixas do Astral. O nome que se dá para as pessoas que possuem estas faculdades é Clarividente (antigamente chamados de médiuns-videntes) embora existam também Clariaudientes (que escutam), olfativos (que sentem cheiros) e táteis (que sentem impressões). Hoje em dia termos como “videntes” não são muito utilizados, pois acabaram se tornando associados a charlatões e vigaristas.
Importante ressaltar que estas faculdades não estão necessariamente conectadas entre si: Um médium pode incorporar (usando a psicografia, psicofonia e etc) e não ter clarevidência nenhuma, por exemplo.
Problemas de esquizofrenia são frequente em médiuns ostensivos, que possuem a capacidade física da mediunidade. A glândula pineal manda toda essa carga de informações para o hipotálamo e afins, assim surgindo vários problemas. O médium treinado recebe essas informações pelo lobo-pré frontal, o a parte cerebral que lida com a ética humana (Dr. Sérgio Felipe de Oliveira).

Enxergar o Astral, exige um misto de habilidade nata e treino. Há pessoas que nascem com este dom (assim como pessoas nascem daltônicas, ou seja, enxergam menos cores no espectro, outras nascem clarividentes e enxergam uma gama maior de frequencias vibratórias) enquanto outras precisam treinar por anos a fio para desenvolver estas faculdades.
Existem alguns facilitadores para despertar estes processos. Um deles é o vegetarianismo. Limpar o corpo das impurezas energéticas contidas na carne facilita o despertar destes sentidos; não beber, não fumar e manter o corpo sem relações sexuais por alguns dias também vai facilitar o processo (não apenas disso, mas de projeções astrais também).

Fantasmas, Vampiros e Aparições
Antigamente, as pessoas se alimentavam com comidas mais limpas, sem toxinas, agrotóxicos, venenos, sabores artificiais e conservantes químicos, e possuíam mais propensão ao contato mediúnico. A explicação ridícula que se ouve por ai é que as pessoas de antigamente eram mais burras ou supersticiosas, ou esquizofrênicas, por isto acreditavam em fantasmas. Como já foi demonstrado e provado inúmeras vezes, a maioria dos casos de “loucura” nada mais é do que mediunidade exacerbada somada a ignorância cética. Os astrólogos de antigamente chamavam a casa 12 no Mapa Astral de “Casa dos Loucos” porque constatavam que a grande maioria dos internos dos institutos depsiquiatria possuíam muitos planetas no signo de Peixes nesta casa.
No campo, onde a alimentação e o ar eram mais saudáveis, estes efeitos de contato entre o Material e o Astral eram mais freqüêntes e algumas pessoas conseguiam enxergar os espíritos obsessores agindo. Destes contatos surgiram as lendas dos vampiros, lobisomens e bruxas voadoras.
Vamos explicar algumas das características dos vampiros de maneira científica:
1) Obsessores são entidades astrais que se conectam à pessoas vivas com o objetivo de sugarem fluidos sutis. Um corpo astral não é capaz de fumar, nem de obter prazer a partir da ingestão de nicotina, mas pode se “encostar” em uma pessoa e, através dochakra Umeral (um chakra que fica na parte de trás da nuca), absorver as sensações de prazer que o fumante possui quando traga um cigarro. Este processo de fluidificação é o mesmo usado pelos kimbas (espíritos trevosos) para absorver o sangue de um sacrifício ou a comida de um despacho de macumba (explicarei sobre isso mais para a frente). Obsessores também se “alimentam” de sensações: alegria, tristeza, dor, saudade, raiva… boa parte dos casos de DEPRESSÃO nada mais são do que obsessores que incitam estas sensações na pessoa para depois se alimentarem delas.
Por precisarem estar literalmente acoplados energeticamente em suas vítimas, os kardecistas os chamaram de “espíritos obsessores”, os espiritualistas chamam de “espíritos encostados” e os toscos dos evangélicos adaptaram a expressão para “encostos”. Da posição de “sugar o pescoço” surgiu a lenda que vampiros mordem o pescoço de suas vítimas.
2) Estas entidades existem apenas no Plano Astral. Quando um vidente as enxergava diante do espelho, via apenas a criatura, mas não seu reflexo (pois o espelho reflete apenas o Plano Material). Disto vem a lenda de que os Vampiros não possuem reflexo em espelhos.
3) as entidades mais baixas são constuídas de miasmas astrais (restos energéticos que compõem os cascões usados por estes seres para se manifestar no Astral, de maneira semelhante ao duplo-etérico) e a luz solar dissolve estes miasmas. Disto surgiu a lenda que vampiros queimam no sol, pois seus cascões astrais são literalmente DISSOLVIDOS pela luz solar (você nunca reparou que pessoas depressivas evitam ao máximo a luz solar?).
4) Água Lustral também é outro material que afeta o Plano Astral. Água Lustral é feita a partir de sal marinho e água (água do mar também serve). É o motivo pelo qual os Orixás recomendam tanto banhos de mar para ajudar em problemas espirituais, além de ser um dos locais mais fortes para despachos. Surfistas, nadadores, mergulhadores e pessoas que trabalham com o mar também concordam com a sensação de limpeza que o mar traz quando se lida com ele. A Igreja Católica, que tudo copia, também apoderou-se da água lustral, só que a chama de “Água Benta”. Ao utilizarmos água lustral em nossos rituais, dissolvemos as miasmas astrais. Disto resultou na lenda de que vampiros são afetados por água benta. Ela literalmente corrói a “pele” dos obsessores e cascões astrais. Também explica a lenda de que os vampiros não podem cruzar água corrente.
5) símbolos religiosos, assim como a baqueta ou “varinha mágica”, são canalizadores da Vontade (Thelema) do ocultista. Através dele, podemos forçar nossa vontade a dissolver o miasma dos cascões astrais e forçar a entidade para fora do cascão que está acoplado na pessoa (esta é uma das bases do Exorcismo, que explicarei em posts mais adiante). Já sabendo disso, estas entidades se afastam da presença do mago. Por isto que se diz nas lendas que “a cruz só funciona com quem acredita nela”. A Baqueta, quando atravessada no cascão astral, também dissolve completamente o miasma. Por isso dizem que vampiros tem medo do crucifixo. A baqueta de madeira atravessando o corpo do obsessor também é a origem da “estaca” matando vampiros.
6) Igrejas e Templos (rosacruzes, maçônicos, thelemitas…) normalmente possuem egrégoras e rituais especiais que impedem a presença deste tipo de criatura. Dizemos que o templo “está coberto” contra a presença destas entidades. Por esta razão, as lendas dizem que demônios, assombrações e vampiros não podem pisar “solo sagrado”.
7) Obsessores e obsediados mantém uma relação de harmonia vibratória entre eles. Um espírito obsessor só consegue permanecer em um local onde haja uma afinidade emocional ou vibracional, caso contrário eles não serão capazes de acoplar ou serão mantidos afastados. Disto surgiu a lenda de que vampiros só podem entrar em um local se forem convidados (valeu pela lembrança, Thahy).

Uma das coisas mais interessantes sobre as lendas dos vampiros é que Bram Stoker, o escritor que imortalizou o Drácula, era membro da Golden Dawn, uma ordem iniciática muito conhecida no começo do século XIX. Quando ele colocou estas características em seu romance, ele sabia muito bem sobre o que estava escrevendo.

A DIMENSÃO DA TRAGÉDIA por hamilton alves / florianópolis

Toda a tragédia, menor ou maior, é, de certo modo, portadora de lições.

A do Haiti, em número de mortos e desolação geral, transformada a cidade de Porto Príncipe a escombros, que levará certamente tempo para se recuperar, é talvez das mais dramáticas conhecidas nos últimos tempos.

Nela perdeu a vida uma verdadeira heroína, mulher devotada à causa dos pobres e dos mais flagelados da vida, especialmente de crianças, ela que era formada em medicina na área de pediatria, dona Zilda Arns (ou santa Zilda).

Como se explicar que dona Zilda, levada ao Haiti para ajudar na luta contra os flagelos sociais, tivesse que perecer nesse fenômeno da natureza?

A nossa percepção, sempre superficial dos fatos, nos escapa o sentido de tal desastre, com sacrifício de tantas pessoas. Ou não tem sentido nenhum. E o sentido que possa ter aflora do fato em si, nua e cruamente.

Nesse momento, porém, a todos se impõe o dever de solidariedade, ao mesmo tempo que se aguça, em nosso espírito, o sentimento de quão somos  frágeis, colocando-nos todos diante dos imprevistos da vida. No fundo, somos criaturas reduzidas tão só e exclusivamente a nossa pobre contingência humana; nada mais. Vítimas, a cada passo de nossa existência, dessas mesmas contingências, que a todos nos alcançam.

Vivi uma tragédia incomparavelmente menor à do Haiti, de uma cidade (Tubarão, em 1974) assolada por uma enchente. Percebi, no momento mais crítico, em que a enchente, provocada pela chuva, atingindo todas as áreas da cidade, em umas mais fortemente do que em outras, em que tantas pessoas pereceram e outras mais perderam todos os seus haveres, de como era notório o fato de todos se igualarem na missão comum de salvação.

A tragédia tem o condão de unir as pessoas e mostrar que somos todos iguais. Nesse momento, caem todos os artifícios sociais, os graus, as diferenças, as castas, as raças, etc. Somos apenas criaturas humanas, despidas de nossos adereços.

Em Tubarão, conduzindo o trânsito desorganizado, notei, em certo momento, de calças arregaçadas, em mangas de camisa, o homem mais rico da cidade fazendo as vezes de guarda.

Outros iguais, líderes sociais, transformavam-se pela adversidade naquilo que essencialmente eram – seres humanos. E, como tais, tinham que formar fileiras ao lado das mais modestas pessoas na causa comum de defesa e recuperação da cidade.

A tragédia ensina também a perceber-nos uns aos outros com mais clareza e realismo.

O MENINO e a MENINA que causaram transtorno – por alceu sperança / cascavel.pr

Ponho aqui à frente duas notícias tiradas dos jornais com a missão de meditar sobre elas.

Uma encanta: narra o belo transtorno que a garota Mariana (mesmo nome de minha avó materna) aprontou com seus amigos nos transtornados e transtornantes arredores da praça da Bíblia, que deveria se chamar Luiz Picoli, ao exigir respeito ao meio ambiente.

A outra espanta: o menino Alisson, vulgo Pincel, mais ou menos na mesma idade da Mariana, causou um transtorno terrível ao aparecer sangrando, no bairro Aclimação, com quatro balaços no corpo, a tempo de dizer que foi atirado por um traficante cobrador da conta do crack.

Essas duas notícias provocam um transtorno cá na cabeça: o que, juntas, elas querem dizer? Separadas, é fácil.

A primeira diz que Mariana e seus amigos do Rotaract saíram às ruas para mobilizar a comunidade contra a tentativa de emparedar parte do fundo de vale do rio Cascavel com um shopping center.

