Cansado de Viagens – de tonicato miranda / curitiba


para /Marilda Confortin

o ônibus, o caminhão, a estrada, a paisagem

Milton Santos na minha mão

a fazenda e verdes no meu olhar

nos ouvidos “Round Midnight” e um pistão

Chet Baker vai viajando-me os sentidos

morros e mais morros lá longe, na Terra

a paisagem de uma estradinha campesina

não a da Marilda, mas uma estrada de terra

verdes vão pontilhando meu olhar

um acordeon e argentinos nos ouvidos a castelhanear

mas o rio na minha visão é inteiramente brasileiro

verdes de doer a retina vêm se entregar

quais personagens me habitam?

para onde viajo tanto

singrando a pele do planeta

pra quê? se basta-me um só canto

qualquer dia desses salto no meio do caminho

e vou, como um boi indolente, tal uma rês

com saudades de todos vocês

mas vou, mas vou, e vou…

Tonicato Miranda

Interior de São Paulo

20/10/2009.

Uma resposta

  1. Caro Tornicato

    Eu conheço bem esse cansaço de viajante errante, sentindo por vezes uma vontade imensa de desembarcarmos num pequeno ponto do mundo que nem vem em nenhum mapa, vivendo incognito, sem nenhuma outra companhia que não seja a de nós próprios, longe de tudo e de todos…Passarmos uns tempos protegidos pelo manto da solidão que às vezes sabe tão bem.
    Já passei por essa prova. Mas acredite, essa euforia é de pouca dura. Afinal, por uma ou outra razão,
    lá fora está o mundo à nossa espera. E ele precisa de si.
    Um abraço grande e parabéns pela magnífica poesia.
    Vera Lucia

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