Arquivos Diários: 16 fevereiro, 2010

MARCAS por “o ruminante” / belém.pa


Procuro nos traço de meu semblante

Algo que me mostre novamente

Aquele que outrora um dia eu fui

Não falo simplesmente de lembranças

Mas de alguém que não consigo mais enxergar

No meu semblante vejo as marcas

Marcas que o meu passado deixou

Mas não consigo ver o meu passado

Vejo rugas impiedosas traçadas por toda parte

Avisto o prateado tom de cabelos descolorindo

Se não vejo meu passado em mim

Somente as marcas de quem fui um dia

Não sou mais eu quem está aqui

Por isso não me vejo mais em minhas marcas

Marcado eu fui para não saber mais quem sou

Que outras marcas o futuro me dará?

Será que nestas, afinal, me reconhecerei?

Caso outra vez não me veja

Não reagirei como no presente agi

As marcas da experiência me acalmarão

Porém, caso o futuro me seja um presente

Se as marcas me fizerem lembrar

Do semblante que hoje eu perdi

Mais marcado eu quero ser

Assim, eu jamais esquecerei quem eu sou.

PENA DE MORTE por hamilton alves / florianópolis

Volta e meia, vem à baila a questão momentosa da aplicação da pena de morte, uma das formas, a mais severa de todas, de aplacar os crimes hediondos que hoje se tornaram rotina em nossa outrora pacata cidade.

Nesta semana, duas pessoas inocentes (uma delas ainda bastante jovem, mãe de uma menina), quando ia para o trabalho, no terminal de ônibus de Canasvieiras, por uma bala disparada por um bandido contra um desafeto, talvez pelo motivo torpe de contrabando de droga, por disputa de ponto ou por um desses motivos futilíssimos, veio a alcançar essa jovem senhora, matando-a ali mesmo.

Em outro ponto da cidade, de novo, uma bala perdida atingiu uma pessoa, pelo mesmo ou motivo semelhante, envolvendo certamente tráfico de droga, disparo de um bandido contra outro traficante ou usuário de droga. Sempre a droga tem sido o fator gerador de tais crimes, com perda de vidas preciosas, de pessoas que ainda vivem a fase da mocidade.

O quadro de criminalidade não se resume a esses dois episódios. Uma médica faz algum tempo sofreu na Trindade assalto de um bandido, reagiu, pelo que o assaltante disparou-lhe um tiro, ferindo-a mortalmente.

Outro caso foi de um crime de morte num local próximo ao centro, na Agronômica, em que o caso envolvido foi também tráfico de droga.

Pergunta-se: a polícia resolveu todos esses casos? Fez o inquérito que lhe cabia, foi levado à consideração do juizado, foi formalizada a autoria, dando à sociedade o sentimento de que tais bandidos serão punidos com todo o rigor da lei?

Fica-se sem saber que rumos tomaram as providências policiais. O máximo de que se fica informado foi do crime. De mais nada.

Todo o dia se tem uma nova notícia na imprensa de homicídio por uma ou outra causa.

Os bandidos contam com a impunidade ou com o despreparo notório da polícia em levantar dados que levem ao culpado.

E o que faz o poder público, a Secretária de Segurança, o governador do Estado, informados desse estado geral de insegurança e da notória e preocupante incidência na prática de crimes violentos e cruéis?

Nada se sabe a tal respeito.

Para o combate a esse tipo de crime, homicídios qualificados ou não, que envolve principalmente a futilidade ou a hediondez do motivo, o deputado Benjamin Farah, há um tempo, no Congresso Nacional, batia-se pela adoção da pena de morte. Era a única voz que se erguia, naquela casa, pela introdução dessa medida em nossa lei penal.

O deputado está morto, mas sua ideia de vez em quando é levantada para combate mais rigoroso a esse tipo de criminalidade, tendo como vítimas na maioria das vezes pessoas inocentes.

Até quando se assistirá à passividade do poder público?

(fev/10)