A VIAGEM de jb vidal / florianópolis


no trem

as paisagens se repetem

uma a uma se repetem

a velocidade torna-as iguais

tédio

tédio das paisagens que não vi

porque lia um livro

que não li

no trem

tédio do que vivi

na viagem

viagem conhecida

angustiantemente conhecida

lucidez angustiante

minh’alma tórrida

sofre no trem

o cobrador conhecido

pede a passagem

que ficou no guichê

olho-o com olhar vazio

nada tenho para dar

se me pedir

dou-me

NÃO é nada diz

quer o bilhete

ofereço as paisagens que não vi

lindas imagino

NÃO

o valor da viagem

no trem

vale

o que tu sentes

lá fora

as paisagens

repetidas

doloridas

deserticamente repetidas

velozes

dentro

o cobrador eu  tu

e o êxtase possível

na Estação

2 Respostas

  1. Querido amigo,

    Que é a vida senão uma viagem? Com paragens, em estações perdidas, mas, o que é pior, é que não passa duma viagem que quando acontece sempre no mesmo percurso, se torna extremamente monótona e até estupidificante. E a estação terminal? Trazer-nos-á algo de diferente? Esperemos bem que sim…
    Gostei muito do seu poema, dessa viagem feita num quotidiano que poderá, por vezes, ser monótono, mas cabe-nos a nós, passageiros, torná-la menos cansativa.
    Um forte abraço.
    Vera Lucia

  2. Querido Vidal: belíssima descrição “objetiva” de viagens pelas paisagens metafísicas ( foi assim que senti). POEMA PARA IMEDIATA IDENTIFICAÇÃO.
    Abraço de muito carinho
    Zuleika.

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