O dinossauro de Dakota e a fábrica de pobres brasileira – por alceu sperança / cascavel.pr

Em Dakota do Norte (EUA) os cientistas encontraram um dinossauro morto há 67 milhões de anos, dia mais, dia menos. Pela primeira vez o exemplar (um hadrossauro) estava preservado, não apenas com os ossos, mas também com tecidos e pele. Não é preciso, portanto, imaginar como ele era quando viveu.

No mundo de hoje, autoritários se apresentam ou se deixam confundir com “democratas” (os latifundiários criadores de milícias do PMDB, por exemplo) ou de “esquerda” (os luliberais entreguistas que governam o Brasil).

Como em raríssimas ocasiões no mundo há ou já houve democracia (no Brasil, jamais!) e muito menos algo que se tivesse certeza de que fosse mesmo “esquerda”, a mentira campeia solta. As pessoas são enganadas pela alternância entre neoliberais que se fingem democratas/social-democratas e neoliberais que se travestem de trabalhistas/socialistas.

Com a guinada do presidente Luma ao populismo personalista, a consolidação da aliança governista PT-PMDB, que ao lado do PSDB e com o suicídio do DEM tendem a ser as três correntes burguesas com maiores perspectivas de compartilhar o poder a serviço de bancos, ruralistas e transnacionais, não resta muito a fazer a não ser formar desde logo uma Frente Anticapitalista e pôr as cartas na mesa.

Com um Arruda do Bem, sem o Arruda do DEM, com o dedicado Ivan Pinheiro, com alguém que não tenha tolas ambições eleitoreiras, seria a hora de ter uma candidatura de esquerda, pois esquerda não é conciliação com o capital, mas luta contra ele. A esquerda, não os cúmplices e vassalos dos neoliberais – precisa ter uma candidatura para debater a duríssima realidade brasileira, que é uma fábrica de pobres subordinada à matriz central da dominação planetária.

Detesto a ideia de participar da eleição burguesa, pois ela nunca resolve os problemas do povo. Mas se a gente não apresentar a esquerda com pele e osso, as pessoas vão continuar achando que o dinossauro que aí está – a “democracia” dos peemedebistas criadores de milícia e a “esquerda” luliberal – correspondem à mentira de que são democratas ou de esquerda.

Se for possível uma aliança, de preferência com outros partidos que também se pretendem de esquerda, ótimo. Do contrário, o PCB precisa fazer uma campanha-movimento, apresentando um programa revolucionário para a sociedade.

Se a gente não mostrar o que é a esquerda, ou seja, a corrente mundial que deriva das idéias de Marx, as pessoas vão continuar achando que “democrata” é um ex-pefelista e “esquerda” é um antro de mensaleiros.

Rumo à candidatura anticapitalista, portanto!

Uma resposta

  1. Candidatura de esquerda, de esquerda decente, ideologicamente engajada, nessa altura do campeonato eleitoral? Acho difícil. Vamos continuar sonhando.
    O que se destaca na paisagem política nacional? E isso mesmo: um populismo personalista. As cartas já estão marcadas. Depois dos próximos quatro anos de férias do poder, a imagem de um caudilho voltará redesenhada no horizonte da nação. Todos os caminhos, todos os inconfessáveis projetos políticos dos sobreviventes da ditadura que chegaram ao governo, desembocam na perpetuidade do poder. Em que mãos estão comendo as lideranças dos movimentos sociais e os pobres deste país? Quem não sabe que eles foram e estão sendo cooptados pelo poder? Quem vai empossar o novo presidente da nação? Será o voto de opinião ou o voto de cabresto? Fome Zero, Bolsa Família, tudo bem, sem críticas porque tirou muita gente do buraco. Agora…, que a mão esquerda não saiba o que a direita faz. A opinião publica não é cega. Não ponham estas cores na bandeira eleitoral. Essa é uma dívida secular do capitalismo. É a “mais valia” de Marx. A parte do salário não paga que enriqueceu o patrão e manteve o trabalhador na miséria.

    Quanto a aliança governista PT-PMDB, não há surpresa. Todos os fins se justificam nos meios adotados na última Convenção do Partido. “Estes peemedebistas” são, ironicamente, “os trabalhadores de última hora” e não, concientemente, “os emedebistas da primeira hora”. Sem surpresa, repito. Isso é uma patologia crônica na fisiologia das nações e Napoleão já dizia que: “O político é uma ave rara…, para pôr os pés no céu não se importa de arrastar as asas na lama”.

    Pois é, nós os sonhadores, acreditávamos e sonhávamos que os sobreviventes da ditadura, os legítimos militantes da esquerda, presos, torturados, exilados, quadros respeitáveis da guerrilha urbana e do Araguaia, ao chegarem ao governo, iriam fortalecer o poder popular e, com seu respaldo, resgatar dívidas sociais seculares e, por isso, intransferíveis, como a reforma agrária, no melhor exemplo, e que deu no que está dando. E depois vieram todas aquelas cenas lamentáveis e patéticas de escândalos e corrupção, mascaradas com uma insultante presunção de inocência, com a dança pela culpa absolvida e o gargalhante escárnio da justiça. Sei que já tarde demais para perguntar…, mas onde foi parar o eloquente discurso ideológico e o programa socialista do PT, PC do B e do PDT? Todos sabemos a resposta porque a mídia tem mostrado que neste jogo de sobrevivência existem regras e por isso hoje se fala de interesse e não de princípios.

    Bem, me ajoelhei, agora tenho que rezar. Acontece que gosto da Política como ciência, mas política eleitoral não é minha praia. Agora, se o rumo apontado é uma candidatura anticapitalista o único candidato que pode preencher este papel e o Roberto Requião. Não rouba e não deixa ninguém roubar. É verdade que não está formalmente alinhado na esquerda, mas isso é detalhe, porque filiação, em termos de programa e militância, na imensa maioria dos casos, é só aparência. O que importa são os fatos. Conheço o Requião desde os bancos acadêmicos, na aguerrida década de 60, onde ele não tinha papas na língua em seus inflamados discursos contra a ditadura. Já desde aquele tempo defendia as causas populares e ao longo de todos os seus mandatos, seus programas sociais comprovaram sua adoção à “Carta de Puebla” com sua opção pelos pobres. (Leia-se “Panela Cheia”, “Paraná Rural”, “Bom Emprego”, “Escola Oficina”, “Casa da Família”, etc)

    Nunca mudou de partido. É, honrosamente, um dos últimos moicanos do velho MDB de guerra. Não, não é santo, porque é franco e honesto e não se faz de santo. Sempre joga limpo e abertamente. Tem ideologia, sabe o que diz, não faz concessões e não negocia o interesse público (leia-se Banestado, Pedágio, Copel e Sanepar), e não transige com as transnacionais globalizadas e nem com o “capital vadio” (nas suas palavras) dos especuladores e banqueiros. É o único, dos homens públicos que conheço bem, que tem o preparo de um estadista, um invejável currículo político, caráter e uma honrada retaguarda íntima para governar e sanear este país.
    Mas, lamentavelmente, as cartas já estão marcadas.

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