Essa maravilhosa garota e seus maravilhosos amigos obrigam a um julgamento: apesar de tanta gente dizer que esta geração está perdida, ela é a mais maravilhosa de todos os tempos.

Nasceu num milênio e se realizará plenamente em outro. Viva a nossa bela juventude!

Mas aí tem a outra notícia. Pincel, um polaquinho como tantos desta cidade iniciada por eslavos, é um dos raros garotos assassinados por traficantes que pôde encontrar alguém e balbuciar o nome do atirador.

Mesmo magro e abatido, corroído pelo crack, ele conseguiu se arrastar e dedurar o responsável pelo trágico fim de sua existência. Um jovem matador, um jovem assassinado.

Essa coisa horrível, que nem comove mais ninguém no quadro de tanta violência urbana, uma ruidosa exaltação ao deus Capitalismo, também obriga a um julgamento: essa juventude está perdida, entregue à droga, fumando a vida numa pedra, coisas de final e início de século e milênio, certamente.

Mas como julgar as duas coisas ao mesmo tempo, numa síntese útil das duas notícias?

Bem, já fiz meus dois julgamentos. Agora deixo a batata quente em suas mãos!

Rumorejando (O terremoto no Haiti, lamentando). – por juca (josé zockner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (Via pseudohaicai).

O Prefeito com seu ar satírico

Baixou um aumentaço

Como sempre, totalmente empírico.

Constatação II (Via pseudohaicai).

Finalmente, desvencilhou-se

Da sogra.

O casamento acabou-se.

Constatação III

E como se atrapalhava o ancião, parado no sinaleiro, olhando para aquela geringonça que alterna as horas e a temperatura: “Estou atrasado. Já são 14 graus e a temperatura é sete e dez”.

Constatação IV

A “torturologia” ou “torturoterapia”, que pretende ser o tratamento para quem foi torturado nos dezessete anos da ditadura de Augusto Pinochet, no Chile, precisa ser adaptada para o tratamento dos aposentados, funcionários públicos, a todos aqueles, enfim a quem a correção concedida, um aumentaço, que foi recentemente dada em nosso país. E, mais uma vez, viva “nóis”.

Constatação V (Via pseudohaicai).

Logo, logo, sem demora,

Seremos todos induzidos

Ao nosso próprio bota-fora.

Constatação VI

Não se pode confundir pressão com impressão, até porque alguma vez ou outra se escuta no ônibus, na fila, no cinema, etc. “tenho aimpressão que estão fazendo pressão no meu bolso para me levar a carteira”…

Constatação VII

Nas minhas pretensões

Um baldaço:

Privações

Devido ao aumentaço.

E das prestações,

Nunca mais me desfaço;

Das minhas ilusões,

O que é que eu faço ?

Agora, serão só senões.

Que embaraço !

Constatação VIII

A globalização é fascista.

Constatação IX

Não se pode confundir vai indo com esvaindo, muito embora do jeito que a previdência vai indo, o infeliz aposentado aqui vai acabar também se esvaindo.

Constatação X

Naquele imemorável concerto, o diálogo musical entre o piano e a orquestra parecia mais um ríspido bate-boca.

Constatação XI

E não esqueça, caro leitor, que no decálogo de um bom diálogo não entra o monólogo.

Constatação XII

Tem gente que não te dá a palavra, monologando o tempo todo e depois sai dizendo por aí que você é um bom papo.

Constatação XIII

Eu apenas te vejo,

E isso me deixa meio tantã,

Catando um ou outro percevejo,

Na minha insônia malsã.

Constatação XIV

Quando o INSS – Instituto Nacional de Seguro Social me mandava o Extrato Trimestral de Benefício com a seguinte mensagem: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, não sei porque mas eu tinha a exata impressão que esse pessoal estava gozando da minha cara…

Constatação XV

Quando o então presidente Boris Yeltsin pediu a cooperação internacional para ajudar a Rússia a eliminar parte das suas reservas de armas químicas que acumulou ao longo do tempo, eu fico matutando: primeiro, desviaram recursos das necessidades básicas do povo russo para construir as armas; depois, necessitam recursos para eliminá-las. O povo russo deve estar dizendo a esta altura do campeonato: spaciba (obrigado) pela atenção a nós dispensada durante todos esses anos.

Constatação XVI

Rico tem disfunção erétil; pobre, é broxa.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Se filho de peixe, peixinho é; filho de “machambomba”, “machambombinha” é ?

Dúvida II

Foi a atriz Camila Pitanga que chorou as pitangas porque não lhe deram uma pitanga ? (Perdão, leitores).

Dúvida III

Fez uma prédica

Pra não pagar a consulta

Pra médica ?

Dúvida IV

Por causa de uma espécie de gente e de seu comportamento, te causa espécie a espécie humana ?

Dúvida V (Via pseudohaicai).

Dá um nó na moleira

De ver reunida

Tanta besteira ?

Dúvida VI

O quadrado é um redondo com arestas e vértices ?

Dúvida VII

O que será que a musa do verão faz no inverno ?

Dúvida VIII

O verão em Curitiba dura quantos minutos mesmo ?

Dúvida IX

A comichão é só agradável em função do lugar onde ocorre e de quem te coça e como se coça ?

Dúvida X

A mamata e a marmota são primas entre si ?

Dúvida XI

Por que será que o governo brasileiro menospreza tanto a inteligência de seus concidadãos quando afirma que os recursos da Saúde serão efetivamente aplicados na Saúde e aplicam em outras ditas “prioridades” ? Ou será que é menosprezo mesmo por nós pobres concidadãos, já que acham que merecemos ser engabelados pelas tradicionais mentiras governamentais ? (Lembram-se do CPMF?)

Dúvida XII

E já que falamos no assunto, quem será que ensinou o governo a dar calote na gente com as suas promessas, quase sempre não cumpridas, embora compridas ?

Dúvida XIII (Mesmo escapando do rebaixamento).

O torcedor do Paraná,

Como eu e tantos mais

Quer saber o que é que há

Com os seus antigos diretores,

Assíduos perdedores,

Como não houve jamais.

Dúvida XIV

Liquidez, para um pistoleiro, é quando é fácil executar o serviço ?

Dúvida XV

Foi o Capitão Gancho que, mais uma vez, quando estava jogando voley, furou a bola ?

Dúvida XVI

Foi a candidata espertalhona que usou, no desfile, espartilho ?

Cansado de Viagens – de tonicato miranda / curitiba


para /Marilda Confortin

o ônibus, o caminhão, a estrada, a paisagem

Milton Santos na minha mão

a fazenda e verdes no meu olhar

nos ouvidos “Round Midnight” e um pistão

Chet Baker vai viajando-me os sentidos

morros e mais morros lá longe, na Terra

a paisagem de uma estradinha campesina

não a da Marilda, mas uma estrada de terra

verdes vão pontilhando meu olhar

um acordeon e argentinos nos ouvidos a castelhanear

mas o rio na minha visão é inteiramente brasileiro

verdes de doer a retina vêm se entregar

quais personagens me habitam?

para onde viajo tanto

singrando a pele do planeta

pra quê? se basta-me um só canto

qualquer dia desses salto no meio do caminho

e vou, como um boi indolente, tal uma rês

com saudades de todos vocês

mas vou, mas vou, e vou…

Tonicato Miranda

Interior de São Paulo

20/10/2009.

ZILDA ARNS morre no terremoto do Haiti e deixa grande legado de solidariedade para com as crianças do planeta.

Zilda Arns Neumann

(Forquilhinha, 25 de agosto de 1934 — Porto Príncipe, 12 de janeiro de 2010) foi uma médica pediatra e sanitarista brasileira.

Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, foi também fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança[1] e da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Recebeu diversas menções especiais e títulos de cidadã honorária no país. Da mesma forma, à Pastoral da Criança foram concedidos diversos prêmios pelo trabalho que vem sendo desenvolvido desde a sua fundação.

Vida e obra

O casal de imigrantes alemães Gabriel Arns e Helena Steiner teve 16 filhos. Zilda, a 13ª criança,[2] nasceu no interior de Santa Catarina. Em 26 de dezembro de 1959, casou-se com Aloísio Bruno Neumann (1931-1978), com quem teve seis filhos: Marcelo (morto três dias após o parto), Rubens, Nelson, Heloísa, Rogério e Sílvia (que morreu em 2003 num acidente automobilístico). Zilda Arns era avó de nove netos.

Formada em medicina, aprofundou-se em saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando a salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Compreendendo que a educação revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças, para otimizar a sua ação, desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João (Jo 6:1-15).

A sua prática diária como médica pediatra do Hospital de Crianças César Pernetta, em Curitiba, e, mais tarde, como diretora de Saúde Materno-Infantil da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, teve como suporte teórico as seguintes especializações:

  • Educação em Saúde Materno-Infantil, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP);
  • Saúde Pública para Graduados em Medicina, na Faculdade de Saúde Pública (USP)
  • Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) /Organização Mundial da Saúde (OMS), e Ministério da Saúde
  • Pediatria Social, na Universidade de Antioquia, em Medellín, Colômbia
  • Pediatria, na Sociedade Brasileira de Pediatria
  • Educação Física, na Universidade Federal do Paraná

Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin, para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória, no Paraná, criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.

Em 1983, a pedido da CNBB, criou a Pastoral da Criança juntamente com o presidente da CNBB, dom Geraldo Majella, Cardeal Agnelo, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil , que, à época, era Arcebispo de Londrina. No mesmo ano, deu início à experiência a partir de um projeto-piloto em Florestópolis, Paraná. Após vinte e cinco anos, a pastoral acompanhou 1 816 261 crianças menores de seis anos e 1 407 743 de famílias pobres em 4060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261 962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social.

Para multiplicar o saber e a solidariedade, foram criados três instrumentos, utilizados a cada mês:

  • Visita domiciliar às famílias
  • Dia do Peso, também chamado de Dia da Celebração da Vida
  • Reunião Mensal para Avaliação e Reflexão

Zilda e os YanomanisEm 2004, recebeu da CNBB outra missão semelhante: fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de cem mil idosos são acompanhados mensalmente por doze mil voluntários de 579 municípios de 141 dioceses de 25 estados brasileiros.

Dividia seu tempo entre os compromissos como coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e a participação como representante titular da CNBB no Conselho Nacional de Saúde, e como membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Zilda Arns encontrava-se no Haiti em missão humanitária e preparava-se para uma palestra sobre a Pastoral da Criança, na Conferência dos Religiosos do Caribe. Foi uma das vítimas do forte terremoto que atingiu o país, em 12 de janeiro de 2010. [3][4][5][6][7]

Viúva desde 1978, Zilda Arns deixou quatro filhos e nove netos.

