URUBU por hamilton alves / florianópolis

As únicas pessoas conhecidas que elegeram o urubu como sua ave preferida, segundo sei, sou eu mesmo e o pintor (médico) Semy Braga, que veio de me confessar, há pouco, quando o visitei em seu atelier/moradia, tal preferência.

O urubu é uma ave feia. Ou conceitualmente  feia. E, pior, comedor de cadáveres de tudo.

Mas, afinal, o que é feio?

Não há, na verdade, um conceito acabado de feiúra.

À parte essa questão estética, o urubu tem lá, sim, sua beleza. O preto de sua cor já é algo que o distingue, como se, a exemplo das criaturas humanas, andasse sempre a rigor.

No que se destaca é no voo, notadamente sob o vento sul, em que se pode observar o equilíbrio com que se mantém ao sabor do vento, mesmo quando sopra mais forte.

Mostra-se, então, um verdadeiro bailarino.

Quando me revelou simpatia pelo urubu, Semy não justificou essa escolha. Podia (ou pode) ter lá suas razões.

Certa vez, em Curitiba, vi um bando de garotos esmolambados, nas proximidades da Praça Osório, chutar um urubu, que certamente devia ter se chocado com um daqueles prédios altos e caído ao chão.

De onde estava, na frente de um bar, tomando um refrigerante, berrei:

– Não matem o urubu!

Foi por meu berro ou outra razão qualquer, vi o bando se dispersar – e o urubu sair ileso da perseguição.

Estou para propor ao Semy a fundação de uma entidade, que tivesse o nome de Sociedade Amigos do Urubu (SAU), em que outras pessoas, ainda que não tivessem maior simpatia ou amizade por essa ave, poderiam se filiar.

A sociedade teria por finalidade se informar melhor sobre alguns dados referentes ao urubu, como, por exemplo, se sua reprodução vem sendo satisfatória.

Preocupa-me muito o fato de não vê-lo tão numeroso voando por aí.

Creio que o urubu é uma ave destinada à extinção muito próxima. A comida deve-lhe rarear. Não há tanta carniça que possa encontrar fácil. As cidades estão ficando excessivamente urbanizadas, acarretando a coleta de refugos aproveitados pelos urubus.

Toda uma série de fatores pode levar a isso.  A consequência inevitável seria a ausência do urubu de nosso espaço.

Perder de vista o urubu seria a última coisa que poderíamos desejar.

Vou me entender com o Semy para ouvi-lo sobre o assunto.

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