Arquivos Diários: 27 fevereiro, 2010

TAKE THE “A” TRAIN – por antonio menezes / são paulo

“Chuffa, chuffa, chuffa. Choo choo. Woo woo.”
Kurt Vonnegut Jr

“Por que os trens do Metrô não podem apitar como as locomotivas a vapor?” pensou Júlia enquanto esperava na plataforma. “Seria divertido”. Sorriu. De qualquer modo, quando se tem dezenove anos, e se está no primeiro ano da faculdade, pode-se perfeitamente pensar tais coisas. Como também esquecer o bilhete magnético nas páginas de um livro. E então ter que comprar outro, e logo reencontrar o primeiro e pensar: “Que tonta que eu sou! Agora tenho o bastante. Que bom!”

Na mesma plataforma, mas pelo menos dez minutos adiantado, estava Fábio. Mais velho, vestia um terno xadrez desalinhado, o jornal tentando escapar da pasta, o guarda-chuva portátil de prontidão. Fábio gostava de jazz e justamente naquele momento recordava uma de suas músicas favoritas: “Take The ‘A’ Train”, de Duke Ellington.

Fábio admirava o Metrô: sua racionalidade concreta de aço escovado; seu elegante e democrático piso de granito polido. Mesmo assim nunca lhe ocorreu associar uma coisa com a outra. Duke Ellington eram as noites de piano solo de sábado e as manhãs de domingo com a orquestra a todo volume; o Metrô era o cotidiano, de segunda a sexta, no que havia de mais imediato e permanente.

Fábio tinha ainda o curioso hábito de evitar as escadas rolantes. Não por medo. Certa vez perguntaram-lhe: “Por quê?” “Não sei. Não se deve evitar esse tipo de esforço”, respondeu. “E pelo menos nisso obedeço à minha cardiologista”, acrescentou. Daí enfrentava com resignação as longas escadarias. “Não sou melhor do que ninguém.” E até gostava desse exercício de paciência na contra-mão de toda pós-modernidade e suas decepções.

Finalmente, o trem chegou e ambos (e todos os demais) embarcaram. Júlia desceu na Sé, enquanto Fábio desceu na Paraíso para seguir até a Consolação. Também poderia ser o contrário (as vantagens da ficção) e os trens do Metrô poderiam de fato apitar como queria Júlia e terem a letra A e Duke Ellington como queria Fábio estar com Júlia. Se ao menos, também ele, pudesse encontrar um bilhete esquecido nas páginas de um livro, como uma flor.

MUDEZ VESTIDA de joanna andrade / miami.usa

Meu corpo inteiro palpita menos o coração

Sangue e’ lagrima corrente

Alma e’ vestido branco

O mundo cheio de pegadas

Eu o caminho zerado

Meu corpo inteiro sente menos a dor

A agulha tatoo  cócegas

Que até o retrato se rasga de rir

Nesta terra de palmeiras  minha sabedoria fica ao chão

Meu corpo inteiro menos da boca para fora reclama

Joga as cartas da manga a paciência  em mudez vestida

As  cifras dos olhos alheios regulam minhas imposições

Os labios se colaram com as bobagens ejaculadas

Meu corpo stainless steel reflete a polidez de uma alma vaga nada mais……………destituo-me.

VENDO a BRIGADA STEGOMYA – por lima barreto*

No Brasil tudo é grande, assegurava Tobias Barreto, exceto o homem, o que ele corroborava com a imagem feliz que bem parecíamos um moço com cabelos brancos. Fora verdade o que sentenciara o tudesco da Escada.

Tudo definha sob o nosso céu de fogo: as auras embalsamadas das florestas parecem trazer sobre as nossas cidades o letárgico veneno da mancenilha; os eflúvios ardentes do nosso sol derramam sobre nós o princípio entorpecedor do ópio; a natureza esmaga-nos – pensamento e corpo.

Que são entre nós as grandes instituições dos Argus?

A filosofia – um bimbalhar de frases ocas e campanudas ou um citar pasmoso de autores estrangeiros de quarta ordem.