Prêmios e honrarias

Prêmios internacionais

Entre os prêmios internacionais recebidos por Zilda Arns,[8] merecem destaque:

  • Opus Prize (EUA), em 2006; [9]
  • Prêmio “Heroína da Saúde Pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 2002;
  • Prêmio Social 2005 da Câmara de Comércio Brasil-Espanha;
  • Medalha “Simón Bolívar”, da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração Social, em 2000;
  • Prêmio Humanitário 1997 do Lions Club International;
  • Prêmio Internacional da OPAS em Administração Sanitária, 1994.
  • Prêmio Rei Juan Carlos (Prêmio de Direitos Humanos Rei da Espanha) pela Universidade de Alcalá. Recebeu o prêmio em 24 de janeiro de 2005, das mãos do rei.[10] [11]

Prêmios nacionais

Entre os prêmios nacionais, destacam-se:

  • Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz, do Senado Federal, em 2005;
  • Diploma e medalha O Pacificador da ONU Sérgio Vieira de Mello, concedido pelo Parlamento Mundial de Segurança e Paz, em 2005;
  • Troféu de Destaque Nacional Social, principal prêmio do evento As mulheres mais influentes do Brasil, promovido pela Revista Forbes do Brasil com o apoio da Gazeta Mercantil e doJornal do Brasil, em 2004;
  • Medalha de Mérito em Administração, do Conselho Federal de Administração, em Florianópolis, Santa Catarina, 2004;
  • Medalha da Inconfidência, do Governo do Estado de Minas Gerais, em 2003;
  • Título Acadêmico Honorário, da Academia Paranaense de Medicina, em Curitiba, Paraná, 2003;
  • Medalha da Abolição, concedida pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, em 2002;
  • Insígnia da Ordem do Mérito Médico, na classe Comendador, concedida pelo Ministério da Saúde, em 2002;
  • Medalha Mérito Legislativo Câmara dos Deputados, em 2002;
  • Comenda da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, grau Comendador, concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho, em 2002;
  • Medalha Anita Garibaldi, concedida pelo governo do Estado de Santa Catarina, em 2001;
  • Comenda da Ordem do Rio Branco, grau Comendador, concedida pela Presidência da República, 2001;
  • Prêmio de Honra ao Mérito da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, 2001;
  • Medalha de Mérito Antonieta de Barros, concedida pela Assembléia Legislativa de Florianópolis;
  • Prêmio de Direitos Humanos 2000 da Associação das Nações Unidas – Brasil, em 2000;
  • Prêmio USP de Direitos Humanos 2000 – Categoria Individual.

Em 2001, 2002, 2003 e 2005 a Pastoral da Criança foi indicada pelo Governo Brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz. Em 2006, a Dra. Zilda foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, junto com outras 999 mulheres de todo o mundo selecionadas pelo Projeto 1000 Mulheres, da associação suíça 1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz. Também é cidadã honorária de dez estados brasileiros (RJ, PB, AL, MT, RN, PR, PA, MS, ES, TO) e de trinta e dois municípios e doutora Honoris Causa das seguintes universidades:

  • Pontifícia Universidade Católica do Paraná
  • Universidade Federal do Paraná
  • Universidade do Extremo-Sul Catarinense de Criciúma
  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Universidade do Sul de Santa Catarina

velório de ZILDA ARNS em Curitiba.PR-Brasil - 15/1/2010

velório de ZILDA ARNS em Curitiba.PR – Brasil – 15/01/2010

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dados da wp.

SARA VANEGAS y su poesia / quito. equador

mar: un cuchillo de sal me atraviesa el pecho y las palabras

—-

las voces llegan a borbotones. como el oleaje a las naves sumergidas de la catedral eterna. voces que ascienden al coro y las cúpulas. como alas o lluvia mansa

tras los vitrales encendidos: peces arrodillados y tu sonrisa

dormida

—-

alguien dibuja en la arena el recuerdo de un nombre

y se arroja a la mar

—-

alguien me dice que es la luz azulada de la luna. y yo vuelvo a confundirla con un río submarino. nunca conoceré el origen del agua. me pregunto si el mar devorará sus propias lunas …

—-

la luna y sus manantiales. el mar henchido de campanas. aquí: castillos de espuma y sal. para tus ojos solos

—-

la tristeza del mar: borrachera de espejos. el planeta entero abierto. la luna: un carámbano sobre su piel huraña. sollozo imposible desde las profundidades. y esa música de agua y noche. de vidas ignoradas y multiplicadas muertes.

las palabras: inútiles huesecillos de pez en la inmensidad del oleaje

LONDRINA: dia 16/1 as 21 horas, TODOS LÁ, é um show de alta qualidade!

JANELAS PARA SE LER – por lucas paolo / são paulo

Janelas para se ler

Para Laura

… e nas janelas vislumbrar longe, portas presumem ser mais vantajosas, mas são as pequeninas frestas que permitem enquadrar o mundo: entrever o espaço: perceber o tempo: rever a vida:… e o Mundo vai se criando numa brincadeira eterna, pois tão divertida, imaginar-se por através destas molduras vazias, cada piscada é a revelação de uma metamorfose, milhares de inusitadas árvores: lagos: flores: condores:… e atentá-las é pintar o porvir, pinceladas cosmogônicas no que ainda não se significou, matizes de viver: brilho de observar: sombra de divagar: esfumaçamento de sonhos:… e transpassar os vidros, ver por depois das janelas, o cubismo de pessoas no metrô: o expressionismo nos espelhos: Dada na televisão: a natureza morta nos outdoors: o impressionismo no soprar do vento: o surrealismo de um sorriso:… e talvez as palavras, perpassar o contorno das minúsculas letrinhas…

DISPOSITIVOS MÓVEIS IRÃO ESCANEAR SEU CORPO NÚ NAS RUAS – editoria

Scanners corporais estão sendo preparados para se tornarem móveis e escanear você na rua, em jogos de futebol e qualquer outro evento onde massas de pessoas estão reunidas, de acordo com um documento vazado escrito pelas autoridades holandesas.
A tirania que está agora sendo implementada em aeroportos sempre foi destinada a ser posta em prática nas ruas, como detectores de metais móveis já em ação vários centros de transportes no Reino Unido, sob o pretexto de impedir os crimes com o uso de facas.

Agora, a polícia holandesa anunciou que está desenvolvendo um scanner móvel que vai “ver através da roupa das pessoas e procurar por armas ocultas”.
De acordo com um documento confidencial, “O scanner pode ser primeiramente utilizado como uma alternativa para revistas corporais aleatórias nas áreas de alto risco. O detector móvel permitirá as buscas a serem realizadas mais rapidamente e só seria usado em pessoas com suspeita de transportar armas escondidas”, relata o site holandês News.nl.

O dispositivo também seria utilizado a partir de uma distância sobre grupos de pessoas “e fazer varreduras em massa no público em eventos como partidas de futebol.”
“O maior desafio é torná-lo portáteis e garantir a realização de uma varredura em segundo”, afirmou Giampiero Gerini, professor da Universidade de Eindhoven, segundo o jornal holandês.

O objetivo é desenvolver e implantar o equipamento em um prazo de três anos. Com a polícia nas principais cidades americanas e britânicas já realizando buscas aleatórias em pessoas inocentes sob as leis contra o terrorismo rotineiramente abusadas, scanners móveis serão provavelmente adicionados ao seu arsenal, especialmente se as pessoas forem condicionadas a aceitarem a sua utilização como rotina nos aeroportos.
Três anos atrás, documentos vazados do Ministério do Interior revelou que as autoridades do Reino Unido estariam trabalhando em propostas para embutir câmeras de CCTV com raio-x em postes que iriam escanear as pessoas que passassem e “despi-los”de forma a localizar “suspeitos de terrorismo”.

“A questão é quando isso é uma adição útil para a segurança e quando é que se torna excessivamente intrusivo e preocupante para o público”, Disse o professor Paul Wilkinson, um especialista em terrorismo.

Uma vez que tudo o que vemos que está sendo instalado nos aeroportos está agora a ser introduzido gradualmente nas ruas, quanto tempo teremos antes que dispositivos de leitura da mente façam a varredura de indivíduos para a psicologia comportamental, o que está sendo discutido para uso em aeroportos, sejam instalados em cada canto das principais ruas?

As tecnologias sendo agora preparadas não apenas para os aeroportos, mas para nossa vida cotidiana, são muito mais assustadoras e avançadas tecnologicamente do que qualquer coisa que George Orwell escreveu em seu livro “1984”. A menos que nos levantemos em uníssono e digamos basta, o nosso mundo se tornará um prisão high-tech caracterizada por um sistema de castas de escravos e controladores.

Fontes:
Dutch News: Dutch police develop mobile body scans
Infowars: Now Mobile Devices Will Scan Your Naked Body On The Streets

ETERNAMENTE TERNA NO ÉTER ou MORFEU SABIA – de ewaldo schleder / curitiba

Eternamente terna no éter

ou

Morfeu sabia

(para Bia de Luna, dois anos depois)

Danem-se os escrúpulos

deixa-me beijar sua boca fria

e ressuscitá-la para dançar

este sonho de valsa desesperada

agora que o salão está vazio

aparecem as purpurinas

do público em particular

brilham as lantejoulas

(ainda mais sob os spots)

do corpo de baile insensato

desencarnados por engano

acolhem-na bem por certo

Ana Cristina César, Rita Pavão

Bond, Leminski, Raul, Janis Joplin,

Hendrix, Dolores, Elis, Maysa

numa roda de tempo quebrado

em seus botões de poesia tenra

eternamente terna no éter

agora que o salão está vazio

conta-nos sem medo, Bia

conta-nos como foi

como o mar e o luar (ecce homo)

conta-nos, aí do céu

como, afinal, Caim matou Abel?

.

a poeta BIA DE LUNA. in memoriam.a poeta BIA DE LUNA. in memoriam.

ilustração do site.

A ARTE NO CONCEITO DE PLATÃO E ARISTÓTELES por fernando santoro

“… Dizer que a poesia é imitação, para a teoria apresentada na República, é distanciá-la duplamente da verdade, pois em primeiro lugar está a verdade na idéia em si mesma de algo; se um artesão vislumbra esta idéia e produz um objeto, este é gerado a certa distância da verdade, e se um poeta canta nos seus versos este objeto, então ele está afastado mais ainda da verdade.

O poeta, sendo imitador, é um artífice de segunda categoria, o mais afastado da verdade, próximo aosPLATÃO prestidigitadores e ilusionistas, porque não produz mais do que sombra das coisas. Isto é quase uma afronta ao senso comum dos gregos, que cultuavam seus poetas como os mais sábios dentre os homens, porta-vozes de seu panteão tradicional e do conhecimento das virtudes.
Aristóteles herda de Platão a categoria de “arte mimética”, mas, ao menos no tocante ao que nós chamamos de artes literárias, ele está disposto a resgatar-lhes aquele valor arcaico tradicional de sabedoria e verdade. Já no que diz respeito às outras artes miméticas, as não literárias, Aristóteles, por omissão, as deixa no mesmo patamar em que sempre estiveram: ofício de artesão, atividade socialmente inferior, servil.

