RAPSÓDIA SOBRE A PALAVRA de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

O som crocante da chuva é sua palavra.

O doce da cana é sua palavra

e o rum sua ira.

O urro da onça é sua palavra.

O vôo da borboleta é sua palavra.

A beleza do pavão é sua palavra.

As fotos de Cartier Bresson

é sua palavra,

e seu discurso.

O amargor benigno do boldo

é sua palavra.

Seu nome é sua palavra

mais intima.

Seu nome é seu coração,

sua mão

e o cabelo que cai.

Seu nome tem a mesma cicatriz que você tem

e é seu osso,

e o sexo escolhido.

Seu nome envelhece.

E a ferida no seu corpo

é uma ferida no seu nome.

2 Respostas

  1. Obrigado Zuleika, pelo seu comentario-poema.

  2. Que beleza! O ser é palavra, nos ossos, no sangue, na pele, no nome. Ser-palavra na palavra-ser. Poema do indizível tão claramente dito. Poema-clareira.

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