Arquivos Diários: 17 janeiro, 2010

A DIMENSÃO DA TRAGÉDIA por hamilton alves / florianópolis

Toda a tragédia, menor ou maior, é, de certo modo, portadora de lições.

A do Haiti, em número de mortos e desolação geral, transformada a cidade de Porto Príncipe a escombros, que levará certamente tempo para se recuperar, é talvez das mais dramáticas conhecidas nos últimos tempos.

Nela perdeu a vida uma verdadeira heroína, mulher devotada à causa dos pobres e dos mais flagelados da vida, especialmente de crianças, ela que era formada em medicina na área de pediatria, dona Zilda Arns (ou santa Zilda).

Como se explicar que dona Zilda, levada ao Haiti para ajudar na luta contra os flagelos sociais, tivesse que perecer nesse fenômeno da natureza?

A nossa percepção, sempre superficial dos fatos, nos escapa o sentido de tal desastre, com sacrifício de tantas pessoas. Ou não tem sentido nenhum. E o sentido que possa ter aflora do fato em si, nua e cruamente.

Nesse momento, porém, a todos se impõe o dever de solidariedade, ao mesmo tempo que se aguça, em nosso espírito, o sentimento de quão somos  frágeis, colocando-nos todos diante dos imprevistos da vida. No fundo, somos criaturas reduzidas tão só e exclusivamente a nossa pobre contingência humana; nada mais. Vítimas, a cada passo de nossa existência, dessas mesmas contingências, que a todos nos alcançam.

Vivi uma tragédia incomparavelmente menor à do Haiti, de uma cidade (Tubarão, em 1974) assolada por uma enchente. Percebi, no momento mais crítico, em que a enchente, provocada pela chuva, atingindo todas as áreas da cidade, em umas mais fortemente do que em outras, em que tantas pessoas pereceram e outras mais perderam todos os seus haveres, de como era notório o fato de todos se igualarem na missão comum de salvação.

A tragédia tem o condão de unir as pessoas e mostrar que somos todos iguais. Nesse momento, caem todos os artifícios sociais, os graus, as diferenças, as castas, as raças, etc. Somos apenas criaturas humanas, despidas de nossos adereços.

Em Tubarão, conduzindo o trânsito desorganizado, notei, em certo momento, de calças arregaçadas, em mangas de camisa, o homem mais rico da cidade fazendo as vezes de guarda.

Outros iguais, líderes sociais, transformavam-se pela adversidade naquilo que essencialmente eram – seres humanos. E, como tais, tinham que formar fileiras ao lado das mais modestas pessoas na causa comum de defesa e recuperação da cidade.

A tragédia ensina também a perceber-nos uns aos outros com mais clareza e realismo.

O MENINO e a MENINA que causaram transtorno – por alceu sperança / cascavel.pr

Ponho aqui à frente duas notícias tiradas dos jornais com a missão de meditar sobre elas.

Uma encanta: narra o belo transtorno que a garota Mariana (mesmo nome de minha avó materna) aprontou com seus amigos nos transtornados e transtornantes arredores da praça da Bíblia, que deveria se chamar Luiz Picoli, ao exigir respeito ao meio ambiente.

A outra espanta: o menino Alisson, vulgo Pincel, mais ou menos na mesma idade da Mariana, causou um transtorno terrível ao aparecer sangrando, no bairro Aclimação, com quatro balaços no corpo, a tempo de dizer que foi atirado por um traficante cobrador da conta do crack.

Essas duas notícias provocam um transtorno cá na cabeça: o que, juntas, elas querem dizer? Separadas, é fácil.

A primeira diz que Mariana e seus amigos do Rotaract saíram às ruas para mobilizar a comunidade contra a tentativa de emparedar parte do fundo de vale do rio Cascavel com um shopping center.

Essa maravilhosa garota e seus maravilhosos amigos obrigam a um julgamento: apesar de tanta gente dizer que esta geração está perdida, ela é a mais maravilhosa de todos os tempos.

Nasceu num milênio e se realizará plenamente em outro. Viva a nossa bela juventude!

Mas aí tem a outra notícia. Pincel, um polaquinho como tantos desta cidade iniciada por eslavos, é um dos raros garotos assassinados por traficantes que pôde encontrar alguém e balbuciar o nome do atirador.

Mesmo magro e abatido, corroído pelo crack, ele conseguiu se arrastar e dedurar o responsável pelo trágico fim de sua existência. Um jovem matador, um jovem assassinado.

Essa coisa horrível, que nem comove mais ninguém no quadro de tanta violência urbana, uma ruidosa exaltação ao deus Capitalismo, também obriga a um julgamento: essa juventude está perdida, entregue à droga, fumando a vida numa pedra, coisas de final e início de século e milênio, certamente.

Mas como julgar as duas coisas ao mesmo tempo, numa síntese útil das duas notícias?

Bem, já fiz meus dois julgamentos. Agora deixo a batata quente em suas mãos!

Rumorejando (O terremoto no Haiti, lamentando). – por juca (josé zockner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (Via pseudohaicai).