Quando muito, o Filósofo faz uma distinção entre os mestres arquitetos e os que simplesmente obram com as mãos. Tal distinção ainda salva do total desprestígio alguém como Fídias, o arquiteto e mestre Aristótelesescultor dos monumentos da Atenas de Péricles. … Se Aristóteles chegou a enquadrar num mesmo gênero mimético as artes literárias e as artes plásticas, como certamente o fez Platão, não era por dar-lhes o mesmo “valor artístico”. A mímesis aristotélica é um contraponto à mímesis de Platão: ela não define o valor artístico (baixo), mas vem resgatar o valor de verdade.

Se, para Platão, a imitação era o distanciamento da verdade e o lugar da falsidade e da ilusão, para Aristóteles, a imitação é o lugar da semelhança e da verossimilhança, o lugar do reconhecimento e, assim, da representação.”

.

Trechos retirados dos ANAIS DE FILOSOFIA CLÁSSICA, vol. 2 nº 4, 2008
ISSN 1982-5323

WORKSONG de jorge barbosa filho / curitiba


sempre admiro o meu trabalho

o meu sangue e meu suor

para fazer o melhor que posso

e cantar uma worksong.

depois de trabalhar em navios,

algodoais, ou estradas de ferro de mentirinhas.

meus braços suportam,

mas meus olhos baços, não.

quando fui teu escravo

fiz canções para te abarcar

e te abraçar de uma vez.

mas nunca tive vez.

fique sabendo que teu inimigo

é cara do teu espelho!

lamento, me dá um medo…

queria você bem, muito bem,

pra cantar junto comigo

dentro do infinito!

enquanto isto, eu trabalho

posso fazer um atrapalho

em nome de nosso amor.

mas vou cantando,

em nome, em nome não sei do quê!

meu deus…  se existe deus!

a pior coisa do amor

é levar teus pelos, teus cheiros

teus olhos, tua pele, juntos.

assim eu fico perto, de ti.

enquanto canto, canto.

e vou trabalhando.

UM POUCO DE SILÊNCIO de lya luft / porto alegre


Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho,
gostar de sossego é uma excentricidade.

Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar,
ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos
uma infinidade de obrigações.

Muitas desnecessárias, outras impossíveis, algumas
que não combinam conosco nem nos interessam.

Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora
da ciranda: os que não se submetem mas questionam,
os que pagam o preço de sua relativa autonomia,
os que não se deixam escravizar, pelo menos sem
alguma resistência.

O normal é ser atualizado, produtivo e bem-informado.

É indispensável circular, estar enturmado.

Quem não corre com a manada praticamente nem existe,
se não se cuidar botam numa jaula: um animal estranho.

Acuados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião
alheia, disparamos sem rumo – ou em trilhas determinadas
feito hâmsteres que se alimentam de sua própria agitação.

Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença.

Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo, ameaça
quem leva um susto cada vez que examina sua alma.

Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que
não se arrumou ninguém – como se amizade ou amor se
‘arrumasse’ em loja.

Com relação a homem pode até ser libertário: enfim só,
ninguém pendurado nele controlando, cobrando, chateando.

Enfim, livre!

Mulher, não. Se está só, em nossa mente preconceituosa
é sempre porque está abandonada: ninguém a quer
.

Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude.

Logo pensamos em depressão: quem sabe terapia
e antidepressivo?

Criança que não brinca ou salta nem participa de
atividades frenéticas está com algum problema.

O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós.

Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas
pelas quais nos espiam coisas incômodas e mal resolvidas,
ou se enxerga outro ângulo de nós mesmos.

Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas
atarantadas correndo entre casa, trabalho e bar,
praia ou campo.

Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado,
algo além desse que paga contas, transa, ganha dinheiro,
e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!)
vai morrer.

Quem é esse que afinal sou eu?

Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?

No susto que essa idéia provoca, queremos ruído, ruídos.

Chegamos em casa e ligamos a televisão antes
de largar a bolsa ou pasta.

Não é para assistir a um programa: é pela distração.

Mas, se a gente aprende a gostar um pouco de sossego,
descobre – em si e no outro – regiões nem imaginadas,
questões fascinantes e não necessariamente ruins.

Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou
a mão no meu ombro de criança e disse:
– Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.

E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo.

A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz
para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas frases,
às tarefas, aos amores.

Então, por favor, me dêem isso: um pouco de silêncio bom
para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes,
e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos
e da música de todos os sentimentos.

Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo
à tona sabe Deus que desconserto nosso.

Com medo de ver quem – ou o que – somos, adia-se
o defrontamento com nossa alma sem máscaras.

Boa Semana, em silêncio sim, por quê não?

GÊNESE de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

No inicio existia apenas Deus o escultor

e a palavra.

E foi a palavra

a massa que Deus usou para moldar o universo.

Dize Deus, luz

e o som da palavra luz

se corporificou, iluminou

e se fez sol.

Dize Deus, terra

e o som da palavra terra

se corporificou,

e se aconchegou perto do sol

Dize Deus, água

e a palavra água se transformou

em oceanos e nuvens, em rios

e  nascentes.

Dize Deus, ar

e a palavra ar  envolveu e protegeu a terra

como uma pele e se preparou

para ser o mais farto e o mais precioso  dos alimentos.

Dize Deus, vida

e a palavra vida

tomou inúmeras formas e se desenvolveu

e frutificou como uma arvore generosa.

E a vida

se aqueceu ao sol,

habitou a terra

bebeu e respirou.

Só então

pode Deus, o escultor

tocar na terra e na água

e deste barro fazer o homem,

e da  mais linda costela a mulher.

Dize Deus, bendita e cheio de olor

seja para sempre esta mistura da qual

foi feito Adão.

A chuva será o sêmen

com a qual fecundarei o universo.

TELA PARA ESCREVER por sérgio da costa ramos / florianópolis

Imagine-se um homem debruçado sobre a escrivaninha, preparando-se para escrever.

Vale-se de uma caneta de “época”, um bico-de-pena mergulhado num tosco tinteiro. Para alumiar a bancada, um lampião a óleo de baleia, como nas mais antigas armações do mundo.

Quem seria? O poeta Shelley, com seus versos marinheiros?

Hermann Melville, iniciando a saga da obsessiva perseguição do capitão Ahab à baleia Moby Dick, um clássico da literatura universal?

Quando o homem começa a escrever, opera-se um pequeno milagre de forma e de método: suas marinhas não se derramam em pinceladas coloridas, mas em letras de caligrafia redonda.

E, no entanto, sua pena não é mais uma caneta. Num lance de abracadabra, a pena se transforma num pincel…

Ninguém diria que aquele senhor de testa alta e bigode luso, embrulhado num vetusto terno, colarinhos pontudos e gravata em laçarote fosse o mesmo marinheiro em calças de zuarte e camisas zebradas, a bordo do navio argentino Mercedes ou do inglês Theodore, a singrar os sete mares.

Em 1876, o ilhéu Virgílio dos Reis Várzea matriculou-se, aos 13 anos, na Escola Naval do Rio de Janeiro, dela saindo aos 16, para correr o mundo, do Cabo Horn às Antilhas, do Atlântico ao Índico e ao Pacífico, com passagens pelos Açores e pelos também lusófonos Arquipélagos do Cabo Verde.

Esse verdadeiro Mestre dos Mares haveria de se transformar num “Mestre das Letras”, ao retornar à sua Desterro em 1881 e tornar-se amigo e empreendedor literário, em parceria com João da Cruz e Sousa. Os dois passaram a editar, em sociedade, os “jornaizinhos” Colombo e Tribuna Popular, baluartes da causa abolicionista.

Dono de uma obra imortal, Traços Azuis (1884, poesia), Tropos e Fantasias (prosa, 1885, com Cruz e Sousa), O Brigue Flibusteiro e Os Argonautas (contos, 1904 e 1909), entre outros textos relevantes, Virgílio Várzea deixou de presente para a Ilha de Santa Catarina uma espécie de memorial descritivo, em que o escritor “pincela” as praias, as enseadas, os promontórios, as freguesias e as lagoas, os altiplanos e os baixios – num livro que é, ao mesmo tempo, um “quadro” e uma “carta”, num estilo que se poderia caracterizar como “prosa-pictórica”.

Em 1900, aos 37 anos, Virgílio Várzea “pinta” A Ilha com aquele amor dos que a tiveram por berço e âncora – despido da habitual modéstia dos seus nativos:

– Poucos lugares do globo possuirão praias tão bonitas e de um desenho mais interessante e caprichoso como os da costa catarinense – preliba, antes de seu hino de amor à Ilha.

Majestade e grandeza viviam na alma de Várzea, amigo dos seus amigos. É ao amigo “marinheiro” que recorre um desesperado Cruz e Sousa, escrevendo-lhe do Rio de Janeiro, onde, em vão, “espera sem fim por acessos na vida, que nunca chegam”.

“Estou profundamente mal, e só tenho a minha família, só te tenho a ti e a tua belíssima família (…) Só dessa linda falange de afeições me aflige estar longe, e por isso morro, sim, de saudades.”

O sufocado verão que se instalou na Ilha, nestes primeiros dias de janeiro, homenageia, apesar das carrancas da natureza, o magnífico aquarelista, de alma marinheira e caráter nobre, destituído de qualquer salitre.

Virgílio Várzea, o marinheiro que escrevia com um “pincel” na mão.

O CARA É UM “BANANA” por alceu sperança / cascavel.pr

Ele fica soltando foguetes quando inaugura pela milésima vez a mesma obra e manda tirar fotos para o próprio álbum.

Lembra-se de quando foi feliz: na campanha eleitoral, quando “ganhou”. Orgulha-se de fazer de conta que faz alguma coisa.

Fez, pois não mandou fazer? Não gostou da cor. Claro, quem é o sobrinho da loja de tinta? Mandou pintar. Quem é o sócio da loja de ferragens? Mandou desferrar, e ferre-se quem não gostar.

Vereador? Deve ter algum… Talvez um ou outro. Votos vencidos, e, aliás, muito vencidos e meio quietos.

Ele mandou, ordenou raspar aqui ou ali, pintar o descascado. Está feito, publique-se.

Lança mão de todos os artifícios para dar publicidade não ao que fez, porque nada fez. Não ao que gastou, porque foi você quem gastou.

Ele dá publicidade a si mesmo. Não à obra ou a você, que gastou nela.

Esse é o prefeito, o governador, o presidente. Claro, o prefeito incompetente, o governador relapso, o presidente igualitário – igual aos anteriores.

Gente séria precisaria gastar dinheiro do povo à toa, para prover/promover a si mesmo?

Manter em operação, funcionamento, pagar servidor ou dar uma pinturinha numa obra deveria ser um dever tão óbvio quanto respirar.

Prefeito que inaugura “revitalização” deveria levar um puxão de orelhas dos próprios filhos. Como eles hoje ainda não podem puxar, puxemos nós.

Assim, quando um prefeito “revitalizar” alguma obra e inaugurar a revitalização, ou revitalizar a inauguração, diga aos filhos dele que merece um puxão de orelhas.

Eles puxarão. Um dia puxarão.

Ele que revitalize as orelhas puxadas.

É um banana. Um dia será descascado.

