Arquivos Diários: 31 janeiro, 2010

O Anão da Catedral – por tonicato miranda / curitiba

NÃO SABE DIZER QUANDO TUDO COMEÇOU, mas lembra que aquela idéia lhe ocorreu numa tarde ensolarada, dois anos atrás. Como uma sezão incontrolável, a idéia brotou na cachimônia, criou corpo, enraizou-se, tomando conta da sua vontade. Era preciso levá-la até o fim. E ele assim o fez.

Tinha algo a ver com sua estatura e as pontadas sarcásticas que lhe dirigiam as pessoas. Agora que a idéia virara realidade sentia-se bem; vivia um sentimento de vingança aprazível e um ar superior. Apalpava o próprio fêmur e sentia que crescia, junto com toda sua espinha dorsal. Imaginava-se com dois metros de altura, até mais. Talvez quinze; não poderia dizer ao certo.

Quando aquela idéia lhe tomou de assalto ainda tinha vergonha de seus cento e dez centímetros de altura. A idéia era simples. Ao olhar a primeira vez lá para o alto viu que os anjos que ali estavam deveriam ter sua altura. Tudo estava ligado a esta breve constatação.

No dia seguinte, como mais um, atravessou a praça, cruzou a rua em miúdos passos, entrou na Catedral. Dissimulando mesmo sem precisar procurou observar a arquitetura interna do templo, os desvãos da nave da igreja, na busca de detalhes e de uma escada para o alto. Cruzou a passarela situada em frente à imagem do Cristo ao fundo, benzeu-se, realizando breve genuflexão com seu joelho esquerdo, caminhando em seguida até o canto direito da igreja.

Esteve por menos de uma hora ali dentro. Às seis da tarde voltou. Pôde perceber que a catedral cerrava suas portas às dezenove horas. Saiu dali, passou numa papelaria do outro lado da rua, comprou uma agenda. Durante duas semanas anotou cuidadosamente todos os hábitos dos fiéis, do pároco, dos mendigos e de todos que penetravam regularmente naquela Casa do Senhor.

Com um amigo artista plástico que trabalhava no Solar do Barão, espaço cultural de formação e exposição de trabalhos de gravura e artes plásticas de Curitiba, obteve informações sobre como realizar um curso de escultura em pedra. Passou a frequentá-lo.

Em casa ficava horas e horas nu, em frente ao espelho, desenhando-se. Não saberia calcular quanto gastou com papéis e lápis especiais. Embora aquilo estivesse lapidando-lhe o parco salário, não havia mais como abandonar a idéia.

O primeiro molde, após a conclusão do curso de escultura, até que não ficara de todo mal. Via-se que progredira. Não se reprimia. Dizia de si para si que estava realmente ficando bom. Seu quarto há muito já apresentava nova fisionomia: estava uma loucura. Eram papéis e papéis espalhados pelo chão; pregados nas paredes; e até no teto, sobre a cama. O tema, sempre o mesmo: ele. Ele nu, do primeiro ao centésimo décimo centímetro. Junto a tudo isso, pedaços e pedaços de mãos, pernas, meia-bundas, rostos. Eram pedaços de orelhas, narizes etc. Todos esculpidos em barro.

Suas mãos já haviam criado calos e uma decisão tornara-se inadiável: era preciso mudar para uma chácara. Ia começar a fase mais difícil: tinha de fazer uma peça em tamanho natural, e de pedra. Antes, porém, era necessário fotografar o modelo. Isto é, a escultura original.

Assim, um ano e meio após aquela idéia, adentrou a igreja, oito minutos antes de ela fechar, numa tarde cinzenta de Abril, escondendo-se debaixo de uma mesa onde são acesas lamparinas e velas para Nossa Senhora Aparecida. Juntou quatro oratórios em linha, encostou a mesa à parede e aquietou-se. Chegou a rezar uma Ave-Maria, misturando desculpas e pedido de auxílio à sua intenção profana. De onde estava podia perceber parcialmente o movimento no interior do templo e considerava que sua segurança somente estaria afetada se alguém afastasse um dos oratórios. Ficou ali por mais de duas horas.

