Arquivos Diários: 14 janeiro, 2010

LONDRINA: dia 16/1 as 21 horas, TODOS LÁ, é um show de alta qualidade!

JANELAS PARA SE LER – por lucas paolo / são paulo

Janelas para se ler

Para Laura

… e nas janelas vislumbrar longe, portas presumem ser mais vantajosas, mas são as pequeninas frestas que permitem enquadrar o mundo: entrever o espaço: perceber o tempo: rever a vida:… e o Mundo vai se criando numa brincadeira eterna, pois tão divertida, imaginar-se por através destas molduras vazias, cada piscada é a revelação de uma metamorfose, milhares de inusitadas árvores: lagos: flores: condores:… e atentá-las é pintar o porvir, pinceladas cosmogônicas no que ainda não se significou, matizes de viver: brilho de observar: sombra de divagar: esfumaçamento de sonhos:… e transpassar os vidros, ver por depois das janelas, o cubismo de pessoas no metrô: o expressionismo nos espelhos: Dada na televisão: a natureza morta nos outdoors: o impressionismo no soprar do vento: o surrealismo de um sorriso:… e talvez as palavras, perpassar o contorno das minúsculas letrinhas…

DISPOSITIVOS MÓVEIS IRÃO ESCANEAR SEU CORPO NÚ NAS RUAS – editoria

Scanners corporais estão sendo preparados para se tornarem móveis e escanear você na rua, em jogos de futebol e qualquer outro evento onde massas de pessoas estão reunidas, de acordo com um documento vazado escrito pelas autoridades holandesas.
A tirania que está agora sendo implementada em aeroportos sempre foi destinada a ser posta em prática nas ruas, como detectores de metais móveis já em ação vários centros de transportes no Reino Unido, sob o pretexto de impedir os crimes com o uso de facas.

Agora, a polícia holandesa anunciou que está desenvolvendo um scanner móvel que vai “ver através da roupa das pessoas e procurar por armas ocultas”.
De acordo com um documento confidencial, “O scanner pode ser primeiramente utilizado como uma alternativa para revistas corporais aleatórias nas áreas de alto risco. O detector móvel permitirá as buscas a serem realizadas mais rapidamente e só seria usado em pessoas com suspeita de transportar armas escondidas”, relata o site holandês News.nl.

O dispositivo também seria utilizado a partir de uma distância sobre grupos de pessoas “e fazer varreduras em massa no público em eventos como partidas de futebol.”
“O maior desafio é torná-lo portáteis e garantir a realização de uma varredura em segundo”, afirmou Giampiero Gerini, professor da Universidade de Eindhoven, segundo o jornal holandês.

O objetivo é desenvolver e implantar o equipamento em um prazo de três anos. Com a polícia nas principais cidades americanas e britânicas já realizando buscas aleatórias em pessoas inocentes sob as leis contra o terrorismo rotineiramente abusadas, scanners móveis serão provavelmente adicionados ao seu arsenal, especialmente se as pessoas forem condicionadas a aceitarem a sua utilização como rotina nos aeroportos.
Três anos atrás, documentos vazados do Ministério do Interior revelou que as autoridades do Reino Unido estariam trabalhando em propostas para embutir câmeras de CCTV com raio-x em postes que iriam escanear as pessoas que passassem e “despi-los”de forma a localizar “suspeitos de terrorismo”.

“A questão é quando isso é uma adição útil para a segurança e quando é que se torna excessivamente intrusivo e preocupante para o público”, Disse o professor Paul Wilkinson, um especialista em terrorismo.

Uma vez que tudo o que vemos que está sendo instalado nos aeroportos está agora a ser introduzido gradualmente nas ruas, quanto tempo teremos antes que dispositivos de leitura da mente façam a varredura de indivíduos para a psicologia comportamental, o que está sendo discutido para uso em aeroportos, sejam instalados em cada canto das principais ruas?

