Arquivos Diários: 7 fevereiro, 2010

RIQUEZA por hamilton alves / florianópolis

O homem morava só numa rua estreita, numa casa de madeira, pintada de azul, com detalhes em branco (os beirais eram brancos) e parecia ser plenamente feliz.

Para configurar melhor seu patrimônio, possuía duas cabras e um cavalo, de que se servia para puxar uma carreta pequena, com a qual vendia uma ou outra coisa (latas de bebidas e papelão), com que melhorava sua parca renda, que era constituída de uma pensão modesta.

De todas as casas vizinhas, a dele era a mais simples. Tinha um quarto, um banheiro e sala e cozinha conjugados.

– Onde estão suas cabras?

– No pasto aqui perto.

– E o cavalo?

– Também está lá.

– Você dá água para o cavalo e para as cabras?

Fiz-lhe essa pergunta porque sabia que era meio desligado.

– Acabei de dar água para eles.

O cavalo e as cabras, recolhia-os ao entrar da noite numa pequena estrebaria, que construiu ao lado da casa – e que, como fiquei sabendo, tem sido motivo de protestos dos vizinhos, devido ao cheiro que emana do local.

A casa era cercada de objetos que vendia (papelão e latas de bebidas).

Unira-se a uma senhora já de idade (mais velha que ele) para ter uma companhia. Mas o deixou por causa de seus modos de vida, segundo  confessou a pessoas amigas.

Ao que se notava, no contato com ele, ter ou não uma companheira era-lhe indiferente.

Era um sábado quando o entrevistei, indo e vindo de dentro de casa, para onde levava uns pacotes de compras para se abastecer.

Sem que lhe formulasse qualquer pergunta, confessou-me que vai vender as cabras.

Quis saber como foram parar com ele.

– Tinha uma cabrinha que deu cria, com dois cabritos.

– E o cavalo, o que pretende fazer com

ele?

– O cavalo é para puxar a carreta.

Deduzi que um homem que possui duas cabras e um cavalo, no mundo de hoje, de que mais precisará?

O cuco avisou, mas ninguém ligou – por alceu sperança / cascavel.pr

A vitória da extrema-direita nas eleições parlamentares da Suíça, em 2007, deu um murro na cara dos “socialistas” luliberais. Eles tentam fazer crer que suas artimanhas têm algo a ver com socialismo ou sua perspectiva, mas o governo brasileiro, definitivamente, é um anestésico ideológico para o povo. Nessa condição, serve unicamente aos ricos, especialmente os mais ricos – os banqueiros e as grandes corporações.

Por que a extrema-direita venceu as eleições na Suíça, país que, diferentemente do Brasil, não tem graves problemas estruturais, o desemprego é baixo, a economia cresce e as cidades estão seguras? Porque o mundo está submetido a um esquema em que disseminar o medo favorece à ânsia de violência da  direita.

“Estás com medo? Eu vou lá, desço o porrete nos negrinhos, nos muçulmanos, nos diferentes e nos outros pobres e ficarás feliz!” Na Suíça foi assim: houve a vitória da criminalização dos moreninhos, prevalecendo a ideia desumana de que “teu irmão é teu inimigo”.

Tomara o desastre dos fajutos “socialistas” suíços servisse de inspiração para as pessoas sinceras, mas iludidas, que ainda apóiam a traição cutista-lulista.

Só assim poderiam iniciar um processo de revigoramento da luta, a partir de um Enclat, pois a grande maioria recebe salários aviltados, outros sofrem com o desemprego ou sua perspectiva e muitos trabalham em evidente regime de escravidão.

No mundo de hoje, a ideologia impõe a tese de que só há um caminho possível: o de que a estabilidade da economia depende da instabilidade de quem trabalha.

O caminho em que os aplausos do tal “Mercado” ao governo lulo-amantegado afirmam a sustentabilidade da macroeconomia fundada sobre a vulnerabilidade crescente dos cidadãos em caso de acidente, doença ou desemprego. E o medo acompanhando tudo isso.

O mundo do trabalho está sob ataque. Há uma evidente manobra do “sistema” para submeter as pessoas a um novo tipo de escravidão, que é a submissão consentida.

Faz parte dessa nova escravidão liquidar os sindicatos e os partidos políticos, para que se digam diferentes e tenham as mesma práticas. Que diferença real existe entre o PMDB e o DEM? No poder, fazem as mesmas coisas. Quem consegue acreditar que Blairo Maggi e o megaatacadista João Lista-Negra Destro são “socialistas populares”?

Cabe transcrever um depoimento do sindicalista Hilmar Adams, do setor de transportes:

“Urge acabar com o atendimento deficitário no INSS na hora do encaminhamento do pedido da aposentadoria ou da pensão. É necessário alterar a estrutura das juntas de recursos do INSS em todo o Brasil, pois seus representantes são responsáveis por ações contra a cidadania, que envergonham a nacionalidade”.

Seria infantil acreditar que os burocratas da Previdência não estejam agindo de acordo com as ordens recebidas dos governantes locais, manipulados pelo comando neoliberal planetário. Uma diretriz que provoca o desmantelamento das estruturas “socialistas” europeias e a vitória da direita com apoio não em ideias, mas no medo.

Para transformar o mundo inteiro num globo amedrontado, vão lançar mão de todos os mecanismos que o dinheiro pode assegurar, da Internet à compra do dirigente de bairro, passando por igrejas e clubes.

O medo será explorado ao máximo, para que a tese “teu irmão é teu inimigo” prevaleça. Com isso, pretendem instituir um governo ditatorial eleito pelo voto. O sonho irrealizado da velha e suicida Arena.