Caminhando em direção ao altar principal da igreja virou-se e olhou para cima, em direção ao grande órgão lá no alto. Certamente estava ali a passagem para os níveis acima dos balcões da catedral. Voltou a caminhar para a entrada da igreja e tentou abrir uma porta de madeira situada ao lado da imagem da padroeira do país. Estava fechada. Lembrou-se de outro nicho, ao lado da porta onde havia um portão de ferro. Saltou o portão e, diante de uma grande escada de pintor, decidiu escalá-la. Já no alto notou que havia um alçapão no teto. Forçou-o e, sem dificuldade, abriu-o. Ficou de pé no piso do primeiro andar, por trás do grande órgão. Movido pela curiosidade, foi até o parapeito do balcão. Percebeu que alguém caminhava com uma lanterna na passarela central da catedral, lá embaixo. Silenciou os movimentos atrás de três tubos do grande órgão e meia hora mais tarde continuou sua escalada.

Do lado direito da porta de entrada, no que imaginou ser uma das torres da catedral, subiu por uma escada e deparou com uma janela muito comprida. Era ali. Sua certeza jamais lhe havia surgido com tanta força. Destravou a lingueta da fechadura, forçou a janela para o alto e a abriu, descortinando a noite escura e as luzes da rua. Equilibrando-se, caminhou por estreita platibanda ao lado da torre e pulou. Ficou por breves instantes suspenso com as duas mãos segurando o beiral do telhado principal da nave da igreja. Com dificuldade, aprumou-se e subiu as duas pernas no beiral. Refeito do susto, reiniciou a caminhada, desta feita com cuidado de gato. Logo atingiu os ornamentos do frontispício. Preparou sua câmera e o flash; tirou as fotografias. À uma da manhã já estava de volta no interior da catedral. Às seis horas e quarenta e sete minutos saía da igreja feliz e realizado, no rumo do quarto escuro que montara em sua chácara.

Reveladas as fotografias passou a estudá-las com afinco e iniciou a fabricação da sua escultura.

Quarenta dias depois da primeira aventura voltava ele à catedral, carregando numa carroça emprestada ao polaco Stanislaw que morava perto de sua chácara, a escultura de pedra feita à sua imagem e semelhança.

Assim, às três da manhã atravessou toda a extensão da Rua Cruz Machado, indiferente aos olhares das putas que faziam a noite por ali.

Às seis horas e quinze minutos conseguiu colocar sem ser muito observado a sua escultura para o interior da catedral.

Através de artifício semelhante ao da experiência vivida quando fora fotografar a imagem original, escondeu a nova estátua embaixo da mesa situada na frente de Nossa Senhora Aparecida. Saiu da igreja por volta das sete horas, retornando a ela às dezoito e quarenta e quatro minutos. Pretendendo para si melhor sorte do que a vivida anteriormente foi abrigar-se num nicho ao lado esquerdo da entrada da catedral, lá onde tem um vitrô com a imagem de São João Batista. Ficou ali, atrás de uma coluna.

Silenciou por exatas três horas e vinte e sete minutos. Era um fervoroso crente dos horários quebrados. Assim, às vinte horas e doze minutos sacou para fora seu corpo gêmeo, retirando-o de sob a mesa e da companhia dos oratórios. Munido de cordas, pranchas de madeira e de uma roldana, improvisou um andaime e através de subidas e descidas ao alçapão, levantou seu corpo de pedra ao piso dos balcões.

Foi uma tarefa árdua que lhe consumiu quase sete horas de trabalho. No entanto, às cinco e trinta e dois da manhã a nova estátua já ocupava o lugar da antiga escultura. Às seis e quinze o antigo anjo já estava deitado no carroção do polaco, e ele e o cavalo seguiram modorrentos pelas ruas, no rumo da chácara, debaixo de uma garoa fina, inteiramente abençoados.

Agora, lembrando-se daquela aventura, debruçado sobre a janela daquela privilegiada sala de escritório, ali na Praça Tiradentes, encantava-se ao ver as pessoas pararem e sorrirem para as duas estátuas presas no alto da Catedral. Valera à pena tanto esforço. Não ligava mais se o chamavam de tampinha de garrafa. Seu orgulho nu voava por sobre a cidade. Ele era o mais alto entre tantos que cruzavam a praça aos seus pés.

WILSON MARTINS, escritor e crítico literário, morre aos 87 anos

O escritor e crítico literário paulista Wilson Martins morreu ontem, sábado, aos 87 anos. Radicado em Curitiba, Martins morreu em decorrência de complicações cirúrgicas, cinco dias após sofrer uma operação para extração da bexiga.

