Arquivos Diários: 15 janeiro, 2010

ZILDA ARNS morre no terremoto do Haiti e deixa grande legado de solidariedade para com as crianças do planeta.

Zilda Arns Neumann

(Forquilhinha, 25 de agosto de 1934 — Porto Príncipe, 12 de janeiro de 2010) foi uma médica pediatra e sanitarista brasileira.

Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, foi também fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança[1] e da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Recebeu diversas menções especiais e títulos de cidadã honorária no país. Da mesma forma, à Pastoral da Criança foram concedidos diversos prêmios pelo trabalho que vem sendo desenvolvido desde a sua fundação.

Vida e obra

O casal de imigrantes alemães Gabriel Arns e Helena Steiner teve 16 filhos. Zilda, a 13ª criança,[2] nasceu no interior de Santa Catarina. Em 26 de dezembro de 1959, casou-se com Aloísio Bruno Neumann (1931-1978), com quem teve seis filhos: Marcelo (morto três dias após o parto), Rubens, Nelson, Heloísa, Rogério e Sílvia (que morreu em 2003 num acidente automobilístico). Zilda Arns era avó de nove netos.

Formada em medicina, aprofundou-se em saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando a salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Compreendendo que a educação revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças, para otimizar a sua ação, desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João (Jo 6:1-15).

A sua prática diária como médica pediatra do Hospital de Crianças César Pernetta, em Curitiba, e, mais tarde, como diretora de Saúde Materno-Infantil da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, teve como suporte teórico as seguintes especializações:

  • Educação em Saúde Materno-Infantil, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP);
  • Saúde Pública para Graduados em Medicina, na Faculdade de Saúde Pública (USP)
  • Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) /Organização Mundial da Saúde (OMS), e Ministério da Saúde
  • Pediatria Social, na Universidade de Antioquia, em Medellín, Colômbia
  • Pediatria, na Sociedade Brasileira de Pediatria
  • Educação Física, na Universidade Federal do Paraná

Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin, para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória, no Paraná, criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.

Em 1983, a pedido da CNBB, criou a Pastoral da Criança juntamente com o presidente da CNBB, dom Geraldo Majella, Cardeal Agnelo, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil , que, à época, era Arcebispo de Londrina. No mesmo ano, deu início à experiência a partir de um projeto-piloto em Florestópolis, Paraná. Após vinte e cinco anos, a pastoral acompanhou 1 816 261 crianças menores de seis anos e 1 407 743 de famílias pobres em 4060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261 962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social.

Para multiplicar o saber e a solidariedade, foram criados três instrumentos, utilizados a cada mês:

  • Visita domiciliar às famílias
  • Dia do Peso, também chamado de Dia da Celebração da Vida
  • Reunião Mensal para Avaliação e Reflexão

Zilda e os YanomanisEm 2004, recebeu da CNBB outra missão semelhante: fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de cem mil idosos são acompanhados mensalmente por doze mil voluntários de 579 municípios de 141 dioceses de 25 estados brasileiros.

Dividia seu tempo entre os compromissos como coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e a participação como representante titular da CNBB no Conselho Nacional de Saúde, e como membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Zilda Arns encontrava-se no Haiti em missão humanitária e preparava-se para uma palestra sobre a Pastoral da Criança, na Conferência dos Religiosos do Caribe. Foi uma das vítimas do forte terremoto que atingiu o país, em 12 de janeiro de 2010. [3][4][5][6][7]

Viúva desde 1978, Zilda Arns deixou quatro filhos e nove netos.

