ESTAMOS EM CACOS por alceu sperança / cascavel.pr

A irresponsabilidade rapineira do sistema tributário nacional machuca todo mundo, mas é pior para os pobres. A regra luliberal é economizar para pagar banqueiro, e assim a União sofre com falta de recursos para a infra-estrutura.

Os Estados não conseguem suprir aquilo que a União abandonou. E os municípios estão quebrados. Ser prefeito, hoje, é fazer menos que o contínuo do gabinete. Limita-se a cumprir convênio com a União e o Estado, zanzar daqui pra lá à toa, mudar a pintura de alguma obra já feita (“revitalização”, dizem). Se sair disso, arrisca-se a ir para a cadeia. Centenas de ex-prefeitos estão sendo processados e os atuais tendem a ser processados em breve.

As prefeituras são os “trabalhadores” da União. Perdem direitos e arcam cada vez com mais responsabilidades e encargos. Sempre que se fala em “reforma da Constituição”, lá está mais um direito sendo garfado dos que trabalham e a União fortalecida.

Uma olhada em nossa periferia mostra gente pobre, sem poder pagar a prestação da casa “do BNH”, como se dizia antigamente, de olho num fundo de vale para levantar o barraco, jogando no bicho o dinheiro do leite da criança.

Mas essa gente pobre é muito rica: paga cerca de 400 milhões de reais por dia por uma dívida que não fez. É a privatização do caraminguá: era dinheiro público, vindo de impostos e taxas, e agora foi para bolsos privados. Simples como bater uma carteira. Aliás, bateram a Vale.

Lula conhece tão pouco o Brasil que, dia desses, cometeu esta barbaridade, ao defender a garfada no nosso bolso: “A verdade é que as pessoas estão pagando mais porque estão ganhando mais. É só ver o lucro dos bancos, ver o lucro das mil maiores empresas brasileiras que vocês vão perceber que as pessoas estão ganhando mais e, portanto, têm que pagar mais”.

Ignora que o peso do tributo para um banco ou uma das mil é apenas um indolor dado contábil, mas para o assalariado quer dizer o couro arrancado. É ele que paga os impostos embutidos na comida que é obrigado a comprar e nos serviços que é forçado a usar.

Não é a empresa de ônibus que paga os impostos: eles são arrancados do usuário do lotação. O banco tira do correntista e assim vai. O cidadão paga tudo, mas suas Prefeituras estão em cacos.

No milagroso PAC lulista, a grana ali reservada para investimento em aeroportos até 2010 (aliás, nenhum centavo para o Aeroporto Regional do Médio-Oeste) equivale ao pagamento de sete dias de juros da dívida que não contraímos.

Não pagar oito dias dava pra tudo aquilo e nosso aeroporto viria de brinde. Há irrefletidos dizendo que o aeroporto é “elitista”. Mas na sociedade justa do futuro, quem é pobre hoje amanhã vai querer viajar de avião, como acontece na China. O china ganha 70 dólares por mês, tem apartamento, plano de saúde, universidade paga para o filho, laptop da hora e viaja de avião, que absurdo! Onde é que este mundo vai parar?! Já tirar dos pobres e dar aos ricos, Robin Hood invertido, não é elitista…

Mas reza a parábola que os últimos serão os primeiros. O biólogo Luc Montagnier, que em 1983 identificou o vírus da Aids, acredita que a multidão de jovens sem trabalho vai derrubar as atuais estruturas sociais e instaurar a total anarquia.

O cara lida com vida o tempo todo e sabe que ela não fica engarrafada sem fermentar. Quem gosta da “ordem” que está aí, trate de arranjar emprego para essa gurizada sem ocupação. Ou tudo vai virar caco.

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