Ele estava internado no Hospital Nossa Senhora das Graças, também na capital paranaense. O escritor não deixa filhos.

O corpo está sendo velado no cemitério Luterano, em Curitiba, até às 17h. Em seguida, será encaminhado a um crematório, conforme seu desejo registrado em cartório.

Martins nasceu em São Paulo, em 1921. Sua carreira acadêmica tem passagem por universidades norte-americanas. Ele lecionou na Universidade de Nova York durante 26 anos, até se aposentar, em 1992.

Sua obra literária inclui 12 volumes do livro “História da Inteligência Brasileira” –que lhe renderam prêmios de literatura, como o Jabuti e o Machado de Assis.

O escritor teve passagem por diversos periódicos brasileiros, como “O Globo” e “Jornal do Brasil”.

DE JEITO… por omar de la roca / são paulo

Puxei o cordão, e a cortina se abriu. Havia paisagem atrás.Mas o dia estava encoberto e eu prestei mais atenção ao céu chuvoso do que as arvores e as flores.Fechei as cortinas como se isso fosse afastar as nuvens carregadas.Olhei para a cama,para o corpo que ainda  sonhava.Me deitei com cuidado puxando as cobertas devagar.Não que estivesse frio,mas
como se me escondendo daquele tempo encoberto.Ela se virou,abriu os olhos brilhantes,e
tornou a fechá-los.Aconcheguei-me e ela passou o braço por cima do meu peito.Me dificultava um pouco a respiração mas eu não queria perder o momento mágico daquele toque.Mas precisei tira-lo e usei como desculpa afagos e beijos percorrendo-o.Ela resmungou qualquer coisa e se virou.
Encostei meu corpo no dela e comecei a falar baixinho sobre chuvas que teimavam em cair
quando precisávamos de sol.De trovões assustadores em lugar da respiração das ondas do mar.
Falei de luzes fortes,de chuvas cortantes,de brisas e garoa fina.E ela fingia que não ouvia.
Meu dedo percorria agora as costas dela,sem pressa,sem cócegas.E quando ameaçava descer até as profundezas insondáveis,apertava seu corpo contra o colchão,impedindo a passagem.
Parei e comecei a falar que queria deitar me com ela num campo florido,num vale iluminado onde a claridade penetrasse fundo na escuridão dos cantos escondidos. Incendiando pétalas, abrasando pedras, fervendo o lago. Mas logo lembrei me da chuva,e tudo tomou tons de cinza.
Mas ela dormia agora.Que bom,pensei,pelo menos não ouviu sobre o cinzento.Ai disse a ela que queria tomá-la numa praia deserta,de areias brancas.Onde o ritmo das ondas quebrando se confundia com o ritmo de nossos corpos procurando dançar juntos.E depois que a bussola parasse de rodar,orientada, nos deitaríamos olhando as gaivotas passando rápido,as palmeiras agitadas pelo vento contando novidades que dele ouviam.Mas o vento também trouxe uma nuvem,e precisamos nos cobrir de frio.Agora ela sonhava e se agitava.
Deitei-me com os braços ao longo do corpo.E ela,como sentindo falta da conversa,do aconchego,acordou.
Fingi que dormia,mas ela sempre sabia pela minha respiração.E começou e brincar comigo,me apertando o nariz,de leve,por saber que eu não gosto.E descobriu meu pescoço e peito querendo brincar com meus pelos.E eu fingia dormir.Quando ela me descobriu mais,fingi estar irritado e peguei a mão dela,afastando-a de mim.Mas era só brincadeira,eu queria mesmo que ela me tocasse, olhasse nos meus olhos.E segurei sua mão com mais jeito,fazendo-a percorrer as trilhas obscuras.Logo ela se chegou da maneira certa,fez o movimento certo,colou-se a mim e assim ficamos.Contei de novo a ela as estórias de praias distantes,ilhas perdidas em oceanos perdidos,chuvas invertidas,perolas roubadas,trovões silenciosos,conchas brancas e coloridas,pedras que se soltavam fácil do chão.cavalos correndo a beira mar,pássaros voando sem tiras prendendo as patinhas,folhas verdes e acobreadas,flores brancas que se abriam quando passávamos.Mas tudo isso em uma palavra,num gesto,num olhar,que o movimento exigia silencio e concentração.Ate a palavra final.

