TEMPO – de vera lúcia kalaari / portugal

3 Respostas

  1. Querida Vera Lúcia,

    Antes de comentar seu precioso poema queria dizer duas coisas.
    A número um é o fato de ter adotado o procedimento de me esquivar de comentar
    ou re-comentar os comentários que pessoas amigas como você, Zuleika e outros tão queridas
    têm feito sobre poemas meus publicados nos “palavreiros”.
    Por vezes fui mal interpretado, até achincalhado.
    Assim preferi o mutismo sobre os elogios daqueles que gostaram e às críticas ácidas
    a quem causei furor e não gostaram de um ou de todos os poemas escritos por mim.
    Paciência. É prudente aceitar e conviver com isto quando nos expomos na Internet.

    A de número dois refere-se ao dia de ontem: Dia da Mulher.
    Estou escrevendo, nas pegadas do amigo João do Lago, um poema sobre a mulher e o seu dia.
    Para mim ele não se resume em um único dia.
    Preferi esquecê-las ontem para lembrá-las todos os demais dias de 2010.
    Isto é, até o porvir de um novo ano e até que o tempo mantenha-me presente por aqui.

    Sobre seu poema. João do Lago foi longe.
    Ele, como sempre, intelectual de primeira linha, construiu sobre a sua construção poética.
    Ambos estão de parabéns.

    Apenas alguns breves comentários. O tempo e a imagem parecem estar em perfeita simbiose e troca. Interessante notar que o tempo vem do espaço e vai à terra. E neste mister quem é o passado de quem? O tempo que veio de longe, ou o futuro que a Terra irá enterrar? Ele que logo depois irá virar passado também. Por isto concordo com João e com a a autora colocando o centro do poema no meio da imagem, na linha do horizonte, fazendo o momento mais importante o “tempo presente”. Helena Kolody, nossa amiga, vivendo agora em outras galáxias, escreveu um livro chamado “Tempo Presente”, referência a um dos seus lindos poemas. É este é o momento mais importante. Não há tempo de fato fora do tempo presente. Acredito que o tempo é mesmo agora, o resto são lembranças ou esperanças. Por isto com você concordo:

    Tempo
    Tem


    Não tem
    Pó o tempo

    Os cinco versos em si só ao se juntar formam um dos mais belos versos já vistos por mim.
    “tempo tem pó, só não tem pó o tempo”.

    Parabéns.
    Grande Abraço
    TM

  2. Neste seu poema é interessante notar sua construção gráfica, ou seja, você construiu-o “como se” fora a ampulheta do próprio tempo. Bela criação! A comunicação entre as duas partes do poema – o escoamento das letras… das palavras… dos versos… dos significantes e significados – é gramaticalmente perfeira na medida em que se verifica a flexão que determina o momento/instante instintual. Ouso argumentar que neste seu poema há um “quê” da corrente Gestaltica com sua máxima maior: “O passado já não é; O futuro ainda não é; Portanto, só nos resta o Aqui e Agora”. E é exatamente – e somente – no “Aqui e Agora” que ocorre o tempo. É no “instinto” do aqui e agora que as duas partes do poema se comunicam: vire-se a ampulheta do poema e, então, veremos toda a comunicação existencial entre as duas partes dessa ampulheta poemal.
    Parabéns.
    Abraços.
    João Batista do Lago

  3. Que belo, amiga… o tempo na ampulheta do tempo, sua face ancestral, a areia que escorre incessante… Que belo, amiga!
    Beijo
    Zuleika..

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