As bananas e os bananas anteriores foram todos descascados, não foram?

CONVERSA COM O ANO NOVO por hamilton alves / florianópolis

Tinha soado meia-noite no relógio da casa quando ouço uma batida à porta. Vou abri-la e dou com a presença do Ano Novo.

– O que deseja? – lhe perguntei.

– Estou entrando…

– Entrando assim sem mais nem menos, a essa hora?

– O senhor não me esperava?

– A bem da verdade…

– … Não esperava?

– Não é bem isso…

– O que é então?

– É uma coisa sempre meio inesperada… O senhor há de entender… Além do mais, minha atenção estava concentrada em tanta coisa que acontece por aí, calamidades aqui, acolá, por toda parte. É só notícia ruim. O quadro sucessório…

– … Que é que tem o quadro sucessório?

– Haverá um quadro sucessório mais desanimador do que o que ora se nos apresenta?

– Bem, todas as épocas têm lá seus bons ou maus momentos. É da condição dos tempos, nem piores nem melhores, sempre no meio termo.

– E o senhor o que nos traz de novo?

– Bem, devo confessar que já nasço de certo modo velho.

– Como assim?

– Carrego comigo toda essa tralha da história, que é inseparável do tempo que escoa.

O Ano Novo já tinha entrado, se aboletado numa cadeira estofada, olhou as horas, que já iam, a essa altura, longe. Revelava-se preocupado. Algo não lhe parecia estar bem.

– Sente-se incomodado?

– Entrar no tempo envolve sempre uma grande preocupação. O que terei pela frente?

– Se o senhor não sabe, imagine-se eu!

– Teremos a Copa do Mundo de futebol, isso não deixa de ser uma boa expectativa em torno de quem a vencerá. E os prognósticos já se fazem. A eleição para presidente… Mudanças aqui e ali.

– Mas tudo isso é muito pouco. E no plano internacional que traz o senhor de melhor?

– Sou o Ano Novo mas não sou adivinho. É um tema difícil de abordagem.

– A humanidade confia no senhor. Afinal de contas, para que serve um Ano Novo?

– Um Ano Novo serve para produzir a história, que se escreverá na medida da burrice ou da sabedoria humanas. Nem mais nem menos.

Foi assim que entrou o Novo Ano, com essa disposição muito realista. Depois que encheu bem o pandulho, tendo bebido além da conta, despediu-se lá pelo dealbar da madrugada, sem revelar-se muito animado com o que viu à entrada.

“LE MONDE” escolhe LULA como “HOMEM DO ANO DE 2009” ( e os DEMOS e TUCANOS choram na mídia brasileira)

‘Le Monde’ escolhe Lula como ‘homem do ano 2009’

É a primeira vez que jornal faz homenagem a personlidades.
Também neste mês, presidente foi homenageado pelo ‘El País’.

LULA e SARKOZY.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito o “homem do ano 2009” pelo jornal francês ‘Le Monde’. É a primeira vez que o veículo decide conferir a honraria a uma personalidade, como já ocorre uma vez por ano em publicações como a revista americana ‘Time’. No começo do mês, o jornal espanhol ‘El País’ também concedeu a Lula a mesma homenagem.

Em uma reportagem que ocupa a capa e quatro páginas da revista semanal do jornal, a publicação francesa diz que Lula mudou a cara da América Latina e transformou o Brasil em uma potência. O jornal ressalta ainda seu histórico de sindicalista, sua luta contra as desigualdades e a defesa do meio ambiente.

Entretanto, a publicação desta quinta-feira (24) cita os recentes escândalos de corrupção, casos de nepotismo e a desigualdade no país.

Em seu site, o jornal afirma que para avaliar quem seria seu primeiro homenageado em 65 anos de história decidiu abordar personalidades com contribuições positivas no cenário mundial. O nome do presidente americano chegou a ser cotado, conforme explica o texto. Entretanto, a publicação afirma que Barack Obama foi mais merecedor do título em 2008 do que em 2009.

g1.

Rumorejando (Vai ano, vem ano e os políticos ficam na deles, que não é o do povo, constatando). – por juca (josé zockner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I

Certa vez, eu estava na Boca Maldita, em Curitiba, jogando conversa ao léu com o Leo, que não vem ao caso agora saber exatamente quem ele é, quando chegou um empreiteiro, que também não vem ao caso agora saber quem ele é, mas que, hoje, é uma das maiores fortunas deste país, dizendo: -“Agora sim. Agora, eu não corro mais o risco de quebrar. Minhas dívidas com os bancos chegaram a um volume tal que, se eu quebrar, levo junto comigo uma porção de gente. E mais, o governo também não vai me deixar quebrar, pois vai ter que, de ora em diante, levar em conta oproblema social. A partir de hoje, vai dar sempre para empurrar a dívida com a barriga. E eu vou ficar muito rico”.

Se o Brasil que já recebeu empréstimos do FMI, bancos particulares, etc., na ordem dos bilhões de dólares, conforme a sua necessidade, para tapar os seus furos, a tese do empreiteiro, estará corretíssima e penso – data venia, como diriam nossos juristas – que ele mereceria se candidatar, senão ao Prêmio Nobel de Economia, pelo menos, a algum similar de finanças…

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo, entreouvido no Palácio Real).

-“De sorte que Vossa Douta Pessoa, príncipe consorte, é uma pessoa de sorte, já que eu vou virar sua consorte”.

Constatação III

E como exclamava a redatora daquela repartição pública: -“O cara de broa só come pão porque não gosta da anteriormente referida”.

Constatação IV (Em homenagem aos amigos Newton Sérgio Finzetto e Ivens Fontoura).

Em continuação à relação de cenas que considero antológicas e que “pagaram o filme”, independente de ser um filme bom ou ruim – geralmente bom –, foi publicado, recentemente, em órgão de divulgação de uma video locadora, em Curitiba, mais uma pequena série, da participação deste assim chamado escriba, que transcrevo a seguir:

–         A expressão de mal-estar do garoto, ao assistir um espetáculo de marionetes em que um boneco surrava outro com um bastão; mais tarde aparece a cena do personagem do nazista Klaus Barbie, o “carrasco de Lyon”, torturando violentamente prisioneiros da Resistência Francesa, também com um bastão, no filme Lucie Aubrac, do diretor Claude Berri (Germinal, A casa de minha mãe, Jean de Florette).

–         A violência, somente expressa em palavras, sem mostrar a imagem por causa da forte neblina, em que matam um garoto na presença dos pais, na guerra entre sérvios e croatas; anteriormente, a afirmação de um personagem de que a neblina permitia que as pessoas saíssem, pois encobria a todos e, assim, cessavam os tiros dos franco atiradores e logo a cena da orquestra tocando música clássica no parque, na neblina, e as pessoas em volta assistindo, no filme Um olhar a cada dia, de Theo Angelopoulos.

–         O lirismo da cena em que o ator e diretor Jacques Tati direciona o reflexo do sol da sua janela para uma gaiola, ensejando que o passarinho se ponha a cantar, no filme Meu Tio.

–         O suspense das notas musicais se aproximando, na cena em que um cidadão seria assassinado com um tiro na parte do tema musical em que a percussão encobriria o som do tiro, no filme O Homem que sabia demais, de Alfred Hitchcock; do mesmo diretor, o filme Os Pássaros, quando a mocinha está descendo num conversível em direção ao mar numa estrada cheia de curvas, levando um casal de pássaros que estão numa gaiola e que movem por igual as cabeças conforme o lado em que é feita a curva.

–         O espetáculo da natureza no pôr-do-sol do filme, de Otar Iosselani, E a luz se fez.

–         A chance que o diretor dá ao espectador, repetindo a cena várias vezes, para que ele também possa se dar conta como é que o policial descobriu quem era o assassino no filme Cobiça, com Ives Montand e, se a memória não falha, Jeanne Moreau.

–         A tão decantada corrida de bigas no filme Ben Hur.

–         A cena do filme Sem Novidades no Front, baseado no livro de Erich Maria Remarque, em que, após ter matado um soldado alemão, na 1ª Guerra Mundial, o personagem, cheio de remorso, tira do seu bolso uma foto de uma mulher com uma criança, o que faz com que aumente, ainda mais, o seu remorso.

Constatação V (Ah, esse nosso vernáculo).

A jovem se encrespou porque o cabeleireiro não encrespou o seu cabelo: -“Ele me enrolou porque apenas enrolou o meu cabelo”.

Constatação VI

De acordo com uma entrevista concedida à revista Playboy, o escritor português José Saramago contou que Camões – nome de um dos seus cachorros – gosta muito de livros. Ele já comeu dois volumes e a lombada de um terceiro, declarou o escritor laureado do Prêmio Nobel de Literatura.

Constatação VII (Teoria da Relatividade para principiantes).

Quando você tem 4 anos e existe uma pessoa com 18, a diferença de idade entre ambos é grande; quando você tem 60 anos e existe uma pessoa com 74, a diferença de idade entre ambos é pequena…

Constatação VIII

Disseram os amigos, tentando convencer o ricaço:

-“Vamos fazer esse cruzeiro marítimo pelas Ilhas Gregas. Afinal, são os teus filhos que vão te pagar toda a despesa”.

Retrucou o ricaço: -“Como os meus filhos, se eles dependem totalmente de mim ? O mais velho está com 16 e a mais nova com 14”.

-“Nós sabemos disso. Mas quando você bater com as dez, você deixará um pouquinho menos da tua imensa fortuna para eles”…

Constatação IX (Via haicai).

O cara caradura,

Ao passar a mão,

Diz que é só ternura.

Constatação X

O nervo grande-hipoglosso, de acordo com o Aurelião é o “nervo motor, o duodécimo dos chamados cranianos, que inerva os músculos da língua e os da região infra-hióidea”. Agora, que o nome parece ser outra coisa, isso lá parece…

Constatação XI (Que absolutamente não é uma queixa).

Depois que ela, sentada no meu colo, disse que ia comer um doce de ambrósia, ao invés de dizer ambrosia, eu cheguei a conclusão que ela costuma pôr o acento e o assento conforme o seu bel-prazer…

Constatação XII

Quando a viticultora, que estava colhendo uva, não quis nada com o conquistador barato, ele fez um muxoxo e com um menear de ombros proferiu a frase auto consoladora: “Essa uva está verde, mesmo…

Constatação XIII

Rico pratica polo; pobre, pulo.

Constatação XIV (Com rima diminutiva e, por essa razão, um pouquinho apelativa).

Um nitrido

Bem comprido

Soltou

A eguinha.

Ela cumprimentou

O cavalinho,

Do outro lado,

Da cerquinha.

Coitado!

Pobrezinho!

Tão sozinho…

Constatação XV ( De quem viu as fotos da Flavia Alessandra).

Vê-la nua, por um lapso,

Foi suficiente pro ancião

Quase ter um colapso.

Embora, tivesse sido muito bom.

Constatação XVI (Via pseudohaicai).

Do filme, fez curta resenha:

“Impossível que o espectador

Na cadeira se contenha”…

Constatação XVII (Via pseudohaicai).