A RECLUSÃO DE SALINGER por hamilton alves / florianópolis

A reclusão a que se submeteu, depois que editou seu best-seller “O apanhador no campo de centeio”, o escritor J. D. Salinger, que veio a falecer há pouco, em Cornish, New Hampshire, EUA, que certamente não esperava que colhesse tanto sucesso como veio a ocorrer, é de certo modo explicável.

Houve um ensaísta que, no necrológio do escritor, ressaltou a questão de que o que deve ter ocorrido é um fenômeno que frequentemente acontece com produtores de arte (ou produtores em geral): o bloqueio da produtividade. Ou o que chamou, no caso de Salinger e de tantos outros renomados escritores, de “writer’s block”, bloqueio da escrita ou do ato de escrever.

Não creio que seja esse o fato que explica o caso específico de Salinger. Ele mesmo se referiu ao desejo de isolamento, de escrever só para seu prazer, ou de esconder-se, de não querer mais contato com os projetores da fama ou com pessoas, jornalistas, dar entrevistas, que, na verdade, tiram em grande parte o sossego.

Numa saída de supermercado, em Cornish, cidade pequena e de poucos habitantes, um fotógrafo se aproximou dele para colher alguns flagrantes. Recebeu, em troca, inesperadamente, umas braçadas largas de Salinger, cuja cena foi mostrada numa reportagem de jornal, em que aparece com o rosto convulsionado de revolta.

Deve ter sido uma cena cômica, que causara certamente ao espectador muitos e bons risos.

Particularmente, entendo Salinger.

O anonimato é algo que, para algumas criaturas, torna-se de visceral valor. Há quem o cultive de forma obsessiva. A privacidade, para tais indivíduos, tem uma importância maior que qualquer outra coisa. Sua vida não pode nem deve ser devassada minimamente. Uma entrevista, uma foto, seja o que for desse tipo, põe tudo a perder.

Certa vez, vi um homem conhecido no meio da multidão. Também ele uma ilustre personalidade entre tantos outros seres comuns.

Parecia-me revestir certa beleza o fato de estar só, embora reconhecido como pessoa de destaque,  procurando esquivar-se de uns e outros, seguindo solitário seu caminho ao destino que bem houvesse de escolher.

Tudo o que Salinger amava, mais, quem sabe, do que sua literatura, do que seu “alter ego”, Holden Caufield, era seu intransigente anonimato. Daí ter erguido um muro inexpugnável à frente de sua casa, sempre rodeada de curiosos, fotógrafos, jornalistas, em Cornish.

Ali era o reduto de um homem alheio ao ruído do aplauso, de prêmios, de academias, do bulício da fama, essa senhora detestável, como lhe chama outro recluso, Milan Kundera.

Mansões, prisões e infidelidades – por alceu sperança /cascavel.pr

“E lado a lado de meu irmão sem sapatos/ quis mudar o reino das moedas sujas./ Fui perseguido, mas a nossa luta continua” (Pablo Neruda)

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Nossas capitais e polos regionais são hoje cidades inchadas e poluídas, com elevado sofrimento psíquico, ínfima taxa de felicidade suave ou bruta, com grandes prisões e grandes mansões. Nota-se claramente o agigantar dos condomínios prisionais e a imponência dos condomínios habitacionais. A julgar por esse dado, são cidades tão boas para fazer negócios quanto para cometer crimes.

A uma enxurrada de negócios e riquezas rolando, corresponde uma catarata de crimes, do colarinho branco ao do pescoço sujo. E, como sempre, o apoio do governo aos ricos para lucrar ainda mais é inversamente proporcional à míngua das políticas sociais, que vão terrivelmente mal, mas são anunciadas como a glória, o paraíso na Terra.

Para fazer um relato ao governo francês a respeito de como as pessoas enriqueciam nos EUA e sobre sua realidade prisional, o francês Alexis de Tocqueville (1805–1859) foi aos EUA, em 1831. Ele próprio teve os pais aristocratas presos pelos revolucionários e o avô materno guilhotinado por essa “turma dos direitos humanos”, como dizem os fascistas. O que Tocqueville viu nos EUA daquela época eram partidos deixando de ser feudos de interesses locais para se tornar agremiações nacionais.