O Prefeito com seu ar satírico

Baixou um aumentaço

Como sempre, totalmente empírico.

Constatação II (Via pseudohaicai).

Finalmente, desvencilhou-se

Da sogra.

O casamento acabou-se.

Constatação III

E como se atrapalhava o ancião, parado no sinaleiro, olhando para aquela geringonça que alterna as horas e a temperatura: “Estou atrasado. Já são 14 graus e a temperatura é sete e dez”.

Constatação IV

A “torturologia” ou “torturoterapia”, que pretende ser o tratamento para quem foi torturado nos dezessete anos da ditadura de Augusto Pinochet, no Chile, precisa ser adaptada para o tratamento dos aposentados, funcionários públicos, a todos aqueles, enfim a quem a correção concedida, um aumentaço, que foi recentemente dada em nosso país. E, mais uma vez, viva “nóis”.

Constatação V (Via pseudohaicai).

Logo, logo, sem demora,

Seremos todos induzidos

Ao nosso próprio bota-fora.

Constatação VI

Não se pode confundir pressão com impressão, até porque alguma vez ou outra se escuta no ônibus, na fila, no cinema, etc. “tenho aimpressão que estão fazendo pressão no meu bolso para me levar a carteira”…

Constatação VII

Nas minhas pretensões

Um baldaço:

Privações

Devido ao aumentaço.

E das prestações,

Nunca mais me desfaço;

Das minhas ilusões,

O que é que eu faço ?

Agora, serão só senões.

Que embaraço !

Constatação VIII

A globalização é fascista.

Constatação IX

Não se pode confundir vai indo com esvaindo, muito embora do jeito que a previdência vai indo, o infeliz aposentado aqui vai acabar também se esvaindo.

Constatação X

Naquele imemorável concerto, o diálogo musical entre o piano e a orquestra parecia mais um ríspido bate-boca.

Constatação XI

E não esqueça, caro leitor, que no decálogo de um bom diálogo não entra o monólogo.

Constatação XII

Tem gente que não te dá a palavra, monologando o tempo todo e depois sai dizendo por aí que você é um bom papo.

Constatação XIII

Eu apenas te vejo,

E isso me deixa meio tantã,

Catando um ou outro percevejo,

Na minha insônia malsã.

Constatação XIV

Quando o INSS – Instituto Nacional de Seguro Social me mandava o Extrato Trimestral de Benefício com a seguinte mensagem: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, não sei porque mas eu tinha a exata impressão que esse pessoal estava gozando da minha cara…

Constatação XV

Quando o então presidente Boris Yeltsin pediu a cooperação internacional para ajudar a Rússia a eliminar parte das suas reservas de armas químicas que acumulou ao longo do tempo, eu fico matutando: primeiro, desviaram recursos das necessidades básicas do povo russo para construir as armas; depois, necessitam recursos para eliminá-las. O povo russo deve estar dizendo a esta altura do campeonato: spaciba (obrigado) pela atenção a nós dispensada durante todos esses anos.

Constatação XVI

Rico tem disfunção erétil; pobre, é broxa.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Se filho de peixe, peixinho é; filho de “machambomba”, “machambombinha” é ?

Dúvida II

Foi a atriz Camila Pitanga que chorou as pitangas porque não lhe deram uma pitanga ? (Perdão, leitores).

Dúvida III

Fez uma prédica

Pra não pagar a consulta

Pra médica ?

Dúvida IV

Por causa de uma espécie de gente e de seu comportamento, te causa espécie a espécie humana ?

Dúvida V (Via pseudohaicai).

Dá um nó na moleira

De ver reunida

Tanta besteira ?

Dúvida VI

O quadrado é um redondo com arestas e vértices ?

Dúvida VII

O que será que a musa do verão faz no inverno ?

Dúvida VIII

O verão em Curitiba dura quantos minutos mesmo ?

Dúvida IX

A comichão é só agradável em função do lugar onde ocorre e de quem te coça e como se coça ?

Dúvida X

A mamata e a marmota são primas entre si ?

Dúvida XI

Por que será que o governo brasileiro menospreza tanto a inteligência de seus concidadãos quando afirma que os recursos da Saúde serão efetivamente aplicados na Saúde e aplicam em outras ditas “prioridades” ? Ou será que é menosprezo mesmo por nós pobres concidadãos, já que acham que merecemos ser engabelados pelas tradicionais mentiras governamentais ? (Lembram-se do CPMF?)

Dúvida XII

E já que falamos no assunto, quem será que ensinou o governo a dar calote na gente com as suas promessas, quase sempre não cumpridas, embora compridas ?

Dúvida XIII (Mesmo escapando do rebaixamento).

O torcedor do Paraná,

Como eu e tantos mais

Quer saber o que é que há

Com os seus antigos diretores,

Assíduos perdedores,

Como não houve jamais.

Dúvida XIV

Liquidez, para um pistoleiro, é quando é fácil executar o serviço ?

Dúvida XV

Foi o Capitão Gancho que, mais uma vez, quando estava jogando voley, furou a bola ?

Dúvida XVI

Foi a candidata espertalhona que usou, no desfile, espartilho ?