NESTE DIA DA MULHER: BREVE EXORTAÇÃO A ALGUNS HOMENS – por zuleika dos reis / são paulo

Queridos: sede companheiros, em verdade e de verdade, das mulheres. Companheiros em pensamento, companheiros nas palavras, companheiros em vossas ações.
Sede companheiros de vossas mães, de vossas irmãs, de vossas amigas, de vossas colegas, de vossas namoradas, de vossas esposas, de vossas filhas, de vossas amantes, também da(s) outra(s) de vossas esposas(… )
Companheiros homens: sede companheiros de vossas mulheres e também de  todas com as quais estiverdes em contato cotidiano, na vida profissional ou meramente no acaso dos ônibus, das ruas, dos becos…
Sede companheiros das mulheres que muitas vezes acabam por se ver, por força da NECESSIDADE, como uma espécie onipotente, onipresente, como se foram deusas. Não são. São apenas seres humanos, falíveis, feitos não só depensamentos sublimes, maternais, mas às vezes também, como quase todos, de pensamentos pouco nobres e da mais dilacerada solidão. Afinal, chega a ser sobre humano, para tantas,  a necessidade de serem, simultaneamente, o homem e a mulher de suas próprias vidas, vidas a englobar de filhos a velhos pais, alquebrados e impotentes; mulheres a sobreviverem muitas vezes, com o sacrifício de suas mais intransferíveis e recôndidas necessidades individuais.
Queridos: assim como acordamos o “homem” em nós, acordai a mulher em vós. Dir-me-eis: “Afinal, se somos tão centrados em nossas próprias necessidades,  não são vós, mulheres, as responsáveis diretas por nos termos tornado assim, tal como dizeis? ”  Tendes boa parte de razão: a maioria de nós, mulheres, tem educado seus filhos homens para serem reis, cuja função primordial deveria ser a de servir, e que acabam existindo para serem servidos. Aliás, um mundo justo deveria ser pautado pelo princípio de que cada ser, homem e mulher, veio ao mundo para servir e para ser servido, isto é, para a prestação mútua de serviços. Alguns dirão: “Há serviços que cabem aos homens, outros às mulheres”. Desculpem, mas penso ser este discurso ideologicamente muito conveniente para que o status quo permaneça sempre como tem sido, a serviço de um patriarcado que jamais deixou de exercer seu pleno poder, apesar das indiscutíveis conquistas femininas no mundo exterior ao lar.
Proponho-vos uma rebelião: Inicialmente, fazei crescer,  multiplicai em vós, dentro de vós, na “mulher” que também vos habita o interior, os pensamentos, as palavras, as intenções de cumplicidade para com as mulheres, vossas companheiras de espécie neste mundo. Transformai então, toda essa energia em palavras e ações efetivas e vereis, certamente, crescerem as sementes de um novo tempo, de uma nova realidade, verdadeiramente humana, verdadeiramente fraternal.

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EINSTEIN- ilustração do site.

8 Respostas

  1. Obrigada, querido Otto, mas não concordo com você: Como pode dizer que sem nós vocês não saõ ninguém ? Cada um de nós, homem ou mulher constrói seu próprio ser e, assim, independente do outro, cada um de nós, homem ou mulher se torna alguém, por luta e mérito próprios.Apenas acho que podemos, homens e mulheres, nos ajudarmos, mutuamente, nesta procura por sermos nós mesmos. Homem sozinho ou mulher sozinha, não é “‘ninguém”, É ALGUÉM, é um ser dolorosamente só.
    Beijo
    Zuleika

  2. Zuleika,

    assino embaixo de tudo que você prega. Sem mulher os homens não são nada. Parabens pela data. Grande abraço. Otto

  3. Cara Zuleika…
    Sim…, tenho fé, não a fé cega, mas a fé raciocinada e quero partilhá-la com você na crença de que o Criador não desampara nenhuma de suas criaturas.
    Ânimo, coragem e confiança é o que lhe devemos pedir porque cada um de nós tem sua própria cruz e ela é intransferível. Com Deus “seu peso é mais leve e seu jugo mais suave”.