A corrida maluca do troca-troca partidário, antes da atual (e artificial) lei da fidelidade, foi assistida pela população com a pasmaceira de sempre, igualzinha àquela da proclamação da República ou da imposição das ditaduras. Em nome da fidelidade, um show de infidelidade.

Essa corrida revelou um quadro ainda anterior à América de 1831 estudada por Tocqueville. Os partidos são teoricamente nacionais, mas, para obter capilaridade, seus caciques nacionais repartem entre os grupos de interesses do interior cartelas de poder, na forma de comissões provisórias, para representar suas siglas nesses locais.

No entanto, aquele fazendeiro uderréico que comanda o PDT num grotão dá boas gargalhadas quando ouve falar que Brizola sonhava com o socialismo. Há peemedebistas nas frentes desbravadoras que, entre uma briga com um padre ou uma freira e uma expulsão de índios ou posseiros, colocam o programa do PMDB como escora da espingarda.

Vê-se tucano que detesta a social-democracia. Há “socialistas” que arrancam o couro dos empregados em suas empresas e fazendas. Há “democratas” que financiam grupos armados paramilitares para liquidar sem-terras. Usam e abusam das siglas apenas para fazer negócios. Elegem prefeitos, vereadores e deputados para fortalecer seus grupos na concorrência com outros.

Há localidades em que a disputa eleitoral não se dá entre dois partidos, pois nesse caso as siglas não têm a menor importância, mas entre dois ou três grandes negociantes concorrentes.

Não é de estranhar que muitas prefeituras sejam apenas uma extensão da empresa do prefeito, nem que ele considere os vereadores seus assalariados, no máximo jogadores de um time de futebol aos quais dá um “bicho” (ou mensalinho) pelas vitórias conseguidas frente a eventuais adversários.

O troca-troca partidário mostrou apenas “peões” mudando de empresa por melhores salários ou gerentes caídos em desgraça em seus grupos aderindo a antigos adversários. Nada mais que vendilhões de votos mudando de lado entre os grupos que a cada dois anos intercambiam peças: o pefelista vira pedetista, o trabalhista vira tucano, o “socialista” sem a menor idéia do que seja socialismo vira republicano, sem também saber o que é isso, e vai por aí.

Alguém poderia sonhar que em breve o espírito de Tocqueville nos possa visitar e os partidos deixem de ser essas quadrilhas ávidas por mansões e prisões. Quem acredita nessa ilusão que me atire o primeiro programa partidário rasgado e pisoteado.

Rumorejando (Coisas que precisam ser inventadas, apresentando). – por juca (josé zockner / curitiba

COISAS QUE PRECISAM SER INVENTADAS.

–         Políticos que não se perpetuem no poder.

–         Poder que efetivamente emane do povo, para o povo e pelo povo. (Perdão, leitores, mas sonhar é preciso).

–         “Abolidor” definitivo da violência, cujos índices cada vez crescem mais em velocidade e em forma logarítmicas.

–         Sistema econômico, afastado dos extremismos dos sistemas capitalista e socialista, que beneficiem a todos sem os privilégios de uns em detrimento de outros. (Perdão, leitores, mas, como já dissemos, sonhar é preciso).

–         Certos sonhos que se tornem realidade.

–         Certos pesadelos que não se tornem realidade.

–         Transformador automático e instantâneo de “persona non grata” em grata.

–         Dispositivo, uma espécie de bumerangue, que transforme as balas de chumbo, utilizadas pelos caçadores, em balas de sal e que, ao mirar qualquer animal e atirar, acerte no próprio atirador, ali, onde as costas mudam de nome.

–         Rosas naturalmente azuis.

–         Canteiro de obras do governo, porém com obras.

–         Premonitor para avisos com bastante antecedência de visitas inoportunas tais como: sogra, cobradores, sogra, chatos em geral, sogra, etc.

–         Laboratório farmacêutico que, de uma vez, pare de aumentar os preços desmesuradamente.

–         “Desengarrafamentador” automático para desfazer os engarrafamentos do trânsito.

–         Riso jovial para carrancudos de qualquer idade.

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De conselhos úteis).

Só consuma viagra com amendoim desde que os efeitos sejam cumulativos e não excludentes. De nada !

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo).