Prêmios e honrarias

Prêmios internacionais

Entre os prêmios internacionais recebidos por Zilda Arns,[8] merecem destaque:

  • Opus Prize (EUA), em 2006; [9]
  • Prêmio “Heroína da Saúde Pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 2002;
  • Prêmio Social 2005 da Câmara de Comércio Brasil-Espanha;
  • Medalha “Simón Bolívar”, da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração Social, em 2000;
  • Prêmio Humanitário 1997 do Lions Club International;
  • Prêmio Internacional da OPAS em Administração Sanitária, 1994.
  • Prêmio Rei Juan Carlos (Prêmio de Direitos Humanos Rei da Espanha) pela Universidade de Alcalá. Recebeu o prêmio em 24 de janeiro de 2005, das mãos do rei.[10] [11]

Prêmios nacionais

Entre os prêmios nacionais, destacam-se:

  • Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz, do Senado Federal, em 2005;
  • Diploma e medalha O Pacificador da ONU Sérgio Vieira de Mello, concedido pelo Parlamento Mundial de Segurança e Paz, em 2005;
  • Troféu de Destaque Nacional Social, principal prêmio do evento As mulheres mais influentes do Brasil, promovido pela Revista Forbes do Brasil com o apoio da Gazeta Mercantil e doJornal do Brasil, em 2004;
  • Medalha de Mérito em Administração, do Conselho Federal de Administração, em Florianópolis, Santa Catarina, 2004;
  • Medalha da Inconfidência, do Governo do Estado de Minas Gerais, em 2003;
  • Título Acadêmico Honorário, da Academia Paranaense de Medicina, em Curitiba, Paraná, 2003;
  • Medalha da Abolição, concedida pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, em 2002;
  • Insígnia da Ordem do Mérito Médico, na classe Comendador, concedida pelo Ministério da Saúde, em 2002;
  • Medalha Mérito Legislativo Câmara dos Deputados, em 2002;
  • Comenda da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, grau Comendador, concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho, em 2002;
  • Medalha Anita Garibaldi, concedida pelo governo do Estado de Santa Catarina, em 2001;
  • Comenda da Ordem do Rio Branco, grau Comendador, concedida pela Presidência da República, 2001;
  • Prêmio de Honra ao Mérito da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, 2001;
  • Medalha de Mérito Antonieta de Barros, concedida pela Assembléia Legislativa de Florianópolis;
  • Prêmio de Direitos Humanos 2000 da Associação das Nações Unidas – Brasil, em 2000;
  • Prêmio USP de Direitos Humanos 2000 – Categoria Individual.

Em 2001, 2002, 2003 e 2005 a Pastoral da Criança foi indicada pelo Governo Brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz. Em 2006, a Dra. Zilda foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, junto com outras 999 mulheres de todo o mundo selecionadas pelo Projeto 1000 Mulheres, da associação suíça 1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz. Também é cidadã honorária de dez estados brasileiros (RJ, PB, AL, MT, RN, PR, PA, MS, ES, TO) e de trinta e dois municípios e doutora Honoris Causa das seguintes universidades:

  • Pontifícia Universidade Católica do Paraná
  • Universidade Federal do Paraná
  • Universidade do Extremo-Sul Catarinense de Criciúma
  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Universidade do Sul de Santa Catarina

velório de ZILDA ARNS em Curitiba.PR-Brasil - 15/1/2010

velório de ZILDA ARNS em Curitiba.PR – Brasil – 15/01/2010

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SARA VANEGAS y su poesia / quito. equador

mar: un cuchillo de sal me atraviesa el pecho y las palabras

—-

las voces llegan a borbotones. como el oleaje a las naves sumergidas de la catedral eterna. voces que ascienden al coro y las cúpulas. como alas o lluvia mansa

tras los vitrales encendidos: peces arrodillados y tu sonrisa

dormida

—-

alguien dibuja en la arena el recuerdo de un nombre

y se arroja a la mar

—-

alguien me dice que es la luz azulada de la luna. y yo vuelvo a confundirla con un río submarino. nunca conoceré el origen del agua. me pregunto si el mar devorará sus propias lunas …

—-

la luna y sus manantiales. el mar henchido de campanas. aquí: castillos de espuma y sal. para tus ojos solos

—-

la tristeza del mar: borrachera de espejos. el planeta entero abierto. la luna: un carámbano sobre su piel huraña. sollozo imposible desde las profundidades. y esa música de agua y noche. de vidas ignoradas y multiplicadas muertes.

las palabras: inútiles huesecillos de pez en la inmensidad del oleaje