O OLHAR ME SORRIU de tonicato miranda / curitiba


para Ângela, perdida na minha infância

não, não me quero mais assim

cara de infeliz, com lenço e atchim

arranca de dentro a minha carranca

inverta-me a cara e a caveira branca

as bobas pernas em jeans ancoradas

precisam destravar, pedalar caminhos

a camiseta e os cabelos em desalinhos

braços e tronco precisam suar a camisa

construir utilidades, ao corpo dar trabalho

movimentar esta alma, espírito e músculos

mudar para rugosa a pele que jaz muito lisa

preciso me tirar daqui, do meio deste baralho

estou quase concha, fazendo meus moluscos

.

não, não me quero mais assim

preciso criar novas guerras, para isto vim

cinzas no capim e ali, nos verdes da mata

vejo na porta do olhar muita gente de lata

mais do que as nuvens de tempestade no céu

e sou o mais metálico, porém o rasgador do véu

único capaz de abduzir os dois coringas da carta

fazê-los bailar aqui, rindo à beça, bebendo à farta

e eles dançando-me, rodopiando o velho coração

e nossos pés riscam o chão, agulhas na emoção

teu sorriso passou aqui, na cantiga que embalava

te vi criança, e quando tu sorrias tudo se calava

já posso sentir e dizer que me quero bem assim

fecha a cortina já voltei para a vida, este é o fim

3 Respostas

  1. De vez em quando, sabe bem sentarmo-nos à beira da nossa estrada, e ficarmos ali, olhando para
    trás, lá, onde ela começa, revendo-nos de joelhos esfolados pelos tombos nos valados, recordando os nossos companheiros de folguedos e interrogando-nos por que caminhos seguiram ou se perderam.
    É a magia de cada infância, a nossa magia, que não volta mais e da qual só guardamos rostos, risos, histórias, tão fantásticamente boas de reviver. São esses momentos que nos dão força para quebrarmos esse encantamento, levantarmo-nos e continuarmos a caminhada por essa estrada fóra que nem sabemos onde vai dar…
    Adorei o poema. Parabéns.
    Um abraço da
    Vera Lucia

  2. Oi, querido Tonicato: desculpa. Escrevi o comentário anterior com o pseudônimo que utilizo para saudar os textos de outro querido amigo, cujo pseudônimo é Omar de la Roca.
    Grande abraço
    Zuleika.

  3. Só sei, neste momento, dizer uma palavra, querido amigo: COMOVENTE.

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