O MALA – de marilda confortin /curitiba

Tem mala pesado, sem alça

Mala de ombro, mala tiracolo

Malinha que cabe no bolso

E mala que se carrega no colo.

Mala que fala pelos cotovelos,

E aquele que vive de boca fechada.

Tem mala que bebe feito um camelo

E mala chato que não bebe nada.

Mas o pior mala é o enrustido

Que fica sempre num canto

Falando mal dos amigos

E fazendo pose de santo.

Tem mala que é irmão.

Mala mulher e “mala man”

Mala casado, mala solteirão

E malacompanhado também.

Mala chefe, ninguém merece!

Mala puxa-saco, é covardia!

Peão mala,  é um estresse!

Estagiário mala, afe Maria!

Filho mala, é eterno.

Mãe que agüenta, vai pro céu.

Pai que sustenta, vai pro inferno

E a família toda leva o troféu!

Mas tem mala pior, meu amigo…

Você não perde por esperar:

Cunhado mala! É um castigo!

Só tua santa irmã pra carregar

E pescador mentiroso, então!

Filósofo de boteco, quem gosta?

Mala fanático por religião?

E torcedor de timinho de bosta?

Ex-fumante metido a dar conselho?

E aqueles que se acham gostosões?

Radicais, racistas e outros pentelhos

Quem agüenta seus sermões?

Malas que falam mal de seus pares

E ainda querem saber  tua opinião

Tem que cortar nas preliminares

Pra não se envolver na confusão

Músico que faz cu doce pra tocar

Até na casa de amigos cobra chachê!

E vizinhos que só sabem reclamar

E falar mal dos outros. Ah!Vai se fudê!

Poeta mala então, é um desaforo!

Ai de quem não goste de poesia!

E crítico literário mala,  socorro!

Só vê defeitos, só vive de teoria.

Mala depressivo, mal amado

Óh céus! Oh vida! Oh azar!

Interne numa zona o desgraçado,

Quem sabe pare de incomodar!

Parente mala, é uma merda.

É uma baita falta de sorte

É uma sina que se herda

E se carrega até a morte.

Mala que se preze, não tem sexo:

Tanto faz homem, mulher ou viado.

O que pesa não é o tamanho do anexo,

Mas sim a chatice do desgraçado.

Mas tem mala que não tem preço:

Mala do peito, mala irmão

Mala que se vira do avesso

P´ra não nos deixar na mão.

Quem não tem um mala amigo,

Um malinha de estimação,

Aquele que está sempre contigo

E que mora dentro do coração?

Quem nunca carregou um mala

Não tem histórias pra contar

Pois todo o mala é uma bengala

Prum mala bem maior se apoiar.

Pra terminar essa bobagem,

Eu peço palmas, minha gente:

Muitas vaias em homenagem

A todos os malas aqui presentes.

2 Respostas

  1. Marilda, você poemas impagáveis
    por eles vale e vou tomar uma
    estas suas malas maleáveis
    dizem-me amanhã carregarei uma

    Marilda, você surpresa de versos
    cheia de segredos essa uma
    mala cheia de causos diversos
    para cada pessoa a mala é uma

    Marilda, espero que minha mala
    não seja aquela mala uma
    do poeta e crítico que não se cala
    aqui meu aplauso e tomo mais uma

    TM

  2. Querida Marilda,

    Quem disse ou quem te ”deu licença” para ”terminar essa bobagem”, que é aquilo que tu chamas ao teu poema? ”Haca” mana, estás subestimando um poema muito bem construído, que duma forma ligeira, mais parecendo brincadeira, é uma crítica profunda e extremamente justa, às sociedades actuais.
    Parabéns.
    Beijos da
    Vera Lucia

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