    Sou espírita há trinta anos, mas não quero misturar as coisas, nem fazer proselitismo. Devo contudo te dizer que a Terra não é uma colônia de férias e todos trazemos a alma marcada pelos equívocos do passado. Vinculados a almas queridas que desequilibramos lá atrás e que agora nos cabe reorientar. Não existe impunidade na lei maior da vida e por isso ninguém paga sem dever. Mas ninguém está esquecido “neste vale de lágrimas”. É indispensável estar consciente do poder da prece. Não com os lábios, mas pronunciada, com humildade e fé, no sacrário da alma. Nenhuma delas, quando sincera e despojada, fica sem resposta. Contudo não é só pedir. Pois “ é dando que se recebe, perdoando é que somos perdoados”. Nós somente possuímos aquilo que damos e quando a dor bate em nossa porta é preciso que nos perguntemos que merecimentos temos para receber o que pedimos.

    Minha querida, minhas orações vos levarão meus sentimentos fraternos, a certeza de que um OLHAR vos ampara e que a esperança possa sempre reflorescer em teu jardim.
    Para um poeta é doloroso saber que outro poeta sofre. Na verdade não podemos ser felizes enquanto o sofrimento rondar as criaturas, enquanto existir uma criança ao desamparo e um velho abandonado. Nós, os poetas, não sabemos viver para nós mesmos. Nossas almas são gestos repartidos em tantas vidas.
    Como bem disse Neruda: “Minha vida é uma vida feita de todas as vidas: as vidas do poeta”.

    1. Obrigada, caro. É principalmente por um outro ser, poeta também, que estou pedindo esta prece. Um ser a quem estou tão ligada como se fôramos um, mas, como você disse, ainda neste caso precisamos, e ele também precisa carregar sozinho, isto é, a partir de suas próprias forças, as dores às vezes quase insuportáveis de estarmos aqui. Agradeço por tua resposta, amigo, de todo coração.
      Grande abraço fraterno
      Zuleika.

  4. Cara Zuleika,
    tua exortação mexeu com meus arquétipos e por isso eu quero, nesta data, registrar aqui meu profundo respeito à mulher pela sua imagem criadora como o ventre universal da vida; pelo calor do seu regaço que , em todos os tempos, embalou a humanidade em sua infância; pelo labor carinhoso com que refaz, a cada dia, o seu ninho e pelo heroísmo incansável com que transita, resignada e humilhada, corajosa e perseverante, anônima e despojada, sedutora e apaixonada, pelos caminhos do mundo. Minha reverência especial à imagem de MÃE, o mais belo título que conheço entre os homens.

    1. MUITO OBRIGADA, CARO MANOEL.COMO MINHA ALMA E MINHA VIDA ESTÃO EM PURGAÇÃO, EM PLENO E DOLOROSÍSSIMO PERÍODO DE QUARESMA, POR RAZÕES IMPOSSÍVEIS DE EXPLICITAR, SÓ CONSIGO DIZER: MUITO OBRIGADA. SE TENS FÉ, PEDE A DEUS QUE TENHA PIEDADE DE MIM E RESGATE OS MEUS CAMINHOS E TAMBÉM OS CAMINHOS DE UM OUTRO SER AO QUAL ESTOU LIGADA, DESDE O INFINITO E CUJO NOME NÃO POSSO DIZER AQUI. SE ALGUÉM MAIS LER ESTE MEU AGRADECIMENTO PEÇO O MESMO: UMA PRECE POR MIM E POR ESSE OUTRO SER, AO SENHOR DA TERRA E DOS CÉUS.
      PEÇO PERDÃO, TAMBÉM, POR ESTE DESABAFO, DA MAIS ABSOLUTA DOR.
      Zuleika dos Reis.

  5. Obrigada, minha querida.Uso de uma certa ironia nestas críticas; procurei amenizá-la dando-lhe um tom solene, através do uso do “vós”. Espero ter conseguido alguma consistência, mínima que seja.
    Grande abraço
    Zuleika.

  6. Querida Zuleika

    Esta crónica, bem à altura da sua criatividade, é optima. Confesso que nunca me teria lembrado de escrever algo no género.
    Espero que os homens compreendam a mensagem.
    Um grande abraço.
    Vera Lucia

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