Arquivos Diários: 10 abril, 2010

ELEIÇÕES 2010 NA WEB: Começam as práticas deploráveis – por luis sucupira

EM 6 DE ABRIL DE 2010.

Pelo que se desenha, antes mesmo de começar, a campanha eleitoral deste ano irá derrubar velhos conceitos sobre como fazer uma campanha política na Internet. De acordo com matéria do jornalista Luiz Queiroz, do site Convergência Digital (05/04) – “o deputado Brizola Neto (PDT-RJ) postou mensagem no Twitter, informando que uma empresa de informática estaria registrando domínios na Internet com objetivo de criar sites com o intuito específico de atacar a candidatura presidencial da ex-ministra Dilma Rousseff (PT).”
Pelo apurado a empresa é detentora de um domínio criado para realçar as qualidades do candidato do PSDB na Internet (www.amigosdoserra.com.br), o que supostamente a vincula com a candidatura tucana. A empresa também registrou dois outros endereços eletrônicos, deixando clara a intenção de atacar a imagem da candidata do PT à Presidência da República. O mais grave, foi ter supostamente usado CNPJs diferentes nos registros de domínios. Os CNPJs pesquisados no site da Receita Federal aparecem como “inexistentes”. A DDM também atende pelo nome “Duo Database Marketing Serviços e Sistemas Ltda” e seu endereço eletrônico é www.ddm.com.br. O curioso é que tanto os seus CNPJs, quanto os endereços comerciais deixam margem para dúvidas sobre suas existências por serem imprecisos e/ou incorretos. Estão registrados no nome da empresa os seguintes domínios na Internet: – amigosdoserra.com.br– dilmanao.com.br – gentequemente.com.br – joseserraoficial.com.br – jotaserra.com.brjozeserra.com.br – jserra.com.br.

CNPJs e telefones inválidos – por que e para quê?
Na Receita Federal, quando pesquisado o CNPJ da empresa DDM (05/04) usado junto ao Registro.br – do Comitê Gestor da Internet do Brasil – (n° 066.514.423/0001-38) ele foi apontado como inexistente. Hoje à tarde ele aparece como válido. (Aliás, o Comitê Gestor da Internet deveria ter um software que rejeitasse CNPJs falsos – é a máxima da casa de ferreiro espeto de pau). Também com CNPJs inexistentes, a DDM teria registrado os domínios: “www.dilmanao.com.br” – “www.gentequemente.com.br” e “www.amigosdoserra.com.br“; com o CNPJ n°000.660.111/0001-24, inválido até ontem (05/04), hoje à tarde aparece como CNPJ válido. O telefone para contato com a empresa também chama a atenção: (11 – 11111111). Além disso, a empresa informa dois endereços comerciais diferentes.

Mas não é só a empresa DDM que está atrás de confusão. O Instituto Social Democrata (do PSDB), também mantém um domínio na web que, servirá para atacar diretamente aos adversários ao longo da campanha (www.petralhas.com.br). O candidato José Serra conta ainda com o endereço eletrônico www.serra45.com.br, que foi registrado diretamente pelo PSDB. Além disso, o Instituto mantém registrados os seguintes domínios: – blogdojoseserra.com.br – blogdoserra.com.br – eagora.blog.br – jose-sera.com.br – jose-sera45.com.br – josesera.com.br – josesera2010.com.br – josesera45.com.br – joseserra.blog.br – joseserra2010.com.brpetralhas.com.br – serra2010.com.br – sitedojoseserra.com.br – sitedoserra.com.br.

O segredo não é mais secreto…
Outra estratégia adotada por partidos políticos na web é enviar emails com notícias falsas a respeito da vida de candidatos e seus familiares. Tais emails são imediatamente repassados sem nenhuma análise crítica. O fato é que tais sites serviriam para disseminar de forma anônima fatos e ataques em vez de discutir propostas. Este tipo de estratégia funcionou quando a Web era 1.0 e seus usuários meros consumidores de informação sem espírito crítico. Hoje tais estratégias ou abordagens só ajudam a promover o candidato contrário, pois mostra que, longe de discutir propostas, o que pode vir a pegar mesmo serão acusações sem o mínimo de provas.

O fato é que, se isso era uma estratégia para ser mantida em segredo, agora não é mais e ganha notória desconfiança dos propósitos de determinadas candidaturas quando se apresentam na web. É por causa deste tipo de gente – ‘profissionais’ – que aparecem certos senadores querendo amordaçar a Internet. Mas nós estamos de olho e na Web-Livre ninguém mexe. Não sem que a gente faça um barulho muito grande.

Que as eleições deste ano na Internet sejam uma festa democrática da liberdade de expressão e não um festim diabólico onde a libertinagem deixa de ser a exceção. Em política, principalmente, segredo só existe entre duas pessoas quando uma delas morreu. Estamos de olho. A empresa de informática DDM Desenvolvimento de Software S/S Ltda tem, de fato, muitas explicações a dar sobre algumas curiosidades levantadas pelo portal ‘Convergência Digital’.