O despertador toca a sirene:

Hora de sonambular

Pro trabalho perene…

A TRISTEZA PERMITIDA por martha medeiros / porto alegre

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down…” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

REVEILLON de charles silva / florianópolis


qual o artifício desse fogo

o céu já tá queimando

fiz até comício pro teu jogo

fui me declarando

não vou ficar na sacada

ligando as acrobacias

foi muita noite virada

um ano de euforia

vem cá

tatua teu batom

me pega pelo flanco

me dá teu reveillon

me tira desse branco

vem cá

qual é tua opção

o nome do teu santo

me mostra a região

me dá teu entretanto

À ESQUINA de otto nul / palma sola.sc

Só à esquina

A vida escoou

O vento soprou

Triste à esquina

A luz apagou

Um homem passou

Isolado à esquina

O sol se evaporou

O dia murchou

Indeciso à esquina

O tempo parou

A sorte voou

Mudo à esquina

O barulho cessou

O mundo acabou

O HAICAI E SEUS AFLUENTES – por edu hoffmann / curitiba

Haicai é um poema de origem japonesa, que chegou ao Brasil no início do século 20 e hoje conta com muitos praticantes e estudiosos brasileiros. No Japão, e na maioria dos países do mundo, é conhecido como haiku.

Segundo Harold G .Henderson, em Haiku in English, o haikai clássico japonês obedece a quarto regras:

– Consiste em 17 sílabas japonesas, divididas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas.

– Contém alguma referência à natureza (diferente da natureza humana).

– Refere-se a um evento particular (ou seja, não é uma generalização).

– Apresenta tal evento como “ocorrendo agora”, e não no passado.

O grande mestre desta arte é Matsuo bashô (1644-1694). Ex-samurai, monge praticante do Zen e estudioso das escritas clássicas chinesas e japonesas, dedicou sua vida ao seu aperfeiçoamento espiritual e à escrita. Observações da natureza, impessoalidade, rapidez, síntese e transcendência deram um toque zen a esta forma de poesia.

No Brasil foram feitas algumas traduções de Bashô; no entanto, como o idioma japonês é feito de ideograma, a tradução literal torna-se impossível. Mas a beleza permanece:

“Velha lagoa

o sapo salta

o som da água”

.

“Primavera não nos deixe

pássaros choram lágrimas

no olho do peixe”

(Tradução de Paulo Leminski – Ed.Brasiliense –  Matsuo Bashô – A Lágrima do Peixe – 1983 – Coleção Encantos Radicais )

“A nuvem atenua

o cansaço das pessoas

olharem a lua”

.

“Em cima da neve

o corvo esta manhã

pousou bem de leve”

(Tradução de Millôr Fernandes – Ed.L&PM Pocket – Kai-Kais – 1997)

Quando o haicai começou a ser feito no Brasil, ele tropicalizou-se. A primeira mudança visível foi a rima, não pratica originalmente. Isso já deu um jeitinho mais brasileiro ao poema. E também deixou de existir a necessidade do haikai tratar de observações da natureza e da impessoalidade.

O cartunista Solda cometeu esse haicai que considero genial:

Faltou assunto

fiquei a sós

com o defunto

Millôr Fernandes saiu com esse:

O que me adiantaria

comer Maria

se ninguém saberia ?

No meu livro “Bambus”, bashô o santo em mim:

Blues morcego blues

diabo botando letra

na melodia de Deus

O Baianárabe Waly Salomão criou:

saudade

é uma palavra

o sol da idade

e o sal das lágrimas

Gostei tanto da brincadeira de rebuscar os haicais, que tive a curiosidade de verificar o que tenho em casa de livros de poetas “haikaistas” brasileiros. Verifiquei que, ao tropicalizarmos o zen, brotaram uns haikais bastardinhos bem zenvergonhas, porém deliciosos! Dos livros que tenho, peguei dois poemas de cada. Mergulhe !

Ricardo Silvestrin:

Oswald

pôs o pau

Brasil pra fora

Porta de escola

eu sentado

dentro de mim

Jaques Brand

Muro caiado

Ah meu amor de olvido!

Muro caído

Ah meu amor de enfado!

.

um tigre

dois cisnes

três signos

Edu Hoffmann

memória rã

meu micro

sóft!

.

na lagoa

poeta nua

no moon

da lua

Alice Ruiz

o ai

quando o filho

c

a

i

.

que viagem

ficar aqui

parada

Paulo Leminski

isso aqui

acaso

é lugar

para jogar sombras?

.

coração

pra cima

escrito em baixo

frágil!

.

Mario Flecha

pela manhã

o quarto desarrumado

ainda o sonho das filhas

.

inverno

naquela manhã

eu e vovô

enterramos meu cachorro

.

João Ângelo Salvadori

tudo parece pouco

mal o dia amanhece

quero outro

.

olhos cheios de mar

me estico na cama

e fico boiando

.

Mário Prata

a lua no cio

os elefantes caminham

na beira do rio

.

lençol vermelho

lua branca

no travesseiro

.

Hekena Kolody

persigo um pássaro

e alcanço apenas no muro

a sombra de um vôo

.

de grinalda branca

toda vestida de luar

a pereira sonha

.

Solda

Bashô, Busson e Issa

o resto

é pra encher lingüiça

.

Bashô, meu pai

conceda-me

apenas um haikai

.

Thadeu Wojciechowski

pra pai

até que levo jeito

pra mãe

não tive peito

.

a canção que soa

tem o coração do vento

que me sopra à toa

.

Sérgio Rubens Sosséla

uma andorinha

s o l

faz verão !

.

a esperança

de você viver comigo

dourou um dia inteiro

.

Jack Kerouac

eu, meu fumo

minhas pernas dobradas

.

pra lá de Buda

tem nada lá

só porquê

eu não quero

.

Edu Hoffmann, natural de Jacarezinho-PR. Poeta e jornalista, radicado em Curitiba desde 1974. Autor dos livros Trens, Rasantes, Sete Quedas da Paixão e Bambus.

AUSÊNCIA de joanna andrade / miami.usa

LATE A TEORIA DO CAOS

-OS SENTIDOS FERIDOS  GRITAM MAIS

EQUAÇOES CONSTANTES MINIMAS E CALCULOS VENAIS

-INCONSEQUENCIAS DESMEDIDAS DE UM INERTE QUALQUER.

OLHA A FLOR COMO QUEM NAO QUER VER

– ORQUESTRA AS NOTAS EM UM BANCO DE SANGUE ONDE CHORA A CRIANÇA SEM MAE PELA BALA PERDIDA

NESSA DINAMICA ATÉ O PEIXE PULOU FORA D’AGUA FRIA

-COMO PODEREI VIVER SEM A TUA COMPANHIA ?

(SIC)…LINEARIDADE  DESFIGURADA DENTRO DE UM CONJUNTO DIALOGICO, POIS ENTRE AS FALAS TODAS NAO HOUVE NINGUEM……….

pergunto ao sal – de ewaldo schleder / curitiba

pergunto ao sal

olho o mar e as ondas quebram na praia

uma, duas, três…a sétima bate na pedra

algas espumam na areia à espera do sol

depois a lua – atrás das nuvens

lençóis brancos entre a tarde e o céu

velas tremeluzem embaladas pelas águas

curvas se perdem além do breu

certezas iluminam as mãos do pescador

a iscar o anzol na linha do horizonte

braços fortes fisgam – e sangram – o sol

ewaldo schleder

(floripa, dez. 09)

REMISSÃO de josé dagostim / criciuma.sc


Lá,
onde nasce o rio,
alimenta um instante,
transborda em movimento e
alcança o minuto vazado de uma melodia acolhedora.

Livre,
sobrevoa tangendo o encontro de uma vida.
Vida de eternidade,
De lance e
Toque.

Mel.

AGENDA OLÍMPICA RIO 2016 – por alessandro kuerten / rio de janeiro


Na Copa de 2010

1. Galvão Bueno durante a narração dos jogos DA seleção brasileira vai dizer que a olimpíada ééééééééeé do Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrasiuuuuuuuuu.

De 2010 a 2015

1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após a olimpíada estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro publico. Ninguém será preso ou indiciado.

2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música (?) que diz: vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira; sendo que eles nunca souberam o que era uma pira até então.

3. Um ano antes a Globo vai instalar aqueles relógios ridículos na orla de Copacabana e em outras capitais fazendo a contagem regressiva para o início dos jogos.

4. Uma escola de samba vai homenagear OS jogos, rimando barão de coubertin com Sol da manhã. Gilberto Gil virá no último carro alegórico vestido de lantejoulas douradas representando o espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de Sol ao raiar do fogo da vitoria.

5. Haverá um concurso para nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o Sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas serão nomes tais como: Zé do Olimpo, ChicoTochinha e Kaíque Maratoninha.

6. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chama Kathy Mileine Suellen da Silva.

7. Milhões de produtos serão anunciados como oficiais dos jogos, desde as habituais camisetas EU VOU RIO 2016 até calcinhas e lógico, biquínis, os quais de tão pequenos terão apenas 2 dos 5 anéis olímpicos.

Abertura dos jogos

1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra em urgência ao carnavalesco da Beija flor.

2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria DA Mangueira farão um show na Praia de Copacabana para comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha.

3. Durante o percurso da tocha, OS brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado do atleta que porta a mesma carregando cartolinas cor de Rosa onde se lê GALVÃO FILMA NÓIS, 100% FAVELA DO RATO MOLHADO.

4. Pelé vai errar o Nome do presidente do COI, discursar em inglês macarrônico elogiando o povo carioca e ao final vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.

5. Cláudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o hino das olimpíadas composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música para aparecer mais na TV.

6. Durante o Hino Nacional Brasileiro a platéia vai errar a letra, chorar como se entendesse o que está cantando e aplaudir no final como se fosse um gol.

7. Uma brasileira vai ser filmada várias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira do Brasil pintada na bochecha. Depois dos jogos ela posará pra Playboy sem o top e sem o shortinho, mas com a bandeira pintada em outras partes que também começam com a letra B.

8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a madrugada pela primeira vez, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra direito do fato.

9. 74 passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do Rio ao Mundo: a bala perdida, o trafico, o funk e a favela.

10. Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silencio 774 vezes. Como ele pedirá em inglês ninguém vai entender e vai continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.

11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.

12. Adriane Galisteu posará para capa de CARAS ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB, claro.

13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados de uma favela próxima e vendidos assados na saída do Maracanã por dois “real”.

Durante os jogos

1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é lindo. Ou não.

2. Uma modelo-manequim-piranha-atriz-exBBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV de menor expressão.

3. No primeiro dia, os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 74.

4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, ganha por atletas desconhecidos até então num esporte tipo caiaque em dupla. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação, a Hebe vai dizer que eles são uma gracinha ao posar mordendo a medalha e nunca mais se ouvirá os nomes dos atletas.

