RUA 13 – de vera lucia kalaari / portugal

O beco é escuro…

Rua 13…Rua 13…

Bocas que sugam sangue

Olhos que choram sangue

Solidão e miséria.

É noite…

Sinto qu’é noite.

Não porque o sol s’escondesse

Não porque a sombra descesse

Mas porque no meu coração

O brado dessa miséria

Se fundiu, se faz sentir.

É a noite que nos arrasta.

Não é só a noite…

É noite. Uma noite espessa, sem paz.

Sem Deus, sem afagos,

Sem nacos de pão, sem nada.

Uma noite sem distâncias…

Apenas noite.

Mas por trás dos altos montes

A aurora vem surgindo.

Tudo o que à noite perdemos

O dia nos traz novamente.

Surgem  aves chilreantes

Badalar manso de sinos

Cantos suaves do mar.

No alto da Rua 13

Brilha tremendo uma luz.

É o sol…A esperança,

Que um dia aquela rua

De almas sem luz e sem sol

Também veja o alvorecer.

4 Respostas

  1. Oi Vera.
    Que noite tenebrosa. Esse poema é como uma ecografia intra-uterina fotografando os medos que crescem nos labirintos escuros de nossa alma… sim, é possível que nasca um sol, mas, e se nossos pensamentos parirem monstros?
    Que belo poema, Vera!

  2. Vera Luicia,

    À qual escola de poesia você pertence? Do F. Pessoa, do Camões ou à de outro poeta de Portugal ou de paises próximos? Olha, esse poema… Bem, se houve duas opiniões por que vou meter minha colher. Deixa pra lá. O. Barbosa

  3. “Rua 13” é desses poemas que a gente não se cansa de lê-lo.

    Sobretudo porque ele nos arrasta para a mais recôndita noite que existe em cada um de nós – seres humanos aparvalhados na solidão e na escuridão das noites insones que se nos vão revelando essas imagens vampirescas.

    Permita-me ressaltar “o Vampiro” insolente que se faz sujeito nessa tua poesia.

    A noite, de fato, é o espaço ideal para a vivencidade dos vampiros, pois, à noite – quando se torna noite(!) – eles (na calada da noite), são em realidade “bocas que sugam sangue”… São entes sem corações…

    Imaginemos, pois, como a autora se nos sugere em imagens, os vampiros que se reúnem às noites (caladas noites!) para projetar a “solidão e a miséria” num tempo e num espaço “(…) sem paz. / Sem Deus, sem afagos, / Sem nacos de pão, sem nada.”.

    Grande abraço.
    João Batista do Lago

  4. Belo, minha querida. Belo, deveras. O clima da noite-noite, presente. Presente o prenúncio do dia.
    Beijo de carinho da
    Zuleika.

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