Arquivos Diários: 24 janeiro, 2010

A SOBERANIA DO COPO de otto nul / palma sola.sc

Eis o copo

Em cima da mesa

Ali é seu pequeno

E insubstituível reino

Um copo compõe

Bem qualquer lugar

Mas notoriamente

Uma mesa

E independe da mesa

Seja pobre ou rica

Feia ou bonita

Bem ou mal ornamentada

O copo é uma coisa

Meio soberana

O copo é o senhor

Do espaço que ocupa

A estupidez dos ditadores – por alceu sperança / cascavel.pr

O mais genial escritor brasileiro – mais uma briga, agora com os machadistas! – escreveu, dentre outros, um livro obrigatório: O Triste Fim de Policarpo Quaresma.

Conheço um pessoalzinho que odeia o livro por estar na lista de leituras que “caem” no Vestiba. Mas ler, quando não é obrigação, faz muito bem à alma.

Sem ter assistido a nenhum AtleTiba, dizia Lima Barreto, na revista Careta, em 1922:

“O football é uma escola de violência e brutalidade e não merece nenhuma proteção dos poderes públicos, a menos que estes nos queiram ensinar o assassinato”.

Toda vez que uma torcida organizada mata um, essas palavras ocupam minha memória.

Mas o livro por vezes indesejado de Lima Barreto conta a história de Quaresma, que confundia patriotismo com formalismo e acabou resvalando para o nacionalismo, que é de todos os ismos provavelmente o mais traiçoeiro.

Ele pregava a substituição do idioma Português pelo Tupi. Isto sim, seria patriotismo nacionalista!

O pobre Paraguai, quando venceu a ditadura (tem maluco a desejando de volta), humilhou os patriotas nacionalistas brasileiros instituindo o Guarani como seu segundo idioma.

Poderíamos fazer o mesmo e livrar a cara dessa vergonha. Mas já não tem jeito: liquidamos, com nosso patriotismo nacionalista, praticamente todos os índios, sua cultura e idiomas.

Estudar Guarani na escolinha do bairro tem mais a ver que o Francês, que me obrigaram a estudar em Foz do Iguaçu. Belchior: “Um tango argentino me vai bem melhor que o blues”.

O ditador Vargas, cujo desconfiômetro depois o levou a tentar a defesa do Brasil contra o imperialismo de Tio Sam, também tinha rompantes nacionalistas, que por um certo período o aproximaram dos galinhas-verdes integralistas.

Uma das burrices mais flagrantes do período nacional-galinhista de Vargas foi a mania de trocar os nomes dos lugares e transformá-los em indígenas.

Curitiba já nasceu assim, indígena e dedicada a Nossa Senhora da Luz, embora os coxas mais tradicionais preferissem a grafia antiga – Coritiba –, o que evitaria a maldade catarinense de dizer que “Tiba” significa “Do Mundo”.

Se o lugar se chama Cascavel, por exemplo, os esbirros da ditadura procurariam no glossário de padre Anchieta que palavra pode traduzir Cascavel melhor para o Tupi. Digamos, Boicininga.

A Sociedade Rural e seus ganaderos (ganhadores de dinheiro) iriam adorar!

Gaurama (RS), a terra do Rei da Soja, Odílio Balbinoti, e do nosso camarada de Voz do Estudante, Auri Rommel, é um caso digno de Gabriel García Márquez, algo como uns cem anos de maldição.

A história de Gaurama é uma das provas mais categóricas de como a ânsia de puxar o saco do ditador leva seus cupinchas a excessos ridículos.

O nome tradicional do lugar era Barro. Isso mesmo, aquele que se forma quando chove e, quando seca, vira poeira. Mas virou Barro porque o engenheiro que construiu a ferrovia tinha o sobrenome Barros.

Até aí a gente vai descontando. Perder um S, afinal, não é o fim do mundo. Mas aí veio a ditadura Vargas e a ordem para tupizar tudo o que viesse pela frente.

Que diabos fazer para traduzir Barro ao Tupi-Guarani? Dando tratos à bola, encontraram a palavra “Igau”, sendo o “I” a palavra indígena para “rio”.

Ora, mas não tem rio em Barro! Simples, tira o I, fica só o “Gau”. O que acontece quando você tira o rio? Fica a lama. Assim, “Gau” quer dizer lama e “Rama” quer dizer terra. Pronto: “Gaurama”, palavra perfeita para significar Barro. Batize-se!

A forçação de barra contra o Barro foi tão boçal que o padre Benjamin Busatto ridicularizou a besteira pela imprensa, mostrando que além de contrariar a raiz histórica, a “tradução” para o Tupi-Guarani era uma esputidez, como diria Guimarães Rosa, completa.

Mas, fazer o quê? Lá está a pequena Gaurama, com seus filhos ilustres e bons, fingindo que é índia.

Rumorejando (Socorro! Socorro! O horário eleitoral tá chegando). – por juca (josé zockner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Nem sempre os sinônimos e os antônimos podem ser referidos através da negação de um em relação ao outro, como por exemplo, se você disser “ela não é simpática” não é a mesma coisa que se você disser “ela é antipática”. Pode-se não ser simpático, sem necessariamente ser antipático. Tenho, simpaticamente, dito.

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo).

Cheia de dedos, pediu emprestado à vizinha o seu único dedal.

Constatação III

“O livre mercado provoca instabilidade, desigualdade, empobrecimento e abandono dos mais necessitados. Abre terreno para desespero e violência. Também facilita o aparecimento de líderes carismáticos e fundamentalistas”. (Afirmação do Dr. John Gray, Professor da London School of Economics and Political Science, uma das mais importantes academias e ciência política do mundo, autor do livro Falsa aurora – as desilusões com o capitalismo global).

