GALO, CABRA, URUBU, JEGUE, ETC. – por hamilton alves / florianópolis

Paulo Mendes Campos conta numa crônica que tinha um filho (hoje, certamente, será um adulto), que adorava bichos de todos os tipos e feitios. Quando acontecia de sair à rua com ele, surpreendia-lhe o fato de, desaparecido por alguns instantes, trazia consigo um siri, um papagaio, um passarinho qualquer, até ocorreu que certa vez trouxe (descobrindo não sabia onde) uma pequena tartaruga, que logo recebeu um nome de batismo do garoto. Com ela conviveu durante muito tempo até que um dia a tartaruga, para seu desespero, tinha desaparecido. Ficou inconsolável. Telefonou para a avó lhe perguntando como faria com a perda da tartaruga, se não havia jeito de lhe conseguir outra.

Com insetos era a mesma coisa. Tinha em caixas de todo o tipo alguns exemplares deles, principalmente borboletas.

O que bichos interessam hoje às crianças?

Lembro que, certa vez, os jornais de Nova York noticiaram que um garoto, quando viu uma vaca, ficou deslumbrado. Nunca imaginara que podia existir um bicho assim.                            Suponha-se se visse uma girafa, um elefante, uma zebra, seu espanto, certamente, seria bem maior.

As crianças das cidades populosas e modernas não têm mais como conviver com bichos, ainda que insignificantes do ponto de vista de suas proporções físicas.

Gato, cachorro, ainda dá para ter no ambiente doméstico.

Sempre quis ter um galo à volta de mim.

Uma vez, numa viagem a Orleães, vi um galo branco na estrada, parei o carro e saí para pegá-lo. Cerquei-o, mas pulou uma cerca e fugiu. Como era lindo! O poeta Augusto Frederico Schmidt, com quem troquei algumas cartas, três ou quatro, quando estava no auge de sua fama, não como poeta, mas como homem público, fora ministro de JK, possuía um galo branco esplêndido em sua casa.

A cabra, por exemplo, é o animal da minha paixão. As cabras conviveram muito de perto comigo na infância. Lembro-me que, quando caía chuva rala, baliam até mais não poder, amarradas com cordas em touceiras de capim. O balido de cabra tem um conteúdo de paz e purificação sem igual.

Sobre aves, é claro que o galo tem minha simpatia, mas o urubu (o nosso nunca assaz louvado urubu, ecologista emérito) leva meu voto. Pode ser feio, mas nenhuma outra ave faz melhor suas acrobacias aéreas (descobri há pouco que  é também da preferência do pintor Semy Braga).

E, para terminar, pensei certa vez em trazer do nordeste um jegue, que acho uma simpatia insuperável de animal.

Teríamos, de certo, muito que nos dizer em nossas horas neutras e silenciosas.

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