-“O Xá já tomou chá ?”

-“Já. Na ja…nta. Com aquele xa…rope cha…to”. (Perdão, leitores).

Constatação III

Rico faz grandes negócios que descobre; pobre faz grandes esforços para que não soçobre.

Constatação IV

E como dizia nervosamente o neurótico: -“Não sei porque, mas a neurose me deixa neurótico e neurastênico”.

Constatação V

Não se deve confundir coque, que quer dizer “penteado feminino, que consiste em enrodilhar os cabelos no alto da cabeça” comcroque, que é “pancada na cabeça com o nó dos dedos”, muito embora, tanto no primeiro caso como no segundo, esta tão importante e fundamental parte do corpo humano esteja envolvida. E, hoje em dia, vejam só, no caso do coque, também por homens, o que absolutamente não faz com que mereçam levar um croque, pois gosto não se discute e tá acabado.

Constatação VI

Nem em Nova Iorque, Londres ou Paris,

Nem em Londrina, Maringá ou Mangaratiba.

Parece que o que São Pedro sempre quis

Que apenas chovesse, ali, em Curitiba.

Constatação VII

Com crise ou sem crise,

Rico resplandece

E logo esquece;

Com crise ou sem crise,

Pobre quando não esmorece,

Perece…

Pelo menos, assim parece…

Constatação VIII (Ah, esse nosso vernáculo).

-“O careca corou até a raiz dos cabelos”.

Constatação IX (Passível de mal entendido, principalmente com relação ao motivo do cumprimento).

Entre uma “lewinskada” e outra, o presidente Clinton chegou a 35 anos de casado com a Da. Hilary. Parabéns !

Constatação X (De conselhos úteis, via pseudohaicai).

Cuidado com o bocejo

Você poderá engolir

Um percevejo.

Constatação XI

E beijo que muito perdura

Arrisca engolir

A dentadura.

(Perdão, leitores).

Constatação XII (De ditado, adaptado para as atuais condições norte americanas).

Acabou-se

O que era doce

Quem comeu

Ferrou-se*.

*Ou estrepou-se. Você decide, tá ?

Constatação XIII

E como dizia aquele especulador: -“Antes das Bolsas de Valores, a gente era feliz, vivia contente e não sabia”.

Constatação XIV

E como dizia aquele burocrata que controlava a entrada de estrangeiros no país: -“Pelo visto, o seu visto não foi visto”.

Constatação XV

Estava sempre entalado:

Para fugir dos seus credores,

Vivia esquivo, camuflado,

Fugindo e sofrendo horrores.

Constatação XVI (Via pseudohaicai).

Uma conversa entabula

Com o farmacêutico: -“É falso

O seu remédio; ou a bula.

Constatação XVII (Via pseudohaicai).

Com esta notícia em destaque:

“Corte no orçamento da Saúde”.

Sofreremos todos um “peripaque”.

Constatação XVIII

Assim como existe tutear que quer dizer “tratar ‘(alguém) por tu”, “tratar-se mutuamente por tu”, tomo a liberdade de sugerir aos nossos filólogos a expressão “vocear”, já que o “tu” não é utilizado em todas as regiões do nosso país. De nada !

Constatação XIX

A computação, assim como as mulheres, tem aspectos maravilhosos. Agora, que é preciso saber manejá-las, isso lá é preciso…

Constatação XX (De uma dúvida crucial meio confusa).

O prezado leitor não acha que, já que mulher nua, vende, como dizem os entendidos em “marketing”, mulher vestida, consequentemente, não deveria comprar ?

Constatação XXI (Via pseudohaicai).

Só caquético

Torce pro

Atlético*.

*Calma pessoal! É o Atlético de Bilbao. Aliás, isso já foi dito, anteriormente, em outras edições de Rumorejando. Favor prestar mais atenção nas leituras para não cometer eventuais maus juízos e/ou falsas interpretações. Obrigado.

Constatação XXII

Nela, o sexo,

Projetado pra frente;

O bumbum,

Coerente,

Convexo.

Mergulho,

Tchimbum,

Neste anti bagulho.

Quanto desvelo!

Quanto orgulho!

Mas, era um sonho,

Aliás, nada enfadonho.

Que decepção,

Meu irmão!

Acordo alagado,

A realidade,

Que pecado:

Um baita pesadelo!