5. A seleção brasileira de futebol comanda por Ronaldo Fenômeno tendo Obina como assessor vai chegar como favorita. Passara fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo pra seleção de Sumatra por humilhantes 3X0 e tendo que disputar a medalha de bronze com um país centro-americano. Vencerá por 1X0 e não comparecerá à cerimônia de entrega das medalhas porque os jogadores inexplicavelmente tinham compromisso em seus clubes europeus.

6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Nenhuma criança vai entender nada do que eles falarão, mas vão rir pra valer ao aparecer na TV. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores e serão encontrados mortos na semana seguinte. Os uniformes nunca mais serão vistos.

7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica vai substituir o tal pó pelo cimento que estará estocado nos fundos do ginásio visto que as obras ainda não terão terminado, fato que será usado como desculpa pela eliminação dos ginastas brasileiros.

8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 74º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê: JARDIM MATILDE NA VEIA

9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em slow motion e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.

10. Todos os brasileiros entenderão todas as regras de todas as modalidades que eles nunca nem ouviram falar e saberão na ponta da língua na hora de xingar o atleta que foi eliminado.

Após os jogos

1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô pra pagar as despesas que teve para estar nos jogos e não obteve patrocínio.

2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas (ou seja, todos). Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, etc.

Canto do Prazer Medonho – de tonicato miranda / curitiba


(para Zuleika dos Reis)

Ai! Baladas da noite

sonatas da tarde, manhãs luminosas

são variações do dia para quem já amou

Como custa passar o que nunca passou

Ah!!! Mas e as viagens além-mar

além fronteiras de mim?

nos mares da minha vizinhança

onde as viagens ali tão perto?

ao mar do Passeio Público

ao meu Éden predileto

.

Ah!!! Quanta falta me faz

um perigo formidável

o peso de cruzes no olhar

postes de luz soltos no céu

sobre oceanos de soja

verdes girando num carrossel

.

Ah!!! Quanta falta me faz

um perigo formidável

o pássaro sobre-mirando

o vôo antes do salto

.

e eu por trás de uma pedra

medrando este mesmo salto

Ah!!! Quanta falta me faz

um perigo formidável

uma louca sobre mim

à porta de um funeral

sem aviso e com porradas

a surpresa causando mal

.

Ah!!! Quanta falta me faz

um perigo formidável

roubar uma fotografia

com um clic surpresa

depois comê-la com sal

com os talheres da mesa

.

Ah!!! Essas malvas na sacada

tão rosas e empertigadas

balançando ventos e perfumes

meu olhar na haste que farfalha

a elas nada interessa além-vidraça

meu eu, nem tampouco De Falla

.

Ontem era ela e a navalha

perigosamente no meu rosto

à mercê de seus dedos e desejos

o corpo emudeceu a voz, a gritaria

fui passear em areias e oásis

muito além da sua barbearia

.

Ai!!! Essas malvas no tapete

tão rosas e carinhosas

emoldurando as pernas

a voz que para ouvir se cala

todos reunidos em três abraços

dois deles a mim, um a De Falla

.

Hoje ela veio com ar fatal

na pochete só um chiclete

além de todo o trivial

uma sobrancelha maquiável

mas no ventre e no olhar trouxe

o sorriso do perigo formidável

.

CWB, 23/02/1989

Retrabalhado em 26/08/2009

TM

MOMENTO DE LUZ de otto nul / palma sola.sc

O momento de luz

De esplendor tão

Fugaz quanto todos

Ainda se pode alcançar

Ei-lo que se alça

Bem a nossa visão

Inspirador e pleno

De alvíssaras

Serve-te agora dele

Para te favorecer

Na coleta da beleza

Ou deixa que passe

Como tantas vezes

Na voragem de tudo

Rumorejando ( Um Ano Novo e os subsequentes também com bastante saúde a todos desejando). – por juca (josé zockner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (Via pseudo-haicai).

No meio da multidão

A costureira, absorta,

Costurava um simples botão.

Constatação II

Pobre, quando consegue se candidatar, obtém um ou outro votinho; rico é sufragado.

Constatação III

E como dizia, pseudo-haicaimente, o obcecado, aquele nosso velho conhecido:

“Quem nunca cometeu traição,

Pelo menos em pensamento,

Não tem imaginação”.

Constatação IV

Se não fosse essa sucessão de pindaíbas,

Que me deixaram num miserê danado,

Eu, agora, poderia estar bem bronzeado

Me banhando no mar das Caraíbas.

Constatação V

Não se deve confundir grosa – a ferramenta de desbastar madeiracom glosa – “cancelamento ou recusa, parcial ou total, dum orçamento, conta, verba, por ilegais ou indevidos” –, muito embora a Receita Federal, na maioria das vezes, faz uma glosa tão profunda em nossa declaração de imposto de renda que até parece que foi utilizada para tal uma grosa. (Em algumas regiões do país, as duas palavras significam a mesma coisa, no sentido de glosa. Aí, não só se pode confundir, como é permitido…).

Constatação VI (Alerta quanto aos banqueiros e os políticos).

Atacaram com frotas,

Os banqueiros poliglotas,

Vestidos como janotas,

Pilotando luxuosos Toyotas,

Contando muitas lorotas,

Intercaladas com anedotas;

De juros, levaram muitas notas.

Será que engabelaram os idiotas,

Com suas tradicionais marmotas ?

Pro nosso sofrido país, novas derrotas.

Tá na hora de vir novas patotas,

Absolutamente sem botas,

Pelo menos, um poucochinho patriotas,

Traçando novas rotas.

Portanto, vê lá em quem, na próxima, tu votas…

Constatação VII

Tá certo que o voto é o ato representativo da democracia, só que, para ser candidato, a fim de poder receber os tais votos democráticos, não sai por menos do que vários milhões… Democraticamente, tenho dito!

Constatação VIII

Disse a moça na promoção do novo comestível, no supermercado: -“A senhora não quer provar o nosso produto? Ele dura até 2 anos!”

Disse a freguesa: -“Fico imaginando, então, quanto produto químico que ele não deve ter…”

Constatação IX (De conselhos úteis).

Cuidado com o pastel da esquina, em geral, e com um daqueles 40 que a pastelaria apregoa produzir, em particular, já que guardar e conservar fresco o recheio desse elevado número, principalmente daqueles que têm menos saída, deve ser meio difícil. De nada!

Constatação X (Via pseudo-haicai).

O candidato tão absurdo, tão grotesco,

Tão indigno, digno de figurar numa peça

Do autor teatral romeno Eugène Ionesco.

Constatação XI

A mãe natureza não distingue os bons dos maus; a justiça dos homens, às vezes, tampouco.

Constatação XII (Via pseudo-haicai).

Pelo Poder ficou obsedado

O candidato sem escrúpulos;

Eleito, claro, ficou deslumbrado…

Constatação XIII

Perguntou, fazendo charme, o pai pro namorado bocó da sua filha: -“E como é que vai o namorado da minha filha ?”

Respondeu, já brabo, o namorado bocó pro pai da sua namorada: -“E eu que achava que era o único namorado da sua filha”.

Constatação XIV

Diz o otimista: -“Quando eu nasci, eu comecei a viver”; diz o pessimista: -“Quando eu nasci, eu comecei a sobreviver; diz o fatalista: -“Quando eu nasci, eu comecei a morrer; diz o realista: -“Quando eu nasci, eu tratei de sobreviver para poder viver e, daí, morrer. Diante de todos esses disse-que-disse ou diz-que-diz-que, eu não digo mais nada…

Constatação XV

Aquela piada, tão conhecida, cujo desfecho é: “mas, você vai ver a gente que eu vou pôr lá” perdeu completamente a sua atualidade. Não que a gente tenha melhorado. É que, de uns tempos para cá, passou a ocorrer, com muita freqüência, tempestades, furacões e até terremotos no Brasil…

Constatação XVI (De conselhos úteis).

Se nos próximos anos, os feriados não forem tão benevolentes como no ano de 2009 que, em sua maioria, caíram numa sexta ou segunda-feira, não se vexe. Se, por exemplo, caírem numa quarta-feira faça a ponte na segunda e terça ou na quinta e sexta, já que, como é sobejamente sabido, você absolutamente não é de ferro. De nada! A propósito, por não ser de ferro, você, se quiser também, poderá fazer a ponte em todos aqueles quatro dias anteriormente citados. De nada!

Constatação XVII

Do jeito como, hoje em dia, os jovens, no seu conceito de liberdade, estão se comportando, aguardem para muito breve o professor chamando a atenção dos alunos de que o “walk men” está com o volume muito alto e, consequentemente, atrapalhando a aula e daqueles que querem prestar atenção, ouvir a seguinte resposta: “Os incomodados que se mudem”…

Constatação XVIII

Aos prezados leitores Rumorejando reitera um Feliz Ano de 2010, 2011, 2012, dois mil+n, dois mil + n+1, dois + mil n+2…

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Pernóstico

Era somente

Quem

Utilizava,

Essencialmente,

Na rima, também

O acróstico* ?

*Acróstico = “Composição poética na qual o conjunto das letras iniciais (e às vezes as mediais ou finais) dos versos compõe verticalmente uma palavra ou frase”.

Dúvida II

Será que o sol deixou de brigar definitivamente com Curitiba ?

Dúvida III

Será que, no campeonato brasileiro, o time que estava indo mal bastava jogar com o meu Paraná para levantar a moral à custa desse meu tão sofrido time ?

Dúvida IV

Querer abrir o portão de casa com a chave do carro ou querer abrir o carro com o chave do portão é um ato falho ou é estar ficando gagá mesmo ?

Dúvida V

Será que a turma, que enche a boca e a nossa paciência quando fala em países do 1o Mundo, se dá conta que não existe país do assim chamado 1o Mundo que, para chegar lá, não deixou de explorar, de alguma forma e algum longo tempo, outros países ? E que a tão decantada globalização enseja, de alguma forma, que isso continue a ocorrer ?

Dúvida VI

Será que remédio falsificado tem o atenuante de não dar efeito colateral ?

Dúvida VII (Via pseudo-haicai).

A cada ano

O assunto eleição

Fica mais profano ?

Dúvida VIII

Quem ri por último ri melhor, ou quer dizer que levou mais tempo para entender a piada ?

Dúvida X

Com essa chuvarada toda, assim como eu, você, prezado leitor, também chegou a criar bolor até na alma ?

Dúvida XI

Você, prezado leitor, acredita que, depois de eleito, algum candidato, em sã consciência, poderá pôr a saúde e a educação da população em nosso país no mesmo nível dos seus interesses pessoais e políticos ? Acredita ?????? 

O grande sonho de 2010: ser pobre – por alceu sperança / cascavel.pr

O que há de mais sacana na ideologia é como os neoliberais pelo mundo afora (e os luliberais, aqui dentro), falseiam as coisas. Em seu discurso, a vilania é o bem supremo. A CPMF não era um confisco, mas um controle do dinheiro ilegal e uma arma de combate ao mal em benefício dos descamisados. O enriquecimento desmesurado dos banqueiros é “desenvolvimentismo” e vai por aí.