Convergência Digital
WM – ilustração do site

A TRAVESSA DOS INCONTINENTES por josé carlos fernandes / curitiba


O mictório do Mercado das Flores custa R$ 0,50, mesmo preço de um pastel de banana nos arredores da Praça Tiradentes. Sei não, mas tem muita gente ficando com a segunda opção. O resto da história, perguntem ao muro da catedral.

A Travessa Padre Júlio de Campos, no Centro de Curitiba, rivaliza em extensão com a Luiz Xavier, conhecida como a menor avenida do mundo. É minúscula. A numeração vai de 0 a 33 e pode ser percorrida com 30 passos, os mesmos necessários para cruzar de ponta a ponta um apartamento de 100 metros quadrados.

Mas “tamanho não é documento”. Apesar da falta de atrativos – não tem shopping, cine privé, 1,99 nem nada –, a Júlio cumpre heroicamente sua função urbana: serve de atalho entre a Barão do Serro Azul e a Sal danha Marinho. Não fica um minuto sem uso. Seria um mimo parisiense, não tivesse se tornado o palmo de petit-pavé mais catinguento das araucárias.

Exato. A travessinha concentra os piores índices de bolos fecais e litros de ácido úrico da paróquia. Esse dado ainda carece de comprovação científica, mas é empiricamente verificável. Raro um passante do atalho que não tape as narinas – como se temesse ser contaminado pelo Ébola. Os que não o fazem são acometidos pela súbita ex pressão de quem tomou Olina com Leite de Magnésia. Não ra ro, passantes são acometidos por sinais de delirium tremens. Não houve óbitos. Salvam-se do desconforto apenas os portadores de deficiências olfativas crônicas e os porcatchones, que de resto se sentem em casa.

O fato é que a ruazinha se tornou a República dos Inconti nentes. Se de um lado serve para encurtar caminhos das almas apressadas, por outro se presta a aliviar a bexiga e intestinos dos corpos desesperados, cujos im perativos costumam ser implacáveis. “Não estranho mais tanto cocô. Tem até filho que mata pai…”, protesta o vovô de guarda-chuva.

De acordo com testemunhos, cuecas são arriadas à luz do dia, oferecendo a visão do inferno para os condôminos da Rua João Moreira Garcez. “E não é só mendigo não. Vem muito engravatado”, garante um observador, para quem a transformação da travessa num mictório não é uma questão de classe social, mas da condição humana. “Eu faço xixi aqui sim. Queria que eu fizesse nas calças?”, defende-se um qualquer, com fúria de titã, mas momentaneamente impedido de gestos mais bruscos.

A penumbra da Júlio e a aridez das ruínas das Ferragens Hauer, logo ali, devem atiçar os esfíncteres sensíveis. Dos males o menor, o surto tem garantido emprego para funcionários do Serviço de Limpeza Pública. Diariamente, a prefeitura faz jorrar litros de água para manter os níveis de civilidade municipal e evitar que turistas – em curso pelo marco zero da Praça Tiradentes – não comparem Curitiba a Mumbai. Seria o fim: além de fria e congestionada, fedida.

Quem mais tem acumulado perdas com a conversão da travessa em mictório é a Catedral Metropolitana, onde um tal Júlio de Campos trabalhou em 1882. Plantada ali desde 1876, viu engarrafamentos de carroças, a Guerra do Pente, o golpe de 64. Mas, guris, não viu nada que se compare aos odores de agora – são em escala caximbenses.

O que se há de fazer. Houvesse a Lei de Talião, seria Curitiba uma terra de eunucos. Fossem coladas atrás da catedral placas com os dizeres “Deus tudo vê” e “Deus castiga”, estaria a Igreja reeditando o catecismo. Para piorar, os produtos orgânicos deixados como donativos atrás do templo não podem ser negociados no Câmbio Verde. Tempos difíceis, esses.

Resta recorrer às mães, para que eduquem os seus no uso de banheiros e no respeito ao patrimônio público. Quando os pimpolhos estiverem apertados, evitem, senhoras, abrir-lhes a braguilha e indicar-lhes o poste mais próximo, como se fossem pinchers. Não é bonitinho.

Um dia, já barbado, ele vai reprisar a “operação xixi ao vento”. Há de procurar um cantinho sem descuidar das medidas de segurança: botará um olho nos pés, outro ao redor, feito um Quasímodo. Como se pudesse deter as águas de um rio. Que cara de pau.

gp.

a pequena rua a que se refere o texto de jc fernandes é esta, à direita, em que caminha uma pessoa de vermelho. é atrás da Igreja Matriz de Curitiba. (foto livre).

ilustração do site.