CALHAU de joão batista do lago / são luis


Meus caminhares levam-me em direção ao mar

Lentamente vou descortinando o véu que te sempre me segredou

Ou – quem sabe?! – jamais eu ousara ver-te assim desnuda

E de cara ao vento

E de cabelos soltos

E de pés livres

Pisando areias cascalhadas

E enferrujadas

Entre as linhas das redes que servem de passarelas

Para o teu corpo leve desfilar

De repente assusta-me tua atitude:

Pulando entre os calhaus

Furtas carinhosamente das mãos dos pescadores

A rede que lhes produz o peixe da vida

E partes em direção a mim…

Olhas-me fixamente

E sem uma palavra lanças a rede sobre mim

Arrastas-me

Eu nenhum esforço faço para desenlaçar-me

Deixo que me leves para o teu crepúsculo

Que se eterniza num final de tarde

Entre o sol e a lua…

Agora já é madrugada

Somos apenas eu e tu

E a praia…

No dia seguinte

Seremos apenas o cascalho

Que servirá de assoalho para pés

Desnudos e descalços

Fermentarem com seus passos

Nossa história de amantes

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