MARÍTIME de jairo pereira / quedas do iguaçu.pr


com o Sr. Cruz e Souza andei

nessa miséria de signos

nesses bares q. o mar vomita pra fora

e eram de estar longe em alto azul

cercados de peixes frescos

brancas almas do mar cobertas de

espumas ácidas

::os peixes:: escamas-vidas

recobertos de mares etéreos

os peixes presas fáceis de se pegar com as mãos

com um poeta de negrísse extrema atordoei

sóis açoreanos e amei lindas mulheres ébanos

negríssimas almas ao meu terno branco de linho

importado do Paraguay

alvo imaculado um legítimo linho chinês

com um poema de terra inscrito na lapela

há um linho asiático como imagino

a vestir-me assim tão bem

há um poeta uma poesia uns peixes

e mulheres lindas no meu dizer de mar

um feitiço nas pedras da cidade

& e um trabalho honesto no coração

do signo q. não dê trabalho.

Uma resposta

  1. Prezado Jairo,

    Já troquei impressões com o Vidal e concordamos em meio a um e outro trago de vinho,
    a sua critaividade verbal não tem igual. Ela é como o arrebol no fim do dia, o casamento do céu com o Sol. É a apoteose de cores voando nos nossos sentidos.

    Nos seus poemas os peixes voam do mar para o ar e em êtase voluptuoso, com vôos evolutivos, se transformam em aviões acrobatas, para de novo mergulharem no mar de imagens dos nossos sentidos e assim eles nos surpreendem, sempre.

    Num único poema você nos leva aos céus e ao mar com muitas imagens.
    A sua imagem com um terno branco de linho Paraguaio nos leva aos romances adaptados. Ela nos leva ao passado dos livros de Garcia Marques. É toda uma Macondo voltando no rastro do olhar dos viajantes que caminham por terras literárias.

    O mais difícil em seus poemas e saber decifrá-los.
    A beleza neles não está na ordem, no ritmo, na métrica ou na rima,
    que tais atributos passam ao largo em seus poemas.
    A beleza deles está na surpresa das imagens que espocam
    como bolhas de óleo na areia dos desertos arábicos em noite de luar,
    parecendo caranguejos saindo da toca. Impressiona.

    Continue nos brindando com tais imagens,
    mesmo que apenas consigamos entender metade delas.
    Esta metade que pensamos sermos capaz de ler e entender.
    Ela já nos vale muito. A outra metade, quem sabe um dia, se abra
    como revelação em nossas mentes e aí lhe teremos inteiro.

    Grande Abraço, poeta.
    TM

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