Há iludidos, mesmo entre os que se consideram “esquerda” e não leram uma linha de Marx, que caem nessa conversa esistematicamente apóiam Lula, Requião e outros bons de bico.

O movimento operário e popular está hoje acossado pela direita travestida de social-democrata, trabalhista, “verde”. Essa “esquerda” pornográfica se aproveita da precariedade e da fragilização dos vínculos laborais e das constantes mudanças de profissão a que as pessoas são forçadas.

O trabalhador especializado precisa esquecer tudo que aprendeu e começar uma nova profissão. Sem adquirir consciência de classe, é vítima desse modernismo trabalhista/cidadanista e sua política de conciliação entre capital e trabalho. É a tal da “Conciliação Tiradentes”: a harmonia entre a corda e o pescoço.

Ajudam muito essas manobras da ideologia as informalidades da pirataria e do tráfico. Não se respeita o vizinho, o outro. Importa é tirar vantagem de quem aparecer pela frente. Rompe-se a solidariedade. O respeito ao próximo é tido como fraqueza.

A generosidade é “otarice”. E quem trabalha, repentinamente cai na “flexinsegurança” – a tal da flexibilidade que “reabilita” o trabalho. Ou seja, que facilita demitir. Tudo em nome da modernidade – ou seja, reduzir os custos com gente ao mínimo possível. Gente incomoda. Essa é a nova faceta da ideologia desumana no século XXI.

Sem abrir os olhos para essas malandragens, continuaremos a ver lulistas e antilulistas fazendo piadinhas uns dos outros e trocando insultos, embora sejam rigorosamente iguais quanto às práticas: mensalões, enriquecimento de banqueiros, privatizações (as patifarias do processo da Vale estão mantidas), entrega da Amazônia etc.

O escritor José Saramago fez uma exortação aos cidadãos do mundo para que promovam a reinvenção da democracia. “Tudo se discute neste mundo, menos uma única coisa: a democracia. Ela está aí, como se fosse uma espécie de santa no altar, de quem já não se espera milagres (…) E não se repara que a democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada”.

Essa coisa aí não é democracia. Tem eleições, mas elege-se preferencialmente quem compra voto. Há liberdade de pensamento, mas os partidos não seguem princípios. Incham seus quadros com qualquer um. Intercambiam peças – o vereador tal hoje está num partido, amanhã está em seu aparente oposto.

Compram lideranças pobres de bairros com empregos públicos e privados. E custearam em 2008 campanhas locais em troca de apoio aos grupos que já fingiam disputar na época o Palácio Iguaçu. Grupos que, no poder, vão fazer a mesma coisa que Requião, Lerner ou Dias. Irmãos siameses, práticas similares.

Justamente porque há essa “democracia”, mais da metade da humanidade tem o sofrimento como a verdade “espiritual” e “democrática” de seu cotidiano. A única chance que vislumbram é esperar dos donos do mundo migalhas para municípios quebrados e uma bolsa-família para sair da miséria e, enfim, conseguir subir um degrau: virar pobres.

MONJA COEN: Um ano ZEN de PAZ, SAÚDE e PROSPERIDADE / são paulo

Hoje eu sei que a compaixão é capaz de transformar o mundo e transformar o ser.Hoje eu sei que a compaixão pode ser desenvolvida, cultivada; que as áreas do cérebro responsáveis pela compaixão podem ser estimuladas.Hoje eu sei que é possível “musculação de neurônios” através da meditação e do pensamento amoroso, terno, inclusivo, compreensivo e sábio.Hoje eu sei que Buda se manifesta em cada ser que se entrega à bondade e ao Caminho do Bem, que é o Caminho Iluminado.Hoje eu sei que a Verdade é o Caminho. A Verdade com “V” maiúsculo, onde tudo está incluso – até mesmo as mentiras.Hoje eu sei que não sei, que não há nem mesmo um “eu” que sabe e não sabe.Hoje eu sei que intersomos, interconectados com tudo que existe. Somos um só corpo e uma só vida. Estamos em rede. Na rede de Indra, feita deraios luminosos e em cada intersecção uma jóia recebendo e emitindo raios em todas as direções.Hoje eu sei que somos co-responsáveis pela realidade em que vivemos, pelo mundo em que estamos e que não adianta reclamar, é preciso agir para transformar.Hoje eu sei que a juventude passa, os amores passam, a velhice passa, os desamores passam. Tudo é transitório e passageiro. O que se une inevitavelmente se separa. E assim é.Hoje eu sei que a pessoa mais forte é aquela que se rende primeiro – assim como o bambu – flexível. Hoje eu sei que a água é capaz de se moldar ao recipiente que a contém e que o gelo é duro e pode ferir. Então faço dos ensinamentos sagrados o sol que derrete o gelo e nos liberta de nossa própria frieza.Hoje eu sei que é preciso sentir que a indignação é uma alavanca para as grandes transformações e que as grandes transformações são feitas de pequenos gestos simples no dia a dia.Hoje eu sei que palavras amorosas e ternas afetam as moléculas de água e que somos mais de 75% água. Então, eu cuido do que falo, do que penso e como ajo.Hoje eu sei que a mudança depende de mim, de cada um de nós. E que só há um caminho: ação amorosa e não violenta para resolver conflitos e atritos.Hoje eu sei que a vida vale a pena ser vivida em sua plenitude deste instante eterno.E tudo o que temos é este instante. Aqui e agora.

Monja Coen

2010, A VIRADA NA RESIDÊNCIA DE JB VIDAL e RÔ STAVIS com muita alegria, música e confraternização!

ADEUS 2009! OBRIGADO POR TER TRANSCORRIDO ATÉ O FINAL! APESAR DOS HOMENS E MULHERES QUE COMANDAM AS NAÇÕES.

RÔ STAVIS brinda aos convidados da residência e a todos os amigos e leitores, onde quer que estejam, desejando um ano novo de muita PAZ, SAÚDE E FRATERNIDADE em nome dos PALAVREIROS DA HORA e do editor poeta JB VIDAL. na foto ainda estão MARCELO MUNHOZ (sobrinho de JB) e RUI OLIVEIRA E SILVA.

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o poeta JB VIDAL e RÔ STAVIS trocando palavras de amor e pedindo a proteção do ALTO para o ano de 2010.

aos 0,010 s do dia 1º de janeiro de 2010.

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após a última badalada do dia 31 de dezembro de 2009, pipocaram os flashes e os brindes entre os presentes na residência de JB VIDAL e RÔ STAVIS. na praia dos ingleses/floripa. na foto, ANNE MUNHOZ, RUI OLIVERA E SILVA, DORITA MUNHOZ, JOÃO PAULO VIDAL e AVANI SILVEIRA MARTINS (de costas).

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nas comemorações ROBERTO MARTINS (sobrinho), JB VIDAL, RÔ STAVIS e JOÃO PAULO VIDAL, filho de JB. alegria elevada à milésima potência. voltem sempre!

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AVANI SILVEIRA MARTINS, (terezópolis/rj) irmã do poeta JB VIDAL veio celebrar o novo ano em companhia do mano e da cunhada RÔ STAVIS. veio alegrar a residência com sua simpatia e espírito elevado. saúde mana! contamos com você no próximo ano.

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DORITA MUNHOZ (sobrinha de JB) e RUI OLIVEIRA E SILVA (marido) vieram enriquecer a residência do tio com suas simpáticas presenças. RUI um gourmet e tanto, acompanhou JB na pilotagem do fogão apresentando filés de congrio rosa à escabeche. delicioso! saúde e voltem sempre!

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JB VIDAL e JOÃO PAULO o filho caçula. tem formatura de 3º grau (Administração) este ano. o pai e estarão presentes. saúde filho! a prosperidade você faz!

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JB VIDAL e ANNE MUNHOZ (sobrinha). futura odontóloga para a Ilha de Santa Catarina. estaremos torcendo para que aconteça.

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o “lanche” comemorativo à passagem de ano foi um “leitãozinho” de 15 Kg preparado por SAUL, um gourmet consagrado na praia dos ingleses/floripa. e salada de lentilhas com purê de batatas preparados por . EXCELENTE!

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o sol e depois o mormaço modorrento jogou a turma na “pileta” para dar uma refrescadinha. ANNE, RUI, AVANI. JOÃO PAULO, BI e IZADORA CATARINA ( a garotinha linda). casa cheia faz a alegria do casal! bom ano pessoal!

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o jornalista e escritor EWALDO SCHLEDER também foi levar seu abraço de ano novo ao casal JB e . amigos de longaaaaaa data.

YURI e CAROL CASTRO genro e filha de brindaram o ano novo com grandes espectativas profissionais!

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ROBERTO MARTINS (sobrinho de JB) e IZADORA CATARINA (filha dele) em pose de início de ano. festejaram a chegada do novo ano na residência. (1/01/10)

PUBLICO AQUI O COMENTÁRIO DA POETA, ESCRITORA E HAICAÍSTA ZULEIKA DOS REIS:

Comentário:
Um feliz Ano Novo ao querido amigo Vidal, a toda a sua familia e a cada um dos seus amigos.  Um feliz Ano Novo a cada um dos palavreiros, a cada um dos colaboradores, a cada um dos leitores deste site tão precioso.Mais uma vez reafirmo a alegria de ser palavreira,  assim como leitora das coisas sempre tão ricas de ler aqui publicadas.
Quando penso nos rumos do mundo e em certos rumos do Brasil; quando penso na tragédia que se abateu sobre Angra dos Reis, no Rio e em outros locais também no Rio e no interior de São Paulo; quando penso  no descaso de algumas “autoridades”, isto tudo empana a já difícil alegria de manter por dentro, neste início de ano. Apesar de tais sombras, é preciso prosseguir e manter a esperança. Espero ter a lucidez necessária para fazer a melhor opção como cidadã, por ocasião das eleições e tentar ser a melhor cidadã que me for possível no decorrer de todo o ano. Espero que o País do Futuro prossiga o seu rumo, corrigindo desvios gravíssimos de trajetória e multiplicando acertos; que se faça justiça aos justos e que os injustos recebam as punições necessárias ( para dizer as coisas assim, eufemisticamente, neste comecinho de ano).
A nós que produzimos escrita, a nós meio Dom Quixotes em um mundo em que cabemos mal e com certo desconforto, a nós que lutamos com a palavra, como ofício que às vezes sentimos como ócio, a nós que produzimos “inutensílios” que se revelam  paradoxalmente mais úteis do que boa parte dos utensílios que se produzem no mundo ( inutensílios que, por exemplo, produzem pensamento crítico, entre outros “frutos”); a nós todos que aqui e em outros sites e nos livros e em recitais repartimos o pão da palavra poética, o pão da indignação, o pão do sonho ainda de alguma UTOPIA , UM ANO NOVO REALMENTE NOVO, lembrando Maiakóvski, no poema O AMOR: “Que o pai seja pelo menos o Unverso./ Que a mãe seja no mínimo a Terra.”
Grande abraço a todos
Zuleika.