Arquivos Diários: 18 abril, 2010

DALTON, SANCHES, NÊUMANE, ETC. – por hamilton alves – ilha de santa catarina

Num desses últimos sábados, o novo e interessante encarte do Estadão (não tão interessante assim, poderia sê-lo mais) – “Sabático” – publicou uma curta resenha, assinada pelo sr. José Nêumane, com acentuado ranço de louvaminhas ao sr. Dalton Trevisan, o conhecido Vampiro de Curitiba, que tem  como contista inegavelmente seus méritos (um conto dele “Onde estão os natais de antanho” considero um dos melhores que já li da literatura nacional, além de um bom punhado de outros). Longe de desmerecer o Vampiro, mas há de se reconhecer, de outro lado, que publicou uns livrinhos bem calhordas, como, só para citar um, o que traz o título de “Rita, Ritinha e Ritona”, que é eivado de cenas de bas-fond da pior espécie, além de cultivar uma linguagem que é de uma obscenidade sem limites, com o que, parece, se comprazer.

Tudo bem. Feitos os acertos de contas necessários, o crítico Nêumane, ao comentar o livro recém-lançado de Sanches Neto, “Chá das cinco com o Vampiro”, coloca Dalton num pedestal de altura descomunal, de forma quase inacessível para pobres mortais: “Devassar a intimidade da alma de um gênio misterioso como ele (refere-se a Dalton) é o paraíso dos aspirantes à fortuna crítica. E conviver com ele, a excelsa glória”.

E mais adiante o seguinte: “A exclusão compulsória da revelação dos mistérios do gênio esquivo já tinha sido amargada até por um parceiro de juventude: Wilson Martins. Do céu dos eleitos ao limbo dos rejeitados a caminhada é dolorosa e o trajeto, árduo”.

Nêumane revela-se, assim, alguém que foi letalmente contaminado pelas qualidades “excelsas”, no dizer dele, do Vampiro, a ponto de guindá-lo à lua na importância literária que possa ter, consideradas outras obras de parco valor literário, como “O grande deflorador”, que é um repositório de palavreado e tema inqualificáveis.

Nêumane registra (não li nem vou ler o livro de Sanches) que este destacou, em sua obra, o retrato do Vampiro: “Esconder a intimidade mais ou menos medíocre fez com que sua biografia crescesse”. O que fez Nêumane, que cultua a obra do Vampiro, reptar: “Que história é essa? Retire-se o gênio literário de Dalton Trevisan, chamado de Geraldo Trentini do romance de Sanches, e o que restará de suas rabugices? Nada.”

Claro que estou longe de pretender meter minha colher nessa salada.

Mas tudo bem que Nêumane cultue o Vampiro a ponto de considerá-lo gênio (todo mundo está virando gênio neste país, até o Lula, por incrível que pareça, tanto que está cotado fortemente para o prêmio Nobel da Paz (ó, céus!), mas que exagere nesse culto, aí, realmente, não dá para trabalhar, como costuma dizer um velho ledor e admirador do Vampiro.

O VAMPIRO e a MELANCIA – por alceu sperança . cascavel.pr

O pessoal de Presidente Prudente (SP) se apavorou com a prisão de um vampiro. Vandeir Máximo da Silva, 27, “papa” da seita Legião de Salvadores do Mundo, bebia sangue, sim senhor.

Os fruticultores chineses introduziram no mercado, com muito sucesso, a melancia quadrada – coisa provisória, pois logo estarão introduzindo o desentortador de banana.

Mas o que o vampiro imprudente de Prudente tem a ver com a melancia quadrada?

As pessoas se surpreendem e se fixam no que é novo, desconhecido, improvável ou lhes estimula paladar ou libido.

Saber que existem mesmo vampiros bebedores de sangue humano, certamente mexeu com duas ou três dessas motivações. E, se não com a libido, ao menos com o paladar a melancia quadrada mexeu.

No entanto, ninguém se mostra especialmente chocado quando o vampiro-governo nos chupa o sangue raivosa e acintosamente, através da carga tributária mais vampiresca do universo.

Alguns até gostavam da CPMF, porque com ela o governo nos chupava o sangue de canudinho, aos pequenos goles. O morcego-vampiro faz o mesmo: ele vai soprando enquanto aspira o plasma. É um truque fenomenal, plenamente acatado pela área tributária.

De outro lado, hoje, valores como amor, solidariedade, afeto, operários de todos os países uni-vos são considerados obsoletos, a exemplo da melancia irregular.

A tecnologia e a ideologia deram um jeito de nos moldar a todos, do mesmo jeito que os fruticultores fazem com suas melancias quadradas.

Moldam-nos para acreditar que um irmão deve atirar em outro. Que um patrão pode explorar um empregado como escravo. Que o governo “manda”, não gerencia. Que a tropa de elite pode matar. Que o traficante gera empregos. Que a informalidade pirata é melhor que as pessoas exigindo emprego em passeata.

Somos vampirizados o tempo todo e nos chocamos com a prisão do vampiro de Prudente. Somos moldados pela ideologia para pensar como eles querem. Estão nos transformando em melancias quadradas, pois nem nos assustamos mais quando alguém resolve dizer que estão cultivando porcaria transgênica muito perto do Parque Nacional do Iguaçu.

É o vampiro sugando a melancia.