A CARTA DA DESOBEDIÊNCIA por max quint / ouro preto.mg

Como se não bastasse a crise em que a Igreja católica vive, no momento, com freqüentes denúncias de padres incorrendo em graves práticas de pedofilia (atos de libido) contra principalmente menores, o que os inimigos da Igreja, declarados ou não, se esmeram em explorar da maneira mais sórdida imaginável através de ridículas charges, piadas grotescas, etc., vem o teólogo suíço Hans Kung, através de Carta Aberta aos fiéis do mundo todo e, especialmente, aos bispos, convocar todos a uma reação em prol da reforma da Igreja, conclamando principalmente para pontos controversos e tradicionalmente contra os fundamentos essenciais do sacerdócio, um dos quais é o celibato.

Diz o teólogo Kung, a certa altura de sua carta:

“O uso do vernáculo na liturgia, as mudanças dos regulamentos que governam casamentos mistos, a afirmação de tolerância, democracia e direitos humanos, a abertura para uma atitude ecumênica, e muitas outras reformas do Vaticano II, só foram alcançados pela pressão tenaz debaixo para cima”.

Kung, desafiadoramente, como se pode notar, conclama os bispos para uma reação à linha adotada por Bento XVI em seu episcopado de 5 anos. É a manifesta tendência a deflagrar-se, no seio da igreja, a desobediência. O que é, sem dúvida, o pior que pode ocorrer, neste momento, por tantos motivos, à Igreja católica, que precisa, sim, de um consenso entre seus bispos e o Papa para bem definir-se uma posição que não se afaste de seus princípios e fundamentos tradicionais, a fim de encontrar-se o melhor e mais adequado rumo para seus destinos.

Kung descreve um quadro de defecção sintomática na Igreja, com redução de seu corpo de sacerdotes, esvaziamento das paróquias, dos seminários, para bem mostrar a crise atual, que se alastra, segundo ele, de forma preocupante, para propor as soluções que entende serem as que recolocarão as coisas em seus devidos lugares.

Entre essas mudanças estaria a abertura para o celibato, sugerindo que nem por não serem celibatários os padres perderiam a consideração de seus bispos ou de outras autoridades eclesiásticas, continuando tudo a correr normalmente no seio da Igreja. O que significaria, no fundo, a tomada de uma medida como o fim do celibato na Igreja católica? O atual Papa Bento XVI não quer ouvir nem falar disso. Por que? Simples: isso seria o primeiro passo para a Igreja se desintegrar e aprofundar mais ainda a crise de fé, se há uma crise assim neste momento. Foi Cristo que fundou o sacerdócio, ao dizer “quem quiser vir depois de Mim abandone seus bens, sua família e siga-Me”. Não se podem misturar de forma alguma sacerdócio e deveres familiares. Não se pode servir, como diz a doutrina cristã, a dois senhores.

Quanto aos gestos de tolerância da Igreja, não podem ser tão grandes que pactuem com a desestruturação moral do mundo atual, com os casamentos mistos, de que falou Kung, num tom que parece indicar que até a isso a Igreja deve se dobrar passivamente.

Volta a pregar, no fim de sua Carta Aberta, o teólogo Kung: “Incontáveis pessoas perderam sua confiança na Igreja Católica. Somente admitindo aberta e honestamente esses problemas e realizando resolutamente as reformas necessárias a confiança poderá ser recuperada”.

Kung deflagra perigosamente um dissenso no seio da Igreja. Oxalá, não esteja colaborando para aprofundar ainda mais a crise atual. Tudo o que a Igreja católica precisa neste momento é de coesão em torno de pontos essenciais ou de um ideário que não a afaste de seus fundamentos básicos, e que não a desfigure, como parece pretender, claramente, o teólogo Hans Kung.

Uma resposta

  1. Parabens Pelo Post!

    Abraços!

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