As tecnologias sendo agora preparadas não apenas para os aeroportos, mas para nossa vida cotidiana, são muito mais assustadoras e avançadas tecnologicamente do que qualquer coisa que George Orwell escreveu em seu livro “1984”. A menos que nos levantemos em uníssono e digamos basta, o nosso mundo se tornará um prisão high-tech caracterizada por um sistema de castas de escravos e controladores.

Fontes:
Dutch News: Dutch police develop mobile body scans
Infowars: Now Mobile Devices Will Scan Your Naked Body On The Streets

ETERNAMENTE TERNA NO ÉTER ou MORFEU SABIA – de ewaldo schleder / curitiba

Eternamente terna no éter

ou

Morfeu sabia

(para Bia de Luna, dois anos depois)

Danem-se os escrúpulos

deixa-me beijar sua boca fria

e ressuscitá-la para dançar

este sonho de valsa desesperada

agora que o salão está vazio

aparecem as purpurinas

do público em particular

brilham as lantejoulas

(ainda mais sob os spots)

do corpo de baile insensato

desencarnados por engano

acolhem-na bem por certo

Ana Cristina César, Rita Pavão

Bond, Leminski, Raul, Janis Joplin,

Hendrix, Dolores, Elis, Maysa

numa roda de tempo quebrado

em seus botões de poesia tenra

eternamente terna no éter

agora que o salão está vazio

conta-nos sem medo, Bia

conta-nos como foi

como o mar e o luar (ecce homo)

conta-nos, aí do céu

como, afinal, Caim matou Abel?

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a poeta BIA DE LUNA. in memoriam.a poeta BIA DE LUNA. in memoriam.

ilustração do site.

A ARTE NO CONCEITO DE PLATÃO E ARISTÓTELES por fernando santoro

“… Dizer que a poesia é imitação, para a teoria apresentada na República, é distanciá-la duplamente da verdade, pois em primeiro lugar está a verdade na idéia em si mesma de algo; se um artesão vislumbra esta idéia e produz um objeto, este é gerado a certa distância da verdade, e se um poeta canta nos seus versos este objeto, então ele está afastado mais ainda da verdade.

O poeta, sendo imitador, é um artífice de segunda categoria, o mais afastado da verdade, próximo aosPLATÃO prestidigitadores e ilusionistas, porque não produz mais do que sombra das coisas. Isto é quase uma afronta ao senso comum dos gregos, que cultuavam seus poetas como os mais sábios dentre os homens, porta-vozes de seu panteão tradicional e do conhecimento das virtudes.
Aristóteles herda de Platão a categoria de “arte mimética”, mas, ao menos no tocante ao que nós chamamos de artes literárias, ele está disposto a resgatar-lhes aquele valor arcaico tradicional de sabedoria e verdade. Já no que diz respeito às outras artes miméticas, as não literárias, Aristóteles, por omissão, as deixa no mesmo patamar em que sempre estiveram: ofício de artesão, atividade socialmente inferior, servil.

Quando muito, o Filósofo faz uma distinção entre os mestres arquitetos e os que simplesmente obram com as mãos. Tal distinção ainda salva do total desprestígio alguém como Fídias, o arquiteto e mestre Aristótelesescultor dos monumentos da Atenas de Péricles. … Se Aristóteles chegou a enquadrar num mesmo gênero mimético as artes literárias e as artes plásticas, como certamente o fez Platão, não era por dar-lhes o mesmo “valor artístico”. A mímesis aristotélica é um contraponto à mímesis de Platão: ela não define o valor artístico (baixo), mas vem resgatar o valor de verdade.

Se, para Platão, a imitação era o distanciamento da verdade e o lugar da falsidade e da ilusão, para Aristóteles, a imitação é o lugar da semelhança e da verossimilhança, o lugar do reconhecimento e, assim, da representação.”

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Trechos retirados dos ANAIS DE FILOSOFIA CLÁSSICA, vol. 2 nº 4, 2008
ISSN 1982-5323