A nossa literatura e arte são planetas mortos que gravitam para intermitentes e variáveis sões da estranja.

A política resume-se num descaroçar de atas falsas, na expressão de um profissional, ou numa discurseira vazia de inteligência mas cheia de palavrões e sentenças acacianas.

As grandes obras do pensamento humano, chindo nos nossos intelectos, não proliferam em outros maiores – estiolam-se: o Plutarco, por exemplo, foi lido pelo Sr. Pelino Guedes para afirmar que “a biografia é a história da vida de um homem” ou que “a idéia de Deus não é incompatível com o amor à pátria”; o que dá padrão para imaginarmos o que dirá ele se conseguir por milagre ler a Crítica da razão pura ou a Política de Aristóteles.

Somos uma gente que definha e decresce como aquele cadáver conservado à Índia, que vai, com o tempo, diminuindo, encarquilhando até ficar reduzido a proporções diminutas…

E vieram-me vindo essas idéias, ao ver nas ruas, às calhas trepadas, os rodamentos da Diretoria de Saúde.

Tinham todos o ar galhardo de campeões em batalha; nas suas faces havia a satisfação sadia de um hiplita que venceu em Maratona, as de Aquiles, garanto, não exprimiriam tão feroz júbilo, após ter arrastado sete vezes, em torno de Íon,

os despojos sagrados de Heitor vencido.

E o chefe?… Que belo estava! Jovial e sorridente, manifestava, nos largos gestos em que sublinhava as ordens dadas em voz alta ao adjudante o contentamento feliz do estratego de cujos planos dependera o ganho da batalha mortífe-

ra. Era como um Napoleão vencedor dos mosquitos; parecia um Alexandre que viesse de esmagar pernilongos em Arbelles.

E se, porventura, alguma dor n’alma lhe vier ter, provinda da perda de peleja, a badine delgada, que transporta, abrirá entre dous tijolos de uma cimalha a brecha de Roncesvales.

Ao começo vendo aquela fúria sagrada e aquele garbo no guerrear mosquitos – pensei com Frei Luís de Sousa vendo a carantonha hedionda de um leão a escorrer as fauces límpidas e tranqüilas águas: “é de ver aquele rosto feio coberto de guedelhas crespas e medonhas, que ameaça sangue e morte, feito ministro de mansas águas”.

É de ver…

Mas, por fim, fazendo as considerações expendidas e convencido que a nossa exuberante natureza custa-nos o pensamento e nos comprime o corpo, descobri que já tempo era nesse estiolar e definhar sem fim, de estarmos reduzidos à proporção de mosquitos zumbidores. Desse modo era bem razoável que, com os chefes e soldados da Brigada Stegomya, houvesse aquele contentamento e aquele furor de guerrear pernilongos, pois, se poetas por poetas sejam lidos, mais razoável será que mosquitos sejam [por] mosquitos combatidos.

Tagarela| 9-7-1903.

DEMOS, TUCANOS e “viuvas” de FHC, o culto, dão partida na campanha para presidente / editoria

“eles” estão de volta! e fazem suas propostas de campanha a partir da imagem acima. é claro, não teem mais nada para propor porque o que tinham já o fizeram e não cumpriram nos 8 anos do fhc, o culto. venderam as empresas de telecomunicações, energia, vale do rio doce e outras por menos da metade do preço de mercado (ações). não conseguiram vender o banco do brasil, a caixa econômica e a petrobrás porque  a nação reagiu. querem voltar a praticar a farra com o dinheiro público! como sempre fizeram desde a primeira república. são eles de novo, herdeiros dos antigos assaltantes dos cofres do país, novas gerações, novos métodos, mas os mesmos objetivos de seus antepassados: o assalto ao estado brasileiro. estão há 8 anos fora das possibilidades de enriquecimento fácil: CORRUPÇÃO! CORRUPTORES e CORRUPTOS associados numa grande teia criminosa e apoiados por algumas centenas de alienados militantes! desta vez, a nação estará vigilante, RETROCEDER NUNCA!