MATADORES DE BORBOLETAS AZUIS de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

Não perdôo, não perdôo os soldados franceses

que colocaram suas línguas ferinas

nos canhões

e destruíram

a estátua eqüestre de Leonardo.

Argila mais bela desde Adão.

Destruíram

a escultura

que era das coisas mortas, a mais viva.

Porque não recolheram os fragmentos amorosamente

ate  a invenção do superbonder?

Os críticos que jogam ausências são filhos e netos destes soldados.

Não perdôo os fascistas, não perdôo

com  fuzis  atiram dentes de leopardo em  Lorca

e a multidão de poemas ainda em casulos

dentro dele

agora são mortalhas.

Matar um poeta é queimar livros antes da publicação.

Não perdôo, não perdôo o vândalo

que destroçou o rosto de Pasolini  como um vaso vermelho.

Dentro deste canopo tinha tantos filmes e poemas viscerais

que foram quebrados antes da descoberta.

Não perdôo Maiakovski, não perdôo,

teu sangue tem cheiro de poemas mortos.

Você também assassinou um poeta

com seu suicídio.

6 Respostas

  1. Obrigado Tonicato,floresceu mais um poema.

  2. A FLOR NEM SEMPRE É MAIS BELA DO QUE O TRONCO

    para Solivan Brugnara e Manoel de Andrade

    Quem poderá dizer?
    É a flor mais bela do que o tronco?
    Será a folha mais bela que o vento?
    Ou o galho mais importante que a raiz?
    Um só poeta maior do que dois? Me diz

    Quem poderá dizer?
    A quem perdoar ou não perdoar?
    Atire a primeira pedra quem não pecou
    Mas o que é o que não é pecado afinal?
    Sempre duelamos na dúvida do bem e do mal

    O que poderei dizer?
    De minha parte não te perdôo Solivan
    Por este poema lindo doendo o olhar da mente
    Não perdôo Manoel por tão belas imagens
    Histórias vividas, você poeta de tantas viagens

    Quem poderá dizer?
    Será a flor mais bela do que o tronco?
    Se a flor é o sexo aflorado, poesia maior da cor
    o tronco sustenta qualquer vento e seu rancor
    biblioteca viva nos registros de tantos amores

    Quem poderá dizer?
    Não há beleza nos troncos retorcidos
    nos troncos bifurcados, esguios ou atarracados
    São como poetas, cada qual com seu tamanho
    De repente num só poema nos dão um banho

    Como devo finalizar?
    Com troncos ou flores de um Solivan a mim desconhecido?
    Com Manoel e suas palavras pincéis descobertas no Stuart?
    Com Maiakovski, Lorca ou com a minha orfandade
    voando solitária na noite, buscando as luzes da cidade?

    TM
    Curitiba, 20/02/2010

  3. Obrigado Marilda, Macedo e Manoel que têm uma alma parecida com a minha.

  4. “PAI, PERDOAI-OS PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM”

    Diante da morte, e do julgamento mais inícuo da história, o inocente Nazareno perdoa incondicionalmente a seus algozes.

    Mas quem de nós pode perdoar a cruz imposta a Cristo?
    Como perdoar o desprezo e o falso julgamento de Caifás
    e as mãos lavadas de Pilatos.?

    Estes são os legítimos ressentimentos, as razões daqueles cujas bandeiras estampam as cores da justiça e da verdade.
    São também, entre tantas, nossas razões de poetas, os motivos pelos quais cantamos, nossas licenças literárias, nosso encanto e desencanto, nosso íntimo e angustiante tribunal.
    Sabem os homens justos e sabemos os poetas que nossas denúncias e testemunhos, nossos líricos veredictos se escorrem, ignorados ou esquecidos, pelos ralos da inconsciência humana.

    Sabemos que o perdão pessoal é o único passaporte que cruza a fronteira da paz interior e da liberdade do espírito, e por isso a justiça deve ser impessoal e ser entregue aos tribunais inexoráveis da própria vida. Mas ainda não consegui vistar esse precioso documento.

    Como perdoar a cicuta imposta a Sócrates,
    os que gargalharam no Coliseu ante os cristãos devorados pelas feras,
    como perdoar os crimes de Torquemada
    e a fogueira acesa a João Huss e a Giordano Bruno.

    Nunca poderei perdoar uma Hiroshima arrasada
    nem Auschwitz e nem Trebinka,
    e crianças ardendo em napalm na Saigon bombardeada.

    ‘A Grande Alma’ da Índia, abençoando o assassino. Ele perdoou…, e você?
    E o tiro em Luter King? Chico Mendes? Doroty Stang? Por certo foram perdoados.
    mas, na memória de Allende e dos mártires chilenos, não perdoo Pinochet.

    Não perdoo tanta dor por Caupolican empalado
    Tupac Amaru, numa praça esquartejado
    e Otto René Castillo, durante três dias queimando.

    Federico Garcia Lorca…, já não tinhas mais abrigo,
    campo frio, amanhecendo, caminhavas entre os fuzis….
    e naquela hora em Granada fomos crivados contigo.

    Morremos com Lord Byron, pela liberdade da Grécia.
    Morremos com Victor Jará, com Ariel Santibañez
    torturados até a morte nas prisões de Santiago.

    Javier Heraud, ainda infante, cinco livros publicados
    o poeta guerrilheiro, no verde vale do Cuzco,
    com vinte e um anos apenas ele caiu emboscado.

    Não perdoo, não perdoo, por tantos poetas sangrados,
    pelas vidas silenciadas nos horrores dos DOI-CODI,
    e os carrascos do Regime, só aqui anistiados.

    Não perdoo, não perdoo, os crimes da ditadura
    nem a MEMÒRIA perdoa
    e a PÀTRIA jamais perdoa seus filhos sem sepultura.

    CONSOLA-ME ACREDITAR QUE, APESAR DA IMPUNIDADE DOS CÓDIGOS DA TERRA E DA NOSSA IMPOTÊNCIA ANTE A CRUELDADE HUMANA, HÁ UMA INSTÂNCIA SUPERIOR DA JUSTIÇA ONDE SE COLHE, OBRIGATORIAMENTE, OS FRUTOS AMARGOS DOS ATOS HUMANOS, SEMEADOS LIVREMENTE, MAS SEM A NOÇÃO DO DEVER.

  5. ô loco, sullivan… tá matando a pau!

  6. Uia! esse me pegou de veras! Vou ter que reler, incorporar, tentatr perdoar tantos outros…

Deixe uma resposta para Marilda Confortin Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: