ÔNTICO de joão batista do lago / são luis



Onde me encontro no teu mundo,
Onde o caos que organiza sobras (e),
Que desvela a lamparina dos dias,
Que revela a ventura de não me ser-te,
Que transgride o ardor da ânsia de viver a
Eternidade de sempre ser o eterno ser?

Não me sei como teu outro na desventura do mundo,
Nem me sei tranquilo no verso escondido, que soçobra das
Noites claras e mal dormidas, um silenciar agudo e miserável,
Conjugando verbos sânscritos pelas noites que me varam,
Que me açoitam e vergastam a alma perdida de todos os tempos.

A arte em mim é um mundo possível!
É lá que guardo todos os meus gritos,
Todos os meus silêncios,
É lá que se me faço guerra,
É lá que se me vejo: ser da paz.

Meu mundo – de existência concreta e múltipla –
Vagueia pelos interiores recônditos,
Ignoto, incógnito…
Existente no âmago mais profundo e íntimo de me ser
Apenas um na poeira do tempo e do ser.

Uma resposta

  1. “Não me sei como teu outro na desventura do mundo.” Neste ontologia do firmar-se único com o ser amado, toda a beleza do ser poético que afirma, para além da solidão essencial do existir, a união libertadora com este amado, ainda que sempre por um átimo, átimo sempre à procura de outra ressurreição. Deixei-me levar pelo que a magia do teu poema fez ecoar em mim, caro João Batista do Lago.
    Abraço grande
    Zuleika.

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