Constatação IV

O septuagenário jamais quer comparecer aos eventos badalativos para os quais tem sido freqüentemente convidado, com medo de que sua foto saia na coluna social de algum jornal, com os seguintes dizeres: “Fulano de Tal da atual geração imergente”.

Constatação V

Tá certo que nós somos um povo cordato e pacífico e que, por tal razão, não estamos preparados para a guerra. Mas isso, absolutamente, não quer dizer que estejamos preparados para a paz…

Constatação VI

Psicologia feminina: “Perua, são sempre as outras”…

Constatação VII (Com a primeira frase, passível de mal entendidos).

A gente até poderia estar se dirigindo em direção ao 1º Mundo. Mas, os juros das passagens aéreas estão muito elevados…

Constatação VIII

E já que falamos no assunto de 1º Mundo, os programas das televisões comerciais estão a cada dia em níveis tais que não parecem ser nem do 1º, 2º, 3º ,4º ou Enésimo Mundo. Parecem ser de algum outro mundo em via de formação, semelhante à feitura do planeta Terra, conforme nos é narrada na Bíblia Sagrada: “No começo era o caos”…

Constatação IX

Cavalinho recém nascido dá a impressão de que está com os lábios pintados, se é que cavalo tem lábios.

Constatação X (Meio eufemística e tergiversante).

Não se deve confundir redunda com redonda que são coisas totalmente distintas. Redunda tem rima fácil com tunda, cacunda, etc., principalmente etc.; já redonda é, normalmente, a forma do “principalmente etc.” o que não impede de também ter as suas rimas, como com sonda, ronda, onda e por aí afora. Elementar, minha gente.

Constatação XI ( Meio repetitiva, via pseudohaicai).

Comigo, ela não consegue falar

O sânscrito, pelo menos, mais ou menos.

Nem menos o mais rudimentar.

Constatação XII (Teoria da Relatividade para principiantes).

Em certos países, é preferível furar o sinal vermelho e pagar o ônus disso (perda de pontos na carteira de habilitação; perda de dinheiro por ter que pagar multa), do que ser furado por tiros de revólver ou faca, pagando o ônus disso (perda de sangue, da consciência, da vida, etc.).

Constatação XIII (De conselhos úteis).

Depois do famigerado “aumento”para os aposentados, “exulta-te e jubila-te”, quer dizer, vá escutar está obra de Mozart, já que a terapia musical é recomendada pelos médicos. De nada.

Constatação XIV

Não se pode confundir “tenha modos” com “tenha mudas”, até porque, se você mora em apartamento, é muito mais fácil você ter o primeiro que o segundo. Pelo menos, aparentemente, já que, no primeiro caso, depende da tua educação e da tua vocação; no segundo, mais da tua vocação…

Constatação XV

Rico escreve; pobre, garatuja.

Constatação XVI (Ah, esse nosso vernáculo).

Não trema se alguém te disser que a palavra “trema” leva trema.

Constatação XVII

Não se deve confundir Germinal que é o nome de uma obra do escritor Emile Zola, levada ao cinema pelo diretor Claude Berri, com terminal, muito embora a demora do ônibus em um ou outro terminal permitiria de se ficar assistindo o filme até o fim, mesmo sabendo-se que é de longa metragem…

Constatação XVIII (Via pseudohaicai).

Tchimbum!

Mergulhei de novo nos doces

Quebrando meu efêmero jejum.

Constatação XIX (Via pseudohaicai).

Nada mais que um arrufo

Foi o que ela teve

Com o hipócrita, o tartufo.

Constatação XX

Em certos países, viver é uma arte,/ sem que um trinta e oito te descarte.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I (De antigamente).

Foram os nubentes

Que já iam se agarrando,

Totalmente carentes ?

E o padre, ali, esperando ?

Dúvida II (Via pseudohaicai).

Foi depois daquela festa

Que o maridão começou a ficar

Com certos problemas na testa ?

Dúvida III

A troça, o riso de escárnio, o deboche são auto defesas dos complexados burros ou dos burros complexados ? (Cartas. Obrigado).

Dúvida IV

Joaquim!

Diga pra mim

Se é o fim

Escrever,

Ou ler,

Fim,

Em tupiniquim,

Assim:

Fin ?

Dúvida V (Via pseudohaicai).

Foi o Fernando*

Que andou

Pererecando ?

*Não quer dizer que, necessariamente, seja(m) o(s) Fernando(s) que vocês tanto conhece(m). Pode até ser outro totalmente desconhecido. Vá lá um saber…

Dúvida VI

Se “interechá” quer dizer se interessar por uma chávena de chá ? (Perdão, leitores).

Dúvida VII

Pouco lhe importa,

Minha senhora,

Comer torta

Fora de hora,

Sem oferecer

Também

A alguém

Que lhe quer

Tanto bem

E está a sofrer,

A esmaecer ?

Pouco lhe importa,

Hein, hein  ?

Dúvida VIII

O meu time Paraná não ia melhorar, segundo os novos dirigentes?

Dúvida IX

Elefante assoa a tromba quando está resfriado ? E, em caso afirmativo, qual é o tamanho do lenço?

Dúvida X

O Brasil tem milhões de analfabetos, a saúde tá um caos e tem a petulância de falar em 1º Mundo. Falta de sentido de observação ou de desconfiômetro mesmo ?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br